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Cultura da vitória ajuda Corinthians quando falta futebol
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André Rocha

Não deixou de ser decepcionante que o Corinthians, logo quando escalou de início Júnior Dutra de início na vaga de Kazim junto à base titular, tenha apresentado um desempenho coletivo pouco satisfatório.

Muito por méritos do Novorizontino de Doriva, bem organizado, negando espaços a Rodriguinho e Jadson e atacando o setor de Fágner com a velocidade de Juninho, especialmente no primeiro tempo. Com Clayson errando até jogadas simples, Romero era o único escape pelo flanco na execução do 4-1-4-1. Mas quando o paraguaio serviu Rodriguinho na primeira jogada bem trabalhada, o meia perdeu gol feito.

Já Pedro Henrique não desperdiçou sua chance na bola parada. Típico gol da vitória sofrida, administrada com calma e, claro, a confiança adquirida com os títulos recentes. Quando falta futebol, o atual campeão brasileiro e paulista se impõe na mentalidade vencedora, na segurança que transmite e no respeito que desperta nos adversários.

Três pontos apesar dos 52% de posse e das oito finalizações do time da casa contra seis dos visitantes. Mesmo com a impressão durante boa parte dos 90 minutos que o gol do Novorizontino estava “maduro”. Ainda que Emerson Sheik pouco tenha contribuído quando entrou na segunda etapa. Virou moda dizer que o Corinthians “sabe sofrer”. Na prática, não passa de experiência em jogar controlando os espaços.

Ainda há muito a evoluir – clichê inevitável pelo ridículo período de pré-temporada. A equipe de Fabio Carille já mostra organização e movimentos assimilados desde o ano passado. Falta mais fluência, consistência, regularidade. Deve vir com o tempo.

Por ora, quando falta futebol a cultura da vitória ajuda a descomplicar jogos como em Novo Horizonte.

 


Na vitória do recorde, as duas faces do Corinthians invicto e absoluto
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André Rocha

O primeiro tempo dos 3 a 1 sobre o Sport em Itaquera que consolidaram o recorde de 47 pontos em um turno de Brasileiro com 20 clubes foi um símbolo da trajetória invicta do Corinthians.

Vanderlei Luxemburgo tentou alargar a última linha da defesa de Fabio Carille abrindo Everton Felipe e Osvaldo nas extremas e enfiando André e Diego Souza praticamente num 4-2-4. A solução corintiana foi recuar Romero como lateral pela direita e manter os quatro defensores bem próximos.

Mas foi o cruzamento de duas estatísticas que demonstra a evolução defensiva que, dentro do caos que é o futebol, vai tangenciando a perfeição. Com apenas 38% de posse de bola, o time paulista acertou 13 desarmes e não cometeu faltas. Isso mesmo, ZERO.

Só foi cometer a primeira aos nove minutos da segunda etapa. De Jô no campo de ataque. Já com 2 a 0 no placar. O primeiro com Arana completando cruzamento de Fagner. Ou seja, os dois laterais que sabem se comportar como defensores foram os protagonistas do gol que abriu o placar.  Na saída do segundo tempo, bola recuperada, Rodriguinho disparou e marcou um golaço. Na quinta finalização, terceira na direção da meta de Magrão.

Depois jogou mais solto, focado no desempenho e tentando proporcionar espetáculo ao seu torcedor. Só cometeu mais uma falta. E, lógico, permitiu que o Sport criasse oportunidades. Praticamente impossível não cedê-las num jogo tão dinâmico. Mas o Corinthians trabalha para sempre dificultar a finalização do oponente. Quando nem isso é possível, ainda que por mérito do outro lado, Cássio aparece para garantir a meta. Só não pôde evitar o chute impressionante de Thallyson. O nono gol sofrido em um turno.

Campanha fantástica pelo desempenho coletivo que faz Pedro Henrique superar suas limitações como substituto de Pablo para não comprometer atrás e ainda aparecer no ataque para aproveitar a cobrança de escanteio de Clayson, outro que entrou no time organizado e confiante e manteve o alto rendimento.

Recordes ficam para a história, ainda mais se o título coroá-los no final. Mas o Corinthians do primeiro tempo, perfeito defensivamente, deu a impressão de que começava muito cedo a se agarrar a um pragmatismo resultadista. Depois da vantagem construída, porém, procurou mostrar futebol. Tabelou, triangulou, arriscou algumas jogadas plásticas.

Mesmo dando espaços que podiam ter sido mais bem aproveitados pela equipe pernambucana se André não tivesse perdido três chances claras. Os visitantes finalizaram 12 vezes contra nove do vencedor – sete a quatro no alvo. O Corinthians colocou três nas redes. Eficiência é a outra chave para o domínio corintiano. Aliada à concentração.

A vantagem na tabela deve transmitir confiança para jogar ao natural e buscar evolução. Não aderir ao pensamento medíocre de definir “jogos para ganhar e não jogar”. O melhor sempre é jogar bem para merecer os resultados. O Corinthians mostra suas duas faces para construir com méritos inquestionáveis a liderança absoluta em 19 rodadas.

(Estatísticas: Footstats)


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