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Trauma ou sede de revanche? Como será o Atlético de Simeone contra o Real?
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André Rocha

Foto: Denis Doyle (Getty Images)

O sorteio das semifinais da Liga dos Campeões promove o quarto encontro consecutivo entre Real e Atlético, o clássico de Madrid. Foram duas finais duríssimas, definidas em prorrogação e pênaltis. Mais um duelo pelas quartas-de final em 2015. 1 a 1 no Calderón, 1 a 0 para os merengues no Bernabéu.

O Atlético vem de três vitórias e um empate no Santiago Bernabéu pelo Espanhol. O retrospecto contra o rival na Era Simeone é de sete vitórias, seis empates e oito derrotas. Equilíbrio absoluto.

Agora a ida no Bernabéu e a definição no Calderón. Em tese, uma vantagem para o Atlético e um cenário nunca vivido pelo Real contra os colchoneros.

Taticamente, sem segredos. Real Madrid terá a bola, trocará passes no meio e buscará as infiltrações com os atacantes acelerando ou abrindo o jogo pelas laterais com Carvajal e Marcelo para furar as compactas linhas de quatro de Simeone que vai tentar controlar o jogo sem a bola esperando a chance de golpear com o talento e a rapidez de Griezmann.

A grande questão é como o Atlético vai se comportar em termos anímicos. Porque o retrospecto, no geral, é de jogos parelhos. Mas na Champions o rival sempre saiu comemorando. Quando os times entrarem em campo no Bernabéu valerá mais a invencibilidade dos visitantes ou o que foi vivido no duelo continental?

O Atlético será todo trauma, todo medo de sair novamente como o vencido ou todo valentia, todo sede de revanche com o “sangue nos olhos” tão cobrado por Simeone? Como será encarar de novo os algozes Sergio Ramos, Cristiano Ronaldo, Marcelo? Os clássicos pela liga espanhola terão peso nesta equação?

As respostas de Madrid virão a partir do dia 2 de maio. Mas se tivesse que investir as fichas, a aposta seria no Atlético. Se sair vivo do Bernabéu que conhece tão bem, a atmosfera do Calderón com Simeone regendo a massa pode fazer a diferença desta vez.

Para fazer a final em Cardiff, provavelmente, contra a Juventus. Favorita contra o Monaco pela chance de domar o time do jovem Kylian Mbappé como o irregular Manchester City de Guardiola e o traumatizado Borussia Dortmund não conseguiram. Sistema defensivo sólido para controlar e qualidade na frente para aproveitar os espaços cedidos pelo time de Leonardo Jardim.


A vitória da filosofia que se adapta e reinventa sobre o time previsível
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André Rocha

A Juventus começou sua trajetória vencedora com a nova arena, o Juventus Stadium. Em 2011, uma casa para chamar de sua, faturar e se impor no futebol italiano. Pentacampeã com o hexa encaminhado.

Passaram por lá Antonio Conte, Andrea Pirlo, Arturo Vidal, Carlos Tevez, Paul Pogba…Filosofia fora e dentro do campo, apostando na excelência. Antenada com o melhor do futebol mundial, sabendo jogar com ou sem a posse de bola de acordo com o contexto.

Capacidade de adaptação, aprendendo a se reinventar sob o comando de Massimiliano Allegri. Aos poucos aprendendo a ser forte também no cenário europeu, como um contraponto à decadência do futebol italiano, a ponto de perder uma vaga na Liga dos Campeões.

Final em 2015, eliminação sofrida e precoce para o Bayern de Guardiola na temporada passada. Mas o trabalho seguiu, sem sobressaltos. Aprimorando conceitos e processos. Mantendo o ideal de protagonismo, especialmente atuando em seu estádio.

Agora volta à semifinal da Champions. Com Buffon, Bonucci e Chiellini da base vencedora lá atrás. Mas agora a gestão permite ir ao mercado com força. E inteligência para montar um grupo forte, mesmo com perdas importantes.

Equipe que varia o sistema com três ou quatro atrás. Em Turim, postura ofensiva que sufocou o Barcelona. No Camp Nou, chegou a se fechar com sete na última linha. Empate sem gols, mas com a vaga.

Para o Barcelona, a decepção de sequer ter vazado Buffon em 180 minutos. Mas nenhuma surpresa, mesmo depois dos 6 a 1 sobre o PSG. Por tudo que representa, o time catalão era o favorito no confronto. Mas desde o início da temporada era nítido que a proposta de jogo ficou previsível.

Na despedida do torneio continental, nove campeões de 2015. Apenas Sergi Roberto no lugar de Daniel Alves, que estava do outro lado. Mais Umtiti na zaga, com Mascherano no banco. Só que nesta caso, a manutenção da equipe e também do técnico desgastaram a fórmula outrora vencedora.

A Juventus tinha todas as ações ofensivas do Barça mapeadas. No primeiro tempo, bloqueava a entrada da área e induzia o adversário a terminar a jogada com seus laterais: o improvisado Sergi Roberto e o decadente Jordi Alba.

Restava o improviso do trio MSN. Mas com Suárez irreconhecível, Neymar nervoso e Messi com uma imprecisão anormal. Talvez pela preocupação exagerada de tirar a bola do alcance do melhor goleiro do mundo. Muito provavelmente pela pressão de resolver apenas no talento. Sem um plano.

O resultado prático do desespero do time da casa e da marcação bem pensada e executada pelos visitantes foram 17 finalizações do Barça, mas apenas uma no alvo. Precisando de três bolas na rede, no minimo. Com 61% de posse de bola. Inócua.

O Barcelona é previsível até no desespero. Desde os tempos de Pep Guardiola, a única saída no sufoco é mandar Piqué para o centro do ataque e levantar bolas a esmo. Pobreza de ideias e também consequência de elencos mal formados, nada homogêneos. Por isso a dependência dos titulares. Ou melhor, do seu trio de ataque.

Não podia dar certo. E com uma derrota no Bernabéu para o rival e líder do Espanhol no domingo só restará a Copa do Rei na temporada. Um duro fim de festa para Luis Enrique. O novo técnico terá trabalho para reconstruir o time.

Especialidade da Juventus de Allegri. Que já foi de Conte. Que será forte contra qualquer um na semifinal. E seguirá vencedora. Porque vale mais a manutenção da filosofia do clube que valorizar apenas nomes. Ou velhas ideias que não entregam mais o jogo que encantou o mundo.

(Estatísticas: UEFA)

 


Cristiano Ronaldo, o maior artilheiro “minimalista”. Acima de Romário
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André Rocha

Foto: Curto de La Torre (AFP)

“Não entro em campo para jogar bonito ou bem, entro para fazer gols”. A frase é de Romário, em 2002 quando atuava pelo Fluminense. Nove anos antes, foi chamado de “gênio da grande área” por Johan Cruyff.

Genial e genioso, não teve paciência e foco para ser atleta. Só queria jogar. Quando botou na cabeça que seria o melhor do mundo voou no Barcelona e na seleção brasileira campeã mundial de 1994.

Depois seguiu jogando por prazer, administrando a vida noturna e em campo buscando fazer o essencial. Os treinos físicos e os trabalhos coletivos o irritavam. Ele queria exercitar situações de jogo e, especialmente, se preparar para estar bem colocado na área para o último toque. Às vezes com uma dose de sadismo: o chute saía fraco, mas o suficiente para sair do alcance do goleiro em desespero.

Romário não quis se medir entre os maiores por muito tempo. Voltou ao Brasil como melhor do mundo em 1995, depois ainda se aventurou no Valencia, mas a passagem foi breve. Preferiu retornar à terra na qual tinha o trono garantido. Empilhou gols – mais de mil, segundo suas contas – até o fim da carreira. Cada vez tocando menos na bola, mas sempre letal.

Corte para 2017. Na Europa, no mais alto nível. Em mentalidade, a antítese de Romário. Apesar da semelhança na “marra”. O foco absoluto na carreira, na preparação física. No trabalho. Mas com o mesmo objetivo: estar pronto para o golpe final e decisivo.

Cristiano Ronaldo vinha de um período inconstante na temporada. Antes do confronto com o Bayern de Munique pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões, apenas um par de gols do maior artilheiro da história da competição em oito partidas. Na liga espanhola, números melhores: 19 gols em 24 jogos. Pouco, porém, para quem se acostumou a manter uma média igual ou superior a um gol por partida.

Pois o “Penaldo”, apelido maldoso pelos gols de pênalti, acusado por seus “haters” de só marcar contra times pequenos e nos jogos menos importantes, foi às redes nada menos que cinco vezes nos dois confrontos com um gigante do Velho Continente. Sem penalidade máxima.

Sim, estava impedido nos dois decisivos, marcados na prorrogação do Santiago Bernabéu. A arbitragem novamente pesou mando de campo, camisa, marca e mídia no principal torneio de clubes do planeta. Uma lástima.

Mas saltou aos olhos mais uma vez a economia eficiente do goleador português que bateu a marca dos 100 gols na Champions. Nos 180 minutos, ele basicamente só se fez notar nos gols. Ainda que seu instinto de ponta o faça buscar a bola nos flancos e arrancar, as jogadas normalmente não têm sequência. Ou a bola é entregue a um companheiro para que o camisa sete parta para a área adversária.

Cristiano Ronaldo sabe que para superar Messi nas premiações individuais precisa dos títulos no Real Madrid e na seleção, mais os gols. Números. Porque não é possível igualar nas jogadas geniais. Por isso a concentração para não desperdiçar oportunidades.

De cabeça, pé direito ou esquerdo, com bola rolando ou não. O ponta que é o melhor centroavante do mundo. Com a experiência de seus 32 anos, 14 atuando na elite do futebol mundial, vai ficando mais objetivo nos gestos técnicos. Enquanto Messi precisa abrir espaços diante de fortes bloqueios defensivos, o português espera. A falha do rival ou a chance cristalina. Sempre bem posicionado.

É bem provável que Cristiano Ronaldo não ganhe uma Copa do Mundo ou chegue perto da milésima bola na rede, mesmo contando jogos não oficiais como Romário. Mas como artilheiro “minimalista”, o homem do toque final, o maior goleador da história do Real Madrid já supera o brasileiro.

Porque quer sempre e não de vez em quando. Entre os melhores, no cenário menos confortável. Fazendo cinco no Bayern, não no Barreira, hoje Boavista, de Bacaxá. Para o mundo ver, não no quintal de casa.


A força mental e a confiança de que tudo vai dar certo do Real Madrid
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André Rocha

Se desta vez o sorteio da Liga dos Campeões não foi “generoso” colocando o Bayern de Munique de Carlo Ancelotti no caminho, o contexto acabou dando dois presentes para o Real Madrid no jogo de ida das quartas-de-final em Munique. Primeiro a ausência de Lewandowski, artilheiro da Bundesliga com 26 gols. Uma lesão no ombro tirou o centroavante e referência da equipe de Carlo Ancelotti.

Ainda assim, o time bávaro fez bom primeiro tempo. Com Arturo Vidal recuando próximo aos zagueiros para qualificar a saída de bola e acionando o lado direito como o setor forte. Porque os merengues se defendiam em duas linhas de quatro, com Bale voltando à direita e Toni Kroos abrindo pela esquerda. Mas o alemão era lento no movimento e deixava Marcelo sozinho contra Lahm e Robben.

Mesmo com Thomas Muller desconfortável no centro do ataque e uma atuação bem abaixo da média na temporada de Thiago Alcântara, havia volume e presença ofensiva. Vidal apareceu bem ao se antecipar a Nacho, substituto do lesionado Pepe na zaga, e acertar um “tiro” de cabeça que Keylor Navas não impediu.

Mas houve o pecado capital em disputa tão parelha. O segundo “presente” que o Real recebeu: um pênalti inexistente contra, já que não houve toque no braço de Carvajal depois do chute de Ribéry. Vidal isolou. E o Bayern murchou já no final do primeiro tempo. O paradoxo do futebol: se o árbitro Nicola Rizzoli não tivesse errado talvez o time alemão não sentisse tanto a chance desperdiçada de fazer 2 a 0 e abrir vantagem confortável.

Voltou na segunda etapa desorientado. É possível que a falta de adversários à altura na Bundesliga atrapalhe nesses momentos de dificuldade. O  Real, porém, também voltou mais aceso, congestionando o setor esquerdo com Casemiro e Sergio Ramos atentos na cobertura.

Acima de tudo, a equipe de Zidane é muito forte mentalmente. Atual campeã do torneio, líder da liga espanhola. Não é um primor coletivamente, mas todos sabem o que precisam fazer: os laterais defendem e apoiam abertos para espaçar a marcação, os meio-campistas trabalham a bola, o trio de ataque acelera e se procura para tabelas. Futebol simples e eficiente, respaldado no talento.

Como é Cristiano Ronaldo, que apareceu e fez a diferença já aos dois minutos completando passe de Carvajal. Especialmente depois da expulsão de Javi Martínez, por duas faltas seguidas punidas com cartões, o que era uma oscilação emocional virou desmanche e o Real passeou.

Recuperou a posse de bola (terminou com 51%) e finalizou nada menos que 16 vezes em pouco mais de 45 minutos, contra duas do time da casa. O centésimo gol de Ronaldo na Champions podia ter vindo na conclusão que Neuer tirou com o braço lembrando uma manchete de vôlei.

Mas o português não perde a concentração e, segundos depois, finalizou de novo e a bola passou entre as pernas de Neuer. Cem gols em competições europeias de clubes – 98 na Champions e dois pela Supercopa. Fenômeno, mesmo sem um desempenho tão notável nesta edição quanto nas últimas.

Ainda houve um gol bem anulado de Sergio Ramos. Mas a virada em Munique parece ter definido o confronto. Porque o Real Madrid de Zidane tem qualidade e entrosamento, mas também a confiança de que tudo vai dar certo. É quase impossível que dê tudo tão errado no Santiago Bernabéu.

(Estatísticas: UEFA)

 


Juventus soberana! Porque não há trio MSN que salve o Barça dos elos fracos
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André Rocha

O Barcelona jogou mais em Turim do que em Paris. Messi procurou a bola, criou espaços, não se entregou ao forte bloqueio do adversário. Desta vez foi que mais tentou, já que Neymar ficou encaixotado entre Daniel Alves e Cuadrado, sem um apoio qualificado pela esquerda com a ausência de Jordi Alba.

Já Suárez na maior parte do tempo teve que encarar simplesmente Bonucci, Chiellini e Buffon. Goleiro que salvou o gol de empate na primeira etapa no lampejo de Messi que achou Iniesta completamente livre na área. Com 3 a 0 na segunda etapa, negou o gol a Suárez.

Raros lampejos de um time que ao longo da temporada, em jogos duros fora de casa, sempre pareceu mais próximo de sofrer gols do que ir às redes. Simplesmente porque o time catalão, trio MSN à parte, é hoje uma equipe de “elos fracos”.

A ideia é do livro “Os Números do Jogo”, de Chris Anderson e David Sally. Ou seja, a disputa normalmente é definida mais pelas limitações do que pelas virtudes.E como este Barça é frágil…

Ainda mais sem Busquets, suspenso, e com Mascherano perdido à frente da defesa, como se ainda não atuasse como volante na seleção argentina. Pensando como zagueiro e deixando espaços generosos para Dybala fazer os dois primeiros gols em belas finalizações do primeiro tempo.

Depois, já como zagueiro com a saida de Mathieu para a entrada de André Gomes depois do intervalo, hesitou no bloqueio a Chiellini no terceiro gol.

Mas não só ele. Sergi Roberto improvisado, Mathieu, um Rakitic longe do melhor momento, André Gomes…Mesmo Iniesta, com a categoria intacta, mas com um notável decréscimo de intensidade. Sem contar os problemas coletivos de um time que se habituou a entregar a bola para seus três talentos.

O resultado prático é um Barcelona com 65% de posse de bola, 88% de efetividade nos passes e 13 finalizações, uma a menos que a “Vecchia Signora”. Só que oito no alvo dos italianos e apenas duas dos visitantes. Só um par de oportunidades cristalinas.

Porque a Juve errou pouco e deu uma aula de leitura de jogo e inteligência tática. No 4-4-2 montado por Massimiliano Allegri que defendia com todos no próprio campo, havia dois laterais brasileiros formados como alas que aprenderam na Europa a jogar como defensores (Daniel Alves e Alex Sandro), um centroavante aberto à esquerda muitas vezes formando com a defesa uma linha de cinco (Mandzukic). Nenhum “volantão” à frente da defesa, os dois centralizados marcando e jogando (Pjanic e Khedira).

Muita concentração defensiva e qualidade e rapidez nas transições ofensivas. A Juventus jogou a vida em sua arena e foi soberana. O Barcelona precisa de muita inspiração do seu tridente sul-americano. Mais complicado diante de rivais tão atentos na retaguarda.

Pior ainda quando um clube milionário é tão infeliz nas contratações e enche o elenco de “elos fracos”. Alguns circunstanciais, por mau momento, mas outros que eram tragédias anunciadas. Quase sempre Luis Enrique precisa de dois ou três deles.

Em um confronto de quartas-de-final de Liga dos Campeões, com tanto em jogo, costuma ser fatal. O talento, o acaso e a arbitragem compensaram no Camp Nou contra o PSG. A Juventus fez um gol a menos, mas tem camisa, cultura defensiva de sua escola e, em especial, o exemplo das oitavas para impedir uma nova remontada.

 

 


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Futebol inglês: ou muda calendário e tradições, ou vira piada na Europa
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André Rocha

Entre os oito classificados para as quartas-de-final da Liga dos Campeões, apenas um representado a Inglaterra: o Leicester City, atual campeão. Clube que teve como trunfo na temporada anterior estar totalmente focado na Premier League.

Agora, acusado de economizar suor na competição nacional por conta dos problemas de relacionamento com o ex-treinador, Claudio Ranieri, teve gás sobrando para a disputa do torneio continental e despachou o Sevilla no King Power Stadium.

O Chelsea, líder e virtual campeão inglês desta temporada, também leva vantagem na disputa da liga por não dividir atenções com nenhuma competição europeia. Segue vivo na Copa da Inglaterra depois de eliminar o Manchester United.

Time de José Mourinho que não deve ter reclamado muito. Campeão da Copa da Liga e o único do país ainda envolvido com a Liga Europa, luta para alcançar a zona de classificação para a próxima Champions League.

O campeonato inglês da primeira divisão é considerado o mais importante do planeta. Pelo equilíbrio de forças que passa fundamentalmente por uma divisão da receita mais justa e um aumento substancial das cotas de TV. Disputado em intensidade altíssima, num jogo físico que dura os noventa minutos e atrai os olhos do mundo pela imprevisibilidade.

O grande gargalo, porém, é o calendário, ainda fincado em tradições que fogem do contexto atual. Enquanto o mundo pára no final do ano, a bola rola no Boxing Day e em jogos encavalados. Tudo isso com o intuito de atrair os olhos do mundo, mas também garantir datas para as duas copas nacionais, enquanto a grande maioria dos países disputa uma só.

E ainda preservam o “replay”, jogo extra disputado em caso de empate na Copa da Inglaterra. O Manchester City perdeu tempo de preparação para a sequência da Premier League e da Liga dos Campeões para enfrentar o Huddersfield Town, da segunda divisão, pelas oitavas de final. Ao menos para esta temporada acabaram com os jogos extras nas quartas de final.

Mas é preciso rever ainda mais o calendário. Porque mais tradicional que as copas e os jogos na virada do ano é ver os times ingleses fortes na Liga dos Campeões. De 12 títulos, mas o último em 2012 com o Chelsea. Conquista improvável e baseada exatamente na prioridade dada ao torneio.

Desde 2008/09, quando colocou United, Chelsea e Arsenal nas semifinais, mas o título ficou com o Barcelona, só conseguiu emplacar um time entre os quatro primeiros: título com os Blues, vice dos Red Devils em 2011, o Chelsea de Mourinho entre os quatro em 2014 e o Manchester City na semifinal inédita na última edição contra o Real Madrid.

Para piorar, o Arsenal de Arsene Wenger leva um 10 a 2 no agregado do Bayern de Munique e é eliminado nas oitavas de final pela sétima vez consecutiva. Mesmo com alguns erros gritantes da arbitragem em Londres, não deixa de ser um vexame.

É muito pouco. Suscita dúvidas da real força da Premier League ver os espanhois dominando o continente há três temporadas com Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, mais o Sevilla tricampeão da Liga Europa. A Alemanha colocando Bayern de Munique e Borussia Dortmund novamente entre os oitos melhores.

E a Inglaterra apenas com o Leicester City, maior azarão do sorteio das quartas. Inusitado, mas tragicômico. O perigo é o futebol jogado no país virar piada na Europa.


Viva o Monaco! E Guardiola volta para casa com duas substituições a fazer
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André Rocha

O Monaco repetiu em casa a estratégia da partida em Manchester: intensidade máxima e volume sufocante no primeiro tempo. Com muita gente no campo de ataque e a qualidade de Mendy, Fabinho, Lemar, Bernardo e Mbappé, mesmo sem o lesionado Falcao, abriu os 2 a 0 que precisava.

Finalizou seis vezes, três na direção da meta de Caballero. Contra zero do City que não jogou. Sequer conseguiu mais posse – terminou com 49%. David Silva parecia jogar uma rotação abaixo.

Tudo mudou na segunda etapa. O time francês comandado por Leonardo Jardim dá a impressão de não saber controlar jogo, é muito vertical. O desgaste veio naturalmente e o City começou a se impor.

Mas Aguero perdeu duas chances cristalinas. Foi preciso Sané entrar em cena para os visitantes alcançarem o gol que parecia encaminhar a classificação. Mbappé e Fabinho, autores dos gols, sumiram exaustos na segunda etapa. O jovem atacante, inclusive, deu lugar a João Moutinho para segurar a vantagem.

Construída na bola parada letal, complicadíssima de ser bloqueada. Bakayoko foi preciso no deslocamento e no movimento para o cabeceio. Aí valeu a fibra, a vontade de fazer história, de repetir a trajetória da temporada 2003/04 se metendo entre os grandes do continente.

A classificação dos franceses é um sopro de renovação. Em termos de proposta de jogo ultraofensiva, mas especialmente nos nomes que devem ser disputados a tapa na próxima janela de transferências. O Monaco jogou para se classificar, dentro e fora.

Mas a pergunta do título do post não quer calar. Por que Guardiola trocou apenas Clichy por Iheanacho? O City jogou quarta-feira pela Premier League, no sábado pela Copa da Inglaterra. Lutou demais na segunda etapa, terminando com 59% de posse e equilibrando nas finalizações. Era preciso, no mínimo, reoxigenar o time.

Tentar para não se arrepender por não ter arriscado. Era sua primeira eliminação antes das semifinais. Quem sabe Yaya Touré na área adversária, ou tentando um chute de fora? Qualquer coisa para mudar o cenário desfavorável. Nada justifica, nem um elenco sem o potencial dos que comandou anteriormente.

Na última tentativa, De Bruyne, com a camisa encharcada, exausto, bateu fraco a falta nas mãos do goleiro Subasic.

O Monaco se junta ao Leicester como as novidades nas quartas da Liga dos Campeões. E Guardiola volta para casa. Indecifrável.

(Estatísticas: UEFA)

 


Classificação do Leicester é obra de Ranieri, não de Shakespeare
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André Rocha

Mesmo com todo o discurso pé no chão da diretoria do Leicester City, focando apenas na manutenção na Premier League, a Liga dos Campeões foi tratada com sonho realizado no clube desde a confirmação da vaga na campanha do título.

A boa campanha na fase de grupos aumentou a sensação de que era possível. Reforçada pelo cruzamento com o Sevilla, que comparado com os gigantes europeus parecia acessível. E foi.

O atual campeão inglês, a rigor, perdeu apenas Kanté dos titulares na campanha vencedora. Desfalque seríssimo, mas que num torneio de mata-mata acaba sendo diluído pela capacidade de superação. Ainda mais pela entrega de Ndidi.

Logo, nada há de romântico nesta classificação do Leicester. Muito menos depois da nítida mudança de “humor” no campeonato inglês depois da demissão de Claudio Ranieri. Onde a gratidão e a lealdade se esvaneceram por um sanduíche de frango.

O time foi o de sempre no King Power Stadium. Duas linhas de quatro compactas, só teve posse de bola enquanto precisou construir o resultado. A partir do gol de Morgan recuou as linhas, abusou das ligações diretas, achou o segundo com Albrighton  e precisou do goleiro Kasper Schmeichel, inclusive na péssima cobrança de pênalti de N’Zonzi.

Também contou com a noite pouco feliz de Jorge Sampaoli na montagem do seu 3-4-2-1 e com a insanidade de Nasri, que se enroscou infantilmente com Vardy com a bola rolando, na frente do árbitro Daniele Orsato. Tola expulsão que merece multa e um chá de banco no Espanhol.

O Leicester sabe jogar como azarão, especulando. Vai entregar tudo contra qualquer um nas quartas da Liga dos Campeões e deve dar trabalho, mesmo aos gigantes.

A classificação é histórica, mas não épica – termo da moda na mídia histriônica que precisa gritar e superdimensionar tudo para chamar atenção. Porque tem como pano de fundo uma traição das mais torpes.

Tudo de melhor que este time puder construir não é obra de Shakespeare, o Craig, interino que assumiu o time. É de Claudio Ranieri.

 


A noite mágica em que Neymar, e não Messi, foi Michael Jordan para o Barça
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André Rocha

É inegável que a arbitragem prejudicou muito o Paris Saint-Germain. O pênalti sobre Neymar que terminou no terceiro gol era até marcável, já que Meunier cai e obstrui a passagem do brasileiro que, claro, também se aproveita e força o contato.

Mas é um lance até discutível perto do pênalti claro de Mascherano arriscando um carrinho de braços abertos na própria área que Deniz Aytekin ignorou. Pior ainda foi penalizar o contato mais que natural de Marquinhos em Suárez, que desabou, óbvio. Sem contar os acréscimos de cinco minutos, que justificaram até a piada da placa do quarto árbitro com a frase “Até o sexto”.

O PSG também colaborou. Falhas grotescas nos três primeiros gols, incluindo a queda de Meunier. Um certo ar blasé depois do gol de Cavani. Chances cristalinas perdidas e a desconcentração que virou desespero quando saiu o quinto gol e ainda faltavam os acréscimos.

E o mais cruel: a estratégia coletiva de Unai Emery estava correta. Já que o Barcelona abria Rafinha e Neymar pelos flancos, mas os pontas de pés invertidos sempre cortavam para dentro e não buscavam a linha de fundo, o foco era aproximar as linhas do 4-1-4-1 e estreitar a marcação na entrada da área. Tudo para negar espaços a Messi.

Exatamente o que queria Luis Enrique quando armou o 3-3-1-3. Abrir o campo para esgarçar o sistema defensivo adversário e deixar frestas para o gênio argentino. Não conseguiu por esse afunilamento das ações de ataque e também por um certo conformismo do camisa dez, que a rigor só fez notar sua presença na cobrança de pênalti seca e minimalista no torceiro gol.

Já Neymar…apareceu quando o time mais precisava para tornar uma eliminação melancólica e precoce para o investimento e a visibilidade do clube em uma virada histórica e apoteótica. Golaço de falta, o quarto. Depois assumiu a cobrança de pênalti no quinto.

No lance derradeiro, levantou a bola na área e, no rebote, cortou para dentro e surpreendeu a todos ao ter a frieza, na última bola, de trocar o chute pelo toque genial de cobertura que achou Sergi Roberto livre para concretizar o milagre.

Neymar foi Michael Jordan, o astro da NBA que nos seis títulos pelo Chicago Bulls foi o melhor jogador das finais. Exatamente por chamar para si a responsabilidade no momento decisivo. No lance derradeiro. Logo na noite inesquecível no Camp Nou.

Sim, com mais um asterisco indelével nesta trajetória vitoriosa no Barça, se juntando ao empate com o Chelsea na semifinal da mesma Liga dos Campeões na temporada 2008/09, a primeira da Era Guardiola. Com a arbitragem marcando e deixando de assinalar os lances simples e nítidos nos quais se equivocou, o PSG estaria nas quartas-de-final.

É até criminoso insinuar favorecimento encomendado. Mas não sejamos ingênuos ou hipócritas: interessa a todos os envolvidos no negócio Champions League que o time mais midiático, líder de audiência no mundo todo, siga no torneio. E isso acaba respingando no árbitro. Camisa pesa e pressão de todos os lados também.

Mas Neymar fez a sua parte e, mesmo que o artilheiro, o astro, o símbolo e o protagonista continue sendo Messi, o brasileiro merece mudar de patamar no clube. Sem ele, sua personalidade, seu pensamento positivo de acreditar e tentar sempre não haveria classificação épica.

Na hora em que tudo pareceu impossível, o craque tático que hoje se sacrifica pelo time foi a estrela máxima. E a Champions ganha um favorito.