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A França difícil de bater e ser batida está na final
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André Rocha

A única vitória francesa por mais de um gol até aqui na Copa do Mundo foi sobre o Uruguai nas quartas. Dois a zero graças à fantástica defesa de Lloris no primeiro tempo e à falha grotesca de Muslera na segunda etapa aceitando chute de Griezmann.

Sim, o placar de 4 a 3 contra a Argentina foi um tanto mentiroso. Na melhor atuação da equipe de Didier Deschamps, a seleção de Messi virou para 2 a 1 sem controle do jogo e marcou no final diminuindo para um gol a grande distância na bola jogada. Graças a Mbappé na grande atuação individual da Copa.

A França é essencialmente competitiva. O 4-2-3-1 com Matuidi como “ponta volante” pela esquerda deu liga contra o Peru e foi se assentando em um modelo de jogo sem grande controle através da posse. Organização defensiva e paciência para acelerar com Pogba conduzindo, Griezmann tocando rápido e fácil e Mbappé disparando.

Giroud é o pivô, o facilitador para os demais. Com força e estatura empurra a linha de defesa para trás e cria espaços às costas dos volantes. Se desloca e trabalha sem bola. Reforça o jogo aéreo. Chega à final sem gols, mas com utilidade.

A França não tem tanta fluidez e parece se preocupar mais com a organização ofensiva. Se movimenta pouco quando desce para não se descoordenar na volta. O espaço deixado por Matuidi só vem sendo aproveitado pelas descidas do lateral Lucas Hernández. Griezmann flutua pouco por ali, Mbappé também podia aparecer mais.

A antítese da Bélgica versátil, móvel e mutante. Sem o suspenso Meunier, Roberto Martínez colocou Dembele no meio-campo e posicionou Chadli pela direita, defendendo como lateral e atacando bem aberto. Do lado oposto, Vertonghen era lateral sem a bola e o zagueiro pela esquerda em um trio quando a equipe descia em bloco. Hazard abria o campo como ponta esquerda.

Em números, um 3-2-4-1 atacando e um 4-2-3-1 na recomposição que se movia de acordo com a perseguição de Fellaini a Pogba. A França respondia com Kanté ligado em De Bruyne partindo da direita, mas com liberdade.

Desta vez Lukaku foi centroavante. E sofreu contra a melhor zaga do Mundial na Rússia: Varane impecável na técnica e posicionamento e Umtiti implacável no vigor e na velocidade. Também no deslocamento e no movimento de ataque à bola para completar escanteio de Griezmann. De novo a bola parada decidindo.

Gol único e decisivo. Apesar da luta de Hazard e da pressão belga. A França negou espaços, mas não foi fulminante nos contragolpes. Com apenas 40% de posse, finalizou 19 vezes. Só cinco no alvo. Porque não cria chances cristalinas. Falta a jogada diferente com mais frequência. Há potencial, mas na prática acontece poucas vezes.

Também não cede. Os belgas rodaram a bola, mas a concentração defensiva dos Bleus permitiu apenas nove conclusões. Três na direção da meta de Lloris. Sofrimento só no início da semifinal em São Petersburgo e na pressão final, incluindo a defesa do arqueiro francês em chute de Witsel.

Beleza só no giro com calcanhar de Mbappé para o chute de Giroud. A França encarnou o papel da favorita pragmática que não quer desperdiçar a chance do título, o segundo da história. Depois do vice da Eurocopa em casa.

É time duro de bater no rival, mas ainda mais difícil de ser batido. Por isto está na final. A terceira da França nos últimos seis mundiais. Uma potência que merece respeito.

(Estatísticas: FIFA)


Plano “alemão” da Inglaterra impede clima de final antecipada do outro lado
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André Rocha

Inglaterra e Bélgica viveram um cenário único na fase de grupos da Copa do Mundo na Rússia. Eram favoritas destacadas contra Tunísia e Panamá e cumpriram a missão matematicamente com duas vitórias. O confronto da última rodada, no penúltimo dia de disputa, permitiu que se olhasse para os chaveamentos a partir das oitavas de final e projetasse um caminho no torneio.

O Grupo H não apresentava nenhum favorito destacado, até porque a cabeça de chave Polônia já estava eliminada. O resultado prático foi um duelo entre ingleses e belgas repleto de jogadores reservas. Compreensível pela oportunidade de rodar o grupo, descansar titulares e evitar suspensões. Mas a partida mostrou claramente que nenhum dos dois fazia muita questão de vencer.

O golaço de Januzaj deu a liderança com 100% de aproveitamento aos belgas. Para as oitavas, um duelo teoricamente mais tranquilo contra o Japão. Mas depois Portugal de Cristiano Ronaldo e os campeões Argentina, França, Uruguai e Brasil poderiam cruzar o caminho até a grande decisão.

Já para os ingleses a tarefa era mais complicada por enfrentar a Colômbia, líder do grupo e que chegou às quartas de final em 2014 com o artilheiro James Rodríguez. Se conseguisse a vaga nas quartas, porém, na sequências os possíveis adversários seriam Suíça, Suécia, Rússia, Croácia, Dinamarca e a Espanha como única campeã mundial e, em tese, favorita.

Ambas estão nas semifinais. Com sofrimento e desgaste, ainda que a Bélgica não tenha disputado prorrogação, enquanto a Inglaterra viveu um drama até a disputa por penalidades contra os colombianos. Nas quartas, como esperado, triunfo mais tranquilo sobre a Suécia por 2 a 0.

Confirmando a força do jogo físico e a eficiência nas jogadas aéreas. São cinco gols neste tipo de ação dos 11 marcados até aqui. Com os zagueiros Stones e Maguire aparecendo na área adversária aproveitando a estatura. Mas também iniciando a construção desde a defesa, auxiliando Henderson e fazendo a bola chegar a Trippier e Ashley Young, os alas do 5-3-2 inglês. Ou diretamente a Dele Alli, Lingard e Sterling. O trio que se movimenta com rapidez e intensidade em torno de Harry Kane, artilheiro da Copa com seis gols, mas também um centroavante que recua para trabalhar com os meias e abre espaços para as infiltrações dos companheiros.

Chegou como candidata ao título, mas no segundo pelotão. Agora está a um jogo da final que não disputa desde a conquista do título em 1966 como anfitriã. Pegando um “atalho” que lembrou o pragmatismo alemão. Em 1974, mesmo jogando em casa e contando com a fantástica geração de Maier, Beckenbauer, Overath e Gerd Muller, preferiu ser derrotada pela Alemanha Oriental, num duelo com vários significados naqueles tempos de Muro de Berlim. Tudo para fugir de um grupo com o então campeão Brasil, a Argentina e a sensação Holanda, o Carrossel de Rinus Michels e Cruyff. Na disputa em outro grupo com Polônia, Suécia e Iugoslávia se classificou para a grande decisão. Com mais moral e em jogo único e decisivo, a vitória por 2 a 1 sobre os holandeses e a festa em casa.

A Inglaterra disputa a semifinal como favorita não pela tradição, que contou bem pouco nesta edição da Copa. Mas principalmente por chegar mais inteira que a Croácia sofrida e exaurida por duas prorrogações e disputas de pênaltis contra Dinamarca e Rússia que exigiram demais física e mentalmente. A maneira de jogar da seleção de Gareth Southgate exige concentração e vigor do oponente e, mesmo com a experiência e a capacidade de controlar o tempo e o espaço de Modric e Rakitic, os croatas devem sofrer. E se vencerem mais este obstáculo chegarão fortalecidos demais à decisão.

Por isso tratar o duelo entre França e Bélgica como uma espécie de final antecipada por serem os sobreviventes de uma disputa entre gigantes parece um tanto irreal. Até pelo cenário imprevisível desta semifinal, que pode se definir apenas nos penais e exaurir as equipes para a decisão.

A ausência do suspenso Meunier certamente será sentida por Roberto Martínez, mas o treinador espanhol pode transformar o desfalque numa chance de novamente surpreender o adversário. Pode enviar Chadli para o lado direito, fazer Carrasco retornar à ala esquerda e voltar ao 3-4-3 da primeira fase ou simplesmente deslocar Alderweireld para a lateral e colocar Vermaelen na zaga ao lado de Kompany mantendo o 4-3-3 da vitória sobre o Brasil.

Outra dúvida é se manterá o posicionamento de Lukaku pela direita e De Bruyne como “falso nove” fazendo companhia a Hazard no tridente ofensivo sem participar do trabalho sem a bola e apostar tudo no talento e na capacidade de desequilibrar na frente. Mesmo defendendo com apenas sete homens, cedendo espaços e obrigando o fantástico goleiro Courtois a trabalhar.

Um risco diante de uma França que se encontrou no 4-2-3-1 com um “ponta volante” pela esquerda. Aliás, é a única dúvida de Didier Deschamps: mantém Tolisso, que cumpriu bela atuação nos 2 a 0 sobre o Uruguai, ou faz Matuidi retornar naturalmente depois da suspensão. Quem entrar será a “liga” entre a dupla Kanté e Pogba e os três jogadores mais adiantados.

A “exterminadora de sul-americanos” vem mostrando maturidade no Mundial. Com a “casca” da derrota em casa para Portugal na final da Eurocopa há dois anos. Contra os uruguaios aproveitou bem os erros do adversário para se impor. Com Giroud atuando mais coletivamente, como um elemento a prender a defesa adversária, fazer pivô e abrir espaços para Mbappé e Griezmann, os grandes destaques individuais da nova favorita ao título. Um perigo nesta edição da Copa do Mundo.

Teremos uma final inédita e europeia. Emblemática. E justamente pelo equilíbrio é que não se pode garantir nada. Apenas alguma vantagem física da Inglaterra. Que executou seu plano “alemão” e encarou um chaveamento menos exigente. Pelo desempenho coletivo e de nomes surpreendentes como Trippier e o goleiro Pickford vem sendo consistente. Mesmo acusada de simular faltas e escolher adversários, algo distante da imagem ligada à fidalguia e elegância. Ao fair play.

Desta vez o English Team quer ganhar ou chegar o mais longe possível. A Croácia que se prepare e franceses ou belgas não celebrem tanto assim o triunfo amanhã. A final será dura.


Gol contra e “pane” de Fernandinho pesaram mais que a mudança de Martínez
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André Rocha

Tostão costuma dizer em suas colunas que o futebol muitas vezes é mais simples e tem seus desdobramentos movidos muito mais por aleatoriedades e acasos do que propriamente por algo planejado ou pela estratégia dos treinadores.

Este blogueiro já desconfiou mais desta tese, mas quanto mais vê o jogo acontecer mais passa a crer nesta visão de quem esteve lá dentro e tem inteligência e sensibilidade para perceber os detalhes que muitas vezes escapam aos nossos olhos.

Em todo mundo pululam análises da vitória da Bélgica sobre o Brasil que carregam como elemento central o fator surpresa da formação de Roberto Martínez num 4-3-3 com Lukaku pela direita, De Bruyne como “falso nove” e Hazard à esquerda. Um tridente ofensivo que não voltava na recomposição e ficava pronto para as saídas em velocidade. Sem dúvida algo incômodo e inesperado para Tite e seus comandados. Mas será que foi tão decisivo assim?

A dúvida ao rever a partida com mais serenidade e distanciamento nasce pelo fato de que até os 13 minutos de jogo em Kazan o que se via eram duas equipes tensas e ainda se adequando ao novo cenário. O Brasil saía do plano inicial, mas a Bélgica também tinha adaptações a fazer, como voltar a se defender com quatro homens atrás depois de vários jogos com linha de cinco. Mas principalmente se fechar apenas com sete jogadores e tendo Fellaini e Chadli como elementos novos e com funções diferentes das executadas na virada sobre o Japão.

O problema era o lado direito, com Meunier contando com o apoio de Fellaini e a cobertura de Alderweireld contra Marcelo, Philippe Coutinho e Neymar. Pouco. Por ali a seleção brasileira criou espaços e conseguiu o escanteio cobrado por Neymar aos oito minutos. Desvio de Miranda e Thiago Silva, meio no susto, acertando a trave direita de Courtois.

Até os 13, a Bélgica encontrou, sim, espaços às costas do meio-campo brasileiro que também tentava se ajeitar com a entrada de Fernandinho na vaga de Casemiro. Plantado à frente da defesa no 4-1-4-1 habitual de Tite. Desta maneira que saiu o escanteio. Passe do De Bruyne, chute de Fellaini.

Assim como ficou claro em outros momentos do jogo, Martínez trabalhou a cobrança na primeira trave. Sabia das fragilidades da retaguarda adversária na bola aérea. Mas Kompany não conseguiu desviar o centro de Chadli. O gol contra foi de Fernandinho.

Logo ele. Personagem central da sequência de gols alemães no 7 a 1 do Mineirão. Foi nítido o efeito devastador na força mental do volante. A concentração tão exigida por Tite havia caído por terra. Não só do jogador do Manchester City, mas da defesa que ficou desguarnecida. Que já tinha um ponto sensível com Fagner no mano a mano com Hazard. Neste cenário, a ausência de Casemiro se fez mais impactante. E a presença de Marcelo, retornando depois de duas partidas com Filipe Luís como titular, mais desnecessária pelos espaços que deixava às suas costas. O sistema de cobertura com Miranda saindo e o volante fechando a área se perdeu.

Abalado também por ficar em desvantagem pela primeira vez no torneio, o time verde e amarelo sofreu contragolpes seguidos, mas o do segundo gol, curiosamente, não teve Lukaku à direita e De Bruyne centralizado. O centroavante buscou a bola no centro e arrancou deixando Paulinho para trás. Sem confiança e força física para a disputa, Fernandinho ficou pelo caminho. Marcelo optou por fechar o “funil” e deixou todo o lado direito para Meunier e De Bruyne, que acertou um petardo na bochecha da rede.

O resto é história, inclusive a pressão brasileira que poderia ter resultado no empate ou até na virada. Com a Bélgica mantendo a estratégia e sofrendo demais para sustentar a vantagem. A equipe de Tite corrigiu o setor defensivo, Miranda ganhou todas de Lukaku e ofensivamente teve volume e espaços para criar e finalizar. Os europeus se reduziram à luta e às defesas de Courtois. A mais espetacular em chute com efeito de Neymar. Renato Augusto e Coutinho perderam chances com liberdade e de frente para o gol. Acabou sendo a diferença no placar das quartas de final.

Nada que tire os méritos da Bélgica semifinalista. Aproveitar as instabilidades do oponente também é virtude e decide jogos. Ainda mais os eliminatórios, tantas vezes definidos pelas individualidades e pelo componente emocional.

Por isso a dúvida que ficará para sempre. O que matou o Brasil: o gol contra de Fernandinho que tirou confiança do volante e escancarou a defesa ou a surpreendente mudança de Martínez? Pelo visto, a história das Copas do Mundo já escolheu a versão mais sedutora: o inesperado. Ou o “nó tático”.

Este que escreve, mesmo valorizando a tática e a estratégia, tende a seguir a lógica de Tostão desta vez, ainda que o campeão mundial em 1970 tenha colocado os dois fatores na balança em sua análise e dado ênfase à ausência de um talento como De Bruyne no meio-campo brasileiro, o que também é uma visão mais que respeitável.

É díficil, porém, não colocar a bola que bateu em Thiago Silva e não entrou e a que Fernandinho jogou contra a meta do companheiro Alisson como os verdadeiros momentos chaves de mais uma eliminação brasileira em Mundiais.

 


A maior ameaça da Bélgica é não saber o que esperar dela
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André Rocha

Pegue tudo que a Bélgica fez até aqui na Copa do Mundo e descarte. Sim, jogue fora! Panamá, Tunísia, reservas contra a Inglaterra no jogo do “tanto faz” e Japão. Todos os gols, estatísticas, desempenhos…

Nada valem como parâmetro para avaliar suas possibilidades em duelo de quartas de final contra o Brasil. Jogo único, experiência inédita. A rigor, tudo que a seleção fez sob o comando de Roberto Martínez desde 2016 tem pouco ou nenhum peso para a grande partida da história desta talentosa geração até aqui.

Sim, maior que o confronto com a Argentina de Lionel Messi no Mané Garrincha em 2014, também pelas quartas. Primeiro porque a albiceleste não carregava o status de favorita ao título mundial que o Brasil ostenta na Rússia depois de quatro jogos e Alemanha, Espanha, Messi e Cristiano Ronaldo eliminados. Depois porque os belgas ganharam maturidade. Não só por aquela eliminação, com 11 convocados dos 14 que entraram em campo em Brasília há quatro anos, mas também pela decepção na Eurocopa contra País de Gales. Também nas quartas. Ainda sob o comando de Marc Wilmots.

O sucessor no comando técnico é espanhol. Fã de Johan Cruyff. Mas radicado na Inglaterra desde 1995, ainda como jogador. Valoriza a posse de bola, mas também adapta facilmente suas convicções a um jogo mais físico e direto.

Versatilidade também é a marca de muitos de seus jogadores. Vertonghen pode ser zagueiro ou lateral esquerda. No mesmo lado, Carrasco é ala, mas também pode ser meia ou ponteiro. Hazard sabe jogar aberto ou por dentro, como um atacante atrás do centroavante. De Bruyne tem atuado na seleção e no Manchester City como o meia mais próximo do volante à frente da defesa, porém sabe jogar adiantado, centralizado ou no flanco em uma linha de meias. Fellaini é meio-campista, mas pela estatura não é raro vê-lo na área fazendo dupla com Lukaku. Chadli, heroi contra o Japão, entrou na vaga de Carrasco na ala e também sabe fazer todo o corredor esquerdo.

É simplesmente impossível tentar vislumbrar o que a Bélgica fará em campo. Nas eliminatórias europeias sobrou contra adversários frágeis e os amistosos, mesmo contra seleções grandes como Espanha, Portugal e Inglaterra, não podem ser tratados como uma referência segura.

O 3-4-3 com proposta ofensiva pode ser mantido, sim. Arrojado, com muita pressão no campo de ataque e volume de jogo empurrando o Brasil para a defesa, mas também deixando espaços atrás e entre os setores. Há qualidade e coragem para tal ousadia. Com os alas Meunier e Carrasco bem abertos e preocupando os laterais Filipe Luís ou Marcelo e Fagner e os ponteiros Mertens e Hazard dois passos para dentro, perto de Lukaku e criando instabilidade na proteção da área brasileira que terá mudança: Fernandinho na vaga do suspenso Casemiro.

O 3-4-3 da Bélgica em sua versão mais agressiva, com alas Meunier e Carrasco abrindo o campo e os ponteiros Mertens e Hazard se aproximando de Lukaku, com o suporte do meia De Bruyne na articulação (Tactical Pad).

Mas Martínez também pode mudar tudo sem mexer na formação. Armando um 5-4-1 bastante cuidadoso guardando sua própria área. Em um jogo deste tamanho, que jogador se recusaria a uma função tática de maior sacrifício no trabalho defensivo e a humildade sem bola para buscar a vitória nos contragolpes? Basta reforçar a linha de cinco que já costuma ser formada com o recuo dos alas Meunier e Vertonghen alinhando De Bruyne a Witsel e os ponteiros Mertens e Hazard voltarem para esperar os laterais brasileiros. Compactação para evitar espaços entre os setores.

A linha de cinco na defesa belga quando os alas voltam como laterais e se juntam ao trio de defensores. Contra o Brasil, a missão é reduzir os espaços entre os setores, como os cedidos contra o Japão nas oitavas de final (Reprodução TV Globo).

Se quiser surpreender, novamente sem fazer alterações, o treinador espanhol ainda pode reagrupar o time em duas linhas de quatro: Vertonghen de lateral esquerdo, Carrasco adiantado como meia aberto, Mertens recuando à direita e Hazard mais solto para buscar espaços às costas dos volantes brasileiros mais próximo de Lukaku.

Uma possível surpresa de Martínez sem mexer na formação titular: duas linhas de quatro com Vertonghen na lateral, Carrasco adiantado como meia e Hazard no ataque com Lukaku (Tactical Pad).

Fellaini ou Dembele podem entrar para reforçar o meio-campo e dar liberdade a De Bruyne, Chadli ganhar a vaga de Carrasco para executar as mesmas funções pela esquerda. Martínez ainda conta com as opções de Januzaj, autor do golaço da vitória sobre a Inglaterra, Tielemans e Batshuayi.

Um vasto cardápio oferecido pelo grupo de jogadores mais homogêneo em termos de qualidade técnica deste Mundial. Mas uma incógnita também na força mental. Pode entrar na Arena Kazan sem nada a perder e arriscar tudo, com a confiança renovada depois de reverter uma desvantagem de dois gols contra o Japão em jogo eliminatório.  Para ultrapassar a barreira recente das quartas de final e repetir a geração semifinalista de 1986, só parando em uma tarde inspirada de Diego Maradona.

Mas também não é improvável temer a camisa cinco vezes campeã mundial e a equipe de Tite com sua solidez nos números e no desempenho. Ainda que todos se conheçam bem nos clubes – Fernandinho, Danilo e Gabriel Jesus jogam com Kompany e De Bruyne no Manchester City, Paulinho e Coutinho são companheiros de Vermaelen, Thiago Silva, Marquinhos e Neymar atuam ao lado de Meunier no PSG, Filipe Luís jogou com Carrasco no Atlético de Madri e Willian trabalha diariamente com Courtois e Hazard. O universo de seleções, porém, costuma carregar outra lógica e uma mística diferente.

Tudo isto torna a Bélgica um grande ponto de interrogação. A maior ameaça é justamente não saber o que esperar dela.


Bélgica vence fácil, mas só com o alívio do primeiro gol contra a retranca
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André Rocha

Bélgica na estreia do Mundial jogando num 3-4-3 ofensivo com Meunier e Carrasco abrindo o campo, De Bruyne organizando e ponteiros Mertens e Hazard mais próximo de Lukaku. Panamá no 4-1-4-1, mas fechando espaços com uma linha de seis jogadores guardando a própria área (Tactical Pad).

Para encaixar o máximo de individualidades dentro de uma geração talentosa, o treinador espanhol Roberto Martínez armou a Bélgica num 3-4-3 que lembra o Chelsea de Hazard comandado por Antonio Conte no posicionamento. Um 5-4-1 sem a bola e na transição ofensiva os ponteiros Mertens e Hazard se juntam ao centroavante Lukaku e os alas Meunier e Carrasco são os responsáveis por abrir o campo e espaçar a marcação adversária.

Na dinâmica ofensiva, um ataque posicional construindo volume através da posse e da retomada pela pressão logo após a perda da bola. Em alguns momentos com Vertonghen atacando como lateral e empurrando Carrasco como ponteiro à esquerda.

Só que é cada vez mais desconfortável jogar como favorito. Antes o futebol era um grande tabuleiro de duelos individuais em que o melhor, se jogasse bem, vencia com naturalidade. Hoje há uma disputa por espaços no qual os corpos precisam estar bem posicionados e se movimentar corretamente para fazer um bom trabalho defensivo e dar trabalho como “zebra”, sempre à espera de um contragolpe.

Foi o que fez o Panamá do colombiano Hernan Gomez. Um 4-1-4-1 que, na prática, recuava os ponteiros Barcenas e Rodríguez como alas formando uma linha de seis homens guardando a própria área. Recurso inspirado no handebol para impedir as infiltrações. Complicou o jogo belga.

A tensão da estreia em uma Copa do Mundo novamente com pressão por bom desempenho e resultados condizentes com a expectativa também contribuiu para a inconstância de atuações de Hazard e De Bruyne. Algumas jogadas construídas e mal acabadas. Ou bloqueadas pelo muro defensivo do Panamá.

Até o alívio do primeiro gol, logo no início da segunda etapa. Lindo chute de Mertens. Não é apenas uma questão de ganhar espaços, mas também confiança e desanimar o adversário fechado que sabe que terá que subir uma montanha para buscar uma reação.

Os gols de Lukaku, o segundo concluindo linda assistência de três dedos do De Bruyne e o terceiro completando passe de Hazard num contragolpe, saíram naturalmente e cabia até mais que os 3 a 0. 61% de posse, 88% de efetividade nos passes e 15 finalizações contra seis – meia dúzia no alvo contra duas.

Vitória fácil no saldo dos 90 minutos, mas com o incômodo até abrir o placar e a retranca que perdeu a vergonha e ganhou inteligência ao longo do tempo para negar espaços. Nada raro no futebol atual e a Copa do Mundo não seria exceção.

(Estatísticas: FIFA)


United de Mourinho joga o futebol mais chato entre os gigantes europeus
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André Rocha

Jogar bonito ou feio é subjetivo, questão de visão de futebol, até cultura. Mas como é chato ver o Manchester United de José Mourinho.

Não tem a ver com ganhar ou perder ou a dicotomia bem brasileira espetáculo x resultado. É simplesmente insuportável. Porque quase sempre não deixa jogar, mas também não joga.

Impossível dizer que os Red Devils são mal treinados. Os movimentos coletivos são executados corretamente, é nítido que o adversário foi muito bem estudado e quando tem a bola a ideia de definir rapidamente a jogada para surpreender o oponente é clara.

Mas mesmo quando vence é algo monótono. Boring. No empate sem gols fora de casa contra o Sevilla pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, a proposta novamente foi não jogar, administrar como visitante e buscar algo com Lukaku muito isolado, obrigado a disparar para receber lançamentos e  resolver sozinho ou esperar os companheiros.

Destaque para De Gea, com grandes defesas. Foram 17 finalizações do time espanhol contra seis, uma no alvo. Para a camisa e o poder de investimento é muito pouco. Ainda que não tenha estacionado um ônibus e deixado a bola para o oponente – terminou com 46% de posse. Mas com gol “qualificado” o 0 a 0 no Ramón Sanchéz Pizjuán não deixa de ser um risco.

É futebol. Se no Inglês é praticamente impossível alcançar o rival City, no mata-mata o United pode até vencer a Liga dos Campeões com esta estratégia e uma boa dose de ventura nos sorteios e nos jogos. Gol qualificado, pênaltis, De Gea, lances fortuitos, poder de fogo de Lukaku, jogada aérea e um ou outro lampejo de Alexis Sánchez, Martial, Rashford…

Mas nenhum dos gigantes da Europa joga um futebol tão chato quanto o time de José Mourinho.

(Estatísticas: UEFA)


O que o Cruzeiro ganha e perde com Fred
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André Rocha

Foto: Divulgação/Cruzeiro

A melhor versão da seleção brasileira com Mano Menezes foi sem um atacante na referência. Neymar abrindo espaços para Hulk, Kaká e Oscar. Fred foi preterido e agradeceu aos céus quando o treinador foi demitido e Luiz Felipe Scolari assumiu em 2013. Criticou publicamente o ex-comandante do escrete canarinho. Para terminar em quarto lugar na Copa do Mundo no Brasil no ano seguinte. Com Fred titular nos 7 a 1. A última partida dele com a camisa verde e amarela.

Se a polêmica que nasceu com o anúncio do retorno do centroavante ao clube depois de 13 anos para ser comandado por Mano Menezes já foi encerrada pelos dois em entrevistas, a questão no campo segue gerando dúvidas.

Porque o Cruzeiro ganha, mas também perde com a presença de Fred no ataque. Na temporada 2017, os melhores momentos do time celeste foram sem um típico camisa nove na frente. Na conquista da Copa do Brasil com Sóbis ou Raniel na reta final depois da saída de Ramón Ábila; no Brasileiro usando a dupla Thiago Neves-De Arrascaeta alternando no centro do ataque, mas com mobilidade, trocando com os ponteiros Rafinha, Alisson e Elber, além de Robinho, mais articulador.

Mano diz que seu time criava, mas não era contundente. No Brasileiro, a equipe mineira marcou 47 gols em 38 rodadas, foi apenas o 10º ataque mais efetivo. O artilheiro foi Thiago Neves com 11 gols em 33 partidas. Um a menos que Fred em 30. Atacante que precisou de menos que cinco tentativas para ir às redes. O Cruzeiro terminou com 11, a quinta pior equipe na relação gols/finalizações. Mesmo sendo o segundo colocado no total de conclusões, só atrás do Flamengo.

Portanto, na principal competição nacional, com números mais consistentes em 38 rodadas, mesmo considerando que o time priorizou a Copa do Brasil e teve um relaxamento natural depois do título, a necessidade de contratar um atacante mais definidor ficou clara. No popular, o time foi “arame liso”: cercava, porém não feria os rivais.

Mas a questão central é: a equipe vai seguir criando e tendo fluência ofensiva com um camisa nove mais fixo? Porque Fred será referência do ataque, mas também para a defesa adversária. Tem 34 anos e a mobilidade nunca foi sua maior virtude.

Mano sabe bem disso e já sinalizou a mudança no estilo de sua equipe: “Muitas vezes no ano passado, o Cruzeiro precisou de um jogador mais de movimentação porque precisa construir a jogada. Então, se nós contratamos um jogador que é um 9, vamos ter que construir a jogada diferente para esse jogador”, explicou o treinador na coletiva da reapresentação do elenco.

Mais do que nunca, futebol é um jogo de espaços. As equipes atuam em não mais que 25 metros. O atacante precisa se mexer para abrir brechas na retaguarda do oponente e dar opção para receber e finalizar com o time no ataque. Também necessita de velocidade para receber às costas da defesa em contragolpes. O Cruzeiro de Mano gosta de se fechar compacto guardando a própria área, com os ponteiros bastante recuados. Quando a bola é roubada e o adversário pressiona, a rapidez do jogador mais adiantado é fundamental.

Basta notar a dinâmica das referências da função nos principais clubes: Suárez, Cristiano Ronaldo, Cavani, Lewandowski, Diego Costa, Lukaku, Morata, Aguero, Gabriel Jesus, Roberto Firmino…Todos finalizadores, mas que chamam lançamentos. Assim como Jô, campeão e artilheiro no Corinthians. Também participativos com e sem a bola.

Não dá mais para contar com um centroavante que seja o responsável apenas pelo último toque. A tendência é que ele faça o time travar ou, no mínimo, ser mais previsível, principalmente nos jogos grandes. Os pontas e meias trabalham para ele finalizar, sem grandes variações. Até porque os companheiros muitas vezes se acomodam com a presença de alguém que assume a responsabilidade pelos gols. O Cruzeiro, assim como aconteceu com o Atlético Mineiro nas duas últimas temporadas, pode perder em dinâmica e trabalho coletivo. Mesmo com Bruno Silva e David, em tese, acrescentando força e rapidez ao setor ofensivo.

Mas ganha, além de um grande artilheiro, um rosto, uma liderança. O jogador midiático, o procurado para entrevistas depois dos jogos. O personagem que pode chamar o foco para si e poupar um companheiro menos calejado para suportar críticas. Com vivência em Libertadores. Para a gestão de vestiário é importante.

Obviamente se a sintonia com Mano seguir afinada como nas entrevistas antes de começar a rotina desgastante física e mentalmente na temporada. Fred deve ficar no banco ou até de fora em alguns jogos para administrar o fôlego e não estourar os músculos. Como será o diálogo como o treinador de personalidade forte para definir a dosagem? A conferir.

A parceria pode dar certo, é claro. Motivado, em paz e com uma equipe bem ajustada, Fred tem condições de ainda ser bem útil no futebol brasileiro. Mas o Cruzeiro de Mano terá que lidar com as perdas e ganhos dessa mudança importante em seu ataque para 2018.

(Estatísticas: Footstats)


Vitória do City é a prova de que Guardiola se reinventou e Mourinho não
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André Rocha

O primeiro tempo do clássico de Manchester no Old Trafford foi um típico duelo Pep Guardiola x José Mourinho. City ocupando o campo de ataque, trocando passes e buscando surpreender o United com uma configuração inusitada do trio ofensivo: Sané pela direita, Sterling centralizado como uma espécie de “falso nove” entre a defesa e o meio-campo adversário e Gabriel Jesus à esquerda.

Provavelmente guiado pelo desenho tático dos Red Devils, desarmando o sistema com três zagueiros e voltando ao 4-2-3-1 com Smalling e Rojo na zaga e Lingard centralizado atrás de Lukaku. Sem tanta necessidade de esgarçar a marcação, os citizens tentaram explorar os ponteiros com pés invertidos buscando as diagonais.

Mas com 75% de posse de bola e num universo de nove finalizações, o gol saiu na bola parada. Cobrança de escanteio, desvio de Otamendi e gol de David Silva, aparecendo livre na falha de Ashley Young na tática de impedimento.

Só então o time da casa se aventurou no ataque e finalizou a gol, com Martial, que iniciou pela direita, mas logo depois da desvantagem no placar trocou com Rashford. Pela direita, a joia do lado vermelho de Manchester aproveitou falha grotesca de Fabian Delph no domínio para empatar já nos acréscimos. De novo Mourinho vivendo dos elos fracos dos adversários. Um exagero na especulação.

Guardiola foi ainda mais ousado na volta do intervalo ao trocar Kompany, sempre às voltas com problemas físicos, por Gundogan. Fernandinho foi para a zaga. O jogo ficou mais equilibrado, com United se aventurando um pouco mais. Também com uma substituição na zaga: Rojo por Lindelof.

Smalling trocou de lado na zaga. E deu azar no corte de Lukaku defendendo a própria área. A bola bateu nas suas costas e sobrou para Otamendi livre. Com a vantagem, entrou em ação o Guardiola mais pragmático.

Tirou Jesus, colocou Mangala. Preencheu o meio-campo com a volta de Fernandinho ao setor e abriu Sterling e Sané para os contragolpes. Também se protegeu do mais que previsível ataque aéreo do United na necessidade de reverter o resultado. Ibrahimovic no lugar de Lingard e Juan Mata substituiu Ander Herrera.

No abafa, quase o empate com Mata e Lukaku, mas Ederson salvou mostrando que é candidato, sim, à titularidade na seleção brasileira. Guardiola tirou Sané, exausto, mas deixou Aguero no banco. Colocou Bernardo Silva, que desperdiçou dois contragolpes cristalinos. Ainda falta um pouco de rapidez na tomada de decisão ao português para a intensa Premier League. De Gea ainda salvou em bela finalização do meia De Bruyne em mais uma rápida transição ofensiva.

Nos minutos finais, a frieza e o foco no resultado mantendo a bola perto da bandeira de escanteio. Lembrou times argentinos na Libertadores, principalmente o Boca Juniors de Riquelme. Gastando tempo pela noção do tamanho da vitória.

Os 11 pontos de vantagem no topo da tabela praticamente encaminham a conquista nacional. A campanha até aqui é espetacular e histórica: 15 vitórias – 14 seguidas – e só um empate. Reflexo da superioridade do City com um elenco renovado, mas também da reinvenção de Guardiola. Treinador que mantém seus princípios de jogo, mas se recicla para transformar o protagonismo em vitórias.

Seu time ataca de todas as formas, com bola no chão e pelo alto. Se preciso for, reforça o sistema defensivo e gasta o tempo. Provando de vez que não é romântico. Sempre quis vencer, mas agora sem exigir tanto que seja à sua maneira. Como for possível.

Por isso está à frente de Mourinho, que não abandona a persona anti-Guardiola, o homem que pára o ônibus e parece estacionado. O português tem elenco e orçamento para fazer mais nos clássicos. Ainda pragmático e mirando o resultado. Porém mais eficiente, como Guardiola vai se impondo na Premier League.

(Estatísticas: BBC)

 

 


Campeonato inglês com cheiro de volta para Manchester. Pep ou Mou?
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André Rocha

Fica claro a cada partida do campeão Chelsea, inclusive no empate sem gols contra o Arsenal no Stamford Bridge, que Antonio Conte não encontrou em Morata uma reposição para Diego Costa no que o brasileiro naturalizado espanhol fazia de melhor, além dos gols: a capacidade de reter na frente as ligações diretas e passes longos.

O 5-4-1 esvazia o meio-campo e não sustenta construção de jogo com posse de bola. Sem Hazard, que volta para ajudar na articulação, fica ainda mais complicado. Por isso a superioridade do Arsenal de Arsene Wenger, que emulou o desenho tático do rival londrino e teve em Xhaka e Ramsey meio-campistas que combinaram qualidade técnica e dinâmica melhor que Kanté e Fábregas – apesar do passe precioso do espanhol para o compatriota Pedro perder à frente de Cech na melhor chance do jogo, ainda no primeiro tempo.

Com Liverpool e Tottenham oscilando mais que o esperado e o Newcastle não mostrando força até aqui para repetir a surpresa do Leicester em 2016, a Premier League começa a ganhar um aroma bem conhecido da Premier League nos últimos dez anos. Mesmo com apenas cinco rodadas.

Desde 2007, quando o Chelsea não foi campeão a taça rumou para Manchester. O United de Alex Ferguson faturou cinco, o City conquistou dois. Agora, não é exatamente a tradição que parece pesar a favor das equipes da cidade, mas a força de seus elencos e, principalmente, a capacidade de seus treinadores.

Pep Guardiola já sinaliza que o “curso” de um ano de campeonato inglês foi útil para o aprendizado. Entender o ritmo, o jogo físico, o “bate-volta” e tentar se adaptar. Jogo a jogo, demanda a demanda. Por isso a variação no desenho tático com linha de quatro ou cinco defensores, porém mantendo a ideia de jogo.

Abrir o campo com os novos laterais/alas Walker e Mendy, controlar o jogo no meio-campo alternando posse e aceleração com De Bruyne e David Silva e garantindo presença de área e poder de finalização mantendo Aguero e Gabriel Jesus no ataque, ainda que o brasileiro parta da ponta para dentro.

Como nos 6 a 0 sobre o Watford fora de casa, mas protagonista em campo atacando com volume, mas sabendo usar as jogadas aéreas com bola parada ou rolando e também explorar os espaços às costas da retaguarda adversária. Um City híbrido e inteligente. Um Guardiola mais conectado à lógica da liga mais forte do mundo.

Algo que o tricampeão Mourinho conhece tão bem. Por isso os Red Devils sob seu comando iguala a campanha do rival local: quatro vitórias e um empate, dezesseis gols marcados e dois sofridos. Mas trajetória construída de maneira bem diferente.

Um estilo baseado na força física e nas jogadas aéreas, ao menos até abrir vantagem. Depois muita velocidade nas transições e fôlego nos minutos finais, como nos 3 a 0 sobre o Everton no reencontro com Wayne Rooney dentro do Old Trafford, matando o jogo com os gols de Mkhitaryan e Lukaku depois do golaço de Valencia logo no início da partida.

Sem grande preocupação com a posse de bola, apostando sempre nos ataques verticais. Na ausência de Pogba, lesionado, Fellaini é mais um para cortar ou completar cruzamentos. Juan Mata é o ponta articulador que garante mobilidade e criação de espaços diante de adversários fechados. Um 4-2-3-1 compacto, rápido, intenso.

A retaguarda ainda não inspira confiança, mas foi vazada apenas no empate contra o Southampton. Graças às intervenções do goleiro De Gea. A do City também precisa de ajustes e sofre menos porque consegue manter a bola mais longe da meta de Ederson.

É muito cedo para qualquer prognóstico, ainda mais com tanto equilíbrio de forças e as equipes mais poderosas envolvidas em torneios continentais, fora as copas nacionais sempre desgastantes. Mas já é possível sentir um cheiro de Manchester voltando ao domínio na Inglaterra.

Ou um novo duelo Pep x Mou para atrair os olhos do mundo.


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