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Everton Ribeiro, a diferença no típico clássico da cultura do mal jogar
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André Rocha

O clássico em São Januário já seria naturalmente prejudicado pelos problemas das equipes antes e durante o jogo. Flamengo perdeu Rever pouco antes da partida por um problema gástrico, depois Rhodolfo lesionado. Entrou Léo Duarte, jovem que ganhou poucas oportunidades e entrou numa gelada. Não complicou e também saiu por contusão após levar entrada de Luis Fabiano na disputa que terminou no gol de Yago Pikachu bem anulado.

O time rubro-negro terminou a partida com Romulo improvisado e Rafael Vaz na zaga. Zé Ricardo também perdeu Guerrero, que deu lugar a Leandro Damião.

Milton Mendes ficou sem Douglas, seu melhor meio-campista, suspenso. Depois o substituto Bruno Paulista, também lesionado e substituído por Andrey. Desde o início, o time da casa apostou em um jogo físico, com marcação pressionada e parando com faltas seguidas. O Flamengo não conseguia sair pela já conhecida falta de criatividade da equipe. Apelou 13 vezes para o cruzamento.

O resultado foi um primeiro tempo sofrível. Os visitantes com 57% de posse, mas apenas três finalizações. A única no alvo em 45 minutos de Paolo Guerrero que, mesmo sem o zagueiro Rodrigo a pertubá-lo, novamente não foi feliz no clássico. O Vasco cometeu 14 faltas, dez a mais que o rival. Acertou oito desarmes contra seis.

Para quem pensa que clássico não é jogo para a prática de bom futebol e sim de rivalidade à flor da pele deve ter sido agradável. Na prática foi de sangrar as retinas.

Melhorou na segunda etapa graças à postura mais ofensiva do Fla, que tinha o jogador desequilibrante: Everton Ribeiro. Meia que partia da direita para articular as jogadas e encontrou espaços às costas dos volantes reservas do adversário. Primeiro deixou Diego na cara do gol e o meia finalizou pessimamente.

No minutos seguinte acertou linda jogada pela direita e, como um ponteiro, centrou com o pé “ruim, o direito, na cabeça de Everton. Gol único de uma partida que voltou a cair o nível pela pressão vascaína sem qualidade e organização e o time rubro-negro preocupado em proteger a zaga fragilizada.

Apareceu então o segundo melhor homem em campo: o contestado Márcio Araújo, preciso nas coberturas, antecipações e desarmes. Fundamental para impedir a chance cristalina do Vasco, que finalizou nove vezes, mas apenas uma na direção da meta que Thiago evitou com bela defesa.

No total, 34 faltas. 21 do Vasco e 13 do Fla. No apito final, a revolta dos torcedores vascaínos com atos de violência que devem resultar numa punição ao clube com perda de mandos de campo. Mais uma cena comum num Rio de Janeiro falido em todos os sentidos.

O esporte novamente ficou em segundo plano. Na visão comum por aqui de que o clássico tem que ser mais brigado que jogado. Mais sentido que pensado. Mais truculento que disputado. Típico da cultura do mal jogar.

Não deixa de ser um paradoxo que Everton Ribeiro, o jogador mais cerebral em campo, tenha sido a diferença. Às vezes a qualidade prevalece.

(Estatísticas: Footstats)


O recado de Milton Mendes pelo posicionamento de Nenê na vitória do Vasco
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André Rocha

O Vasco sofreu mais que deveria em São Januário. Com queda de luz, truculência da polícia e a turbulência política. Também com as oportunidades do Avaí, que finalizou onze vezes e fez de Martín Silva um dos melhores em campo.

Mas dentro da meta inicial, ainda que não assumida publicamente para não criar atrito com o presidente, de se manter na Série A, os três pontos contra um adversário direto foram fundamentais. Também confirmam o mando de campo como trunfo para pontuar e continuar longe do Z-4.

Um detalhe tático, porém, funciona como um recado do treinador Milton Mendes: Nenê foi mantido na equipe depois de atuar como atacante na vaga de Luís Fabiano na derrota para a Chapecoense. Mas com um novo posicionamento, não como o meia central atrás do atacante, sem maiores responsabilidades no trabalho sem a bola.

O camisa dez atuou pela esquerda na execução do 4-2-3-1, com Mateus Vital mantido em sua função nas últimas partidas. Obviamente o meia veterano não tem vigor físico para fazer a ida e volta com a intensidade exigida pelo flanco. A compensação era feita com o lateral Henrique menos agudo e o volante mais fixo – Jean, depois Wellington – auxiliando o zagueiro Paulão na cobertura.

Nenê retornava até a intermediária – com bem mais entrega do que quando atua solto na frente – e ficava pronto para a saída nos contragolpes. Por ali criou toda a jogada do gol único, marcado por Yago Pikachu. Só com a desvantagem no placar o lateral direito do time catarinense, Leandro Silva, passou a se aventurar mais no campo de ataque.

Criou problemas porque o jovem Douglas, que vem atuando mais adiantado como meia nas partidas fora de casa, deixou um buraco na intermediária na recomposição por não retornar para se alinhar a Wellington na proteção da retaguarda e gerou superioridade numérica do oponente da intermediária em direção à área vascaína.

Problema compensado pelos 21 desarmes corretos, contra 11 do Avaí, além das boas defesas de Martín Silva. Milton Mendes trocou Pikachu e Vital, que pecou em alguns momentos pelo individualismo, por Manga Escobar e Andrezinho. Manteve Nenê, mesmo cansado, até o final.

Um claro aviso do comandante, dividido em dois: a prioridade é o trabalho coletivo e não a formação de um time que jogue em função de suas estrelas; quem entender e se sacrificar pela equipe, independentemente de status, “grife” ou salário, terá mais oportunidades.

Milton erra e acerta, como todos os treinadores. Talvez precise ousar mais como visitante. Mas na parelha Série A, o foco na competitividade pode ser um bom norte para desta vez evitar o “bate-e-volta” ao inferno da segunda divisão.

(Estatísticas: Footstats)

 


Fluminense mostra com se administra uma vantagem de empate: atacando!
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André Rocha

Abel Braga avisou na coletiva depois da vitória sobre o Goiás pela Copa do Brasil que o seu time não abriria mão de suas características. Natural para quem marcara 51 vezesem 23 partidas antes da semifinal estadual – o ataque mais efetivo do país em 2017.

Mesmo com vantagem do empate pela melhor campanha no Carioca. Apesar do desgaste no meio da semana, enquanto o rival focaria na única competição em que ainda estava envolvido no primeiro semestre.

O Fluminense partiu para o ataque no Maracanã. No 4-3-3 habitual, com toque fácil no meio-campo que ganhou dinamismo com o jovem Wendel se juntando aos equatorianos Sornoza e Orejuela. Mas desequilibra os rivais acelerando pelos flancos com os laterais Lucas e Léo apoiando os ponteiros. Desta vez com Richarlison pela direita e Wellington Silva à esquerda.

A postura ofensiva complicou o Vasco que novamente se posicionou atrás com duas linhas de quatro para deixar Nenê e Luís Fabiano sem funções de marcação. Só que os ponteiros Yago Pikachu e Guilherme Costa, a novidade na vaga de Andrezinho, precisavam voltar muito na recomposição e ainda tinham que ser as referências de velocidade para os contragolpes.

Não funcionou. Melhorou quando a equipe cruzmaltina passou a fazer um jogo mais direto, investindo em ligações diretas e bolas paradas. Assim criou as três melhores chances da primeira etapa, com Gilberto, Nenê e Luís Fabiano.

Escancarando o efeito colateral da vocação ofensiva do Flu: a exposição da última linha da retaguarda, que sofre no combate direto aos atacantes. Também porque tem volume, mas controla pouco o jogo. Terminou o primeiro tempo com 57% de posse, porém muito mais pela iniciativa e a ideia de propor o jogo. Mas sempre com pé no acelerador.

Intensidade fundamental para resolver o jogo na segunda etapa. Assim como na vitória sobre o Goiás, a jogada aérea foi fundamental. No primeiro gol, de Richarlison, que encaminhou a vitória. Ainda mais seguido da expulsão do mais que promissor Douglas Luiz, 18 anos. Envolvido pelo meio do Flu, perdeu a cabeça com sequência de dribles abusados de Wellington.

O árbitro Rodrigo Nunes de Sá exagerou na expulsão, podia ter mostrado o amarelo. Até porque minutos depois Nenê entrou de forma ainda mais truculenta no ponta do Flu e não levou o vermelho.

Mas o Flu nem precisou da vantagem de mais um homem em campo. A disputa se resolveu com o golaço de letra de Wellington, em rara incursão pela direita, após linda jogada de Lucas.

O gol de cabeça de Léo em novo cruzamento na bola parada foi o golpe final no Vasco que mostrou a fragilidade do seu elenco ao buscar a reação com Manga Escobar, mais um ponta que é veloz, mas tem enormes dificuldades nos fundamentos. Ou seja, produz quase nada de útil.

Pior ainda é testemunhar a forma física de Thalles. Chocante ver um atacante promissor tão acima do peso a ponto de ser percebido no visual, de longe.

Ao Vasco resta o Brasileiro. Hoje é difícil vislumbrar aspiração maior que a manutenção na Série A do Brasileiro. Os jogos contra um Fluminense rápido e envolvente deixaram bem nítidas as limitações para uma disputa em alto nível.

O time de Abel é o favorito, pelo desempenho, ao título carioca. Também pela dedicação de Flamengo e Botafogo à Libertadores. Na semifinal, deu uma aula de como administrar uma vantagem de empate: nem pensando nela. Finalizando 16 vezes contra nove do Vasco.

Atacando e impondo seu estilo, sem apego ao resultado. Que sirva de exemplo.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vasco cumpre metade da rota para o tri. Não jogar pode ser uma vantagem
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André Rocha

Você leu AQUI que o fato de não estar envolvido em outras competições, embora não fosse o cenário desejado pelo clube, poderia ser um trunfo para o Vasco na reta final do Carioca.

Competição que o clube valoriza na gestão Eurico Miranda, que puxou o tradicional grito de “Casaca!” até na classificação com empate sem gols contra o Flamengo na semifinal do returno. Rubro-negro que jogaria na quarta-feira contra o Atlético Paranaense pela Libertadores.

No Engenhão, a conquista da Taça Rio com a vitória no Engenhão sobre um Botafogo repleto de reservas comandado por um Jair Ventura que voltou da Colômbia para comandar o time e depois partir rumo ao Equador para a sequência do torneio continental, prioridade desde o início da temporada.

Faz diferença o foco total em uma competição. Ainda que seja a menos relevante na hora da avaliação ao fim da temporada. O Vasco de Milton Mendes vai ganhando corpo, com melhor coordenação no trabalho defensivo, aproximando duas linhas de quatro e dando liberdade para Nenê criar e acionar Luis Fabiano. Ou seja, faz o simples.

A cereja do bolo até aqui é o futebol do jovem Douglas Luiz. 18 anos, meio-campista que joga de área a área, autor do primeiro gol. Mesmo não finalizando tão bem, algo para aprimorar no trabalho diário. Ajuda Jean na proteção da defesa, desafoga Nenê e os ponteiros na criação.

Outra promessa da base que pode ser mais aproveitada é Guilherme Costa. Entrou, adicionou habilidade e criação onde Pikachu e Andrezinho pouco acrescentaram. Ainda provocou a expulsão de Marcelo Conceição que ajudou a construir o triunfo consolidado com o primeiro gol de Luis Fabiano com a camisa cruzmaltina, completando passe de Manga Escobar.

A conquista, embora nada signifique em termos esportivos, ajuda financeiramente e transfere confiança para a equipe remodelada pelo novo técnico. Na semifinal que vale, contra o Fluminense, mesmo com o rival levando a vantagem do empate, o Vasco chega mais forte que no final da fase de grupos.

Também porque o tricolor é mais um adversário envolvido em outra competição durante a semana. Pega o Goiás no Maracanã pela Copa do Brasil precisando vencer. Mesmo sem viagem, há a logística, o desgaste, foco no clássico só a partir da quinta-feira, possibilidade de desfalque por lesão. Enquanto o time de Milton Mendes concentra esforços, não dispersa.

O Vasco não é o favorito ao título regional. Nem é absurdo ser considerado, pelo desempenho, a quarta força carioca. Precisa de ajustes e reforços para o Brasileiro. Certamente sua torcida adoraria estar disputando ao menos Sul-Americana e Copa do Brasil.

No Carioca, porém, o contexto favorece. A primeira metade da rota do tri foi cumprida, ganhando taça e moral. Por incrível que pareça, no futebol atual cada vez mais intenso e que exige tanto de corpo e mente, não jogar pode ser uma vantagem.

 


Vasco pode buscar tri carioca no “vácuo” do calendário dos rivais
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André Rocha

A imagem de Milton Mendes gritando e discutindo com Nenê à beira do campo em Moça Bonita na vitória por 2 a 0 sobre o Nova Iguaçu reflete a tensão do treinador que já percebeu que será complicado impor suas ideias, como pressão na saída de bola e muita velocidade na transição ofensiva.

Pelas características e por conta da faixa etária das duas estrelas do elenco, o Vasco tende a ser uma equipe que se recolhe em duas linhas de quatro, deixa Nenê solto circulando atrás de Luís Fabiano. Mas tem soluções interessantes, como Kelvin ou Yago Pikachu fazendo dupla com Gilberto pela direita – ainda que o melhor ponteiro seja o jovem Guilherme Costa, voltando de lesão.

Outro garoto que entrou e tomou conta do meio-campo é Douglas Luiz. Joga de área a área e viabiliza a execução do 4-4-1-1. Até pela presença de Andrezinho, poupado nesta última rodada, como um ponteiro articulador. O Vasco de hoje circula mais a bola que o dos tempos de Jorginho.

Mas ainda depende muito da criatividade e da precisão nos cruzamentos, com bola parada ou rolando, de Nenê. Assistências para Rafael Marques e Pikachu nos gols da vitória. O camisa dez reclama de Douglas, discute com Milton Mendes…mas resolve.

Seja como for, o Vasco pode crescer no Carioca, única competição a disputar até o início do Brasileiro. Buscando um tricampeonato. Importante para o presidente Eurico Miranda, que contratou Milton Mendes exatamente para obter uma resposta rápida do time.

Ainda mais pelo fato dos rivais estarem envolvidos em competições sul-americanas. A semifinal da Taça Rio nada vale objetivamente, mas pode transferir confiança em caso de vitória sobre o Flamengo – ou empate, já que a primeira colocação no grupo deu a vantagem que foi do rival na mesma semifinal da Taça Guanabara. O rubro-negro também terá semana livre, mas com atenções voltadas para o jogo contra o Atlético-PR no dia 12 de abril no Maracanã. Zé Ricardo novamente poupará titulares?

Na outra semifinal, o Botafogo encara um Fluminense que enfrenta na quarta o Liverpool do Uruguai pela Copa Sul-Americana, também no Maracanã. O alvinegro terá semana livre e vantagem do empate. Mas caso chegue à final no dia 16 terá um problema logístico: enfrenta Atlético Nacional e Barcelona de Guayaquil fora de casa na Libertadores nos dias 13 e 20 de abril. Poderia chegar ao Equador com antecedência para se preparar, mas terá que voltar ao Rio. Ou jogar com os reservas que não viajarem e estão inscritos no Carioca.

O título do segundo turno para o Vasco pode ter o simbolismo de uma recuperação na temporada. E ganhar moral para a semifinal da fase final do estadual. O duelo é com o Fluminense, no dia 23. Aí, sim, com o tricolor livre, sem compromissos pela Sul-Americana, já que o jogo de volta é só no dia 10 de maio. Confronto dificílimo, até pela vantagem do empate do Flu em jogo único.

Mas se chegar à decisão contra Flamengo ou Botafogo, nos dias 30 de abril e 7 de maio, novamente terá semanas livres para treinar enquanto o rubro-negro encara o Atlético-PR fora de casa no dia 26 e o Universidad Católica no Rio de Janeiro no dia 3. Já o Botafogo tem confronto com o Barcelona de Guayaquil no dia 2 de maio. Exatamente no meio das finais.

Milton Mendes trabalha para o Vasco evoluir e buscar o tri carioca por seus próprios méritos. Mas no vácuo do calendário dos rivais “continentais” o cruzmaltino pode se fortalecer na disputa pelo título.

 


As entrelinhas do acerto do Vasco com Milton Mendes
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André Rocha

No sábado à tarde, Eurico Miranda atendeu a ligação deste blogueiro sem disfarçar a irritação ao responder sobre o interesse do clube na contratação do técnico Milton Mendes.

“Não confirmo nada”, foi a resposta seca. O feeling de quem conhece há décadas o modus operandi do presidente vascaíno era de que o vazamento contrariou o dirigente e o anúncio era questão de tempo.

Com a confirmação de forma oficial no dia seguinte, depois do empate sem gols com o Botafogo no Engenhão, a escolha do novo técnico deixa algumas mensagens nas entrelinhas.

A primeira é que Vanderlei Luxemburgo, nome que surgiu com força e parecia o preferido da torcida pelo que se ouvia nas ruas e notava nas redes sociais e enquetes em portais, não desperta mais tanta confiança.

Primeiro porque nas entrevistas e participações em programas de TV suas declarações de que o futebol continua o mesmo, sem novidades ou evolução no jogo em si, impressionam qualquer um que acompanhe minimamente o que se faz no mundo todo, especialmente nos grandes centros.

Em segundo lugar, e principalmente, há sempre a dúvida: será que o treinador consagrado de outrora vai aceitar trabalhar apenas no campo ou vai dar pitaco em questões administrativas, na estrutura e tomar a frente em negociações de jogadores?

Para um centralizador como Eurico, este pode ter sido o fator decisivo para descartar Luxemburgo. Mais do que o conflito CLT x multa contratual na parte burocrática ou declarações polêmicas do técnico contra a FERJ quando trabalhou no Flamengo.

A escolha de Milton Mendes, que iniciou a carreira de jogador no Vasco, certamente passa pela identificação com o clube, tão valorizada por Eurico, mas também por uma característica do novo comandante: costuma dar respostas rápidas em seus trabalhos. Assim foi no Atlético Paranaense e especialmente no Santa Cruz.

Assumiu em março de 2016, emendou nove vitórias e sete empates, conquistou Copa do Nordeste e Pernambucano, chegou a liderar o Brasileiro nas primeiras rodadas. Ganhou respeito por seu discurso otimista, a elegância no trato com a imprensa e os métodos modernos.

Exige setores compactos e organização, independentemente da escalação com jogadores mais ofensivos ou marcadores. No Vasco deve partir de duas linhas de quatro dando liberdade a Nenê e Luis Fabiano, a estrelas do elenco. Como fez no Santinha com Grafite.

Depois a queda foi vertiginosa, deixando o time pernambucano na zona de rebaixamento, da qual não saiu mais. Preocupante em um trabalho a longo prazo. Mas Eurico quer uma recuperação a ponto de ainda conquistar o Carioca.

Tricampeonato estadual que seria a marca da sua volta ao clube. Ainda que manchada por um rebaixamento. E hoje, olhando o cenário nacional, as pretensões cruzmaltinas para o segundo semestre seriam apenas de se manter na Série A.

É o maior desafio da carreira de Milton, sem dúvida. Por isso não deixa de ser uma enorme incógnita. Até porque a torcida, impaciente com Cristóvão Borges, esperava um técnico tarimbado e com currículo respeitável para lidar com um elenco experiente. Mas pode dar certo.

O que deixa um rastro de dúvida é a influência de Carlos Leite nas decisões do clube. Negociou Luxemburgo e fechou com Milton, ambos agenciados pelo empresário. A contratação de Cristóvão Borges também teve sua indicação.

Por mais que não haja provas e sempre se parta da presunção da inocência, fica no ar a pergunta: será que os jogadores de Carlos também não terão preferência na montagem do elenco e até na escalação do time titular?

Questões que começam a ser respondidas na prática por Milton Mendes a partir da sua apresentação oficial marcada para hoje, segunda-feira, em São Januário. Eliminado da Copa do Brasil e precisando de pontos na Taça Rio para disputar a fase final do Carioca, o Vasco precisa reagir rápido. Para isso contratou o técnico certo, ao menos na teoria.

Mas como será o amanhã?

 


Santa Cruz e Milton Mendes campeões! Trocar técnico nem sempre é retrocesso
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André Rocha

Milton_Mendes_Santa_Cruz

No dia 28 de março, o Santa Cruz anunciava a saída de Marcelo Martelotte, que havia levado o time para a Série A em uma louvável campanha de recuperação. Em 2016, estava garantido no mata-mata da Copa do Nordeste e entre os quatro primeiros no hexagonal final do segundo turno que garantiria a vaga nas semifinais. Triunfo na estreia da Copa do Brasil sobre o Rio Branco, mesmo não evitando o jogo de volta. Resultados aceitáveis, mas desempenho em queda livre. Demissão.

Chegou Milton Mendes. Discurso polido, tentando cativar os jornalistas com educação, cumprimentando e anotando o nome de cada um já na primeira entrevista coletiva. A dúvida era se a postura e o discurso do treinador catarinense de 50 anos, que fez carreira em Portugal, mas com passagens por Catar, Japão e um trabalho que chamou atenção no Atlético Paranaense dariam respostas em campo. E precisava ser rápido por conta da sequência de jogos decisivos.

Dois dias depois, primeiro duelo pelas quartas-de-final do torneio regional contra o Ceará. O interino Adriano Teixeira à beira do campo, Milton assistindo de cima. Intervalo com derrota no Arruda, o novo treinador desceu ao vestiário, tranquilizou os jogadores e auxiliou na substituição. Virada com gols de Keno, o decisivo aos 45 minutos.

Na beira do campo, estreia com vitória e classificação em Fortaleza sobre o mesmo adversário. Na Copa do Brasil, empate sem gols com o Rio Branco confirmando classificação para a segunda fase. No Estadual, novo empate com o Sport, confirmação da presença nas semifinais contra o rival Náutico.

Volta à Copa do Nordeste na semifinal contra o Bahia, algoz do tricolor na fase de grupos com duas vitórias. Empate com gols preocupante em Recife, vitória fantástica em Salvador. Mas Milton foi expulso ao agredir com uma cabeçada um membro da comissão técnica do adversário.  Suspensão. Volta confiante ao Estadual, duas vitórias sobre o Náutico. Santinha na final em Pernambuco.

Decisão da Copa do Nordeste contra o competitivo Campinense de Francisco Diá, do criativo Roger Gaúcho e do artilheiro Rodrigão. De novo definindo fora. Sem Milton Mendes à beira do campo. No Arruda, empate em 1 a 1 até os acréscimos. O técnico através de seus auxiliares fizeram três mexidas. Entraram Leo Moura, Raniel e Bruno Moraes. Jogada dos dois primeiros, gol da vitória do atacante substituto.

Na final, o gol de Rodrigão parecia ser um duro golpe para o fim da invencibilidade de nove jogos de Milton Mendes. Mas Arthur empatou para lembrar que o treinador reconstruiu o Santa Cruz com vocação ofensiva para agrupar o autor do gol, Keno e Grafite na frente. Também capacidade de competir com o meio-campo que ganhou solidez com Uillian Correia. Poder de reação, perseverança.

Desempenho que melhorou o resultado desde o início. Acontece com outras equipes que mais à frente estacionam na evolução. Difícil prever o que o time pernambucano pode fazer na volta à Série A do Brasileiro.

Mas futebol não tem receita de bolo. A troca do comando técnico nem sempre é retrocesso. Precisa ser feita com convicção, na contratação e na dispensa dos serviços. O ideal é que o profissional tenha tempo para implementar seu modelo de jogo. Mas insistir sem notar lastro de evolução é tão equivocado quanto demitir apenas pelo resultado que não vem.

O Santa Cruz arriscou. Milton Mendes chegou combinando gestão de grupo, motivação, mudança de mentalidade e salpicou seus conceitos táticos e estratégicos, mesmo sem tempo para treinar.  Acertou e errou. Mas o saldo é muito positivo em pouco mais de um mês desde a apresentação.

Que seja referência não pelas vitórias e o título do principal torneio do primeiro semestre no país, mas pela capacidade de se adaptar ao contexto e fazer o time jogar e vencer.

 

 


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