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Seleção de Tite é o Brasil que dá certo
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André Rocha

Era o que se dizia nos sombrios anos 1980 sobre Nelson Piquet, depois Ayrton Senna no automobilismo. Mais recentemente, Carlos Alberto Parreira já não foi tão feliz ao se referir à CBF.

Mas na crise em todas as instâncias que vive o Brasil, ver a seleção de Tite com a segurança de quem sabe o que precisa fazer, unindo serenidade, conhecimento e confiança, é inspirador.

Compensando os erros de um Marcelo em noite nada produtiva. Falha grotesca no recuo para Alisson que Cavani entrou na frente para sofrer e converter o pênalti que abriu o placar. Pela primeira vez o Brasil de Tite saía atrás. No Centenário. Com nove minutos de jogo.

Mas a organização transmite segurança. As linhas próximas no 4-1-4-1 dão opções de passe para sair da marcação pressão do rival. Conceitos bem assimilados não permitem que a equipe se desmanche mentalmente.

Arrancada de Neymar, Paulinho recebe entre as linhas e empata com um golaço. Uma das três finalizações em 45 minutos, duas no alvo. Com 76% de posse. Ainda com dificuldades para conter o jogo físico uruguaio que proporcionou seis finalizações, mas apenas uma na direção da meta do Alisson.

O segundo tempo foi um primor. Roberto Firmino, nitidamente desconfortável na primeira etapa, enfim acertou o pivô, girou e finalizou. No rebote, o segundo de Paulinho. O contestado meio-campista que completou o triplete no último lance da partida e consolidou sua condição de melhor em campo. Atuando mais à frente com o recuo de Renato Augusto para ajudar Marcelo no combate e na saída de bola.

Entre eles, a pintura de Neymar ganhando de Coates e tocando por cima de Martín Silva em um contragolpe mortal. Para coroar uma atuação essencialmente sólida. Finalizou menos, mas de onze acertou sete e colocou quatro nas redes. Precisou de só cinco desarmes certos contra 16 uruguaios. Porque o posicionamento é preciso.

Classificação garantida para o Mundial da Rússia. No continente está claro que não há concorrentes. É hora de encarar as principais seleções do mundo para o polimento e as observações que faltam.

Por ora, os resultados sustentados pelo desempenho são um alento. Em tempos tão cinzentos, o Brasil de Tite é um facho de luz que iluminou a noite em Montevidéu.

(Estatísticas: Footstats)


Seleção é reunir os melhores jogadores ou as peças que fazem o melhor time?
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André Rocha

Em fevereiro de 1969, João Saldanha assumiu a seleção brasileira e anunciou a convocação definindo titulares e reservas. Eram as “Feras do Saldanha”: os melhores jogadores atuando no país, dois por posição. Base de Botafogo, Santos e Cruzeiro, as equipes mais fortes à época.

Conseguiu a classificação para o Mundial e formaria cerca de 80% do escrete campeão no ano seguinte no México. Com Zagallo sucedendo o polêmico Saldanha e fazendo pequenos ajustes. Ou seja, combinando as características dos jogadores para formar a equipe até hoje considerada a melhor de todos os tempos.

Na falta de um zagueiro mais técnico para jogar com Brito, improvisou Piazza. Barrou Marco Antonio, lateral esquerdo mais ofensivo, e encaixou Everaldo, que descia menos e liberava Carlos Alberto Torres do lado oposto. Rivellino no lugar de Paulo César Caju, por compor melhor o meio-campo com Clodoaldo e Gerson e deixar Pelé solto, se aproximando de Tostão e Jairzinho entrando em diagonal a partir da direita.

Outros tempos, de eliminatórias disputadas em poucos jogos apenas no ano anterior à Copa. A convocação servia como um teste em todas as instâncias, inclusive convivência, gestão de grupo, comportamento. Se tudo desse certo, o grupo da Copa estaria praticamente pronto.

Criou-se o senso comum de que selecionar seria seguir fielmente o significado do verbo: escolher. Os melhores. Por mérito, pelo que cada um desempenha em seu clube. Sem grandes preocupações com conjunto. Afinal, “as feras se entendem”.

Corte para 2017. Tempos de futebol cada vez mais coletivo, estudado, pensado. Agora com datas FIFA em que a seleção se reúne para disputar eliminatórias, amistosos. Com a Copa do Mundo ainda a cada quatro anos, mas agora também a disputa continental e a Copa das Confederações com o mesmo intervalo.

Nas eliminatórias, o grupo de convocados se reúne, fica junto por cerca de dez dias, joga e retorna para a rotina dos clubes. Com cortes por lesões, afastamentos por não jogar regularmente e outras dificuldades.

A tarefa do selecionador é complexa: ele tem a base formada para garantir entrosamento, mas mesmo bem sucedida precisa estar aberta a quem estiver com desempenho acima da média. Tem que se preocupar também com o vestiário, ter atletas de sua confiança. Mas sem prejuízo técnico.

Taticamente, a convicção de que se deve convocar os mais qualificados e só então definir sistema e modelo de jogo de acordo com os atletas já não é tão sólida. Porque o jogador pode não estar no auge, ou outro da mesma posição estar voando. E a proposta de jogo precisa estar assimilada.

Mas dentro do organismo que é uma equipe de futebol, a combinação de características é bem mais importante que em 1970. Com sintonia, jogando de memória, melhor ainda. Não por acaso as duas últimas campeãs mundiais, Espanha e Alemanha, tinham como base os três times mais poderosos do planeta: Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique.

Em 1982, Telê Santana preferiu não utilizar mais jogadores do Flamengo que em maio daquele ano era o último campeão estadual, brasileiro, sul-americano e intercontinental. Sem Careca e Reinaldo e não tão confiante assim em Serginho e Roberto Dinamite, podia ter dado oportunidade a Nunes. Centroavante limitado, mas que se entendia com Zico, Leandro e Júnior no olhar e, o principal, sabia abrir espaços para os meio-campistas procurando os flancos. Preferiu o Chulapa.

Jogador “de grupo” é importante, mas com critério. Para evitar a saia justa de 1998: Cafu suspenso para a semifinal contra a Holanda e a lateral direita caindo no colo de Zé Carlos, que estava na França muito mais pela carência na posição e por arrancar gargalhadas dos colegas imitando porco, galinha e passarinho…

No Brasil de Tite há um ainda contestado homem de confiança: Paulinho. Tomando como base o Corinthians campeão brasileiro de 2015, referência para Tite, ele é Elias. Ou seja, o meia da linha de quatro à frente do volante no 4-1-4-1 que mais defende e infiltra que organiza, missão esta de Renato Augusto. Numa ponta um meia articulador – antes Jadson, agora Philippe Coutinho – e na outra um atacante que infiltre em diagonal, mais agudo. No Corinthians Malcom, na seleção um imenso “upgrade” com Neymar.

Pela necessidade imediata de desempenho e resultado quando assumiu, Tite fez o simples: com a estrutura tática na cabeça, pinçou jogadores que executassem as funções avaliando qualidade no campo e equilíbrio fora dele. Aposta certeira em Gabriel Jesus no comando do ataque. Paulinho fundamental no auxílio a Fernandinho no cerco a Messi no Mineirão e ainda foi às redes no último gol dos 3 a 0.

Nas laterais, sim, apostou no talento. Prefere trabalhar Daniel Alves e Marcelo na sua linha de defesa “posicional” à italiana do que investir em laterais mais defensivos. Entre Filipe Luís e Marcelo preferiu o jogador do Real Madrid. Mas insiste com Fagner na reposição pela direita. Por pura confiança no defensor que já viveu fases melhores. Com Tite.

O treinador vai encaixando as melhores peças no quebra-cabeças. Respondendo à pergunta do título do post: um pouco dos dois. Escolher o atleta mais capacitado e imaginá-lo dentro da engrenagem. Com sabedoria e sempre pensando no coletivo.

Nesta sequência das Eliminatórias contra Uruguai e Paraguai, o Brasil deve confirmar a vaga no Mundial da Rússia. A próxima etapa será de polimento e testes, inclusive em amistosos contra as mais fortes seleções do planeta, como quer a comissão técnica.

Tudo para chegar à convocação final e pesar igualmente: o trabalho realizado, o momento de cada jogador, a convivência em grupo e a confiança do treinador. Provavelmente não serão “as feras do Tite”, haverá dois ou três nomes contestados como em qualquer lista. Que serão lembrados se o hexa não vier.

Mas podem no conjunto de virtudes e defeitos formar um Brasil forte para buscar em 2018 o que não conseguiu em casa.


Vinícius Júnior não pode ser Neymar. Porque Santos não é Flamengo
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André Rocha

Quando o Flamengo foi eliminado pelo Corinthians nas quartas-de-final da Copa SP – com Vinicius Júnior, joia da base e destaque do time nas fases anteriores, desperdiçando duas chances claras – este que escreve viu no Twitter comentários nesta linha: “Fomos enganados pelo novo Negueba”.

Também foi possível pescar na rua a seguinte observação de um senhor, na casa dos 50 anos: “O garoto até que é habilidoso, mas nunca será um Adílio”.

Vinicius Júnior tem 16 anos, foi artilheiro e craque do Sul-Americano sub-17. Entre os profissionais que trabalham com base – treinadores, auxiliares, observadores, jornalistas – é praticamente uma unanimidade: o menino é um fenômeno, com potencial para no futuro concorrer aos principais prêmios individuais. Não por acaso, Barcelona, Real Madrid e outros gigantes europeus estão atentos aos seus movimentos.

Em campo, a qualidade e versatilidade saltam aos olhos: o menino rende nas pontas, na articulação e até jogando como referência. É habilidoso, inventivo, preciso nos fundamentos e tem leitura de jogo. Serve tão bem quanto finaliza. Forte também na bola parada.

Por isso já desperta uma enorme curiosidade e, por conta da carência de um talento deste quilate no ataque do time principal, especialmente nas pontas, já há um lobby pela utilização do atacante pelo técnico Zé Ricardo.

O Flamengo trata com cuidado. Vinicius não está inscrito nem no Estadual, nem na fase de grupos da Libertadores. Mas o clube também vive um dilema: tem contrato até 2019, tenta prorrogá-lo por mais um ano, mas se demorar muito a utilizá-lo pode vê-lo partir sem entregar todo seu talento entre os adultos.

A grande questão é que o rubro-negro tem certas particularidades: a primeira é contar com a maior torcida do país e tudo que acontece de bom e ruim ganhar uma repercussão imensa. E dentro do imediatismo do nosso futebol, a urgência é amplificada também. Com toda essa expectativa, qualquer jovem talentoso pode ser execrado se errar em um jogo importante. E o erro é parte do processo de amadurecimento.

Por outro lado, se entrar brilhando a euforia pode deslumbrar, desviar o foco. O assédio aumenta exponencialmente e pode distrair até a boa cabeça que Vinicius demonstra ter. É preciso cuidado.

E lembrar que até o maior ídolo do clube não se afirmou imediatamente. Zico estreou no profissional em 1971, com 18 anos, voltou à base e só foi se consolidar aos 21 anos, ganhando o Carioca e sendo Bola de Ouro da Placar. A geração mais vencedora do clube, sem querer, também cria dificuldades.

Porque o Flamengo segue à espera do novo messias que conduzirá o time novamente ao titulo da Libertadores e à hegemonia nacional. Todo garoto que surge é comparado a Zico, Junior, Leandro, Andrade e Adílio. Como Vinicius pelo senhor que ouvi na rua. Essa nostalgia, essa régua tão alta na exigência já custou a carreira de muita gente boa formada na Gávea. Inclusive Negueba, citado no início deste texto. De “alegria nas pernas” a “peladeiro”.

As comparações são inevitáveis também entre Vinícius Júnior e Neymar, que coloca o “Jr.” na camisa e inspirou o menino a fazer o mesmo. Alguns até avaliam o rubro-negro acima do santista, na mesma idade, em capacidade de desequilibrar.

Só que Neymar surgiu inserido em outro contexto. O Santos reverencia Pelé, campeão mundial aos 17 anos pela seleção e multicampeão pelo clube, mas sem tanto saudosismo. Porque existiu a geração de Pita e Juary, a de Diego e Robinho e em 2010 explodiu a de Neymar e Ganso. Com Robinho, que poderia ser um parâmetro de comparação, de volta a Santos e aceitando ser coadjuvante, no campo, das duas jovens estrelas nas conquistas da Copa do Brasil e do Paulista.

A repercussão é diferente, a cobrança também. Por ter dado certo outras vezes, quando surge um garoto talentoso ele ganha carinho e confiança para se desenvolver. Está no DNA do alvinegro praiano o apoio aos “Meninos da Vila”. Se errar a crítica virá, mas não tão pesada. Sem massacre.

Por isso Vinícius Júnior pode conquistar na próxima década os prêmios que hoje Messi e Cristiano Ronaldo negam a Neymar e a qualquer terráqueo que jogue futebol. Mas certamente construirá sua trajetória de maneira bem diferente do atual camisa onze do Barcelona.

Porque Santos e Flamengo são gigantes vencedores do Brasil, mas têm diferenças cruciais. Na história, na quantidade de gente envolvida em suas coisas. Especialmente no trato com os garotos. Por isso a cautela com Vinícius precisa ser triplicada. Até excessiva. Para evitar um novo erro que seria cruel para o clube e para o futebol brasileiro.


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


A noite mágica em que Neymar, e não Messi, foi Michael Jordan para o Barça
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André Rocha

É inegável que a arbitragem prejudicou muito o Paris Saint-Germain. O pênalti sobre Neymar que terminou no terceiro gol era até marcável, já que Meunier cai e obstrui a passagem do brasileiro que, claro, também se aproveita e força o contato.

Mas é um lance até discutível perto do pênalti claro de Mascherano arriscando um carrinho de braços abertos na própria área que Deniz Aytekin ignorou. Pior ainda foi penalizar o contato mais que natural de Marquinhos em Suárez, que desabou, óbvio. Sem contar os acréscimos de cinco minutos, que justificaram até a piada da placa do quarto árbitro com a frase “Até o sexto”.

O PSG também colaborou. Falhas grotescas nos três primeiros gols, incluindo a queda de Meunier. Um certo ar blasé depois do gol de Cavani. Chances cristalinas perdidas e a desconcentração que virou desespero quando saiu o quinto gol e ainda faltavam os acréscimos.

E o mais cruel: a estratégia coletiva de Unai Emery estava correta. Já que o Barcelona abria Rafinha e Neymar pelos flancos, mas os pontas de pés invertidos sempre cortavam para dentro e não buscavam a linha de fundo, o foco era aproximar as linhas do 4-1-4-1 e estreitar a marcação na entrada da área. Tudo para negar espaços a Messi.

Exatamente o que queria Luis Enrique quando armou o 3-3-1-3. Abrir o campo para esgarçar o sistema defensivo adversário e deixar frestas para o gênio argentino. Não conseguiu por esse afunilamento das ações de ataque e também por um certo conformismo do camisa dez, que a rigor só fez notar sua presença na cobrança de pênalti seca e minimalista no torceiro gol.

Já Neymar…apareceu quando o time mais precisava para tornar uma eliminação melancólica e precoce para o investimento e a visibilidade do clube em uma virada histórica e apoteótica. Golaço de falta, o quarto. Depois assumiu a cobrança de pênalti no quinto.

No lance derradeiro, levantou a bola na área e, no rebote, cortou para dentro e surpreendeu a todos ao ter a frieza, na última bola, de trocar o chute pelo toque genial de cobertura que achou Sergi Roberto livre para concretizar o milagre.

Neymar foi Michael Jordan, o astro da NBA que nos seis títulos pelo Chicago Bulls foi o melhor jogador das finais. Exatamente por chamar para si a responsabilidade no momento decisivo. No lance derradeiro. Logo na noite inesquecível no Camp Nou.

Sim, com mais um asterisco indelével nesta trajetória vitoriosa no Barça, se juntando ao empate com o Chelsea na semifinal da mesma Liga dos Campeões na temporada 2008/09, a primeira da Era Guardiola. Com a arbitragem marcando e deixando de assinalar os lances simples e nítidos nos quais se equivocou, o PSG estaria nas quartas-de-final.

É até criminoso insinuar favorecimento encomendado. Mas não sejamos ingênuos ou hipócritas: interessa a todos os envolvidos no negócio Champions League que o time mais midiático, líder de audiência no mundo todo, siga no torneio. E isso acaba respingando no árbitro. Camisa pesa e pressão de todos os lados também.

Mas Neymar fez a sua parte e, mesmo que o artilheiro, o astro, o símbolo e o protagonista continue sendo Messi, o brasileiro merece mudar de patamar no clube. Sem ele, sua personalidade, seu pensamento positivo de acreditar e tentar sempre não haveria classificação épica.

Na hora em que tudo pareceu impossível, o craque tático que hoje se sacrifica pelo time foi a estrela máxima. E a Champions ganha um favorito.


Um chocolate em Paris. Jogo coletivo do PSG engole os talentos do Barça
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André Rocha

O desenho do passeio do PSG: intensidade e mobilidade da equipe francesa, com destaque para os ponteiros Di María e Draxler e a inércia de um Barcelona fragilizado coletivamente e que só teve Neymar mais ativo (Tactical Pad).

Você leu antes AQUI que o Barcelona estava previsível, com as ações ofensivas e os mecanismos de saída de bola mapeados pelos adversários e muito dependente dos lampejos do fantástico trio MSN.

Sem Daniel Alves, negociado, e agora Mascherano, além da fase inconstante de Rakitic, o cenário ficou ainda mais complicado. Messi, Suárez e Neymar foram resolvendo ou descomplicando. Os dois primeiros com gols, o brasileiro com assistências e sacrifício tático pela esquerda.

Funcionou até encontrar no Parc des Princes um time também com qualidade individual, mesmo sem Thiago Silva, mas com organização, intensidade, alma e coragem para se impor. O Paris Saint-Germain de Unai Emery não sobra na liga francesa como nos últimos anos. Nem é o líder, está atrás do Monaco.

Mas diante de um oponente fragilizado simplesmente atropelou, com Verratti como “regista” distribuindo o jogo e Rabiot se juntando a Di María, Matuidi, Draxler e Cavani. Movimentação, jogo entre linhas e inteligência para explorar os muitos espaços cedidos por um rival zonzo. Sem a bola, pressão e posicionamento perfeito, impedindo que a bola chegasse aos três desequilibrantes. Só Neymar tentou algo pela esquerda.

Di María sobrou com dois golaços – cobrança de falta precisa no primeiro tempo. O segundo num gol à la Barcelona. Mesmo pressionado, trocou passes desde a própria área até encontrar o argentino entrando da direita para dentro e terminar com outra bela finalização.

Também pela direita, Draxler apareceu para receber de Verratti e fazer o segundo. Faltava o de Cavani e saiu depois de uma sequência de erros do Barça na saída para o ataque e contragolpes perigosos até o uruguaio colocar nas redes e, com 4 a 0, igualar o placar do passeio do Bayern de Munique comandado por Jupp Heynckes na Allianz Arena em 2013.

A diferença em relação aos outros duelos recentes entre as equipes? O jogo coletivo que engoliu os talentos. O PSG antes jogva mais em função da estrela Ibrahimovic, o time catalão trabalhava para fazer a bola chegar aos talentos para resolver no último terço. O que não se viu na França e foi minando a confiança e a força da equipe dominante nesta década.

Gigante que terá que se superar como nunca para reverter uma desvantagem que parece definitiva e historicamente nunca foi revertida em mata-mata. Muito pelo demérito do Barcelona e mais ainda pela atuação irretocável da equipe de Unai Emery.

Foram 16 finalizações contra apenas seis, dez a um no alvo. Mesmo com apenas 43% de posse. Eficiência com beleza. Um chocolate em Paris.

(Estatísticas: UEFA)


Alô, Tite! Cinco momentos em que o auge da seleção chegou antes da Copa
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André Rocha

Brasil Festa Confederacoes 2005

“Que m… que parou” Assim Tite deixou claro na coletiva que gostaria que as eliminatórias sul-americanas seguissem com rodadas próximas e não só em março, quando a seleção brasileira enfrenta Uruguai e Paraguai. Ainda concordou que seria ótimo que a Copa do Mundo começasse ainda em 2016.

De fato, sem nenhuma equipe tão dominante e absoluta, nem a campeão Alemanha,a fase positiva em desempenho e resultados poderia ser bastante favorável. Mas até 2018 na Rússia a estrada é longa – e com armadilhas. Por isso o blog lembra, até para esfriar um pouco o oba oba,  cinco momentos em que o auge do time canarinho chegou antes da Copa:

1981 – As exibições na Europa

Inglaterra, França e Alemanha. O Brasil de Telê Santana superou três forças do continente como visitante e consolidou sua imagem de favorito à conquista na Espanha. Com golaço de Zico, a primeira vitória de um sul-americano no lendário Estádio de Wembley. Depois 3 a 1 nos franceses no Parc des Princes, com novo gol do Galinho, outros de Sócrates e Reinaldo. Antes da bola rolar, Pelé recebeu o prêmio de “Atleta do Século” do jornal “L’Equipe”.

Por fim, os 2 a 1 sobre a então campeã da Eurocopa de 1980 em Stuttgart, com Waldir Peres defendendo duas cobranças de pênalti do antes infalível Paul Breitner. Triunfos que pareciam consolidar a formação com Paulo Isidoro como falso ponta pela direita e Reinaldo no comando do ataque.

No ano seguinte, porém, Telê precisou encaixar Falcão no meio-campo e sacou Isidoro. Com a queda de produção de Reinaldo e a lesão de Careca, Serginho Chulapa virou titular. Não houve exatamente uma queda técnica, mas a seleção parecia mais ajustada com o time que encantou a Europa um ano antes. Talvez tenha faltado uma passada em Roma ou Milão…

1989 – Copa América e time sólido

Depois de um início com muitas críticas e protestos em Salvador por conta da ausência de Charles ou de algum jogador do Bahia campeão brasileiro de 1988, a seleção de Sebastião Lazaroni encontrou abrigo no Recife para vencer o Paraguai por 2 a 0 e partir para o título da Copa América, que não acontecia há 40 anos, superando os mesmos paraguaios, argentinos (com Maradona) e uruguaios no Maracanã.

A formação com três zagueiros, considerava defensiva, contava com Bebeto e Romário aprimorando o entrosamento dos Jogos Olímpicos de Seul um ano antes e marcando todos os gols das quatro vitórias consecutivas que terminaram em taça.

Com a expulsão de Romário contra o Chile pelas eliminatórias, Careca voltou absoluto e o Brasil garantiu sua vaga na Copa e, com vitórias sobre Itália, anfitriã do Mundial no ano seguinte, e a Holanda campeã da Eurocopa no ano anterior, o time sólido virou favorito. Com Muller no ataque e Alemão no meio na vaga de Silas, eliminação nas oitavas de final para a Argentina de Maradona e Caniggia em Turim.

1997 – Dupla “Ro-Ro” encanta o mundo

Ronaldo e Romário. Dois dos maiores atacantes da história do esporte. Juntos e entrosados. Era bonito de ver na seleção campeã da Copa América disputada na Bolívia. Também da Copa das Confederações, disputada na Arábia Saudita e não França, país sede da Copa no ano seguinte.

Os franceses sediaram um torneio no qual o time de Zagallo também deixou boa impressão, empatando com os anfitriões em 1 a 1, com o lendário gol de falta de Roberto Carlos em Barthez, nos eletrizantes 3 a 3 com a Itália e a vitória por 1 a o sobre a Inglaterra, que conquistou o título.

Mas Romário se lesionou num jogo do Flamengo contra o Friburguense, acabou cortado numa polêmica com Zagallo e Zico que durou anos e uma seleção muito irregular acabou chegando à decisão. Nunca saberemos o que aconteceria um Saint-Denis com o craque do mundial anterior em campo para compensar um Ronaldo combalido contra a equipe de Zinedine Zidane.

2005 – O “quadrado mágico” do “Dream Team”

Campeão mundial em 2002. Conquista da Copa América em 2004 no Peru com time reserva, líder das Eliminatórias e campeão da Copa das Confederações com um espetáculo nos 4 a 1 sobre a Argentina.

Ronaldinho Gaúcho absoluto como o melhor do planeta, já sendo comparado a Pelé e Maradona, e Carlos Alberto Parreira encaixando um “quadrado mágico” com Kaká, Ronaldo e Robinho ou Adriano. Comparações com o “Dream Team” americano campeão olímpico de basquete em 1992. Poucas seleções fecharam um ano tão favoritas ao título mundial quanto o Brasil antes da Copa na Alemanha.

Mas veio a preparação confusa desde Weggis, fruto da euforia e da autosuficiência difíceis de segurar com tantas estrelas…e um futebol paupérrimo desde a primeira fase até cruzar novamente com a França de Zidane, desta vez nas quartas de final, e ficar pelo caminho. Sem o tal quadrado, já que Adriano e Robinho começaram no banco e Juninho Pernambucano iniciou a partida em Frankfurt. De novo a frustração.

2013 – A “fórmula mágica” de Felipão

Hino nacional com a torcida cantando o final à capela, pressão sufocante e gol no início do jogo para deixar o estádio ainda mais elétrico, contragolpes com o talento de Neymar e o faro de gol de Fred.

Não tinha como dar errado na Copa disputada no Brasil para enfim apagar o trauma do “Maracanazo” em 1950. A “fórmula mágica” de Luiz Felipe Scolari deu muito certo e atingiu seu ápice nos 3 a 0 sobre a então campeã mundial e bicampeã europeia Espanha no Maracanã. Com Luiz Gustavo e Paulinho colocando Xavi e Iniesta no bolso.

De novo a Copa das Confederações. Ou seria das Ilusões. De novo o Brasil achou que estava pronto para o Mundial um ano antes, desta vez com o agravante de não se testar nas eliminatórias. Novamente o técnico fechou o grupo e os olhos para nítidas quedas técnicas e físicas. Mais uma vez um torneio que é apenas uma pequena amostragem do que pode ser a Copa empolgou o povo que cantou “O campeão voltou!” O resto é história. Trágica.

 

 


Uma prova de maturidade para fechar 2016 como ninguém esperava
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André Rocha

Com a derrota do Uruguai por 3 a 1 para o Chile, o Brasil tinha a certeza da liderança nas eliminatórias sul-americanas mesmo com derrota em Lima. Depois de cinco vitórias seguidas com Tite e os 3 a 0 sobre a Argentina no jogo mais esperado neste final de ano, seria natural um relaxamento. Ao menos diminuir a intensidade.

O início foi de pressão peruana com chute de Carrillo na trave. Um tanto por erros de posicionamento no setor direito com Daniel Alves, Paulinho e Philippe Coutinho, muito por méritos da equipe do argentino Ricardo Gareca, que fazia pressão no campo do ataque e Cueva circulava à frente das linhas de quatro e atrás de Guerrero, criando superioridade numérica pelos flancos.

O meia atacante do São Paulo recebeu entrada dura de Renato Augusto, que com o amarelo foi jogar mais adiantado pela direita, alternando com Coutinho. Na base da troca de passes com calma, linhas compactas e transições ofensivas mais rápidas, teve a chance com Paulinho.

Terminou a primeira etapa com 56% de posse e cinco finalizações contra três, mas apenas uma no alvo contra duas. O mais importante, porém, era a capacidade de equilibrar as ações, manter a concentração e a capacidade de competir.

O Peru repetiu a pressão com linhas adiantadas e o Brasil seguiu com a consciência de suas dificuldades, mas com paciência para sofrer e esperar o momento da estocada, que veio na arrancada de Coutinho e a “assistência” de Aquino para Gabriel Jesus marcar seu quinto gol em seis jogos com Tite.

Os donos da casa nitidamente se desmancharam mentalmente e foi a vez de Gabriel Jesus servir Renato Augusto, o meio-campista que decidiu na ponta direita com um toque de técnica e inteligência. Ainda houve a chance de ampliar com Paulinho servido por Douglas Costa, que substituiu Coutinho. Willian entrara na vaga Jesus, com Neymar indo para o centro do ataque.

A seleção peruana ameaçou, rondou a área, mas, a rigor, a chance mais cristalina foi em lance fortuito que quase surpreendeu Alisson. O Brasil de Tite finalizou 12 vezes contra sete e terminou com 57% de posse. Alguns sustos, mas sem perder o controle.

Uma prova de maturidade de quem já sobra na rota para a Rússia. Quatro pontos à frente do Uruguai e oito da quinta colocada, a Argentina. Seis vitórias seguidas igualando “As Feras do Saldanha” em 1969. Quem diria?

Para quem sofria ou era indiferente a cada jogo do Brasil de Dunga, a má notícia é que a temporada 2016 chegou ao fim.

(Estatísticas: Footstats)


A vitória que faltava, com a assinatura de Tite
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André Rocha

O trabalho de Edgardo Bauza na seleção albiceleste está no início e não é bom. Mas era natural que a Argentina dominasse o primeiro tempo com mais posse e volume de jogo. Pela necessidade do resultado e por conta do entrosamento de uma base que chegou a três finais seguidas.

Também pela tensão natural do Brasil de Tite em seu grande teste, no Mineirão dos 7 a 1. Mas um nervosismo sem dispersão. Concentrado na execução do 4-1-4-1, ciente do tamanho do clássico, de que sofreria, sem “oba oba”.

Dificuldade para compor o lado esquerdo e fechar o apoio de Zabaleta com Enzo Pérez e a flutuação de Messi. Marcelo muitas vezes ficou sozinho. Até Tite inverter Renato Augusto e Paulinho, que foi proteger o lateral esquerdo e também Fernandinho, pendurado por um cartão amarelo absurdo depois de uma disputa com Messi que até a falta é duvidosa.

O deslocamento de Renato para a direita criou uma solução decisiva: Coutinho saiu da ponta e procurou o setor que domina. Do lado oposto, recebeu de Neymar e partiu para a jogada característica: corte para dentro e um chute espetacular no ângulo de Romero.

Uma jogada com a marca de Tite. No Corinthians era Jadson, no Mineirão foi o craque do Liverpool. E diziam que a geração era fraca…

O talento descomplicou tudo, tirou o peso. A Argentina seguiu ofensiva e rondando a área. Nos primeiros 45 minutos, 53% de posse, seis finalizações contra quatro brasileiras. Superioridade até nos desarmes certos: nove a seis.

Mas o contragolpe com Neymar ficou preparado. Primeiro pela direita em jogada individual que parou na trave. Depois na linda assistência de Gabriel Jesus para o camisa dez infiltrar em diagonal e tirar de Romero com uma tranqüilidade impressionante.

Segunda etapa de cuidados contra o 4-2-4 com a entrada de Aguero no lugar de Pérez. Controle e atenção no posicionamento, com a colaboração da atmosfera no estádio. Até Paulinho perder gol feito e depois se redimir no terceiro.

A partir daí começou a festa, com dribles de Neymar, chances seguidas com futebol objetivo, as entradas de Firmino, Douglas Costa e Thiago Silva para provar que qualidade não falta. E  gritos seguidos em homenagem a Tite. Muito justos. Impressiona a rapidez com que uma seleção que treina tão pouco mudou modelo e padrão.

Fruto de um trabalho obsessivo de estudo, observação, análise, acompanhamento. De toda a comissão técnica, mas com um gestor exemplar. Na tática e na condução do grupo. É possível questionar uma ou outra decisão, mas o saldo até aqui vai além dos 100% de aproveitamento. Desempenho que leva ao resultado.

Liderança garantida, vaga na Copa da Rússia encaminhada e a vitória que faltava para mudar o espírito de vez. Triunfo com a assinatura de Adenor Leonardo Bacchi, o Tite.

(Estatísticas: Footstats)

 


Douglas Costa, Coutinho e Neymar. Tite, é possível juntar os talentos!
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André Rocha

No anúncio dos 24 convocados para os jogos contra Argentina e Peru pelas Eliminatórias, Tite já começou a tirar o peso do clássico no Mineirão, palco do eterno 7 a 1, diante da seleção de Messi. Até porque ele tem sua relevância e seu simbolismo, mas, a rigor, nada define mesmo. Ao menos para o Brasil.

Vale observar o desempenho em um jogo com características diferentes que pode consolidar uma etapa de preparação depois das quatro vitórias que mudaram o patamar da seleção.

É possível subir o nível tentando encaixar os mais talentosos, ainda que Tite tenha suas regras de meritocracia e sua lógica para dar oportunidades a quem pede passagem. E a última semana, além de trazer a boa notícia da chegada à terceira posição no ranking da FIFA ultrapassando a Bélgica e só ficando atrás de Argentina e Alemanha, sinaliza algumas coisas.

A primeira é que Douglas Costa está de volta ao Bayern de Munique e o segundo gol nos 2 a 0 sobre o Borussia Monchengladbach indica um caminho para a seleção: embora tenha atuado a maior parte do tempo pelo lado esquerdo, num momento de alternância com Robben apareceu à direita para finalizar com a destra e ir às redes.

Não é novidade para o ponteiro. No Shakhtar Donetsk e no próprio time bávaro com Guardiola ele chegou a atuar no setor, para trabalhar com o pé canhoto cortando para dentro. Mas como vem de seguidas lesões, a tendência é que não retorne diretamente como titular.

Philippe Coutinho e até Willian estão na frente na ponta direita do 4-1-4-1 que o técnico brasileiro prefere não alterar para consolidar os movimentos coletivos. No meio, Paulinho e Giuliano devem disputar a vaga no meio para iniciar o jogo no Mineirão. Por conta de uma provável disputa mais física é possível que o ex-corintiano hexacampeão na China com o Guangzhou Evergrande de Felipão saia jogando.

Mas na participação no programa “Bem, Amigos!”, Tite demonstrou que está atento à possibilidade de escalar Coutinho por dentro no linha de quatro meias. Como ele disse para Galvão Bueno e seus convidados, observou o meia no Liverpool jogando “na do Lallana”. Ou seja, substituindo o meio-campista inglês pelo centro e não jogando à esquerda como de costume.

Já que na seleção ele não pode atuar na função de Neymar e tem que se adaptar à outra, por que não no meio, algo mais conhecido que atuar como ponta direita, mesmo contando com a liberdade de circular na “função Jadson”?

Com a afirmação da maneira de jogar virá o segundo momento, da lapidação, do aprimoramento. E com ele uma velha discussão do futebol brasileiro: como encaixar os mais talentosos no time base?

Nos anos 1980 a questão era no meio-campo, com Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico. Nos 1990 no ataque, quando contávamos com Bebeto, Careca e Romário. Em 2006 o “quadrado mágico” na cabeça de muitos poderia virar quinteto: Robinho, Adriano, Kaká, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. Uma irresponsabilidade que Parreira nunca arriscou, até porque não era o seu perfil.

Agora é perfeitamente viável imaginar um quinteto ofensivo, à frente de Casemiro ou Fernandinho, com Douglas Costa pela direita, Renato Augusto como um dos meias centrais, porém voltando mais para buscar o jogo  e articular. Coutinho por dentro sendo mais vertical e incisivo, Neymar na ponta entrando em diagonal para se juntar a Gabriel Jesus. Ou Roberto Firmino, outro pedindo passagem no Liverpool.

O mesmo 4-1-4-1 que Tite vai consolidando na seleção, mas aproveitando os talentos: Douglas Costa pela direita e Philippe Coutinho pelo meio. Algo a ser pensado com carinho e testado (Tactical Pad).

O mesmo 4-1-4-1 que Tite vai consolidando na seleção, mas aproveitando os talentos: Douglas Costa pela direita e Philippe Coutinho pelo meio. Algo a ser pensado com carinho e testado (Tactical Pad).

Algo a ser trabalhado, testado. Pensado com carinho. Com o suporte do volante de bom passe e as ultrapassagens de Daniel Alves e Marcelo o volume de jogo seria sufocante para o oponente. Sem a bola, marcação adiantada e por pressão que todos sabem fazer ou a recomposição compactando as linhas. Com bom posicionamento não há necessidade de especialistas em desarmes.

Além disso, oferece uma alternativa tática sem mudar as peças também já mencionada pelo treinador: Neymar ganha liberdade como atacante e Coutinho abriria pela esquerda compondo uma segunda linha de quatro. Todos à vontade. O bom momento sempre traz junto a atenção e o estudo dos rivais. É preciso pensar em alternativas para surpreender e não ficar “manjado”. Evolução constante.

A variação tática para o 4-4-2 sem mexer nas peças. Basta soltar Neymar e abrir Coutinho à esquerda, onde fica mais confortável (Tactical Pad).

A variação tática para o 4-4-2 sem mexer nas peças. Basta soltar Neymar e abrir Coutinho à esquerda, onde fica mais confortável (Tactical Pad).

Contra a Argentina, Douglas Costa deve iniciar na reserva. Mas se Tite precisar poderá contar com mais um talento de uma geração antes pressionada e agora mais madura e com o comando certo para explodir e retomar o protagonismo da camisa cinco vezes campeã do mundo.