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Real Madrid 3×1 PSG – Tamanho é documento! A virada de Zidane em Madri
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André Rocha

Zinedine Zidane começou acertando na escalação quando fez voltar Isco no lugar de Bale para buscar a supremacia no meio campo e tornar o Real Madrid mais móvel, menos engessado. Ainda que o meia espanhol tenha passado boa parte do jogo aberto pela direita.

Unai Emery mandou a campo Kimpembe na zaga e Thiago Silva ficou no banco. No meio, o trio Verratti, Lo Celso e Rabiot sem definir o jogador mais fixo à frente da defesa que tinha Berchiche na lateral esquerda.

Foi o pecado do PSG, deixando muitos espaços entre as linhas. Quase pagou caro na virada espetacular de Marcelo para Cristiano Ronaldo chutar no rosto do goleiro Areola. Sem contar que o duelo que atraiu os olhos do mundo ficou grande demais para alguns jogadores, especialmente Lo Celso. Verratti parecia inseguro também.

Rabiot compensava com onipresença, inclusive na área para aproveitar a sobra de um contragolpe puxado por Mbappé que Nacho evitou a finalização de Neymar, mas permitiu o rebote para o francês, que não foi acompanhado por ninguém do meio do Real.

Jogo igual, com o time merengue muito preocupado com Neymar cortando da esquerda para dentro, mas fechando espaços para a finalização, embora os passes também tenham criado perigo. A equipe de Unai Emery compensava os espaços no meio com boa atuação da última linha de defesa, inclusive Daniel Alves, concentradíssimo no posicionamento.

Mas Lo Celso fez pênalti tolo sobre Kroos e Cristiano Ronaldo empatou no fim do primeiro tempo. Fundamental mentalmente para um time buscando recuperação na temporada. Ainda mais pelo que viria na segunda etapa.

Emery deveria ter tirado Lo Celso no intervalo. Preferiu trocar Cavani por Meunier para liberar Daniel Alves como ponta e Mbappé no centro do ataque.  A troca fez Neymar sumir aos poucos do jogo. Outro equívoco do treinador foi manter sua equipe com linhas adiantadas e sem proteção, mesmo ganhando velocidade na frente, mas perdido Cavani como pivô.

Já Zidane foi certeiro: Bale na vaga de Benzema e o resgate da formação dos 5 a 2 sobre a Real Sociedad no fim de semana – Lucas Vázquez e Asensio pelos lados formando a linha de quatro no meio com Modric e Kroos. Marcelo ganhou com Asensio a companhia que faltava para voar pelo seu setor. Novamente o bicampeão europeu atropelou no segundo tempo de uma decisão.

Em duas ações pela esquerda, o gol de joelho de Cristiano Ronaldo, o 11º em sete jogos no torneio, e Marcelo para abrir uma vantagem bem mais complicada de ser revertida. Só com 2 a 1 contra, Unai tirou Lo Celso. Mas não colocou o veterano Lassana Diarra, mais habituado a jogos deste tamanho e a atuar mais fixo. Colocou Draxler e seguiu sem consistência.

Facilitou a virada com a marca de Zidane. No Bernabéu, mais uma vez o tamanho foi documento no jogo grande que sempre é mais mental que tático ou técnico. O PSG terá que ser gigante em Paris. Será que consegue?


Por que Neymar pode ser a diferença a favor do PSG contra o Real Madrid
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André Rocha

Enfim chegou a hora do mata-mata da Liga dos Campeões. De 11 de dezembro de 2017 para cá muita bola rolou, mas o confronto mais esperado continua sendo Real Madrid x PSG. A expectativa só aumentou ao longo do tempo com as oscilações do time merengue e as muitas polêmicas de bastidores em Paris. Felizmente o primeiro duelo, no Santiago Bernabéu, já acontece na primeira semana de disputa.

Ambos venceram no sábado por suas ligas contra Toulouse e Real Sociedad com o Real, por conta dos 5 a 2 em Madri, deixando uma impressão positiva. Mas a formação no 4-4-2 com Lucas Vázquez e Asensio pelos lados no meio-campo deve mudar com o retorno de Casemiro e Gareth Bale. Mais provável o retorno do 4-3-3 das últimas partidas e da conquista continental de 2015/2016.

Sem a bola, a dinâmica segue a mesma. Bale volta pela direita formando a segunda linha de quatro com Modric, Casemiro e Kroos. Por conta da qualidade e do volume de jogo do adversário, Zinedine Zidane vai precisar da concentração que vem faltando, especialmente na compactação dos setores para expor menos a retaguarda.

Sem Carvajal e, provavelmente, com Nacho improvisado pela direita, a tendência é o Real atacar ainda mais pela esquerda, com Marcelo, Kroos e Cristiano Ronaldo ou Benzema. Até para forçar o lado de Daniel Alves que não costuma ter um apoio no trabalho defensivo de Mbappé – é possível que muitas vezes seja Cavani o atacante que volta pela direita na recomposição.

Unai Emery deve montar o Paris Saint-Germain também no 4-3-3 que se desdobra em duas linhas de quatro sem a bola. No meio, além de Mbappé, Verratti e Thiago Motta pelo centro e Rabiot abrindo à esquerda para auxiliar Kurzawa e dar liberdade a Neymar.

O brasileiro pode ser a chave do PSG para se impor. No jogo de ida e no confronto. Não, não é patriotada, muito menos uma afirmação apenas para agradar os fãs e irritar os haters do brasileiro. Há uma razão que passa pelas características dos atacantes que estarão em campo.

Bale, Benzema, Cristiano Ronaldo, Cavani e Mbappé são atacantes típicos. Força, velocidade, explosão, capacidade de finalização, técnica. Cada um com uma característica mais preponderante. Neymar é o único que tem um pouco menos de força, mas compensa, e pode desequilibrar, pela capacidade de funcionar como um armador.

Porque a luta no meio-campo será árdua, com muita qualidade na organização para ser bloqueada e um duelo de imposição de ritmo. Com o trio “BBC”, o Real não tem um atacante para fazer a “liga”, como era Isco na execução do 4-3-1-2 antes de cair de rendimento e ser sacado.

O PSG tem Neymar. Para buscar a bola e distribuir passes e lançamentos, procurar os espaços às costas de Casemiro e Modric.. Ou partir para cima do improvisado Nacho. Fazer a bola chegar ainda mais fácil nos seus companheiros de ataque. Flexibilizar e tornar menos previsíveis as ações ofensivas. Ser o ponta articulador que desequilibra a marcação do oponente. Já tem 14 assistências na temporada, três na Liga dos Campeões.

Sem contar o faro de artilheiro: 28 gols em 27 partidas, seis na Champions. Com bola rolando ou nos pênaltis e faltas. Ainda que a liga francesa não tenha a competitividade da espanhola, são números significativos na temporada de quem chegou para ser o protagonista.

Neymar visitou o Bernabéu três vezes: venceu duas, perdeu uma e fez dois gols. Mas nunca sua equipe precisou tanto dele como agora. Para dar sequência ao projeto de vencer o principal torneio de clubes do planeta. Eliminando o bicampeão.

Não há favorito. O PSG tem “fome” e decide em casa. O Real tem a experiência e a confiança de três conquistas nas últimas quatro edições e o foco absoluto na chance de título que sobrou na temporada. Muito equilíbrio. A diferença pode ser Neymar.

As prováveis formações de Real Madrid e PSG para o primeiro duelo: equipes no 4-3-3 variando para as duas linhas de quatro sem a bola com Bale e Mbappé ou Cavani voltando pela direita. Duelo de força e qualidade no meio-campo e no ataque. Neymar pode ser a diferença como um ponta articulador partindo da esquerda para circular às costas do meio-campo adversário ou indo para cima do improvisado Nacho (Tactical Pad).


PSG e Real atacam bem e defendem mal. Quem se organiza primeiro pro duelo?
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André Rocha

O Real Madrid se recuperou da vexatória eliminação na Copa do Rei em casa para o Leganés com um resultado expressivo: 4 a 1 sobre o Valencia no Estádio Mestalla. Com o time da casa disputando vaga na Liga dos Campeões e que não perdia para os merengues em seu estádio há três temporadas.

O time de Zidane foi vertical no resgate do trio BBC. Gareth Bale voltando a executar a função de atacante que volta pela direita formando a segunda linha de quatro. Sem Isco, o atual campeão da Espanha e da Europa perde criatividade e volume de jogo, porém fica mais letal na frente.

No contragolpe de manual, o pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo. Depois uma falta mais que duvidosa de Montoya sobre Benzema para o camisa sete marcar o segundo também na penalidade máxima. Gol de Mina e muita pressão do Valencia em busca do empate. Com Lucas Vázquez na vaga de Bale manteve a estrutura tática, porém perdeu “punch” na frente.

Mas Asensio no lugar de Benzema centralizou Cristiano Ronaldo e deu a Marcelo o parceiro para a bela tabela que terminou no golaço do lateral brasileiro. O de Toni Kroos não foi menos belo, também em tabelinha rápida. Goleada, mas sem grande atuação coletiva e muitas dificuldades no trabalho defensivo. Houve uma nítida queda na intensidade e na compactação dos setores.

O PSG enfiou 4 a 0 no Montpellier. Dois de Neymar, o recorde de gols de Cavani, agora com 157 pelo clube. Mais um do redivivo Di María na vaga do lesionado Mbappé. O jovem argentino Lo Celso ditando o ritmo no meio-campo com Rabiot. Mais uma daquelas típicas vitórias tranquilas do time de Paris no Campeonato Francês.

Eis o problema para a equipe de Unai Emery. A falta de testes mais consistentes na liga nacional. Mas as raras derrotas, como os 2 a 1 impostos pelo Lyon, mostram uma equipe com sérias fragilidades defensivas. Muitas vezes com apenas seis jogadores de linha atrás da linha da bola e os laterais Daniel Alves e Kurzawa expostos, sem apoio do meio-campo.

Emery não está errado ao tentar buscar abrigar o maior número possível de jogadores talentosos na formação titular, mas há efeitos colaterais. A questão nem é marcar, ter especialistas em desarmes. O problema é a falta de coordenação dos setores na tarefa de negar espaços aos adversários. A disparidade na França faz com que o time não exercite isso mais vezes.

As derrotas por 3 a 1 nos jogos mais duros fora de casa na fase de grupos Liga dos Campeões deixaram avisos:  do Bayern em Munique para o Paris Saint-Germain e do Tottenham para o Real Madrid. Em confrontos parelhos, ceder espaços generosos para os rivais pode ser letal.

É óbvio que para as oitavas-de-final da Champions que começam daqui a 18 dias a concentração será outra, principalmente para o time visitante. Ambos sabem do potencial de ataque do outro lado e também de seus muitos problemas sem a bola.

Quem se organiza primeiro? O Real Madrid tem duas vantagens: jogadores com vasta experiência em duelos de mata-mata e mais “amostragens” de suas falhas exploradas por adversários mais fortes no Espanhol. Sem contar o peso de 12 conquistas do torneio e o foco absoluto na busca do tricampeonato.

Mas não garantem nada contra Neymar, Cavani e uma imensa vontade de ser protagonista na Europa. Mesmo com tudo que se diz sobre os bastidores, conflitos no vestiário…é jogo gigante e decisivo! Nessas horas os problemas ficam menores em nome de algo maior.

A promessa é de jogaço. Se os times continuarem atacando bem e defendendo mal podemos ter um caminhão de gols nas duas partidas. Um  duelo “lúdico” em Paris e Madri?


Ronaldinho: cabeça de artista esmagada pelo pragmatismo do futebol
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André Rocha

Ronaldinho, então apenas Ronaldo, chamou atenção deste blogueiro no Mundial Sub-17 em 1997. Talento, habilidade, aquela fagulha dos gênios. Confirmada mais nos dribles sobre Dunga no Grenal do que no golaço sobre uma Venezuela já entregue na Copa América em 1999. Aos 19 anos.

Saída polêmica e explosão do talento que ganhou força no Paris Saint-Germain. Coadjuvante de luxo no título mundial em 2002 e a fase de ouro no Barcelona. Sempre com sorriso no rosto, samba no pé além da magia quando uma bola se aproximava. Parecia viver num mundo de sonho, proporcionado por sua genialidade e viabilizada pelo irmão Assis, que cuidava das coisas práticas enquanto ele vivia o sonho.

Esta história tem seu momento chave em 2006. A questão no primeiro semestre deste ano era: até onde Ronaldinho Gaúcho pode chegar? Se vencesse a Copa do Mundo na Alemanha como protagonista de um Brasil estelar e favorito como nunca ao título seria bicampeão. Aos 26 anos. Para muitos, subiria ao topo do Olimpo com Pelé, Maradona e outros poucos.

Todos os olhos voltados para ele. Bicampeão espanhol e dando ao Barcelona a sua segunda Liga dos Campeões. O auge em um clube. Mas mal pôde comemorar. Sua alma de artista não teve como respirar de uma enorme pressão. Ele precisava de férias. Mais para a mente do que para o corpo. Como um cantor depois de gravar um disco genial ou cumprir uma turnê consagradora.

Ronaldinho partiu para Weggis. E para seu azar – talvez achasse sorte na época – o clima não era de concentração, mas de permissividade. O diagnóstico errado de que com tantos talentos reunidos e depois de vencer tanto bastava entrar em campo e cumprir o protocolo para levar o hexa.

Não foi. E ao notar as dificuldades, perceber que não tinha corpo nem mente para o tamanho do desafio ele viveu uma depressão. No campo. Sem reação. Com alguns espasmos, porque o futebol transbordava pelos pés. Parou na França. De um Zidane focado, adiando jogo a jogo o fim de sua carreira. Depois de uma temporada sem títulos e grande desgaste. O oposto.

Ali algo se quebrou. O gênio que havia chegado tão longe ao ver Cannavaro receber a Bola de Ouro percebeu que teria que escalar a montanha de novo. E aí faltou a disciplina, o foco na carreira para seguir adiante. Deixou de ser atleta, virou jogador.

Ainda com talento para ter momentos brilhantes em Milan, Flamengo e Atlético Mineiro, este em especial com o último título relevante: a Libertadores 2013. Nem tanto no Fluminense e no Querétaro. Porque o Pep Guardiola que o descartou no Barcelona em 2008 levou o futebol para um caminho de intensidade e espírito competitivo que empurrou Ronaldinho para fora do cenário no mais alto nível. Ele era de outro tempo.

Bons tempos, muitos dirão. Mas tudo passa. O Gaúcho passou e agora se despede oficialmente. Deixando mágica por onde caminhou. A cabeça de artista foi esmagada pelo pragmatismo do futebol. Mas paradoxalmente o esporte ficou marcado por ele. Dois prêmios de melhor do mundo e inspiração para Lionel Messi, um dos grandes da história.

Maior que Ronaldinho por encarar o esporte como trabalho, com a disciplina exigida. O mundo disse que o R10 tinha que ser o maior. Ele só queria ser feliz. Que seja agora, mais longe do nosso imediatismo e de nossas exigências muitas vezes descabidas. Só um superhomem para suportar o moedor de carne, cérebro e alma.

Ronaldinho desistiu em 2006. Uma pena. Ou sorte dele. Vai saber…


Os três avisos do Bayern em Munique ao PSG no primeiro grande teste
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André Rocha

Você leu neste blog que o primeiro teste em alto nível do Paris Saint-Germain com Neymar e Mbappé neste início de temporada seria o Bayern de Munique, agora sob o comando de Jupp Heyckens, voltando de sua aposentadoria para recuperar o time alemão na temporada.

Se os 3 a 1 na Allianz Arena que encerraram a invencibilidade e a campanha 100% do PSG não foram suficientes para inverter a classificação do grupo B da Liga dos Campeões, ao menos serviram para resgatar de vez a confiança do gigante alemão para a sequência da Bundesliga. Principalmente, para o retorno da competição continental em fevereiro de 2018. Mesmo sem Robben e com time muito alterado – Vidal, Javi Martínez e Thomas Muller iniciaram no banco de reservas. Não será rival fácil para qualquer líder de grupo nas oitavas-de-final.

Também deixou três avisos para a equipe de Unai Emery se preparar para os duelos mais complicados na segunda metade da jornada 2017/2018:

1 – Intensidade nos 90 minutos

O abismo entre o PSG e os concorrentes na França faz com que o time diminua muito a intensidade em alguns períodos das partidas do campeonato nacional. Especialmente no trabalho sem a bola. Aconteceu no primeiro tempo, com todos os titulares disponíveis, apesar dos 54% de posse de bola e das seis finalizações dos visitantes, com duas boas oportunidades -a mais clara com Neymar em lindo passe de Mbappé e a primeira grande defesa de Ulrich, o goleiro substituto do lesionado Neuer.

Desta vez, porém, era o Bayern do outro lado. Concluiu seis vezes, duas nas redes de Areola. O atalho era pela esquerda, com Ribéry, Alaba e James Rodríguez, que envolveram Daniel Alves, sem o devido auxílio de Mbappé, com relativa facilidade nos gols de Lewandowski e Tolisso. Lateral brasileiro que perdeu a disputa com Coman, que inverteu o lado com a troca de Ribéry por Thomas Muller, no terceiro marcado na segunda etapa, também de Tolisso.

O PSG precisa competir mais, com concentração na maior parte do tempo para não dar armas ao rival. Compactar os setores e contar com mais colaboração dos atacantes além da pressão no campo adversário.

2 – Aproveitar as oportunidades

Por mais méritos que Ulrich tenha nas intervenções que impediram mais gols além do marcado por Mbappé em lindo passe de Cavani, um time que quer vencer Liga dos Campeões, mesmo em uma partida com larga vantagem para garantir a liderança do grupo, não pode aproveitar apenas uma de 13 finalizações e oito no alvo.

Ainda mais com a força do tridente ofensivo. Encontrou o atalho pela direita, com Mbappé levando vantagem seguidamente sobre Alaba e Hummels e tinha obrigação de ser mais contundente. Ainda mais em um jogo fora de casa contra uma equipe da primeira prateleira do futebol europeu. Em um confronto de mata-mata pode ser letal.

3 – O jogo é coletivo

O camisa dez e estrela maior da equipe francesa circulou menos e, consequentemente, não prendeu tanto a bola desta vez. Foi atacante, esperando a bola chegar à zona de decisão para entrar em ação. Primeiro sofreu falta de Kimmich que rendeu um cartão amarelo ao lateral e depois infiltrou em diagonal e obrigou Ulriche a uma fantástica defesa.

Neymar voltou aceso, como todo o time, na volta do intervalo. Mas depois do terceiro gol bávaro nitidamente relaxou, até se escondeu um pouco do jogo. Uma prova de que o talento individual por si só, sem ser potencializado pelo trabalho coletivo, tende a ser menos decisivo. O Bayern, sem grandes estrelas, foi mais eficiente em sua proposta de jogo.

Unai Emery e seus comandados terão dois meses para refletir, fazer os devidos ajustes e tentar fazer o PSG, enfim, ser protagonista na Liga dos Campeões.

(Estatísticas: Footstats)


Futebol não é novela! Cavani e Neymar, mais Mbappé, se entendem no campo
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André Rocha

Ronaldo e Raúl González não eram exatamente amigos, mas em campo se entendiam no Real Madrid galáctico. O mesmo com Edmundo e Evair no Palmeiras e no Vasco, Marcelinho Carioca e Rincón no Corinthians nos anos 1990, Edilson e Petkovic no Flamengo em 2001 e tantos outros exemplos.

Quando há sintonia e amizade, como acontecia com Messi, Suárez e Neymar no Barcelona, tudo flui melhor. Ainda assim, não garante felicidade. Tanto que o brasileiro preferiu partir. Não há fórmula.

A melhor receita em qualquer tempo é deixar as diferenças no vestiário e priorizar o coletivo. Exatamente o que Cavani e Neymar fizeram na grande vitória por 3 a 0 sobre o Bayern de Munique no Parc des Princes. Com o auxílio mais que luxuoso de Kylian Mbappé no 4-3-3 armado novamente por Unai Emery.

Atacante francês que merece um parágrafo à parte. O camisa 29 é jogador para marcar época. Velocidade, visão, técnica, faro de gol, leitura tática. Aos 18 anos já é completo. No primeiro gol atraiu a marcação de Alaba e deixou todo o corredor livre para Daniel Alves receber e finalizar forte. Depois assistências para Cavani e Neymar.

A dupla que atraiu todos os holofotes. Que deixa claro que há uma grande incompatibilidade de temperamentos, visões de mundo. Mas ficou claro no primeiro jogo realmente grande na temporada, diante de um gigante europeu, que não vai faltar vontade de se sacrificar pela equipe.

O camisa nove uruguaio foi o da sua seleção em vários momentos sem a bola, voltando pelos flancos para fechar espaços e dar liberdade para a velocidade dos dois mais jovens e rápidos. Neymar também, com mais sacrifícios e menos individualismo. Leitura de jogo e, principalmente, a compreensão de que o projeto do clube precisa ser maior que as metas e a vaidade de cada um.

O resultado foi um PSG letal. Que foi às redes antes do segundo minuto de jogo e depois condicionou sua proposta à vantagem e ao modelo do adversário que já é bem conhecido. O time bávaro comandado por Carlo Ancelotti adiantou as linhas, teve a bola com Thiago Alcântara e Vidal no meio acionando Kimmich e Alaba nas laterais e Thomas Muller e Lewandowski na frente. Na segunda etapa cresceu com as entradas de Sebastian Rudy e Coman nas vagas de Tolisso e James Rodríguez.

Teve 62% de posse, 85% de efetividade nos passes, 16 finalizações – seis na direção da meta de Areola, que teve boa atuação, assim com Marquinhos e Thiago Silva. E mesmo assim os alemães podiam ter saído com uma goleada histórica nas costas, não fossem três chances cristalinas perdidas por Cavani e Neymar. A do uruguaio em contragolpe puxado por Mbappé e passe genial de calcanhar de Neymar.

Para calar as fofocas e trazer de novo as atenções para o campo. Como deve ser. Futebol não é novela. E daí que os cumprimentos entre eles foram frios ou quentes? Ninguém precisa morrer de amores para encantar as retinas com a bola nos pés. O PSG mostra força com seu tridente que promete outros espetáculos pela Europa. Sem dramas.

(Estatísticas: Footstats)


No novo PSG, Mbappé será Neymar e Neymar será Messi
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André Rocha

Imagem: Divulgação Paris Saint-Germain

Kylian Mbappé é uma contratação que sinaliza o futuro no Paris Saint-Germain. Inclusive o pagamento de cerca de 180 milhões de euros no meio do ano que vem para driblar o Fair Play financeiro da Fifa, por isso o empréstimo agora.

É óbvio que o atacante francês de 18 anos não vale isso. Ninguém poderia custar tanto, mas o mercado enlouqueceu de vez. Aditivado pelo dinheiro do Qatar, sempre de origem que gera dúvidas. Ainda mais de um país acusado de corrupção na “compra” da Copa do Mundo de 2022. A negociação é mais uma demonstração de força do clube.

Com isso, o PSG vai reunir em seu ataque Cavani, o grande artilheiro com personalidade para tomar à frente de Neymar nas cobranças de pênaltis até aqui. Mais o brasileiro, maior contratação da história, e agora a grande revelação do Monaco.

Campeão francês na última temporada com 15 gols e oito assistências, mais seis na Liga dos Campeões. Atraiu os olhos do mundo por combinar velocidade, recursos técnicos, habilidade e poder de decisão. Formando dupla com o colombiano Radamel Falcao no ataque dos 107 gols em 38 rodadas.

Num 4-4-2 na maior parte do tempo, Mbappé tinha liberdade para circular pelos dois flancos e buscar as infiltrações em diagonal. Principalmente partindo da esquerda, cortando para dentro e finalizando.

Só que no PSG, Neymar é o dono do setor, ainda que com liberdade de movimentação. Driblando, concluindo ou servindo os companheiros. Com Cavani absoluto no centro do ataque é possível imaginar o novo membro do ataque atuando pelo lado direito no 4-3-3 habitualmente montado pelo técnico Unai Emery.

Neste caso, as funções também tendem a mudar. Mbappé pode ser para Neymar o que o brasileiro foi para Messi no Barcelona. Ou seja, o ponteiro que ajuda mais no trabalho sem bola e aceita o papel de coadjuvante. Mas ao mesmo tempo é abastecido por passes da estrela com mais visão de jogo. Quantos gols de Neymar não saíram de assistências ou inversões de jogo de Messi a partir do lado direito!

Neymar não tem exatamente o DNA de “enganche” ou “dez” do argentino, muitas vezes peca pelo individualismo – como na vitória brasileira sobre o Equador em Porto Alegre, mas sabe armar jogadas. Basta lembrar as atuações pelo centro na Olimpíada do Rio ou no próprio Barça na ausência de Messi. Agora tem tudo para servir seu novo companheiro. Ser o ponta armador, deixando para Mbappé a função de infiltrar em diagonal com mais frequência para finalizar.

No provável 4-3-3 do PSG, Mbappé deve atuar pela direita, infiltrando em diagonal e voltando mais para ajudar na recomposição, dando liberdade à estrela Neymar, que pode abastecer como ponta articulador o novo companheiro de ataque (Tactical Pad).

Questão de adaptação do jovem atacante, autor do último gol da goleada da França por 4 a 0 sobre a Holanda. Iniciando e finalizando contragolpe letal. Explosão física e potencial de melhor do mundo.

Com o tempo, Mbappé deve ser deslocado naturalmente para o centro do ataque no novo clube, mas uma função de maior sacrifício agora pode torná-lo mais completo. Um aprendizado que será bom para todos. Incluindo o PSG, para fazer valer mais um investimento surreal que varreu o mercado no último dia da janela de transferências na Europa.

 


O 3º ato de Neymar no PSG: sem espaços e espetáculo, mas ainda decisivo
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André Rocha

Para a quarta rodada da Ligue 1, segunda partida do Paris Saint-Germain no Parc des Princes, Unai Emery deixou Thiago Silva e Daniel Alves no banco, alinhou Rabiot a Thiago Motta dando liberdade a Pastore, substituto do suspenso Verratti no meio-campo.

Na prática, a execução do 4-2-3-1 perdeu força pela direita com Meunier na lateral direita e sem um meia a mais na aproximação com o trio de ataque.  Pouca mobilidade. Apenas Neymar girando e Di María e Pastore invertendo na ponta e no centro.

Mais difícil para furar o 5-4-1 do Saint Etienne bem montado pelo treinador espanhol Oscar Garcia. Naturalmente com um comportamento mais reativo do que nas três vitórias que o maior campeão da França alcançou neste início de temporada. Pragmático e objetivo, com poucos toques, saída rápida pela esquerda com Dabo e Maiga aparecendo na frente para finalizar. Nunca ultrapassando os 40% de posse – terminou com 39%.

Nos primeiros 45 minutos foram oito conclusões dos visitantes contra apenas uma no alvo do PSG: a cobrança de pênalti forte e precisa de Cavani. Uruguaio que sofreu a falta na área após receber passe de Neymar, numa das raras vezes em que o brasileiro encontrou espaços entre defesa e meio-campo do oponente. Quando conseguiu foi criativo.

Não houve brechas para infiltrações em diagonal e dribles em progressão. O Saint Etienne em nenhum momento desmanchou o sistema nem mudou a proposta, mesmo com a desvantagem.

A segunda finalização também foi nas redes. Jogada aérea com bola parada, cobrança de Neymar, Marquinhos ajeitou e Thiago Motta aproveitou. Descomplicando o duelo mais duro até aqui no campeonato nacional. Muito por demérito de um desempenho de baixa intensidade e poucas ideias para criar espaços do PSG, especialmente na primeira etapa. Também pelo trabalho defensivo cuidadoso do Saint-Etienne.

A ideia era nítida: defender no próprio campo para evitar uma goleada e só sair em transições rápidas. Correta e podia ter conseguido algo mais não fossem as boas defesas do goleiro Areola. Foram 12 finalizações contra 14 do PSG. Cedeu poucos contragolpes e o PSG só aproveitou um, no final com Cavani para fechar os 3 a 0. Iniciado por Neymar.

O camisa dez acertou oito dribles e teve 77% de aproveitamento nos passes. Mas buscou pouco a parceria com lateral Kurzawa, substituído pelo estreante Yuri Berchiche. Não desequilibrou desta vez, mas teve participação decisiva na construção do placar. Ilusão pensar que vai dar espetáculo sempre. O saldo até aqui, porém, segue positivo.

O 4-2-3-1 do PSG, com Di Maria e Pastore alternando à direita e Neymar sem muitas associações com o Kurzawa do lado oposto teve dificuldades para criar espaços entre as linhas no 5-4-1 do Saint-Etienne (Tactical Pad).

(Estatísticas: WhoScored)

 


Neymar, um extraterrestre na estreia em Paris
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André Rocha

Um começo discreto jogando mais pela esquerda no 4-3-3, só buscando o centro para abrir o corredor para as descidas do lateral Kurzawa. Bem diferente da mobilidade da estreia contra o Guingamp.

Mas bastou o Toulouse mostrar resistência se fechando em duas linhas de quatro compactas e abrir o placar com Max Gradel aproveitando falha de posicionamento de Daniel Alves para Neymar despertar na sua estreia com a camisa do PSG no Parc des Princes.

Dribles, duas bolas nas traves, tabelas, duas assistências, um pênalti sofrido e convertido por Cavani, dois gols. O segundo foi o último dos 6 a 2, já num clima de final de pelada em churrasco, mas fez a alegria do torcedor com a habilidade absurda do brasileiro.

Descomplicando com o auxílio luxuoso de Rabiot, autor do segundo gol, uma disputa que podia ter sido mais parelha. Principalmente quando Unai Emery trocou Thiago Motta por Pastore e perdeu Verratti expulso. Podia ter se complicado no trabalho defensivo.

Mas o próprio meia argentino acertou bela conclusão no ângulo depois do gol do zagueiro Jullien aproveitando vacilo de Thiago Silva. E Neymar sobrou em um universo de 66% de posse e 23 finalizações dos donos da casa contra seis. A mais bela em cobrança de escanteio como uma tacada de bilhar do camisa dez e fantástica virada de Kurzawa.

Está claro que o nível técnico e a capacidade de improviso da contratação mais cara da história destoam na Ligue 1. Um extraterrestre voando no primeiro ato em Paris.

(Estatísticas: Ligue 1)


Neymar no PSG: a tática e os desafios da maior contratação da história
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André Rocha

Neymar não vale 222 milhões de euros. Ninguém vale, como bem disse Zinedine Zidane, que já foi a maior contratação da história. Tempos de um mercado menos insano. Mas o Barcelona estipulou este valor astronômico de multa rescisória para se proteger e o Paris Saint-Germain pagou para ver.

E quer ver um craque para mudar de patamar, dentro e fora do campo. Fazendo gols e vendendo imagem. Camisas, produtos. Tudo. Comprando a briga de transformar o time francês definitivamente numa potência europeia.

Para isso o clube já sinaliza que o time montado pelo espanhol Unai Emery jogará em função de seu astro maior. O novo camisa dez partindo do lado esquerdo, fazendo dupla com o jovem lateral espanhol Yuri Berchiche, contratado à Real Sociedad. Com liberdade, porém, para circular por todo o ataque. Servindo os companheiros, mas também finalizando. Sem o sacrifício de defender e ser mais assistente de Messi e Suárez.

Com o desenho tático podendo variar entre o 4-3-3, o 4-2-3-1 e até o 4-4-2. Opções não faltam, como Matuidi, Draxler, Di María e Lucas Moura para se juntar ao brasileiro e Edison Cavani, o artilheiro da equipe na última temporada com 49 gols em 50 jogos. Mas, se preciso, até o uruguaio pode ajudar na recomposição e dar liberdade a Neymar, que funciona até como um atacante mais móvel, solto na frente.

Sair um pouco do lado esquerdo pode torná-lo ainda mais imprevisível, sem o vício de cortar da esquerda para dentro com o pé direito. Algo que pode, inclusive, ser útil para fazer Tite pensar em alternativas e tornar a seleção brasileira menos presa ao 4-1-4-1 que vem funcionando nas Eliminatórias. Assim como fez no Real Madrid com Cristiano Ronaldo, Di María pode ser o meia que compõe o setor esquerdo e permite que o ponteiro seja ainda mais atacante e decisivo.

Uma das muitas possibilidades de Unai Emery na montagem do PSG com Neymar: 4-3-3 que pode variar para o 4-4-2 com Neymar se juntando a Cavani na frente e Di María repetindo o que fez com Cristiano Ronaldo no Real Madrid: compondo o lado esquerdo para deixar o brasileiro com liberdade total (Tactical Pad).

A equipe francesa pode alternar também os ritmos, cadenciando com Verratti ou acelerando com Neymar. Com tantos jogadores versáteis e de movimentação, é possível criar ações de ataque que surpreendam na inversão de lado e encontrem Daniel Alves com liberdade pela direita para buscar a linha de fundo ou mesmo finalizar. É outro trunfo de Emery, além da experiência e do currículo vitorioso do lateral brasileiro.

O primeiro desafio é recuperar a hegemonia na França, ainda que o campeão Monaco, pelo menos até agora, não tenha perdido Fabinho e Mbappé na carona das saídas de Bernardo e Mendy para o Manchester City, Bakayoko para o Chelsea. o treinador português Leonardo Jardim ainda ganhou o meia belga Tielemans e o zagueiro holandês Kongolo. Com lucro superior a 100 milhões de euros nas transferências, talvez não precise perder mais ninguém nesta janela.

De qualquer forma, Jardim não contará com um de seus maiores aliados na última temporada: o fator surpresa. Já entra na Ligue 1 como o time a ser batido. Também ganha concorrentes além do surpreendente Nice de Mario Balotelli, terceiro colocado na última edição. O Lille de Marcelo Bielsa pode incomodar, mesmo com a “loucura” do argentino exaurindo as forças físicas e mentais do elenco no final da temporada e jogando fora qualquer chance de disputar efetivamente o título.

Claudio Ranieri, veterano italiano que comandou o Leicester City no seu conto de fada inglês, chega ao Nantes. O Olympique de Marseille renovou com Rudi Garcia, o Saint-Etienne foi atrás do espanhol Oscar García, ex-Red Bull Salzburg, para tentar recuperar o protagonismo perdido na história como o mais vencedor do país. O Lyon negociou o artilheiro Lacazette ao Arsenal e contratou Bertrand Traoré ao Chelsea. Deve pleitear no máximo uma vaga na Liga Europa.

Equipes para tentar equilibrar no aspecto tático uma disputa que tende a ser novamente desigual a favor do PSG no talento. Mesmo que a prioridade seja a Liga dos Campeões. Ou obsessão. Para desbancar o domínio do Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo. Além do atual bicampeão, a Europa apresenta ainda Bayern de Munique e Barcelona, mesmo com o baque da perda de uma peça do seu tridente sul-americano espetacular e sem muita margem para gastar o muito que recebeu, à frente no protagonismo.

Antes desta trinca de campeões das últimas quatro temporadas, ainda há fortes concorrentes, como Juventus e Atlético de Madri, os vice-campeões. Além de Chelsea e o Manchester United que retornam à Champions e o promissor Manchester City de Pep Guardiola. Disputa dura que a presença de Neymar torna mais acessível, porém não menos cruel. Ainda mais num torneio eliminatório guiado por sorteio. O cruzamento prematuro com um favorito, uma noite ruim e o sonho pode ruir.

Neymar chega a Paris para se unir a Daniel Alves e tornar o ambiente mais positivo e confiante. Mudar de tamanho para não se apequenar como na traumática eliminação para o Barcelona. Arbitragem à parte, foi a noite em que o PSG viu o craque brasileiro suplantar Messi, o gênio de uma era, e construir o que parecia impossível.

O protagonista e candidato a Bola de Ouro, a maior contratação da história do esporte que eles querem escrevendo capítulos inéditos, os mais vencedores de um clube com menos de meio século que ousa desafiar com seus milhões de euros os gigantes do futebol mundial.