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Flamengo nas oitavas da Libertadores com boa atuação para superar o trauma
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André Rocha

É obrigatório contextualizar a situação do Flamengo para analisar a atuação da equipe na vitória por 2 a 0 sobre o Emelec no Maracanã. Valia vaga nas oitavas da Libertadores depois de três eliminações seguidas e vexatórias na fase de grupos.

A última traumática, no ano passado, para San Lorenzo e Atlético Paranaense. Ostentando com alguma sobra o maior orçamento do grupo, que ainda tinha a Universidad Católica. Vencendo o time chileno na despedida do Maracanã e saindo na frente com o gol de Rodinei no Nuevo Gasometro. Virada na Argentina e o Atlético vencendo no Chile. Misto de incompetência e muita falta de sorte.

Tudo isso foi levado para o Maracanã cheio. Com a massa apoiando, mas a tensão sendo transferida de dentro para fora do campo. Era obrigatório vencer um adversário que também precisava dos três pontos para seguir vivo. Se deixasse para definir no Monumental de Nuñez contra o River Plate as chances diminuiriam drasticamente.

Dito isto, por tudo que envolveu o jogo, a atuação do time de Mauricio Barbieri pode ser considerada boa. Por incrível que pareça, o treinador com menos grife e experiência consegue o que parecia impossível: combinar as características dos jogadores.

Rodinei é o lateral de ataque, de buscar o fundo. Renê segura mais e vai se especializando no trabalho defensivo. Tanto no um contra um como no posicionamento, fazendo diagonais de cobertura cada vez mais precisas. Desce na boa e dá liberdade a Vinicius Júnior para buscar jogadas individuais e infiltrações em diagonal. E o garoto ganha cada vez mais confiança e vivência entre os profissionais.

No meio-campo, Cuéllar protege, mas também passa. Lucas Paquetá faz tudo, embora ainda erre na circulação da bola prendendo muito em momentos inadequados. Mas se multiplica como o segundo homem de suporte ao volante na contenção e dos meias na articulação.

Everton Ribeiro merece um parágrafo à parte. Ou dois. O meia finalmente se encontrou em campo e passou a ter as companhias que precisa: do lateral passando no corredor quando ele corta da direita para dentro com a canhota e de um colega dando opção para tabela ou entrando exatamente no espaço deixado pelo ponta que vem para dentro. Com jogadores para dialogar no passe curto e não nos toques sem ideias buscando o lado para os cruzamentos seguidos, o futebol do camisa sete cresce demais.

Os gols da vitória foram a cereja do bolo de uma atuação que só não foi perfeita por um vacilo na saída e a perda da bola que gerou um contragolpe do Emelec que só não causou estragos pela presença de Rever. Este sim, numa noite sem erros e consertando vários equívocos dos companheiros. Perdendo Juan, que colocou duas bolas nas traves, no final do primeiro tempo e transmitindo segurança a Leo Duarte na segunda etapa.

Diego alternou passes de primeira que aceleraram ataques para Vinicius Júnior e a insistência em reter a bola e atrasar a transição ofensiva. Barbieri pode insistir para que ele recue menos e se posicione mais como um companheiro na frente de Henrique Dourado.

O centroavante é que destoou mais uma vez. Simplesmente não consegue dar sequência às jogadas e peca pela ansiedade na hora de finalizar – impressiona o contraste com a incrível segurança na cobrança de pênaltis. A ampliação da suspensão de Paolo Guerrero de seis para 14 meses é um duro golpe para o Fla. Com este ajuste crescente nas peças e mais volume de jogo a tendência era o peruano acrescentar muito com sua técnica e movimentação. Dourado terá que compensar com posicionamento e precisão no último toque. Faltou mais uma vez.

Vale a classificação antecipada, ainda que com sofrimento. Compreensível pelo histórico recente. Era preciso quebrar a barreira e a missão foi cumprida. A tarefa agora é seguir evoluindo, ganhar consistência. Com o jovem Barbieri, mesmo com seus erros normais de “pato novo”, parece haver uma luz mais à frente. Um rumo. No Flamengo do final da gestão Bandeira de Mello isto não é pouco.

 

 


Entra técnico, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Está repetitivo
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André Rocha

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1 – Que Diego é importante na bola parada, como na cobrança de escanteio que terminou gol de Henrique Dourado, logo aos sete minutos no empate do Flamengo por 1 a 1 com o Independiente Santa Fé no Maracanã com portões fechados. Mas atrapalha demais a fluência do time ao prender demais a bola e não arriscar passes que quebram as linhas da defesa adversária. De novo: domina, gira, dá mais um toque e toca para o lado. Atrasa tudo;

2 – Que no momento de dificuldade, quando o oponente nega espaços – como o Santa Fé do treinador interino Agustín Julio, armado num 4-2-3-1 – o time rubro-negro abusa dos cruzamentos. Ou depende deles para criar as melhores oportunidades. Jogadas aleatórias, nada pensadas. Desta vez foram 28, nem tantos em relação a outros jogos, mas simplesmente não há repertório;

3 – Quando acontece algo novo e surpreendente, como a bela tabela entre Diego e Paquetá logo aos dois minutos de jogo, a conclusão não é precisa. Desta vez foi Diego a desperdiçar. A primeira das 15 finalizações, seis no alvo. O Fla, porém, segue “arame liso”. Já o Santa Fé concluiu sete vezes, três no alvo. Na chance mais cristalina, Anderson Plata aproveitou contragolpe iniciado com passe errado de Diego e serviu Wilson Morelo, artilheiro da Libertadores com oito gols. Empate;

4 – No momento em que a coisa complica, os garotos precisam resolver. Ou assumem esta responsabilidade. Mas Vinicius Júnior e Lincoln, muito meninos, pecam pela afobação e Paquetá apela para as jogadas individuais. Mas insiste e na Libertadores o jogo é menos parado com faltas. Armou vários contragolpes do time colombiano na segunda etapa. Continua sendo o melhor da equipe, mas contribui pouco na construção, em fazer a bola circular mais rapidamente;

5 – E Dourado não pode exercer a mesma função de Guerrero. Não sabe fazer pivô, a bola bate e volta. É jogador de último toque e só. Saiu fazendo cara feia para o jovem treinador Maurício Barbieri, mas fora o gol nada produziu. Lincoln entrou com outras características, não é pivô. Assim como Filipe Vizeu. Fla ficou órfão deste suporte na frente e não encontra soluções para criar de outras formas.

Porque entra treinador, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Os mesmos erros, recursos semelhantes. O treinador assume, mantém praticamente os mesmos jogadores esperando resultados diferentes. Foi Rueda sucedendo Zé Ricardo, depois Carpegiani e agora Barbieri, que sem resultados não deve permanecer.

Qual será o próximo a sofrer com um time ancorado, sempre prestes a afundar? A equipe pode até inverter a lógica de 2017 e obter a classificação para o mata-mata da Libertadores com vitórias fora de casa. Mas se não subverter tudo e buscar novas saídas continuará previsivel, engessada. Com Maracanã lotado como no treino da véspera ou sem torcida.

O torcedor vai falar de garra, espírito…Talvez os jogadores pudessem até se posicionar exigindo uma ruptura. Mas como, se Diego, um dos principais líderes, é uma das causas do fraco desempenho coletivo? Em campo, o Fla tenta, mas não funciona. Por isso o desânimo. Não dá para vencer sempre na fibra.

Este time deve futebol e seguirá devendo se não houver um fato novo consistente. Com a atual diretoria comandada por Eduardo “Vamos Levando” Bandeira de Mello é improvável. Desculpe, está repetitivo. Mas é simples assim.

(Estatísticas: Footstats)


“Badernaço” não é coisa de Flamengo. A história é outra
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André Rocha

A torcida do Flamengo não são os pouco mais de 30 torcedores que foram ao aeroporto “recepcionar” os jogadores do Independiente e se frustraram com a saída alternativa da delegação. Nem os cerca de 300 que provocaram um “badernaço” na área do hotel em que o time argentino estava hospedado na Barra da Tijuca, com fogos de artifício, e os 40 que depois perturbaram a madrugada de sono do time adversário no hotel para o qual se transferiram em Copacabana. Muito menos os que agrediram torcedores do visitante.

Estes são os baderneiros de quase sempre, a maioria de envolvidos em brigas de torcidas organizadas. Gente que gosta e precisa de violência. O clube é apenas um pretexto. Caso de polícia que devia ser tratado como tal, sem politicagem e média.

As redes sociais são um termômetro. E muitos apoiaram as ações, até torcedores de outros clubes. Mas também não representam a maior torcida do Brasil.

O verdadeiro flamenguista é o que irá ao Maracanã hoje apoiar o time para vencer na bola. Também, e especialmente, o que não é sócio e verá pela TV aberta. A mesma que paga milhões ao clube. O descartado pela política elitista de preços de ingressos, mas não menos apaixonado e importante pelos índices de audiência. Aquele que saiu hoje esperançoso para trabalhar com a camisa rubro-negra. Em paz.

Este sabe que esses recursos menos nobres adiantam bem pouco. Ainda que torcedores do oponente tenham respondido às provocações com racismo e o tratamento em Avellaneda não tenha sido dos mais dignos, como é de costume, a resposta mais contundente é sempre na bola. A história mostra.

Em 1981 houve o soco de Anselmo em Mario Soto do Cobreloa. Mas o que está na história é a grande atuação em Montevidéu com os dois gols de Zico na conquista da única Libertadores. Na bola. Assim como em 1999 o Flamengo apanhou covardemente e perdeu por 3 a 2 para o Peñarol no Uruguai pela semifinal da Copa Mercosul. Classificou-se pelos 3 a 0 no Maracanã. Jogando futebol.

O time de 2017 não inspira tanta confiança, oscilou na temporada, falhou em alguns momentos decisivos. Mas tem condições de vencer o Independiente por mais de um gol no tempo normal e sair com o título. Não precisa mais do que futebol. Sem pilha errada e clima de guerra. Sem “badernaço”.

Não é ser politicamente correto, apenas ter bom senso e conhecer a história do Flamengo. Do futebol brasileiro. Não precisamos repetir o pior do outro lado, porque aí sim seremos os “macaquitos” (de imitação) dos quais eles tanto debocham. A melhor resposta sempre vem do campo.


Flamengo de Rueda repete velhos erros. Cruzeiro ganha gol e favoritismo
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André Rocha

Se as dúvidas ou mudanças não confirmadas por Reinaldo Rueda estavam na meta e no ataque – Thiago e Lucas Paquetá iniciaram o jogo – a maior surpresa na escalação do Flamengo foi a entrada de Márcio Araújo no lugar de Cuéllar, melhor nos 180 minutos da semifinal contra o Botafogo e em boas condições físicas. Opção.

O resultado foi uma equipe com mais dificuldade no início da construção das jogadas, com Arão e Diego recuando muito para ajudar. Melhorou quando Paquetá passou a recuar e abrir espaços para as infiltrações de Berrío e Willian Arão. Mas de novo a equipe se mostrou “arame liso”, sem contundência no ataque. Faltou a chance cristalina.

Já o Cruzeiro sofreu com Rafael Sóbis na frente, tirando velocidade dos contragolpes – a entrada de Raniel na segunda etapa criou mais problemas para a retaguarda do oponente. Os erros de Robinho saindo da direita não ajudavam Thiago Neves na articulação. Diogo Barbosa era o destaque, negando espaços a Berrío e centrando para Alisson, no início do segundo tempo, para a primeira oportunidade clara do jogo. Grande defesa de Thiago.

Personagem da partida pela falha ao dar rebote no chute de Hudson para De Arrascaeta, substituto de Thiago Neves, empatar. Muralha faria o mesmo? Nunca saberemos, assim como a ótima intervenção na primeira etapa. Fica a impressão de que Thiago podia ter atuado na partida contra o Paraná pela Primeira Liga para ganhar mais ritmo de competição. Virou vilão.

O jovem goleiro negou o protagonismo a Paquetá, meia que foi às redes num “abafa” como típico centroavante – e impedido pelo toque de Arão desviando o chute. Depois de muita pressão após a mudança de Rueda, trocando Rodinei por Vinicius Júnior, recuando Everton para a lateral e invertendo o lado de Pará no mesmo 4-2-3-1. Depois Cuéllar, enfim, entrando no meio-campo para aumentar o volume de jogo.

Tudo em vão. Porque mais um erro individual inviabiliza o triunfo rubro-negro em jogo decisivo. Que custa caro por não transformar 59% de posse e 14 finalizações, a metade no alvo, em mais gols. Velhos problemas que transferem moral e favoritismo ao Cruzeiro para a volta no Mineirão, no dia 27. Mas no futebol brasileiro em que visitantes, normalmente com menos posse, se impõem, as chances do Flamengo não podem ser descartadas.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


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