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Nenhum time grande repetiu mais a escalação em 2018 que o Botafogo
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André Rocha

Em 2018, os grandes times vêm aproveitando os estaduais para fazer experiências, rodar o elenco, dar minutos a jovens da base, entrosar os jogadores contratados.

O Botafogo de Felipe Conceição optou pela manutenção e aposta na repetição para evoluir. Só não escalou os mesmos onze iniciais nas quatro rodadas do Carioca porque Joel Carli se lesionou na estreia e Marcelo Conceição entrou no seu lugar na zaga.

Os outros dez continuaram os mesmos: Jefferson; Arnaldo, Igor Rabello e Gilson; Matheus Fernandes; Rodrigo Pimpão, João Paulo, Leo Valencia e Luiz Fernando; Brenner. Nas duas vitórias na temporada – sobre o Macaé por 2 a 1 e Boavista por 1 a 0 – o treinador também mandou a campo os mesmos reservas: Dudu Cearense, Ezequiel -este entrou em todas as partidas – e Renatinho.

Nenhum time entre os grandes nos principais estaduais repetiu tanto a formação titular até aqui. Alguns, inclusive, começaram com reservas, como o Grêmio e o Atlético Mineiro, e o Flamengo iniciou com os garotos do sub-20 e aos poucos vai inserindo titulares.

O objetivo do alvinegro é claro: assimilar mais rapidamente um modelo de jogo diferente do antecessor Jair Ventura, melhorar a sintonia entre os jogadores e buscar os resultados para ganhar confiança. Equipe e o novo comandante em sua primeira experiência nos profissionais.

O desempenho até aqui não é de empolgar e nem deve ser. É um processo.  Mas Brenner vai se firmando como o goleador e a referência no ataque, João Paulo dita o ritmo no meio-campo e Arnaldo é opção interessante de velocidade pela direita, como no gol contra o Macaé.

A equipe vai se habituando a ficar mais com a bola, rodar, inverter o jogo. Desenvolve a paciência para abrir espaços em defesas fechadas. Ainda falta um pouco de mobilidade, mais diagonais dos ponteiros Pimpão e Luiz Fernando, infiltrações de Valencia.

Ainda tende a recuar demais quando abre vantagem no placar e tentar controlar os espaços e não a posse. Ainda assim, é o time que mais acerta passes entre os grandes cariocas, segundo o Footstats.

Questão de ajuste. E tempo. Felipe Conceição consegue fazer sua equipe pontuar e evoluir. Não é um trabalho simples, mas vai passo a passo, jogo a jogo. Repetindo para fazer melhor.


Grêmio, o time da melhor atuação coletiva da primeira rodada da Série A
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André Rocha

Volume de jogo, controle no meio-campo, no ritmo de Arthur e Ramiro. Não fossem os gols perdidos, especialmente por Luan, e o Grêmio teria construído uma goleada histórica.

Diante de um adversário forte e organizado como o Botafogo, a atuação coletiva da equipe de Renato Gaúcho foi a melhor da primeira rodada da Série A. Também a mais consistente do tricolor gaúcho em 2017.

Luan circulando entre o meio e a defesa do Bota, Arthur distribuindo o jogo, Ramiro como o meia pela direita que ajuda os volantes, abre o corredor para Léo Moura e torna o ataque mais móvel, mesmo com a  presença de Lucas Barrios como a referência no ataque.

Dominou a posse de bola no primeiro tempo com 60% e acabou superado no final (51% x 49%), mas aproveitou os espaços cedidos pelo avanço do rival para os contragolpes. Abriu o placar na persistência de Ramiro depois de uma “blitz” com Gatito Fernández salvando, ampliou na segunda etapa com gol de Luan -irregular pelo toque na mão. Mas foram 19 finalizações contra oito – nove a um no alvo.

Triunfo incontestável, também pela atuação fraca do Botafogo que sofre com as improvisações na lateral direita – Emerson Santos desta vez. Camilo reclamou por ser deslocado no meio-campo para encaixar Montillo. Mas agora, atuando na função em que se destacou no ano passado, jogando com liberdade, produz muito pouco.

De novo Rodrigo Pimpão foi sacrificado pela esquerda, voltando na recomposição formando a segunda linha de quatro e sendo a referência de velocidade para os contragolpes. Como precisou ser competitivo no início da temporada pelas etapas eliminatórias da Libertadores antes da fase de grupos, agora o alvinegro oscila.

Mas o mérito é gremista. Renato aproveitou o período sem jogos para ajustes e seu time soube dosar posse e transição ofensiva em velocidade. O primeiro ato no Brasileiro foi promissor.

(Estatísticas: Footstats)

[Em tempo: sim, ainda falta um jogo para finalizar a rodada 1. Mas pelo tamanho do confronto, entre dois times envolvidos em Libertadores, e considerando a solidez gremista, nem Coritiba, nem Atlético-GO tem condições de superar, mesmo que goleie e dê espetáculo. Questão de contexto]


Vitória histórica para afirmar o Botafogo como um time pronto e maduro
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André Rocha

Eram 44 anos sem uma vitória fora de casa na Libertadores. Era o quarto adversário tradicional nesta edição, depois de Colo Colo, Olimpia e Estudiantes. O Atlético Nacional, atual campeão, no Atanasio Girardot.

Sem o bom zagueiro Marcelo, sem Aírton e Montillo. A ausência do argentino, ao menos, fez o Botafogo de Jair Ventura voltar ao 4-3-1-2 que varia para o 4-4-2 sem a bola do Brasileiro, dando liberdade a Camilo.

Linhas compactas para negar espaços e controlar o jogo sem a bola. A trinca de volantes formada por Lindoso, Bruno Silva e João Paulo marcando por zona e tirando espaços de Macnelly Torres, o meia criativo do 4-3-3 armado por Reinaldo Rueda.

A chave novamente era Pimpão, que voltava pela esquerda na segunda linha de quatro e ainda era a referência de velocidade para os contragolpes. Depois de um impedimento inexistente, o atacante acelerou a transição ofensiva, mas soube aguardar a chegada dos companheiros para atacar em bloco e João Paulo, pela direita, colocar na cabeça de Camilo.

Uma das três finalizações alvinegras, duas no alvo. Contra os 62% de posse e as cinco finalizações do time da casa. Pouco, mais pelo mérito alvinegro na organização ofensiva que só tinha dificuldades contra os dribles do ponteiro Ibargüen pela esquerda.

Segundo tempo com Rueda trocando Bernal por Aldo Ramírez para melhorar a produção do meio-campo. Jair Ventura perdeu Pimpão que, sacrificado com função tão exaustiva, estourou o músculo. Entrou Guilherme.

Jovem atacante enviado para o lado direito e Camilo recuou à esquerda num 4-1-4-1 com Lindoso mais plantado entre a defesa e o meio. O time sentiu a falta de seu atacante mais incisivo e recuou. Rueda fez a leitura e abriu Cristian Dájome como ala pela direita e mandou Daryo Moreno para o centro do ataque. O zagueiro Nájera saiu e o lateral Bocanegra ficou um pouco mais fixo.

A pressão aumentou, o time colombiano rondou mais a área e finalizou nove vezes em 45 minutos. Mas sem a chance cristalina. Jair reoxigenou o time com juventude: Fernandes e Sassá nas vagas de Camilo e Roger. Era se defender e esperar a chance do contra-ataque letal.

Plano executado com perfeição. Nos acréscimos, a arrancada de Guilherme e a finalização precisa no canto esquerdo de Armani. O Atlético estava invicto em casa em 2017 e não perdia para equipes estrangeiras há dois anos em seu estádio.

Mas o Botafogo foi maduro, ganhou casca com o poder de superação desde o ano passado. De candidato ao rebaixamento no Brasileiro a classificado para as fases eliminatórias. Depois só pedreiras e vagas conquistadas no limite. Agora um grupo duríssimo.

Até aqui, nada foi um obstáculo capaz de conter o Botafogo que parece pronto para tudo nesta Libertadores. Depois da vitória histórica, o próximo desafio é o Barcelona. Não o espanhol, mas o colíder do grupo com a mesma campanha em todos os critérios. Em Guayaquil. Quem pode duvidar do time de Jair Ventura?

(Estatísticas: Footstats)

 


Se vale a superstição, vitória sofrida é bom presságio para o Botafogo
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André Rocha

Sem Montillo, lesionado, Camilo voltou a jogar na ponta do losango do meio-campo do Botafogo que varia para as duas linhas de quatro sem a bola, espelhando o 4-4-2 do Olimpia que buscava acionar a dupla Mouche e Montenegro, porém sem contundência (Tactical Pad).

Domínio inicial, lesão de ídolo da torcida, sofrimento na segunda etapa, heroi de gol decisivo. O roteiro da vitória sobre o Olimpia no Engenhão só teve uma vantagem em relação ao triunfo contra o Colo Colo: não sofrer gol em casa.

Jair Ventura também fez diferente. Em vez de recuar Camilo como um volante-meia como na estreia no torneio continental, posicionou o camisa dez pela direita num 4-2-3-1. O bom início só nao teve sequência porque Montillo sentiu e saiu com 15 minutos.

Entrou João Paulo e o desenho voltou ao losango, com Camilo retornando à função do ano passado. A mesma variação para duas linhas de quatro, com Bruno Silva abrindo à direita e Pimpão voltando pela esquerda.

E aparecendo na área para completar com lindo voleio a cobrança de lateral direta na área paraguaia de Jonas. O mesmo heroi da classificação no Chile. O Olimpia adiantou as linhas e tentou acionar Mouche e Montenegro.

Ao Bota faltava rapidez, agilidade e precisão de Roger no comando de ataque, embora sobrasse fibra ao camisa nove. Ainda assim, superioridade com 54% de posse e seis finalizações contra apenas duas dos visitantes.

Segunda etapa de sufoco, apreensão no estádio lotado e alguns bons contragolpes do time brasileiro, com Guilherme na vaga do também lesionado Bruno Silva. O técnico Pablo Repetto partiu para o jogo físico com o veterano Roque Santa Cruz e acelerou pela direita com Jonathan González. Rondou a área, finalizou seis vezes contra apenas três, terminou com mais posse. Faltou contundência.

Sobra esperança ao Botafogo. Se vale a superstição que marca o clube e seu torcedor, a vitória sofrida é bom presságio para a volta em Assunção.

(Estatísticas: Footstats)

 


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