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Vitórias com a garotada dão respaldo ao trabalho correto do Flamengo
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André Rocha

Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo

Não há como garantir uma temporada bem sucedida do Flamengo em 2018. É até provável que com Paulo César Carpegiani no comando o time titular siga com as mesmas dificuldades do ano passado. Principalmente por ter um grupo de jogadores para privilegiar o jogo mais direto, de contragolpes, e não dentro da proposta do clube de propor o jogo no campo de ataque com posse de bola.

Mas uma coisa é inegável: o início de temporada é correto no planejamento e tem conseguido um saldo positivo na execução. O elenco voltou às atividades no dia 13 de janeiro com estreia no Carioca marcada para o dia 17.

A solução foi utilizar a garotada sub-20 e aos poucos inserir os profissionais já dando minutos em ritmo de competição. Uma escolha arriscada pelo resultadismo característico do nosso futebol, ainda mais com a urgência da maior torcida do país e a repercussão de tudo que acontece na Gávea e no Ninho do Urubu. O São Paulo estreou com derrota poupando os titulares e a pressão começou cedo.

Mas os meninos responderam bem, em desempenho e resultado. Na Copa São Paulo, chegando à final contra o São paulo, e nos primeiros jogos do estadual. Três vitórias, quatro gols marcados e nenhum sofrido. Ainda que Volta Redonda, Cabofriense e Bangu não sejam parâmetro de avaliação, ser testado com visibilidade dá “casca” aos garotos.

Também aumentaram a confiança de Vinicius Júnior. Já com cinco gols no profissional ao ir às redes diante da Cabofriense, novamente na Arena da Ilha. A joia do Real Madrid ainda a serviço do Fla também serviu Lincoln no gol da vitória sobre o Bangu após bela jogada individual. Na partida que marcou o retorno do jovem de maior destaque em 2017: Lucas Paquetá.

Léo Duarte voltou muito bem na zaga, Jean Lucas vai ganhando cancha, Ronaldo retornou com o espaço que tanto pediu antes de partir para o Atlético-GO. E ainda Lucas Silva, Vítor Gabriel, Klébinho, Thuler, o goleiro Gabriel Batista…Todos aproveitando o estadual para consolidar um dos momentos decisivos na carreira de qualquer jogador: a transição da base para o profissional.

A grande questão a resolver é que os garotos, por características, também precisam de espaço para acelerar, não trabalham com toques rápidos e deslocamentos para abrir defesas mais fechadas. Algo a ser trabalhado por titulares e reservas, já que o time, em qualquer competição, entrará com a responsabilidade de atacar na maioria das partidas.

A boa notícia para Carpegiani é que o treinador ganha opções. Se o titular não corresponder já terá um jovem menos verde para lançar num jogo maior, em um momento mais importante da temporada. O torcedor conhece, sabe o que esperar. A “grife” sem desempenho ganha uma sombra real que pode minimizar a ida do clube mais tímida ao mercado até aqui.

Como deve ser. Como é tradição nos momentos mais vencedores do Flamengo. As vitórias dão respaldo ao técnico, aos meninos e tranquilidade aos titulares na volta, já pensando em Libertadores. Não assegura o sucesso, mas já é um bom início.

 


O que falta ao Flamengo para vencer além das fronteiras do Rio de Janeiro
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André Rocha

Mais uma vez em 2017 o Flamengo deixou uma vitória escapar por pequenos detalhes que fazem diferença, especialmente numa decisão.

Seja o problema crônico de não ter um jogo coletivo bem elaborado, com triangulações, ultrapassagens, trabalho de pivô…O time, com Zé Ricardo ou Rueda, vive fundamentalmente das jogadas aéreas. Com bola parada ou rolando. Foi assim com Réver em Avellaneda e de novo com Lucas Paquetá depois de uma cobrança de falta de Diego. Mais um gol do jovem atacante em decisão, assim como foi na ida contra o Cruzeiro na Copa do Brasil.

O “arame liso” também se fez presente no Maracanã. 56% de posse, 18 finalizações. Mas só três no alvo. Exatamente porque o time não cria a jogada surpreendente que facilita a vida de quem vai concluir. E quando Everton apareceu na frente de Campaña o chute não foi preciso. Numa final o time que precisa finalizar, em média, oito vezes para ir às redes vai sofrer mais. Cerca, mas para furar é difícil.

Com tantas dificuldades para ser contundente na frente, as falhas defensivas costumam custar caro. O pênalti de Cuéllar sobre Meza que Barco converteu para empatar e garantir o 17º título internacional do “Rei de Copas” foi um tanto duvidoso, mas não resta dúvida que o volante colombiano foi imprudente na disputa. Podia ter sido pior, se Juan não tivesse salvado falha grotesca de Réver que terminou na cavadinha de Gigliotti e o salto espetacular do zagueiro veterano.

O mais do mesmo seguiu com a falta de criatividade de Diego. O camisa dez não dá fluência às jogadas, sequer arrisca um passe rápido e vertical que fura a defesa, mesmo quando os companheiros dão opção. Só aparece na bola parada. E não tem a leitura para perceber que seria mais útil entrando na área para finalizar. Recua, prende a bola, atrasa a transição ofensiva e quase sempre toca de lado, para os laterais levantarem na área adversária. Um elo fraco rubro-negro ao longo da temporada. Impressiona como ainda tem o nome aventado para a lista final de Tite para a Copa do Mundo na Rússia.

O Fla do elenco milionário e experiente nos últimos minutos dependeu de Vinicius Júnior, Paquetá, Vizeu e Lincoln. Com Everton Ribeiro, principal contratação para a temporada, se arrastando e errando jogadas primárias. Uma prova de que a ida ao mercado não foi das mais felizes. O departamento de futebol segue devendo.

O Independiente foi melhor coletivamente nos 180 minutos e a mentalidade vencedora ajudou a construir os 3 a 2 agregado que garantiu o segundo troféu do torneio continental. Para o Flamengo restou novamente a frustração. Termina o ano apenas com a conquista do Carioca. Simbólico para mostrar que a reestruturação financeira e o maior poder de investimento não mudaram o patamar nos cenários nacional e internacional. O clube segue como o maior vencedor no estado, na competição menos relevante na temporada. E só.

Falta dar o salto de competitividade em alto nível. Ser forte e vencedor além das fronteiras do Rio de Janeiro deve ser a prioridade para 2018. A começar por priorizar a Libertadores e deixar um pouco de lado o campeonato tão valorizado em abril, maio…e esquecido no final da temporada. O ano foi de fracassos. Não tapar o sol com a peneira é um bom primeiro passo.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo de Rueda repete velhos erros. Cruzeiro ganha gol e favoritismo
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André Rocha

Se as dúvidas ou mudanças não confirmadas por Reinaldo Rueda estavam na meta e no ataque – Thiago e Lucas Paquetá iniciaram o jogo – a maior surpresa na escalação do Flamengo foi a entrada de Márcio Araújo no lugar de Cuéllar, melhor nos 180 minutos da semifinal contra o Botafogo e em boas condições físicas. Opção.

O resultado foi uma equipe com mais dificuldade no início da construção das jogadas, com Arão e Diego recuando muito para ajudar. Melhorou quando Paquetá passou a recuar e abrir espaços para as infiltrações de Berrío e Willian Arão. Mas de novo a equipe se mostrou “arame liso”, sem contundência no ataque. Faltou a chance cristalina.

Já o Cruzeiro sofreu com Rafael Sóbis na frente, tirando velocidade dos contragolpes – a entrada de Raniel na segunda etapa criou mais problemas para a retaguarda do oponente. Os erros de Robinho saindo da direita não ajudavam Thiago Neves na articulação. Diogo Barbosa era o destaque, negando espaços a Berrío e centrando para Alisson, no início do segundo tempo, para a primeira oportunidade clara do jogo. Grande defesa de Thiago.

Personagem da partida pela falha ao dar rebote no chute de Hudson para De Arrascaeta, substituto de Thiago Neves, empatar. Muralha faria o mesmo? Nunca saberemos, assim como a ótima intervenção na primeira etapa. Fica a impressão de que Thiago podia ter atuado na partida contra o Paraná pela Primeira Liga para ganhar mais ritmo de competição. Virou vilão.

O jovem goleiro negou o protagonismo a Paquetá, meia que foi às redes num “abafa” como típico centroavante – e impedido pelo toque de Arão desviando o chute. Depois de muita pressão após a mudança de Rueda, trocando Rodinei por Vinicius Júnior, recuando Everton para a lateral e invertendo o lado de Pará no mesmo 4-2-3-1. Depois Cuéllar, enfim, entrando no meio-campo para aumentar o volume de jogo.

Tudo em vão. Porque mais um erro individual inviabiliza o triunfo rubro-negro em jogo decisivo. Que custa caro por não transformar 59% de posse e 14 finalizações, a metade no alvo, em mais gols. Velhos problemas que transferem moral e favoritismo ao Cruzeiro para a volta no Mineirão, no dia 27. Mas no futebol brasileiro em que visitantes, normalmente com menos posse, se impõem, as chances do Flamengo não podem ser descartadas.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


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