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Nem contra El Salvador, Neymar?
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André Rocha

O problema não é usar uma data FIFA para fazer um treino nos Estados Unidos com a camisa oficial da seleção brasileira contra El Salvador. Nenhuma seleção do mundo passa todo o ciclo de quatro anos sem um enfrentamento muito desproporcional como esse.

O que gerou desconforto desta vez foi mais do mesmo: o calendário inchado que não permite uma pausa até o fim de semana e sacrificando, na prática, duas das quatro equipes envolvidas nas semifinais da Copa do Brasil. Responsabilidade da CBF. Mas Tite poderia ter encontrado uma solução de bom senso. Se queria testar Dedé e Paquetá, que o fizesse por 45 ou mesmo 90 minutos contra os Estados Unidos e dispensasse os dois no sábado. Simples assim.

Mas a pior notícia dos  5 a 0 em Washington foi Neymar simulando um pênalti, levando cartão amarelo, reclamando da arbitragem e depois, claramente por birrinha infantil, dar um chapéu no adversário na linha média, para trás, e perder a bola. Um “combo” no final do primeiro tempo, com 3 a 0 no placar, que ressalta a falta de maturidade, mesmo depois de toda repercussão negativa pós-Copa do Mundo. Pelo visto, a braçadeira de capitão não veio com uma cobrança do comando pela mudança de postura. A transmissão mostrou Tite sinalizando que o cartão amarelo para Neymar teria sido injusto.

Eis o ponto: não fosse Neymar, talvez o árbitro não interpretasse com tanta certeza a simulação. Ou seja, está estigmatizado e alimenta a imagem mais que desgastada. Mesmo contra um adversário indigente tecnicamente, sem capacidade de oferecer uma mínima resistência. Pouco inteligente, para dizer o mínimo. Muito pior que o gol perdido por puro individualismo minutos antes. Até compreensível por ter marcado dois, mas em cobranças de pênalti.

Quem acompanha este blog sabe que não há má vontade, nem perseguição com o craque controverso. Pelo contrário. Este que escreve tenta focar no rendimento em campo e, dentro do alcance do espaço, propor soluções para potencializar um talento que, na seleção, quase sempre pareceu subaproveitado. Mas não pode recolher a crítica diante de uma situação absurda. Mesmo com tristeza.

Richarlison aproveitou bem a primeira oportunidade de início com dois gols. Valeu também para dar minutos a Neto, Militão, Dedé, Felipe, Arthur, Paquetá, Andreas e Everton. E pouco mais que isso. Não é o fim do mundo. O trabalho está no começo. Se é para enfrentar uma “carne assada”, que seja agora e não às vésperas de uma Copa do Mundo. Como aconteceu em 1994, por exemplo, nos 4 a 0 também sobre El Salvador. Mas como a CBF terceiriza a agenda da seleção, tudo parece suspeito. Ou pouco transparente.

Nítido mesmo foi o comportamento lamentável de Neymar. E decepcionante, mesmo não se complicando na segunda etapa. Difícil vislumbrar uma melhora a curto prazo. Se nem contra El Salvador ele é capaz de se conter…

 

 


Jogaço no Mineirão deixa lições importantes para Cruzeiro e Flamengo
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André Rocha

Ao escalar titulares no empate com o América no Brasileiro parecia que o Flamengo tinha jogado a toalha na Libertadores, estabelecido as outras competições como prioridades e poderia até poupar titulares no Mineirão.

Engano. A única mudança de Maurício Barbieri foi uma experiência para tentar compensar a grave carência no centro do ataque: Marlos Moreno na vaga de Henrique Dourado, mas com Vitinho atuando mais adiantado no 4-1-4-1. Complicado testar em uma partida decisiva, mas o jogo mostrou ser absolutamente compreensível.

O fato é que mesmo com a vitória por 1 a 0 e a bela atuação coletiva, falta “punch” ao time rubro-negro. Termo que vem do boxe que significa a capacidade de encaixar golpes e derrubar o oponente. É uma equipe que precisa de muito volume de jogo e posse de bola para finalizar e muitas conclusões para ir às redes.

Tentou com Vitinho na frente e no final com Dourado e mais Lincoln e Geuvânio. Foram nove finalizações, mesmo com 58% de posse. Apenas duas no alvo. Gol só na bola parada, com Léo Duarte. Novamente o ataque ficou devendo. Foi o que pesou.

Melhor para o Cruzeiro, que deve lamentar a derrota mais pelas chances cristalinas perdidas. Especialmente de Barcos e Thiago Neves. Pararam em Diego Alves. Difícil entender a opção por Barcos deixando Raniel na reserva. Foram apenas oito finalizações, três no alvo. Mesmo considerando o contexto da vantagem obtida no Maracanã, a atuação no aspecto ofensivo ficou devendo.

Já defensivamente, no 4-2-3-1 habitual, mais uma vez foi sólido e organizado. Principalmente pela estratégia de pressionar Diego e Lucas Paquetá, meio-campistas que notoriamente prendem a bola e quase sempre precisam dominar e girar para decidir a jogada, assim que a bola chegava. Vários botes certos sobre os dois entre os 25 desarmes corretos do time celeste.

O desempenho geral, porém, é preocupante se pensarmos na reta final da temporada se o time precisar reverter desvantagem em casa. Mano Menezes é pragmático e tem a conquista da Copa do Brasil no ano passado como crédito, mas aconteceu também contra o Santos no torneio nacional, só decidindo nos pênaltis. Flertar com o perigo constantemente pode terminar bem mal.

Já a trajetória do Fla na competição sul-americana termina sem grandes traumas, mas deixando claro novamente que depende demais dos titulares. Faltou Paquetá no Maracanã e o desempenho caiu vertiginosamente. O elenco não consegue encontrar respostas no mais alto nível.

O saldo final é de copo meio cheio para ambos. O Cruzeiro pelo resultado, o Flamengo pelo desempenho considerando que a expectativa por classificação era baixa. Mas o jogaço deixa lições e exige atenção para tentar finalizar 2018 com algum título.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo volta a se aproximar do topo, mas ainda faz força demais pra jogar
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André Rocha

Era jogo para goleada. Um Vitória sem confiança, agora sob o comando de Paulo César Carpegiani, no Maracanã com ótimo público mais uma vez. Time completo, Vitinho mais à vontade. Muito volume de jogo na maior parte do tempo.

Posse de bola de 68%, 25 desarmes corretos, quatro interceptações certas. Total de 15 finalizações, sete corretas. Mas apenas 1 a 0 no placar, gol de Diego no final do primeiro tempo. Meia que sempre rende mais atuando adiantado, entrando na área adversária. Mas no 4-1-4-1 montado por Mauricio Barbieri, o jogador de 33 anos participa da articulação, recua, pressiona a saída de bola do oponente. Ocupa um espaço grande de campo e se desgasta muito. Ainda mais quando prende a bola, conduz, gira. Ou seja, faz muita força para jogar.

Assim como todo a equipe. Em várias partidas precisa de um domínio muito amplo para vencer. A relação gol/finalização nem é tão ruim, só fica atrás de São Paulo, Atlético Mineiro e Palmeiras no Brasileiro. São oito conclusões para ir às redes. Mas para concluir tem que rodar muito a bola. Não por acaso é o segundo em posse, com média de 55%, atrás apenas do Grêmio.

Em jogos mais parelhos, especialmente fora de casa, nem sempre será possível impor esse domínio absoluto. Aconteceu no segundo tempo contra o Grêmio em Porto Alegre na Copa do Brasil. E mesmo lá, não fosse a finalização precisa de Lincoln no último ataque o Fla teria saído com derrota. Ou seja, falta contundência.

Mais uma vez o ataque não foi eficiente para abrir uma vantagem de dois ou três gols e depois administrar, dosando as energias. Henrique Dourado e Lucas Paquetá perderam chances cristalinas, uma em cada tempo. O Vitória finalizou quatro vezes, uma na direção da meta de Diego Alves. A de Lucas Fernandes, infiltrando no setor de Renê, normalmente o mais frágil defensivamente. Chute cruzado que o goleiro salvou. Podia ter sido o empate.

Final tenso, desgaste emocional e físico que se acumula na temporada. Quase nunca o jogo é tranquilo. Mesmo com Everton Ribeiro jogando muito bem, saindo da direita para pensar e articular, tocando fácil. Falta a fluência com começo, meio e fim das ações ofensivas com a bola terminando nas redes.

Uma solução seria adiantar Diego. Ideia deixada de lado logo no início do Brasileiro para que Paquetá tivesse mais liberdade e Cuéllar atuasse mais fixo à frente da defesa. Mas na falta de um exímio finalizador, ter um meia que conclui bem mais perto do centroavante pode ser um detalhe que muda um jogo ou mesmo um campeonato.

O Flamengo só não pode seguir correndo riscos desnecessários em jogos controlados. Nem ser presa fácil quando o adversário não permite um domínio tão grande. A conta vem sendo alta na volta da parada para a Copa do Mundo. Ainda que os três pontos façam a equipe voltar a se aproximar do líder São Paulo.

(Estatísticas: Footstats)


Gritaria por convocação de Paquetá se explica: Flamengo só tem os titulares
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André Rocha

Após o anúncio na sexta-feira da convocação de Lucas Paquetá para a seleção brasileira, alguma alegria pelo reconhecimento do talento do jovem meio-campista. Mas muito mais gritaria no Flamengo. Torcedores, jornalistas-torcedores e o próprio presidente Eduardo Bandeira de Mello fizeram um escândalo por conta da ausência do jogador em partidas importantes do clube durante o período em que ficar à disposição de Tite.

Tudo por causa de apenas um jogador convocado. Como Dedé no Cruzeiro, Fagner no Corinthians e outros. Numa data FIFA, oportunidade que a seleção tem de se reunir. No início do ciclo pensando em 2022. Contra Estados Unidos e El Salvador, sim. Qual seleção no mundo só enfrenta adversários de grande porte durante quatro anos?

Os questionamentos sobre o modus operandi da CBF na gerência da seleção brasileira através de uma empresa que promove os amistosos e o calendário inchado pelos estaduais que obriga os times a jogarem em datas FIFA são legítimos. E não são novos. E o Flamengo e outros clubes pouco fazem para modificar, no caso do calendário.

Mas estava claro que a revolta era pela ausência de um jogador importante. Porque não há reposição à altura. Para ele e praticamente todo o time titular. O elenco rubro-negro é frágil e isto está cada vez mais claro. No melhor momento da equipe, antes da Copa do Mundo, o treinador Maurício Barbieri até conseguiu manter o bom rendimento com uma ou outra ausência importante.

Só que agora qualquer baixa ou opção por poupar alguns titulares para administrar o desgaste por jogos seguidos vem se tornando um problema grave. Porque os reservas não mantêm o nível e os titulares estão no limite do esgotamento. Físico e mental.

Na Arena da Baixada, o Atlético Paranaense em reconstrução, agora sob o comando de Tiago Nunes depois da saída de Fernando Diniz, precisou de 20 minutos para colocar intensidade, fazer 3 a 0 e depois administrar com alguma folga e oportunidades para ampliar. Marcinho deitou e rolou no setor de Rodinei e desta vez a jovem zaga formada por Léo Duarte e Thuler não teve desempenho nem proteção para evitar o pior contra Pablo e Raphael Veiga, outros destaques do time mandante.

Natural os jovens oscilarem. Paquetá cumpriu sua pior atuação nos últimos tempos. Muitos erros por desconcentração e um pouco de autossuficiência. Natural para um jovem já tão exaltado, ainda mais depois da convocação. O que se cobra é que ele tenha um time para sustentá-lo quando vem o jogo ruim. As contratações milionárias precisam assumir a responsabilidade.

Mas bastou Barbieri não contar com Diego Alves, Réver e Diego para o rendimento, que já não tem sido tão bom, cair bruscamente. Até Henrique Dourado fez falta pela enorme dificuldade de Uribe para manter a bola no ataque. O Flamengo teve 65% de posse e só chegou a 15 finalizações, uma a mais que o Atlético e oito no alvo, porque no segundo tempo o adversário apenas administrou a vantagem diminuindo um pouco o ritmo. A atuação coletiva no geral foi sofrível.

Por isso a histeria com a perspectiva da ausência de Paquetá. Porque o Fla só tem o time titular. Ou seja, a formação que venceu o Grêmio no meio da semana. Ultrapassado por São Paulo e Internacional na tabela do Brasileiro, vai viver um dilema até o fim da temporada: exaurir os titulares até o limite ou poupar e sofrer pela queda de nível com os reservas? Para complicar, um treinador jovem para fazer escolhas complexas.

O futuro ficou bem duvidoso para o Flamengo.


Renovação no meio-campo é a melhor notícia da primeira lista de Tite
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André Rocha

É uma lista cheia de contextos, inclusive o cuidado de não desfalcar muito os times brasileiros envolvidos em disputas decisivas. São 13 remanescentes da Copa do Mundo por uma questão de coerência. Afinal, é a sequência de um trabalho.

Os adversários não são de primeira linha: Estados Unidos e El Salvador. Vale mais perceber as intenções de Tite neste início de novo ciclo na seleção. Já fica claro o vazio na lateral direita, com Fagner voltando e o zagueiro Marquinhos e Fabinho, há tempos atuando no meio-campo, podendo ser improvisados no setor. Militão parece ser o nome da vez e foi citado como um dos não convocados, mas observados. Questão de tempo.

Na esquerda, uma pausa para Marcelo e novas oportunidades para Filipe Luís e Alex Sandro. Na zaga, a oportunidade para Dedé já acenada com o elogio ao zagueiro do Cruzeiro quando do anúncio da lista dos 12 nomes além dos 23 convocados para o Mundial. Felipe do Porto e campeão brasileiro em 2015 com Tite no Corinthians, também é nome interessante. No gol, a surpresa ao levar Hugo, do sub-20 do Flamengo. Em um ciclo de quatro anos é possível pensar no futuro.

No ataque, Roberto Firmino largando na frente de Gabriel Jesus e prêmios a Everton, fator de desequilíbrio no Grêmio, e Pedro, o melhor camisa nove em atividade no país e com potencial para ser um centroavante seguindo a linhagem dos grandes que já vestiram a camisa cinco vezes campeã do mundo. Neymar era nome mais que esperado, mas desta vez quase como um coadjuvante. Boa oportunidade para repensar, reciclar e ressurgir. Malcom podia estar já nesta lista, Richarlison também. Vinícius Júnior e David Neres são joias para o futuro.

A melhor notícia, porém, vem do meio-campo. Casemiro é o homem da proteção e os melhores tecnicamente do grupo que esteve na Rússia continuam: Renato Augusto, Fred, Phillipe Coutinho e Willian. Sustentação e experiência para ajudar as ótimas novidades. Arthur e Lucas Paquetá, nomes já esperados pelo enorme potencial, e Andreas Pereira – bela sacada de Tite, jogando mais recuado no Manchester United e já demonstrando sintonia fina com Fred. E Douglas, ex-Vasco e hoje no Manchester City, é outro no radar. Sem falar em Maycon, ex-Corinthians.

Qualidade no nosso “gargalo” de muito tempo. Enfim jogadores de bom toque e leitura de jogo. Não só volantes de infiltração e intensidade ou o meia de talento, mas pouca entrega sem a bola. Meio-campistas completos. Pontos para os clubes, que estão propondo uma melhor formação aos jovens que atuam no setor.

Como em toda lista, presenças e ausências serão questionadas. Fica a impressão de que Tite não convocou jogadores do Palmeiras por um misto de convicção, até porque só Bruno Henrique tem bom desempenho recente para merecer, com instinto de defesa para evitar atritos com o desafeto Felipão.

Mas já é possível ver o copo meio cheio. Cabe ao treinador aprender com os dois anos atropelados à frente da seleção – um para classificar, outro para se tornar competitivo no mais alto nível – e construir um novo trabalho a partir do legado do anterior. Evolução é a palavra que deve nortear todos os processos a partir deste primeiro ato.


Desta vez o Grêmio foi o “arame liso”. Flamengo passa no limite das forças
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André Rocha

O gol de Everton Ribeiro logo aos cinco minutos no Maracanã, completando assistência meio no susto de Lucas Paquetá, após falha do lateral Bruno Cortez, acabou decidindo o duelo parelho nas quartas de final. Mandou para casa o atual campeão da Libertadores e um dos maiores vencedores da Copa do Brasil.

Mas acabou condicionando o jogo e criando problemas para os dois times. O Flamengo recuou as linhas de seu 4-1-4-1, recuando demais os ponteiros Everton Ribeiro e Vitinho e ficando sem desafogo, já que Henrique Dourado continua com dificuldades para reter a bola na frente e dar sequências às jogadas. Quando não parava em Paquetá a bola batia e voltava.

Para o Grêmio tocar, tocar, tocar… até inverter da direita para esquerda, com Everton atraindo Rodinei para dentro e abrir para Cortez às costas de Everton Ribeiro. Mas foi pela direita a chance mais cristalina, mas concluída para fora por Everton, impedido. O time de Renato Gaúcho teve 60% de posse de bola. Finalizou oito vezes, duas no alvo. Faltou a chance cristalina.

Também por méritos do Fla. Na segunda etapa, coordenou melhor a proteção do setor direito. Rodinei subiu de produção, Paquetá passou a alternar com Everton Ribeiro na volta e negou os espaços. Com Luan sem inspiração, mesmo às vezes encontrando espaços às costas de Cuéllar, o Grêmio foi o autêntico “arame liso”, um problema recorrente do Fla nos últimos tempos. Cercou, cercou e não conseguiu furar o sistema defensivo rubro-negro que teve como principal virtude o resgate da concentração nos movimentos da última linha.

Foi o que sustentou a equipe de Maurício Barbieri, que parece estar no seu limite físico e mental. Por disputar a liderança do Brasileiro, o elenco está rodando pouco. Mas o maior problema é que o time faz muita força para jogar. Os ataques não fluem com facilidade, não há uma bola de segurança para os contragolpes – Vitinho voltou ao Brasil com uma lentidão incomum, a ponto de Marlos Moreno entrar e funcionar melhor como escape. Também não há um goleador que descomplica a disputa.

É um time sem respiro. Se desgasta para defender porque precisa da colaboração de todos para não sobrecarregar Cuéllar. Também cansa para atacar, porque normalmente precisa de muitas finalizações para ir às redes.

Desta vez conseguiu na primeira tentativa. Para “saber sofrer” por mais quase noventa em um jogo interessante em termos técnicos e táticos, porém muito tenso. Há muito a comemorar pelo valor do oponente, historicamente um rival duríssimo. Mas a questão é saber até quando o Fla vai suportar a luta como o único brasileiro com 100% de entrega em todas as frentes.

(Estatísticas: Footstats)


Pratas da casa têm participação direta em 60% dos gols do Flamengo
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André Rocha

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo marcou 28 gols no Brasileiro, sete na Libertadores e dois na Copa do Brasil. Total de 37. Destes, 22 foram marcados ou aconteceram completando assistências de jovens oriundos da base do clube. Os pratas da casa. Ou seja, 60%.

O Carioca não entrou na conta porque no início da competição o clube usou só a garotada e também porque, pela fragilidade dos adversários, ainda que o time não tenha sido campeão, os números ficariam “mascarados”. Vale o nível mais alto.

Vinícius Júnior marcou seis gols e serviu três passes para gols. Lucas Paquetá foi às redes cinco vezes e deu quatro assistências. Mais três de Vizeu, um de Matheus Sávio, outro de Matheus Thuler e o de Lincoln que garantiu o empate por 1 a 1 com o Grêmio em Porto Alegre pelas quartas de final da Copa do Brasil.

É evidente que todos são jogadores do Flamengo e no resultado final não há distinção entre quem é criado no clube e os contratados. Normalmente isto é até nocivo para o ambiente no elenco. Mas também é inegável que salta aos olhos os números dos meninos.

O Fla que equacionou dívidas e desde Paolo Guerrero em 2015 faz pelo menos uma contratação de impacto por temporada – Diego em 2016, Everton Ribeiro no ano passado e agora Vitinho, que fez sua estreia na arena gremista – tem precisado mais de seus jovens que o esperado.

Especialmente nos gols e assistências decisivas. Vinicius Júnior garantiu com duas conclusões cirúrgicas uma vitória fundamental para a classificação do Flamengo para o mata-mata na Libertadores: 2 a 1 sobre o Emelec em Guayaquil. Sua arrancada espetacular no Independência para servir Everton Ribeiro no 1 a 0 sobre o Atlético-MG também foi marcante. Sem contar o gol no empate contra o Vasco. Vizeu decidiu contra o Corinthians, Matheus Thuler empatou com o Palmeiras fora de casa. Matheus Sávio encaminhou o triunfo sobre o Botafogo com gol e o cruzamento que terminou no gol de Paquetá.

Em Porto Alegre, Lincoln evitou com finalização precisa no último ataque uma derrota que seria bastante doída. E injusta por conta da melhor atuação coletiva do Flamengo sob o comando de Mauricio Barbieri. Num jogo grande e fora de casa há bem mais tempo o time não rendia tanto. 58% de posse, 20 finalizações contra 14 do Grêmio. Trinta minutos dos 45 e mais os acréscimos do segundo tempo encurralando o campeão da Libertadores dentro da sua casa.

Mas de novo a dificuldade para transformar chances em gols. Mais uma vez um garoto salvou o time. Considerando que eles são minoria na maioria das partidas – só contra o Palmeiras contou com seis jovens oriundos da base na formação inicial – é um dado impressionante.

Ótimo para o clube, que forma, tem retorno técnico e financeiro, já que é inevitável perdê-los para os europeus. Mas fica uma pequena ressalva: os mais experientes e caros dentro de um dos elencos mais valiosos do país poderiam decidir mais e tornar o time de Barbieri ainda mais forte. Vizeu e Lincoln marcaram quatro gols, com o primeiro iniciando apenas um jogo como titular. Henrique Dourado, Guerrero e Uribe, começando bem mais partidas como titulares, conseguiram apenas oito. Entre as estrelas, o destaque é Everton Ribeiro com cinco gols e duas assistências.

Não é pouco, mas pode ser mais. O Fla tem mesmo que celebrar os frutos de mais investimento em estrutura e formação de talentos, porém deve cobrar também de suas estrelas. Na hora da dificuldade precisam assumir a responsabilidade e não apenas se limitar ao papel de coadjuvantes de luxo.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Flamengo comprova sua força, Palmeiras segue na “montanha russa” de emoções
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André Rocha

O Flamengo sem seus três zagueiros experientes e também o lesionado Diego claramente sentiu a pressão do ambiente nos primeiros minutos no Allianz Parque. O treinador Mauricio Barbieri também sacou Henrique Dourado para aproveitar Filipe Vizeu o máximo de minutos antes da partida para a Udinese. O resultado foi um time bastante jovem, com seis oriundos das divisões de base. Por isso, assustado nos primeiros vinte minutos.

Mas quem errou foi Rodinei, que tinha várias opões para cortar um cruzamento da direita e tomou a pior decisão: um golpe de cabeça fraco, no pé de Dudu. Longe do adversário, deu espaços para o cruzamento que encontrou Bruno Henrique e deste para Willian ir às redes aos seis minutos.

Um time confiante e seguro teria amassado o líder do campeonato até os 15 minutos. O Palmeiras, também com desfalques importantes, até tentou, pressionando muito Lucas Paquetá, que novamente prendeu demais a bola, e atacando com volume, fazendo Diego Alves trabalhar muito. Mas quando a equipe de Roger Machado é obrigada a diminuir a pressão o time controla mal o jogo. Murcha. E a torcida, que também não confia muito, deixa a arena morna.

Foi o suficiente para que o organizado time de Barbieri, novamente no 4-1-4-1, encontrasse no lado direito com Rodinei e a aproximação de Jean Lucas a válvula de escape, enquanto Everton Ribeiro passou a aproveitar os espaços às costas de Felipe Melo e Bruno Henrique, os volantes do 4-2-3-1 alviverde, que estavam muito concentrados em não dar brechas a Paquetá.

O primeiro tempo terminou com 53% de posse do Fla e seis finalizações, quatro na direção da meta de Jailson. Destaque para o Palmeiras nos 12 desarmes certos, o dobro do adversário. Foi o que sustentou a vantagem.

De novo a intensidade e a torcida quente no início do segundo tempo. Mas foi esfriando, esfriando…E o Flamengo tomou conta. Empatou no gol do jovem zagueiro Matheus Thuler subindo mais que Thiago Martins pregado no chão e completando escanteio de Rodinei. Podia ter virado não fosse o individualismo de Paquetá e um chute fraco sem goleiro de Vinícius Júnior, novamente disperso e reclamando muito da arbitragem. Ainda uma finalização perigosa de Everton Ribeiro.

Na reta final, Barbieri preferiu administrar o empate. Trocou Arão por Jean Lucas, depois tirou Vizeu e colocou Marlos Moreno para tentar acelerar os contragolpes e, por fim, Jonas na vaga de Everton Ribeiro. Roger tentou com Lucas Lima, Artur e Papagaio, mas apenas num abafa sem grande criatividade. Time muito tenso com o peso da responsabilidade. Terminou com mais finalizações – 14 a 13, cinco no alvo. Mas a maioria muito deficiente, inclusive de Bruno Henrique livre na entrada da área rubro-negra. Saiu bem longe.

Nos acréscimos, a confusão geral que terminou nas expulsões de Jailson, Dudu e do zagueiro reserva Luan do lado do time mandante e Cuéllar, Jonas e Henrique Dourado, também no banco, pelos visitantes. Desnecessário. Mas o fraquíssimo árbitro Bráulio da Silva Machado não teve peito para dar mais minutos com Moisés na meta alviverde.

O Fla também não reclamou. O empate foi resultado satisfatório, fechando os primeiros 12 jogos com surpreendentes 27 pontos para o contexto do início do Brasileiro. Pelos desfalques, o time demonstrou solidez e consciência. Faltou contundência. Algo a melhorar na volta, sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior.

O Palmeiras segue com oito pontos de distância para o líder. Podia ser pior pelo que aconteceu na partida. A missão de Roger e de todos no clube é aproveitar a pausa pra a Copa do Mundo e tentar estabilizar o time mentalmente e minimizar a “montanha russa” emocional que torna tudo tão incerto e inconstante.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo ainda mais líder e seguro até para abrigar os “renegados”
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André Rocha

Aos 19 minutos do segundo tempo, com 1 a 0 no placar e o Paraná de Rogerio Micale saindo mais para o ataque e rondando a área do Flamengo, Mauricio Barbieri colocou em campo Willian Arão no lugar de Jean Lucas. O jovem da base cumpriu boa atuação por dentro da linha de meias do 4-1-4-1 rubro-negro, embora não seja reposição para o talento de Lucas Paquetá na articulação.

Uma substituição controversa pela qual a torcida demonstrou contrariedade, ainda que um tanto contida pelo placar favorável e a ótima fase do time. Para compensar, a saudada entrada de Filipe Vizeu no lugar de Henrique Dourado – lutador mais uma vez, porém novamente destoando dos companheiros no desempenho.

Mas o líder do campeonato vive fase de tanta confiança e segurança que até os “renegados” são abrigados e respondem com boas jogadas. Como a infiltração de Arão, lembrando os tempos de Botafogo e até os melhores no próprio Fla, para servir Vizeu em sua despedida do Maracanã antes de partir para a Udinese. Segundo gol e jogo resolvido aos 20 minutos. Seis minutos depois, Diego saiu para a entrada de Marlos Moreno, outro que tem seu desempenho muito questionado. Mas quem se importou?

O Paraná baixou a guarda e o Fla, basicamente, jogou para que Vinícius Júnior fosse às redes no seu provável último jogo no Maracanã com a camisa do clube que o revelou e rendeu uma negociação com o Real Madrid. Mas o jovem parecia ansioso, emocionado. E não rendeu. Perdeu uma chance clara ao demorar a finalizar e só apareceu no final, em belo passe por elevação para o voleio de Everton Ribeiro que o goleiro Thiago Rodrigues salvou.

A última das nove finalizações do Fla, quatro no alvo. Contra sete do Paraná, mas nenhuma na direção da meta de Diego Alves. Muito por mais uma atuação correta do sistema defensivo rubro-negro. Com a última linha bem posicionada, mesmo com as constantes mudanças no miolo da zaga, e muita concentração de todos para pressionar logo após a perda da bola. Além disso, jogadores como Cuéllar e Renê têm sido precisos em desarmes e na tarefa de cercar o adversário e impedir o contragolpe rápido.

Um time bem distribuído em campo e que sabe o que fazer. Mesmo sem tanta criatividade, soube rodar a bola com paciência – teve 62%  de posse no primeiro tempo e terminou com 57%. Diego desta vez não foi tão objetivo na armação. Outro a sentir falta de Paquetá. Compensou com luta e sofrendo e cobrando a falta que desviou na barreira e saiu do alcance do goleiro. Para descomplicar o jogo.

Em outros tempos poderia ser uma partida perigosa pelo “oba oba” ou por uma certa acomodação pela boa vantagem na liderança, agora de seis pontos sobre Atlético-MG e São Paulo. Mas o Flamengo de Barbieri vem jogando com seriedade e consistência. Na última rodada antes da parada para a Copa do Mundo, um teste importante para confirmar a força coletiva contra o Palmeiras em São Paulo.

Ainda que em julho comece outro campeonato. Por isso a importância para o Fla de tentar até aumentar a vantagem para administrá-la especialmente no decisivo mês de agosto, com jogos seguidos contra Cruzeiro e Grêmio, incluindo Copa do Brasil e Libertadores. Sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior. E o time de melhor campanha no Brasileiro ainda pode ser alvo de mais assédio durante o Mundial – quem sabe o futuro de Paquetá?

Como será o amanhã do Flamengo? Se é impossível prever o futuro, a torcida curte a fase iluminada, na qual até Willian Arão ressurge para ser decisivo.

(Estatísticas: Footstats)


Vitória do Flamengo com consistência para reconhecer os méritos de Barbieri
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André Rocha

A vitória por 2 a 0 do Flamengo sobre o Bahia no Maracanã cheio foi construída em um primeiro tempo desorganizado e sem intensidade da equipe de Guto Ferreira. Mais uma atuação fraca como visitante nos 45 minutos iniciais que ao menos encontrou fibra e entrega na segunda etapa.

Mas o triunfo que mantém o time rubro-negro na liderança do Brasileiro tem muito mérito da equipe de Mauricio Barbieri. E é preciso reconhecer a importância do jovem treinador na transformação do time.

Os resultados são consequência da melhora significativa do desempenho coletivo que faz as individualidades aparecerem. Até do lateral Renê, outrora contestado e o melhor em campo com atuação precisa na defesa e duas assistências. Apoiando por dentro e deixando Vinicius Júnior aberto pela esquerda. Do lado oposto, a lógica inversa: Everton Ribeiro corta da direita para dentro e Rodinei ataca no corredor.

A última linha de defesa está cada vez melhor posicionada, o que acaba compensando as constantes mudanças no miolo da zaga. Até os jovens Thuler e Léo Duarte, que participaram da tragédia defensiva dos reservas na derrota por 4 a 0 para o Fluminense no Carioca, jogaram com simplicidade e precisão na vitória sobre o Atlético Mineiro no Independência. Não por acaso os três gols sofridos com o time titular. Também pelo crescimento de Diego Alves na meta.

No meio-campo, a grande transformação. Inicialmente com o recuo de Lucas Paquetá para a mudança do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. O garoto fecha a linha de quatro por dentro, auxilia na saída de bola, organiza e pisa na área. Como no lindo toque por cima do goleiro Anderson no segundo gol.

O primeiro foi de Diego, que parece, enfim, ter compreendido que o jogo flui muito melhor quando não prende a bola facilitando a marcação. Também que o camisa dez é muito mais importante e decisivo aparecendo na área adversária para finalizar.

Ou seja, o que parecia uma missão impossível vai acontecendo. As características dos jogadores agora se combinam em campo. Quem é de velocidade tem espaço para correr, quem é de passe participa da organização e quem finaliza melhor está mais perto da zona de decisão. Só Henrique Dourado vem destoando pela dificuldade de contribuir no trabalho coletivo que só evolui. Cada vez mais consistente.

O time “arame liso” e que abusava dos cruzamentos levantou apenas oito bolas na área e venceu mesmo finalizando menos que o oponente (13 contra 17). Primeiro tempo de 61% de posse, terminando com 58%. O número mais impressionante, porém, é o de desarmes. 15 corretos e nenhum errado. Fruto de um time bem posicionado, mesmo com a reação do Bahia no segundo tempo.

Os experientes Muricy Ramalho, Reinaldo Rueda e Paulo Cesar Carpegiani não conseguiram extrair tanto do elenco do Fla. Nem o jovem Zé Ricardo, respaldado pela conquista da Copa São Paulo. Coube ao treinador sem grife, mas com conteúdo, alcançar o melhor desempenho. Talvez não termine em título, pode ser que sua falta de rodagem cobre o preço mais à frente, principalmente nos jogos grandes eliminatórios em Copa do Brasil e Libertadores.

Mas hoje é obrigatório reconhecer o trabalho de Mauricio Barbieri. A liderança do Flamengo passa fundamentalmente por sua mão na equipe.

(Estatísticas: Footstats)