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Falta um pouco de Tite em Klopp no Liverpool de Coutinho e Firmino
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André Rocha

Philippe Coutinho tem cinco gols e quatro assistências na temporada 2017/2018. Roberto Firmino foi às redes oito vezes e também serviu passes para gols de companheiros por quatro vezes. Só não são os grandes destaques individuais do Liverpool porque o egípcio Mohamed Salah vive momento mágico, já marcando 13 vezes e somando três assistências. É o artilheiro do Campeonato Inglês com nove.

Os brasileiros contribuem efetivamente para que os Reds só sejam superados pelo Paris Saint-Germain de Neymar, Mbappé e Cavani na Liga dos Campeões como ataque mais efetivo – 17 a 16, em cinco partidas – e fiquem atrás apenas dos times de Manchester na Premier League: marcou 24, enquanto o City de Pep Guardiola foi às redes 40 vezes e o United de José Mourinho 27.  Em 12 rodadas. É também a equipe que mais finaliza na competição nacional.

O quarteto ofensivo ainda conta com o senegalês Sadio Mané – quatro gols e três assistências em dez jogos, depois de cumprir suspensão de três jogos na PL e sofrer lesão que o deixou de fora por cinco partidas. Dos 40 gols marcados nas duas competições, eles são responsáveis por 30. Ou 75%.

Só não garantiram matematicamente a classificação antecipada para as oitavas de final do torneio continental e uma posição acima da quinta colocação atual no Inglês – ocupando a zona de classificação para a Liga Europa porque supera Arsenal e Burnley com os mesmos 22 pontos por conta do saldo de gols – pelo fraco desempenho do sistema defensivo.

Na Premier League, são 17 sofridos. A mais vazada entre os sete primeiros. Na Liga dos Campeões, apenas seis. Mas um mau sinal: o Sevilla, rival mais competitivo do Grupo E, fez cinco. Nos dois empates entre as equipes.

O último em 3 a 3 no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Resultado que poderia ser considerado satisfatório como visitante. Mas não depois de abrir 3 a 0 em trinta minutos e ceder o empate na segunda etapa. Firmino marcou dois e serviu Mané. Jogo de 20 finalizações, dez para cada equipe. Sete no alvo dos visitantes, cinco dos anfitriões que ainda carimbaram a trave do goleiro Loris Karius uma vez.

Por que o Liverpool sofre tanto sem a bola? Uma das explicações seria as limitações dos jogadores da última linha de defesa – em Sevilla formada por Joe Gomez, Lovren, Klavan e Moreno, apesar do lateral espanhol ser um dos líderes em assistências da Champions com três passes para gols. Ou a proteção insuficiente da dupla Henderson-Wijnaldum. Mas vai um pouco além.

Passa pela visão de futebol do treinador alemão Jurgen Klopp. Figura carismática, instigante. Com eletricidade e paixão à beira do campo. Comandante que popularizou o “gegenpressing”, que nada mais é que um trabalho de pressão intensa e obsessiva sobre o adversário logo após a perda da bola, ainda no campo de ataque. Acredita em futebol no volume máximo.

Mas sem o minimo controle. Mesmo considerando o contexto de jogo ultraveloz não só da liga inglesa, mas também da alemã que conquistou duas vezes com o Borussia Dortmund. Um jogo de bate e volta, no estilo “briga de rua”. Sem adaptações, mesmo completando dois anos na Inglaterra em outubro. Na prática vem exaurindo sos atletas, física e mentalmente, além de expor demais o time.

Coutinho e Firmino devem sentir a falta de um pouco de Tite no clube. Não só pelos cinco gols sofridos pela seleção brasileira sob comando do treinador em 17 partidas, apenas três em 12 jogos oficiais pelas Eliminatórias. Mas principalmente pela busca do equilíbrio entre as ações de ataque e defesa, além, é claro, dos os companheiros mais qualificados na retaguarda verde e amarela.

Também a ideia de controlar o jogo, ora com a posse da bola, ora fechando os espaços e esperando o momento certo de atacar e definir as partidas. O Liverpool troca golpes o tempo todo. É capaz de surrar o Arsenal por 4 a 0 em Anfield Road na terceira rodada da Premier League e, no jogo seguinte pelo Inglês, ser atropelado pelo City no Etihad Stadium por 5 a 0.

Tem a terceira melhor média de posse da liga, empatado com o Arsenal e atrás de City e Tottenham, mas é muito mais pelo volume e por pressionar e recuperar rapidamente, em especial contra equipes de menor investimento, do que pela capacidade de dominar o oponente.

Aleatório demais. Aqui não há a intenção de comparar os treinadores em qualidade, mas realçando as diferenças de características e personalidades. Fica claro, porém, que falta uma pitada, ou uma mão cheia, de Tite em Jurgen Klopp. Por isso o time de Coutinho e Firmino não decola, na Inglaterra e na Europa.

(Estatísticas: UEFA e WhoScored)


Dupla Jesus-Aguero, Danilo e Mendy. Guardiola parece ter achado melhor City
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André Rocha

A expulsão de Sadio Mané ainda no primeiro tempo após entrada imprudente e violenta sobre o goleiro Ederson praticamente definiu o jogo no Etihad Stadium. Mas o Manchester City já era superior ao Liverpool, inclusive no placar – 1 a 0, gol de Kun Aguero completando passe preciso em profundidade de Kevin De Bruyne.

O belga foi um dos destaques da formação que Pep Guardiola mandou a campo. Com Danilo como lateral-zagueiro pela direita, como Azpilicueta no Chelsea de Antonio Conte. Liberando Walker como ala, acelerando as coberturas e qualificando a saída de bola. Fora a versatilidade para mudar o desenho sem mexer nas peças.

No segundo tempo o brasileiro inverteu o lado e foi praticamente outro meio-campista no auxílio a Fernandinho. Dando suporte a Mendy que voava à esquerda para cima de Trent Alexander-Arnold, fragilizado na lateral direita da equipe de Jurgen Klopp, que de início tentou adiantar linhas e duelar pela posse de bola na execução de seu 4-3-3 sem Philippe Coutinho até no banco.

Perdeu capacidade de criação e flexibilidade. Eram três meio-campistas sem tanta qualidade no passe, dois ponteiros velozes e Firmino girando e tentando abrir espaços. Por isso teve a grande oportunidade na partida com Salah em contragolpe cedido pelo City mesmo com 1 a 0 no placar.

Efeito colateral da confiança em uma maneira de jogar que parece ter encontrado a melhor formação. O 5-3-2 que se transforma em 3-1-4-2 na retomada. Trabalhando a posse, pressionando no campo de ataque. Movimentando a dupla de ataque e abrindo o campo com os alas.

Passeio na segunda etapa com o segundo de Jesus cedido por Aguero depois de passe em profundidade letal de Fernandinho. O primeiro do atacante brasileiro saiu de cabeça, logo após a expulsão, em nova assistência do meia De Bruyne. Cruzamento cirúrgico da esquerda. O belga foi outro destaque individual em uma bela atuação coletiva.

Fica a dúvida em relação ao comportamento desta equipe diante de adversários bem fechados e com linhas compactas, de “handebol”. Porque induz o jogo posicional a abrir a jogada e fazer o cruzamento buscando a dupla de atacantes. Com espaços fica mais fácil alternar por dentro e pelo flanco.

Por isso Sané, que entrou na vaga de Jesus, também deu espetáculo com dois gols. O último golaço nos acréscimos para fechar em 5 a 0. Antes completou mais um centro de Mendy no passeio pelo setor esquerdo. Num universo de 66% de posse de bola e 12 finalizações, nove no alvo. A mira também estava afiada.

Placar histórico, que só não é a maior dos citizens no confronto porque em 1936 houve um 6 a 0.  Mais importante que o número de gols, porém, foi o desempenho. Guardiola parece ter encontrado o melhor caminho para enfim se impor na Premier League.

(Estatísticas: BBC)


Real Madrid, Zidane e a nova era do futebol por demanda
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André Rocha

O Barcelona sofre tentando criar alternativas ao seu estilo de posse de bola após encontrar algumas boas respostas no auge do trio Messi-Suárez-Neymar em 2015, mas agora vivendo uma queda brusca. Pep Guardiola quebra a cabeça para adequar seus princípios de jogo outrora inegociáveis ao futebol jogado na Inglaterra. O Atlético de Madri de Simeone e José Mourinho com o Manchester United buscam alternativas para os momentos em que suas equipes precisam criar espaços porque têm a posse diante de equipes de menor investimento.

Jurgen Klopp e seu sucessor no Borussia Dortmund Thomas Tuchel tentaram encontrar a saída na intensidade máxima, nas transições contínuas baseadas no “gegenpressing”, mas penam com o mesmo problema que Marcelo Bielsa convive há pelo menos uma década: seus comandados não suportam tamanha a exigência física e mental.

O “futebol líquido”, conceito de Paco Seirul lo que consta no livro “Guardiola, a Metamorfose”, de Marti Perarnau e traduzido pela Editora Grande Área, ainda é algo fascinante no campo das ideias e provavelmente o veremos no futuro, com times fluidos, atacando e defendendo por todos os lados com ações mecanizadas, jogando de memória. Como alguém nascido no século 20, este que escreve ainda acredita que o talento é e será sempre fundamental.

Jupp Heynckes, em seu último ato como treinador, iniciou um processo de combinação de estilos com o Bayern de Munique campeão de tudo em 2013. Segunda equipe com mais posse de bola na Europa que pulverizou a primeira, o Barcelona, com 7 a 0 no placar agregado da semifinal da Liga dos Campeões com média de 40% de tempo com a bola.

No ano seguinte, Carlo Ancelotti ensaiou a melhor solução com o Real Madrid campeão de “La Decima”: um time híbrido, que se adapta bem ao ataque posicional, mas se for preciso acelera e é letal nos contragolpes. Mas naquele momento faltava entrosamento e um pouco de flexibilidade do trio BBC – Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo – um tanto duro, rígido, com a única variação do sistema tático: do 4-3-3 para o 4-4-2 com o recuo de Bale pela direita.

Zinedine Zidane assumiu em sua primeira oportunidade como treinador do time principal dos merengues resgatando as ideias do italiano, de quem era auxiliar técnico. Com a conquista da Liga dos Campeões e a possibilidade de planejar a temporada, foi amadurecendo, consolidando e aprimorando conceitos e agora parece chegar a algo novo. Mas não tanto assim.

Desde sempre times como Real Madrid jogam no campo de ataque na maioria das partidas. Cultura do clube, exigência da torcida, expectativa do adversário, da mídia, de todos. Apenas em alguns jogos, em contextos especiais, ou só quando constroi a vantagem no placar é permitido recuar linhas e jogar em contragolpes.

Só que dentro da dicotomia do futebol mundial nos últimos oito anos ou você era propositivo e ficava com a bola, ou reativo e explorava os espaços cedidos por quem decidia controlar o jogo com a posse. Com os estilos cada vez mais estudados, quem apresentava uma das ideias como filosofia quase imutável sofria quando precisava variar a proposta ou era surpreendido.

Como equipes pressionando a saída de bola do Barça e explorando os espaços às costas das retaguardas de Guardiola. Ou times dando a bola aos comandados de Mourinho e Simeone e explorando suas dificuldades.

O Real Madrid atual é mutante, “camaleão”. Se adapta ao que quer para o jogo ou ao que o adversário propõe. E pode mudar durante o jogo. Porque tem jogadores capazes de virar a chave sem que o treinador precise fazer alterações.

Carvajal e Marcelo podem jogar abertos no campo de ataque ou posicionados numa linha de quatro com Varane e Sergio Ramos, atentos na cobertura e no confronto direto com os atacantes do oponente se expostos ou fixos atrás, prontos também para o jogo aéreo, ofensivo ou defensivo.

No meio, Casemiro, Modric e Kroos. Se é preciso de requinte na saída de bola pressionada, o alemão recua para qualificar os passes, curtos ou longos. Se a necessidade é de proteção e imposição física lá está Casemiro, outra peça importante nas jogadas pelo alto. E se o jogo requer dinâmica, presença de área a área, acelerando ou cadenciando, Modric é completo. Versátil.

Isco foi o toque de Zidane para tornar tudo ainda mais fluido e mutável. É meia no 4-3-1-2, mas também é ponta fazendo dupla com o lateral. Indo e voltando. Se recua pela direita, Modric e Casemiro centralizam e Kroos fecha o lado esquerdo. Se volta à esquerda, Modric abre e Kroos fecha. Sempre em duas linhas de quatro.

Para liberar Cristiano Ronaldo e Benzema, que circulam por todos os setores do ataque. Ou Bale, que parece aceitar a reserva porque sabe que vai jogar muitas vezes. Zidane roda o elenco com naturalidade. Na temporada passada definindo titulares e reservas e mandando a campo dentro de um planejamento. De olho na meritocracia. Assim Isco virou titular.

Desta forma já começou a temporada 2017/2018 com dois títulos, num total de sete desde o início de 2016. Matando o Manchester United na Supercopa da Europa ficando com a bola. Depois encaminhou a Supercopa da Espanha com os 3 a 1 sobre o rival Barcelona jogando em transições rápidas e definiu o confronto com 2 a 0 no primeiro tempo e maior posse de bola que o time blaugrana pela primeira vez em nove anos.

Porque o jogo pedia. Basta ter leitura e inteligência e serenidade para tomar as melhores decisões, individuais ou coletivas. Capacidade de resolver problemas. Com bola rolando ou parada. Por baixo ou pelo alto. Entender a lógica da disputa e a melhor forma de superar o rival e construir vitórias e títulos com naturalidade.

Tudo sem abrir mão de conceitos atuais: compactação, pressão, preenchimento e ataque de espaços, jogo posicional, profundidade, amplitude, mobilidade. Temperados com mentalidade vencedora e confiança. Zidane não nasceu sabendo, nem é mágico. Mas sempre privilegiando a precisão técnica e em alguns momentos até deixando o adversário jogar. Como era num tempo distante que às vezes retorna em insights nesse vai e volta na linha do tempo.

Este é o Real Madrid de Zidane. O bicampeão europeu, líder de uma nova era do esporte que volta um pouco atrás para ser pragmático sem perder a leveza. Ofensivo e reativo, de acordo com o “freguês”. Dentro ou fora de casa. Nada mais simples e moderno, como ver a sua série favorita ou o time de coração na TV de casa ou em um dispositivo móvel. Como quiser e quando for possível.

Jogo de ataque e defesa descarnado de idealizações ou romantismos. É o futebol por demanda.


A maior vitória de Jürgen Klopp foi depois que a bola parou em Anfield
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André Rocha

O Liverpool conseguiu a mais impressionante virada dos duelos de quartas-de-final das competições europeias. Levou 2 a 0 em oito minutos, em falhas de Coutinho e Roberto Firmino. Mkhitaryan e Aubameyang. O Borussia Dortmund parecia naquelas noites imparáveis.

Esperança com Origi no início do segundo tempo. Tudo pareceu ruir na bela finalização de Marco Reus. Mas o gol da redenção de Coutinho abriu o caminho para um “abafa” irresistível e Sakho e Lovren arrancando a vitória improvável. Na paixão. Apoteose no Anfield Road.

Jogo de muitos gols, não por acaso. Times intensos, que pressionam o adversário assim que perdem a bola, em qualquer pedaço do campo. Bola roubada, ataques rápidos e práticos. Futebol vertical. No volume máximo.

Produtos do técnico mais rock’n’roll do planeta. Jürgen Klopp. Franco, espontâneo. Às vezes insano. Com a santa pureza dos loucos.

Um cara legal, dos mais queridos no meio do futebol. A ponto de lembrar de sua torcida por sete anos logo depois de uma vitória espetacular. A solidariedade rendeu aplausos dos dois lados. Uma cena para arrancar lágrimas de quem ama esse esporte. Um triunfo maior que o placar final do jogo e do confronto. A certeza que nunca caminhará sozinho.

Desde o minuto de silêncio em homenagem às vítimas de Hillsborough, uma aula de civilidade e respeito numa atmosfera de pura eletricidade. Este que escreve não tem complexo de vira-latas nem considera melhor tudo que vem da Europa. Mas neste quesito perdemos de 77 a 1.

No lugar do técnico alemão, depois do jogo, iria para casa com a certeza de que na vida o que vier agora é lucro. Os Reds estão nas semifinais da Liga Europa. Mas o grande vencedor da noite em Liverpool foi Jürgen Klopp.


O que Jürgen Klopp pensa sobre o trabalho do técnico no futebol brasileiro
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André Rocha

Jurgen Klopp Liverpool

Após a vitória por 2 a 0 do Liverpool sobre o Manchester United no Anfield Road pelas oitavas de final da Europa League, Jürgen Klopp atendeu com exclusividade os canais Esporte Interativo para o programa “Melhor Futebol do Mundo”.

Perguntado sobre a possibilidade de um dia comandar um time brasileiro, o treinador carismático e franco deu uma resposta elegante, porém contundente:

“O Brasil é o lugar mais difícil para se trabalhar como treinador. Tudo que eu escuto sobre lá é que eles demitem os treinadores toda semana, e isso não faz sentido, para ser sincero. Mas é um país legal, com jogadores extraordinários”.

Klopp é o vigésimo treinador da história do Liverpool, fundado em 1892.

Sem contar os interinos, o “impaciente” Fluminense fez 20 trocas de técnico desde 2006. O Corinthians comandado por Tite e Mano Menezes desde 2008, com o breve hiato de Adilson Batista em 2010, o mesmo número desde 2001. O São Paulo, que contou com Telê Santana de 1990 a 1995 e Muricy Ramalho de 2006 a 2009 e 2013 a 2015, fez as mesmas vinte desde 1999.

O técnico não pode ser um profissional blindado, imune a críticas e cobranças por conta de um dogma da manter por manter para parecer moderno. Mas trocar ao sabor dos ventos, “para ver se dá certo”, sem nenhum critério ou filosofia de trabalho está longe de ser a melhor solução.

No final, questionado sobre os 7 a 1, soltou sua tradicional gargalhada e saiu caminhando. Ele deve saber bem o porquê.


As primeiras impressões do Liverpool na estreia de Klopp
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André Rocha

A expectativa era grande pela estreia de Jurgen Klopp, mesmo fora de casa, no White Hart Lane diante do Tottenham que não perdia há sete jogos. Apesar dos muitos desfalques.

O principal questionamento era se o carismático, mas também tático, treinador alemão conseguiria implementar algumas ideias de seu modelo de jogo já na primeira partida. Os Reds deram algumas respostas, como uma marcação mais adiantada e por pressão com todos participando.

Também o desenho tático. Inicialmente o 4-2-3-1 habitual de Klopp, com Philippe Coutinho um pouco mais fixo pela esquerda, Milner e Lallana alternando à direita e no centro. Depois o 4-3-3/4-1-4-1, que também era variação no Borussia Dortmund, com Lucas Leiva plantado à frente da defesa, Milner e Emre Can nas meias. Coutinho se soltou, circulando e tentando articular. Lallana e o atacante Origi invertendo bastante o posicionamento, solução para tentar compensar as ausências de Sturridge e Benteke no ataque.

Superioridade dos visitantes com uma bola no travessão em cabeçada de Origi que durou até os Spurs se adaptarem à uma mudança necessária: Chadli saiu contundido, entrou Claiton N’Jie. O camaronês se esforçou para participar da dinâmica na frente com Lamela, Eriksen e Kane. Também obrigou Mignolet a fazer grande defesa em chute colocado.

Recuperação e domínio refletidos nos números: 53% de posse da equipe londrina, nove finalizações a sete – duas no alvo para cada lado. Na tentativa de pressão, o Liverpool cometeu mais faltas. O dobro para ser mais exato, oito contra quatro.

No primeiro tempo, Liverpool de Klopp mais tempo no 4-3-3/4-1-4-1 com Coutinho partindo da esquerda para articular; Tottenham no 4-2-3-1 habitual se recuperou após a troca de Chadlie por N'Jdie.

No primeiro tempo, Liverpool de Klopp mais tempo no 4-3-3/4-1-4-1 com Coutinho partindo da esquerda para articular; Tottenham no 4-2-3-1 habitual se recuperou após a troca de Chadlie por N’Jdie.

Na segunda etapa, mais pressão do time vermelho no setor onde estava a bola e mobilidade na frente, com Milner voltando a aparecer mais pela direita na volta ao sistema inicial. Com isso, recuperou posse de bola e transição.

Flagrante da pressão do Liverpool no campo de ataque em cobrança de lateral do rival - cinco jogadores em um curto espaço de campo para estreitar a saída de bola.

Flagrante da pressão do Liverpool no campo de ataque em cobrança de lateral do rival – cinco jogadores em um curto espaço de campo para estreitar a saída de bola.

O Tottenham tentava responder também com “pressing”. Faltava, porém, aos dois times a jogada criativa, o passe diferente para desmontar a defesa adiantada pela compactação.

A troca de Lallana por Allen não fez bem ao Liverpool. Induziu o time a recuar e ceder espaços. Não recuperou sequer vigor com Ibe na vaga do exausto Coutinho. No final, Mauricio Pochettino tentou atacar pela direita com Townsend no lugar de Lamela. Teve duas boas oportunidades com Kane, mas não muito mais que isso.

As trocas de Klopp empurraram os Reds para o campo de defesa e atraíram o Tottenham que tentou atacar pela direita e teve oportunidades com Kane, porém sem sucesso.

As trocas de Klopp empurraram os Reds para o campo de defesa e atraíram o Tottenham que tentou atacar pela direita e teve oportunidades com Kane, porém sem sucesso.

Saldo final: 52% de posse do Liverpool, 13 finalizações do Tottenham contra 12 – quatro a três na direção da meta. Empate que pouco acrescenta às duas equipes na tentativa de se aproximar do líder Manchester City. Para os Spurs, valeu a manutenção da invencibilidade apesar dos cinco empates.

Aos Reds resta dar tempo para Klopp trabalhar. A proposta é boa, mas o treinador precisa manejar as peças disponíveis. Se falta talento, tem que sobrar intensidade e organização.


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