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Um Messi ligado e intenso não dá chance para ninguém. Nem à Juve de Buffon
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André Rocha

A Juventus parecia mais ajustada no primeiro tempo no Camp Nou, mesmo com as mudanças na defesa e no meio-campo – De Sciglio, Matuidi, Bentancur e Douglas Costa na manutenção do 4-2-3-1 de Massimiliano Allegri que perdeu Bonucci para o Milan, Daniel Alves para o PSG e estava sem Chiellini, Khedira e Mandzukic. Linhas muito próximas sem bola e saída em velocidade para Dybala acionar Higuaín.

O Barcelona buscava se aprumar à troca de Neymar por Dembelé que inverteu o lado do ponteiro no trio ofensivo. Com isso, Iniesta e Suárez passaram a ocupar mais o setor esquerdo, porém abrindo o corredor para Jordi Alba. Liberado para apoiar e contando com a cobertura de Umtiti, mais rápido que Piqué. Este protegido por Busquets e Nelson Semedo com postura mais conservadora pela direita. Com Ernesto Valverde, o mesmo 4-3-3, porém com variações para equilibrar os setores.

No centro, com liberdade total…Messi. Meio “falso nove”, meio enganche. O mais importante: ligado, intenso, ciente de que não pode se entregar às marcações mais duras, que negam espaços. Também que este Barcelona precisa demais dele nesta transição e o argentino necessita de uma equipe forte para buscar através das conquistas coletivas a Bola de Ouro, depois do inevitável empate com Cristiano Ronaldo que deve se concretizar até o fim do ano. Cinco a cinco.

Primeiro cobrou falta por baixo acertando a barreira e Suárez fazendo Buffon trabalhar. Depois a arrancada, tabela com Suárez e o chute sem força, mas suficiente para tirar o “lacre” da meta do goleiro italiano no final do primeiro tempo. A senha para o time catalão ganhar confiança e sobrar na segunda etapa.

Finalização na trave antes de acelerar numa rara incursão à direita, rebote de Benatia e gol de Rakitic. Depois a jogada característica, cortando da meia direita para dentro limpando adversários até tirar de Buffon no canto esquerdo. Descomplicando e transformando jogo duro contra o grande rival no grupo em um 3 a 0 com autoridade.

Já são sete gols de Messi em quatro partidas depois da depressão pela saída de Neymar e a sova do Real Madrid na Supercopa da Espanha. 96 gols em 116 jogos pela Liga dos Campeões. Porque quando o camisa dez, maior artilheiro do clube e um dos gênios da história do esporte está 100% conectado e disposto a ser decisivo é difícil segurar. Até para o mito Buffon.

O 4-3-3 do Barcelona ganha nova dinâmica com Dembelé à direita, Iniesta e Suárez dando suporte ao apoio de Alba do lado oposto com a cobertura de Umtiti e Semedo e Busquets protegendo o lento Piqué. Messi com total liberdade destruiu a Juventus no mesmo 4-2-3-1 do vice da Champions da temporada passada, porém com ausências sentidas e sofrendo contra o argentino genial (Tactical Pad).


Barcelona, há vida sem Neymar. E Philippe Coutinho
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André Rocha

O Liverpool recusou a proposta do Barcelona que chegaria a 160 milhões de euros por Philippe Coutinho. O meia brasileiro era parte do plano do clube catalão para repor a saída de Neymar para o PSG. Ficou apenas com Ousmane Dembelé, contratado ao Borussia Dortmund.

Com Coutinho, Ernesto Valverde teria mais uma peça para agregar mais rapidez e intensidade ao estilo Barça, ideia que parece cada vez mais clara por conta dos jogadores que despertaram interesse e até pelo que vem apresentando neste início de temporada 2017/2018.

No Dortmund, Dembelé era o atacante a acelerar pelos flancos dentro da ideia de ataque posicional do treinador Thomas Tuchel. Exatamente o que quer Valverde. O francês não dribla nem é tão inventivo e artilheiro quanto Neymar, porém é mais vertical e capaz de mudar o ritmo das ações ofensivas.

Deve atuar pela esquerda no trio ofensivo, com Suárez e Messi alternando no centro e à direita. Mantendo também o trabalho defensivo, auxiliando Jordi Alba e formando uma linha de quatro ao se juntar aos três meio-campistas.

Um destes pode ser Paulinho, no vácuo das oscilações de Ivan Rakitic e do declínio físico de Andrés Iniesta. Para defender e, dentro da proposta de troca mais rápida de passes, infiltrar como elemento surpresa para finalizar. O entendimento com Messi pode ser bem interessante.

Assim como o movimento do argentino da direita para dentro abrindo o corredor para as ultrapassagens de Sergi Roberto, Aleix Vidal ou Nelson Semedo, lateral português contratado e ainda sem inspirar confiança. Mas potencialmente o melhor no apoio. Algo a ser trabalhado.

A combinação de características pode dar liga. Vigor físico para compensar o envelhecimento da base titular. Paulinho correndo por Busquets e Iniesta. Dembelé voando no entendimento com Messi e Suárez. Fatos novos para chacoalhar o que parece inerte.

É óbvio que coletivamente segue bem atrás do Real Madrid, como ficou claro nos duelos pela Supercopa da Espanha. Mas ao longo da temporada é possível se tornar mais competitivo e versátil. Principalmente se as baixas por lesões e suspensões não forem tão numerosas, já que o elenco segue curto e desigual.

Chances de título? No Espanhol, para recuperar a hegemonia terá que contar com uma queda de desempenho dos merengues, mas também uma hesitação do Atlético de Madrid de Diego Simeone.  Isso se não surgir uma surpresa como mais um obstáculo. Ou o Sevilla, agora com Eduardo Berizzo no lugar de Jorge Sampaoli no comando técnico, se colocar efetivamente como candidato a protagonista.

Na Liga dos Campeões vai depender dos cruzamentos no mata-mata, já que  não deve encontrar maiores problemas contra Sporting e Olympiacos e vai decidir a liderança do Grupo D com a Juventus. Tudo vai depender da evolução da equipe dentro da proposta de jogo que combina posse de bola e mais agressividade.

O Barcelona não carrega o favoritismo de outros tempos. Mas ainda há Messi. E vida sem Neymar. E Coutinho.


Real Madrid lembra o Zidane jogador. Faz tudo parecer tão fácil
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André Rocha

Ao longo desta década é comum analisar qualquer equipe partindo da seguinte pergunta: é um time que propõe o jogo ou é reativo? Dicotomia criada e alimentada por Pep Guardiola e José Mourinho, os dois grandes ícones das transformações recentes no esporte.

O Real Madrid de Zidane, porém, entrega uma nova resposta: os dois. Depende das circunstâncias, do contexto. Pode alternar as duas ideias na mesma partida. Ataca e defende. Futebol “in natura”.

Tudo muito simples, natural, com leveza. Lembra o meia francês fazendo tudo parecer tão fácil. Como vencer o rival Barcelona no Bernabéu sem o suspenso Cristiano Ronaldo e colocando Casemiro, Isco e Bale no banco. Saindo do 4-3-1-2 para o 4-3-3/4-1-4-1 com Lucas Vázquez e Asensio nas pontas, Kovacic novamente perseguindo Messi e Modric voltando à equipe com todo seu repertório, agora vestindo a camisa dez e alinhado a um Toni Kroos mais conectado. Muita mobilidade das peças.

Início avassalador afogando os cinco defensores adversários na saída de bola, dominando o meio-campo e a posse de bola, pela primeira vez no confronto direto desde 2008. Criando cinco boas chances e colocando duas nas redes: chutaço de Asensio (mais um!) e Benzema completando jogada de Marcelo. Um passeio, mesmo concedendo espaços ao Barça.

O time merengue impõe sua excelência, mas também deixa jogar em alguns momentos. Messi e Suárez acertaram as traves no segundo tempo em ritmo de treino. Muito mais a ver com a confiança sobrando em um lado e faltando demais no outro. O que só escancara o abismo entre os momentos dos gigantes da Espanha. Maior que os 5 a 1 no agregado que deram o título da Supercopa da Espanha.

O Real aposta na manutenção do elenco e do trabalho, investindo na base, no melhor aproveitamento das peças do elenco. Mesmo perdendo Danilo, Pepe, James Rodríguez e Morata. Sem pressa e escolhendo bem antes de buscar reposição. Dar minutos a Theo Hernández e Dani Ceballos. Seguir com a gestão do elenco de forma serena, com a confiança de jovens e veteranos.

Tudo tão descomplicado em contraste com os desencontros do lado blaugrana. O drama de um conflito entre seu estilo e a capacidade de competir. De La Masia vendida para o mundo como fábrica de talentos, mas indo ao mercado buscar qualidade duvidosa em comparação com a excelência dos melhores momentos.

O Real Madrid aprendeu a lição e lidera uma nova era no esporte. Time inteligente, que ataca e defende com talento, precisão técnica e mente tranquila para tomar as melhores decisões. Ganhar sete títulos em praticamente duas temporadas, considerando que a atual está só no início e o treinador assumiu no meio da 2015/2016.

Tudo tão fácil como um passe de Zidane.


No Barcelona, Paulinho vai correr e infiltrar para Messi pensar o jogo
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André Rocha

Foto: Getty Images

Sejamos francos: o Barcelona não competiu na última temporada. Só tornou a disputa no Espanhol minimamente equilibrada quando deixou a Liga dos Campeões. Reduziu a vantagem do Real Madrid para três pontos porque no confronto direto no Bernabéu o rival, com um homem a menos, resolveu se mandar para o ataque e deu espaços para Messi matar o clássico num contragolpe.

Na Liga dos Campeões seria eliminado nas oitavas de final pelo PSG não fossem a arbitragem catastrófica e a magia de Neymar nos minutos finais dos 6 a 1 ofuscando um revés fora por 4 a 0 que mascararam as deficiências da equipe. Algo que a Juventus na fase seguinte voltou a escancarar para o mundo com uma classificação relativamente tranquila, sem sofrer gols.

A rigor, o time catalão hoje simboliza um futebol bonito, cultuado no mundo todo e atração turística da cidade. Mas que nos grandes jogos, quando o adversário reduz os espaços, é um time sem grandes ideias, com um estilo já mapeado e bloqueado pelos rivais mais poderosos e que dependia fundamentalmente do talento de seu trio de atacantes sul-americanos.

MSN que perdeu o “N” e que busca no mercado com urgência um substituto – Dembelé do Borussia Dortmund e/ou Philippe Coutinho. Mas repor Neymar com um ponteiro ou meia rápido e habilidoso não basta. Porque Messi parece cada vez mais desconectado deste futebol atual de intensidade e ataque de espaços. Como um “último romântico”.

Repare no argentino em campo. Trota vagarosamente, às vezes caminha sem a bola. Quando esta chega a retém com sua técnica ímpar e define: toca ou parte, quase sempre da meia direita na direção da área adversária. Só acelera com a posse para buscar a jogada individual até a finalização ou servir um companheiro.

Mesmo com seu talento extraordinário na arte de concluir ou preparar que o premiou na temporada passada com a Chuteira de Ouro pelos 37 gols no Espanhol (54 no total) e mais 16 passes para gols, não tem bastado nas partidas decisivas. Porque já sabem qual o espaço a bloquear. Diante do muro, Messi tenta e bate na parede ou desiste e só toca de lado ou busca o passe em profundidade.

Na temporada 2016/2017 ele praticamente só teve a opção de Suárez neste tipo de jogada. Porque Neymar estava muito aberto pela esquerda para buscar a linha de fundo, Rakitic oscilou muito, Iniesta já está na reta final da carreira e André Gomes muito raramente se apresentou como uma alternativa segura.

É aí que entra Paulinho. Opção questionável por já estar com 29 anos, a mesma idade de Rakitic, vir da China e ter como única experiência na Europa um “flop” gigantesco no Tottenham. O valor de cerca de 40 milhões de euros na negociação, a quarta maior da história do Barça, também soa um exagero, mesmo que os 222 milhões de euros recebidos pela venda de Neymar inflacione naturalmente o mercado do clube.

Se o Barcelona queria o italiano Marco Verratti do PSG e perdeu Neymar, que antes de sair pediu a contratação do colega de seleção brasileira, qual a razão do interesse?

Exatamente porque Paulinho mostrou no Brasil de Tite que, num trio de meio-campistas como o Barça gosta de atuar, pode ser marcador e também ofensivo. O volante que ajudou Fernandinho, já com cartão amarelo, a parar Messi no Mineirão e o meia infiltrador que foi o primeiro a marcar três gols no Uruguai em Montevidéu.

Os 25 gols pelo Guangzhou Evergrande chamam mais atenção que as cinco assistências em 95 jogos. Apesar da filosofia de valorização da posse de bola, não foi o passe de Paulinho que atraiu a atenção de seu novo clube, mas a dinâmica.

Por isso a declaração do treinador Ernesto Valverde: “Não existe outro jogador como ele na equipe. Pode nos dar versatilidade”. Sinal de que o Barcelona quer seguir a onda do futebol mundial, liderada pelo Real Madrid, de ter jogadores capazes de alternar os ritmos e as propostas de jogo conforme a necessidade.

Diante de adversários bem compactos, Paulinho pode ser o meia a furar a defesa com vigor físico para receber o passe de Messi, que infiltra cada vez menos e quando o faz está bem vigiado por rivais concentrados em parar o camisa dez genial.

E como este participa cada vez menos na recomposição e até na pressão assim que a bola é perdida, há um jogador incansável para correr por quem precisar. Que ainda tem estatura para colaborar nas jogadas aéreas, na defesa e no ataque.

O Barcelona podia ter investido no marfinense Jean Seri, do Nice. O “Xavi africano” segundo o próprio meia catalão. Ou apostado em Carles Aleñá, joia de La Masia que tem a filosofia de jogo no sangue, como o titular para preservar Iniesta como fez com Xavi em sua última temporada no clube.

Preferiu pagar caro por Paulinho, que pode ser titular ou reposição de Rakitic. Ou mesmo fazer do croata um meia mais organizador. Se há muitas incertezas neste negócio uma coisa é certa: o brasileiro tem saúde para correr, defender, atacar e infiltrar enquanto Messi pensa o jogo do novo Barcelona.


Real Madrid é o melhor time do mundo. Vence Barcelona e “apito caseiro”
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André Rocha

Zidane não tinha Modric, suspenso. Mesmo assim, deixou Cristiano Ronaldo no banco seguindo à risca a programação pensando em toda a temporada. Era um superclássico pela Supercopa da Espanha no Camp Nou.

Mas a confiança do Real Madrid é tão alta, a sintonia entre atletas e o treinador tão fina que o desempenho não cai. Ainda que Zidane tenha optado por uma solução defensiva pouco convencional: Kovacic seguindo Messi por todo o campo. Ou melhor, na faixa cada vez mais limitada de atuação do argentino: em quase todos os lances, partindo da meia direita para o centro conduzindo a bola ou soltando de primeira. Por isso funcionou na maior parte do tempo, embora tenha extenuado o croata.

Se na terça-feira o time merengue jogou confortavelmente e se impôs com posse de bola e ocupando o campo de ataque, o rendimento atuando fechado e saindo em velocidade não caiu. Porque o Real Madrid é uma equipe completa, versátil, inteligente. O melhor time do mundo.

Rapidamente percebeu que o lado direito com Carvajal era para se defender contra Jordi Alba e Iniesta, nem tanto Deloufeu, o substituto de Neymar. Já o esquerdo foi aproveitado para atacar com Marcelo, Isco e Benzema, especialmente na segunda etapa, pelos espaços deixados por Vidal e a lenta cobertura de Piqué.

Personagem do jogo pelo gol contra completando cruzamento de Marcelo. Depois foi vencido por Cristiano Ronaldo e Asensio nos gols que fecharam os 3 a 1.

Sim, Cristiano Ronaldo entrou aos 13 do segundo tempo na vaga de Benzema e, mais que nunca, foi objetivo e letal. Foi às redes em gol anulado por impedimento duvidoso, já que Vidal parecia dar condições. Questão de centímetros. Depois em contragolpe de manual finalizado de forma primorosa, no ângulo de Ter Stegen.

No final, chutaço de Asensio, que entrou no lugar de Kovacic. Substituição corajosa de Zidane, que manteve a capacidade de fazer as transições ofensivas sem perder a compactação em duas linhas. O Real jogou fácil e podia ter goleado.

Mesmo sofrendo naturalmente diante de uma equipe entrosada, em seu estádio e ainda com ataque poderoso. Mas que, a rigor, mesmo com o incrível gol perdido por Sergio Busquets e outras oportunidades, só foi às redes num pênalti absurdamente mal marcado. Keylor Navas disputa com Suárez num contato natural e o uruguaio se atira ao perceber que não chegará na bola.

Messi cobrou e empatou. Houve uma pressão logo na sequência, mas o Real se organizou, voltou a ficar em vantagem e ampliou mesmo com um homem a menos. Outra decisão bizarra do árbitro Ricardo Bengoetxea ao mostrar o segundo cartão amarelo para Cristiano Ronaldo por uma simulação de pênalti – já havia recebido o primeiro ao tirar a camisa na comemoração. Não houve a falta, nem o atacante se atirou. Lance normal. Só não justifica o empurrão do atacante no apitador, por mais bizarra que tenha sido a atuação deste.

Ainda assim, os 3 a 1 confirmam o momento fantástico da equipe de Zidane e encaminham mais um título, que deve ser celebrado no Santiago Bernabéu. Independentemente da formação, do desenho tático e da proposta de jogo, ninguém está jogando mais que o Real Madrid no planeta.

Fica claro que o Barcelona de Ernesto Valverde vai precisar ir ao mercado e contar com mais desempenho de Messi para voltar a equilibrar as forças. Nem com a ajuda dos erros do “apito caseiro” conseguiu igualar a disputa.


Neymar no PSG: a tática e os desafios da maior contratação da história
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André Rocha

Neymar não vale 222 milhões de euros. Ninguém vale, como bem disse Zinedine Zidane, que já foi a maior contratação da história. Tempos de um mercado menos insano. Mas o Barcelona estipulou este valor astronômico de multa rescisória para se proteger e o Paris Saint-Germain pagou para ver.

E quer ver um craque para mudar de patamar, dentro e fora do campo. Fazendo gols e vendendo imagem. Camisas, produtos. Tudo. Comprando a briga de transformar o time francês definitivamente numa potência europeia.

Para isso o clube já sinaliza que o time montado pelo espanhol Unai Emery jogará em função de seu astro maior. O novo camisa dez partindo do lado esquerdo, fazendo dupla com o jovem lateral espanhol Yuri Berchiche, contratado à Real Sociedad. Com liberdade, porém, para circular por todo o ataque. Servindo os companheiros, mas também finalizando. Sem o sacrifício de defender e ser mais assistente de Messi e Suárez.

Com o desenho tático podendo variar entre o 4-3-3, o 4-2-3-1 e até o 4-4-2. Opções não faltam, como Matuidi, Draxler, Di María e Lucas Moura para se juntar ao brasileiro e Edison Cavani, o artilheiro da equipe na última temporada com 49 gols em 50 jogos. Mas, se preciso, até o uruguaio pode ajudar na recomposição e dar liberdade a Neymar, que funciona até como um atacante mais móvel, solto na frente.

Sair um pouco do lado esquerdo pode torná-lo ainda mais imprevisível, sem o vício de cortar da esquerda para dentro com o pé direito. Algo que pode, inclusive, ser útil para fazer Tite pensar em alternativas e tornar a seleção brasileira menos presa ao 4-1-4-1 que vem funcionando nas Eliminatórias. Assim como fez no Real Madrid com Cristiano Ronaldo, Di María pode ser o meia que compõe o setor esquerdo e permite que o ponteiro seja ainda mais atacante e decisivo.

Uma das muitas possibilidades de Unai Emery na montagem do PSG com Neymar: 4-3-3 que pode variar para o 4-4-2 com Neymar se juntando a Cavani na frente e Di María repetindo o que fez com Cristiano Ronaldo no Real Madrid: compondo o lado esquerdo para deixar o brasileiro com liberdade total (Tactical Pad).

A equipe francesa pode alternar também os ritmos, cadenciando com Verratti ou acelerando com Neymar. Com tantos jogadores versáteis e de movimentação, é possível criar ações de ataque que surpreendam na inversão de lado e encontrem Daniel Alves com liberdade pela direita para buscar a linha de fundo ou mesmo finalizar. É outro trunfo de Emery, além da experiência e do currículo vitorioso do lateral brasileiro.

O primeiro desafio é recuperar a hegemonia na França, ainda que o campeão Monaco, pelo menos até agora, não tenha perdido Fabinho e Mbappé na carona das saídas de Bernardo e Mendy para o Manchester City, Bakayoko para o Chelsea. o treinador português Leonardo Jardim ainda ganhou o meia belga Tielemans e o zagueiro holandês Kongolo. Com lucro superior a 100 milhões de euros nas transferências, talvez não precise perder mais ninguém nesta janela.

De qualquer forma, Jardim não contará com um de seus maiores aliados na última temporada: o fator surpresa. Já entra na Ligue 1 como o time a ser batido. Também ganha concorrentes além do surpreendente Nice de Mario Balotelli, terceiro colocado na última edição. O Lille de Marcelo Bielsa pode incomodar, mesmo com a “loucura” do argentino exaurindo as forças físicas e mentais do elenco no final da temporada e jogando fora qualquer chance de disputar efetivamente o título.

Claudio Ranieri, veterano italiano que comandou o Leicester City no seu conto de fada inglês, chega ao Nantes. O Olympique de Marseille renovou com Rudi Garcia, o Saint-Etienne foi atrás do espanhol Oscar García, ex-Red Bull Salzburg, para tentar recuperar o protagonismo perdido na história como o mais vencedor do país. O Lyon negociou o artilheiro Lacazette ao Arsenal e contratou Bertrand Traoré ao Chelsea. Deve pleitear no máximo uma vaga na Liga Europa.

Equipes para tentar equilibrar no aspecto tático uma disputa que tende a ser novamente desigual a favor do PSG no talento. Mesmo que a prioridade seja a Liga dos Campeões. Ou obsessão. Para desbancar o domínio do Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo. Além do atual bicampeão, a Europa apresenta ainda Bayern de Munique e Barcelona, mesmo com o baque da perda de uma peça do seu tridente sul-americano espetacular e sem muita margem para gastar o muito que recebeu, à frente no protagonismo.

Antes desta trinca de campeões das últimas quatro temporadas, ainda há fortes concorrentes, como Juventus e Atlético de Madri, os vice-campeões. Além de Chelsea e o Manchester United que retornam à Champions e o promissor Manchester City de Pep Guardiola. Disputa dura que a presença de Neymar torna mais acessível, porém não menos cruel. Ainda mais num torneio eliminatório guiado por sorteio. O cruzamento prematuro com um favorito, uma noite ruim e o sonho pode ruir.

Neymar chega a Paris para se unir a Daniel Alves e tornar o ambiente mais positivo e confiante. Mudar de tamanho para não se apequenar como na traumática eliminação para o Barcelona. Arbitragem à parte, foi a noite em que o PSG viu o craque brasileiro suplantar Messi, o gênio de uma era, e construir o que parecia impossível.

O protagonista e candidato a Bola de Ouro, a maior contratação da história do esporte que eles querem escrevendo capítulos inéditos, os mais vencedores de um clube com menos de meio século que ousa desafiar com seus milhões de euros os gigantes do futebol mundial.

 


Messi, Suárez, Neymar. O melhor ataque que vi e não verei mais
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André Rocha

Mais que os incríveis 364 gols, 211 assistências e nove títulos em três temporadas pelo Barcelona, o maior legado do trio formado por Messi, Suárez e Neymar é a mágica que o futebol de vez em quando é capaz de proporciona ao quase que instantaneamente combinar características e criar uma sintonia entre atletas e personalidades tão diferentes e gerar algo tão próximo da perfeição.

Também influenciou todo o futebol mundial, que, mesmo sabendo que não conseguiria reunir tanto talento, procurou repetir a “fórmula”: o ponta articulador que sai do flanco para circular às costas dos volantes adversários (Messi), o centroavante móvel que roda todo o ataque e procura o espaço deixado exatamente pela movimentação deste ponteiro que arma (Suárez) e o outro atacante, mais agudo, que dispara em diagonal do lado oposto para finalizar ou assistir seus companheiros.

Argentino, uruguaio e brasileiro. Um mais discreto, porém genial. Outro mais explosivo e guerreiro, o terceiro mais midiático e artistico. O tridente sul-americano do Barça foi o melhor que vi em ação em mais de três décadas amando o futebol. Considerando também os que estudei neste período com os vídeos disponíveis hoje, ainda que na época não houvesse transmissão dos jogos para o Brasil em TV aberta.

Tão impactante que tornou o Barcelona dependente demais na última temporada, sacrificou Neymar para equilibrar a equipe coletivamente e fez o mundo estudar formas de pará-lo – a Juventus foi a mais bem sucedida nas quartas de final da Liga dos Campeões. Ainda assim, chegaram aos 111 gols e 66 passes que terminaram com a bola na rede.

Neymar vai para o PSG e certamente deixará um rastro de mágoa e ódio na Catalunha. É provável que se e quando voltar como adversário seja vaiado e perseguido. Infelizmente faz parte do contexto, ele não será o primeiro nem o último e, do jeito que o mercado anda louco, na próxima janela alguém supere essa marca absurda de 222 milhões de euros e torne esta negociação apenas mais uma.

Seja como for, o trio Messi-Suárez-Neymar já virou lenda. Mesmo sem construir uma dinastia no Barcelona que parecia bem palpável depois da tríplice coroa em 2014/15. Ainda assim fazendo história. Uma das mais belas e ricas. O melhor ataque que este blogueiro viu jogar. E não verá mais.


LIberdade e protagonismo: as ofertas do Barça em campo para seduzir Neymar
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André Rocha

Na vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United no FedEx Field, o Barcelona marcou seu terceiro gol pela Champions Cup. O terceiro de Neymar, o grande destaque do primeiro tempo com as equipes utilizando os titulares e colocando intensidade máxima, mesmo num torneio de pré-temporada. Exatamente por saber que no segundo tempo os reservas seriam utilizados.

Ao menos pelo novo comandante blaugrana, Ernesto Valverde. José Mourinho, sempre atento ao resultado, mexeu menos para buscar a virada e viu os titulares mantidos em campo sofrerem com o desgaste natural em um início de trabalho. Os Red Devils ameaçaram pouco a meta do goleiro Jasper Cillessen.

Assim como nos 2 a 1 sobre a Juventus, o que ficou claro em campo é que Neymar ganhou mais liberdade para circular por todo ataque, embora parta quase sempre do lado esquerdo. O trabalho defensivo também está mais brando, sem voltar tanto na recomposição. A linha de três no meio teve o jovem Carles Aleñá, produto de La Masia, correndo bastante para articular no meio e auxiliar o lateral Jordi Alba.

Com isso, Messi funciona mais como armador. Ou o antigo “ponta-de-lança”, atuando na área que domina: da meia direita carregando a bola em diagonal para passar ou finalizar. Suárez girou na frente abrindo espaços e o trio está menos previsível. A equipe, porém depende mais deles, já que todos trabalham para que os atacantes sul-americanos fiquem mais soltos.

Solução que cria incoerências, como o lateral português Nelson Semedo, contratado para suceder Daniel Alves exatamente por sua força no apoio, guardar mais sua posição pela direita e praticamente não descer, mesmo com o corredor cedido por Messi. Rakitic aproveitou mais o espaço, mas nem tanto. Exatamente pelas maiores atribuições defensivas.

De qualquer forma, a impressão que fica é que o Barcelona, ou talvez apenas o grupo de jogadores, tenha encontrado uma forma de seduzir Neymar a ficar, mesmo com a sombra de Messi, inclusive na hierarquia midiática, os problemas com a justiça espanhola e a resistência do clube em aumentar seu salário: liberdade e protagonismo.

Não mais o ponteiro do tridente a se sacrificar taticamente, mas um membro do melhor ataque do mundo em potencial com os mesmos direitos de visibilidade. Também de ir às redes e aproveitar a sua sanha de goleador que andava um tanto ofuscada pela missão de ser mais assistente que finalizador.

Como na lógica dos boleiros tudo se resolve no campo, o plano pode funcionar e Neymar seguir na Catalunha.

Neymar no PSG? Veja detalhes da negociação


Como o destino de Neymar pode interferir no futuro da seleção brasileira
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André Rocha

O colega Marcelo Bechler garimpou a notícia no Esporte Interativo e o mundo todo foi atrás: Neymar estaria seguindo o caminho de Daniel Alves rumo a Paris para jogar no PSG. E de fato há interesse de ambas as partes no negócio milionário, mesmo com o risco de esbarrar no fair play financeiro da UEFA.

A reapresentação no Barcelona para a pré-temporada nos Estados Unidos, porém, parece estar fazendo o craque repensar a decisão de deixar o clube catalão. Piqué, Messi e Suárez seriam os mais dedicados a convencer o companheiro a continuar onde está. Há portanto um dilema que deve ter mais um capítulo hoje com uma entrevista coletiva agendada pelos franceses.

Além da ótima proposta financeira, a impressão é de que Neymar busca um time para chamar de seu, fugindo da hierarquia que coloca Messi acima de todos os outros – inclusive na história do Barcelona. Com a renovação do contrato do argentino até 2021, as perspectivas de protagonismo até os 30 anos do camisa onze seriam remotas.

Por outro lado, Neymar já está adaptado à cidade e à maneira de jogar do Barça. Mesmo com a troca de Luis Enrique por Ernesto Valverde no comando técnico, a filosofia tende a continuar a mesma. Mais uma temporada do trio MSN deve afinar ainda mais a sintonia, com os atacantes sul-americanos jogando “de memória”.

Uma decisão para o craque, seu pai e staff. A grande questão para o torcedor brasileiro é como o destino da grande estrela da seleção brasileira pode interferir no trabalho de Tite pensando no Mundial da Rússia no ano que vem.

Bem, se Neymar seguir no Barcelona, o treinador receberá um atleta ainda mais consciente taticamente e no jogo coletivo. Para dar liberdade a Messi circulando por todo o ataque e se aproximando de Suárez, Neymar é praticamente um “winger” pela esquerda, fechando uma segunda linha de quatro quando a equipe perde a bola. Preenche praticamente todo o corredor esquerdo, indo e voltando. Mais assistente que finalizador.

Tite dá um pouco mais de liberdade, mas quer Neymar partindo deste setor. Recompondo na transição defensiva e arrancando para infiltrar em diagonal nas ações de ataque. O perigo é recebê-lo extenuado por uma temporada em que o Barça vai tentar arrancar do Real Madrid a hegemonia na Europa e recuperá-la na Espanha. Uma exigência brutal no físico e no mental.

Já a França é um mistério que pode ser inspirador pela mudança de ares. No PSG de Unai Emery, a possibilidade de atuar em uma equipe com estilo mais vertical e intenso. Pode também ganhar mais liberdade para circular no ataque, fazendo companhia a Cavani ou mesmo revezando com o uruguaio que é extremamente dedicado e tem condições de também recompor pela esquerda.

Se mentalmente a primeira temporada num novo clube com status de estrela será exigente para mudar o patamar, especialmente na Liga dos Campeões, e recuperar o domínio na França depois de perder o título para o Monaco, em termos físicos o desgaste certamente será menor. A diferença do PSG em relação aos demais na League 1 – talvez até ao atual campeão, que perdeu muitas peças fundamentais na janela de transferência – vai permitir ser poupado nas partidas que precisar.

Tite, então, receberia Neymar mais inteiro para voar na Copa do Mundo. Se não conseguir o enorme feito de dar o título da Champions ao Paris Saint-Germain já na sua primeira temporada, a chance mais clara a curto prazo de conquistar a sonhada Bola de Ouro é o Mundial da Rússia.

Uma mudança tática também pode fazer Tite flexibilizar um pouco a sua forte convicção, construída em conversas com Dorival Júnior, Muricy Ramalho, Adilson Baptista e Rogério Micale, de que o melhor posicionamento para Neymar é pela esquerda num 4-1-4-1. Testar novas possibilidades, até para dificultar e surpreender os adversários que estudarão detalhadamente o Brasil até o ano que vem, é mais que saudável. É necessário.

Mas não podemos descartar o pior cenário: problemas de adaptação, mesmo com tantos brasileiros no elenco, desavenças com o treinador ou qualquer outro obstáculo ao protagonismo de Neymar na França. Aí Tite teria que fazer da seleção o refúgio de um talento questionado, pressionado e com o desgaste emocional que afeta o desempenho de qualquer profissional, em qualquer atividade.

Por isso o treinador brasileiro estará muito atento aos movimentos em Paris e Barcelona. O futuro de Neymar é uma variável importante para sinalizar como será o escrete canarinho na disputa de sua 21ª Copa do Mundo.


Nova Argentina de Sampaoli, um ótimo teste. Resultado é o que menos importa
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André Rocha

Tite tinha dois problemas para o clássico sul-americano em Melbourne: a formação sem muito entrosamento em função da busca por novos testes e observações. Principalmente, a falta de parâmetros consistentes de observação para imaginar como viria a Argentina, agora comandada por Jorge Sampaoli.

E a albiceleste chegou bem diferente. Não só no sistema tático – um 3-4-3 com Di María bem espetado à esquerda e Messi e Dybala mais próximos de Higuaín – mas também na dinâmica, nos comportamentos, nas ideias de jogo.

O resultado foi uma disputa com altíssima intensidade: pressão sobre quem estava com a bola e muitos deslocamentos. Menos Messi, mantendo seu estilo de trotar em campo e só acelerar com a bola ou na possibilidade de recebê-la. Prejudica coletivamente, mas tem a peça capaz de desequilibrar.

O 3-4-3 de Sampaoli com intensidade e velocidade pela esquerda com Di María, mas ainda precisando aproveitar o melhor de Messi e Dybala e ajustar o posicionamento defensivo. Brasil com muitas mudanças, mas mantendo o 4-1-4-1 que se manteve competitivo, apesar do desempenho abaixo da média de Philippe Coutinho no primeiro tempo aberto à direita (Tactical Pad).

Até as muitas substituições – necessárias para fazer experiências, mas que descaracterizam o jogo em si – a partida foi equilibrada. A Argentina tinha Di María levando vantagem seguidamente sobre Fagner, que destoou e ainda tentou cavar pênalti de forma grotesca. O Brasil sempre rendia mais ofensivamente quando acelerava o passe e aproveitava um “ponto cego” das equipes de Sampaoli: os espaços entre os zagueiros abertos e os alas.

Philippe Coutinho teve duas boas oportunidades, mas novamente não se sentiu confortável pelo lado direito na execução do 4-1-4-1. Por isso a inversão com Willian na segunda etapa. Tite manteve a ideia de manter Renato Augusto mais recuado, defendendo e organizando, e Paulinho chegando mais à frente. A melhor chance, porém, foi no passe longo de Fernandinho e os chutes nas traves de Gabriel Jesus e Willian.

O amistoso foi decidido na bola parada, com Mercado. Mais uma arma dessa Argentina de Sampaoli que tende a crescer. Basta encaixar melhor Messi e Dybala na proposta de jogo. Questão de tempo.

Tempo também ótimo para Tite. Sem foco em resultados, até porque em um passado recente alimentou-se uma ilusão pelas vitórias em partidas sem valer três pontos. Importante foi observar a seleção se mantendo competitiva em alto nível, mesmo sem toda a defesa titular, Casemiro e Neymar. Thiago Silva teve boa atuação e Gabriel Jesus, mesmo apanhando bastante, retornou mantendo o nível de desempenho.

A perda da invencibilidade e dos 100% de aproveitamento é uma questão menor. O teste foi ótimo! Que contra a Austrália o treinador fique mais à vontade, sem a rivalidade continental para exigir um cuidado mínimo. Se a Argentina não tem margem de erro, o Brasil construiu um cenário para já pensar na Rússia.