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“Badernaço” não é coisa de Flamengo. A história é outra
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André Rocha

A torcida do Flamengo não são os pouco mais de 30 torcedores que foram ao aeroporto “recepcionar” os jogadores do Independiente e se frustraram com a saída alternativa da delegação. Nem os cerca de 300 que provocaram um “badernaço” na área do hotel em que o time argentino estava hospedado na Barra da Tijuca, com fogos de artifício, e os 40 que depois perturbaram a madrugada de sono do time adversário no hotel para o qual se transferiram em Copacabana. Muito menos os que agrediram torcedores do visitante.

Estes são os baderneiros de quase sempre, a maioria de envolvidos em brigas de torcidas organizadas. Gente que gosta e precisa de violência. O clube é apenas um pretexto. Caso de polícia que devia ser tratado como tal, sem politicagem e média.

As redes sociais são um termômetro. E muitos apoiaram as ações, até torcedores de outros clubes. Mas também não representam a maior torcida do Brasil.

O verdadeiro flamenguista é o que irá ao Maracanã hoje apoiar o time para vencer na bola. Também, e especialmente, o que não é sócio e verá pela TV aberta. A mesma que paga milhões ao clube. O descartado pela política elitista de preços de ingressos, mas não menos apaixonado e importante pelos índices de audiência. Aquele que saiu hoje esperançoso para trabalhar com a camisa rubro-negra. Em paz.

Este sabe que esses recursos menos nobres adiantam bem pouco. Ainda que torcedores do oponente tenham respondido às provocações com racismo e o tratamento em Avellaneda não tenha sido dos mais dignos, como é de costume, a resposta mais contundente é sempre na bola. A história mostra.

Em 1981 houve o soco de Anselmo em Mario Soto do Cobreloa. Mas o que está na história é a grande atuação em Montevidéu com os dois gols de Zico na conquista da única Libertadores. Na bola. Assim como em 1999 o Flamengo apanhou covardemente e perdeu por 3 a 2 para o Peñarol no Uruguai pela semifinal da Copa Mercosul. Classificou-se pelos 3 a 0 no Maracanã. Jogando futebol.

O time de 2017 não inspira tanta confiança, oscilou na temporada, falhou em alguns momentos decisivos. Mas tem condições de vencer o Independiente por mais de um gol no tempo normal e sair com o título. Não precisa mais do que futebol. Sem pilha errada e clima de guerra. Sem “badernaço”.

Não é ser politicamente correto, apenas ter bom senso e conhecer a história do Flamengo. Do futebol brasileiro. Não precisamos repetir o pior do outro lado, porque aí sim seremos os “macaquitos” (de imitação) dos quais eles tanto debocham. A melhor resposta sempre vem do campo.


Flamengo de Rueda repete velhos erros. Cruzeiro ganha gol e favoritismo
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André Rocha

Se as dúvidas ou mudanças não confirmadas por Reinaldo Rueda estavam na meta e no ataque – Thiago e Lucas Paquetá iniciaram o jogo – a maior surpresa na escalação do Flamengo foi a entrada de Márcio Araújo no lugar de Cuéllar, melhor nos 180 minutos da semifinal contra o Botafogo e em boas condições físicas. Opção.

O resultado foi uma equipe com mais dificuldade no início da construção das jogadas, com Arão e Diego recuando muito para ajudar. Melhorou quando Paquetá passou a recuar e abrir espaços para as infiltrações de Berrío e Willian Arão. Mas de novo a equipe se mostrou “arame liso”, sem contundência no ataque. Faltou a chance cristalina.

Já o Cruzeiro sofreu com Rafael Sóbis na frente, tirando velocidade dos contragolpes – a entrada de Raniel na segunda etapa criou mais problemas para a retaguarda do oponente. Os erros de Robinho saindo da direita não ajudavam Thiago Neves na articulação. Diogo Barbosa era o destaque, negando espaços a Berrío e centrando para Alisson, no início do segundo tempo, para a primeira oportunidade clara do jogo. Grande defesa de Thiago.

Personagem da partida pela falha ao dar rebote no chute de Hudson para De Arrascaeta, substituto de Thiago Neves, empatar. Muralha faria o mesmo? Nunca saberemos, assim como a ótima intervenção na primeira etapa. Fica a impressão de que Thiago podia ter atuado na partida contra o Paraná pela Primeira Liga para ganhar mais ritmo de competição. Virou vilão.

O jovem goleiro negou o protagonismo a Paquetá, meia que foi às redes num “abafa” como típico centroavante – e impedido pelo toque de Arão desviando o chute. Depois de muita pressão após a mudança de Rueda, trocando Rodinei por Vinicius Júnior, recuando Everton para a lateral e invertendo o lado de Pará no mesmo 4-2-3-1. Depois Cuéllar, enfim, entrando no meio-campo para aumentar o volume de jogo.

Tudo em vão. Porque mais um erro individual inviabiliza o triunfo rubro-negro em jogo decisivo. Que custa caro por não transformar 59% de posse e 14 finalizações, a metade no alvo, em mais gols. Velhos problemas que transferem moral e favoritismo ao Cruzeiro para a volta no Mineirão, no dia 27. Mas no futebol brasileiro em que visitantes, normalmente com menos posse, se impõem, as chances do Flamengo não podem ser descartadas.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


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