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A bola escolheu punir a Colômbia em um jogo lamentável. Inglaterra vive
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André Rocha

A Inglaterra escalou reservas e não fez a mínima força para vencer a Bélgica e terminar na liderança do Grupo G. Com isso fugiu do cruzamento com seleções mais tradicionais a partir das quartas de final. Olhou o cruzamento por cima da Colômbia. A bola costuma punir esse tipo de petulância.

Mas também pune quem não quer jogar. Na arena do Spartak, José Pekerman se preocupou mais em se defender em função do adversário e armou uma marcação por encaixe. Laterais Arias e Mujica batendo com os alas ingleses Ashley Young e Trippier; Cuadrado e Falcao García saindo para pressionar o trio de zagueiros formado por Walker, Stones e Maguire; Mina e Davidson Sánchez cuidando de Harry Kane; Sánchez vigiava Dele Alli, Barrios pegava Sterling e Lerma seguia Lingard; Quitero tentava dificultar Henderson, volante que coordena a saída de bola inglesa.

Colômbia marcou a Inglaterra por encaixe, com duelos bem definidos. A solução tirou força ofensiva da seleção de José Pekerman e deu campo para o adversário (Tactical Pad).

Estratégia legítima, ainda mais sem o talento do lesionado James Rodríguez, maas que cria alguns efeitos colaterais: como trabalha com perseguições, normalmente na recuperação da bola o time está desorganizado para atacar. A solução intuitiva é apelar para a ligação direta e, por consequência, chegar com poucos jogadores na frente.

Carlos Sánchez cometeu pênalti e foi expulso na derrota para o Japão na estreia da Copa do Mundo que podia ter custado a vaga nas oitavas. Lance involuntário do volante essencialmente defensivo. Cumpriu suspensão e voltou à equipe na vitória contra Senegal. Seguiu titular e, na bola parada, agarrou Kane em um pênalti tolo e tosco. Para o artilheiro inglês marcar seu sexto gol no Mundial.

Até sofrer o gol, a Colômbia errava mais e dava chance para a falta de sorte. Mas a Inglaterra começou a equilibrar as coisas ao sentar em cima da vantagem, recuar demais e apelar para simulações bizarras. Tentando tirar proveito de uma das piores arbitragens da Copa: Mark Geiger. Um dos responsáveis pelo baixo nível do duelo.

A Colômbia foi avançando de forma aleatória. Pekerman trocou Sánchez, Lerma e Quintero por Muriel, Bacca e Uribe, que arriscou um chute surpreendente que Pickford salvou num defesaço. Mas no escanteio, Mina usou sua combinação de impulsão, estatura e tempo de bola para salvar sua seleção.

Faltou qualidade aos colombianos para aproveitar a nítida queda anímica da Inglaterra na prorrogação, mais do que a física. Gareth Southgate tentou aumentar a presença física na frente com Vardy ao lado de Kane na frente. Mas a Inglaterra viveu de ligações diretas e de tentar achar o gigante Maguire nas bolas paradas. Muito pouco.

Ninguém fez muito por merecer a classificação para enfrentar a Suécia. Nos pênaltis, a bola resolveu punir a Colômbia e consagrar o goleiro Pickford, que defendeu as cobranças de Uribe e Bacca e salvou Henderson, que bateu mal para defesa de Ospina. Definindo 120 minutos de um jogo lamentável. A Inglaterra vive.


Corinthians encaminha título com primeiro tempo de decisão, não G-4
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André Rocha

Concentração, eletricidade, sintonia com a massa no estádio lotado e precisão. O primeiro tempo do Corinthians em Itaquera foi de um time que tinha noção de que decidia sua vida no Brasileiro. Uma vitória para abrir oito pontos sobre o maior rival ou a derrota que manteria a equipe na liderança, mas desabaria emocionalmente e seria praticamente impossível manter os dois pontos de vantagem em seis partidas.

O resgate do desempenho do primeiro turno passa pelos méritos do time de Fabio Carille. Especialmente a movimentação de Rodriguinho às costas de Bruno Henrique e Tche Tche, o trabalho de pivô de Jô ganhando quase todas no alto de Mina e Edu Dracena e atenção absoluta sem a bola, com duas linhas de quatro bem próximas e muita dedicação de Romero e Clayson sem a bola.

Mas as falhas do Palmeiras também não podem ser descartadas nesta equação. Baixa intensidade e pouca pressão sem a bola, brechas entre os setores, Dudu abandonando Egídio contra Fágner e Romero e, principalmente, a última linha de defesa muito adiantada, com Mayke, Egídio e Edu Dracena como elos fracos. O jogo ficou à feição do Corinthians.

Rodriguinho recebeu livre e serviu Romero, impedido por centímetros, para abrir o placar. Depois o contragolpe em que o meia serviu Jô com lindo passe que gerou o escanteio do gol de Balbuena. Quando o Palmeiras buscava uma reação após o gol de Mina em falha de Rodriguinho no bloqueio e mérito do zagueiro colombiano na jogada aérea, novo contragolpe e pênalti de Dracena em Jô, que cobrou tirando do alcance de Fernando Prass.

Foram 12 desarmes certos corintianos contra sete. Oito faltas cometidas contra apenas duas. Mostras da diferença na fibra, na entrega. Talvez os jogadores alviverdes tenham acreditado no discurso de buscar apenas o G-4 e não deram ao dérbi o peso real. Tiveram 55% de posse, mas apenas seis finalizações. Uma no alvo. O Corinthians foi muito mais efetivo: oito conclusões, seis delas na direção da meta de Prass. Metade nas redes.

Segunda etapa de Roger Guedes e Guerra nas vagas de Keno e Bruno Henrique, Palmeiras no campo do rival, que controlava os espaços com cuidado, mas perdeu vigor e rapidez nos contragolpes.

Em novo escanteio, golaço de Moisés numa virada espetacular. Carille evitou a expulsão de Gabriel, com amarelo e visado pela polêmica de supostamente ter voltado a campo sem autorização, com a entrada de Maycon. Depois trocou Camacho por Fellipe Bastos e Jadson na vaga de Clayson.

Valentim trocou Tche Tche por Deyverson para buscar um abafa final, mas sem a chance cristalina. Subiu a posse para 57%, mas apenas seis finalizações, uma a mais o Corinthians. Para complicar, Deyverson foi expulso no minuto final por cotovelada em Bastos. No lance derradeiro, Cássio garantiu interceptando um cruzamento.

Para confirmar os três pontos mais importantes do campeonato, que encaminham o hepta pela vantagem e por resgatar a confiança perdida. A diferença no jogaço foi a postura de final do Corinthians no primeiro tempo. Deve valer taça no final.

(Estatísticas: Footstats)

 


Palmeiras perde 45 minutos e o ano com a essência do estilo de Cuca
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André Rocha

Mina lutou e chorou com a lesão que o tirou do jogo, Dudu tentou tudo e não resistiu fisicamente, Moisés entrou, fez golaço, sentiu e acertou sua cobrança na decisão por pênaltis no sacrifício. Não faltou entrega. Nem de Bruno Henrique e Egídio, os que erraram suas penalidades. O equívoco maior foi anterior.

Nos primeiros 45 minutos no Allianz Parque, o Palmeiras mostrou a essência do estilo de Cuca: intensidade máxima, marcação no campo de ataque, pressa para resolver as jogadas e muitos cruzamentos com bola parada e rolando. Várias alçadas desde a intermediária. Apenas quatro finalizações, nenhuma no alvo.

Porque não havia ninguém para pensar o jogo na execução do 4-2-3-1 montado. Thiago Santos protegendo a defesa, Bruno Henrique se mandando e Dudu se juntando a Roger Guedes, Deyverson e Keno. Ninguém parava a bola, mudava o ritmo. Pensava. O Palmeiras só sentia.

Não basta e Moisés deixou isso bem claro no segundo tempo. Os passes longos de um meio-campista surpreenderam o Barcelona de Guayaquil, que parecia preparado apenas para enfrentar o que o Palmeiras apresentou antes do intervalo.

O time equatoriano, bem montado no 4-4-2 e atacando pelos flancos com Ayovi e Caicedo, acabou traído pelo próprio desempenho pífio do adversário. No escanteio a favor, se lançou ao ataque sem maiores cuidados e permitiu o contragolpe letal que, é óbvio, teve muitos méritos de Moisés, que foi arco e flecha, completando a assistência de Dudu.

Até o fim, o jogo foi aleatório, no modo “briga de rua”. Bolas nas traves de lado a lado, furada de Damian Díaz, o apagado meia argentino que praticamente atrasou para Jailson na única cobrança desperdiçada pelo Barcelona. Ainda assim, volta para Guayaquil com a vaga.

Porque o  que se convencionou chamar de “Cucabol” saiu derrotado, mas até quando vence faz menos do que pode. A vitória e a taça iludem, mas é triste ver um elenco que pode buscar um futebol mais bem jogado se reduzir a um estilo mais condizente com um repertório limitado. Nem sempre vai dar certo. Ou só vai funcionar eventualmente.

Não há consistência, porque a ligação direta e o cruzamento a esmo oferecem, na melhor hipótese para quem arrisca, 50% de chances para ataque e defesa. As perseguições individuais na marcação cansam os jogadores e desorganizam o próprio time. É um jeito anacrônico e contraproducente. Por isso as críticas pouco compreendidas no momento de alta.

Agora é fácil apontar os problemas. Inclusive para quem incensava, debochava das críticas e tratava como perseguição pura e simples. Pautado apenas pelos resultados. Uma hora a verdade se escancara. Os 45 minutos iniciais do Palmeiras são pedagógicos. Tempo jogado fora. Ano perdido.

Que fique a lição. Inclusive para Cuca, que pode aproveitar o momento para rever seus conceitos. As derrotas fazem crescer,  basta ter vontade e humildade para aprender.

(Estatisticas: Footstats)


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