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Neymar não “mata” centroavantes como Mano Menezes pensa. O problema é outro
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André Rocha

Foto: Antonio Scorza/AFP

Desde quando surgiu em 2009 até agora, Neymar disputou 551 jogos por Santos, Barcelona, Paris Saint-Germain e seleções brasileiras (olímpica e principal). Marcou 337 gols e serviu 180 assistências.

Muitos passes para gols. De André, Zé Love, Fred, Suárez, Messi, Cavani, Mbappé e Gabriel Jesus. Em 2010, seu recorde no Brasil: 20. Em 2016/17, última pelo Barcelona, o maior equilíbrio: 20 gols e 21 assistências, líder neste último quesito entre as principais ligas da Europa.

Logo, fica difícil concordar com Mano Menezes, em sua participação como convidado de Galvão Bueno no programa “Bem Amigos” do SporTV,  quando afirmou que o craque brasileiro “não prepara jogadas para o centroavante, só para ele decidir”. Em resposta a um questionamento sobre a falta de gols de Gabriel Jesus na Copa do Mundo.

Muricy Ramalho, hoje comentarista do canal de esportes, interferiu bem discordando e citando as assistências de Neymar tanto no período em que foi seu jogador no Santos quanto jogando no futebol europeu e na seleção.

Não é este o ponto. Neymar é a estrela e centraliza as jogadas, sim. Também é exímio finalizador e é normal que marque mais gols até que o centroavante. O que prejudica Neymar é o individualismo lá no início do processo. Culpa também de sua formação.

Porque ele é a estrela da companhia desde sempre. Na base foi moldado para decidir, assumir a responsabilidade. “Vai para cima!” é o que ouve desde criança. Por isto escolheu o lado esquerdo do campo para jogar. O flanco é menos congestionado para receber e partir com a bola no seu pé direito para dentro.

Repare no seu comportamento nos gramados do mundo. Recebe a bola e analisa rapidamente se é possível progredir através de dribles. Se está bem cercado pelo adversário, toca para o lado ou para trás e espera. Seu time roda a bola. Se voltar para ele há uma nova tentativa. Caso os caminhos estejam fechados ele desiste de novo.

Até surgir a chance de arrancar em diagonal ou para a ponta depois cortando para dentro quando estiver mais perto da área adversária. Só na zona de decisão é que Neymar resolve se vai passar ou ele mesmo finalizar. Ou seja, o caminho é solitário e individualista, sim. Mas no final ele também pode ser solidário e servir um companheiro.

Onde Neymar erra? Primeiro quando não tem paciência para esperar e tenta abrir a defesa à forceps. Bate no muro e perde a bola ou sofre falta. E exagera na reclamação e nas caras e bocas. Muito esforço para pouco rendimento.

Falta jogo associativo. Tocar a bola, se deslocar, dar opção de passe entre as linhas do adversário. Trabalhar coletivamente na intermediária ofensiva. Ser um elemento importante, mas dentro de um modelo de jogo. O mais próximo que chegou foi no Barcelona que tinha Messi como estrela. Ou no início da “Era Tite” na seleção

No Santos, inclusive com Muricy, com a camisa verde amarela e agora no PSG, a noção de protagonismo que aprendeu cedo: “Toca em mim!” Ele é o ataque. O passe final ou a conclusão. Se Neymar não está no auge físico e técnico fica mais complicado.

Por isso o sacrifício de Gabriel Jesus na Copa do Mundo. Não raro os momentos em que Neymar ficou solto na frente poupando energias. Como no final do trabalho interrompido de Mano Menezes na CBF em 2012 para a volta de Felipão e Parreira. Talvez seja o melhor neste ciclo até 2022 com Tite. Não por “matar” o centroavante, como Mano pensa.

Apenas ganhar jogo coletivo e um talento admirável que define jogadas. Com gols e assistências.

 


Recuperação de Neymar fica cada vez mais distante do “Caso Ronaldo 2002”
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André Rocha

Foto: Ricardo Nogueira/FolhaPress

Quando Neymar fraturou o quinto metatarso do pé direito no dia 25 de fevereiro, muitos no Brasil tentaram ver o aspecto positivo da lesão da maior estrela brasileira: a inatividade no PSG poderia dar uma vantagem física ao atacante na Copa do Mundo, evitando o desgaste da reta final da temporada europeia. Ainda estavam em disputa as oitavas de final da Liga dos Campeões.

Inevitável a lembrança do “Caso Ronaldo 2002”. O craque e artilheiro do penta voou na Copa mais descansado enquanto estrelas como Zidane e Figo chegaram esgotados na Ásia depois da conquista da Champions com o Real Madrid. Mesmo vindo de lesões gravíssimas no joelho em 1999/2000. E outra coincidência: a previsão de três meses de recuperação seria o mesmo período em que o Fenômeno ficou fora dos gramados antes da Copa que o consagrou.

Pois estamos no início de junho e o Brasil fará seu primeiro amistoso já dentro do período de preparação exclusiva para o Mundial na Rússia. Domingo, diante da Croácia em Liverpool. Faltando exatamente duas semanas para a estreia contra a Suíça. E Neymar começará no banco.

O jogador parece tranquilo, sempre sorridente nos treinos. A comissão técnica também traça um planejamento para que ele esteja preparado para a estreia. Mas há uma diferença fundamental que distancia cada vez mais o caso do atual camisa dez da seleção de Ronaldo há 16 anos: o período sem jogar na linha do tempo.

Ronaldo se lesionou em 2000 pela Internazionale. Voltou aos campos em julho de 2001. Até o fim daquele ano disputou 13 jogos. Foi uma lesão na coxa esquerda que tirou de ação o atacante no ano da Copa. Mas voltou no final de março, exatamente num amistoso da seleção contra a Iugoslávia. Luiz Felipe Scolari chamou para testar sua condição.

Tudo Ok, ele seguiu com a preparação e disputou o amistoso contra Portugal em abril que consolidou a ideia de Felipão de reunir Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo na frente e dar liberdade aos alas Cafu e Roberto Carlos em um esquema com três zagueiros. O Fenômeno participou do período de treinamentos e chegou inteiro já para a estreia contra a Turquia.

Já Neymar terá que retomar o ritmo de competição durante a Copa. Depois de três meses sem jogar. Por uma lesão que é considerada “chatinha”. Ou seja, por maior que seja o otimismo, a rigor, é uma incógnita. Impossível prever como retornará a grande referência técnica do grupo convocado por Tite.

Junte a isso a lesão de Douglas Costa, o eventual substituto dentro da ideia de ter Philippe Coutinho por dentro na linha de meias do 4-1-4-1 contra seleções mais fechadas, e temos uma preparação um tanto prejudicada para encarar o mais desafio brasileiro: furar linha de cinco defensores. Algo que objetivamente não vimos contra a Rússia, a ponto do adversário, em casa, se arriscar na frente e ceder os espaços que o Brasil aproveitou para fazer 3 a 0.

A vantagem é que, ao contrário de 2002, o modelo de jogo foi consolidado nas Eliminatórias e a dependência de Neymar não é a mesma dos tempos de Felipão em 2014 e de Dunga nos dois primeiros anos do ciclo até a Rússia. É possível até pensar em um Neymar no ritmo e pronto na última partida da fase de grupos. E voando a partir das oitavas, aí sim com vantagem física sobre Messi, Cristiano Ronaldo, Griezmann, Toni Kroos, Isco…

Não deixa, porém, de ser um grande ponto de interrogação até lá. Assim como Ronaldo em 2002. Que ao menos o final desta história seja o mesmo.


Seis lições que o Real Madrid deixa para as seleções da Copa do Mundo
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André Rocha

Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Sergio Ramos à parte – ou aproveitando apenas o melhor de um dos grandes zagueiros do futebol mundial -, o Real Madrid impõe com o tricampeonato e os quatro títulos nas últimas cinco edições uma supremacia única na Era Champions League do maior torneio de clubes do mundo. Tempos em que clubes são maiores que as seleções, ainda que a Copa do Mundo siga imbatível no tamanho e na repercussão, até por acontecer com menos frequência.

O time de Zinedine Zidane ganhou três Ligas dos Campeões e apenas uma liga espanhola. É de mata-mata. Ou só de “mata”, como provou nas finais que venceu. Como será para as seleções no Mundial da Rússia a partir das oitavas de final. Por isto o blog destaca seis lições que esta equipe deixa para os países envolvidos, especialmente o grupo de favoritos:

1 – Todo pecado será castigado

Errar contra o Real costuma ser letal. Até rimou. Mas tem sido assim. É um time que não perdoa vacilos. PSG, Juventus, Bayern de Munique e Liverpool. Todos tiveram períodos de domínio ou de equilíbrio e sucumbiram em falhas, individuais ou coletivas. Assim também nas outras duas conquistas. Já os equívocos dos merengues não foram aproveitados com a mesma competência. Em 180 minutos, imagine em, no máximo, 120 a importância de minimizar erros. A precisão, como sempre, será fundamental.

2 – A força da mente

O gigante de Madri se alimenta de confiança que proporciona conquistas que aumentam a força mental. Para sair de situações complicadas e também atropelar quando o oponente baixa a guarda. Tantas vezes a desorganização dos setores em campo foi compensada com uma autoridade que intimida. Até os árbitros, diga-se. Mas não deixa de ser um mérito. Tantas vitórias transmitem a certeza de que no fim tudo terminará bem e joga a insegurança natural em um jogo grande para o outro lado.

3 – O talento é fundamental

Zidane foi um dos maiores jogadores da história do esporte. Tinha um talento especial que quando foi potencializado pelo coletivo produziu maravilhas nos gramados do planeta. Como treinador manteve esta convicção e explora o melhor de seus atletas. Porque uma bicicleta de Cristiano Ronaldo, um voleio de Bale, uma assistência de Kroos e um drible de Marcelo podem desmoronar qualquer modelo de jogo. Ainda que nenhum país consiga reunir craques como os clubes bilionários, quem tem qualidade deve explorá-la muito bem.

4 – A melhor notícia é não ter novidades

Os mesmos onze titulares em duas finais de Liga dos Campeões. Só o Real Madrid conseguiu. E a base mudou bem pouco desde 2014. O entrosamento também foi um trunfo. Para jogar ao natural, “de memória”. No universo de seleções é ainda mais importante, pela impossibilidade do trabalho diário ao longo das temporadas. Não por acaso, Espanha e Alemanha venceram os últimos mundiais usando Barcelona e Bayern de Munique como bases. A renovação é inevitável, mas quanto menos mexer durante a Copa, melhor.

5 – Fase de grupos não diz muita coisa

Nas últimas duas conquistas, o Real não terminou na liderança do seu grupo na primeira etapa do torneio continental. Ficou atrás do Borussia Dortmund em 2016 e do Tottenham no ano passado. Ainda que a Copa não tenha a pausa de dois meses, nem sorteio de confrontos, a lógica segue a mesma: jogos eliminatórios são de outra natureza, envolvem outras valências e a tradição costuma contar muito. No universo das seleções, com seu grupo seleto de campeões mundiais, mais ainda. Fase de grupos é para se classificar.

6 – Serenidade e simplicidade no comando

Se há algo para Pep Guardiola, sempre pilhado demais na Champions, e outros treinadores pelo mundo devem aprender com Zidane é que num ambiente que já carrega pressão descomunal por envolver paixão e muito dinheiro, quanto mais calma o comando passar, melhor. E mesmo quando promove variações táticas ou na proposta de jogo, o treinador merengue faz com simplicidade, para que os atletas entendam e executem. Sem chamar para si os holofotes. Até porque não há revolução a ser feita numa Copa do Mundo. É jogar com calma e atenção nos detalhes.


PSG vive em março um fim de festa. Tem que rever projeto, com ou sem Neymar
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André Rocha

O Paris Saint-Germain goleou o lanterna Metz por 5 a 0 no primeiro jogo de “luto” após a eliminação da Liga dos Campeões. Mantém os 14 pontos de vantagem sobre o Monaco na liderança da Ligue 1. É favorito também na Copa da França e na Copa da Liga.

Mas e daí? O foco era a Champions. A obsessão. Ainda que o título francês marque a recuperação da hegemonia nacional, o clima já é de decepção, fim de temporada. Muitas especulações de saídas. Sobre Neymar esfriaram um pouco por conta da lesão. Já Unai Emery está mesmo se despedindo do clube. A rigor, nem devia ter permanecido depois de sequer vencer a liga na temporada passada, sem contar a tragédia contra o Barcelona.

A tendência é que o clube defina o novo treinador e consulte o comandante sobre reformulação ou não do elenco. Mas tudo isso já em março?

PSG precisa refazer seu projeto. Palavra banalizada no Brasil pelo nosso amadorismo de todo dia, mas que deve ser levada muito a sério por quem despeja milhões de euros em um clube de futebol. A meta principal, inevitavelmente, será a conquista do principal torneio de clubes do planeta.

Mas os valores podem ser revistos. Não só os financeiros. Unir individualidades em torno do coletivo. Transformar a evolução da equipe com conteúdo tático como a alavanca para manter o foco. Sair um pouco dos resultados, concentrar mais no jogo.

Assim a construção das vitórias na liga seria mais tranquila e a campanha na Champions encarada de forma natural, parte do processo. Sem aumentar a pressão que já é enorme.

Olhando para o desempenho, além da fragilidade mental que é nítida, uma deficiência salta aos olhos: como o PSG defende mal pelos flancos! Até contra o fraquíssimo Metz no Parc des Princes levou alguns sustos nas costas de Berchiche pela esquerda. Muito pela indolência de quem joga na frente. Seja a estrela Neymar ou Nkunku, o garoto em busca de espaço que marcou dois gols.

Se priorizar o trabalho tático, a disparidade abissal entre as equipes francesas continuaria sendo relativizada, mas o acerto nos movimentos defensivos seria um parâmetro mais seguro que a fragilidade dos ataques adversários. Nesta temporada, o PSG venceu várias partidas marcando “com os olhos” e quando chegou na competição continental, especialmente contra o Bayern em Munique e nos confrontos com o Real Madrid, a verdade veio inexorável. Até cruel.

É hora do dinheiro formar um time na acepção da palavra. Começando pelo treinador. Se este que escreve assinasse o cheque iria atrás de Jurgen Klopp. Não só pela competência, mas pelo carisma para agregar e dar fogo e intensidade ao que parece tão morno.

Acima de tudo, fazendo o coletivo potencializar o talento. Com ou sem Neymar. Ou qualquer outra estrela. É urgente.

 

 


A aula de 4-4-2 e de maturidade do Real Madrid em Paris
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André Rocha

No Brasil é costume justificar a ineficiência de um time pela falta do “camisa dez”. Essa entidade capaz de resolver qualquer problema de criatividade em qualquer equipe.

Pois o Real construiu a virada sobre o PSG por 3 a 1 em Madri e consolidou sua classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões com outra vitória no Parc des Princes atuando num típico 4-4-2.

Dois volantes: Casemiro e Kovacic. Mais Lucas Vázquez e Asensio pelos flancos, deixando Benzema e Cristiano Ronaldo na frente. Execução exemplar das linhas de quatro, com setores próximos, pressão no adversário com a bola, estreitando a marcação para fechar as opções de passe.

Com a bola. saída rápida e movimentação para não deixar o time engessado. No primeiro gol, Asensio interceptou passe de Daniel Alves, acionou Vázquez, que colocou na cabeça de Cristiano Ronaldo. O terceiro gol do português no confronto. Mais uma vez decisivo num mata-mata de Champions. O 12º do artilheiro do torneio. Desta edição e de todos os tempos.

Símbolo da maturidade de um time vencedor. Histórico. Simples, inteligente e decisivo na tomada de decisão. Como funcionou o coletivo do bicampeão europeu. Já favorito ao tri pelo que representa.

Tudo que o PSG não teve. Ainda não tem. Talvez não tivesse com Neymar em campo. A expulsão de Verratti é símbolo do desequilíbrio emocional, da desistência da luta. Do apequenamento. Nem precisou sofrer um gol para silenciar o estádio. A postura do adversário já murchou a torcida, que só ensaiou uma reação no gol de joelho do Cavani que empatou o jogo. Não foi suficiente. Coisas que o dinheiro não compra.

Mas contratar um treinador melhor que Unai Emery para manejar um elenco milionário será um bom início de planejamento para a próxima temporada. Escalações questionáveis, substituições indecifráveis. No episódio das cobranças de pênalti que criou o imbróglio Neymar x Cavani, a nítida falta de autoridade. O vestiário ficou maior que o homem  que devia liderá-lo.

O Real tem Zidane. Com as hesitações normais de um novato no ofício, mas com moral absurda pelo que jogou e representa para o clube. Sua serenidade reflete em campo nas partidas decisivas. Mas neste duelo a mão de estrategista ficou clara. Especialmente por fazer o time voar pela esquerda para construir a virada.

Mas o golpe final saiu pela direita. Passe de Cristiano Ronaldo, centro de Vázquez e, na sobra, o chute de Casemiro que desviou em Marquinho e saiu de Areola. O Real controlou o jogo e mereceu sair de Paris com uma vitória emblemática. Uma aula tática e de maturidade. Do gigante nesta disputa.


Real Madrid 3×1 PSG – Tamanho é documento! A virada de Zidane em Madri
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André Rocha

Zinedine Zidane começou acertando na escalação quando fez voltar Isco no lugar de Bale para buscar a supremacia no meio campo e tornar o Real Madrid mais móvel, menos engessado. Ainda que o meia espanhol tenha passado boa parte do jogo aberto pela direita.

Unai Emery mandou a campo Kimpembe na zaga e Thiago Silva ficou no banco. No meio, o trio Verratti, Lo Celso e Rabiot sem definir o jogador mais fixo à frente da defesa que tinha Berchiche na lateral esquerda.

Foi o pecado do PSG, deixando muitos espaços entre as linhas. Quase pagou caro na virada espetacular de Marcelo para Cristiano Ronaldo chutar no rosto do goleiro Areola. Sem contar que o duelo que atraiu os olhos do mundo ficou grande demais para alguns jogadores, especialmente Lo Celso. Verratti parecia inseguro também.

Rabiot compensava com onipresença, inclusive na área para aproveitar a sobra de um contragolpe puxado por Mbappé que Nacho evitou a finalização de Neymar, mas permitiu o rebote para o francês, que não foi acompanhado por ninguém do meio do Real.

Jogo igual, com o time merengue muito preocupado com Neymar cortando da esquerda para dentro, mas fechando espaços para a finalização, embora os passes também tenham criado perigo. A equipe de Unai Emery compensava os espaços no meio com boa atuação da última linha de defesa, inclusive Daniel Alves, concentradíssimo no posicionamento.

Mas Lo Celso fez pênalti tolo sobre Kroos e Cristiano Ronaldo empatou no fim do primeiro tempo. Fundamental mentalmente para um time buscando recuperação na temporada. Ainda mais pelo que viria na segunda etapa.

Emery deveria ter tirado Lo Celso no intervalo. Preferiu trocar Cavani por Meunier para liberar Daniel Alves como ponta e Mbappé no centro do ataque.  A troca fez Neymar sumir aos poucos do jogo. Outro equívoco do treinador foi manter sua equipe com linhas adiantadas e sem proteção, mesmo ganhando velocidade na frente, mas perdido Cavani como pivô.

Já Zidane foi certeiro: Bale na vaga de Benzema e o resgate da formação dos 5 a 2 sobre a Real Sociedad no fim de semana – Lucas Vázquez e Asensio pelos lados formando a linha de quatro no meio com Modric e Kroos. Marcelo ganhou com Asensio a companhia que faltava para voar pelo seu setor. Novamente o bicampeão europeu atropelou no segundo tempo de uma decisão.

Em duas ações pela esquerda, o gol de joelho de Cristiano Ronaldo, o 11º em sete jogos no torneio, e Marcelo para abrir uma vantagem bem mais complicada de ser revertida. Só com 2 a 1 contra, Unai tirou Lo Celso. Mas não colocou o veterano Lassana Diarra, mais habituado a jogos deste tamanho e a atuar mais fixo. Colocou Draxler e seguiu sem consistência.

Facilitou a virada com a marca de Zidane. No Bernabéu, mais uma vez o tamanho foi documento no jogo grande que sempre é mais mental que tático ou técnico. O PSG terá que ser gigante em Paris. Será que consegue?


Por que Neymar pode ser a diferença a favor do PSG contra o Real Madrid
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André Rocha

Enfim chegou a hora do mata-mata da Liga dos Campeões. De 11 de dezembro de 2017 para cá muita bola rolou, mas o confronto mais esperado continua sendo Real Madrid x PSG. A expectativa só aumentou ao longo do tempo com as oscilações do time merengue e as muitas polêmicas de bastidores em Paris. Felizmente o primeiro duelo, no Santiago Bernabéu, já acontece na primeira semana de disputa.

Ambos venceram no sábado por suas ligas contra Toulouse e Real Sociedad com o Real, por conta dos 5 a 2 em Madri, deixando uma impressão positiva. Mas a formação no 4-4-2 com Lucas Vázquez e Asensio pelos lados no meio-campo deve mudar com o retorno de Casemiro e Gareth Bale. Mais provável o retorno do 4-3-3 das últimas partidas e da conquista continental de 2015/2016.

Sem a bola, a dinâmica segue a mesma. Bale volta pela direita formando a segunda linha de quatro com Modric, Casemiro e Kroos. Por conta da qualidade e do volume de jogo do adversário, Zinedine Zidane vai precisar da concentração que vem faltando, especialmente na compactação dos setores para expor menos a retaguarda.

Sem Carvajal e, provavelmente, com Nacho improvisado pela direita, a tendência é o Real atacar ainda mais pela esquerda, com Marcelo, Kroos e Cristiano Ronaldo ou Benzema. Até para forçar o lado de Daniel Alves que não costuma ter um apoio no trabalho defensivo de Mbappé – é possível que muitas vezes seja Cavani o atacante que volta pela direita na recomposição.

Unai Emery deve montar o Paris Saint-Germain também no 4-3-3 que se desdobra em duas linhas de quatro sem a bola. No meio, além de Mbappé, Verratti e Thiago Motta pelo centro e Rabiot abrindo à esquerda para auxiliar Kurzawa e dar liberdade a Neymar.

O brasileiro pode ser a chave do PSG para se impor. No jogo de ida e no confronto. Não, não é patriotada, muito menos uma afirmação apenas para agradar os fãs e irritar os haters do brasileiro. Há uma razão que passa pelas características dos atacantes que estarão em campo.

Bale, Benzema, Cristiano Ronaldo, Cavani e Mbappé são atacantes típicos. Força, velocidade, explosão, capacidade de finalização, técnica. Cada um com uma característica mais preponderante. Neymar é o único que tem um pouco menos de força, mas compensa, e pode desequilibrar, pela capacidade de funcionar como um armador.

Porque a luta no meio-campo será árdua, com muita qualidade na organização para ser bloqueada e um duelo de imposição de ritmo. Com o trio “BBC”, o Real não tem um atacante para fazer a “liga”, como era Isco na execução do 4-3-1-2 antes de cair de rendimento e ser sacado.

O PSG tem Neymar. Para buscar a bola e distribuir passes e lançamentos, procurar os espaços às costas de Casemiro e Modric.. Ou partir para cima do improvisado Nacho. Fazer a bola chegar ainda mais fácil nos seus companheiros de ataque. Flexibilizar e tornar menos previsíveis as ações ofensivas. Ser o ponta articulador que desequilibra a marcação do oponente. Já tem 14 assistências na temporada, três na Liga dos Campeões.

Sem contar o faro de artilheiro: 28 gols em 27 partidas, seis na Champions. Com bola rolando ou nos pênaltis e faltas. Ainda que a liga francesa não tenha a competitividade da espanhola, são números significativos na temporada de quem chegou para ser o protagonista.

Neymar visitou o Bernabéu três vezes: venceu duas, perdeu uma e fez dois gols. Mas nunca sua equipe precisou tanto dele como agora. Para dar sequência ao projeto de vencer o principal torneio de clubes do planeta. Eliminando o bicampeão.

Não há favorito. O PSG tem “fome” e decide em casa. O Real tem a experiência e a confiança de três conquistas nas últimas quatro edições e o foco absoluto na chance de título que sobrou na temporada. Muito equilíbrio. A diferença pode ser Neymar.

As prováveis formações de Real Madrid e PSG para o primeiro duelo: equipes no 4-3-3 variando para as duas linhas de quatro sem a bola com Bale e Mbappé ou Cavani voltando pela direita. Duelo de força e qualidade no meio-campo e no ataque. Neymar pode ser a diferença como um ponta articulador partindo da esquerda para circular às costas do meio-campo adversário ou indo para cima do improvisado Nacho (Tactical Pad).


PSG e Real atacam bem e defendem mal. Quem se organiza primeiro pro duelo?
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André Rocha

O Real Madrid se recuperou da vexatória eliminação na Copa do Rei em casa para o Leganés com um resultado expressivo: 4 a 1 sobre o Valencia no Estádio Mestalla. Com o time da casa disputando vaga na Liga dos Campeões e que não perdia para os merengues em seu estádio há três temporadas.

O time de Zidane foi vertical no resgate do trio BBC. Gareth Bale voltando a executar a função de atacante que volta pela direita formando a segunda linha de quatro. Sem Isco, o atual campeão da Espanha e da Europa perde criatividade e volume de jogo, porém fica mais letal na frente.

No contragolpe de manual, o pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo. Depois uma falta mais que duvidosa de Montoya sobre Benzema para o camisa sete marcar o segundo também na penalidade máxima. Gol de Mina e muita pressão do Valencia em busca do empate. Com Lucas Vázquez na vaga de Bale manteve a estrutura tática, porém perdeu “punch” na frente.

Mas Asensio no lugar de Benzema centralizou Cristiano Ronaldo e deu a Marcelo o parceiro para a bela tabela que terminou no golaço do lateral brasileiro. O de Toni Kroos não foi menos belo, também em tabelinha rápida. Goleada, mas sem grande atuação coletiva e muitas dificuldades no trabalho defensivo. Houve uma nítida queda na intensidade e na compactação dos setores.

O PSG enfiou 4 a 0 no Montpellier. Dois de Neymar, o recorde de gols de Cavani, agora com 157 pelo clube. Mais um do redivivo Di María na vaga do lesionado Mbappé. O jovem argentino Lo Celso ditando o ritmo no meio-campo com Rabiot. Mais uma daquelas típicas vitórias tranquilas do time de Paris no Campeonato Francês.

Eis o problema para a equipe de Unai Emery. A falta de testes mais consistentes na liga nacional. Mas as raras derrotas, como os 2 a 1 impostos pelo Lyon, mostram uma equipe com sérias fragilidades defensivas. Muitas vezes com apenas seis jogadores de linha atrás da linha da bola e os laterais Daniel Alves e Kurzawa expostos, sem apoio do meio-campo.

Emery não está errado ao tentar buscar abrigar o maior número possível de jogadores talentosos na formação titular, mas há efeitos colaterais. A questão nem é marcar, ter especialistas em desarmes. O problema é a falta de coordenação dos setores na tarefa de negar espaços aos adversários. A disparidade na França faz com que o time não exercite isso mais vezes.

As derrotas por 3 a 1 nos jogos mais duros fora de casa na fase de grupos Liga dos Campeões deixaram avisos:  do Bayern em Munique para o Paris Saint-Germain e do Tottenham para o Real Madrid. Em confrontos parelhos, ceder espaços generosos para os rivais pode ser letal.

É óbvio que para as oitavas-de-final da Champions que começam daqui a 18 dias a concentração será outra, principalmente para o time visitante. Ambos sabem do potencial de ataque do outro lado e também de seus muitos problemas sem a bola.

Quem se organiza primeiro? O Real Madrid tem duas vantagens: jogadores com vasta experiência em duelos de mata-mata e mais “amostragens” de suas falhas exploradas por adversários mais fortes no Espanhol. Sem contar o peso de 12 conquistas do torneio e o foco absoluto na busca do tricampeonato.

Mas não garantem nada contra Neymar, Cavani e uma imensa vontade de ser protagonista na Europa. Mesmo com tudo que se diz sobre os bastidores, conflitos no vestiário…é jogo gigante e decisivo! Nessas horas os problemas ficam menores em nome de algo maior.

A promessa é de jogaço. Se os times continuarem atacando bem e defendendo mal podemos ter um caminhão de gols nas duas partidas. Um  duelo “lúdico” em Paris e Madri?


Ronaldinho: cabeça de artista esmagada pelo pragmatismo do futebol
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André Rocha

Ronaldinho, então apenas Ronaldo, chamou atenção deste blogueiro no Mundial Sub-17 em 1997. Talento, habilidade, aquela fagulha dos gênios. Confirmada mais nos dribles sobre Dunga no Grenal do que no golaço sobre uma Venezuela já entregue na Copa América em 1999. Aos 19 anos.

Saída polêmica e explosão do talento que ganhou força no Paris Saint-Germain. Coadjuvante de luxo no título mundial em 2002 e a fase de ouro no Barcelona. Sempre com sorriso no rosto, samba no pé além da magia quando uma bola se aproximava. Parecia viver num mundo de sonho, proporcionado por sua genialidade e viabilizada pelo irmão Assis, que cuidava das coisas práticas enquanto ele vivia o sonho.

Esta história tem seu momento chave em 2006. A questão no primeiro semestre deste ano era: até onde Ronaldinho Gaúcho pode chegar? Se vencesse a Copa do Mundo na Alemanha como protagonista de um Brasil estelar e favorito como nunca ao título seria bicampeão. Aos 26 anos. Para muitos, subiria ao topo do Olimpo com Pelé, Maradona e outros poucos.

Todos os olhos voltados para ele. Bicampeão espanhol e dando ao Barcelona a sua segunda Liga dos Campeões. O auge em um clube. Mas mal pôde comemorar. Sua alma de artista não teve como respirar de uma enorme pressão. Ele precisava de férias. Mais para a mente do que para o corpo. Como um cantor depois de gravar um disco genial ou cumprir uma turnê consagradora.

Ronaldinho partiu para Weggis. E para seu azar – talvez achasse sorte na época – o clima não era de concentração, mas de permissividade. O diagnóstico errado de que com tantos talentos reunidos e depois de vencer tanto bastava entrar em campo e cumprir o protocolo para levar o hexa.

Não foi. E ao notar as dificuldades, perceber que não tinha corpo nem mente para o tamanho do desafio ele viveu uma depressão. No campo. Sem reação. Com alguns espasmos, porque o futebol transbordava pelos pés. Parou na França. De um Zidane focado, adiando jogo a jogo o fim de sua carreira. Depois de uma temporada sem títulos e grande desgaste. O oposto.

Ali algo se quebrou. O gênio que havia chegado tão longe ao ver Cannavaro receber a Bola de Ouro percebeu que teria que escalar a montanha de novo. E aí faltou a disciplina, o foco na carreira para seguir adiante. Deixou de ser atleta, virou jogador.

Ainda com talento para ter momentos brilhantes em Milan, Flamengo e Atlético Mineiro, este em especial com o último título relevante: a Libertadores 2013. Nem tanto no Fluminense e no Querétaro. Porque o Pep Guardiola que o descartou no Barcelona em 2008 levou o futebol para um caminho de intensidade e espírito competitivo que empurrou Ronaldinho para fora do cenário no mais alto nível. Ele era de outro tempo.

Bons tempos, muitos dirão. Mas tudo passa. O Gaúcho passou e agora se despede oficialmente. Deixando mágica por onde caminhou. A cabeça de artista foi esmagada pelo pragmatismo do futebol. Mas paradoxalmente o esporte ficou marcado por ele. Dois prêmios de melhor do mundo e inspiração para Lionel Messi, um dos grandes da história.

Maior que Ronaldinho por encarar o esporte como trabalho, com a disciplina exigida. O mundo disse que o R10 tinha que ser o maior. Ele só queria ser feliz. Que seja agora, mais longe do nosso imediatismo e de nossas exigências muitas vezes descabidas. Só um superhomem para suportar o moedor de carne, cérebro e alma.

Ronaldinho desistiu em 2006. Uma pena. Ou sorte dele. Vai saber…


Os três avisos do Bayern em Munique ao PSG no primeiro grande teste
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André Rocha

Você leu neste blog que o primeiro teste em alto nível do Paris Saint-Germain com Neymar e Mbappé neste início de temporada seria o Bayern de Munique, agora sob o comando de Jupp Heyckens, voltando de sua aposentadoria para recuperar o time alemão na temporada.

Se os 3 a 1 na Allianz Arena que encerraram a invencibilidade e a campanha 100% do PSG não foram suficientes para inverter a classificação do grupo B da Liga dos Campeões, ao menos serviram para resgatar de vez a confiança do gigante alemão para a sequência da Bundesliga. Principalmente, para o retorno da competição continental em fevereiro de 2018. Mesmo sem Robben e com time muito alterado – Vidal, Javi Martínez e Thomas Muller iniciaram no banco de reservas. Não será rival fácil para qualquer líder de grupo nas oitavas-de-final.

Também deixou três avisos para a equipe de Unai Emery se preparar para os duelos mais complicados na segunda metade da jornada 2017/2018:

1 – Intensidade nos 90 minutos

O abismo entre o PSG e os concorrentes na França faz com que o time diminua muito a intensidade em alguns períodos das partidas do campeonato nacional. Especialmente no trabalho sem a bola. Aconteceu no primeiro tempo, com todos os titulares disponíveis, apesar dos 54% de posse de bola e das seis finalizações dos visitantes, com duas boas oportunidades -a mais clara com Neymar em lindo passe de Mbappé e a primeira grande defesa de Ulrich, o goleiro substituto do lesionado Neuer.

Desta vez, porém, era o Bayern do outro lado. Concluiu seis vezes, duas nas redes de Areola. O atalho era pela esquerda, com Ribéry, Alaba e James Rodríguez, que envolveram Daniel Alves, sem o devido auxílio de Mbappé, com relativa facilidade nos gols de Lewandowski e Tolisso. Lateral brasileiro que perdeu a disputa com Coman, que inverteu o lado com a troca de Ribéry por Thomas Muller, no terceiro marcado na segunda etapa, também de Tolisso.

O PSG precisa competir mais, com concentração na maior parte do tempo para não dar armas ao rival. Compactar os setores e contar com mais colaboração dos atacantes além da pressão no campo adversário.

2 – Aproveitar as oportunidades

Por mais méritos que Ulrich tenha nas intervenções que impediram mais gols além do marcado por Mbappé em lindo passe de Cavani, um time que quer vencer Liga dos Campeões, mesmo em uma partida com larga vantagem para garantir a liderança do grupo, não pode aproveitar apenas uma de 13 finalizações e oito no alvo.

Ainda mais com a força do tridente ofensivo. Encontrou o atalho pela direita, com Mbappé levando vantagem seguidamente sobre Alaba e Hummels e tinha obrigação de ser mais contundente. Ainda mais em um jogo fora de casa contra uma equipe da primeira prateleira do futebol europeu. Em um confronto de mata-mata pode ser letal.

3 – O jogo é coletivo

O camisa dez e estrela maior da equipe francesa circulou menos e, consequentemente, não prendeu tanto a bola desta vez. Foi atacante, esperando a bola chegar à zona de decisão para entrar em ação. Primeiro sofreu falta de Kimmich que rendeu um cartão amarelo ao lateral e depois infiltrou em diagonal e obrigou Ulriche a uma fantástica defesa.

Neymar voltou aceso, como todo o time, na volta do intervalo. Mas depois do terceiro gol bávaro nitidamente relaxou, até se escondeu um pouco do jogo. Uma prova de que o talento individual por si só, sem ser potencializado pelo trabalho coletivo, tende a ser menos decisivo. O Bayern, sem grandes estrelas, foi mais eficiente em sua proposta de jogo.

Unai Emery e seus comandados terão dois meses para refletir, fazer os devidos ajustes e tentar fazer o PSG, enfim, ser protagonista na Liga dos Campeões.

(Estatísticas: Footstats)