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O Vasco organizado para ataque e contra-ataque vai cumprindo sua missão
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André Rocha

Nos últimos tempos os times brasileiros vêm aprimorando e atualizando o trabalho defensivo compactando setores, fechando espaços com a participação de todos, fazendo laterais se posicionarem primeiro como defensores e outras ações sem a bola.

O problema é que a parte ofensiva na maioria das vezes fica entregue à intuição dos jogadores, sem muito jogo associativo e mentalidade focada no coletivo para o individual desequilibrar. Por isso as muitas bolas levantadas na área adversária e poucas tabelas e infiltrações.

O Vasco de Zé Ricardo vem conseguindo as duas coisas nas etapas preliminares da Libertadores. A despeito da fragilidade dos adversários, o time se posiciona para atacar de forma coordenada, pelos dois lados do campo e aproveitando o melhor de cada jogador.

Nos 4 a 0 sobre o Jorge Wilstermann em São Januário com clima de duelo continental, o time cruzmaltino de início abriu os laterais Yago Pikachu e Henrique para espaçar a marcação do oponente. Também movimentou Wagner, Evander e Paulinho, o trio de meias do 4-2-3-1, buscando os espaços entre os setores do 5-4-1 do time boliviano e Andrés Rios fazendo o pivô e abrindo espaços. Posse de bola, inversão do lado da jogada e pressão logo após a perda da bola.

Futebol atual. Ainda que com alguma dificuldade na saída de bola com Paulão no lugar do suspenso Erazo. O zagueiro, porém, compensou com a costumeira presença de área para abrir o placar. Depois um erro na tática de impedimento comandada por Alex “Pirulito” Silva terminou no gol de Paulinho para acabar de descomplicar o primeiro tempo.

Segunda etapa com o treinador Roberto Mosquera desmanchando a linha de cinco e mandando a campo os atacantes Chávez e Álvarez para se juntarem ao brasileiro Lucas Gaúcho. Mas em um “abafa” sem muita organização e qualidade para furar a defesa bem protegida por Desábato e com Ricardo Graça na zaga cada vez mais seguro.

Zé Ricardo colocou Riascos, Rildo e Thiago Galhardo para acelerar os contragolpes e matou o jogo no final com Pikachu mais que readaptado à lateral direita e Rildo. 4 a 0 para deixar a vaga mais que encaminhada. Em Sucre, o Jorge Wilstermann terá pouco mais que os 2.800 metros de altitude para buscar um milagre.

Improvável. O Vasco vai ganhando encaixe, não tem o Carioca para atrapalhar e é difícil imaginar um time de Zé Ricardo desconcentrado a ponto de facilitar tanto. O Vasco vai cumprindo a missão de chegar à fase de grupos, algo que parecia complicado pelo momento político do clube, mas em campo se resolve com organização. Para atacar e contra-atacar. Como deve ser.


O que será do Vasco? Ou é para tudo se acabar na quarta-feira?
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André Rocha

A gestão Eurico Miranda no Vasco termina oficialmente na terça-feira, dia 16. A já “lendária” urna sete da eleição foi desconsiderada pela Justiça e Julio Brant, se nada mudar até lá, deve assumir a presidência.

A grande questão é como será o 2018 do Vasco a partir da sucessão. O empresário Carlos Leite é aliado do “clã” Miranda e vai tirando jogadores importantes do clube. Primeiro Anderson Martins para o São Paulo, depois Madson para o Grêmio. Jovens como Mateus Vital, Guilherme Costa, Paulo Vítor e Paulinho podem seguir o mesmo caminho. Se surgirem propostas a tendência é que  não fiquem.

No âmbito administrativo há outras complicações, com informações de retiradas de equipamentos de São Januário, corte de fornecimento de energia elétrica e outros danos ao patrimônio do clube. Sem contar os salários atrasados. Clima de fim de festa, com um nítido descaso de quem sai.

Mais uma vez, os interesses do Vasco e dos cruzmaltinos ficam de lado pela guerra política. Estranho amor este, condicionado ao poder. O que sobrará para Zé Ricardo trabalhar? A pré-temporada, já curta, fica comprometida mesmo que Brant e a nova diretoria consigam reposições, como já fechou com Erazo, emprestado pelo Atlético Mineiro, sonha com um projeto midiático para Samuel Eto’o e se aproxima de Deco, ex-jogador e agora empresário.

No último dia de janeiro já tem jogo decisivo no Chile contra o Universidad de Concepción. Com o Vasco de volta à Libertadores depois de seis anos. Os que estão de saída parecem não se importar tanto assim.

Eurico Miranda se vai, ou deve ir. Mas deixa enorme desafio para Julio Brant: é preciso evitar uma nova gestão desastrosa do futebol para garantir sua viabilidade. Sua existência. Ou é para tudo se acabar na quarta-feira?


Coutinho na sucessão de Iniesta é o Barcelona entrando de vez na nova era
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André Rocha

Agora é oficial! Como nossos Pedro Ivo Almeida e Thiago Fernandes cravaram, Philippe Coutinho é do Barcelona por cerca de 620 milhões de reais (leia AQUI). Contrato de cinco anos. Assim já é possível analisar o contexto e as possíveis consequências desta negociação que tem tudo para ser a mais bombástica na janela de inverno europeu.

Se o meia brasileiro, staff e familia planejaram uma transição com menos pressão, sem Liga dos Campeões e desgaste, também para chegar na Copa do Mundo mais inteiro o raciocínio foi perfeito. A impressão, porém, é de que mais uma vez falou alto a urgência de realizar o sonho de atuar no gigante catalão com histórico enorme de brasileiros se destacando, sem contar o medo de que uma lesão grave prejudicasse o negócio.

Para o clube é uma contratação para fechar as feridas da saída de Neymar para o PSG. Outro brasileiro talentoso e midiático, embora bem menos que Neymar, para agradar acionistas e torcedores ao redor do mundo. Também vender camisas e a própria imagem. Estampar um rosto além de Messi e Suárez nas ações promocionais. Business.

Mas tem campo também nesta escolha. Porque ao analisar como o time blaugrana vem atuando e o que Ernesto Valverde planejou no início da temporada com Dembelé, teve que mudar pela lesão do ponteiro e agora deve retomar, a tendência é que Coutinho suceda uma lenda do clube: Iniesta.

Com a saída de Neymar, o eixo ofensivo do Barcelona mudou. Antes o brasileiro era o ponta mais agressivo pela esquerda. Do lado oposto, Rakitic aproveitava o corredor deixado por Messi, saída do meio e fazia dupla com o lateral – primeiro Daniel Alves, depois uma enorme interrogação após a saída deste para a Juventus. Sem a bola, duas linhas de quatro com Rakitic e Neymar pelos lados dando liberdade a Messi e Suárez.

No início da temporada 2017/2018, a ideia era abrir Dembelé à direita, Rakitic e Busquets centralizados e Iniesta pela esquerda. Não como um ponta, mas outro meia deixando todo o lado esquerdo para o apoio de Jordi Alba. Com a entrada de Paulinho no meio, Rakitic foi para o lado direito e Iniesta seguiu pela esquerda.

É aí que entra Coutinho. Assim como Rakitic chegou em 2014 para Xavi ficar no banco e jogar menos na reta final da carreira, o brasileiro deve fazer o mesmo com o camisa oito de 33 anos. Mais intensidade e rapidez pela esquerda. Habilidade, mudança de direção, imprevisibilidade.

Até porque Messi corre cada vez menos e é mais armador. Precisa de mais gente acelerando ao seu redor. Coutinho é meia que pensa correndo e prefere o lado esquerdo para articular e também cortar para dentro e finalizar de pé direito. Na configuração anterior do Barça teria que se adequar mais rapidamente às trocas de passes curtos e seria um armador na linha de três, com a preocupação de não ocupar o espaço de Neymar. Agora vai poder usar suas características para agregar e tornar o time mais vertical. Na hora certa.

Busquets inicia as jogadas com passe limpo, a bola chega a Messi que terá Dembelé, Paulinho ou Rakitic, Suárez e agora Coutinho para acionar em velocidade. A circulação da bola vai ficar mais rápida, assim como a definição das jogadas. Se precisar de paciência e toque num jogo posicional contra times mais fechados e menos perigosos nos contragolpes entra Iniesta descansado, sem tantos minutos na temporada.

Uma proposta para cada jogo. Futebol por demanda. Com Philippe Coutinho, o Barcelona entra de vez na nova era do esporte.

 


Messi decide o superclássico tocando ou não na bola. Zidane foi infeliz
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André Rocha

A opção por Kovacic no lugar de Isco pode ter algo relativo à questão física do meia espanhol, mas remete muito mais às vitórias do Real sobre o Barcelona pela Supercopa da Espanha. A missão do croata era clara: ajudar Casemiro a fechar os caminhos de Messi.

Já o plano geral dos donos da casa era claro, para diminuir a desvantagem na tabela: adiantar a marcação e sufocar um Barça sem  referência de velocidade nas transições ofensivas. Um desafogo. Por isso o sufoco não transformado em vantagem no placar porque Cristiano Ronaldo furou dentro da área, depois finalizou bem e Ter Stegen salvou e Benzema se antecipou a Vermaelen no centro de Marcelo, mas a bola pegou na trave.

O visitante no Santiago Bernabéu só chegou ao ataque na combinação Messi-Paulinho. Primeiro passe por cima do argentino para o brasileiro fazer Keylor Navas trabalhar, depois o camisa dez, num raro momento pela esquerda, chegando ao fundo e cruzando para o volante-meia cabecear e o goleiro costa-riquenho pegar.

Barcelona também com duas linhas de quatro, mas com Paulinho um pouco mais solto para infiltrar e se juntar a Suárez, com Messi organizando. Rakitic e Iniesta fechando os lados, mas também criando por dentro e deixando os flancos para Sergi Roberto e Jordi Alba.

Primeiro tempo de 52% de posse do time merengue e nove finalizações contra quatro – duas no alvo para cada lado. A equipe de Zidane também cometeu mais faltas: nove contra duas. Muita intensidade na marcação fechando duas linhas de quatro com Modric e Kroos bloqueando os lados sem a bola e construindo por dentro, deixando a tarefa de abrir o campo para os laterais Carvajal e Marcelo.

O jogo mudou na segunda etapa em um lance simbólico para o clássico. Busquets recebeu a bola e Modric ficou no meio do caminho, deixando as costas para o compatriota Rakitic. Kovacic ficou com Messi e abriu-se um clarão. O camisa quatro blaugrana disparou sem marcação. Bola na direita, assistência de Sergi Roberto e gol de Luis Suárez. Sem Messi tocar na bola. A preocupação com o camisa dez nunca é exagerada, mas, se Zidane não errou, desta vez foi infeliz na escolha dos jogadores.

Benzema, em especial. Já passou da hora de pensar em Bale ou Asensio para acompanhar Cristiano Ronaldo na frente. Não adianta ter movimentação inteligente se na hora de concluir vem falhando miseravelmente. Sem gols a chance de mudar o jogo contra si sempre aumenta.

Com espaços entre as linhas, Messi apareceu. Para servir Suárez em novo contragolpe que terminou com Carvajal negando como “goleiro” o gol de cabeça de Paulinho no rebote. Pênalti, vermelho para o lateral e o 25º gol de Messi, 15º no Bernabéu. O maior artilheiro do clássico mais visto pelo mundo, especialmente na Ásia.

Com as substituições, o Barcelona controlou o jogo (terminou com 54% de posse), criou ainda mais nos contragolpes e conseguiu se salvar dos momentos de pressão madridista com Asensio e Bale, mas sofrendo com um homem a menos. Ainda mais com o desgaste da viagem a Abu Dhabi para a disputa do Mundial de Clubes.

No final, Messi deixou a bola sair pela lateral, a arbitragem ignorou e o argentino foi até o fundo, depois de passar com facilidade por Marcelo, para servir Aleix Vidal, substituto de Sergi Roberto. Na última das 17 finalizações do líder absoluto, agora com 14 pontos de vantagem sobre o maior rival – um jogo a mais.

Zidane temeu Messi e não estava equivocado. Mas pagou para ver e saiu caro. Porque o gênio pode ser decisivo tocando ou não na bola.


Se é momento para testes, por que não um Brasil à la Real Madrid?
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André Rocha

Foto: Ricardo Botelho (FolhaPress)

Para o jogo contra a Bolívia em La Paz na quinta-feira, Tite confirma a mudança forçada – Alex Sandro no lugar dos lesionados Marcelo e Filipe Luís na lateral esquerda – e uma por opção: Thiago Silva na vaga de Marquinhos, formando a zaga com Miranda.

A outra alteração em relação à última rodada das Eliminatórias é o retorno de Philippe Coutinho ao lado direito da linha de meias do 4-1-4-1 à frente de Casemiro. Com a saída de Willian, a mudança de perfil, como afirma o próprio treinador: “Tenho um mais vertical e agudo, que ataca os espaços (Willian), e outro mais construtor (Coutinho)”.

Coutinho constroi porque é meia. Dos bons. Mas costuma render melhor partindo da esquerda ou do centro. Na própria seleção, seus grandes momentos, incluindo o golaço sobre a Argentina, foi saindo do lado direito para circular às costas dos volantes adversários. Quando abre ainda fica desconfortável, não tem o timing para as combinações com Daniel Alves.

Tite deixa claro que sua convicção é na qualificação deste 4-1-4-1 até a Copa, com a variação do desenho tático para o 4-2-3-1 com Coutinho por dentro e Willian pela direita. Legítimo, até pelo pouco tempo de trabalho até aqui e menos ainda até o Mundial da Rússia.

Mas por que não um teste para ter um coelho na cartola, algo para surpreender os rivais que certamente depois de confirmarem suas vagas na Copa vão dissecar um dos candidatos ao título? E isto é possível sem mexer na formação titular.

O Real Madrid conquistou Espanhol e Liga dos Campeões na temporada europeia passada e cresceu na reta final quando Zinedine Zidane, sem o lesionado Gareth Bale, colocou Isco em seu lugar. Com isso mudou também o sistema: de um 4-3-3 rígido, com Casemiro na proteção e dois meio-campistas mais organizadores – Modric e Kroos – e o trio “BBC” na frente. para um 4-3-1-2 mais flexível, com ou sem a bola.

Porque Isco ganhou liberdade para circular e também permitiu que Cristiano Ronaldo não fosse nem centroavante, nem ponteiro, mas atacante numa dupla com Benzema. Trocando de lado, buscando as diagonais, tabelando. A  troca deu liberdade aos laterais Carvajal e Marcelo para apoiarem ao mesmo tempo, abrindo o sistema defensivo adversário.

Sem a bola, duas linhas de quatro. A do meio-campo bastante móvel,em função do posicionamento de Isco no retorno. Se ele volta pela direita, Casemiro e Modric fecham o meio e Kroos abre à esquerda; se retorna pela esquerda é Modric quem abre pela direita e Kroos se junta ao volante brasileiro no centro. Quando Isco recompõe centralizado, Casemiro se adianta na compactação e Modric e Kroos fecham os flancos.

O 4-3-1-2 com Isco se aproximando da dupla Cristiano Ronaldo-Benzema e voltando na recomposição formando uma linha de quatro móvel com Casemiro, Modric e Kroos, de acordo com o posicionamento do camisa 22 na recomposição (Tactical Pad).

Tudo executado com naturalidade e inteligência, como atua o time merengue, especialmente nos jogos grandes, decisivos. É uma equipe que se adapta às necessidades da disputa e sabe jogar com posse, instalado no campo de ataque, ou em transições ofensivas rápidas, aproveitando os espaços às costas da defesa do oponente.

Na seleção, Coutinho pode ser Isco, jogando solto, sem a obrigação de ficar ou partir do setor direito. Com isso se aproximaria mais da dupla Gabriel Jesus-Neymar, todos com autonomia para circular e procurar espaços para surpreender as retaguardas com tabelas, triangulações, infiltrações em diagonal dos atacantes.

Tite não gosta de tirar Neymar do setor esquerdo. De fato, é onde a estrela brasileira mais rende. Mas a liberdade para o talento nunca é improdutiva e as trocas com Gabriel Jesus, as diagonais mais curtas, mesmo saindo da esquerda, podem tornar o camisa dez ainda mais letal. Mais próximo da meta adversária.

Sem a bola, a lógica seria a mesma do atual bicampeão europeu: Coutinho se juntaria a Casemiro, Paulinho e Renato Augusto e a distribuição dos quatro na linha à frente da defesa se daria de acordo com o camisa onze, No caso da seleção poderia haver outra referência: o posicionamento de Paulinho e Renato Augusto, que costumam trocar muito. De lado e de função. Paulinho recua para usar seu poder de marcação. Já com Renato mais atrás o objetivo é ganhar um organizador e qualificar a saída de bola.

O meio-campo em losango na seleção teria a mesma dinâmica do Real Madrid, com Philippe Coutinho como meia de ligação e referência para a composição da segunda linha de quatro no momento defensivo. Na frente, Gabriel Jesus e Neymar com liberdade e nas laterais Daniel Alves e Marcelo aproveitando os corredores abertos (Tactical Pad).

Tite tem Casemiro e Marcelo, quando este voltar, para obter ainda mais detalhes sobre a execução. Sem contar que a referência continua sendo o seu amigo Carlo Ancelotti, já que a base do modelo de jogo, ainda que tenha amadurecido e se aprimorado, vem do italiano, que tinha Zidane como auxiliar em sua passagem pelo clube, de 2013 a 2015. Ou seja, não seria algo a surgir “do nada”.

Até porque o sistema não seria algo inédito para o comandante canarinho. Com outra dinâmica, o 4-4-2 com o meio-campo em losango já foi utilizado. O mais marcante no Internacional campeão da Copa Sul-Americana em 2008 e vice da Copa do Brasil no ano seguinte. Com Sandro ou Edinho plantado à frente da defesa, Magrão e Guiñazu pelos lados e D’Alessandro como “enganche”, articulando para a dupla Taison-Nilmar. Tempos de menos compactação e mais encaixes e perseguições individuais, mas ainda um 4-3-1-2.

Uma possibilidade, nada complexa. Algo para sair um pouco do plano original e da sua variação mais conhecida. Sem mudar a escalação ou afetar o entrosamento. Porém mexendo nas peças para ter uma alternativa. Por que não um Brasil à la Real Madrid?


Barcelona, há vida sem Neymar. E Philippe Coutinho
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André Rocha

O Liverpool recusou a proposta do Barcelona que chegaria a 160 milhões de euros por Philippe Coutinho. O meia brasileiro era parte do plano do clube catalão para repor a saída de Neymar para o PSG. Ficou apenas com Ousmane Dembelé, contratado ao Borussia Dortmund.

Com Coutinho, Ernesto Valverde teria mais uma peça para agregar mais rapidez e intensidade ao estilo Barça, ideia que parece cada vez mais clara por conta dos jogadores que despertaram interesse e até pelo que vem apresentando neste início de temporada 2017/2018.

No Dortmund, Dembelé era o atacante a acelerar pelos flancos dentro da ideia de ataque posicional do treinador Thomas Tuchel. Exatamente o que quer Valverde. O francês não dribla nem é tão inventivo e artilheiro quanto Neymar, porém é mais vertical e capaz de mudar o ritmo das ações ofensivas.

Deve atuar pela esquerda no trio ofensivo, com Suárez e Messi alternando no centro e à direita. Mantendo também o trabalho defensivo, auxiliando Jordi Alba e formando uma linha de quatro ao se juntar aos três meio-campistas.

Um destes pode ser Paulinho, no vácuo das oscilações de Ivan Rakitic e do declínio físico de Andrés Iniesta. Para defender e, dentro da proposta de troca mais rápida de passes, infiltrar como elemento surpresa para finalizar. O entendimento com Messi pode ser bem interessante.

Assim como o movimento do argentino da direita para dentro abrindo o corredor para as ultrapassagens de Sergi Roberto, Aleix Vidal ou Nelson Semedo, lateral português contratado e ainda sem inspirar confiança. Mas potencialmente o melhor no apoio. Algo a ser trabalhado.

A combinação de características pode dar liga. Vigor físico para compensar o envelhecimento da base titular. Paulinho correndo por Busquets e Iniesta. Dembelé voando no entendimento com Messi e Suárez. Fatos novos para chacoalhar o que parece inerte.

É óbvio que coletivamente segue bem atrás do Real Madrid, como ficou claro nos duelos pela Supercopa da Espanha. Mas ao longo da temporada é possível se tornar mais competitivo e versátil. Principalmente se as baixas por lesões e suspensões não forem tão numerosas, já que o elenco segue curto e desigual.

Chances de título? No Espanhol, para recuperar a hegemonia terá que contar com uma queda de desempenho dos merengues, mas também uma hesitação do Atlético de Madrid de Diego Simeone.  Isso se não surgir uma surpresa como mais um obstáculo. Ou o Sevilla, agora com Eduardo Berizzo no lugar de Jorge Sampaoli no comando técnico, se colocar efetivamente como candidato a protagonista.

Na Liga dos Campeões vai depender dos cruzamentos no mata-mata, já que  não deve encontrar maiores problemas contra Sporting e Olympiacos e vai decidir a liderança do Grupo D com a Juventus. Tudo vai depender da evolução da equipe dentro da proposta de jogo que combina posse de bola e mais agressividade.

O Barcelona não carrega o favoritismo de outros tempos. Mas ainda há Messi. E vida sem Neymar. E Coutinho.


Philippe Coutinho para descomplicar o jogo e mexer com a cabeça de Tite
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André Rocha

O individualismo de Neymar travou a seleção brasileira por quase 60 minutos na Arena do Grêmio. Porque com Willian, e não Philippe Coutinho, o camisa dez jogou mais solto, com liberdade de movimentação e recuando para buscar a bola. Assumiu o papel de ponta articulador e não infiltrador.

Renato Augusto recuava para auxiliar a saída de bola e espetar Marcelo – como Toni Kroos faz no Real Madrid, sem nenhuma comparação entre os meio-campistas organizadores. Faltava, porém, rapidez na circulação da bola. Só Paulinho conseguiu a vitória pessoal e concluiu com perigo. Uma das quatro finalizações contra apenas uma dos equatorianos, três a zero no alvo. Em um universo de 75% de posse de bola. Pouco.

Também pela organização defensiva do Equador com duas linhas de quatro, Antonio Valencia e Fidel Martínez fechando os flancos e Fernando Gaibor tentando se aproximar de Enner Valencia, a referência de velocidade que fez Marquinhos e Miranda, depois Thiago Silva, trabalharem.

Neymar também atrapalhou prendendo a bola deixando o jogo mais tenso, violento. Sem fluência e com a conivência da arbitragem, que deixou de anotar faltas claras. Jogo duro.

Até Renato Augusto dar lugar a Coutinho e o Brasil se reorganizar num 4-2-3-1 tão esperado como alternativa. Móvel e fluido. Com toque mais fácil e veloz, até porque Neymar passou a trabalhar mais adiantado, longe da zona de criação. E também mais espaço depois de Paulinho abrir o placar completando escanteio e acalmando a Arena que pedia Luan.

Então veio o espetáculo com jogadas mais plásticas e o golaço de Coutinho após lindo chapéu de Gabriel Jesus. Mesmo sem ritmo do meia do Liverpool e o Barcelona na cabeça. Com 2 a 0, a brecha para testar Luan no lugar de Willian e agradar o torcedor do Grêmio. Neymar seguiu jogando sozinho e errando muito. Mas sem se omitir jamais. Como deve ser.

Nona vitória seguida em jogos oficiais, liderança garantida até o final das Eliminatórias. Mas o que valeu mesmo foi Coutinho descomplicar o jogo e mexer com a cabeça de Tite. A disputa pediu uma experiência e a resposta foi positiva. O 4-1-4-1 não pode ser um dogma.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


No Barcelona, Paulinho vai correr e infiltrar para Messi pensar o jogo
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André Rocha

Foto: Getty Images

Sejamos francos: o Barcelona não competiu na última temporada. Só tornou a disputa no Espanhol minimamente equilibrada quando deixou a Liga dos Campeões. Reduziu a vantagem do Real Madrid para três pontos porque no confronto direto no Bernabéu o rival, com um homem a menos, resolveu se mandar para o ataque e deu espaços para Messi matar o clássico num contragolpe.

Na Liga dos Campeões seria eliminado nas oitavas de final pelo PSG não fossem a arbitragem catastrófica e a magia de Neymar nos minutos finais dos 6 a 1 ofuscando um revés fora por 4 a 0 que mascararam as deficiências da equipe. Algo que a Juventus na fase seguinte voltou a escancarar para o mundo com uma classificação relativamente tranquila, sem sofrer gols.

A rigor, o time catalão hoje simboliza um futebol bonito, cultuado no mundo todo e atração turística da cidade. Mas que nos grandes jogos, quando o adversário reduz os espaços, é um time sem grandes ideias, com um estilo já mapeado e bloqueado pelos rivais mais poderosos e que dependia fundamentalmente do talento de seu trio de atacantes sul-americanos.

MSN que perdeu o “N” e que busca no mercado com urgência um substituto – Dembelé do Borussia Dortmund e/ou Philippe Coutinho. Mas repor Neymar com um ponteiro ou meia rápido e habilidoso não basta. Porque Messi parece cada vez mais desconectado deste futebol atual de intensidade e ataque de espaços. Como um “último romântico”.

Repare no argentino em campo. Trota vagarosamente, às vezes caminha sem a bola. Quando esta chega a retém com sua técnica ímpar e define: toca ou parte, quase sempre da meia direita na direção da área adversária. Só acelera com a posse para buscar a jogada individual até a finalização ou servir um companheiro.

Mesmo com seu talento extraordinário na arte de concluir ou preparar que o premiou na temporada passada com a Chuteira de Ouro pelos 37 gols no Espanhol (54 no total) e mais 16 passes para gols, não tem bastado nas partidas decisivas. Porque já sabem qual o espaço a bloquear. Diante do muro, Messi tenta e bate na parede ou desiste e só toca de lado ou busca o passe em profundidade.

Na temporada 2016/2017 ele praticamente só teve a opção de Suárez neste tipo de jogada. Porque Neymar estava muito aberto pela esquerda para buscar a linha de fundo, Rakitic oscilou muito, Iniesta já está na reta final da carreira e André Gomes muito raramente se apresentou como uma alternativa segura.

É aí que entra Paulinho. Opção questionável por já estar com 29 anos, a mesma idade de Rakitic, vir da China e ter como única experiência na Europa um “flop” gigantesco no Tottenham. O valor de cerca de 40 milhões de euros na negociação, a quarta maior da história do Barça, também soa um exagero, mesmo que os 222 milhões de euros recebidos pela venda de Neymar inflacione naturalmente o mercado do clube.

Se o Barcelona queria o italiano Marco Verratti do PSG e perdeu Neymar, que antes de sair pediu a contratação do colega de seleção brasileira, qual a razão do interesse?

Exatamente porque Paulinho mostrou no Brasil de Tite que, num trio de meio-campistas como o Barça gosta de atuar, pode ser marcador e também ofensivo. O volante que ajudou Fernandinho, já com cartão amarelo, a parar Messi no Mineirão e o meia infiltrador que foi o primeiro a marcar três gols no Uruguai em Montevidéu.

Os 25 gols pelo Guangzhou Evergrande chamam mais atenção que as cinco assistências em 95 jogos. Apesar da filosofia de valorização da posse de bola, não foi o passe de Paulinho que atraiu a atenção de seu novo clube, mas a dinâmica.

Por isso a declaração do treinador Ernesto Valverde: “Não existe outro jogador como ele na equipe. Pode nos dar versatilidade”. Sinal de que o Barcelona quer seguir a onda do futebol mundial, liderada pelo Real Madrid, de ter jogadores capazes de alternar os ritmos e as propostas de jogo conforme a necessidade.

Diante de adversários bem compactos, Paulinho pode ser o meia a furar a defesa com vigor físico para receber o passe de Messi, que infiltra cada vez menos e quando o faz está bem vigiado por rivais concentrados em parar o camisa dez genial.

E como este participa cada vez menos na recomposição e até na pressão assim que a bola é perdida, há um jogador incansável para correr por quem precisar. Que ainda tem estatura para colaborar nas jogadas aéreas, na defesa e no ataque.

O Barcelona podia ter investido no marfinense Jean Seri, do Nice. O “Xavi africano” segundo o próprio meia catalão. Ou apostado em Carles Aleñá, joia de La Masia que tem a filosofia de jogo no sangue, como o titular para preservar Iniesta como fez com Xavi em sua última temporada no clube.

Preferiu pagar caro por Paulinho, que pode ser titular ou reposição de Rakitic. Ou mesmo fazer do croata um meia mais organizador. Se há muitas incertezas neste negócio uma coisa é certa: o brasileiro tem saúde para correr, defender, atacar e infiltrar enquanto Messi pensa o jogo do novo Barcelona.


Vasco é mais um que sofre para propor jogo. O espaço vale ouro!
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André Rocha

Mesmo em Volta Redonda, a torcida do Vasco compareceu empolgada com a recuperação da equipe utilizando os jovens das divisões de base. E Milton Mendes não decepcionou, escalando o quarteto ofensivo do 4-2-3-1 com Guilherme Costa, Mateus Vital e a badalada dupla de 17 anos: Paulinho e Paulo Vítor.

Só que a condição de favorito e a obrigação de atacar pelo mando de campo e a posição do Atlético Paranaense, lutando para sair da parte de baixo da tabela, criaram um cenário desfavorável, já uma marca deste Brasileiro: quem tem a bola e precisa propor o jogo, por necessidade ou pela cultura de fazer valer o mando de campo, se complica.

Fabiano Soares é um treinador reconhecido por sua capacidade de montar equipes que apostam em compactação defensiva. Mesmo sem encher o time de volantes. O 4-2-3-1 atleticano tinha o estreante Esteban Pavez à frente da retaguarda com Matheus Rosseto no centro, Pablo e Nikão nas pontas, Lucho González mais adiantado se aproximando de Ribamar. Nada defensivo pelas características dos atletas.

Formavam, porém, duas linhas de quatro bem próximas e mostrando coordenação nos setores. Ou seja, uma barreira. E aí pesou a falta de experiência e de um meia que pense mais para criar os espaços, ainda que Mateus Vital não seja tão vertical e rápido.

Na base brasileira ainda se valoriza muito o jogador que vai para cima, tem “alegria nas pernas”, os “ligeirinhos”. Mas estimula-se pouco o raciocínio e o senso coletivo para trabalhar e criar espaços. Não é problema apenas do Vasco, foi uma cultura criada para exportação que vai tentando ser transformada, mas ainda há muito a evoluir.

Na prática, o Vasco tentou criar espaços com toques curtos, aproximação e movimentação para acelerar no último terço. Mas, além da precipitação dos jovens na frente, a equipe de Milton Mendes se ressentia da ausência de um toque mais qualificado de trás. Desde a zaga com Rafael Marques e Jomar, passando pelos volantes Jean e Bruno Paulista.

O Atlético fazia o mesmo quando descia em bloco, com muita mobilidade. Mas foi mais perigoso e marcou o gol único da partida quando teve algo cada vez mais valioso futebol atual: espaço! Saída rápida de Pablo para Rossetto – meio-campista promissor, que defende e ataca com qualidade – e deste para Ribamar aproveitando falha de Henrique, que substituiu o lesionado Ramon ainda no primeiro tempo.

Com Thalles no lugar de Guilherme Costa, a referência para sair de cinco cruzamentos no primeiro tempo para 36 no segundo. Milton Mendes trocou Paulinho por Manga Escobar. Adiantou pouco, pois continuou só tendo velocidade batendo na parede.  Baixou a posse de 63% para 58%, subiu o número de finalizações para 16.  E tome bola na área!

Chance cristalina, porém, só no lance final, já nos acréscimos. Cruzamento de Manga que passou por Weverton e bateu na trave esquerda e, no rebote, Paulo Vitor disparou no travessão. Mais no desespero, no abafa final. Sem jogada trabalhada. Sem pensar, só correndo e lutando.

Assim só com espaços. Por isso ele vale ouro no Brasileirão. Estagnou o Vasco e aliviou o Atlético na tabela.

(Estatísticas: Footstats)


Garotada no ataque é a correção de rota do Vasco na temporada
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André Rocha

Antes do início do Brasileiro, as perspectivas do Vasco eram de segunda página da tabela, priorizando a manutenção na Série A. Já o dilema era como Milton Mendes poderia armar uma equipe intensa e jogando futebol atual com os veteranos Luis Fabiano e Nenê na frente.

Rapidamente o treinador percebeu que montar duas linhas de quatro e liberar as duas estrelas sobrecarregava os jogadores pelos lados, já que eles tinham que recompor e ainda aparecer na frente como referências de velocidade para receber os lançamentos. Sem contar a perda de vigor na pressão sobre os adversários na marcação adiantada.

Milton tentou deslocar Nenê pelo lado esquerdo para aproveitar a precisão do meia nos cruzamentos e não mexer em Mateus Vital na articulação central do 4-2-3-1. Não funcionou por sobrecarregar o lateral esquerdo Henrique. Ou seja, o problema apenas mudou de lugar.

O jeito era ser ofensivo em São Januário e buscar os pontos dentro de casa com linhas avançadas e aproveitando o melhor de suas “grifes”: a precisão de Nenê nos passes e nas bolas paradas e a presença de área e o poder de fogo de Luis Fabiano. Na intensidade da Série A parecia pouco.

E então Luis Fabiano se lesiona, Nenê resolve sair do clube e Milton recorre aos jovens da revigorada base cruzmaltina que já oxigenou os cofres do clube com a saída do talentoso Douglas para o Manchester City – negociação inevitável pelo potencial e visibilidade do meio-campista que joga de área a área.

Nos 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro no Independência, Paulo Vítor e Paulinho, ambos com 17 anos, começaram jogando, Guilherme Costa, 23, entrou na vaga de Escudero na segunda etapa. Sem contar a sequência de Bruno Paulista, que não veio da base mas tem 21 anos e não permitiu que o rendimento do meio-campo tivesse uma queda brusca com a saída de Douglas. Nos gols vascaínos, o que faltava antes e agora sobra: rapidez e mobilidade.

Paulo Vítor, jogando mais adiantado, dispara, atrai a marcação da defesa adversária e deixa o caminho livre para Paulinho infiltrar em diagonal a partir da esquerda. No primeiro, passe de Escudero e toque sutil tirando do goleiro Giovanni. No segundo, contragolpe letal com assistência de Guilherme e golaço do camisa sete com a bola no ângulo.

A juventude no setor ofensivo é a correção de rota que o Vasco necessitava, ainda mais sem São Januário para explorar o mando de campo. Com mais viagens, mesmo que a Volta Redonda ainda no Rio de Janeiro, a equipe vai necessitar de mais fôlego e resistência.

Com jovens afirmados, mesmo com o retorno de Luis Fabiano ao centro do ataque, é possível sonhar com G-6, até pela “vantagem” de não ter nenhuma competição paralela a disputar. Ainda que, por ora, a meta inicial de seguir na primeira divisão logo depois do acesso seja mais realista e tire a pressão da garotada que só precisa de estímulo e minutos em campo.