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Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Um chocolate em Paris. Jogo coletivo do PSG engole os talentos do Barça
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André Rocha

O desenho do passeio do PSG: intensidade e mobilidade da equipe francesa, com destaque para os ponteiros Di María e Draxler e a inércia de um Barcelona fragilizado coletivamente e que só teve Neymar mais ativo (Tactical Pad).

Você leu antes AQUI que o Barcelona estava previsível, com as ações ofensivas e os mecanismos de saída de bola mapeados pelos adversários e muito dependente dos lampejos do fantástico trio MSN.

Sem Daniel Alves, negociado, e agora Mascherano, além da fase inconstante de Rakitic, o cenário ficou ainda mais complicado. Messi, Suárez e Neymar foram resolvendo ou descomplicando. Os dois primeiros com gols, o brasileiro com assistências e sacrifício tático pela esquerda.

Funcionou até encontrar no Parc des Princes um time também com qualidade individual, mesmo sem Thiago Silva, mas com organização, intensidade, alma e coragem para se impor. O Paris Saint-Germain de Unai Emery não sobra na liga francesa como nos últimos anos. Nem é o líder, está atrás do Monaco.

Mas diante de um oponente fragilizado simplesmente atropelou, com Verratti como “regista” distribuindo o jogo e Rabiot se juntando a Di María, Matuidi, Draxler e Cavani. Movimentação, jogo entre linhas e inteligência para explorar os muitos espaços cedidos por um rival zonzo. Sem a bola, pressão e posicionamento perfeito, impedindo que a bola chegasse aos três desequilibrantes. Só Neymar tentou algo pela esquerda.

Di María sobrou com dois golaços – cobrança de falta precisa no primeiro tempo. O segundo num gol à la Barcelona. Mesmo pressionado, trocou passes desde a própria área até encontrar o argentino entrando da direita para dentro e terminar com outra bela finalização.

Também pela direita, Draxler apareceu para receber de Verratti e fazer o segundo. Faltava o de Cavani e saiu depois de uma sequência de erros do Barça na saída para o ataque e contragolpes perigosos até o uruguaio colocar nas redes e, com 4 a 0, igualar o placar do passeio do Bayern de Munique comandado por Jupp Heynckes na Allianz Arena em 2013.

A diferença em relação aos outros duelos recentes entre as equipes? O jogo coletivo que engoliu os talentos. O PSG antes jogva mais em função da estrela Ibrahimovic, o time catalão trabalhava para fazer a bola chegar aos talentos para resolver no último terço. O que não se viu na França e foi minando a confiança e a força da equipe dominante nesta década.

Gigante que terá que se superar como nunca para reverter uma desvantagem que parece definitiva e historicamente nunca foi revertida em mata-mata. Muito pelo demérito do Barcelona e mais ainda pela atuação irretocável da equipe de Unai Emery.

Foram 16 finalizações contra apenas seis, dez a um no alvo. Mesmo com apenas 43% de posse. Eficiência com beleza. Um chocolate em Paris.

(Estatísticas: UEFA)


Neymar não vive má fase, só mudou de função no Barcelona
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André Rocha

Neymar marcou 41 gols em 52 partidas pelo Barcelona na temporada 2014/15. Talvez a melhor da carreira, com tríplice coroa e artilharia da Liga dos Campeões. Apenas oito assistências.

Na última o número de gols caiu para 31 em 50 jogos, mas o de assistências quase triplicou: 21 passes para gols. Agora são apenas nove bolas nas redes adversárias, cinco na liga espanhola, porém o número de assistências já chegou a 15, sete no campeonato nacional.

Queda de rendimento? Se compararmos com o de dois anos atrás, sem dúvida. Com Luis Enrique no comando técnico, encontrou o melhor posicionamento em campo, o trio MSN era uma novidade que assombrou o mundo empilhando gols e os sul-americanos se entendendo rapidamente com incrível sintonia.

O cenário atual é bem mais complexo. O Barça, com a base mantida, tem praticamente todas as ações ofensivas mapeadas pelos rivais. Rareou a jogada característica que proporcionava as finalizações de Neymar: arrancada em diagonal de Messi da direita para o centro, inversão para Neymar. Jordi Alba passava voando atraindo a marcação, Iniesta se aproximava como opção e o brasileiro cortava para dentro e concluía.

O lateral espanhol vem de lesão e agora disputa posição com o francês Lucas Digne, que não tem a mesma qualidade no apoio. Iniesta, que lhe servia tantos passes, é outro que não consegue ter sequência. Além disso, Messi agora joga centralizado em praticamente todos os jogos, formando uma dupla à frente com Suárez. Não por acaso os dois dispararam na artilharia do time catalão – 31 de Messi e 22 de Suárez, ambos empatados na artilharia do Espanhol com 16.

A força pela direita, com Daniel Alves e Rakitic se juntando ao gênio argentino para criar e Neymar tantas vezes completar do lado oposto, se perdeu também com a saída do lateral ainda sem reposição à altura e a queda de produção do meia croata.

Com tudo isso, Neymar se viu obrigado a se transformar num ponteiro típico. Quase um “winger” britânico, voltando com muito mais frequência para formar uma segunda linha de quatro com os três meio-campistas. Colaborando na organização de um sistema defensivo que vai mostrando mais solidez.

Na transição ofensiva, com os oponentes mais atentos à marcação, o craque brasileiro instintivamente se posiciona mais aberto para tentar alargar e depois desmontar o sistema defensivo na base da vitória pessoal em busca da linha de fundo. Não por acaso é o líder em dribles e o que mais sofre faltas na competição.

Ou seja, as circunstâncias obrigam Neymar a jogar mais para o time e menos para si. Prova de evolução tática e amadurecimento. Não vive má fase, só mudou de função. De atacante finalizador a ponteiro assistente. Ainda criativo, fundamental. Mas sem artilharia. O protagonismo fica para a seleção brasileira.

Aniversariante de ontem, talvez tenha pedido mais gols na celebração dos 25 anos. Para calar os críticos, continuar midiático em tempos de Gabriel Jesus na crista da onda e ter mais chances de brigar ao menos no top 3 dos melhores do mundo.

Mas certamente deve ter agradecido pela capacidade de adaptação em campo a um momento complicado do Barcelona que se recupera no Espanhol com os tropeços de Real Madrid e Sevilla, está com classificação encaminhada para mais uma final da Copa do Rei e se prepara para o mata-mata da Liga dos Campeões. Com um novo Neymar, decisivo nos dribles e passes.

(Estatísticas: Whoscored.com)


Cristiano Ronaldo é o craque do presente e referência para o futuro
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André Rocha

cristiano-ronaldo

Lionel Messi é um gênio atemporal e o grande jogador desta era, na visão deste que escreve. Um dos melhores da história. Como Maradona será sempre lembrado como o maior dos anos 1980 e 1990, ainda que Platini, Zico, Van Basten, Matthaus e outros tenham conquistado premiações individuais e títulos com seus times e seleções no período.

O maior mérito de Cristiano Ronaldo, consagrado o melhor de 2016 pela “France Football” e agora pela FIFA, é ter a exata noção de como rivalizar com o argentino: nos números e nos títulos de equipes. E na seleção, com a Eurocopa do ano passado agora separando os dois. Conquistando como zebra o que o outro não conseguiu na condição de favorito.

“Não foi justo, Messi marcou mais gols e deu mais assistências no ano”. Cristiano Ronaldo foi artilheiro da Liga dos Campeões, o torneio mais importante entre os clubes, com 16 gols. Só não foi o recorde por um gol para igualar…Cristiano Ronaldo, que marcou 17 em 2013/14.

“Só marca de pênalti e gol fácil”. Quanto o argentino daria de sua fortuna por uma conclusão na pequena área sem goleiro ou pela penalidade não desperdiçada na final da Copa América Centenário contra o Chile?

“Não foi decisivo nas finais de Champions e Eurocopa”. Sem os três contra o Wolfsburg pelos merengues e os dois, um de letra, mais uma assistência na primeira fase da Euro diante da Hungria no empate em 3 a 3 e nem haveria decisões para disputar.

O português é craque com estatísticas e momentos geniais a menos de um mês de completar 32 anos por saber amadurecer com inteligência. Trabalha obsessivamente para seguir como um espetacular atleta, mantendo um baixíssimo índice de gordura e alto desempenho. Mas, ao mesmo tempo, já procura os atalhos em campo.

O objetivo é estar inteiro, física e mentalmente, para ser decisivo. Cristiano Ronaldo hoje sabe o momento de estar na ponta e buscar a diagonal e a hora de se enfiar na área adversária como centroavante. Mas também pode fechar uma linha de meio num 4-1-4-1 pela esquerda e se entregar ao trabalho defensivo, como fez, por exemplo, nos 2 a 1 sobre o Barcelona na temporada passada.

O maior artilheiro da história do Real Madrid e da seleção portuguesa também sinaliza o caminho que está por vir. Com o jogo cada vez mais intenso em alto nível e o calendário inchado por FIFA e UEFA, o jogador precisa ser um superatleta para suportar a carga e também encontrar forças e fôlego para aprimorar os fundamentos sempre que possível sem o risco de exaurir os músculos. Profissionalismo absoluto.

Precisão técnica, o lema do futebol nos próximos anos. A marca desta máquina de gols, já uma lenda. Quatro vezes o melhor do mundo. Craque do presente e referência para o futuro.

 

 


Procura-se um time para Lionel Messi
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André Rocha

Lionel Messi tem 13 gols no Espanhol e dez na Champions League em 20 partidas – 14 pela liga nacional, seis no torneio continental. Em 2016 foi às redes 59 vezes e serviu 31 assistências em 61 jogos.

No empate com o Villareal com arbitragem polêmica que fez o Barcelona perder a segunda colocação para o Sevilla de Sampaoli, evitou uma derrota que podia ter sido trágica com uma fantástica cobrança de falta no final da partida.

Na Argentina, salvou a seleção no último jogo de 2016 com um golaço, também em cobrança de falta que está virando especialidade, e mais duas assistências nos 3 a 0 sobre a Colômbia que fez a albiceleste ao menos ficar na zona de classificação na repescagem das eliminatórias sul-americanas.

Messi viu Cristiano Ronaldo faturar a Bola de Ouro da “France Football” e provavelmente levar amanhã em Zurique também o prêmio da FIFA. Porque Real Madrid e Portugal conquistaram os títulos mais importantes da Europa na temporada. Equipes que nos momentos decisivos trabalharam coletivamente e não dependeram tanto de sua estrela maior.

Já Barça e Argentina precisam demais de seu camisa dez pela falta de uma proposta de jogo que não necessite tanto do brilho de seu craque. O time catalão porque está mais que previsível e o técnico Luis Enrique não encontra alternativas para variar as ações ofensivas e surpreender os rivais nos jogos mais complicados. Na seleção, o trabalho de Edgardo Bauza, ainda no início, sofre por falta de repertório.

Sem desempenho da equipe, Messi precisa buscar mais o jogo e partir com bola dominada para tentar a vitória pessoal ou usar sua visão de jogo privilegiada para colocar um companheiro na cara do gol. Agora adiciona as cobranças de falta em seus múltiplos recursos para desequilibrar. Ou igualar as forças entre times organizados e suas equipes, talentosas, mas capengas no jogo coletivo.

Eis o paradoxo de Messi: para recuperar o domínio dos prêmios individuais, o gênio argentino precisa de um time. Na acepção da palavra. Para potencializar seu enorme talento e não sobreviver por causa dele.


Messi e Cristiano Ronaldo: um deve um pouco ao outro o lugar na história
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André Rocha

Messi e CR7

Em 2013, o filme “Rush – No Limite da Emoção” relembrou a rivalidade de Niki Lauda e James Hunt na disputa do Mundial de Fórmula 1 de 1976, marcado pelo grave acidente que deformou o piloto austríaco com queimaduras.

Uma história romantizada, que carrega naturalmente nas tintas para se adaptar à narrativa do cinema. Lauda era o nerd arrogante e perfeccionista, Hunt o louco mergulhado no mito “sexo, drogas e velocidade”. Como a história do automobilismo criou o mito Senna, o arquétipo do bom moço em contraste com Piquet, Alain Prost e depois Michael Schumacher, com personalidades mais controversas e competitivas.

Como se alguém pudesse ser uma coisa só, um personagem “flat”, reto, sem desvios, dúvidas, contradições.

Tentam fazer o mesmo com a maior rivalidade entre dois craques na história do futebol. Cristiano Ronaldo, o vaidoso que exalta seus feitos, seus carros, suas modelos a tiracolo. Lionel Messi, o moço tímido e pacato, que quase não fala e não gosta de aparecer.

Como se o português não fosse um exemplo de profissionalismo e uma liderança positiva no Real Madrid e na seleção, além de protagonizar belas histórias de solidariedade e altruísmo, e o outrora discreto Messi não fosse capaz de aderir a um visual que misturava Neymar com Chuck Norris ou usar ternos “exóticos” nas premiações da FIFA ou criticar publicamente a desorganização da AFA.

A única verdade em todas essas rivalidades, tanto nas mais respeitosas quanto nas notoriamente agressivas, é o quanto o sucesso de um impacta no desempenho do outro.

Ou alguém duvida que a Bola de Ouro da “France Football” para Cristiano Ronaldo na mesma semana da conquista do título mundial de clubes com o Real Madrid com três gols do astro português não influiu na atuação antológica do camisa dez argentino do Barcelona nos 4 a 1 sobre o Espanyol, com direito a uma sequência mágica de dribles no segundo gol, marcado por Luís Suárez?

É assim desde 2008, quando Cristiano Ronaldo ganhou sua primeira Bola de Ouro ainda no Manchester United e Messi na sequência explodiu todo seu talento com a Era Guardiola no Barça. A ponto de fazer o português aceitar a proposta do Real Madrid para competir de mais perto, em mais competições e com toda a atenção do planeta.

Há oito anos eles alternam no posto de melhor da temporada. A ponto de atrair votos no piloto automático, até quando em uma temporada específica outros fossem superiores em desempenho e resultado – como Wesley Sneijder em 2010, por exemplo. Mas não há dúvidas de que são os melhores desta era e nunca houve uma disputa pelo olimpo tão marcante.

Nem com números tão absolutos. Goleadores máximos da história de seus clubes, quebram recordes seguidos e disputam gol a gol a artilharia do maior torneio de clubes do planeta, a Liga dos Campeões. Messi tem mais conquistas no Barcelona, mas agora Cristiano alcançou o feito que falta ao argentino: o título relevante pela seleção com a Eurocopa que Portugal venceu este ano.

Tudo para colocar ainda mais molho nesta disputa que provoca verdadeiras guerras nas redes sociais e muita discussão nas mesas de bar e nos programas de debate na mídia. Quem é melhor? Talvez Messi encante mais por ser uma espécie de mistura do melhor de Pelé e Maradona. A arte vertical, os dribles mágicos na direção do gol e o passe preciso e objetivo que coloca o companheiro na cara do gol.

Mas como questionar o melhor finalizador que o mundo já viu? Uma evolução de Romário que agora, atuando mais dentro da área adversária, aprimora as finalizações de todas as formas – pé direito, canhota, cabeça, chutes de média e longa distância, falta e pênalti. Incrível máquina de fazer gols que hoje se concentra em estar preparado física e mentalmente para decidir com o mínimo possível de toques.

Dois gênios que se alimentam da motivação de superar um ao outro. Eles se precisam. Difícil prever o que será de um quando o outro parar – o português é dois anos mais velho. Talvez enfim deem lugar a outro como protagonistas do futebol moderno. Por ora parece improvável, porque a distância é grande. Jogam em outra dimensão.

Desfrutemos, pois. Sem a necessidade humana de execrar um para exaltar o outro. Curtindo as qualidades e também os defeitos. Estimulando a competição sadia e a relação distante pelas personalidades distintas, mas cada vez mais cordial, ao menos em público. Como na foto que ilustra este post.

Elevaram a disputa a um nível inimaginável e, por isso, um deve um pouco ao outro o lugar na história do esporte. Como Lauda há 40 anos deve a Hunt o exemplo de obstinação ao voltar às pistas e competir logo após o acidente, mesmo com dores quase insuportáveis. Como Senna disse pouco antes de morrer que sentia falta do rival aposentado Prost e, de certa forma, fora tricampeão mundial por causa do francês.

Ser o melhor no que se faz deve vir de dentro. Mas quando lá fora existe uma referência para superar é difícil criar limites. Messi e Cristiano Ronaldo vão superando todos. Felizes somos nós que podemos acompanhar em tempo real uma das mais incríveis histórias do mais apaixonante dos esportes. Quem sabe nas telas dos cinemas quando bater a saudade da dupla nos campos?


Os extremismos no Brasil do Fla-Flu quando o assunto é Guardiola
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André Rocha

Guardiola_City_2016

No país em que quase sempre se avalia unicamente o resultado final, onde o segundo colocado é o “primeiro dos últimos”, fica bastante complicado elogiar algum profissional por ter colaborado com a evolução do futebol nos últimos anos. Ainda mais quando ele também conseguiu grandes resultados, o que “contamina” a análise.

Pep Guardiola já está na história. Não por ter reinventado o esporte, mas pela coragem de atualizar e combinar ideias de Cruyff, Van Gaal, Sacchi, Bielsa, La Volpe, Lillo e tantos outros logo em seu primeiro trabalho num grande clube. Com o sucesso imediato do Barcelona com modelo de jogo posicional, baseado na posse de bola e na marcação por pressão no campo de ataque, provocou os demais a encontrarem antídotos ou novas combinações que levaram o jogo a outro nível.

Mas por aqui a discussão costuma terminar em “ganhar ou perder”. E a valorização do treinador catalão mexe com alguns preconceitos. O raciocínio básico: como no esporte dos craques, em que o técnico só precisa distribuir as camisas e não atrapalhar, o treinador pode ter tanta visibilidade? E logo vindo da Espanha, que até outro dia não tinha nenhum título relevante.

Para piorar, a lenda urbana que Pep roubou as ideias da essência do nosso jogo. Porque na cabeça de muita gente ninguém pode se propor a praticar um futebol de troca de passes e ofensivo sem copiar o brasileiro. A velha arrogância que tanto trava o nosso progresso.

A ponto de distorcerem uma declaração diplomática depois da surra sobre o Santos no Mundial de 2011 –  um breve comentário sobre o Brasil a que seus pais e avós se referiam – e dizer que o Brasil é sua referência. Não é, nunca foi. Leia mais AQUI.

E aí quando Renato Gaúcho aparece dizendo que não precisa estudar e que treinar os times milionários da Europa é fácil há uma vibração incontida, inclusive de colegas jornalistas. Com todo respeito que todos merecem, é como se pensassem que eles também nada precisam aprender e podem seguir vendo e analisando o futebol com a lógica de 20 ou 30 anos atrás.

Não podem, ou ao menos não deveriam. E Guardiola é o “culpado”. Por isso o êxtase coletivo nas redes sociais a cada derrota ou má fase dos times do treinador.

Em resposta, os admiradores dos conceitos do técnico, diante de tanta perseguição de quem normalmente não entende o mínimo da evolução do jogo, construíram uma espécie de trincheira de defesa incondicional. Guardiola não erra, não fracassa. Criam uma aura de infalibilidade e transferem a responsabilidade para time, clube, imprensa. Menos quem toma as decisões em relação ao que se faz dentro de campo.

Para este que escreve, Guardiola é genial, o melhor treinador do mundo desde sua primeira temporada e tem enorme mérito por permanecer inquieto, aprendendo, se adaptando. Mas ele também se equivoca.

No Bayern, fracassou ao não vencer a Champions em três temporadas. É importante lembrar o contexto de sua contratação pelo time bávaro, em janeiro de 2013: derrotas doídas no torneio continental, inclusive uma final em casa para o Chelsea e perda da hegemonia na Alemanha para o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp.

Depois venceram tudo com Jupp Heynckes e o plano original, de mudar a ideia de futebol do clube para voltar a ser vencedor, teve que ser repensada. E aí vem outra crítica injusta: a de que é um “engenheiro de obra pronta”.

Como se o Barcelona que recebeu de Rijkaard em 2008 fosse uma máquina. Como se ele não tivesse defenestrado Ronaldinho e Deco do clube para proteger Messi. Como se o argentino não tivesse evoluído brutalmente sob seu comando, assim como Xavi, Iniesta, Daniel Alves e outros. O mesmo no Bayern com Robben, Douglas Costa, Xabi Alonso, Lahm…

A meta em Munique, porém, era conquistar o continente. Chegou às semifinais nas três edições e não caiu para times ordinários: o Real do trio BBC, o Barça de Messi, Suárez e Neymar, o Atlético de Madrid de Simeone. Venceu e sobrou na Bundesliga, influenciou e foi afetado pelo jeito alemão de pensar futebol. Cresceu, amadureceu. Mas saiu sem cumprir integralmente o projeto.

Agora no Manchester City pena para ajustar suas ideias ao ritmo e à intensidade da Premier League. Testa, experimenta, acerta e erra. Como foi infeliz no primeiro tempo da vitória por 2 a 1 sobre o Arsenal no Etihad Stadium. Optou de início por abrir Sané pela direita, fazer David Silva circular a partir da esquerda e enfiar Sterling como o atacante mais avançado.

O velocista inglês perdeu gol feito que podia ter empatado logo depois do tento de Walcott que abriu o placar. Os citizens ocuparam o campo de ataque e tiveram mais posse de bola. Faltou efetividade na frente e mais volume de jogo.

Depois de 45 minutos praticamente perdidos em termos de produção ofensiva, as mudanças óbvias: Sterling foi enviado à ponta direita, Sané trocou de lado e o centro da articulação ficou para De Bruyne, David Silva e a aproximação de Yaya Touré. O mais lógico.

O meio ganhou qualidade e os ponteiros espaços para explorar as diagonais. Uma de Sané, outra de Sterling após passe primoroso de Kevin De Bruyne. Dois gols e a virada. Todos cresceram com a nova distribuição em campo, três pontos fundamentais para não permitir que o Chelsea dispare tanto na ponta da tabela.

Guardiola experimentou sem sucesso e teve o mérito de corrigir a tempo. Assim como reconsiderou a utilização de um Yaya Touré recondicionado fisicamente e disposto a mostrar que ainda pode ser útil. Errou, corrigiu a rota. Simples assim.

Nem “puro marketing”, nem gênio da raça, uma santidade. Apenas um treinador. Humano, cheio de dúvidas como o próprio afirmou em entrevista recente. Que não tem seu valor condicionado apenas aos títulos.

Sem extremismos no Fla-Flu nosso de cada dia, até quando o assunto é o catalão Pep Guardiola.


A vitória que faltava, com a assinatura de Tite
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André Rocha

O trabalho de Edgardo Bauza na seleção albiceleste está no início e não é bom. Mas era natural que a Argentina dominasse o primeiro tempo com mais posse e volume de jogo. Pela necessidade do resultado e por conta do entrosamento de uma base que chegou a três finais seguidas.

Também pela tensão natural do Brasil de Tite em seu grande teste, no Mineirão dos 7 a 1. Mas um nervosismo sem dispersão. Concentrado na execução do 4-1-4-1, ciente do tamanho do clássico, de que sofreria, sem “oba oba”.

Dificuldade para compor o lado esquerdo e fechar o apoio de Zabaleta com Enzo Pérez e a flutuação de Messi. Marcelo muitas vezes ficou sozinho. Até Tite inverter Renato Augusto e Paulinho, que foi proteger o lateral esquerdo e também Fernandinho, pendurado por um cartão amarelo absurdo depois de uma disputa com Messi que até a falta é duvidosa.

O deslocamento de Renato para a direita criou uma solução decisiva: Coutinho saiu da ponta e procurou o setor que domina. Do lado oposto, recebeu de Neymar e partiu para a jogada característica: corte para dentro e um chute espetacular no ângulo de Romero.

Uma jogada com a marca de Tite. No Corinthians era Jadson, no Mineirão foi o craque do Liverpool. E diziam que a geração era fraca…

O talento descomplicou tudo, tirou o peso. A Argentina seguiu ofensiva e rondando a área. Nos primeiros 45 minutos, 53% de posse, seis finalizações contra quatro brasileiras. Superioridade até nos desarmes certos: nove a seis.

Mas o contragolpe com Neymar ficou preparado. Primeiro pela direita em jogada individual que parou na trave. Depois na linda assistência de Gabriel Jesus para o camisa dez infiltrar em diagonal e tirar de Romero com uma tranqüilidade impressionante.

Segunda etapa de cuidados contra o 4-2-4 com a entrada de Aguero no lugar de Pérez. Controle e atenção no posicionamento, com a colaboração da atmosfera no estádio. Até Paulinho perder gol feito e depois se redimir no terceiro.

A partir daí começou a festa, com dribles de Neymar, chances seguidas com futebol objetivo, as entradas de Firmino, Douglas Costa e Thiago Silva para provar que qualidade não falta. E  gritos seguidos em homenagem a Tite. Muito justos. Impressiona a rapidez com que uma seleção que treina tão pouco mudou modelo e padrão.

Fruto de um trabalho obsessivo de estudo, observação, análise, acompanhamento. De toda a comissão técnica, mas com um gestor exemplar. Na tática e na condução do grupo. É possível questionar uma ou outra decisão, mas o saldo até aqui vai além dos 100% de aproveitamento. Desempenho que leva ao resultado.

Liderança garantida, vaga na Copa da Rússia encaminhada e a vitória que faltava para mudar o espírito de vez. Triunfo com a assinatura de Adenor Leonardo Bacchi, o Tite.

(Estatísticas: Footstats)

 


Douglas Costa, Coutinho e Neymar. Tite, é possível juntar os talentos!
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André Rocha

No anúncio dos 24 convocados para os jogos contra Argentina e Peru pelas Eliminatórias, Tite já começou a tirar o peso do clássico no Mineirão, palco do eterno 7 a 1, diante da seleção de Messi. Até porque ele tem sua relevância e seu simbolismo, mas, a rigor, nada define mesmo. Ao menos para o Brasil.

Vale observar o desempenho em um jogo com características diferentes que pode consolidar uma etapa de preparação depois das quatro vitórias que mudaram o patamar da seleção.

É possível subir o nível tentando encaixar os mais talentosos, ainda que Tite tenha suas regras de meritocracia e sua lógica para dar oportunidades a quem pede passagem. E a última semana, além de trazer a boa notícia da chegada à terceira posição no ranking da FIFA ultrapassando a Bélgica e só ficando atrás de Argentina e Alemanha, sinaliza algumas coisas.

A primeira é que Douglas Costa está de volta ao Bayern de Munique e o segundo gol nos 2 a 0 sobre o Borussia Monchengladbach indica um caminho para a seleção: embora tenha atuado a maior parte do tempo pelo lado esquerdo, num momento de alternância com Robben apareceu à direita para finalizar com a destra e ir às redes.

Não é novidade para o ponteiro. No Shakhtar Donetsk e no próprio time bávaro com Guardiola ele chegou a atuar no setor, para trabalhar com o pé canhoto cortando para dentro. Mas como vem de seguidas lesões, a tendência é que não retorne diretamente como titular.

Philippe Coutinho e até Willian estão na frente na ponta direita do 4-1-4-1 que o técnico brasileiro prefere não alterar para consolidar os movimentos coletivos. No meio, Paulinho e Giuliano devem disputar a vaga no meio para iniciar o jogo no Mineirão. Por conta de uma provável disputa mais física é possível que o ex-corintiano hexacampeão na China com o Guangzhou Evergrande de Felipão saia jogando.

Mas na participação no programa “Bem, Amigos!”, Tite demonstrou que está atento à possibilidade de escalar Coutinho por dentro no linha de quatro meias. Como ele disse para Galvão Bueno e seus convidados, observou o meia no Liverpool jogando “na do Lallana”. Ou seja, substituindo o meio-campista inglês pelo centro e não jogando à esquerda como de costume.

Já que na seleção ele não pode atuar na função de Neymar e tem que se adaptar à outra, por que não no meio, algo mais conhecido que atuar como ponta direita, mesmo contando com a liberdade de circular na “função Jadson”?

Com a afirmação da maneira de jogar virá o segundo momento, da lapidação, do aprimoramento. E com ele uma velha discussão do futebol brasileiro: como encaixar os mais talentosos no time base?

Nos anos 1980 a questão era no meio-campo, com Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico. Nos 1990 no ataque, quando contávamos com Bebeto, Careca e Romário. Em 2006 o “quadrado mágico” na cabeça de muitos poderia virar quinteto: Robinho, Adriano, Kaká, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. Uma irresponsabilidade que Parreira nunca arriscou, até porque não era o seu perfil.

Agora é perfeitamente viável imaginar um quinteto ofensivo, à frente de Casemiro ou Fernandinho, com Douglas Costa pela direita, Renato Augusto como um dos meias centrais, porém voltando mais para buscar o jogo  e articular. Coutinho por dentro sendo mais vertical e incisivo, Neymar na ponta entrando em diagonal para se juntar a Gabriel Jesus. Ou Roberto Firmino, outro pedindo passagem no Liverpool.

O mesmo 4-1-4-1 que Tite vai consolidando na seleção, mas aproveitando os talentos: Douglas Costa pela direita e Philippe Coutinho pelo meio. Algo a ser pensado com carinho e testado (Tactical Pad).

O mesmo 4-1-4-1 que Tite vai consolidando na seleção, mas aproveitando os talentos: Douglas Costa pela direita e Philippe Coutinho pelo meio. Algo a ser pensado com carinho e testado (Tactical Pad).

Algo a ser trabalhado, testado. Pensado com carinho. Com o suporte do volante de bom passe e as ultrapassagens de Daniel Alves e Marcelo o volume de jogo seria sufocante para o oponente. Sem a bola, marcação adiantada e por pressão que todos sabem fazer ou a recomposição compactando as linhas. Com bom posicionamento não há necessidade de especialistas em desarmes.

Além disso, oferece uma alternativa tática sem mudar as peças também já mencionada pelo treinador: Neymar ganha liberdade como atacante e Coutinho abriria pela esquerda compondo uma segunda linha de quatro. Todos à vontade. O bom momento sempre traz junto a atenção e o estudo dos rivais. É preciso pensar em alternativas para surpreender e não ficar “manjado”. Evolução constante.

A variação tática para o 4-4-2 sem mexer nas peças. Basta soltar Neymar e abrir Coutinho à esquerda, onde fica mais confortável (Tactical Pad).

A variação tática para o 4-4-2 sem mexer nas peças. Basta soltar Neymar e abrir Coutinho à esquerda, onde fica mais confortável (Tactical Pad).

Contra a Argentina, Douglas Costa deve iniciar na reserva. Mas se Tite precisar poderá contar com mais um talento de uma geração antes pressionada e agora mais madura e com o comando certo para explodir e retomar o protagonismo da camisa cinco vezes campeã do mundo.


Guardiola arrisca, Messi não perdoa
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André Rocha

Quem contrata Pep Guardiola sabe ou precisa ter consciência que está levando para o seu clube um treinador genial, um arsenal de ideias que busca a vitória, mas não tem medo de correr riscos. Acerta muito, mas às vezes erra. Feio.

Obsessivo, certamente estuda mais que o habitual quando vai enfrentar o Barcelona. Ainda mais no Camp Nou, palco de tantas conquistas como jogador e na primeira experiência como técnico.

Com o Bayern na semifinal da Liga dos Campeões de 2014/2015, tentou criar superioridade numérica no meio, mesmo com a solução insana de deixar Messi, Suárez e Neymar no mano a mano com um trio de defensores. Mudou ainda no primeiro tempo, mas quando o time bávaro cansou de uma dura batalha técnica e tática, Messi decidiu deixando Boateng no chão e encaminhando os 3 a 0.

Nova visita, agora com o Manchester City e apenas quatro meses de trabalho. De novo a ideia foi ter superioridade numérica no meio e criar uma indefinição para Busquets. Por isso a escolha por Kevin De Bruyne como “falso nove”, Sterling e Nolito nas pontas. Kun Aguero no banco.

Barcelona com Mascherano na lateral direita, Umtiti na zaga e a formação clássica do meio para frente. Perdeu Jordi Alba ainda no primeiro tempo. Depois Piqué. Entraram Digne e Mathieu. Teve problemas com a marcação adiantada do time inglês, apesar dos 53% de posse de bola nos 45 minutos iniciais. O City finalizou sete vezes contra apenas três do time catalão.

Mas a retaguarda vacilou e Fernandinho escorregou na frente de Messi quando o gênio argentino entrou na área adversária no já conhecido movimento de diagonal da direita para dentro. E aí não tem perdão.

Assim como os deuses do futebol, no segundo jogo grande da temporada, mostraram novamente a Guardiola que a opção por Bravo que mandou Joe Hart para o Torino, segundo a versão oficial, apenas pela qualidade na saída de bola vai cobrar seu preço. A expulsão do goleiro após um erro banal de passe e mão na bola em disputa com Suárez desmontou o plano de jogo.

Com espaços à vontade, Messi sobrou circulando entre as linhas. Fez o segundo e o City errou mais uma vez, na saída de bola com Gundogan, escalado exatamente para qualificar o passe e não sobrecarregar Fernandinho. Terceiro gol do camisa dez, que ainda sofreu o pênalti que Neymar desperdiçou e depois se redimiu com um golaço, rabiscando dois adversários com a disputa já em ritmo de treino.

Em dois jogos contra o Barça no Camp Nou, Guardiola leva para casa sete gols. Cinco de Messi. Apesar de sua visão particularíssima que revolucionou o jogo é para pensar se não vale a pena simplificar um pouco mais para se manter competitivo diante de uma equipe formada, com proposta de jogo assimilada e tão desequilibrante na frente.

Porque sempre que ele arrisca, Messi não perdoa. Em alguma das cinco vezes em que seu time foi alvejado pelo gênio argentino, é humano imaginar o técnico pensando: “por que eu criei esse monstro?”

(Estatísticas: UEFA)