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Com Levir Culpi, Santos cresce no modo “briga de rua”: jogo de trocação
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André Rocha

O Santos de Dorival Júnior prezava posse de bola e troca de passes. Na reta final do trabalho de quase dois anos, o domínio era inócuo pela baixa efetividade da equipe que rodava, tocava, mas não finalizava e deixava a defesa exposta.

Levir chegou e não mudou o DNA ofensivo da equipe, algo até cultural no clube. Nas últimas partidas, incluindo os 3 a 0 sobre o Bahia, até arriscou mais encaixando Emiliano Vecchio no lugar de Thiago Maia, negociado com o Lille.

A execução do 4-3-3, porém, é vertical, direta. Não controla o jogo com a bola, ainda que seja o líder em posse e o segundo em acertos de passes na competição – muito mais pelo volume de jogo e pela vontade de atacar, dentro ou fora de casa, sem contar os altos índices nas quatro partidas ainda sob o comando do antecessor.

Também não há controle de espaços, com o time bem posicionado na fase defensiva. Por isso Vanderlei trabalha tanto e é o melhor goleiro da Série A. Assim como explica os muitos erros de Lucas Lima em lançamentos e cruzamentos. Força a assistência o tempo todo, buscando Kayke no centro do ataque ou os pontas Copete e Bruno Henrique jogando invertidos para infiltrar em diagonal.

O camisa dez tem só dois passes para gols – Bruno Henrique tem cinco. Mas é quem faz o time acelerar o tempo todo, agora com auxílio de Vecchio e a proteção de Yuri à frente da retaguarda.

O Bahia terminou o jogo no Pacaembu lotado com 51% de posse e 14 finalizações contra onze do time mandante. Mas Bruno Henrique aproveitou uma trinca de ações ofensivas rápidas, com pelo menos três santistas na área adversária para resolver a partida. O alvinegro praiano melhorou muito sua relação finalizações/gols: agora precisa de oito conclusões para ir às redes.

O Santos cresce e luta na parte de cima do Brasileiro no modo “briga de rua”. Aposta na trocação, no jogo aberto acreditando na força de seu ataque e no momento espetacular de seu goleiro para derrubar os rivais.  Até porque o mantra atual do futebol nacional é não ficar com a bola e jogar em transições o tempo todo.

Não chega a ser um “Peixe Doido”, como o Galo de Cuca que Levir herdou e manteve a intensidade no topo. Mas torna o time mais imprevisível e eficiente. Dorival caiu com uma vitória e três derrotas. Com Levir são oito triunfos, três empates e apenas um revés. 75% de aproveitamento que só ficaria atrás do líder Corinthians. Não é pouco.

 

(Estatísticas: Footstats)


Levir Culpi pode ser o “Renato Gaúcho” de Dorival Júnior no Santos
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André Rocha

Estrear técnico num período sem tempo para treinamentos, com partidas a cada três dias, é sempre uma missão inglória. Não foi diferente para Levir Culpi que recebeu de Elano o Santos de Dorival Júnior.

No clássico da Vila Belmiro, foi possível ver uma equipe mais atenta, intensa e buscando um jogo mais vertical – na vitória sobre o Atlético-PR já havia chamado atenção a efetividade. Nem sinal da posse estéril de vários momentos da temporada.

Mas a proposta de não ser tão protagonista, definindo mais rapidamente a jogada tem efeitos colaterais, como a pressão palmeirense no segundo tempo que transformou Vanderlei no melhor jogador em campo. Triunfo com arbitragem polêmica no gol de Kayke em disputa com Edu Dracena  Impressão de falta do atacante no zagueiro, que reclamou de infração sobre ele também no segundo tempo, mas na área santista.

Passe de Jean Motta, improvisado novamente na lateral esquerda e sofreu na defesa com os seguidos ataques palmeirenses. Faltou também mais mobilidade de Lucas Lima, vigiado pelo volante Thiago Santos. O 4-2-3-1 mantido por Levir teve problemas de compactação.

O Santos terminou com 49% de posse, apenas oito finalizações contra 14 do rival – cinco a oito no alvo. Por outro lado, foram 29 desarmes certos contra 16. Uma clara mudança de perfil e de postura.

Primeira vitória em clássicos na temporada. De um alvinegro praiano que pode viver experiência parecida com a do Grêmio. Assim como Roger Machado, Dorival Júnior deixa um estilo assimilado num trabalho de quase dois anos, porém desgastado.

Levir não é o maior ídolo do Santos, como Renato Portaluppi no time gaúcho. Mas sua visão de futebol e gestão de vestiário podem trazer ao time um complemento às práticas do antecessor. Alternando a valorização do controle da bola com mais rapidez na transição ofensiva, contundência no ataque e o modo Levir de lidar com todos: direto e franco, sem os laços que Dorival construiu naturalmente pelo tempo de convivência. A concorrência vai ficar mais aberta. o ambiente mais competitivo.

Em junho será difícil ver uma mudança mais significativa, pela sequência de jogos. Por ora, importante é pontuar para mudar o patamar na disputa. Com os nove pontos nas últimas três rodadas, já se aproximou do G-4. Sem alarde, o atual vice-campeão pode voltar a brigar no topo. Com Levir como o “Renato Gaúcho” da Vila Belmiro.

(Estatisticas: Footstats) 


O patrão ficou maluco! E não é Black Friday
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André Rocha

Daniel Nepomuceno Galo

Primeiro foi Levir Culpi, demitido do Fluminense faltando quatro rodadas para o final do campeonato.  Entrou o eterno interino Marcão. Todos imaginavam que seria a última dispensa de treinador do Brasileiro 2016.

Mas na rodada seguinte o Internacional trocou Celso Roth por “Lisca Doido”. Para ter a primeira finalização contra o Corinthians em Itaquera aos 15 minutos do segundo tempo. Precisando da vitória.

Agora o São Paulo, depois de garantir Ricardo Gomes no cargo com os 4 a 0 sobre o Corinthians no Morumbi, muda os planos e demite o treinador para dar a primeira oportunidade a Rogério Ceni. Uma clara decisão política porque não há como imaginar o desempenho do ídolo na nova função.

Já o Galo dispensa Marcelo Oliveira antes do segundo jogo da decisão da Copa do Brasil e com o time ainda com chances de G-3 no Brasileiro. Assume Diego Giacomini, da base. Precisou levar um gol “de rachão” de Pedro Rocha e cair a mística de imbatível em Belo Horizonte para acordar.

O que mais impressiona é que, com exceção de Rogério Ceni, nenhum dos substitutos foi escolhido já pensando no planejamento de 2017, o que seria o mais lógico. No caso do Colorado é desespero mesmo.

A visão imediatista de dirigentes, torcedores e jornalistas já é notória, até virou clichê. Mas desta vez os clubes se superaram. Talvez o sucesso de Renato Gaúcho, contratado por apenas três meses e muito próximo de conquistar o título que o Grêmio busca há 15 anos, esteja influenciando nessas decisões intempestivas de contratar a curto prazo. Mas é uma exceção à regra, com todos as suas particularidades.

De tudo que foi dito sobre estas demissões, o que mais chamou a atenção foi a declaração de Daniel Nepomuceno, presidente do Galo: “A gente está vendo o processo. Ah, demitiu, mas demitiu tarde, ah, mas demitiu cedo. Não é simples assim. Nunca é 100%. Para quem acompanha futebol há tantos anos como vocês não é fácil.”

Alguém entendeu?

O patrão ficou maluco! E não é Black Friday…

 


Já é hora do Fluminense deixar a Era da Incerteza
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André Rocha

Peter Siemsen Fluminense

Dezesseis anos não são duas semanas e dois dias. Era previsível e é possível compreender a dura transição no Fluminense depois do fim da parceria com a Unimed. Ainda mais pelo desinteresse do patrocinador em ajudar o clube a se tornar autossustentável.

Cortar o cordão umbilical sem uma preparação foi como largar o filho juvenil no mundo para tomar suas próprias decisões. E o Fluminense nem se saiu tão mal no início do processo, buscando outras fontes de receita, equacionando dívidas, renegociando contratos. Segundo um ex-dirigente, “pilotar o próprio carro popular e não a BMW alheia”.

Até que o jovem se sentindo independente, ou o senhor maduro novamente solteiro, resolveu bancar uma festa cedo demais. Sim, Ronaldinho Gaúcho. Segundo o presidente Peter Siemsen em entrevista ao UOL, sem o aval do então treinador Enderson Moreira. O velho equívoco de achar que o craque por si só, sem um time forte, é capaz de se pagar.

A equipe competitiva do início do Brasileiro se perdeu, mesmo com o craque boêmio entrando pouco em campo. Porque é difícil se achar sem uma convicção mínima, uma linha de raciocínio. Sempre no caso a caso.

Envolvendo até Fred, que foi considerado descartável quando o time venceu a Primeira Liga sem ele. Na coletiva de despedida do artilheiro, o blogueiro esteve nas Laranjeiras e a leitura foi de que a permanência do ídolo no clube se deu pelo salário que ainda era alto para os padrões brasileiros, mas principalmente por se sentir parte do processo decisório como imagem e referência.

Quando colocado como uma peça da engrenagem, importante mas sem tratamento especial, e tolhido pela hierarquia, preferiu um Galo mais estelar, competitivo e com melhor estrutura.

Agora o Levir Culpi fortalecido de outrora é demitido. Também porque o clube não se preparou para caminhar sem Fred – figura midiática, lider e conselheiro dos mais jovens. Artilheiro que acostumou a todos com o papel de coadjuvante, assistente. O resultado prático é um time inconstante, hesitante.

Para complicar, a demora em definir um estádio como “casa” no Rio de Janeiro sem o Maracanã e as viagens que dificultaram o planejamento da temporada. A relação cíclica com a FERJ e a frágil parceria com o Flamengo são outros exemplos da falta de convicções que respinga no campo.

Quando Levir sai dizendo que o Fluminense é “o clube que mais demite” e “um dos mais oscilantes no convívio entre vitória e derrota” reflete a visão de um profissional que percebe a insegurança geral que agora apela para a velha “chacoalhada”. Muito conveniente num ano eleitoral.

Colocar o centro de treinamento para funcionar e, enfim, sair das Laranjeiras é passo importante para o futuro. Mas vital mesmo para clube e time de futebol é enfim escolher um norte e acreditar nele, mesmo com as turbulências no caminho. Deixar para trás a Era da Incerteza e seguir adiante.


Afinal, um time depende do centroavante ou ao contrário? E o Flu de Fred?
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André Rocha

A história mostra que boa parte dos times e seleções que contribuíram para a evolução do futebol não contavam com a figura clássica do centroavante. O camisa nove que fica entre os zagueiros e está na área para definir.

Sindelar era um atacante móvel no Wunderteam nos anos 1930. Na Hungria de 1954, Hidegkuti vestia a nove, mas recuava para Kocsis e Puskas infiltrarem. Real Madrid de Di Stéfano, artilheiro que aparecia em todos os setores.

No Santos lendário, Coutinho era mais coadjuvante de Pelé, artilheiro em quase todas as competições no período áureo. O Brasil de 1970 com Tostão, um “ponta-de-lança” que mais adiantado abria espaços para Pelé e Jairzinho.

Holanda de 1974 com Cruyff rodando por todo o campo, Barcelona de Guardiola consagrando Messi como “falso nove”. O São Paulo de Telê Santana, com Muller, Raí e Palhinha girando.

O Flamengo de Zico era um caso particularíssimo: Nunes era um típico centroavante, mas que naquela equipe se sacrificava procurando os flancos para participar da intensa movimentação. Sem protagonismo. Ou apenas nas grandes decisões.

Ronaldo, Romário e Van Basten. Centroavantes geniais. Ainda assim, em seus melhores momentos eram muito mais atacantes, participando da dinâmica ofensiva de seus times e seleções. Quando o físico não respondia, aí valia a incrível vocação para o último toque.

Sem deixar de depender do time. Eis o ponto. Se o centroavante precisa da jogada trabalhada para finalizar, no máximo colaborando no último terço e, dependendo da estatura, ajudando a retaguarda nas bolas paradas, ele precisa do trabalho coletivo.

Por outro lado, esse talento para ir às redes na maioria das vezes é o que define vitórias e títulos. Não por acaso faturam os maiores salários e os holofotes, desde a profissionalização do esporte. Como diz a canção do Skank: “O centroavante, o mais importante”.

Com o estrelato, os goleadores tendem a pedir a bola o tempo todo e acostumar os companheiros a servi-los, mesmo melhor posicionados. Transferência de responsabilidade, assumida com prazer pelo nove, que também aceita a pressão quando a fase é ruim.

O centroavante depende do time, que vence com seus gols. Mas é possível prescindir dessa figura. As equipes mais modestas, sem tanto repertório técnico e tático, costumam precisar mais dos fazedores de gols. Mas sem ficar reféns destes.

Fred está na história do Fluminense. Por 2009 e 2012. Porque ficou mesmo com a saída da Unimed. Um ídolo inquestionável. Centroavante de exceção para o nível do futebol jogado no país.

Mas vive um paradoxo, porque é tratado como a referência da equipe, mas necessita do passe preciso. No Brasileiro de 2014 foi artilheiro em um time irregular, mas que criava na frente. No ano passado teve o melhor momento pouco antes da chegada de Ronaldinho. O Flu chegou a ser líder da principal competição nacional.

A relação custo/benefício, porém, não vem fechando em um clube sem o grande investidor de outros tempos. Pela gratidão, o atacante ganhou um poder que não deve ser conferido a um jogador. O dirigente, que também é torcedor, concede salvo conduto para qualquer comportamento. “Ele pode tudo”.

Com Levir Culpi não costuma funcionar assim. Ronaldinho queria jogar sem treinar no Atlético Mineiro em 2014. Com aval da diretoria foi embora, mesmo com Libertadores e seu currículo de duas Bolas de Ouro. Diego Tardelli foi enquadrado, aceitou e viveu fase esplendorosa, com título da Copa do Brasil e convocações para a seleção brasileira.

Como será com Fred e essa rota de colisão? Sem ele, o Fluminense, que cresceu de produção depois da controversa saída de Diego Souza, venceu o Volta Redonda por 2 a 0. Lidera a Taça Guanabara e está na fase final do Estadual. Na Copa Sul-Minas Rio, perdeu o nove, expulso na estreia com derrota para o Atlético Paranaense, mas decide a primeira edição do torneio contra este mesmo adversário.

O futuro dirá quem é o dependente.


Saída de Diego Souza é mais solução que problema no Fluminense
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André Rocha

É histórico. No Brasil, a grande maioria dos dirigentes se comporta como Florentino Pérez no Real Madrid: contrata pela grife e pelo currículo e não com a preocupação de encaixar as características do jogador na própria equipe.

A diferença é que o espanhol tem orçamento sobrando para torrar. E mesmo quando pecou ao dispensar Makelele e contratar Beckham em 2003, soube faturar com venda de camisas e popularização da marca do clube. Aqui nem isso.

Antes mesmo da aventura com Ronaldinho Gaúcho no ano passado, o Fluminense dos tempos da Unimed incorreu no erro de reunir nomes sem pensar na montagem do time. Especialmente em 2004, quando tentou encaixar Ramon, Roger Flores, Edmundo e Romário. Não podia dar certo. Neste caso tanto pela maneira de jogar quanto pelos temperamentos.

O retorno de Diego Souza quase onze anos depois se justificava pela volta ao clube de formação e também por conta das boas atuações em 2015 pelo Sport comandado por Eduardo Baptista, então no Flu.

Totalmente compreensível, não fosse a “renovação” de um problema. Mesmo que sem o mesmo impacto.

Nas raras vezes em que Ronaldinho esteve em campo, o Fluminense que chegou a liderar o Brasileiro sob o comando de Enderson Moreira perdeu rapidez e agilidade. Porque formava com Fred uma dupla que pouco ajudava na recomposição ou na pressão na saída de bola, obrigava os meias abertos a recuarem muito e, assim, não tinham referências de velocidade para desafogar nos contragolpes ou em caso de saída de bola apertada.

Diego Souza é mais jovem e dinâmico que Ronaldinho. Por ter começado como volante também colabora mais sem a bola. Na essência, porém, o problema seguia o mesmo. O novo camisa dez e Fred mais adiantados, nas poucas vezes em que estiveram juntos em campo, deixavam o Flu mais vagaroso, menos intenso. Pior: sem Jean, que foi para o Palmeiras, o meio-campo ganhou Cícero para qualificar o passe. Mas é outro que desacelera.

Com Diego Souza atrás de Fred,  o Fluminense sacrificava os meias pelos lados que eram obrigados a voltar muito na recomposição e ainda acelerar a transição ofensiva (Tactical Pad).

Com Diego Souza atrás de Fred, o Fluminense sacrificava os meias pelos lados que eram obrigados a voltar muito na recomposição e ainda acelerar a transição ofensiva (Tactical Pad).

Alegando questões particulares, Diego retornou ao Recife. E Levir Culpi, que dispensou Ronaldinho  logo no início do trabalho no Atlético Mineiro em 2014, ganhou uma solução no jogo coletivo.

Não pela vitória nos pênaltis sobre o Internacional no Mané Garrincha que colocou o Fluminense na final da Copa Sul-Minas Rio contra o Atlético Paranaense. Muito pela movimentação e dinâmica na frente com Gérson, Gustavo Scarpa e Osvaldo, este autor dos dois gols. Trio atrás de Magno Alves, substituto de Fred.

No empate com vitória nos pênaltis sobre o Internacional, mais mobilidade e rapidez do quarteto ofensivo que espera por Fred (Tactical Pad).

No empate com vitória nos pênaltis sobre o Internacional, mais mobilidade e rapidez do quarteto ofensivo que espera por Fred (Tactical Pad).

Quando o camisa nove retornar, o time pode retomar a combinação de juventude e experiência que deu química nos melhores momentos do ano passado. Cercado de jogadores rápidos, Fred  naturalmente se mexe mais, faz pivô. Serve e finaliza. Sem a bola, fica mais adiantado e os companheiros trabalham por ele. No futebol atual só há espaço para um descansar na volta.

Não há discussão de que o Flu perde tecnicamente sem Diego Souza. Atuando mais avançado na vaga de Fred desequilibrou na vitória sobre o Cruzeiro por 4 a 3 com três gols e uma bela assistência para Scarpa.

Mas nem sempre reunir talentos e esperar que eles se arrumem em campo dá liga. O velho exemplo da seleção de 1970, com Zagallo acomodando Piazza na zaga para não sacar Clodoaldo e juntando Jairzinho, Gérson, Pelé, Tostão e Rivellino na frente, é exceção. Há mais casos de insucesso.

Nunca saberemos se o time de Levir Culpi seria mais um. Até porque há mais problemas a resolver – principalmente a lateral esquerda, hoje ocupada pelo improvisado Wellington Silva. O clube deve ir ao mercado antes do Brasileiro. A base também merece atenção. Apaziguar a turbulência política é obrigação.

Se priorizar a montagem de um time competitivo independente de grifes, o Fluminense pode ser forte em 2016.

 


Levir deixa o Galo. Nunca teremos um Alex Ferguson
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André Rocha

Levir Culpi deixa o Atlético Mineiro com saldo positivo: Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana, título mineiro e aproveitamento de campeão no Brasileiro, se não houvesse o Corinthians de Tite no meio do caminho.

Dezenove meses de trabalho, desde abril do ano passado. Uma eternidade para o futebol cinco vezes campeão mundial. Porque o próprio Levir, mesmo com o desejo de permanecer, admitiu desgaste com dirigentes e até com o próprio elenco. “O jogador precisa ouvir mais o técnico”, disse na coletiva depois do empate em 2 a 2 contra o Goiás.

Felipão já falou sobre a dificuldade de trabalhar a longo prazo com latinos. Com o tempo, os truques para motivar não funcionam mais, já estão “manjados”. Para o atleta, dito profissional, seria como lidar com o pai. Na infância ele é o herói, depois chega a adolescência e tudo que ele fala começa a ser questionado. Se o treinador se sustenta apenas com o trabalho psicológico, sem conteúdo nos treinamentos, o longo prazo torna-se impossível.

Quando a longevidade é por conta das conquistas, muito comum por aqui, o problema é manter a fome por títulos. O técnico corre o risco também de criar laços de amizade e gratidão com alguns e ter paciência quase infinita. Como Tite no Corinthians em 2013, depois da saga Tolima-Brasileiro-Libertadores-Mundial desde 2010, sem saber lidar com a queda de produção de Fabio Santos, Danilo e Emerson.

Há também a impaciência na mudança de patamar. Muricy Ramalho foi tricampeão brasileiro no São Paulo, Marcelo Oliveira bi com o Cruzeiro. Não venceram Libertadores e viraram fracassos. Como se fosse simples fórmula matemática. O tricolor paulista não voltou a ganhar as Américas com outros profissionais. Muricy conseguiu no Santos de Neymar.

Imediatismo, pensar futebol movido apenas pela paixão. Da euforia à depressão. Estabilidade quase sempre significa tédio. Neste aspecto, o Brasil é o mais latino dos países.

Por isso nunca teremos um Alex Ferguson: 26 temporadas no Manchester United, primeiro título (Copa da Inglaterra) na terceira. Primeira conquista da Premier League seis anos depois de assumir. Para depois vencer mais doze e transformar o clube no mais vencedor do país e sua própria história numa lenda.

Sim, uma raridade, mesmo na Europa. Mas até os sete anos de Jurgen Klopp no Borussia Dortmund são improváveis nos grandes clubes em terras brasilis. Por isso Telê Santana no São Paulo de 1990 a 1996, período interrompido pela isquemia cerebral, é tão lembrado. Exceção.

Em 2016, Levir Culpi e Galo seguem suas vidas. Como será o amanhã?


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