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A Juventus está pronta para tudo. Um timaço na acepção da palavra
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André Rocha

Foi difícil entender a opção de Leonardo Jardim por espelhar o sistema com três zagueiros da Juventus, deixando Fabinho e Lemar, pilares do meio-campo, no banco. O Monaco perdeu volume de jogo e presença ofensiva no primeiro tempo. Bernardo foi o mais prejudicado, isolado na articulação.

Melhor para o time italiano em sua arena, que novamente variou o desenho tático de acordo com os movimentos de Daniel Alves e Barzagli pela direita. Com a vantagem de dois gols, permitiu que o adversário tivesse a posse, mas controlou o jogo e criou as oportunidades mais claras.

Gol de Mandzukic em jogada bem trabalhada iniciada com um contragolpe. O centroavante típico de 30 anos que fecha o setor esquerdo na segunda linha, à frente de Alex Sandro e ainda infiltra em diagonal na velocidade para finalizar e se juntar a Higuaín.

Tão surreal quanto a fase de Daniel Alves. De novo foi lateral, meia e ponta. Colocou no bolso o ótimo Mendy, transformado em ala por Jardim. Passador na jogada do primeiro gol. Também finalizador preciso em um golaço no rebote que praticamente sacramentou a classificação para a final da Liga dos Campeões, contra Real Madrid ou Atlético de Madri.

Mesmo com o segundo tempo mais que digno do time francês. Com Fabinho e Lemar em campo. Com Mbappé, jovem candidato a gênio, tirando o lacre do sistema defensivo da Vecchia Signora no mata-mata. Mantendo superioridade na posse e aumentando o número de finalizações.

Mas não havia o que fazer. Porque a Juventus de Massimiliano Allegri tem um nível de concentração absurdo na execução de seu modelo de jogo complexo e completo, que sabe variar posse de bola e jogo em transição, na velocidade. De solidez impressionante, que sabe exatamente o que quer em todos os momentos.

Um timaço na acepção da palavra que irá a Cardiff no dia 3 de junho para buscar o título que não vem desde 1996. Venha quem vier. Coletivamente e na força mental, nunca pareceu tão pronto.


Juventus, o time de verdade que o Monaco ainda não tinha enfrentado
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André Rocha

O jovem e ofensivo Monaco encanta na temporada europeia pela volúpia ofensiva, o estilo leve e solto nas duas linhas de quatro que se transformam num 4-2-2-2 à brasileira quando os meias Bernardo Silva e Lemar ganham liberdade para criar por dentro.

A equipe de Leonardo Jardim tem todos os méritos por voltar a uma semifinal de Liga dos Campeões depois de 13 anos. Mas, a rigor, tinha enfrentado até aqui no mata-mata do torneio continental dois times jovens, que também têm seus momentos de encanto. Mas oscilam demais.

Só que o Manchester City de Pep Guardiola pecou pela irregularidade e pelos gols perdidos de Kun Aguero e o Borussia Dortmund, no mundo ideal e alheio ao “the show must go on”, não podia ter encarado partida decisiva um dia depois de sofrer o atentado que mandou seu zagueiro Bartra para o hospital. Não há força mental que resista.

Concentração foi exatamente a arma da Juventus no jogo de ida. Alternando o 5-3-2 com as duas linhas de quatro e Dybala se aproximando de Higuaín. Com Daniel Alves sendo lateral, meia e ponta. Também o assistente que consagrou Messi no Barcelona. Desta vez, dois passes espetaculares para Higuaín enfim ser decisivo na reta final da Liga dos Campeões.

O trio Barzagli-Bonucci-Chiellini teve algum trabalho com Falcão e Mbappé, mas quando foram superados havia Buffon pela frente. Explica muito os míseros dois gols sofridos pela Juve na Champions. Nenhum no mata-mata.

Mas não só. Coletivamente é fortíssima. Com e sem a bola. Melhor exemplo é a jogada construída desde a defesa no primeiro gol até a assistência de calcanhar de Daniel Alves para o argentino que se atrapalhou em dois lances grotescos. Mas decidiu.

Mesmo. É praticamente impossível o Monaco reverter em Turim. Só não é 100% porque estamos falando de futebol. E de um Monaco que marcou 95 gols em 34 partidas na liga francesa. Mas desta vez enfrentou um time de verdade. Sólido, vivido, consciente. Envolvente e quase intransponível.

Se não houver nenhuma aberração na volta, que final teremos em Cardiff entre Real Madrid e Juventus!

 


Trauma ou sede de revanche? Como será o Atlético de Simeone contra o Real?
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André Rocha

Foto: Denis Doyle (Getty Images)

O sorteio das semifinais da Liga dos Campeões promove o quarto encontro consecutivo entre Real e Atlético, o clássico de Madrid. Foram duas finais duríssimas, definidas em prorrogação e pênaltis. Mais um duelo pelas quartas-de final em 2015. 1 a 1 no Calderón, 1 a 0 para os merengues no Bernabéu.

O Atlético vem de três vitórias e um empate no Santiago Bernabéu pelo Espanhol. O retrospecto contra o rival na Era Simeone é de sete vitórias, seis empates e oito derrotas. Equilíbrio absoluto.

Agora a ida no Bernabéu e a definição no Calderón. Em tese, uma vantagem para o Atlético e um cenário nunca vivido pelo Real contra os colchoneros.

Taticamente, sem segredos. Real Madrid terá a bola, trocará passes no meio e buscará as infiltrações com os atacantes acelerando ou abrindo o jogo pelas laterais com Carvajal e Marcelo para furar as compactas linhas de quatro de Simeone que vai tentar controlar o jogo sem a bola esperando a chance de golpear com o talento e a rapidez de Griezmann.

A grande questão é como o Atlético vai se comportar em termos anímicos. Porque o retrospecto, no geral, é de jogos parelhos. Mas na Champions o rival sempre saiu comemorando. Quando os times entrarem em campo no Bernabéu valerá mais a invencibilidade dos visitantes ou o que foi vivido no duelo continental?

O Atlético será todo trauma, todo medo de sair novamente como o vencido ou todo valentia, todo sede de revanche com o “sangue nos olhos” tão cobrado por Simeone? Como será encarar de novo os algozes Sergio Ramos, Cristiano Ronaldo, Marcelo? Os clássicos pela liga espanhola terão peso nesta equação?

As respostas de Madrid virão a partir do dia 2 de maio. Mas se tivesse que investir as fichas, a aposta seria no Atlético. Se sair vivo do Bernabéu que conhece tão bem, a atmosfera do Calderón com Simeone regendo a massa pode fazer a diferença desta vez.

Para fazer a final em Cardiff, provavelmente, contra a Juventus. Favorita contra o Monaco pela chance de domar o time do jovem Kylian Mbappé como o irregular Manchester City de Guardiola e o traumatizado Borussia Dortmund não conseguiram. Sistema defensivo sólido para controlar e qualidade na frente para aproveitar os espaços cedidos pelo time de Leonardo Jardim.


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Viva o Monaco! E Guardiola volta para casa com duas substituições a fazer
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André Rocha

O Monaco repetiu em casa a estratégia da partida em Manchester: intensidade máxima e volume sufocante no primeiro tempo. Com muita gente no campo de ataque e a qualidade de Mendy, Fabinho, Lemar, Bernardo e Mbappé, mesmo sem o lesionado Falcao, abriu os 2 a 0 que precisava.

Finalizou seis vezes, três na direção da meta de Caballero. Contra zero do City que não jogou. Sequer conseguiu mais posse – terminou com 49%. David Silva parecia jogar uma rotação abaixo.

Tudo mudou na segunda etapa. O time francês comandado por Leonardo Jardim dá a impressão de não saber controlar jogo, é muito vertical. O desgaste veio naturalmente e o City começou a se impor.

Mas Aguero perdeu duas chances cristalinas. Foi preciso Sané entrar em cena para os visitantes alcançarem o gol que parecia encaminhar a classificação. Mbappé e Fabinho, autores dos gols, sumiram exaustos na segunda etapa. O jovem atacante, inclusive, deu lugar a João Moutinho para segurar a vantagem.

Construída na bola parada letal, complicadíssima de ser bloqueada. Bakayoko foi preciso no deslocamento e no movimento para o cabeceio. Aí valeu a fibra, a vontade de fazer história, de repetir a trajetória da temporada 2003/04 se metendo entre os grandes do continente.

A classificação dos franceses é um sopro de renovação. Em termos de proposta de jogo ultraofensiva, mas especialmente nos nomes que devem ser disputados a tapa na próxima janela de transferências. O Monaco jogou para se classificar, dentro e fora.

Mas a pergunta do título do post não quer calar. Por que Guardiola trocou apenas Clichy por Iheanacho? O City jogou quarta-feira pela Premier League, no sábado pela Copa da Inglaterra. Lutou demais na segunda etapa, terminando com 59% de posse e equilibrando nas finalizações. Era preciso, no mínimo, reoxigenar o time.

Tentar para não se arrepender por não ter arriscado. Era sua primeira eliminação antes das semifinais. Quem sabe Yaya Touré na área adversária, ou tentando um chute de fora? Qualquer coisa para mudar o cenário desfavorável. Nada justifica, nem um elenco sem o potencial dos que comandou anteriormente.

Na última tentativa, De Bruyne, com a camisa encharcada, exausto, bateu fraco a falta nas mãos do goleiro Subasic.

O Monaco se junta ao Leicester como as novidades nas quartas da Liga dos Campeões. E Guardiola volta para casa. Indecifrável.

(Estatísticas: UEFA)

 


City 5×3 Monaco – O melhor da Premier League na Liga dos Campeões
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André Rocha

Intensidade máxima, perde e pressiona, ritmo alucinante, transições ultrarápidas, reviravoltas na disputa e no placar. Jogaço imprevisível. O que se viu no Etihad Stadium foi o melhor que há na liga nacional mais competitiva do mundo dentro do maior torneio de clubes do planeta.

Méritos do Monaco de Leonardo Jardim. Time corajoso, organizado num 4-4-2 e que nunca abdicou do ataque. Nem quando o placar era favorável e a classificação mais próxima. Quando Falcao García compensou o pênalti perdido com golaço de cobertura. O segundo do colombiano na partida.

Monaco também do ótimo português Bernardo Silva, meia organizador canhoto aberto à direita e do incrível Kylian Mbappé, atacante rápido, vertical e técnico. O brasileiro Fabinho, lateral direito atuando no meio, colaborando na organização e também chegando na frente.

Só não resistiu ao volume de jogo do Manchester City, especialmente na segunda etapa. Com Sané imparável, seja buscando o fundo ou infiltrando em diagonal. O meio com Yaya Touré, De Bruyne e Silva com muita técnica e entrega e Aguero lembrando a todos por que é o maior artilheiro da história dos citizens e não o reserva de Gabriel Jesus.

Sim, o primeiro em um frango de Subasic. Mas o que empatou em 3 a 3 e pavimentou o caminho para a virada foi uma finalização espetacular de primeira completando escanteio. Ainda serviu Sané no quinto e último, depois do gol de Stones aproveitando o grande pecado francês na partida: o jogo aéreo defensivo deixou muito a desejar.

Simbólica a atuação do City combinando a posse de 62% com uma verticalidade que Guardiola não reproduziu sequer no Bayern de Munique, de cultura semelhante à inglesa. Repete a pressão no campo de ataque dos tempos de Barcelona, gosta da bola, mas ataca em ritmo alucinante, ainda que perca a posse defensiva e controle do jogo. E não se importa em jogar a bola na área quando necessário.

Deu certo na ida nas oitavas e os dois gols de vantagem são fundamentais. Só não garantem nada porque o Monaco é o ataque mais efetivo da Europa e também sabe ser forte, intenso e sufocante. Devemos ter mais um jogaço na França.

(Estatísticas: UEFA)


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