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Análise tática: Ponte Preta e Corinthians desconstroem a “moda” do 4-1-4-1
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André Rocha

Com o sucesso da seleção brasileira sob o comando de Tite, veio a impressão de que o 4-1-4-1 se consolidaria como tendência no futebol brasileiro. Como um dia foi o 4-2-3-1.

Ponte Preta e Corinthians até utilizaram o desenho tático com um volante entre duas linhas de quatro e mais um atacante durante a campanha na fase de grupos do Paulista. Mas bastou chegar os confrontos mais importantes para os treinadores Gilson Kleina e Fabio Carille alterarem o sistema.

Agora são duas linhas de quatro sem a bola que deixam dois jogadores mais adiantados. Para pressionar a saída de bola do adversário, mas também servir como referência para a transição rápida do campo de defesa.

De maneiras distintas, porém. Nos surpreendentes 3 a 0 sobre o favorito Palmeiras no Moisés Lucarelli, a Ponte compactou bem as linhas e não deu refresco ao palmeirense que estivesse com a bola. Pressão para tomar rápido e acelerar buscando o artilheiro William Pottker e Clayson, que saiu da direita para formar uma dupla na frente e criar problemas circulando às costas de Felipe Melo.

Mas sem enfraquecer o setor “abandonado”. Porque Jadson abria para fechar a segunda linha e atacava por dentro, deixando o corredor para as descidas de Jeferson, substituto de Nino Paraíba. Para cima de Zé Roberto, que não contava com o suporte de Dudu.

O Palmeiras de Eduardo Baptista dá a impressão de que confia na posse de bola e no temor que pode causar no oponente por conta de seu elenco de alto nível para o futebol que se joga na América do Sul para não ser atacado.

Só que o time de Campinas atacou e contra-atacou. No ritmo de Fernando Bob, volante elegante que distribui o jogo e aparece na frente. Com Lucca, infiltrando em diagonal para receber linda assistência de Pottker e marcar o segundo gol aos nove.

Porque o primeiro não precisou nem de um minuto para acontecer, com Pottker. Uma blitz na área palmeirense até o desvio do goleador do Paulista ao lado do são-paulino Giberto, com nove. O terceiro com Jeferson após falha grotesca de Zé Roberto. Seis finalizações, cinco no alvo. Três gols. Tudo isso em 33 minutos.

As linhas de quatro da Ponte Preta com todos defendendo no próprio campo, inclusive Clayson e Pottker. Jadson abrindo para bloquear o lado direito e Fernando Bob na proteção da última linha (reprodução TV Globo).

O Corinthians precisou de 45, mais três de acréscimo, no Morumbi para se impor com as mesmas linhas de quatro que adiantaram Rodriguinho para desequilibrar. Primeiro no passe preciso para Jô marcar seu sexto gol na temporada, quatro em clássicos. Depois o chute que Renan Ribeiro não impediu que chegasse às redes no lance final da primeira etapa. Ambos em vacilos de Jucilei, muito lento para a função que exerce na proteção da retaguarda.

A equipe de Carille confia mais no posicionamento. Nem precisa pressionar tanto a bola, porque em seu próprio campo tem os espaços como referência. Permite até o controle da pelota, mas nega brechas ao rival, especialmente na última linha defensiva.

Fabio Carille dá mais liberdade a Rodriguinho no novo desenho tático corintiano. A última linha de defesa segue posicional atrás de outra com quatro jogadores para negar espaços aos adversários (reprodução Premiere).

Bola roubada, a saída em velocidade e em bloco para aproveitar os espaços deixados pelo tricolor que parecia acertar o sistema defensivo. Mas era só a fragilidade dos adversários mesmo.

Rogério Ceni vai sofrendo com a “síndrome do caderno em branco”. Toda experiência como treinador é a primeira. Não foi o primeiro clássico Majestoso, mas este vale vaga na decisão. E seu time falhou. Continua mal posicionado atrás. Só valeu pela honestidade de Rodrigo Caio na anulação do amarelo para Jô, que sequer tocou em Renan Ribeiro. Questão de índole.

No segundo tempo subiu a posse para 62%, fez Cássio trabalhar com oito finalizações contra uma e criou espaços e chances até para empatar. Só que não é fácil vazar o melhor sistema defensivo do país até aqui em 2017 e que deve confirmar em Itaquera a vaga na final estadual.

O Palmeiras diminuiu os estragos na segunda etapa em Campinas. Também porque a Ponte preferiu controlar o jogo sem a posse (terminou com 44%) e administrar ótima vantagem para a volta no Allianz Parque. Mas não irreversível.

Para a volta, a melhor receita parece a mesma da ida: marcar e jogar. Com as duas linhas de quatro que fizeram Corinthians e Ponte mais sólidos e objetivos. Desconstruindo a “moda” do 4-1-4-1. Quarenta anos depois do gol histórico de Basílio, podem fazer novamente a final do Paulista.

(Estatísticas: Footstats)

 


Eduardo Baptista começa a entender na prática o Palmeiras que tem nas mãos
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André Rocha

No automobilismo, a combinação do melhor carro com o melhor piloto costuma terminar em provas e campeonatos vencidos de ponta a ponta – talvez com a trágica exceção da parceria Senna-Williams em 1994.

Mas a melhor máquina também pode fazer a diferença, mesmo numa disputa parelha. Mais velocidade na reta, estabilidade nas curvas. Mesmo para um piloto inexperiente, mas com potencial.

Eduardo Baptista assumiu o Palmeiras como o maior desafio de sua carreira. Com a sombra incômoda de Cuca, que não foi para outro clube e sempre haverá a fé de que a qualquer momento ele pode mudar de ideia e voltar à labuta.

Ganhou de presente o elenco mais forte da América do Sul, ao menos no papel. Mas também a obrigação de montar rapidamente uma equipe difícil de ser batida, com autoridade diante de adversários mais frágeis.

O técnico podia manter a ideia de Cuca inicialmente e inserir aos poucos os novos jogadores e só mais tarde acrescentar sua visão de futebol. Mas teve a coragem de fazer tudo ao mesmo tempo.

Não é fácil. Não seria para qualquer treinador. Mesmo Tite, o nosso melhor “piloto” que está na CBF. Mas o jovem técnico encarou o desafio. Com apenas três anos de carreira e só cinco meses e 26 partidas pelo Fluminense, único time do eixo Rio-São Paulo que comandou. Em um ambiente caótico nas Laranjeiras.

Com conhecimento e convicções colocou em prática uma transformação no modelo de jogo que não é simples. O time de Cuca fazia marcação individual, não prezava a posse de bola e definia rápido a jogada, de preferência roubando no campo de ataque.

Baptista quer o bloqueio por zona e jogadas mais trabalhadas, com inversão de jogo e aceleração no último terço do campo. Tudo isso com uma pré-temporada ainda curta e exigência de resultados já no estadual, que devia servir como laboratório.

O resultado prático é um time “híbrido”. Num 4-1-4-1 que marca por zona, coloca a bola no chão. Mas quando precisa do gol para construir o resultado num cenário de grande pressão, parte instintivamente para os cruzamentos e consegue ser mais efetivo quando rouba a bola no campo adversário.

As oscilações são naturais. Mas com tempo e o respaldo de Alexandre Mattos e da diretoria, vai descobrindo que tem um grupo de atletas não só qualificado, mas também versátil.

Já trabalhou com Dudu, o grande destaque individual até aqui, nas pontas e também atrás do centroavante numa variação para o 4-2-3-1. Zé Roberto pode ser lateral ou meia. Willian “Bigode” já jogou como referência, mas foi na ponta esquerda que marcou o gol da virada sobre o Santos na Vila Belmiro. Jean, autor do primeiro gol, é volante já adaptado à lateral direita.

Há o mérito também de manter todos motivados. Roger Guedes perdeu espaço para Michel Bastos e Keno, mas quando entra é capaz de mudar o jogo aberto pela direita. Egídio também aceita a reserva de um jogador de quase 43 anos porque sabe que vai entrar em campo muitas vezes. O mesmo com Edu Dracena, que vai dando conta de substituir Vitor Hugo, também pode entrar na vaga de Mina quando este estiver na seleção colombiana e agrega experiência.

Eduardo segue no fio da navalha. As vitórias na semana não terminaram por detalhes em empate com Jorge Wilstermann e derrota para o Santos. A vibração do técnico nos gols transmite mais alívio que alegria.

Por ora os resultados vão avalizando o desempenho que não precisa chegar ao auge agora – e ainda não tirou o melhor de Felipe Melo, Guerra e Borja, as principais contratações. Ainda assim, é líder do grupo 5 da Libertadores e melhor campanha do Paulista.

Porque o técnico começa a entender, na prática, o Palmeiras que tem nas mãos. Nem o “Real Madrid dos trópicos”, nem uma máquina voadora da F-1. Mas o melhor “carro” dos campeonatos que disputa e só precisa de ajustes para ser imponente na hora certa.


O melhor que você, torcedor consciente, pode fazer pelo seu time de coração
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André Rocha

Este texto não é para quem se relaciona com seu clube apenas no momento de alta, fica sabendo do resultado pela internet e só quer espalhar memes nas redes sociais e zoar o vizinho ou o colega de trabalho no dia seguinte, mas mal sabe a escalação.

É para você que consome futebol, ainda que priorize o time de coração. Que paga TV por assinatura, pay-per-view, é sócio-torcedor, interage nas redes sociais e tenta participar da vida do clube, mesmo que à distância.

No ano da graça de 2017, o melhor que o torcedor pode fazer por sua paixão é mais do que alimentar os cofres do clube.

Durante anos, décadas, você foi ensinado que o torcedor de verdade é aquele apaixonado, irracional, de amor incondicional. Que sofre, berra, pede a saida do técnico “burro” e, se preciso, patrulha até o que o craque do seu time faz na folga. Também foi passado ao fanático um “manual” de explicações para a boa e a má fase do seu time.

Do “time sem vergonha” ao “time de guerreiros”. Do “técnico retranqueiro” ao “paizão da família”. Do “apagão” à “torcida que carregou nas costas”. Do “grupo na mão do treinador” aos “vagabundos que quebram na noite”.

Nada lhe ensinaram sobre tática e estratégia. Ou apenas o superficial, como “time que não tem craques só ganha na tática”, mas nunca explicaram muito bem o que seria isso. Porque sabem que é mais fácil capturar pelo emocional. Convencer que se você gritar o time vai correr e vencer. Mas se perde em casa com estádio lotado explicam que a equipe “sentiu o peso do jogo” ou “caiu no oba oba da torcida”.

Por isso, se você quer cobrar de dirigente, treinador ou atleta é preciso algo fundamental em qualquer área da vida: conhecimento.

Para não cair na fácil tentação, por exemplo, de exigir uma goleada do Palmeiras sobre o Jorge Wilstermann no Allianz Parque. Porque sim. Porque o Palmeiras gastou muito e é obrigado a atropelar o pobre boliviano na Libertadores.

Sem compreender que o time de Eduardo Baptista passa por uma transição de modelo de jogo e que se acostumou com Cuca a definir rapidamente a jogada. E contra uma linha de cinco bem treinada, o que não necessita de grandes craques ou um técnico de ponta da Europa, é preciso rodar a bola, trabalhar as jogadas.

Inclusive recuar para o goleiro com o intuito de abrir espaços, tirar um pouco o 5-4-1 do oponente do próprio campo. Mas te ensinaram a vaiar essa prática porque “é anti-jogo”, “coisa de time pequeno que não quer jogar”. Então que fique tentando a esmo, despejando bolas na área até conseguir com o gol de Mina nos acréscimos. Esmurrando a ponta da faca “porque sofrido é mais gostoso”. Será?

Vivemos outros tempos, felizmente. Antes os bolivianos chegavam aqui ingênuos, sem informação de nada. Para perder de pouco. Agora na internet você acha todos os movimentos que uma linha de cinco atrás precisa fazer para fechar os espaços. É óbvio que o técnico Roberto Mosquera conhecia as virtudes e defeitos de Dudu, Borja, Felipe Melo, Guerra, Mina, Tchê Tchê…

Assim como Zé Ricardo sabia que o Flamengo precisava da velocidade e da boa leitura defensiva de Marcio Araújo para limitar os movimentos de Diego Buonanotte, o meia argentino que faz a Universidad Católica jogar.

Escalou três volantes de ofício, sim. Mas só o contestado camisa oito à frente da defesa, com Romulo quase na linha de Diego e Willian Arão mais aberto pela direita. A velha confusão entre posição e função. Foi “covarde”, “jogou com medo”? Como, se finalizou 15 vezes contra 11 dos donos da casa.

O problema foi a eficiência nas finalizações. Paolo Guerrero, centroavante e artilheiro rubro-negro na temporada, teve seis chances. Três dentro da área. Nenhuma nas redes em um jogo parelho de Libertadores fora de casa.

Santiago “El Tanque” Silva teve duas. Uma na bola mal recuada por Rafael Vaz que parou em Muralha. Na segunda, aproveitou um erro de marcação coletiva – Pará não podia estar com o centroavante bem mais alto – e definiu o jogo.

Berrío, tão aclamado pelo torcedor pela velocidade de “The Flash”, entrou para deixar a equipe, em tese, mais ofensiva antes mesmo do gol sofrido. Errou tudo que tentou e ainda foi expulso por uma bobagem. Será que a culpa foi mesmo do técnico Zé Ricardo?

Para criticar é preciso conhecer, entender. O ex-jogador e colunista Tostão costuma dizer que o futebol é tão caótico e imprevisível que você pode falar a maior bobagem do mundo e ela acontecer no campo. Sem dúvida. E por isso estamos aqui refletindo sobre o esporte mais arrebatador desde sempre.

Não há dono da verdade neste jogo, mas há tendências. E a análise mais coerente dos fatos. O que é bem diferente de opinião. Não é tão simples dizer que jogou bem ou mal sem o mínimo de base. E o resultado não pode definir a questão e ser o norte da análise, que por aqui quase sempre é feita de trás para frente. Perdeu? Quem é o culpado, por que errou? Se venceu vão achar o heroi, as explicações para a boa fase. Mesmo que tenha conquistado os três pontos jogando muito mal.

Quer ver sua visão respeitada? Tente observar e entender melhor o que acontece em campo. Porque é ele que norteia todo o resto. Bastidores, gestão financeira, política. Tudo. Para reclamar é preciso saber.

Outro dia este blogueiro entrou num Uber e foi reconhecido pelo motorista. Vascaíno, logo começou a reclamar do trabalho de Cristóvão Borges. Mas chamando o treinador de “muito retranqueiro”. Como havia escrito sobre no dia anterior, expliquei que o problema era exatamente o contrário: o time se adianta, não pressiona quem está com a bola e deixa a retaguarda totalmente exposta. Lembrei um ou dois lances do empate com o Macaé no Engenhão e ele me deu razão. Continuou protestando, mas agora por um motivo mais justo.

Torcedor, estamos na era da informação. Não deixe mais colocarem você numa redoma de ignorância voluntária reclamando e cobrando da mesma forma que seu pai e avô. Procure bons canais de informação, mas também de análise. Que mostre o que acontece realmente nas quatro linhas. Temos ótimas referências no assunto que, felizmente, são as exceções à regra.

O bom técnico se recicla, o jogador se atualiza, mesmo que na marra, por necessidade. O formador de opinião também precisa. Por que não o torcedor que quer ser parte do processo?

Sem populismo, apelação. Também sem essa relação cliente/fornecedor muito presente hoje no jornalismo esportivo: o comentarista diz o que o torcedor quer ouvir. Elogio na vitória e crítica na derrota. Sem contexto. Até para ter paz nas redes sociais cada vez mais bélicas. Exatamente por causa do desconhecimento incentivado por quem deveria esclarecer.

Fuja dessa cilada secular. Não se deixe enganar por quem acha que você não sabe pensar, só sentir. Entenda para cobrar e ajudar seu time de verdade. É bom tirar sarro do rival e explodir de alegria no estádio. Mas melhor ainda é quando se sabe o que está dizendo.

 

 


Quem no Brasil está jogando mais que Dudu?
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André Rocha

Não é de hoje. O Palmeiras do segundo turno do título brasileiro – mais pragmático e focado no resultado, não conseguiria os incríveis 44 pontos, melhor campanha em um turno na era dos pontos corridos, sem o brilho e a consistência de Dudu.

Com a ausência de Gabriel Jesus pelas seguidas convocações para as seleções olímpica e principal, e a queda de produção de Roger Guedes, assumiu a faixa de capitão e o protagonismo depois de brigar e se reconciliar com o técnico Cuca.

Foram dez passes para gols do ponteiro que atuava pela esquerda num 4-3-3. Jogador da bola parada em momentos de pressão e da velocidade nos contragolpes. Fundamental.

Em 2015 já havia sido importante na conquista da Copa do Brasil. Atuando mais solto e próximo da zona de decisão como um meia atrás do centroavante, foi o artilheiro alviverde na temporada com 16 gols.

Dudu é ponta e meia. Serve, faz gols e tem liderança. Por isso precisamos falar mais dele.

Nos 3 a 0 sobre o São Paulo no Allianz Parque ganhou os holofotes com o golaço de cobertura sobre o goleiro Denis. O segundo ele na temporada. Talvez o camisa sete nem tenha sido o grande destaque do time agora comandado por Eduardo Baptista, já que Tchê Tchê foi onipresente no meio-campo. O trabalho coletivo também merece atenção, com seguidas bolas roubadas no campo de ataque.

Mas Dudu sempre está presente, como peça chave. Em 2017 já são seis assistências, um pênalti sofrido e o cruzamento que Thiago Santos desviou e Keno completou no gol de empate contra o Tucumán na estreia da Libertadores.

O novo treinador só tem elogios para seu atacante: “Tenho falado para ele do grande potencial que tem. Um grande jogador. O cara que pensa em jogar na Europa e seleção tem que jogar em todos os lugares. E foi muito bem”, exaltou Baptista na coletiva depois do clássico “Choque Rei”.

Um alto investimento do clube na contratação ao Dinamo de Kiev que na época gerou polêmica pelo “chapéu” nos rivais, mas que em campo se paga a cada jogo. Um caso raro de quem evoluiu quando voltou da experiência na Europa.

Dudu tem intensidade para pressionar no campo de ataque ou voltar até a própria linha de fundo se for preciso. Sabe dar profundidade aos ataques, mas também procura a diagonal. Tem visão de jogo para um passe de meia, mas chama lançamento em contragolpe.

Tem também a postura que agrada o torcedor mais fanático: “tudo pelo time”. Mesmo que às vezes esbarre na ética, algo que se espera de um grande ídolo. Como no episódio da expulsão de Gabriel no dérbi. Para sua equipe conseguir vantagem, mesmo baseada em um absurdo, Dudu tentou até impedir que o árbitro tivesse acesso à informação correta.

Mas quem se importa? A resposta no campo compensa e muito. Só não leva à seleção brasileira, mesmo com boa atuação e gol no amistoso contra a Colômbia, porque a concorrência nas pontas do 4-1-4-1 é duríssima, a mais forte no grupo de Tite: Coutinho, Willian, Neymar e Douglas Costa.

Melhor para o Palmeiras, que conta por mais tempo com seu melhor jogador. E cabe a pergunta: quem no Brasil está jogando mais que Dudu?

 

 


Valeu a pena, Palmeiras?
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André Rocha

Este que escreve não é do tipo que considera tudo de ruim que acontece num estádio de futebol, dentro ou fora do campo, reflexo de nossa sociedade. Um caso público de homofobia, racismo, xenofobia, corrupção não significa que todos somos assim. Afinal, para que existe livre arbítrio?

O blogueiro também não defende a ideia do jogador do time beneficiado por uma infração qualquer tentar corrigir a arbitragem. No mundo ideal, o juiz seria parte da busca do consenso com jogadores e treinadores, como na pelada entre amigos. Mas, ora bolas, isso é futebol profissional. Se no mundo jurídico ninguém é obrigado a produzir provas contra si, qual o sentido do atleta interferir na decisão da arbitragem para se prejudicar?

Até porque ele pode estar errado. Achar que não sofreu pênalti, mas a TV mostra o toque que o árbitro viu. Quantas vezes um jogador antes de comemorar um gol olhou antes para o assistente por achar que podia estar impedido, mas não era o caso? Por mais honesta que seja a intenção, ela não deve ser a definitiva. Afinal, para que a equipe de arbitragem que não pára de crescer está ali?

Tudo é discutível. Mas o que aconteceu na Arena do Corinthians, logo no primeiro duelo nos 100 anos do dérbi paulista, era questão de consciência. Decência. Houve um engano do árbitro, tão grosseiro quanto bobo. E profundamente infeliz. Gabriel, com cartão amarelo, sequer participa da jogada que termina com Maycon puxando Keno.

Thiago Duarte Peixoto se enganou visualmente. Com convicção, a ponto de não mudar a decisão, mesmo com dez minutos de paralisação e o quarto árbitro, Alessandro Darcie, informando o erro, como mostrou a TV. Um absurdo que pode custar sua carreira e justifica as lágrimas de desespero do apitador depois da partida.

O que fizeram os jogadores do Palmeiras? Raphael Veiga aplaudiu, Dudu cobrou que o árbitro não mudasse sua decisão e até tentou evitar que este tivesse acesso a alguma informação externa. Alguns saíram de perto, nitidamente constrangidos.

Ali era o caso de se intrometer, pois não havia interpretação alguma. O jogador expulso não fez a falta simplesmente porque não estava na disputa direta pela bola. Informar, mudar o cartão para o Maycon e seguir o jogo.

Não foi assim. E com dez homens o Corinthians se agigantou ao se sentir prejudicado, trouxe a torcida que andava distante para jogar junto e arrancou a vitória improvável sobre o rival, mais vencedor e poderoso no momento, no gol de Jô aos 42 minutos do segundo tempo. Sem muito tempo para reação. Letal.

Agora imaginemos, talvez num exercício de pura ingenuidade, os jogadores palmeirenses se juntando aos corintianos para convencer o árbitro do erro. Thiago Duarte Peixoto corrige, mantém o time mandante com onze homens. Mesmo com toda a rivalidade que sempre tangencia o ódio entre os mais radicais, que não são poucos, a atitude certamente seria aplaudida pela torcida. Ou boa parte dela.

E quem garante que não seria o Palmeiras a se agigantar? Com a sensação ótima que todos já sentiram um dia de ter feito a coisa certa. E quem garante que o jovem Maycon, com cartão amarelo ainda no primeiro tempo, não receberia o vermelho e, assim, não estaria em campo para roubar a bola no vacilo de Guerra para servir Jô?

O placar poderia ter sido o mesmo, até. Mas com uma história diferente. Que entraria para a galeria de grandes momentos do clássico centenário, dos mais tradicionais e importantes do país. Para as duas torcidas. Agora só vai ser guardada na memória dos corintianos como um grande momento de superação.

Valeu a pena, Palmeiras?

 


Palmeiras quer e pode tudo em 2017. Por isso precisa de mais tempo
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André Rocha

Quando se tem um elenco na conta apenas de montar um bom time e a temporada pode ser considerada positiva se terminar com um título, mesmo que estadual, o trabalho do técnico e dos atletas tende a ser mais simples, com o jogo coletivo potencializando o talento que não oferece tantas possibilidades.

Mas quando se monta o elenco mais qualificado e homogêneo do continente com altíssimo investimento e a proposta é afirmar uma maneira de jogar impondo o ritmo como protagonista, a equação fica bem mais complexa.

É o caso do Palmeiras. Com o fator complicador do técnico vencedor da temporada passada ter partido, mas não para outro time. A rigor, Cuca está no mercado. Mesmo que recuse todas as ofertas. E seu sucessor não tem o mesmo currículo, nem foi a primeira opção da diretoria.

A cada contratação confirmada a pressão sobre Eduardo Baptista só aumenta. Na exigente torcida alviverde ecoa a tese de que colocaram um piloto mediano para conduzir o melhor carro. A sombra de Cuca sempre vai rondar.

E ainda o paradoxo: o técnico rodado e vencedor precisava de menos recursos para alcançar os resultados: marcação individual, cobranças de lateral diretamente na área adversária, jogadas aéreas com bola parada ou rolando, contragolpes em velocidade quando o time tinha vantagem no placar.

Já o novato quer algo mais atual: um 4-1-4-1 com posse de bola, mobilidade, troca de passes até a infiltração. Controlar dentro ou fora de casa. Não é simples de conseguir. E o torcedor sempre vai achar que a fórmula anterior era mais eficiente. A curto prazo, no imediatismo típico da nossa mentalidade. Mas em termos de qualidade na execução do plano de jogo é um desperdício não buscar uma evolução.

Por isso Eduardo Baptista precisa de tempo, mais que qualquer outro treinador no país. O Palmeiras quer e pode tudo na temporada. Investiu para isso. E com tantas opções é preciso testar para definir uma base titular e mexer por necessidade ou para surpreender um adversário. Saber que combinações podem ser utilizadas e entrosá-las.

Como a linha de quatro com Keno, Michel Bastos, Raphael Veiga e Dudu atrás de Willian nos 4 a 0 sobre o Linense em Araraquara. Com revezamento de meias e pontas, mais o apoio dos laterais, especialmente Egídio à esquerda. Envolvendo o adversário com relativa facilidade e ainda mandando a campo Thiago Santos e Barrios, autor do último gol em bela jogada trabalhada e assistência de Dudu, o melhor em campo e o destaque absoluto até aqui.

Superando a ausência de Moisés, que se lesionou ainda no primeiro tempo e, pela gravidade aparente na entorse do joelho esquerdo, pode ficar fora por um longo período. E ainda tem Guerra. E Borja para estrear. E Mina voltando para liderar a retaguarda que tem Fernando Prass de volta. É muito potencial a ser explorado.

A melhor notícia é que há um plano e uma ideia para alcançar os objetivos que focam em resultado, mas através do desempenho. O desafio é ter paciência e entender que há um processo, sem a mágica de “soltar as feras em campo que elas se entendem”.

Para quem vai disputar Libertadores atrás do título, o Paulista tem que ser tratado como laboratório. Mesmo o clássico diante do Corinthians na quarta-feira. Porque experiências dão errado para terminarem nas melhores soluções. A história mostra, dentro ou fora do futebol. A pressa só pode atrapalhar o Palmeiras.


Pratto e Borja, dois perfis de centroavante que ainda funcionam
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André Rocha

Lucas Pratto queria jogar e não ser reserva de Fred no Galo, o São Paulo precisava de um centroavante mais qualificado que Chávez e Gilberto e ganhou espaço no orçamento com a venda de David Neres para o Ajax. O Atlético Mineiro também precisava de um alívio na folha salarial. Ótima oportunidade para as três partes.

O Palmeiras tinha dinheiro para investir, mas não um nome para repor Gabriel Jesus à altura e fazer o elenco efetivamente mudar de patamar, já que antes as aquisições apenas compensavam a perda da maior estrela para o Manchester City. Agora tem Miguel Borja, do Atlético Nacional campeão da Libertadores.

O argentino e o colombiano são contratações de impacto no mercado nacional porque são perfis de centroavante que ainda funcionam num cenário em que o jogador fixo entre os zagueiros hoje é mais referência para a defesa adversária do que para o próprio ataque.

Pratto é versátil, sabe recuar para jogar entre as linhas, já atuou como atacante atrás do centroavante em Genoa e Vélez Sarsfield. Tem timing e estatura para o jogo físico e aéreo na área adversária, é bom na pressão no campo adversário, sabe abrir espaços e tem bom passe vertical para infiltração em diagonal dos ponteiros. Características muito úteis para a proposta de jogo de Ceni. Sem contar a liderança e a fibra para cativar uma torcida que anda carente de ídolos além do treinador.

Já Borja tem características parecidas com as de Gabriel Jesus. Sai para os lados, tem velocidade para contragolpes, mas também presença física na área e recursos técnicos como finalizador. Personalidade e contundência em jogos grandes,técnica, agilidade, explosão. Para ajudar, o entrosamento com Guerra. Uma ascensão surpreendente aos 24 anos depois de uma carreira errante, com muitos empréstimos e vindo do Cortuluá para ser decisivo na conquista da Libertadores do Atlético Nacional.

Nos dois casos a tendência é ter encaixe imediato, sem maiores problemas de adaptação. O São Paulo fica mais forte e pode acelerar a assimilação das ideias do técnico para ficar competitivo mais rapidamente. Já o Palmeiras consolida sua condição de favorito à conquista da Libertadores. Tem todas as ferramentas para formar o time mais forte do continente.

Sem garantias, mas com ótimos indícios.

 


FIFA? Quem deve contar sua própria história é o clube
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André Rocha

Quem sabe o valor de vencer o primeiro torneio internacional depois do Maracanazo em 1950 é o Palmeiras. Enfiar 3 a 0 no poderoso Liverpool ou superar o “Dream Team” do Barcelona com Cruyff no comando e Guardiola em campo são feitos que nenhum agente externo saberá medir tão bem quanto Flamengo e São Paulo. Os nomes de Copa Rio e Copa Toyota são meros detalhes.

A FIFA é a entidade máxima do futebol e o que ela determina é a versão oficial. Ponto. Daí a ter credibilidade para definir se uma conquista é válida ou não vai uma distância bem grande. Um abismo.

O equívoco dos clubes é ficar buscando equiparações, trazendo para o século 21 um contexto que pertence àquela época e precisa ser lembrado. A FIFA na Era João Havelange não se importava em organizar um Mundial de clubes simplesmente porque estava mais preocupada em fazer política junto aos países, no universo de seleções, para se manter no poder.

Com a mudança do lado da força para os clubes globais e milionários passou a ser interessante a criação do torneio. Mesmo que os europeus sigam tratando como um engodo, um problema no planejamento da temporada.

Cabe ao clube valorizar os ídolos do passado, explicar a relevância de uma disputa que não existe no calendário atual, mas naqueles anos, com todas as suas particularidades, valia para definir qual o melhor time do planeta. E daí se para a FIFA não era importante?

Ela não tem o poder de apagar os livros e arquivos. Nem deveria ser alvo de súplicas para equiparar o que não tem paralelo. O título já tem o seu valor, com ou sem “beija mão” na entidade. O que foi conquistado não pode virar chacota, “título por fax”. Não é justo com quem suou em campo, nem com quem lotou o estádio e comemorou no final. Não precisa de chancela. Porque se ela não vem é como se a taça nada valesse desde sempre.

Quem deve contar sua própria história é o clube.

 


“Você não é Tite nem Cuca” – Carta a Dorival Júnior, por Mozart Maragno
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André Rocha

Dorival Junior Mozart

ESCREVE MOZART MARAGNO (@momitinho)

Caro Dorival Júnior,

Não deve ter no Brasil alguém que admire mais o seu trabalho que eu. Mesmo com algumas ressalvas. Ou é fácil justificar a escalação do fraquíssimo Paulinho na partida decisiva da Copa do Brasil contra o Inter no ano passado?

Por isso, escrevo, com toda humildade, essa carta aberta em tom de alerta. O Santos de 2017 é promissor, mas só terá sucesso se usar a base, tradição do clube e tradição da sua história. Tudo bem que a safra não é das melhores, mas é nela que é preciso achar soluções.

O clube até tem feito até algumas boas contratações, encorpando o elenco, está na fase de grupos da Libertadores por absoluto mérito do técnico, mas há o risco de querer imitar o “modelo” de Corinthians e Palmeiras, o que Tite e Cuca fizeram nos últimos anos.

Você não é Tite ou Cuca. Dorival é Dorival. Dorival é quem chega no Santos e afirma jogadores da base, alguns encostados, até com alguma facilidade. Que faz esse trio jovem ser campeão olímpico. Dorival é quem fez até o improvável Rafinha jogar bola no Flamengo, é quem lança Coutinho.

É quem afirmou Alex Teixeira, é quem pegou Ramires no time reserva do Cruzeiro e em meses botou na seleção brasileira, é quem fez Ganso encantar o Brasil, Neymar sair do estágio de “filé de borboleta” pra astro nacional e internacional em pouco tempo.

O modelo de sucesso para você e para o Santos não será importar jogadores. Eles podem até auxiliar, darem sua contribuição, mas o êxito completo se dará a partir de soluções caseiras, ao risco que você sempre correu e terá de correr de novo.

Lembra do jogo contra a Ponte Preta em Campinas? Perdendo o jogo, lança mão de dois garotos, inclusive estreando o Arthur Gomes, que comeu a bola nesse dia. Correu o risco e foi premiado com a virada. É o risco que tem que correr, é o risco que faz parte da sua carreira e que faz as coisas conspirarem a favor. A coisa flui.

O atual campeão brasileiro contratou uns 50 jogadores nos últimos dois anos. E quem foi o melhor jogador, a estrela do time? Um menino da base, num clube tratado historicamente como comprador e não formador. Foi Gabriel Jesus quem deu o sopro de talento, que quando não esteve em campo acabou gerando o único momento de turbulência da equipe no Brasileirão durante os Jogos Olímpicos.

E o Corinthians do Tite? Tudo bem que o senhor Adenor não é muito adepto a usar a base, mas Malcom (lançado e afirmado por Mano Menezes) foi vital no Corinthians de 2015 campeão nacional, decidindo os dois confrontos diretos contra o Galo.

Dessa forma, Dorival, sempre se pode amadurecer e aprender com modelos vencedores dos adversários, mas sem renegar e fugir do seu DNA e do clube. Santos é base. Dorival é base. Matheus Oliveira, Arthur, André Anderson, Alexandre Tam (sim, é preciso haver o risco com a geração 1999) e outros garotos esperam sua chance. E Rodrygo merece ser tratado com atenção especial, é o próximo “raio” a cair.

Bota pra jogar sem medo de ser feliz, mesmo que a pressão de parte da torcida e até da diretoria seja ter um time de medalhões tal qual as equipes que fracassaram em 2000/2001. Não se iluda com “jogador cascudo em Libertadores”. Isso é bobagem.

ESCREVEU MOZART MARAGNO


Novo Palmeiras sofre com a bola parada: o jogo dentro do jogo
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André Rocha

O propósito maior do jogo na Arena Condá estava fora das quatro linhas e o simbolismo da partida tirou até o espírito de competição que surge naturalmente, mesmo em um amistoso. Felipe Melo ilustrou bem ao afirmar que perdeu a concentração ao ver uma criança chorando. Ainda mais ele, que esteve tão distante geograficamente da tragédia e todos os seus desdobramentos.

Mas de tudo que foi possível observar nos 2 a 2 entre Chapecoense e Palmeiras, além do novo time do clube catarinense jogando com fibra e entrega impressionantes e o potencial de Raphael Veiga e Vitinho, sem contar a afirmação da qualidade de Tchê Tchê no novo 4-1-4-1 palmeirense, chamou atenção o desempenho dos times na bola parada.

Mesmo descontando o fato do campeão brasileiro estar sem Mina e Vitor Hugo, sua zaga titular, e Eduardo Baptista ter pouquíssimo tempo de trabalho, saltou aos olhos as falhas defensivas. Não só nos gols de Douglas Grolli e Amaral, mas em praticamente todas as disputas pelo alto.

Compreensível também a ênfase da Chape nesta jogada. Afinal, com um time novo e, consequentemente desentrosado, este tipo de recurso seria uma arma interessante para Vágner Mancini.

Porque a bola parada é um jogo dentro do jogo de futebol. Tem outro posicionamento, outra dinâmica. A ponto dos treinadores tratarem como um quinto momento, além do defensivo, do ofensivo, da transição defensiva – o que você faz assim que perde a bola – e da transição ofensiva – a ação imediata assim que a recupera.

Jogada decisiva, cheia de detalhes. Capaz de igualar forças das equipes, até compensar desvantagem numérica. Depende mais de movimentos coordenados do que do talento do cobrador e dos companheiros na área para concluir.

Quantas finais ou disputas cercadas de expectativas entre times e seleções já foram dissecadas previamente com sistemas táticos, modelos de jogo, estatísticas dos jogadores e, no final, se resolveram numa bola parada? O Real Madrid de Sergio Ramos que o diga.

Eduardo Baptista é treinador detalhista, minucioso. Inclusive neste tipo de jogada. Certamente percebeu a deficiência e vai trabalhar para corrigi-la. Porque ela ajuda a derrubar treinador.

O problema crônico no Flamengo minou os trabalhos de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira em 2015. No ano passado, Roger Machado no Grêmio foi o caso mais marcante. Houve problema de gestão de vestiário, mas, no campo, os muitos gols sofridos em jogadas aéreas nas faltas laterais e escanteios empurraram o bom treinador para fora do comando técnico do time gaúcho.

Renato Gaúcho chegou, fez o simples e, com marcações individuais bem definidas, resolveu o problema. Como Cuca adotava a mesma prática no Palmeiras, com bola rolando ou parada, cabe a Eduardo Baptista perceber se os jogadores se adaptam melhor ao bloqueio por zona ou ao tradicional “cada um pega o seu”.

Há tempo para isso. O foco absoluto é na Libertadores, que começa em março. Até lá, com time completo, trabalho e conversa é possível acertar o Palmeiras em todos os detalhes para começar a competir em alto nível, fazendo jus ao poder de investimento do clube.