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Os três avisos do Bayern em Munique ao PSG no primeiro grande teste
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André Rocha

Você leu neste blog que o primeiro teste em alto nível do Paris Saint-Germain com Neymar e Mbappé neste início de temporada seria o Bayern de Munique, agora sob o comando de Jupp Heyckens, voltando de sua aposentadoria para recuperar o time alemão na temporada.

Se os 3 a 1 na Allianz Arena que encerraram a invencibilidade e a campanha 100% do PSG não foram suficientes para inverter a classificação do grupo B da Liga dos Campeões, ao menos serviram para resgatar de vez a confiança do gigante alemão para a sequência da Bundesliga. Principalmente, para o retorno da competição continental em fevereiro de 2018. Mesmo sem Robben e com time muito alterado – Vidal, Javi Martínez e Thomas Muller iniciaram no banco de reservas. Não será rival fácil para qualquer líder de grupo nas oitavas-de-final.

Também deixou três avisos para a equipe de Unai Emery se preparar para os duelos mais complicados na segunda metade da jornada 2017/2018:

1 – Intensidade nos 90 minutos

O abismo entre o PSG e os concorrentes na França faz com que o time diminua muito a intensidade em alguns períodos das partidas do campeonato nacional. Especialmente no trabalho sem a bola. Aconteceu no primeiro tempo, com todos os titulares disponíveis, apesar dos 54% de posse de bola e das seis finalizações dos visitantes, com duas boas oportunidades -a mais clara com Neymar em lindo passe de Mbappé e a primeira grande defesa de Ulrich, o goleiro substituto do lesionado Neuer.

Desta vez, porém, era o Bayern do outro lado. Concluiu seis vezes, duas nas redes de Areola. O atalho era pela esquerda, com Ribéry, Alaba e James Rodríguez, que envolveram Daniel Alves, sem o devido auxílio de Mbappé, com relativa facilidade nos gols de Lewandowski e Tolisso. Lateral brasileiro que perdeu a disputa com Coman, que inverteu o lado com a troca de Ribéry por Thomas Muller, no terceiro marcado na segunda etapa, também de Tolisso.

O PSG precisa competir mais, com concentração na maior parte do tempo para não dar armas ao rival. Compactar os setores e contar com mais colaboração dos atacantes além da pressão no campo adversário.

2 – Aproveitar as oportunidades

Por mais méritos que Ulrich tenha nas intervenções que impediram mais gols além do marcado por Mbappé em lindo passe de Cavani, um time que quer vencer Liga dos Campeões, mesmo em uma partida com larga vantagem para garantir a liderança do grupo, não pode aproveitar apenas uma de 13 finalizações e oito no alvo.

Ainda mais com a força do tridente ofensivo. Encontrou o atalho pela direita, com Mbappé levando vantagem seguidamente sobre Alaba e Hummels e tinha obrigação de ser mais contundente. Ainda mais em um jogo fora de casa contra uma equipe da primeira prateleira do futebol europeu. Em um confronto de mata-mata pode ser letal.

3 – O jogo é coletivo

O camisa dez e estrela maior da equipe francesa circulou menos e, consequentemente, não prendeu tanto a bola desta vez. Foi atacante, esperando a bola chegar à zona de decisão para entrar em ação. Primeiro sofreu falta de Kimmich que rendeu um cartão amarelo ao lateral e depois infiltrou em diagonal e obrigou Ulriche a uma fantástica defesa.

Neymar voltou aceso, como todo o time, na volta do intervalo. Mas depois do terceiro gol bávaro nitidamente relaxou, até se escondeu um pouco do jogo. Uma prova de que o talento individual por si só, sem ser potencializado pelo trabalho coletivo, tende a ser menos decisivo. O Bayern, sem grandes estrelas, foi mais eficiente em sua proposta de jogo.

Unai Emery e seus comandados terão dois meses para refletir, fazer os devidos ajustes e tentar fazer o PSG, enfim, ser protagonista na Liga dos Campeões.

(Estatísticas: Footstats)


PSG voa baixo na Europa, mas teste de verdade será o Bayern em Munique
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André Rocha

67 gols em 18 partidas. Média de quase quatro por partida. Apenas dez sofridos. Liderança folgada no Francês com campanha invicta: 11 vitórias e dois empates. E 100% de aproveitamento na Liga dos Campeões, com só um gol sofrido, de Dembelé nos 7 a 1 sobre o Celtic em Paris que consolidaram a maior artilharia da história da fase de grupos do torneio: nada menos que 24 gols em cinco partidas. Média de quase cinco por partida.

A jornada do Paris Saint-Germain até aqui é histórica. Chama ainda mais atenção a naturalidade com que cria chances e a eficiência nas finalizações. Em especial do tridente ofensivo. Trio MCN. 21 gols e duas assistências de Cavani em 17 jogos, 13 bolas nas redes e oito passes para gols de Neymar em 14 partidas. Mais sete gols e o mesmo número de assistências de Mbappé em 13 jogos. 61% do trio. Voando baixo.

Números espetaculares. Sintonia e combinação de características entre os jogadores. Não só no ataque com Neymar passador, Mbappé intenso e veloz, Cavani finalizador e com presença física na área adversária. Também no meio-campo com Verratti, Rabiot e Draxler quando não é tão preciso fechar espaços, ou Thiago Motta ao lado dos dois primeiros na necessidade de proteger melhor a retaguarda.

Sem contar Daniel Alves como lateral mais construtor e Kurzawa do lado oposto mais rápido em busca da linha de fundo; o entendimento entre Marquinhos e Thiago Silva protegendo o goleiro Areola. Tudo funcionando muito bem para o treinador Unai Emery, que com resultados tão arrasadores silenciou as críticas e os rumores de relação conflituosa com Neymar.

Mas ainda falta o grande teste. Porque os empates com Montpellier e Olympique de Marseille na Ligue 1 podem ser mais tratados como tropeços naturais numa campanha absoluta do que grandes desafios. Assim como as oscilações durante as partidas, até pela facilidade, também devem ser considerados naturais.

Os 3 a 0 sobre o Bayern de Munique em Paris devem ser relativizados como o ato final da passagem de Carlo Ancelotti pelo clube bávaro, com grave crise entre o treinador e os jogadores, que chegaram a ridicularizar seus métodos de treinamento. Na prática, foi um oponente quase tão frágil quanto os demais.

Por isso o duelo com o pentacampeão alemão, em recuperação na temporada com o retorno de Jupp Heynckes e já na ponta da Bundesliga com os mesmos seis pontos de vantagem que o líder ostenta na Ligue 1 sobre o atual campeão Monaco.

Valendo a liderança do Grupo B. Será o melhor parâmetro para a avaliação do real poder do PSG, já pensando no mata-mata da Champions em 2018. Ainda que a missão do Bayern de tomar a primeira colocação e fugir de possíveis confrontos indigestos nas oitavas de final seja improvável – vencer por, no mínimo, quatro gols de diferença para superar no confronto direto.

A rigor, o resultado vai dizer menos que o desempenho do time francês no primeiro confronto em altíssimo nível, da primeira prateleira do futebol europeu. Por ora, vale e muito desfrutar os espetáculos do time francês pelo continente. Mas o mistério da real capacidade competitiva de Neymar e seus companheiros seguirá até a Allianz Arena no dia 5 de dezembro.


Futebol não é novela! Cavani e Neymar, mais Mbappé, se entendem no campo
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André Rocha

Ronaldo e Raúl González não eram exatamente amigos, mas em campo se entendiam no Real Madrid galáctico. O mesmo com Edmundo e Evair no Palmeiras e no Vasco, Marcelinho Carioca e Rincón no Corinthians nos anos 1990, Edilson e Petkovic no Flamengo em 2001 e tantos outros exemplos.

Quando há sintonia e amizade, como acontecia com Messi, Suárez e Neymar no Barcelona, tudo flui melhor. Ainda assim, não garante felicidade. Tanto que o brasileiro preferiu partir. Não há fórmula.

A melhor receita em qualquer tempo é deixar as diferenças no vestiário e priorizar o coletivo. Exatamente o que Cavani e Neymar fizeram na grande vitória por 3 a 0 sobre o Bayern de Munique no Parc des Princes. Com o auxílio mais que luxuoso de Kylian Mbappé no 4-3-3 armado novamente por Unai Emery.

Atacante francês que merece um parágrafo à parte. O camisa 29 é jogador para marcar época. Velocidade, visão, técnica, faro de gol, leitura tática. Aos 18 anos já é completo. No primeiro gol atraiu a marcação de Alaba e deixou todo o corredor livre para Daniel Alves receber e finalizar forte. Depois assistências para Cavani e Neymar.

A dupla que atraiu todos os holofotes. Que deixa claro que há uma grande incompatibilidade de temperamentos, visões de mundo. Mas ficou claro no primeiro jogo realmente grande na temporada, diante de um gigante europeu, que não vai faltar vontade de se sacrificar pela equipe.

O camisa nove uruguaio foi o da sua seleção em vários momentos sem a bola, voltando pelos flancos para fechar espaços e dar liberdade para a velocidade dos dois mais jovens e rápidos. Neymar também, com mais sacrifícios e menos individualismo. Leitura de jogo e, principalmente, a compreensão de que o projeto do clube precisa ser maior que as metas e a vaidade de cada um.

O resultado foi um PSG letal. Que foi às redes antes do segundo minuto de jogo e depois condicionou sua proposta à vantagem e ao modelo do adversário que já é bem conhecido. O time bávaro comandado por Carlo Ancelotti adiantou as linhas, teve a bola com Thiago Alcântara e Vidal no meio acionando Kimmich e Alaba nas laterais e Thomas Muller e Lewandowski na frente. Na segunda etapa cresceu com as entradas de Sebastian Rudy e Coman nas vagas de Tolisso e James Rodríguez.

Teve 62% de posse, 85% de efetividade nos passes, 16 finalizações – seis na direção da meta de Areola, que teve boa atuação, assim com Marquinhos e Thiago Silva. E mesmo assim os alemães podiam ter saído com uma goleada histórica nas costas, não fossem três chances cristalinas perdidas por Cavani e Neymar. A do uruguaio em contragolpe puxado por Mbappé e passe genial de calcanhar de Neymar.

Para calar as fofocas e trazer de novo as atenções para o campo. Como deve ser. Futebol não é novela. E daí que os cumprimentos entre eles foram frios ou quentes? Ninguém precisa morrer de amores para encantar as retinas com a bola nos pés. O PSG mostra força com seu tridente que promete outros espetáculos pela Europa. Sem dramas.

(Estatísticas: Footstats)


No novo PSG, Mbappé será Neymar e Neymar será Messi
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André Rocha

Imagem: Divulgação Paris Saint-Germain

Kylian Mbappé é uma contratação que sinaliza o futuro no Paris Saint-Germain. Inclusive o pagamento de cerca de 180 milhões de euros no meio do ano que vem para driblar o Fair Play financeiro da Fifa, por isso o empréstimo agora.

É óbvio que o atacante francês de 18 anos não vale isso. Ninguém poderia custar tanto, mas o mercado enlouqueceu de vez. Aditivado pelo dinheiro do Qatar, sempre de origem que gera dúvidas. Ainda mais de um país acusado de corrupção na “compra” da Copa do Mundo de 2022. A negociação é mais uma demonstração de força do clube.

Com isso, o PSG vai reunir em seu ataque Cavani, o grande artilheiro com personalidade para tomar à frente de Neymar nas cobranças de pênaltis até aqui. Mais o brasileiro, maior contratação da história, e agora a grande revelação do Monaco.

Campeão francês na última temporada com 15 gols e oito assistências, mais seis na Liga dos Campeões. Atraiu os olhos do mundo por combinar velocidade, recursos técnicos, habilidade e poder de decisão. Formando dupla com o colombiano Radamel Falcao no ataque dos 107 gols em 38 rodadas.

Num 4-4-2 na maior parte do tempo, Mbappé tinha liberdade para circular pelos dois flancos e buscar as infiltrações em diagonal. Principalmente partindo da esquerda, cortando para dentro e finalizando.

Só que no PSG, Neymar é o dono do setor, ainda que com liberdade de movimentação. Driblando, concluindo ou servindo os companheiros. Com Cavani absoluto no centro do ataque é possível imaginar o novo membro do ataque atuando pelo lado direito no 4-3-3 habitualmente montado pelo técnico Unai Emery.

Neste caso, as funções também tendem a mudar. Mbappé pode ser para Neymar o que o brasileiro foi para Messi no Barcelona. Ou seja, o ponteiro que ajuda mais no trabalho sem bola e aceita o papel de coadjuvante. Mas ao mesmo tempo é abastecido por passes da estrela com mais visão de jogo. Quantos gols de Neymar não saíram de assistências ou inversões de jogo de Messi a partir do lado direito!

Neymar não tem exatamente o DNA de “enganche” ou “dez” do argentino, muitas vezes peca pelo individualismo – como na vitória brasileira sobre o Equador em Porto Alegre, mas sabe armar jogadas. Basta lembrar as atuações pelo centro na Olimpíada do Rio ou no próprio Barça na ausência de Messi. Agora tem tudo para servir seu novo companheiro. Ser o ponta armador, deixando para Mbappé a função de infiltrar em diagonal com mais frequência para finalizar.

No provável 4-3-3 do PSG, Mbappé deve atuar pela direita, infiltrando em diagonal e voltando mais para ajudar na recomposição, dando liberdade à estrela Neymar, que pode abastecer como ponta articulador o novo companheiro de ataque (Tactical Pad).

Questão de adaptação do jovem atacante, autor do último gol da goleada da França por 4 a 0 sobre a Holanda. Iniciando e finalizando contragolpe letal. Explosão física e potencial de melhor do mundo.

Com o tempo, Mbappé deve ser deslocado naturalmente para o centro do ataque no novo clube, mas uma função de maior sacrifício agora pode torná-lo mais completo. Um aprendizado que será bom para todos. Incluindo o PSG, para fazer valer mais um investimento surreal que varreu o mercado no último dia da janela de transferências na Europa.

 


A Juventus está pronta para tudo. Um timaço na acepção da palavra
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André Rocha

Foi difícil entender a opção de Leonardo Jardim por espelhar o sistema com três zagueiros da Juventus, deixando Fabinho e Lemar, pilares do meio-campo, no banco. O Monaco perdeu volume de jogo e presença ofensiva no primeiro tempo. Bernardo foi o mais prejudicado, isolado na articulação.

Melhor para o time italiano em sua arena, que novamente variou o desenho tático de acordo com os movimentos de Daniel Alves e Barzagli pela direita. Com a vantagem de dois gols, permitiu que o adversário tivesse a posse, mas controlou o jogo e criou as oportunidades mais claras.

Gol de Mandzukic em jogada bem trabalhada iniciada com um contragolpe. O centroavante típico de 30 anos que fecha o setor esquerdo na segunda linha, à frente de Alex Sandro e ainda infiltra em diagonal na velocidade para finalizar e se juntar a Higuaín.

Tão surreal quanto a fase de Daniel Alves. De novo foi lateral, meia e ponta. Colocou no bolso o ótimo Mendy, transformado em ala por Jardim. Passador na jogada do primeiro gol. Também finalizador preciso em um golaço no rebote que praticamente sacramentou a classificação para a final da Liga dos Campeões, contra Real Madrid ou Atlético de Madri.

Mesmo com o segundo tempo mais que digno do time francês. Com Fabinho e Lemar em campo. Com Mbappé, jovem candidato a gênio, tirando o lacre do sistema defensivo da Vecchia Signora no mata-mata. Mantendo superioridade na posse e aumentando o número de finalizações.

Mas não havia o que fazer. Porque a Juventus de Massimiliano Allegri tem um nível de concentração absurdo na execução de seu modelo de jogo complexo e completo, que sabe variar posse de bola e jogo em transição, na velocidade. De solidez impressionante, que sabe exatamente o que quer em todos os momentos.

Um timaço na acepção da palavra que irá a Cardiff no dia 3 de junho para buscar o título que não vem desde 1996. Venha quem vier. Coletivamente e na força mental, nunca pareceu tão pronto.


City 5×3 Monaco – O melhor da Premier League na Liga dos Campeões
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André Rocha

Intensidade máxima, perde e pressiona, ritmo alucinante, transições ultrarápidas, reviravoltas na disputa e no placar. Jogaço imprevisível. O que se viu no Etihad Stadium foi o melhor que há na liga nacional mais competitiva do mundo dentro do maior torneio de clubes do planeta.

Méritos do Monaco de Leonardo Jardim. Time corajoso, organizado num 4-4-2 e que nunca abdicou do ataque. Nem quando o placar era favorável e a classificação mais próxima. Quando Falcao García compensou o pênalti perdido com golaço de cobertura. O segundo do colombiano na partida.

Monaco também do ótimo português Bernardo Silva, meia organizador canhoto aberto à direita e do incrível Kylian Mbappé, atacante rápido, vertical e técnico. O brasileiro Fabinho, lateral direito atuando no meio, colaborando na organização e também chegando na frente.

Só não resistiu ao volume de jogo do Manchester City, especialmente na segunda etapa. Com Sané imparável, seja buscando o fundo ou infiltrando em diagonal. O meio com Yaya Touré, De Bruyne e Silva com muita técnica e entrega e Aguero lembrando a todos por que é o maior artilheiro da história dos citizens e não o reserva de Gabriel Jesus.

Sim, o primeiro em um frango de Subasic. Mas o que empatou em 3 a 3 e pavimentou o caminho para a virada foi uma finalização espetacular de primeira completando escanteio. Ainda serviu Sané no quinto e último, depois do gol de Stones aproveitando o grande pecado francês na partida: o jogo aéreo defensivo deixou muito a desejar.

Simbólica a atuação do City combinando a posse de 62% com uma verticalidade que Guardiola não reproduziu sequer no Bayern de Munique, de cultura semelhante à inglesa. Repete a pressão no campo de ataque dos tempos de Barcelona, gosta da bola, mas ataca em ritmo alucinante, ainda que perca a posse defensiva e controle do jogo. E não se importa em jogar a bola na área quando necessário.

Deu certo na ida nas oitavas e os dois gols de vantagem são fundamentais. Só não garantem nada porque o Monaco é o ataque mais efetivo da Europa e também sabe ser forte, intenso e sufocante. Devemos ter mais um jogaço na França.

(Estatísticas: UEFA)


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