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Messi, CR7 e Champions são “culpados” pela disparidade nas ligas europeias
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André Rocha

Foto: Sergio Perez / Agência Reuters

O Bayern de Munique garantiu o sexto título consecutivo da Bundesliga, conquista inédita, com cinco rodadas de antecedência. Na França, o Paris Saint-Germain retomou do Monaco a hegemonia também disparando e confirmando matematicamente faltando cinco rodadas. A Juventus na Itália teve mais dificuldades, porém superou o Napoli e faturou o heptacampeonato nacional.

Na Premier League há maior alternância de poder, mas o Manchester City de Pep Guardiola liderou de ponta a ponta e empilhou recordes: chegou aos 100 pontos em 38 jogos e ainda fez história com mais vitórias (32), triunfos consecutivos (18), gols marcados (105), saldo (+79) e os 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Se somarmos tudo isso ao domínio do Barcelona nesta edição da liga espanhola, com a invencibilidade perdida apenas na penúltima rodada com vários reservas e uma atuação desastrosa do colombiano Yerri Mina nos 5 a 4 do Levante. mas título confirmado faltando quatro jogos, temos um cenário em que as principais ligas da Europa não reservaram disputas mais acirradas.

A senha para os disseminadores do “ódio ao futebol moderno”, muitos confundindo equilíbrio com qualidade, protestassem contra este cenário em que, para eles, apenas a disparidade econômica justifica essa vantagem dos campeões.

O grande equívoco é desprezar a enorme competência e know-how desses clubes. O Bayern ostenta a melhor geração de sua história ao lado da de Beckenbauer, Gerd Muller e Sepp Maier nos anos 1970. O mesmo vale para a Juventus. O PSG nem há como comparar e no caso do Manchester City há um retrospecto de conquistas na década, mas principalmente a presença do “rei das ligas” Guardiola, com sete conquistas em nove temporadas por três clubes e países diferentes.

Sem contar Barcelona e Real Madrid com os grandes times de sua história. E os maiores jogadores de todos os tempos nos dois clubes. Competindo na mesma época. Eis a chave para todo este cenário.

Messi e Cristiano Ronaldo venceram as quatro últimas edições da Liga dos Campeões. Se considerarmos desde 2007/08, dez anos, são sete: Manchester United com uma, Barcelona e Real Madrid com três. E os merengues em mais uma decisão podendo ampliar este retrospecto.

Em tempos recentes nunca houve nada parecido. Um fenômeno que subiu o patamar da Champions para níveis estratosféricos. De interesse, inclusive, pela sedução de se medir entre grandes da história. Com isso, o sarrafo foi parar no topo. Para desafiá-los é preciso estar em um nível de excelência em desempenho. Em todos os aspectos – físico, técnico, tático, mental, logística…

Resta aos desafiantes investir. Em elenco, comissões técnicas, estrutura…Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique conseguiram superá-los, com os alemães ainda acumulando dois vices e os ingleses um. Manchester United, ainda com CR7, Borussia Dortmund, Juventus e Atlético de Madri chegaram às decisões, mas não conseguiram equilibrar forças em jogo único. PSG e City seguem lutando para furar a casca e entrar no grupo de clubes mais tradicionais. O Liverpool, finalista depois de onze anos, tenta voltar à elite. Mas não é fácil.

Com esse nível tão alto, quem não consegue acompanhar vai perdendo o bonde da história. E os gigantes trabalham para ficar cada vez melhores de olho no principal torneio de clubes, dominado por Messi e Cristiano Ronaldo com seus históricos Barcelona e Real Madrid, mesmo com o time blaugrana de fora das últimas três semifinais.

Como consequência sobram em seus países. Elenco numerosos, estruturas fantásticas, ótimas comissões técnicas. Nos casos específicos de Bayern de Munique e Juventus, os títulos consecutivos acontecem também porque não há como se acomodar com as conquistas nacionais. Não são a prioridade. Então mesmo sobrando os processos são revistos e aprimorados, o elenco ainda mais qualificado. O time que está ganhando se mexe e fica ainda melhor. Pensando em Barça e Real Madrid.

Mas não basta só dinheiro. Ou o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp não seria bicampeonato alemão de 2010 a 2012, o Atlético de Madri não teria superado os gigantes na Espanha em 2014. O mesmo com o Monaco contra o PSG na temporada passada e, caso a Juve não tivesse deixado a Champions ainda nas quartas eliminada pelo Real Madrid e dividisse esforços por mais tempo, o Napoli poderia ter fôlego para terminar na frente. Sem contar o fenômeno Leicester City na liga mais valiosa do mundo em 2015/16. Se não jogar muito não vence. A tese do “piloto automático” é furada.

Mais do que nunca o futebol no mais alto nível exige superação constante. Com regularidade, consistência. “Culpa” de Messi, Cristiano Ronaldo e da Liga dos Campeões que levam o esporte para outra galáxia. Ainda bem que estamos vivos para ver a história sendo escrita. E até os que hoje reclamam vão sentir saudades, mesmo que não admitam.

 

 


VAR agora é regra! Porque o “molho” do futebol é o melhor sair vencedor
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André Rocha

A International Football Association Board (IFAB), órgão da FIFA responsável por regulamentar as regras do futebol, anunciou mudanças para os próximos dois anos. Entre os pontos mais relevantes se encontram a permissão para a quarta substituição na prorrogação e a introdução do árbitro de vídeo (VAR), já valendo para a Copa do Mundo na Rússia. Leia mais AQUI.

Impressiona como a utilização do árbitro de vídeo possa ser algo tão contestado no Brasil. Talvez porque se os erros de arbitragem forem minimizados para muita gente vai faltar assunto. Seja em programas de debates na TV e no rádio, seja nas mesas de bar e o fetiche das teorias de conspiração.

Mas basta pensar em um futebol profissional, com investimentos cada vez maiores e muito em jogo nas principais competições para concluir o óbvio: decisões tão importantes não podem ficar a cargo apenas dos olhos de quem está no campo. Em fração de segundos, nem sempre em uma posição privilegiada para a melhor interpretação.

É óbvio que ainda haverá erros ou lances muitos questionáveis. As câmeras e os demais recursos tecnológicos continuam sendo ferramentas para a análise e a interpretação de um ou mais indivíduos, com todas as suas imperfeições, incoerências e fraquezas.

Mas só de evitar erros grosseiros, muitas vezes detectados na TV sem precisar de repetição ou câmera lenta, já será um enorme avanço. Assim como oficializa o uso “informal” dos recursos, como fica nítido em algumas partidas jogadas no Brasil, mas não se admite por ser uma irregularidade.

O lateral Marcelo, do Real Madrid e da seleção brasileira, disse após o clássico contra o Barcelona no fim de semana que era contra o VAR porque “tira o molho do futebol”. Os detratores desta modernização vibraram, assim como o erro dos árbitros de vídeo no Campeonato Australiano.

Muito fácil para o brasileiro dizer isso depois de ver sua equipe prejudicada em uma partida que objetivamente nada valia pelo Campeonato Espanhol. Mas beneficiada por erros tão graves quanto na Liga dos Campeões, grande objetivo do time merengue na temporada. Inclusive num pênalti que o próprio brasileiro admitiu ter cometido colocando a mão na bola dentro da área. Mas sem mudar o resultado final da partida.

Para quem joga no time grande, de fato, o VAR pode atrapalhar muito. Afinal, na dúvida e precisando decidir em um segundo, a arbitragem muitas vezes pende para o mais forte e influente temendo uma punição maior caso tenha se equivocado na interpretação.

Mas se o que torna o esporte tão apaixonante é sua imprevisibilidade, nada melhor que um recurso que aumente as chances do menor vencer o mais poderoso. Dizem por aí que o bom do futebol é que ele não é justo e um time pode vencer sendo dominado e acertando apenas um chute a gol. Então que o VAR seja mais uma ferramenta que possibilite que ninguém interfira nessa particularidade.

Que venha o árbitro de vídeo! Porque o verdadeiro “molho” do futebol é o melhor – ou o mais eficiente ou o mais feliz nos 90 minutos – saindo de campo com a vitória.


Real Madrid se sai melhor que o Liverpool nos clássicos antes de Kiev
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André Rocha

Havia muito em jogo para Real Madrid e Liverpool contra Barcelona e Chelsea, respectivamente, na reta final das ligas nacionais, impedindo que os times pudessem se dedicar exclusivamente à final da Liga dos Campeões no dia 26 em Kiev.

Para os Reds era a chance de confirmar a vaga na próxima edição do principal torneio do continente. No Stamford Bridge contra um adversário direto na Premier League. Já o time merengue entraria no Camp Nou com a missão de impedir o título espanhol invicto do rival Barcelona e ainda “carimbar” a despedida de Iniesta do clássico.

Tirando tudo que foi desnecessário no duelo entre os últimos campeões espanhois e europeus, desde o Real se recusando a recepcionar em campo o adversário que confirmou a conquista na rodada anterior até as brigas, chutes e pontapés que tiraram muito da beleza de um jogo sempre especial, não é absurdo dizer que a equipe de Zinedine Zidane deu mais uma demonstração de força.

Por iniciar pressionado pela dupla Messi-Suárez mais acesa que o habitual e pelo gol do uruguaio logo aos nove minutos em saída rápida bem engendrada com assistência de Sergi Roberto. Mas responder rapidamente com jogada coletiva ainda mais bela: calcanhar de Cristiano Ronaldo para Kroos, centro do alemão para Benzema preparar e o gênio português finalizar a obra que iniciou. O 25º do vice artilheiro da competição.

Real com uma “velha novidade” de Zidane: o trio “BBC”, fazendo a variação do 4-3-3 para as duas linhas de quatro sem a bola com o recuo de Gareth Bale pela direita. Na transição ofensiva, muita movimentação dos três, enchendo mais a área adversária. Ao menos por 45 minutos, já que Cristiano Ronaldo, por precaução, teve que sair no intervalo, substituído por Asensio.

Não só porque sentiu uma entrada dura, aparentemente maldosa, de Piqué justamente no lance do gol que empatou a disputa. Também por conta da pancadaria que tomou conta do jogo, muito mal conduzido pelo árbitro Alejandro José Hernandez, que culminou na expulsão de Sergi Roberto, que ingenuamente agrediu Marcelo na frente do juiz.

Desta vez o Real pode reclamar muito das decisões da arbitragem. Principalmente pela falta clara de Suárez na disputa com Varane que terminou no golaço de Messi quanto na falta dentro da área do Barça não menos nítida de Jordi Alba em Marcelo. Podia ter mudado o clássico e complicado a vida e a invencibilidade do time da casa muito mais que o golaço de Bale, completando assistência de Asensio. Foram 17 finalizações contra 11 do time blaugrana.

Mesmo com os 2 a 2, a força mental e a cultura de vitória se fizeram presentes. O desempenho geral também foi satisfatório. Confirmando algo que já virou senso comum: é difícil superar este Real Madrid em jogo grande.

O Liverpool também costuma crescer neste tipo de confronto, mas não foi o caso do duelo em Londres. Porque o time de Jurgen Klopp, ainda que mantenha a proposta ofensiva longe do Anfield Road, não consegue reproduzir o “arrastão” num ciclo de pressão pós-perda, acelerar a circulação da bola e acionar o seu trio de ataque.

Salah, Firmino e Mané também pagam um pouco o preço do sucesso e da visibilidade. Estão mais estudados e, consequentemente, vigiados em campo. Ainda mais contra o time de Antonio Conte com sua linha de cinco defensores e mais Kanté e Bakayoko na proteção.

Deram algum trabalho ao goleiro Courtois na primeira etapa, mas nos minutos finais apelaram para os muitos cruzamentos procurando Solanke, que entrou na vaga do lateral esquerdo Robertson, e o zagueiro Van Dijk, que se transformou em um segundo centroavante. Sem ideias, sem brilho. Os torcedores podem até desdenhar, mas quando os espaços diminuem o fato é que Philippe Coutinho faz muita falta aos Reds.

Assim como a equipe se ressente de uma maior solidez defensiva, especialmente pelo alto. No centro da direita, Giroud subiu mais que Lovren para marcar o gol único do duelo, ainda no primeiro tempo. Na ausência do lesionado Oxlade-Chamberlain, Klopp deixou Henderson no banco e arriscou uma formação com Alexander-Arnold formando o meio-campo com Wijnaldum e Milner e Clyne entrando na lateral direita. Podia ter sido melhor.

Apesar dos 68% de posse, foram apenas dez finalizações dos visitantes contra 12 dos Blues, que também foram superiores em desarmes e no jogo aéreo. Resultado coerente com o que foi a partida disputada com a intensidade típica do Campeonato Inglês.

Agora é obrigatório vencer o Brighton em Anfield para chegar aos 75 pontos e garantir ao menos a quarta colocação. A menos que venha a apoteose na Ucrânia com o sexto título da Champions. Depois de onze anos sem chegar a uma decisão e treze da última conquista.

Missão que já era complicada por enfrentar o atual bicampeão e maior vencedor da história. Depois dos clássicos fica a impressão de que a tarefa ficou ainda mais difícil.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 


Liverpool na final contra o Real Madrid em Kiev. E agora, atura ou surta?
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André Rocha

Já era esperado que o Liverpool sofreria em Roma contra o time de Eusebio Di Francesco. Do jogo físico e direto, da tentativa e erro. Dos laterais Florenzi e Kolarov abrindo o campo e levantando bolas em profusão para Schick, Dzeko e quem mais aparecesse na área inglesa.

Porque a equipe de Jurgen Klopp, embora tenha ganhado alguma solidez defensiva depois da chegada do zagueiro holandês Van Dijk, quase sempre se complica quando precisa controlar o jogo só acelerando na saída para os contragolpes. Sem o “gegenpressing”, ou o perde-pressiona em intensidade máxima, do treinador alemão.

Ainda que Roberto Firmino esteja cada vez melhor como “falso nove”, finalizando ou acionando seus companheiros do ataque mais arrasador da Europa nesta temporada. Como no passe preciso controlando tempo e espaço para Mané no primeiro gol do jogo. Como tentou se conectar com um Salah desta vez sem a inspiração de boa parte da jornada 2017/18.

Se o apito fosse um pouco mais “caseiro” no Estádio Olímpico, os Reds poderiam ter se juntado ao Barcelona como vítimas do time da capital italiana. Ou bastaria o pênalti no toque de mão de Alexander-Arnold bloqueando o chute de El Shaarawy aos 17 minutos do segundo tempo. 3 a 2 com mais 28 minutos além dos acréscimos poderiam ter feito muito mais estragos que os gols de Nainggolan nos minutos finais que decretaram os 4 a 2.

O belga foi o personagem da partida também pela falha na saída para o ataque que culminou no contragolpe do gol do time visitante que abriu o placar. Mas a Roma mereceu todo o reconhecimento de seu torcedor ao final da partida. Foram 58% de posse, 84% de acerto nos passes e 23 finalizações contra 11 – seis a cinco no alvo. Foi além do limite.

Exatamente o que parece o mais indicado para o Liverpool na final contra o Real Madrid em Kiev. Futebol no volume máximo, pressão e aceleração. Recupera e aciona o tridente letal. Sem parar, Até cansar. Assim foi irresistível na temporada.

Mas é campo neutro, não Anfield Road. Uma final gigante envolvendo 17 títulos da principal competição da Europa. Diante do atual bicampeão, equipe técnica, com jogadores que desequilibram e que costumam se impor com incrível força mental. Não é tão simples encarar de peito aberto e expor contra Cristiano Ronaldo e seus companheiro uma defesa capaz de jogadas grotescas como o chute tresloucado de Lovren na própria área que bateu no rosto de Milner e empatou para a Roma.

O que fazer? Ser racional ou dar vazão aos próprios instintos? Tentar conter o favorito ou atacá-lo como se não houvesse amanhã? Atura ou surta? Como se comportar? Jurgen Klopp tem 24 dias para decidir o que fazer.

 


Bayern erra demais, Real Madrid tem mais sorte que juízo e está na final
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André Rocha

Foram 33 finalizações do Bayern de Munique no confronto. 13 no alvo. Apenas três gols. Muitas chances perdidas. Em Madri, a mais incrível de James Rodríguez no primeiro tempo. Logo o melhor em campo. Justo ele que deixou o campo para a entrada de Javi Martínez e o time bávaro apelar para os cruzamentos a esmo. Sem construção. Um equívoco de Jupp Heynckes.

Mais a falha grotesca de Ulreich no ínicio da segunda etapa para o segundo gol de Benzema. Goleiro que se junta a Rafinha, que vacilou em Munique e perdeu a bola que terminou no gol de Asensio. Os dois “vilões”. Ainda as finalizações erradas em profusão de Muller e Lewandowski.

Só Kimmich, com um gol em cada partida, e James mais acertaram que erraram. E não se pode pecar tanto numa semifinal de Liga dos Campeões contra esse Real Madrid bicampeão europeu.

Mas o time de Zidane teve mais sorte que juízo. Incluindo o pênalti cometido por Marcelo no final do primeiro tempo, desviando com a mão dentro da área merengue um cruzamento pela direita. Ignorado pela arbitragem confusa do turco Cüneyt Çakir.

180 minutos muito ruins de Cristiano Ronaldo. Pelo menos mais participativo no Bernabéu. No entanto, perdeu um gol inacreditável na segunda etapa. Parecia que o papel de protagonista estava reservado a Benzema, reserva na partida de ida. Aproveitando a falha de Ulreich, mas também completando a jogada mais bem engendrada do Real nos dois jogos. Da inversão precisa de Kovacic, que deixou Casemiro no banco, para Marcelo colocar na cabeça do francês camisa nove.

Outro coadjuvante em dia de estrela. Será lembrado pelos gols, mas se o Real está na terceira final consecutiva de Champions deve muito a Keylor Navas. Pelo menos quatro intervenções fundamentais do contestado goleiro costa-riquenho. Porque o Bayern foi fortíssimo pela esquerda com Alaba e Ribéry levando vantagem seguidamente sobre Lucas Vázquez, substituto do lesionado Carvajal, e Modric.

Coletivamente a equipe espanhola foi bem inferior. Mas mata-mata de Champions é das individualidades e da força mental. O Bayern foi menos preciso no acabamento das jogadas e seus talentos não decidiram. Talvez pelo desespero, o peso de vencer além do domínio no país. Mais uma vez pára na semifinal. De novo contra o Real Madrid. Nenhuma mais dolorosa.


Bayern de Munique comprova: quem tem um não tem nenhum contra o Real Madrid
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André Rocha

O Bayern planejou um “arrastão” em Munique com pressão no campo de ataque e um quinteto com Robben e Ribéry nas pontas, Muller e Lewandowski no centro de ataque e James Rodríguez por trás. Mas desta vez Jupp Heynckes não foi tão feliz.

Perdeu Robben logo aos nove minutos. Entrou Thiago Alcântara, enviando Muller para o lado direito num 4-3-3. Menos pressão e jogo direto, mas trabalho no meio-campo com posse. Mas ainda domínio.

Porque o Real Madrid adotou postura conservadora na Allianz Arena. Um 4-1-4-1 com Lucas Vázquez e Isco pelos flancos e Cristiano Ronaldo no ataque. A estratégia era clara: conter o volume adversário, rodar a bola e esperar o momento de explorar os espaços às costas dos zagueiros Boateng e Hummels com seu atacante mais letal.

Não funcionou e o Bayern foi se instalando no campo de ataque. Mas foi às redes aproveitando lenta recomposição do time merengue no contragolpe e o passe de James encontrando Kimmich livre no espaço exato entre Marcelo, Casemiro, Sergio Ramos e Kroos. O inteligentíssimo defensor alemão olhou para a área, viu Keylor Navas tentando antecipar o cruzamento e os companheiros marcados. Não teve dúvida: finalizou bem tirando do goleiro.

O mandante cresceu com a torcida, o atual bicampeão europeu sentiu. E aí veio o pecado do Bayern. Este blogueiro não gosta nem costuma fazer analogias do futebol com atos de violência, mas a imagem é inevitável: o time bávaro enfiou a faca, mas não girou. E manter esse Real vivo é um risco enorme.

Mesmo com Cristiano Ronaldo cumprindo sua pior atuação nesta edição da Liga dos Campeões. Isolado, errou mais que o habitual. Ainda assim, sua presença impõe respeito. A ponto de ensaiar uma bicicleta e distrair o sistema defensivo alemão, deixando Marcelo livre para dominar e empatar.

Jogo que poderia ter sido resolvido e a vaga encaminhada no gol perdido por Ribéry no primeiro tempo. A mais inacreditável das muitas chances desperdiçadas. Dominou na canela com total liberdade pela esquerda. Quando aconteceu o mesmo em contragolpe rápido iniciado pelo erro de Rafinha, Asensio, que substituiu Isco na volta do intervalo, tirou do goleiro Ulreich.

Heynckes pode lamentar as lesões – além de Robben, Boateng também saiu no primeiro tempo para a entrada de Süle. Mas o Real não são os adversários na Bundesliga. Nem Besiktas ou Sevilla. Não pode dar chance. 58% de posse, treze finalizações contra sete. Cinco no alvo. Lewandowski ainda perdeu no final. Só uma bola nas redes e a virada implacável.

Agora terá que buscar um milagre em Madri. Contra um time experiente e escaldado pelo susto da Juventus nas quartas. Que vem sobrando nesses duelos de mata-mata em que o mental e as individualidades vêm sendo preponderantes. Improvável. Porque contra esse Real quem tem um não tem nenhum. O time de Zidane está mais próximo da terceira final consecutiva.


Liverpool é um carro só com acelerador e Klopp, o Nigel Mansell do futebol
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André Rocha

Quem acompanhava a F-1 nos tempos de Ayrton Senna e Nélson Piquet certamente se recorda de Nigel Mansell, piloto inglês que a Williams tentou fazer campeão mundial na segunda metade dos anos 1980 e só conseguiu em 1992. No ano seguinte, partiu para a Fórmula Indy, sendo campeão no primeiro ano.

Apelidado de “Leão”, é considerado por muitos o piloto mais louco da história do automobilismo por disputar provas com campeões como a dupla brasileira, Alain Prost e Niki Lauda pisando fundo no acelerador e partindo para cima, mesmo sem a técnica dos concorrentes. Por isso protagonizou “pegas” épicos e também cometeu erros bizarros, como disparar na ponta, empilhar voltas mais rápidas…e acabar a prova sem combustível a curvas da bandeirada final.

Jurgen Klopp é treinador, não piloto. Time de futebol não é carro. Mas cabe o paralelo. Porque o Liverpool do técnico “maluco beleza” parece só ter acelerador.

Nos 5 a 2 sobre a Roma no Anfield Road, o time italiano conseguiu conter a explosão do adversário negando espaços com um 5-4-1 sem a bola. Os Reds sofreram e sentiram mais ainda com a saída por lesão logo aos 15 minutos de Oxlade-Chamberlain, um dos meias do 4-3-3 que acionam o tridente Salah-Firmino-Mané.

Mas quando enfim encontrou a brecha para ligar o turbo…Dois de Salah, outro par de Firmino e um de Mané. Atacantes que agora totalizam 89 gols e 40 assistências no universo dos 122 em jogos oficiais. Na Liga dos Campeões, são dez de Salah e Firmino, oito de Mané.

Pressiona e acelera. Jogo direto até chegar ao trio da frente. Firmino se mexe e abre espaços, Salah e Mané infiltram em diagonal. Maneira de jogar que curiosamente ganhou encaixe com a saída de Philippe Coutinho. Ainda que o brasileiro seja meia que pensa correndo, a equipe inglesa na formatação atual parece ter incorporado de vez a essência de seu treinador.

Os efeitos colaterais desta intensidade máxima, porém, também se fizeram presentes. Klopp costuma dizer que prefere um futebol mais rock and roll. Mas às vezes parece um produtor que coloca todos os instrumentos na distorção e grava o resultado. Quando é preciso pisar no freio, diminuir o volume, controlar o jogo com a bola ou negando espaços aos adversários o rendimento sempre cai.

Contra o City na fase anterior, o segundo tempo depois dos 3 a 0 nos primeiros 45 minutos do jogo de ida só não foi mais complicado porque o time de Guardiola não conseguiu transformar o domínio e os espaços em finalizações e gols. Na volta no Etihad Stadium, a primeira etapa podia ter causado muito mais estragos caso os citizens fossem mais contundentes.

Os gols de Dzeko e Perotti, de pênalti, foram consequência da redução de ritmo. Também da saída de Salah, administrando o desgaste por conta deste ritmo insano. Cansado e sem o melhor jogador da Premier League e candidato a grande rival de Messi e Cristiano Ronaldo como o craque da temporada, o time da casa transformou uma classificação encaminhada para a final na esperança de novo “milagre” na capital italiana. No apito final, alegria dos romanistas e preocupação da torcida do time vencedor.

Só que o Liverpool tem jogo físico e contragolpe letal, algo que faltou ao Barcelona no Estádio Olímpico. A chance dos italianos é o treinador alemão reprimir o próprio instinto em nome do resultado. Se acelerar e partir para a troca de golpes como se não houvesse amanhã, nem vantagem, a chance de surpresa diminui bastante.

Porque Klopp é o Nigel Mansell do futebol. Um leão que só ruge na velocidade máxima.


Semifinais têm tira-teima entre Bayern e Real e reedição de final
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André Rocha

Mais um confronto entre Bayern de Munique e Real Madrid na Liga dos Campeões. E um tira-teima: foram 24 duelos, com 11 vitórias para cada lado e dois empates. Sétimo duelo pelas semifinais, com quatro triunfos do time bávaro. O último, porém, foi emblemático como um marco da era de domínio do time merengue nos últimos tempos: o Real atropelou o Bayern de Guardiola em 2014 com um 4 a 0 histórico na Allianz Arena.

Para apimentar, a polêmica das quartas-de-final da edição passada por arbitragens confusas que prejudicaram mais a equipe alemã. Ou seja, clima de revanche.

E o grande teste para o time de Jupp Heynckes, apesar de ter encarado o PSG, ainda com Neymar, na fase de grupos. Mas no mata-mata, a trajetória foi menos complicada contra Besiktas e Sevilla. Em tese, porque, na prática, contra os espanhois foi sofrido, com dois gols em bolas desviadas e 0 a 0 em Munique.

Para o Real, mais uma vez o grande confronto da fase. Primeiro o PSG, depois a Juventus e agora o Bayern. Com o alerta de uma quase eliminação em casa para a pentacampeã italiana. Com o trunfo da força mental e da confiança pelas conquistas recentes.

São times experientes e inteligentes, que sabem variar posse de bola e transições em velocidade. O fator de desequilíbrio, mais uma vez, pode ser a absurda eficiência de Cristiano Ronaldo nas finalizações. Foram cinco gols na última eliminatória entre os dois. Mas qualidade não vai faltar no clássico mundial.

É duelo de estrelas e camisas pesadas. Com foco total das equipes, já que o Bayern já é campeão alemão e o Real não tem mais chances de conquistar a liga espanhola. Reencontro de James Rodríguez com o time que ainda possui seus direitos econômicos. Muito em jogo!

Favoritismo do Real Madrid pelo domínio do atual bicampeão e por definir em seu estádio. Mas é dever respeitar o Bayern de Heynckes, que pode repetir a tríplice coroa de 2012/13.

Já Liverpool e Roma farão o confronto entre as “zebras” que mandaram Manchester City e Barcelona de Pep Guardiola e Lionel Messi para casa. Classificações com autoridade, especialmente do time inglês que venceu no Anfield Road e no Etihad Stadium. 5 a 1 em 180 minutos.

Reencontro de Mohamed Salah com seu ex-time. Na melhor fase da carreira, é jogador para fazer a diferença. Pela direita ou no centro do ataque, como no triunfo em Manchester. Com perfeito entendimento com Firmino e Mané no 4-3-3 armado por Jurgen Klopp.

Mas a Roma, que superou Chelsea e Atlético de Madri na fase de grupos, mandando os espanhois para a Liga Europa, e alcançou o “milagre” nos 3 a 0 sobre o Barcelona em casa merece o máximo respeito. Ainda que só tenha vivido uma semifinal no torneio continental. Exatamente em 1983/1984, quando chegou à decisão…contra o Liverpool, que venceu nos pênaltis por 4 a 2 depois do empate por 1 a 1. Conquista da então Taça dos Campeões.

Agora, os Reds têm o ataque mais positivo e também a defesa menos vazada em sua campanha invicta. Mas o jogo físico e direto buscando Dzeko contra os zagueiros pode causar estragos diante de uma retaguarda bem protegida, mas que se complica no confronto direto com os atacantes. Ainda mais na volta no Estádio Olímpico.

Tradição conta, mas não tanto. Independentemente do peso da camisa, o Liverpool é favorito natural pelo que fez até aqui. Desempenho muito consistente, com 10 a 1 no mata-mata. Autoridade e personalidade. Mas vai precisar novamente se impor em casa para não sofrer na capital italiana.

O palpite do blog é Real Madrid e Liverpool repetindo a decisão de 1980/81 no dia 26 de maio, em Kiev.

 

 


Juventus foi gigante, mas ninguém merece mais a semifinal que o CR7
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André Rocha

Quando Buffon afirmou depois do jogo em Turim que seu sonho de vencer a Liga dos Campeões era impedido pelo melhor, em referência a Cristiano Ronaldo, parecia que a Juventus tinha jogado a toalha e se concentraria na conquista do hexacampeonato italiano.

Mas um gigante da Europa não vai se curvar fácil. Massimiliano Allegri apelou para uma estratégia clara e simples, mas eficiente, para surpreender o bicampeão europeu: forçar o jogo pela direita no setor de Marcelo e cruzar a bola procurando Mandzukic na segunda trave para ganhar pelo alto de Carvajal. Além disso, o que se espera de uma equipe no futebol atual precisando reverter um 3 a 0 é adiantar marcação e pressionar o adversário com a bola.

Tudo perfeito na primeira etapa. Com gol logo aos dois minutos do croata e Higuaín perdendo chance clara aos seis. A produção italiana pela direita melhorou ainda mais com a entrada de Lichtsteiner no lugar do lateral De Sciglio. Centro do substituto, mais um de Mandzukic.

O clima de confiança, quase amistoso antes da partida, morreu de vez e o gol de Matuidi em falha grotesca de Navas no segundo tempo fez o sonho parecer possível. Zidane tinha arriscado tudo na volta do intervalo com Lucas Vázquez e Asensio nas vagas de Bale e Casemiro. A saída do brasileiro era bem questionável, principalmente pela ausência de um zagueiro no banco de reservas – Sergio Ramos, suspenso, foi substituído pelo hesitante Jesús Vallejo. Se houvesse qualquer problema o volante brasileiro poderia ser adaptado ali.

Mas o Real Madrid teve mais sorte que juízo. A desconcentração poderia ter custado caro. O desgaste e a possibilidade de uma prorrogação, porém, fizeram a Juventus recuar, transformando o 4-3-3 num 4-1-4-1. Os espaços às costas de Modric e Kroos deixaram de ser explorados e o time merengue ficou menos desconfortável na partida.

No ataque final, a bola esticada. Cristiano Ronaldo, obstinado e, mesmo numa noite pouco feliz, inesgotável na busca pelo gol, ajeitou de cabeça uma bola quase perdida na segunda trave e Benatia empurrou Vázquez dentro da área. Força muito desproporcional. Pênalti marcado. Qualquer jogador surtaria com a chance de uma classificação histórica escapando pelos dedos no último lance. Buffon acabou expulso.

Szczesny entrou com uma missão impossível. Mas a margem de erro do português em lances decisivos costuma ser zero. Cobrança forte no ângulo. Sem chance. Real Madrid na semifinal. Décimo primeiro jogo com gol do português no torneio continental.

No apito do atrapalhado árbitro Michael Oliver, a festa tímida de uma torcida assustada. Calada até Cristiano Ronaldo regê-la e pedir a devida comemoração para a vaga na semifinal. A oitava consecutiva. Ainda carregando favoritismo e certamente mais alerta, independentemente do adversário que será apontado pelo sorteio.

A Juventus foi gigante. Atuação para guardar na memória. Mas nos 80 minutos ninguém mereceu mais essa classificação do que o CR7. A saga pelo sexto prêmio de melhor do mundo e pelo tricampeonato europeu continua.


A noite simbólica dos fracassos de Guardiola e Messi na Champions
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André Rocha

O Barcelona e o Manchester City serão campeões na Espanha e na Inglaterra. Por isso seria exagero falar em “morte” da escola que valoriza a posse de bola e jogadores mais ágeis, técnicos e de menos imposição física. Ainda que Pep Guardiola e Ernesto Valverde venham buscando adaptar e adicionar intensidade e pragmatismo em suas propostas de jogo.

Mas na Liga dos Campeões as eliminações para Roma e Liverpool são duras e simbólicas demais para os dois. Principalmente pelos contextos e pelo que fizeram os vencedores.

Jogos eliminatórios são naturalmente tensos e exigem força mental, concentração e precisão. Principalmente porque quando os nervos estão à flor da pele, quanto mais naturalidade e “jogar de memória” melhor. Mas ligado, firme. Não é por acaso que o Real Madrid vem se impondo nos últimos anos no torneio. O time merengue se adapta a qualquer cenário. Com o feeling de Ancelotti e agora Zidane.

Guardiola pecou por novamente “ousar” na formação do City. Um 3-1-4-2 com Walker e Laporte como zagueiros-laterais, Fernandinho alternando como zagueiro e volante, De Bruyne mais recuado adiantando David Silva, Bernardo Silva pela direita e Sterling mais próximo de Gabriel Jesus. Até surpreendeu o Liverpool no primeiro tempo pela pressão logo após a perda da bola e a capacidade de ocupar o campo de ataque com oito ou nove homens.

Mas de novo falhou ao não transformar 66% de posse e 13 finalizações em um placar maior que o 1 a 0 no gol de Gabriel Jesus logo aos dois minutos. Arbitragem à parte no polêmico gol anulado de Sané que custou a expulsão do treinador catalão pelo “piti” na saída para o intervalo.

A pausa fez Jurgen Klopp acalmar e reagrupar seu time. Com Mané pela direita ajudando Alexander-Arnold para fechar as incursões de Sané, Salah no centro e Firmino à esquerda, além de serenidade para conter a pressão e ficar um pouco mais com a bola. Mas o gol que definiu a vaga saiu no jogo direto, vertical. Liberdade de Chamberlain para acionar Salah e deste para Mané. Disputa com a zaga e sobra para o toque com categoria do egípcio. No final, Firmino apenas selou a classificação dos Reds para a semifinal da Liga dos Campeões depois de dez anos.

O City construiu sua campanha quase perfeita na Premier League com um 4-3-3 executado com todos os conceitos aplicados por Guardiola. Laterais Walker e Delph ora apoiando por dentro, ora por fora se juntando aos ponteiros Sterling e Sané que são abastecidos por De Bruyne e David Silva e acionam Aguero ou Gabriel Jesus. Ideia bem assimilada, movimentos bem coordenados.

O obsessivo Guardiola desconstruiu tudo nos dois jogos das quartas-de-final e pela quinta temporada consecutiva sequer chega à decisão da Champions. Desta vez com duas derrotas. Sinal de que é preciso rever algumas ideias e práticas para suas equipes se tornarem mais competitivas nessas disputas mais imprevisíveis, condicionadas a mando de campo e definidos no placar agregado. Cenário bem diferente das ligas nacionais das quais o treinador caminha para o sétimo título em nove anos de carreira. Com jogos menos complicados de planejar e controlar.

Controle que foi o que o Barcelona não teve no Estádio Olímpico de Roma. Permitiu o jogo físico do time italiano bloqueando Messi e Suárez e forçando pelos lados e nos passes longos para Dzeko e Patrik Schick contra Piqué e Umtiti, sobrecarregado na cobertura de Jordi Alba. Duas esticadas para Dzeko, gol do bósnio no primeiro pênalti e pênalti sofrido e convertido por De Rossi. No “abafa”, o gol de Manolas no escanteio.

No final, Piqué de centroavante. Desde 2010 é a solução quando o time de jogadores mais baixos, técnicos e velozes não consegue jogar ao natural e criar espaços. A Roma travou as infiltrações com Manolas, Fazio e Juan Jesus mais De Rossi na proteção e Florenzi negou as ultrapassagens de Alba. O Barça parou. De novo. Foi assim contra Atlético de Madri e Juventus.

Foram 15 finalizações a seis, oito na direção da meta de Ter Stegen e apenas duas que fizeram Alisson trabalhar. Domínio absoluto de quem parecia eliminado por conta dos 4 a 1 no Camp Nou.

E Messi? De novo flanando em campo como se jogasse uma partida qualquer da liga espanhola, que o argentino conquistou seis vezes nos últimos nove anos. Natural até demais…Mais uma vez não se viu a indignação com a derrota. Ou a noção de que é a Liga dos Campeões que vem definindo o melhor do mundo e, por isso, Cristiano Ronaldo transformou um 4 a 2 em 5 a 5. Agora caminhando para o desempate a favor do português. A terceira eliminação sem gols de Messi nos confrontos. Sintomático.

Noites históricas para Liverpool e Roma, com muito a comemorar. Feitos memoráveis também por superarem o treinador e o jogador mais talentosos desta era. Que construíram juntos uma trajetória vencedora lá no início da década e, fora a epopeia do Barça em 2015 com o trio MSN sob o comando de Luis Enrique, ficaram devendo em conquistas na competição mais importante.

É preciso mais que regularidade e foco na qualidade do jogo. E o paradoxo: enquanto Guardiola fica pilhado demais e acaba “inventando”, Messi parece indiferente, serenidade que se transforma em letargia. Mais uma noite de fracasso para rever convicções e prioridades.

(Estatísticas: UEFA)