Blog do André Rocha

Arquivo : manomenezes

Flamengo de Rueda repete velhos erros. Cruzeiro ganha gol e favoritismo
Comentários Comente

André Rocha

Se as dúvidas ou mudanças não confirmadas por Reinaldo Rueda estavam na meta e no ataque – Thiago e Lucas Paquetá iniciaram o jogo – a maior surpresa na escalação do Flamengo foi a entrada de Márcio Araújo no lugar de Cuéllar, melhor nos 180 minutos da semifinal contra o Botafogo e em boas condições físicas. Opção.

O resultado foi uma equipe com mais dificuldade no início da construção das jogadas, com Arão e Diego recuando muito para ajudar. Melhorou quando Paquetá passou a recuar e abrir espaços para as infiltrações de Berrío e Willian Arão. Mas de novo a equipe se mostrou “arame liso”, sem contundência no ataque. Faltou a chance cristalina.

Já o Cruzeiro sofreu com Rafael Sóbis na frente, tirando velocidade dos contragolpes – a entrada de Raniel na segunda etapa criou mais problemas para a retaguarda do oponente. Os erros de Robinho saindo da direita não ajudavam Thiago Neves na articulação. Diogo Barbosa era o destaque, negando espaços a Berrío e centrando para Alisson, no início do segundo tempo, para a primeira oportunidade clara do jogo. Grande defesa de Thiago.

Personagem da partida pela falha ao dar rebote no chute de Hudson para De Arrascaeta, substituto de Thiago Neves, empatar. Muralha faria o mesmo? Nunca saberemos, assim como a ótima intervenção na primeira etapa. Fica a impressão de que Thiago podia ter atuado na partida contra o Paraná pela Primeira Liga para ganhar mais ritmo de competição. Virou vilão.

O jovem goleiro negou o protagonismo a Paquetá, meia que foi às redes num “abafa” como típico centroavante – e impedido pelo toque de Arão desviando o chute. Depois de muita pressão após a mudança de Rueda, trocando Rodinei por Vinicius Júnior, recuando Everton para a lateral e invertendo o lado de Pará no mesmo 4-2-3-1. Depois Cuéllar, enfim, entrando no meio-campo para aumentar o volume de jogo.

Tudo em vão. Porque mais um erro individual inviabiliza o triunfo rubro-negro em jogo decisivo. Que custa caro por não transformar 59% de posse e 14 finalizações, a metade no alvo, em mais gols. Velhos problemas que transferem moral e favoritismo ao Cruzeiro para a volta no Mineirão, no dia 27. Mas no futebol brasileiro em que visitantes, normalmente com menos posse, se impõem, as chances do Flamengo não podem ser descartadas.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Muralha e Sóbis: vale apostar na experiência numa final, mesmo em má fase?
Comentários Comente

André Rocha

Alex Muralha tem 27 anos, títulos estaduais por Figueirense e Flamengo e passagem pela seleção brasileira no ano passado, mas sem atuar. Nenhuma decisão nacional na carreira. Thiago tem 21 anos, também é campeão carioca. Mas na reserva de Muralha. Foi campeão e melhor goleiro da Copa SP do ano passado. Serviu à seleção no Sub-15 e Sub-17, mas também sem jogar.

Rafael Sóbis tem 32 anos, duas Libertadores pelo Internacional e um Brasileiro pelo Fluminense no currículo, além de convocações e gols pela seleção, principal e olímpica. De Arrascaeta tem 23 anos, Raniel dois a menos.

Reinaldo Rueda e Mano Menezes carregam algumas dúvidas para a ida da final da Copa do Brasil no Maracanã. Ou ao menos não revelam as escalações de Flamengo e Cruzeiro. O treinador colombiano também não divulgou quem ocupa o comando de ataque – Lucas Paquetá ou Orlando Berrío, com Vinicius Junior entrando na ponta.

Mas na meta rubro-negra e no ataque celeste a indecisão foi motivada por um raciocínio muito comum no meio do futebol, em qualquer canto: a vivência e a bagagem de experiências de um atleta contam como fatores positivos para a disputa de uma grande final.

Algo que se confirmou tantas vezes, mas não todas, que vira uma “verdade”, um fato inquestionável na escolha de um jogador, pesando mais que a condição técnica ou as valências do atleta. Afinal, a decisão tem um componente emocional, no mínimo, diferente. A atmosfera pode fazer o jogador se agigantar ou intimidar. Mas será que precisa decidir assim sempre? Muralha foi afastado por deficiência técnica pelo treinador Zé Ricardo, o jovem Thiago assumiu a posição às pressas, tão rápida como a contratação de Diego Alves.

Exatamente pela constatação de que disputar no mais alto nível os principais títulos seria complicado sem um arqueiro confiável. Agora, por conta de uma provocação (infeliz) do jornal Extra, Muralha volta ao centro das atenções e passa a concorrer a uma vaga na meta. Mais pela visibilidade e uma fé de que ele será capaz de se superar para calar os críticos do que por uma evolução técnica – até porque na última partida falhou no gol do Paraná  nas quartas da Primeira Liga e mostrou a ineficiência costumeira na disputa por pênaltis.

Já Thiago errou bem menos quando exigido e não foi vazado no clássico contra o Botafogo na semifinal no Maracanã. Portanto, a dúvida só pode existir por conta da diferença de idade entre os goleiros. Bem questionável.

O mesmo vale para Rafael Sóbis na equipe mineira. Atuando como referência, se sacrifica pela equipe abrindo espaços. Mas vem devendo no desempenho, o que é mais grave que não ir às redes desde 25 de junho, embora seja um dos artilheiros da Copa do Brasil com cinco gols. Tem a confiança de Mano, mas não está confirmado entre os titulares.

Porque o jovem Raniel transferiu ao setor ofensivo maior presença física na área e mais profundidade, inclusive na vitória sobre o Grêmio no Mineirão pela semifinal. É jovem, porém. Um “obstáculo” neste momento. Assim como a incerteza da capacidade física de De Arrascaeta, além da dúvida de como será a presença do uruguaio como “falso nove” em um trabalho com maior mobilidade e rapidez nas transições ofensivas.

Incógnitas para a disputa num Maracanã lotado e elétrico. Decisão para escrever histórias de vilões e herois. Invertendo lógicas, surpreendendo. Muralha e Sóbis terão a chance de virar o jogo da vida e fazer valer a aposta? Ou Thiago e Raniel ou Arrascaeta vão escrever novas páginas no primeiro duelo de gigantes valendo o penta do Cruzeiro ou o tetra do Flamengo?

 


Grêmio perde leveza “praiana”, Cruzeiro de Mano Menezes vence duelo tático
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Washington Alves/Light Press

Você já leu neste blog algumas vezes nos últimos meses elogios à naturalidade com que o Real Madrid de Zinedine Zidane propõe e executa sua maneira de jogar. No Brasil, sem nenhum tipo de comparação, quem chega mais perto disto é o Grêmio. Muito por conta do modelo já bem trabalhado e assimilado.

Em casa ou fora, a equipe de Renato Gaúcho costuma trabalhar a bola ou acelerar os contragolpes conforme a necessidade com um estilo fluido, leve. Mesmo com a vantagem depois da vitória por 1 a 0 em sua arena, foi o que se viu no primeiro tempo do Mineirão.

Lembrava a espontaneidade do confronto do ano passado na mesma fase da Copa do Brasil. Nos 2 a 0 no mesmo Mineirão. Sem Douglas distribuindo as jogadas e indo às redes, mas com Luan circulando e achando Barrios livre no lance chave que podia ter mudado a história do duelo. O paraguaio desperdiçou.

Mano Menezes tentou conter o volume de jogo gremista preenchendo o meio-campo. Henrique, Hudson e Robinho. Elber e Alisson nas pontas. Thiago Neves como “falso nove”. Talvez para ficar mais próximo da meta adversária. Ou preocupar os volantes Michel e Arthur e indefinir as ações da zaga sem Geromel e com Bressan ao lado de Kannemann.

Funcionou pouco porque Neves, mesmo com a inegável qualidade nas finalizações e sua capacidade criativa, não é jogador com leitura de jogo e de espaços para executar a função. Em muitos lances se enfiava como centroavante e ficava de costas para a defesa. Ainda assim, incomodou Marcelo Grohe com um chute perigoso.

Como Elber e Alisson são condutores de bola e não se projetam à frente ou em diagonal chamando lançamentos como Pedro Rocha costuma fazer do lado gaúcho, o Cruzeiro não tinha profundidade nas ações ofensivas. Ainda assim, teve mais posse de bola (54%) e finalizou seis vezes contra quatro.

E aí Renato Gaúcho, contaminado pela praga do “jogo para ganhar (ou classificar) e não jogar” e talvez preocupado com a responsabilidade que assumiu junto com a direção do clube de apostar tudo no mata-mata – Copa do Brasil e Libertadores – deixando o Brasileiro de lado, fez seu time perder a naturalidade e priorizar o resultado na segunda etapa.

Pecado capital. Mano trocou Elber por Raniel e ganhou mais presença física na frente, liberando Thiago Neves para chegar de trás. Mas o camisa trinta foi decisivo mesmo na cobrança de escanteio pela direita que encontrou Hudson para marcar o gol único da partida.

Renato não fez substituições conservadoras. Trocou Bressan por Bruno Rodrigo no final, mas antes mandou a campo Fernandinho e Everton nas vagas de Ramiro e Barrios para acelerar as transições ofensivas. O Grêmio, porém, não finalizou na segunda etapa. Foi dominado. O time mineiro repetiu as seis conclusões do primeiro tempo, mas desta vez apenas duas no alvo.

Podia ter definido a vaga com Raniel e Arrascaeta, que entrou na vaga de Alisson. Sobis substituiu Hudson nos últimos minutos para buscar uma pressão final ou bater pênalti. Abriu a série acertando, assim como Fernandinho.

Edilson e Everton acertaram as traves, Grohe pegou as cobranças de Robinho e Murilo. Arthur e Raniel foram precisos. No duelo dos talentos, Luan novamente falhou em um pênalti decisivo e a defesa de Fabio foi a senha para a festa depois que Thiago Neves deslocou Grohe.

Cruzeiro na decisão do torneio nacional. A sua sétima. Vai tentar superar novamente o Flamengo, como em 2003. Desta vez sem o timaço da tríplice coroa, a única da história – campeão estadual, brasileiro e da Copa do Brasil. Mas com  recuperação na temporada, enfim mostrando mais consistência no desempenho.

Méritos de Mano Menezes, que venceu o duelo tático quando Renato resolveu duelar na estratégia, no jogo mais denso e fez seu Grêmio perder as maiores virtudes: leveza e naturalidade. Como uma tarde de verão na praia que o ídolo gremista tanto ama.

A noite terminou pesada. Resta a obrigação de ir bem na Libertadores, objetivo maior e agora único. A menos que o Brasileiro volte a ser importante. Ainda que pareça tarde demais.

(Estatísticas: Footstats)

 


Alguém vai chorar sangue no Mineirão
Comentários Comente

André Rocha

É improvável que um time mandante tão poderoso, o atual campeão brasileiro, deixe tantos espaços para contragolpes, permita tantas lacunas em seu sistema de marcação e aceite que um elo fraco como Fabiano, totalmente perdido pela direita, fique tanto tempo em campo num jogo eliminatório como fez o Palmeiras no primeiro tempo do Allianz Parque.

Mesmo com a pressão inicial e a fantástica jogada individual de Guerra. Os dois gols em contragolpes no setor de Diogo Barbosa e Alisson, com este marcando o segundo e aquele servindo Thiago Neves no primeiro, são jogadas em velocidade construídas com muito espaço. O segundo, sim, tem méritos pela articulação pela direita que achou Robinho com liberdade na área. Mas novamente o encaixe com perseguições individuais de Cuca foi desmontado com facilidade.

Não existe um time tão forte sair com três a zero contra em casa num torneio eliminatório com gol “qualificado”. Mesmo que a Copa do Brasil não seja prioridade na temporada. Ainda que o adversário tenha obtido eficiência máxima ao colocar nas redes de Fernando Prass as únicas três finalizações em 45 minutos.

Assim como é inconcebível um visitante voltar do intervalo no Allianz Parque com tamanha vantagem e não esperar um time de Cuca partindo para o abafa no modo “Porco Doido” para buscar a reação. Intensidade máxima, preenchendo a área adversária com muita gente e partindo para o jogo aleatório – com fibra, entrega e 33 cruzamentos no total – para trazer a torcida junto.

Era o jogo para a equipe de Mano Menezes controlar os espaços, mesmo que permitisse os 61% de posse alviverde. Mas evitando os cruzamentos e se organizando para os contragolpes, ainda que Fabiano, o “mapa da mina” do rival, não estivesse mais em campo. Mas deixou tudo ruir em 20 minutos com dois gols de Dudu e um de Willian.

Impressionante não terminar em virada. Fez lembrar os 3 a 3 lendários entre Liverpool e Milan em Istambul na final da Liga dos Campeões 2004/2005. Reação imediata e tão contundente dos ingleses, em 14 minutos, que seria capaz de encher o time que a alcançou de forças para buscar a virada inacreditável e de abalar o que sofreu a ponto de desmanchar. Na prática, porém, não determina uma mudança no placar.

A decisão europeia foi para prorrogação e pênaltis. A disputa pelas quartas-de-final da Copa do Brasil vai para o Mineirão. O Palmeiras só pode pensar em vitória, já que um 4 a 4 é bem improvável. O time mineiro, junto da torcida, não tem como não vislumbrar um triunfo para compensar tamanho vacilo em 20 minutos de segundo tempo. Mesmo longe de Belo Horizonte e encarando um dos elencos mais fortes do país.

Em tese, os 3 a 3 seriam para comemorar pelos gols marcados fora. O Palmeiras celebrou a invencibilidade em casa na temporada. Mas os equívocos de ambos são inegáveis neste jogo mais maluco que de alto nível técnico e tático. Alguém vai chorar sangue na volta.

(Estatísticas: Footstats)


Cruzeiro tem treinador, elenco e lastro para ser forte nos pontos corridos
Comentários Comente

André Rocha

Na Vila Belmiro, passe de Ramon Ábila para Thiago Neves dar a vitória sobre o Santos. Ambos saindo do banco de reservas. Vitória para deixar o Cruzeiro com sete pontos em três rodadas.

Amostragem pequena para 38 jogos. Incógnita ainda maior pelo revés no Mineiro para o rival Atlético e a decepção na Sul-Americana, eliminado nos pênaltis pelo Nacional do Paraguai. Confiança sempre conta. Ainda que o time só tenha sofrido três derrotas no ano.

Mas é inegável que o Cruzeiro tem um considerável lastro de evolução para ser forte nos pontos corridos. Mano Menezes pode armar uma equipe segura atrás e propondo o jogo, como foi em Santos no primeiro tempo. Com a variação do 4-3-1-2 para o 4-2-3-1 utilizada por Botafogo e Grêmio – resgate da seleção brasileira em 2010, com Dunga e Jorginho.

Hudson foi o volante executando a função de meia à direita. A solução é interessante para aproveitar o apoio do lateral – Lucas Romero, no caso. Também fechar o lado forte adversário, como Zeca e Bruno Henrique no Santos. A movimentação deixa um espaço para as infiltrações no setor do centroavante e do meia central ou até de um dos volantes, para mexer com a marcação adversária. Por ali caíram Arrascaeta, Rafael Marques e Henrique, eventualmente.

O time celeste teve volume de jogo, maior posse e acerto de passes. Atacou também pela esquerda com Alisson e Diogo Barbosa. Faltou precisão, porém. Dez finalizações, nenhuma no alvo. Na segunda etapa, Thiago Neves finalizou quatro, acertou duas. Uma decidiu a partida. Não pode ser reserva.

Considerando que time base é utopia no futebol brasileiro de campeonato rolando em datas FIFA, suspensões, lesões, desgaste e, no caso do Cruzeiro, ainda a Copa do Brasil a disputar, o importante é contar com opções em um elenco homogêneo. Mano Menezes tem. A lamentar, Dedé de novo convivendo com lesões. Ainda que Caicedo tenha entrado bem.

É óbvio que na competição por pontos corridos há jogos grandes, decisivos. Mas sem o matar ou morrer. Premiando a regularidade e a consistência, mesmo com algumas tardes e noites ruins. O São Paulo tenso da estreia, o Sport de Ney Franco focado na final da Copa do Nordeste e o Santos hesitante na temporada ainda não são parâmetros para avaliar a real capacidade de crescimento do Cruzeiro

Mas pontuar em dois jogos fora e um em casa, sem perder e sofrendo apenas um gol, é sempre relevante.

(Estatísticas: Footstats)

 


Cruzeiro de Thiago Neves não pode se escalar pelo nome
Comentários Comente

André Rocha

O melhor momento do Cruzeiro de Mano Menezes em 2016 foi quando o técnico colocou De Arrascaeta no banco e mandou a campo Rafinha. Ganhou intensidade e rapidez pela esquerda até a lesão do ponteiro que voltou contra o Corinthians na última rodada. O meia uruguaio voltou ao time, melhorou a produção depois do “susto” e terminou como um dos destaques.

Com a contratação de Thiago Neves enfim confirmada, as projeções da montagem do time para 2017 quase invariavelmente colocam o meia com De Arrascaeta e Rafael Sobis ou Robinho em um trio atrás do centroavante que deve ser Marcelo Moreno, liberando Ábila para o futebol chinês.

Na prática, este quarteto ofensivo num hipotético 4-2-3-1 não teria a peça de velocidade para ser a referência dos contragolpes quando o time precisa recuar as linhas. Não por acaso, Sobis na reta final da temporada chegou a atuar como referência para que Alisson, outra opção de maior rapidez, entrasse pela esquerda.

Thiago Neves é uma incógnita. Faz 32 anos em fevereiro, vem de três temporadas no “mundo árabe”, com todas as suas particularidades. Em tese, pode ser o articulador canhoto partindo do lado direito que o Cruzeiro não tem desde Everton Ribeiro.

Potencialmente, Thiago sempre foi um meia completo: arma, tem visão de jogo e finaliza muito bem. O que faltou em sua carreira foi mais consistência para dar o salto que se imaginava. Mas pode ser útil.

O equatoriano Luis Caicedo é nome interessante para a zaga. Ezequiel terminou o ano como titular na lateral direita, mas se a ideia é usar Thiago Neves no setor, a melhor opção, ao menos na teoria, é Mayke, que sabe usar bem o corredor deixado pelo movimento do ponta articulador.

Fundamental é que Mano, com a pré-temporada que abriu mão ano passado para se aventurar na China, siga fiel aos seus conceitos e princípios e faça o básico que se espera de qualquer treinador: não escalar pelo currículo e sim por desempenho, tentando combinar as características dos jogadores.

Quando perguntado sobre escalação ideal, Tite costuma dizer que “o campo fala e o jogador se escala”. Este precisa ser o norte do Cruzeiro para voltar a ser forte.

 

 


A vitória da praia sobre o curso na UEFA. O futebol é democrático!
Comentários Comente

André Rocha

Mano Menezes foi para a UEFA estudar no período em que ficou sem trabalhar. Fez o correto, o que se espera de um bom treinador: buscou o aperfeiçoamento, intercâmbio.

Mas isto não garante sucesso. A trajetória profissional se constrói dia a dia, decisão a decisão. E Mano foi infeliz no Mineirão contra o Grêmio pelo jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil.

Primeiro ao nitidamente se deixar abalar emocionalmente com o gol “qualificado” do adversário que complicava o confronto. Passou a reclamar além da conta com os comandados e, para variar, com a arbitragem. Transmitiu tensão e insegurança.

Depois a decisão trágica: trocar Lucas, que, de fato, não ia bem, mas colocar Alisson e abrir um clarão do lado direito que Leo não conseguiu cobrir. Desorganizou todo o time num confuso 3-4-3 com Arrascaeta e Robinho praticamente ocupando os mesmos espaços.

Matou qualquer chance de fluência no jogo cruzeirense e cedeu os espaços que o oponente queria para definir o jogo e encaminhar a classificação para a final.

O Grêmio de Renato Gaúcho. Que tomou conta dos passos da filha, foi à praia e viu futebol apenas pela TV. Sem maiores preocupações com cursos e estudos.

Chegou, arrumou o sistema defensivo, trabalhou a parte física e as bolas paradas. Manteve os conceitos de sempre. Mas com simplicidade e coerência preservou virtudes do trabalho de Roger Machado.

Como a longa troca de passes que terminou no chute primoroso de Luan, atacante no 4-2-3-1 “torto” com Ramiro mais preso pela direita que Pedro Rocha à esquerda. Flutuando entre o meio e a defesa celeste e alternando com Douglas. Como nos melhores momentos gremistas em 2015.

Mas seria covardia atribuir apenas ao ex-treinador os méritos pela bela ação ofensiva. Assim como a compactação bem coordenada dos setores que controlou o jogo até Douglas decidir em contragolpe envolvendo uma retaguarda perdida.

Com 47% de posse de bola, a equipe gaúcha finalizou sete vezes, três na direção da meta de Rafael. Duas nas redes. Contra cinco cruzeirenses, nenhuma no alvo. Atuação pífia de um time que não consegue ser regular e consistente.

Caminho aberto para a busca do pentacampeonato do clube e do bi pelo técnico “praiano”. O estudioso Mano terá que rever conceitos e comportamentos para lutar por uma classificação histórica. Hoje improvável.

Mas o futebol é tão imprevisível quanto democrático. Sem fórmula ou manual. Por isso tão apaixonante.

(Estatísticas: Footstats)


Algumas coisas que precisam ser ditas sobre Corinthians e arbitragem
Comentários Comente

André Rocha

As declarações de Mano Menezes, treinador que comandou o Corinthians de 2008 a 2010 até assumir a seleção brasileira e depois em 2014, insinuando um favorecimento sistemático da arbitragem ao clube paulista nos jogos em sua arena, depois da vitória sobre o Cruzeiro comandado pelo técnico pela Copa do Brasil seriam algo para ser levado muito a sério.

Afinal, um profissional que esteve no comando técnico há tão pouco tempo, ainda que com outra diretoria, conhece ou deveria conhecer bem os mecanismos nas entranhas do clube.

Só que Mano tem uma verdadeira obsessão por arbitragem. Reclama desproporcionalmente até de um lateral invertido. Quase sempre transferindo a responsabilidade de suas derrotas, inclusive no próprio Corinthians.

Colocado numa saia justa óbvia ao ser questionado se também via esse favorecimento quando trabalhava lá afirmou que o problema é “recente”. Resposta mais que previsível, já que o treinador saiu magoado por ter sido descartado duas vezes pela atual direção: no final de 2014 e agora na sucessão de Tite.

De fato, o histórico de erros que favoreceram ou não prejudicaram o Corinthians, especialmente em Itaquera, é grande. Só neste Brasileiro é possível citar os pênaltis claros de Cássio em Ábila, também contra o Cruzeiro de Mano (no Pacaembu), e de Marquinhos Gabriel sobre Marcos Júnior no duelo contra o Fluminense, além das não expulsões de Fagner na entrada criminosa sobre Éderson do Flamengo e de Cássio no pontapé sobre Dodô do Figueirense.

Tudo armado? Não é tão simples assim. Primeiro porque o tema arbitragem é sempre muito espinhoso. O lado supostamente favorecido exige provas irrefutáveis. É seu direito, inclusive. E os prejudicados, especialmente os torcedores, cobram da imprensa acusações apenas com indícios. Nenhuma surpresa no país do “não há provas, mas temos convicções”.

A questão é que há um mecanismo implícito que acaba sempre pesando a favor do time mais popular e, por isto, poderoso que este nem precisa provocar. Porque é ele que faz a roda girar. O famoso “trem pagador”.

Acontece de forma escancarada na Espanha com Barcelona e Real Madrid. Marcas globais, poderosíssimas. Na dúvida, o árbitro vai marcar a favor dos gigantes. Especialmente se for no Camp Nou ou no Santiago Bernabéu.

Esquema? Não, nem é preciso. A arbitragem já entra naturalmente pressionada. Se não tiver convicção e errar contra o mais forte a chance de pegar uma “geladeira” é grande. Se não apita os grandes jogos a carreira não decola. E muitas vezes a família já conta com aquela grana extra no orçamento de quem tem seu salário em outra atividade. O velho problema de não profissionalizar o árbitro.

Os lances descritos acima são claros na TV, com close e imagem congelada. No campo o juiz pode estar longe, o auxiliar não ter convicção porque um jogador dificultou sua visão. E se não tem certeza…

O caso da Máfia do Apito em 2005 – outro questionamento eterno de quem não é corintiano – deixou algumas lições esquecidas. O próprio Edílson Pereira de Carvalho, pivô do escândalo, na época explicou como funciona uma arbitragem “encomendada”: as decisões para prejudicar um time são sutis. Um lateral invertido, uma falta não marcada para irritar os jogadores e, consequentemente, aplicar cartões e deixar vários pendurados. Uma reação em cadeia para se construir o resultado desejado sem deixar rastros.

Este que escreve não é jornalista investigativo. Nunca quis ser, até por falta de talento (e estômago). Mas temos alguns excelentes no Brasil. O melhor de todos, sem desmerecer os demais, chama-se Lucio de Castro. Premiado tantas vezes pelos serviços prestados e injustamente afastado do mercado, hoje tem tempo e independência para vasculhar o que quiser.

Além disso, basta observar o quanto decolou a carreira, com toda justiça, do colega André Rizek depois da repercussão de seu trabalho para a Revista Placar sobre o “Caso Edílson” há onze anos para ver o quanto pesa este tipo de reportagem. Não é absurdo pensar que se houvesse uma pequena fumaça o incêndio já teria sido revelado há tempos.

No mundo ideal haveria isonomia no tratamento dos clubes. A vida real é bem diferente. Somos humanos, frágeis, inseguros. O instinto de proteção manda não se indispor com quem tem mais força. Ainda mais no Brasil.

E o Corinthians é gigante. A torcida é imensa e joga junto. Consome qualquer produto, seja a camisa do clube ou informação. Se está disputando o topo da tabela é melhor para toda a cadeia produtiva. Inclusive a jornalística. Só para citar um exemplo, talvez o canal Fox Sports não tivesse crescido tanto no país nestes quatro anos se o Corinthians não vencesse a Libertadores na estreia da emissora em 2012.

Colocar as conquistas recentes do time paulista na conta da arbitragem é aceitável no papo de boteco, nas provocações dos torcedores. Objetivamente não cabe, até por desmerecer o trabalho de grandes profissionais. Inclusive Tite, que mostra sua competência já neste início no comando da seleção brasileira.

Não é justo. Assim como o mundo tem suas injustiças. Na falta de certezas, a balança quase sempre vai pesar para o lado mais forte. O Corinthians construiu sua grandeza com suor, carisma, uma bela história de clube popular e conquistas. Não pode levar a culpa.

Ao menos até que se prove o contrário.


Os 5 pilares de Mano Menezes para recuperar o Cruzeiro. De novo
Comentários Comente

André Rocha

Mano_Cruzeiro

Mano Menezes voltou de uma jornada milionária, porém não tão bem sucedida no futebol chinês para retomar o trabalho que deixou no Cruzeiro no final de 2015.

Interrupção que ajuda a explicar os problemas nesta temporada, com a aposta em Deivid e depois Paulo Bento, em sua primeira experiência no Brasil e depois das negativas de Jorginho e Ricardo Gomes.

Encontrou cenário parecido: time irregular e na zona de rebaixamento. Ao contrário da estreia no ano passado com goleada de 5 a 1 sobre o Figueirense e a “descoberta” de Willian como centroavante móvel, recomeçou perdendo para o Santos na Vila Belmiro por 2 a 0, mas só na mudança de comando e alguns ajustes de posicionamento apresentou evolução.

Foi a única derrota na sequência de sete jogos que tirou o Cruzeiro da zona de rebaixamento: dois empates e quatro vitórias, a última no clássico diante do América no Independência por 2 a 0. Ainda encaminhou a classificação para as quartas-de-final da Copa do Brasil com os 5 a 2 sobre o Botafogo na Ilha do Governador.

Qual a receita do treinador para novamente responder rapidamente em desempenho e resultado e mudar de patamar as pretensões do time celeste? O blog aponta cinco pilares desta fórmula:

1 – Conceitos atuais

Mano Menezes foi estudar e buscar conteúdo para aprimorar seus métodos em cursos na Europa durante praticamente todo o ano passado. Voltou com conceitos sedimentados.

No cotidiano e nas entrevistas, prioriza o campo. A montagem da equipe, o trabalho tático. Continua um pouco “chorão” com arbitragem, mas não se entrega ao discurso fácil de justificar tudo pelo emocional. Mantém seus comandados atentos ao que precisam fazer em campo e tiram o peso do entorno.

2 – Base definida

Mesmo com um elenco abastecido, embora heterogêneo, Mano definiu uma base de trabalho e procura repetir a formação sempre que possível. Sem a hesitação natural de Deivid e o revezamento de Paulo Bento, ideia de difícil assimilação no Brasil e de execução complicada, pela falta de tempo para treinamentos e trocas constantes no elenco.

É uma escolha que novamente dá resultado. O torcedor cruzeirense já sabe que se nada de extraordinário acontecer, o time entrará em campo com Fábio; Lucas, Manoel, Bruno Rodrigo e Edimar; Henrique e Ariel Cabral; Robinho, De Arrascaeta e Rafael Sóbis; Ábila.

3 – Ideias de 2015

O Cruzeiro terminou o Brasileiro do ano passado com campanha sólida e dois estrangeiros afirmados: Ariel Cabral, argentino que se entendeu bem com Henrique à frente da defesa, marcando e saindo para o jogo com passe certo. Não é brilhante, mas sabe se posicionar e facilita para o resto do time.

Inclusive Arrascaeta, uruguaio que gosta de atuar com liberdade para articular a aparecer na frente para finalizar. Com Paulo Bento era utilizado pelos flancos num 4-1-4-1. Com Mano, o 4-2-3-1 deixa o camisa dez solto atrás do centroavante. Assim ele circula, cria superioridade numérica pelos lados e ainda se junta a Ábila. Assim marcou o primeiro na vitória sobre o Coelho.

4 – Os gols do centroavante

Estilos diferentes, porém igualmente fundamentais. Willian “Bigode” marcou onze gols sob o comando de Mano Menezes em 2015. Atuava mais adiantado, porém com intensa movimentação. Abrindo espaços e infiltrando em diagonal na velocidade para finalizar. Participava do trabalho coletivo e se beneficiava dele para ir às redes.

Ramón Ábila é o típico centroavante de no máximo dois toques. Um para fazer o pivô ou preparar, outro para concluir a jogada. Até tem alguma velocidade para aproveitar os espaços às costas da retaguarda adversária na base dos lançamentos.

Até aqui, números mais que respeitáveis: nove gols em onze partidas, marcou nos últimos sete jogos, incluindo a Copa do Brasil. Adaptação rápida e já é peça fundamental. Definiu o clássico mineiro com o segundo gol.

5 – Estilo sereno

Mano Menezes é do tipo sisudo, estuda muito cada colocação que faz publicamente. Mas, ao menos no Cruzeiro, sua serenidade trouxe calma ao ambiente conturbado pelas crises seguidas no clube, inclusive com protestos de torcedores.

O técnico com passagem pela seleção brasileira sabe que a eficiência em campo norteia todo o resto. Na 12ª colocação, os dois pontos que separam do Figueirense, primeiro na zona de rebaixamento, parecem mais distantes que os três atrás do Botafogo, o último da primeira página da tabela.

Porque o Cruzeiro novamente encontra a redenção com seu velho/novo treinador.


Primeiro Cruzeiro de Deivid tenta ser mais móvel e rápido que o de Mano
Comentários Comente

André Rocha

Foi o teste inicial, amistoso de pré-temporada. Cedo. Mas já deu para perceber algumas mudanças conceituais no Cruzeiro de Deivid em relação ao de Mano Menezes. Especialmente nos primeiros 60 minutos com a maioria dos titulares na vitória por 2 a 0 sobre o Rio Branco-ES em Cariacica.

A começar pelo retorno de Mayke. Apoiando bem aberto, muitas vezes colado à linha lateral dando amplitude e procurando o corredor para buscar profundidade. Também porque Alisson cortava para dentro, procurando De Arrascaeta e Willian para as tabelas, trocando com Marcos Vinícius. Com mobilidade. Todos girando e dando opção. Ou tentando no início do trabalho.

Sem a bola, duas linhas de quatro compactas fazendo pressão no campo de ataque em alguns momentos da partida, para dosar as energias. Deu algum trabalho a Fábio, mesmo com as limitações do oponente. Natural pelas pernas pesadas por conta do desgaste dos fortes treinamentos físicos.

No meio, Henrique e Ariel Cabral construindo o jogo. Passes curtos e longos, controlando ou acelerando. Apoio alternado, sem a figura definida de “primeiro” ou “segundo” volante. Coisa do passado. Assim como a definição clara do desenho tático – 4-2-3-1, 4-4-1-1, 4-4-2. O que importa é o modelo de jogo, a participação coletiva.

Apesar da manutenção da base, é preciso acertar a coordenação. Mas valeu a jogada pela direita com Mayke e Arrascaeta, Alisson servindo Willian e Marcos Vinicius conferindo. Deslocamento, criação do espaço, profundidade, rapidez nos últimos vinte metros. Precisão no primeiro gol.

No segundo tempo, Dedé retornou na vaga de Manoel e Sánchez Miño estreou no lugar de Marcos Vinicius. Por 15 minutos. O time ficou mais seguro, porém menos rápido. Serviu para testar antes das muitas substituições que dificultam a avaliação em qualquer amistoso, de clube ou seleção.

Neste modo “aleatório”, Gabriel Xavier criou pela direita com o pé canhoto, Matías Pisano quase acertou belo chute rasteiro e Rafael Silva, ex-Vasco, mostrou que pode ser útil entrando em diagonal da esquerda para fechar a conta.

Placar que importa pouco. Valeram mais as ideias que Deivid pretende colocar em prática. Com todos os descontos, o primeiro ensaio de 2016 foi positivo.

4-2-3-1, 4-4-1-1, 4-4-2. O desenho pouco importa. No Cruzeiro de Deivid valem as ideias e a proposta de trabalho coletivo no primeiro teste da temporada (Tactical Pad).

4-2-3-1, 4-4-1-1, 4-4-2. O desenho pouco importa. No Cruzeiro de Deivid valem as ideias e a proposta de trabalho coletivo no primeiro teste da temporada (Tactical Pad).