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Não há time mais aleatório no Brasileirão que o Santos
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André Rocha

Gol sofrido aos quatro minutos de jogo no Moisés Lucarelli, numa rara hesitação do goleiro Vanderlei que Naldo aproveitou. Depois um domínio territorial com média de 63% de posse e seis finalizações contra duas da Ponte Preta, mas sem muitas ideias e deixando brechas entre os setores na execução confusa do 4-2-3-1 habitual para contragolpes que o adversário não soube dar acabamento.

O time de Eduardo Baptista tentava controlar os espaços num 4-1-4-1 organizado e forte pela direita com Nino Paraíba e Emerson para cima do frágil Zeca. Pelo setor, a estocada que encontrou Lucca livre na área para perder gol feito. Na volta, a nona assistência de Bruno Henrique, desta vez pela direita, e mais um gol de Ricardo Oliveira. No minuto final do primeiro tempo transformando um 2 a 0 que não seria nada absurdo em um empate por 1 a 1 que também carregava uma certa lógica.

Porque não há time mais aleatório nesta edição do Brasileiro que o Santos. Time da trocação, do jogo aberto, da aposta na qualidade do quarteto ofensivo, da dupla de zaga formada por Lucas Veríssimo e David Braz, ainda que expostos, e do goleiro Vanderlei.

E por que ainda disputa o título, ao menos na matemática? Porque o nível geral é fraco e nesta proposta de bater e levar cria mais problemas para os adversários mais reativos que outros quando tem a obrigação de atacar. Como não há uma equipe tão superior no trabalho coletivo, nem o líder Corinthians, o Santos vai pontuando e se mantendo no pelotão da frente.

Podia ter vencido em Campinas. No segundo tempo de postura mais agressiva da Ponte, com Eduardo Baptista trocando Emerson Sheik por Leo Gamalho e deslocando Lucca para o lado direito. Depois tirando os meias Naldo e Jean Patrick e colocando Jadson e Felipe Saraiva para reoxigenar o meio-campo e seguir atacando. Mesmo depois da tola expulsão de Fernando Bob que reagrupou o time num 4-4-1.

Levir seguiu em silêncio, pelos problemas de saúde, e não fez nenhuma substituição. Zero. Mesmo com o desgaste por conta da intensidade do oponente e até por necessidade em uma equipe não ajustada.

E quase saiu com a vitória, se o “garçom” Bruno Henrique não perdesse gol feito completando mal centro preciso de Lucas Lima da direita. Na 12ª finalização de um time com inegável vocação ofensiva, mas que parece tomar decisões sem um plano. O tempo todo. Como se contasse com o acaso para proteger o talento e a vontade de vencer.

Quem entende esse Santos?

(Estatísticas: Footstats)


Será que o Corinthians vai protagonizar o maior “flop” da história?
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André Rocha

Com a derrota do Grêmio para o Vasco em São Januário, a distância entre o líder e o segundo colocado do Brasileiro se mantém nos sete pontos. Mas o Santos fez a diferença para o terceiro cair para nove.

A vantagem do Corinthians é considerável ainda, mas são três derrotas em quatro partidas no returno. Depois de uma campanha invicta, a melhor da história no turno. E o pior: uma nítida queda de desempenho.

Inclusive defensiva, cedendo contragolpes ao Santos na Vila Belmiro e sofrendo no primeiro tempo com as descidas do lateral esquerdo Zeca, destro, por dentro. Ultrapassando os volantes Alison e Renato, sendo mais um na articulação. A última linha da retaguarda, mesmo com a dupla central de volta – Balbuena e Pablo – já não é mais tão segura. Também porque está mais exposta pelo rendimento abaixo dos meio-campistas.

Ofensivamente a equipe de Fabio Carille está previsível, com todas as ações estudadas e mapeadas pelos rivais. O pivô de Jô, as incursões de Jadson da direita para dentro, as aparições de Rodriguinho e as infiltrações em diagonal de Romero. Com a busca da reação no segundo tempo, o número de cruzamentos disparou: 35. Terminou com mais posse (52%) e finalizações – 12 contra 11, mas quatro no alvo contra sete do rival. É preciso ter ideias, variações. Voltar a surpreender.

Cássio destoou com duas defesas portentosas na primeira etapa, impedindo gols de Ricardo Oliveira. Mas nada pôde fazer quando Lucas Lima apareceu livre para aproveitar a transição ofensiva rápida. Sempre com Bruno Henrique, o melhor do clássico, aberto e voando para cima ou nas costas de Fagner, outro em queda livre.

No final, bola de Lucas Lima, disparada de Bruno Henrique e Ricardo Oliveira, enfim, acertando as redes quando Cássio nada podia fazer. Primeira derrota do Corinthians em clássico estadual no ano. Triunfo santista para se posicionar como candidato real, apesar da prioridade dada à Libertadores. Assim como o Grêmio.

Se acontecer a revirada, ainda improvável, de um título que parecia apenas questão de tempo e matemática, o “flop” corintiano se transformaria, sem dúvida, no maior da história do Brasileiro na fórmula por pontos corridos com vinte clubes. Será possível?

(Estatísticas: Footstats)


Com Levir Culpi, Santos cresce no modo “briga de rua”: jogo de trocação
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André Rocha

O Santos de Dorival Júnior prezava posse de bola e troca de passes. Na reta final do trabalho de quase dois anos, o domínio era inócuo pela baixa efetividade da equipe que rodava, tocava, mas não finalizava e deixava a defesa exposta.

Levir chegou e não mudou o DNA ofensivo da equipe, algo até cultural no clube. Nas últimas partidas, incluindo os 3 a 0 sobre o Bahia, até arriscou mais encaixando Emiliano Vecchio no lugar de Thiago Maia, negociado com o Lille.

A execução do 4-3-3, porém, é vertical, direta. Não controla o jogo com a bola, ainda que seja o líder em posse e o segundo em acertos de passes na competição – muito mais pelo volume de jogo e pela vontade de atacar, dentro ou fora de casa, sem contar os altos índices nas quatro partidas ainda sob o comando do antecessor.

Também não há controle de espaços, com o time bem posicionado na fase defensiva. Por isso Vanderlei trabalha tanto e é o melhor goleiro da Série A. Assim como explica os muitos erros de Lucas Lima em lançamentos e cruzamentos. Força a assistência o tempo todo, buscando Kayke no centro do ataque ou os pontas Copete e Bruno Henrique jogando invertidos para infiltrar em diagonal.

O camisa dez tem só dois passes para gols – Bruno Henrique tem cinco. Mas é quem faz o time acelerar o tempo todo, agora com auxílio de Vecchio e a proteção de Yuri à frente da retaguarda.

O Bahia terminou o jogo no Pacaembu lotado com 51% de posse e 14 finalizações contra onze do time mandante. Mas Bruno Henrique aproveitou uma trinca de ações ofensivas rápidas, com pelo menos três santistas na área adversária para resolver a partida. O alvinegro praiano melhorou muito sua relação finalizações/gols: agora precisa de oito conclusões para ir às redes.

O Santos cresce e luta na parte de cima do Brasileiro no modo “briga de rua”. Aposta na trocação, no jogo aberto acreditando na força de seu ataque e no momento espetacular de seu goleiro para derrubar os rivais.  Até porque o mantra atual do futebol nacional é não ficar com a bola e jogar em transições o tempo todo.

Não chega a ser um “Peixe Doido”, como o Galo de Cuca que Levir herdou e manteve a intensidade no topo. Mas torna o time mais imprevisível e eficiente. Dorival caiu com uma vitória e três derrotas. Com Levir são oito triunfos, três empates e apenas um revés. 75% de aproveitamento que só ficaria atrás do líder Corinthians. Não é pouco.

 

(Estatísticas: Footstats)


Levir Culpi pode ser o “Renato Gaúcho” de Dorival Júnior no Santos
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André Rocha

Estrear técnico num período sem tempo para treinamentos, com partidas a cada três dias, é sempre uma missão inglória. Não foi diferente para Levir Culpi que recebeu de Elano o Santos de Dorival Júnior.

No clássico da Vila Belmiro, foi possível ver uma equipe mais atenta, intensa e buscando um jogo mais vertical – na vitória sobre o Atlético-PR já havia chamado atenção a efetividade. Nem sinal da posse estéril de vários momentos da temporada.

Mas a proposta de não ser tão protagonista, definindo mais rapidamente a jogada tem efeitos colaterais, como a pressão palmeirense no segundo tempo que transformou Vanderlei no melhor jogador em campo. Triunfo com arbitragem polêmica no gol de Kayke em disputa com Edu Dracena  Impressão de falta do atacante no zagueiro, que reclamou de infração sobre ele também no segundo tempo, mas na área santista.

Passe de Jean Motta, improvisado novamente na lateral esquerda e sofreu na defesa com os seguidos ataques palmeirenses. Faltou também mais mobilidade de Lucas Lima, vigiado pelo volante Thiago Santos. O 4-2-3-1 mantido por Levir teve problemas de compactação.

O Santos terminou com 49% de posse, apenas oito finalizações contra 14 do rival – cinco a oito no alvo. Por outro lado, foram 29 desarmes certos contra 16. Uma clara mudança de perfil e de postura.

Primeira vitória em clássicos na temporada. De um alvinegro praiano que pode viver experiência parecida com a do Grêmio. Assim como Roger Machado, Dorival Júnior deixa um estilo assimilado num trabalho de quase dois anos, porém desgastado.

Levir não é o maior ídolo do Santos, como Renato Portaluppi no time gaúcho. Mas sua visão de futebol e gestão de vestiário podem trazer ao time um complemento às práticas do antecessor. Alternando a valorização do controle da bola com mais rapidez na transição ofensiva, contundência no ataque e o modo Levir de lidar com todos: direto e franco, sem os laços que Dorival construiu naturalmente pelo tempo de convivência. A concorrência vai ficar mais aberta. o ambiente mais competitivo.

Em junho será difícil ver uma mudança mais significativa, pela sequência de jogos. Por ora, importante é pontuar para mudar o patamar na disputa. Com os nove pontos nas últimas três rodadas, já se aproximou do G-4. Sem alarde, o atual vice-campeão pode voltar a brigar no topo. Com Levir como o “Renato Gaúcho” da Vila Belmiro.

(Estatisticas: Footstats) 


Santos parece ter regredido. Ponte ensina como não ser um time engessado
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André Rocha

Ponte Preta forte pela direita para cima do improvisado Jean Mota, o que prendeu Thiago Maia no meio e isolou Lucas Lima na armação das jogadas. Santos engessado no 4-2-3-1, Ponte mais móvel e criativa no 4-1-4-1. Muito pela agilidade de William Pottker na frente (Tactical Pad).

Segundo o Footstats, o Santos teve 64% de posse de bola no Moisés Lucarelli, mas só finalizou quatro vezes, metade na direção da meta de Aranha. A Ponte Preta concluiu 12, o triplo. Podia ter construído um placar mais confortável para a volta das quartas de final do Paulista.

Porque o time de Dorival Júnior parece ter regredido na execução de seu modelo de jogo. É engessado, previsível. Sem Zeca e com Jean Mota improvisado na lateral esquerda, precisou prender Thiago Maia ao lado de Renato à frente da defesa para conter os avanços de Nino Paraíba se juntando a Clayson e Jadson pela direita no 4-1-4-1 armado por Gilson Kleina.

Com isso, isolou Lucas Lima na articulação. Também porque Vitor Bueno parece ter esquecido que é meia de formação e, empolgado pelos gols marcados desde que se firmou como titular, só quer ficar na frente para buscar a diagonal e finalizar. Não colabora na articulação, circulando para mexer com a marcação adversária.

O Santos só saiu da mesmice quando inverteu os pontas e Bruno Henrique foi para o lado direito. Assim criou para Ricardo Oliveira. À esquerda, Vitor Bueno também apareceu e o time quase empatou.

A Ponte marcou seu gol no primeiro tempo. Atacando pela direita. Belo passe para a infiltração de Nino Paraíba, que serviu William Pottker para marcar seu oitavo gol. Agora é artilheiro isolado do estadual. Goleador que não fica fixo entre os zagueiros. Procura os flancos, abre espaços, induz as diagonais dos pontas Clayson e Lucca e chama a aproximação dos meias Jadson e Elton.

Entre as linhas de quatro, Fernando Bob protege a defesa e distribui o jogo com classe e precisão. Coisa que Renato não conseguiu fazer por outro problema que indica uma involução do alvinegro praiano: a saída de bola.

Agora com os laterais Victor Ferraz e Jean Mota com um posicionamento mais conservador, sem o recuo de Renato e os zagueiros Lucas Veríssimo e David Braz abrindo. Provavelmente para não desorganizar a frágil defesa na perda da bola e transição ofensiva do adversário.

Só que, paradoxalmente, com um meia na lateral esquerda como Jean Mota, a equipe perdeu o trabalho dos laterais por dentro que confundia a marcação e desafogava Lucas Lima. Resultado prático: time mais lento e sem alternativas.

Melhorou a dinâmica no segundo tempo com Kayke e Rafael Longuine – Copete entrou na vaga de Vitor Bueno no intervalo. Mas nada substancial. O jogo não flui, está travado pelas próprias dificuldades santistas.

Já Kleina manteve seu time inquieto. Primeiro com Pottker recuando para jogar à direita e dando mais liberdade para Clayson. Depois, com os veteranos Renato Cajá, em sua quarta passagem pelo clube campineiro, e Wendel, se repaginou num 4-3-1-2, com Cajá mais solto e os atacantes abertos. Mesmo com a saída de Pottker lesionado para a entrada de Lins.

Uma aula de como não se acomodar nem facilitar a vida do oponente. Sem a bola, intensidade e 15 desarmes corretos contra oito. Teve a chance de ampliar, mas ficou no 1 a 0 que parece pouco para o domínio e o controle do jogo.

Pode sofrer no Pacaembu. Principalmente se o Santos aprender e resgatar virtudes que parecem esquecidas em 2017.


Lucas Lima desperta com Santos na Copa do Brasil. Mas Vasco está vivo
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André Rocha

O Vasco não foi muito feliz no retorno à Copa do Brasil. Além do momento de baixa nas oscilações naturais da temporada, até para quem está na Série B, encarou na Vila Belmiro um Santos redivivo.

Não só por conta dos retornos dos campeões olímpicos Zeca, Thiago Maia e Gabriel. Principalmente pelo despertar de Lucas Lima, muito provavelmente pela convocação de Tite para a seleção principal. Em meio a uma temporada confusa, com expectativa por uma proposta de um grande centro europeu que (ainda) não veio, o camisa vinte oscilou demais em comparação ao segundo semestre de 2014 e à temporada passada.

Nos 3 a 1 sobre os cruzmaltinos no jogo de ida das oitavas de final, o meia dinâmico, que pensa correndo, foi disparado quem mais ficou com a bola no alvinegro praiano – pouco mais que dois minutos, só atrás de Andrezinho. Na atuação, só não foi superior a Renato, o volante passador que fez o primeiro gol em assistência de Lucas Lima e depois serviu o próprio meia de calcanhar no terceiro, o mais bonito do jogo. Ricardo Oliveira, outro destaque, fez o segundo em bela cobrança de falta.

O desempenho do Santos ao longo da partida não foi regular. Talvez por assentar quem ficou de fora da equipe por algum tempo. Houve momentos de intensidade, rapidez e muita mobilidade na execução do 4-2-3-1 habitual, mas também de espaçamento entre os setores e dispersão que o Vasco aproveitou para equilibrar as forças e terminar o jogo com mais finalizações – onze a nove. Uma na trave de Andrezinho.

Mas sofreu com o volume de jogo santista, no ritmo de Lucas Lima. Muitas brechas entre as duas linhas de quatro organizadas por Jorginho sem a bola que desmontam o losango no meio-campo quando Jorge Henrique recua pela esquerda para liberar Nenê mais próximo de Ederson. A dupla criou boa oportunidade em contragolpe. A melhor, no entanto, Andrezinho desperdiçou à frente de Vanderlei.

Falha grotesca do zagueiro Luiz Felipe, que novamente destoou com erros técnicos e de posicionamento, sobrecarregando Gustavo Henrique. Também porque o Santos depende do trabalho coletivo sem a bola. Renato, com 37 anos, é o volante mais plantado para jogar com a bola, não correndo atrás de Andrezinho e Nenê. Mas foi Eder Luís, o substituto do camisa dez cruzmaltino, que achou nos acréscimos o gol para recolocar o time carioca de volta à disputa. Esperança, apesar dos três jogos sem vencer.

O Santos teve 54% de posse e mais eficiência nas finalizações – das quatro no alvo, três nas redes. Também a chance de matar o confronto, porém segue favorito para confirmar a vaga em São Januário. Porque recupera forças com a equipe de Dorival Júnior mais completa e, principalmente, Lucas Lima aceso e produtivo.

(Estatísticas: Footstats)


Audax joga ao natural, mas Santos responde e segue favorito ao bicampeonato
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André Rocha

Dorival Júnior optou por dosar energias sem arriscar pressão no campo de ataque em Osasco. O Santos deixava Lucas Lima, Gabriel e Ricardo Oliveira mais adiantados e Vitor Bueno compondo o meio com Thiago Maia e Renato. A ideia clara era controlar defensivamente a partida de ida.

Com isso, aceitou que o Audax propusesse o jogo desde o início com troca de passes, apesar do gramado irregular. A equipe de Fernando Diniz ocupava o campo de ataque e jogava ao natural, sem pressão pela decisão. Espetava Tche Tche e abria bem o zagueiro André Castro pela direita na saída de bola. Porém faltavam as jogadas de profundidade e os chutes de fora da área.

O Santos crescia quando saía com passes simples e objetivos de Lucas Lima procurando Gabriel e Ricardo Oliveira, que acertou as traves em contragolpe e cobrança de falta nas cinco finalizações contra seis do Audax, que teve 58% de posse e errou apenas 12 passes, dois a menos que o oponente. Mais um pênalti sobre Gustavo Henrique ignorado pela arbitragem de Flavio Rodrigues de Souza.

Audax forte pela direita com Tche Tche espetado fazendo dupla com Mike para cima de Zeca e Vitor Bueno, que voltava e liberava o trio ofensivo talentoso do Santos (Tactical Pad).

Audax forte pela direita com Tche Tche espetado fazendo dupla com Mike para cima de Zeca e Vitor Bueno, que voltava e liberava o trio ofensivo talentoso do Santos (Tactical Pad).

Jogo igual e melhor tecnicamente na segunda etapa, com Fernando Diniz trocando Juninho por Wellington. Gabriel e Vitor Bueno inverteram o lado e geraram um problema defensivo: Tche Tche não deixou de apoiar e criou vantagem numérica pela direita. Na inversão de bola, o lateral do Audax bateu com Zeca e indefiniu a marcação sobre Mike, que cortou para dentro e marcou belo gol.

Tudo pareceu ruir para Dorival Júnior quando Lucas Lima sentiu lesão ao finalizar e deu lugar a Ronaldo Mendes. Depois Paulinho substituiu Vitor Bueno e definiu um 4-2-3-1 mais ofensivo. Uma resposta até óbvia pela adversidade. Mas o empate veio com o erro de Tche Tche. Sem pressão de nenhum adversário, com o time saindo, entregou nos pés de Ronaldo Mendes com espaço de sobra para avançar e soltar o pé.

Santos buscou empate com um 4-2-3-1 mais ofensivo após as substituições, mas só conseguiu no erro de Tche Tche que Ronaldo Mendes aproveitou (Tactical Pad).

Santos buscou empate com um 4-2-3-1 mais ofensivo após as substituições, mas só conseguiu no erro de Tche Tche que Ronaldo Mendes aproveitou (Tactical Pad).

O Audax nunca abdicou do ataque. Finalizou 17 vezes, subiu a posse para 60%. Merece respeito e admiração pela convicção no seu plano de jogo. Por isso é líder em posse e acerto de passes na competição.

Mas não se impôs com o mando de campo. Terá que fazer história na Vila Belmiro para evitar o bicampeonato na oitava final estadual seguida, com quatro títulos, de um time que ostenta invencibilidade de 27 jogos em casa – 23 vitórias e quatro empates.

Mesmo se perder Lucas Lima, o Santos é o favorito.

(Estatísticas: Footstats)

 


Quem vai se sacrificar por Robinho: Dátolo ou Lucas Lima?
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André Rocha

Robinho decide na sexta-feira se volta para casa em Santos – com todo carinho, crédito de ídolo e competições menos duras até maio – ou aceita o desafio no Atlético Mineiro: Libertadores e um novo ambiente, com mais cobranças e um contrato com premiações por metas cumpridas.

Em qualquer clube, Robinho terá que se recuperar fisicamente. Também resgatar a capacidade de competir em nível mais alto, já que na China a exigência foi bem menor. No final, inclusive, seu rendimento foi abaixo mesmo lá. Sua atuação no primeiro tempo contra o América do México no Mundial foi pluripatética. Irritou Felipão e nem voltou do intervalo.

Mesmo na condição ideal, Robinho criaria um problema tático em Santos ou Belo Horizonte. Porque gosta de atuar pela esquerda, porém não tem característica, idade, fôlego e disciplina para fazer o trabalho que se exige sem a bola: pressionar a saída do oponente pelo setor ou recompor rapidamente para que o lateral da sua equipe não fique sozinho no combate.

Por isso, alguém do meio-campo vai acabar sacrificado. No 4-2-3-1 utilizado tanto por Dorival Júnior quanto Diego Aguirre, a tendência é o meia central pagar o pato: Dátolo ou Lucas Lima.

Santos ou Atlético-MG? Em qualquer um, Robinho deve jogar solto pelo lado direito, cortando para dentro e procurando o centroavante. Mas também sacrificando Lucas Lima ou Dátolo na recomposição pela esquerda (Tactical Pad).

Santos ou Atlético-MG? Em qualquer um, Robinho deve jogar solto pelo lado direito, cortando para dentro e procurando o centroavante. Mas também sacrificando Lucas Lima ou Dátolo na recomposição pela esquerda (Tactical Pad).

Canhotos, procuram o lado esquerdo naturalmente. No Santos de 2015, campeão paulista, Lucas Lima já voltava para cobrir Robinho e compor uma segunda linha de quatro. Porque Ricardo Oliveira fica no centro do ataque. O mesmo seria com Lucas Pratto, que por enquanto segue no Galo. Dátolo também já executou a função, nas vezes em que atuou com Luan e Giovanni Augusto na linha de meias. Nenhum segredo.

Mas prejudica a articulação, pelo maior desgaste físico de quem tem que pensar o jogo. No Guangzhou Evergrande, Ricardo Goulart e Elkeson se revezavam na volta para cobrir o lado de Robinho, que é criativo, mas não construtor de jogo.

No Guangzhou Evergrande de Felipão, Robinho não voltava na recomposição pela esquerda e sacrificava Elkeson e Ricardo Goulart (reprodução Fox Sports).

No Guangzhou Evergrande de Felipão, Robinho não voltava na recomposição pela esquerda e sacrificava Elkeson e Ricardo Goulart (reprodução Fox Sports).

A questão é: vale o sacrifício? Robinho ainda pode entregar em gols, assistências, liderança e presença midiática a compensação por menos suor no combate aos rivais?

Na sexta-feira, o “rei das pedaladas” ou “presidente da resenha” define em qual clube brasileiro atuará em 2016. Seu novo técnico espera ganhar uma solução. Porque o meia criativo, ou “camisa dez”, do time terá um problema a mais para resolver.


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