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Na estreia de Jorginho, a vitória do “Clube de Regatas Yago Pikachu”
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André Rocha

Na entrevista à beira do campo em São Januário, Claudinei Oliveira, treinador do Sport, já previa um Vasco transformado animicamente por conta da estreia de Jorginho no comando técnico. O tradicional “fato novo” que movimenta o clube e muda o ambiente. Ao menos no início.

Claudinei certamente também sabia que, apesar das mudanças no time cruzmaltino, uma coisa não mudaria: a dependência das jogadas de Yago Pikachu. Só não esperava que o meia pela direita no 4-2-3-1 armado por Jorginho seria tão decisivo.

Abriu o placar completando passe de Giovanni Augusto, depois sofreu e converteu o pênalti que colocou o Vasco novamente à frente no placar depois do gol contra de Paulão. Michel Bastos, que entrou no lugar de Fellipe Bastos, empatou em bela virada. Mas Pikachu apareceu para chutar forte e, no rebote de Magrão, Ramon, substituto de Bruno Cosendey, definiu os 3 a 2.

Triunfo valorizado pela boa atuação do Sport, mesmo sem Anselmo, volante negociado pelo Internacional ao Al-Wheda de Fabio Carille. Justificando a vice-liderança antes do início da 11ª rodada. Organizado num 4-2-3-1 muitas vezes com a última linha de defesa bem estreita, com os defensores próximos, e os ponteiros Rogério e Marlone voltando como laterais negando espaços a Luiz Gustavo e Henrique. Terminou com mais posse de bola (55%) e apenas uma finalização a menos: 11 contra 12. Mas apenas duas na direção da meta de Fernando Miguel.

Das seis do Vasco no alvo, quatro foram de Pikachu. Dois gols, o chute que deu o rebote do terceiro e ainda um lindo voleio que Magrão salvou. Definitivamente, o camisa 23 desequilibrou. Mais uma vez. Desta vez com a vitória do “Clube de Regatas Yago Pikachu”. Para Jorginho iniciar em paz sua segunda passagem pelo Vasco como treinador.

(Estatísticas: Footstats)


No Vasco rachado pela política, só a base pode salvar o futebol
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André Rocha

A eleição do presidente Alexandre Campello via Conselho e desrespeitando os votos dos sócios, que elegeram Julio Brant n polêmica eleição da já folclórica “urna sete”, foi uma das páginas mais negras da bela história de democracia e raízes populares do Clube de Regatas Vasco da Gama. Do estádio construído por sua gente, dos jogadores negros e de tantos gestos pioneiros.

É óbvio que criaria um racha político de consequências imprevisíveis. No poder, o lado mais fraco. Eleito pelas circunstâncias. Para Eurico Miranda perder, mas não permitir que Julio Brant vencesse. Um filme de terror que já teve renúncia de 13 vice-presidentes, agora acena até com possibilidades de impeachment de Campello, questionado pela negociação pouco transparente, segundo conselheiros, de Paulinho com o Bayer Leverkusen e por um suposto empréstimo feito com o ex-vice de patrimônio, Luiz Gustavo.

Estava claro também que tanta turbulência somada à crise financeira respingaria no campo. Ainda que Zé Ricardo tenha feito tudo para blindar seus comandados. Chegar à final do estadual e passar pelas etapas preliminares da Libertadores até sinalizaram a possibilidade de repetir o bom desempenho da reta final do Brasileiro de 2017.

A fase de grupos do torneio continental, porém, trouxe a realidade crua e dura na eliminação precoce com derrotas para Racing, Cruzeiro e Universidad de Chile na pior campanha do clube na competição até aqui. A retaguarda considerada sólida penou com três goleadas por 4 a 0 – Jorge Wilstermann, Racing e, a pior, para o Cruzeiro dentro de São Januário.

Restam Brasileiro e Copa do Brasil. Dentro de um elenco limitado e com a baixa de Paulinho sem reposição à altura, resta a Zé Ricardo deixar de lado uma prática que vem de sua primeira experiência no futebol profissional vindo da base do Flamengo: relegar os jovens a um papel secundário e escalar os mais experientes que deram sustentação ao seu início de trabalho. Antes a “gratidão” ao esforço de Gabriel que negou oportunidades a Lucas Paquetá.

Agora o treinador tem obrigação de dar mais minutos em campo aos jovens Caio Monteiro e Bruno Cosendey, protagonistas da virada sobre o América por 4 a 1 no sábado em São Januário. Não repetir o que fez com Ricardo Graça, de desempenho promissor nas primeiras oportunidades e infeliz como o time todo na goleada sofrida na Bolívia.  Automaticamente ficou atrás de Paulão e Werley na disputa por uma vaga na zaga.

As divisões de base são a tábua de salvação do Vasco neste momento. Tanto no retorno técnico em campo dentro de um elenco desigual e longe da primeira prateleira do futebol nacional quanto na possibilidade de negociação no futuro para salvar os cofres na caixa preta que é a gestão financeira a cada ciclo de um presidente. Foi assim com Eurico Miranda, Roberto Dinamite, agora Campello. O que mais virá por aí?

Se quiser salvar seu emprego e a sobrevivência digna do clube, Zé Ricardo precisa olhar com mais carinho para os meninos que são produtos de uma reestruturação do trabalho de formação. É a perspectiva a curto, médio e longo prazo para a grande incógnita que é o Vasco da Gama.


O Vasco organizado para ataque e contra-ataque vai cumprindo sua missão
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André Rocha

Nos últimos tempos os times brasileiros vêm aprimorando e atualizando o trabalho defensivo compactando setores, fechando espaços com a participação de todos, fazendo laterais se posicionarem primeiro como defensores e outras ações sem a bola.

O problema é que a parte ofensiva na maioria das vezes fica entregue à intuição dos jogadores, sem muito jogo associativo e mentalidade focada no coletivo para o individual desequilibrar. Por isso as muitas bolas levantadas na área adversária e poucas tabelas e infiltrações.

O Vasco de Zé Ricardo vem conseguindo as duas coisas nas etapas preliminares da Libertadores. A despeito da fragilidade dos adversários, o time se posiciona para atacar de forma coordenada, pelos dois lados do campo e aproveitando o melhor de cada jogador.

Nos 4 a 0 sobre o Jorge Wilstermann em São Januário com clima de duelo continental, o time cruzmaltino de início abriu os laterais Yago Pikachu e Henrique para espaçar a marcação do oponente. Também movimentou Wagner, Evander e Paulinho, o trio de meias do 4-2-3-1, buscando os espaços entre os setores do 5-4-1 do time boliviano e Andrés Rios fazendo o pivô e abrindo espaços. Posse de bola, inversão do lado da jogada e pressão logo após a perda da bola.

Futebol atual. Ainda que com alguma dificuldade na saída de bola com Paulão no lugar do suspenso Erazo. O zagueiro, porém, compensou com a costumeira presença de área para abrir o placar. Depois um erro na tática de impedimento comandada por Alex “Pirulito” Silva terminou no gol de Paulinho para acabar de descomplicar o primeiro tempo.

Segunda etapa com o treinador Roberto Mosquera desmanchando a linha de cinco e mandando a campo os atacantes Chávez e Álvarez para se juntarem ao brasileiro Lucas Gaúcho. Mas em um “abafa” sem muita organização e qualidade para furar a defesa bem protegida por Desábato e com Ricardo Graça na zaga cada vez mais seguro.

Zé Ricardo colocou Riascos, Rildo e Thiago Galhardo para acelerar os contragolpes e matou o jogo no final com Pikachu mais que readaptado à lateral direita e Rildo. 4 a 0 para deixar a vaga mais que encaminhada. Em Sucre, o Jorge Wilstermann terá pouco mais que os 2.800 metros de altitude para buscar um milagre.

Improvável. O Vasco vai ganhando encaixe, não tem o Carioca para atrapalhar e é difícil imaginar um time de Zé Ricardo desconcentrado a ponto de facilitar tanto. O Vasco vai cumprindo a missão de chegar à fase de grupos, algo que parecia complicado pelo momento político do clube, mas em campo se resolve com organização. Para atacar e contra-atacar. Como deve ser.


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