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A “retranca handebol” do Irã que exigiu da Espanha a força de Diego Costa
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André Rocha

Pelo histórico recente de Espanha e Irã e o que aconteceu na primeira rodada era esperado o maior duelo ataque x defesa da Copa do Mundo até agora. E o jogo confirmou a previsão, especialmente pela postura do Irã.

Uma estratégia que não é novidade há tempos no futebol mundial. Vem de José Mourinho na classificação da Internazionale para a final da Liga dos Campeões de 2009/10 segurando com um homem a menos o Barcelona de Pep Guardiola ao alinhar em vários momentos sete jogadores na última linha de defesa impedindo as infiltrações.

O próprio Irã resistiu a Argentina de Messi o quanto pôde na Copa de 2014 no Brasil trabalhando da mesma forma. Aproxima bastante os quatro defensores da última linha fechando as infiltrações pelo centro e recuando os dois meias pelos flancos negando a chegada ao fundo dos laterais adversários. Ou seja, formando uma linha de seis homens e mais três à frente deixando apenas um atacante. Ou seja, a “retranca handebol”.

A Espanha respondeu como sabe: com posse de bola, invertendo o lado do campo, criando espaços com a movimentação e a inteligência de Iniesta, David Silva e Isco, abrindo o campo com Carvajal e Jordi Alba. O “corpo estranho” era Lucas Vázquez, que no Real Madrid atua como ponta, mas no jogo circulou tentando se associar com os meias. Para isto seria melhor manter Koke ou encaixar Thiago Alcântara.

Foram 69% de posse, 89% de efetividade nos passes. 17 finalizações, mas apenas três na direção da meta de Beiranvand. Um tanto pela imprecisão espanhola, mas muito pela competência da seleção de Carlos Queiroz, no comando desde 2011. Movimentos perfeitos no bloqueio de passes, cruzamentos e chutes. Um muro ou ônibus guardando a própria meta.

Quem resolveu? Diego Costa, à sua maneira. Enrosco, disputa física, dividida e bola na rede. A sofisticação espanhola ganhou um toque “ogro” no ataque para arrancar um gol à forceps. Talvez a Espanha campeã mundial em 2010 achasse o gol num passe genial de Xavi para David Villa ou na cabeçada de Puyol, mas alguns problemas poderiam ter sido resolvidos pelo típico centroavante que tem força física, posicionamento e qualidade suficiente para dialogar com os meias talentosos.

Mas não há nada resolvido no Grupo B. Porque a Espanha provavelmente terá mais espaços contra Marrocos, mas também sofrerá mais na defesa, ainda que o adversário da última rodada seja “arame liso”. Porque Hierro conta com Carvajal e Alba como laterais ofensivos, mas Piqué e Sergio Ramos não são tão rápidos na cobertura e Sergio Busquets é lento na proteção da retaguarda. Mesmo tão fechado, o Irã criou problemas e poderia ter empatado. Mas num universo de seis finalizações não acertou nenhuma no alvo. Ou apenas o gol bem anulado de Saeid Ezatolahi.

Se melhorar este desempenho ofensivo pode criar problemas para Portugal, que sofre bem mais na construção que a Espanha. Missão novamente para Cristiano Ronaldo. Este problema ao menos os espanhois tiraram do caminho.

(Estatísticas: FIFA)


Marrocos “arame liso”, Cristiano Ronaldo, gol de bola parada. Mais do mesmo
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André Rocha

Talvez a vantagem no placar logo aos quatro minutos tenha feito mal a Portugal e condicionado a atuação com baixa concentração. Aliás, tem sido uma tônica nesta Copa do Mundo uma queda de produção depois de marcar o gol, como se fosse uma espécie de garantia de vitória, ainda mais contra seleções que atuam mais fechadas.

Não é o caso do Marrocos do treinador Herve Renard. Equipe que pressiona a saída de bola, trabalha com bola no chão triangulando pelos flancos, com destaque para Amrabat pela direita, e constroi bom volume de jogo, terminando com 53% de posse de bola. Mas está fora da Copa do Mundo com duas derrotas.

Basicamente porque foi “arame liso”. Cercou, mas não furou. E como tentou! Foram 13 finalizações na estreia contra o Irã e mais 16 diante dos campeões europeus. 29 no total, mas apenas sete no alvo. 25% de efetividade. Nenhum gol.

E o pior: sem transformar domínio em oportunidades e gols, qualquer vacilo atrás é fatal. Gol contra a favor do Irã e Manuel da Costa aceitando com facilidade o desmarque de Cristiano Ronaldo na cobrança de escanteio da direita. O quarto do gênio da grande área no Mundial.

Luta solitária do goleador por conta do desempenho paupérrimo de Bernardo Silva, Gonçalo Guedes e João Mário, que ganhou a vaga de Bruno Fernandes, os companheiros no quarteto ofensivo do 4-4-2. Inviabilizando qualquer tentativa da seleção de Fernando Santos de aproveitar os espaços cedidos pelo adversário.

Mas foi o suficiente. Na bola parada. O 23º gol dos 43 até aqui. Incrível média de 53%. Resultado da dificuldade de se construir diante de bloqueios tão organizados e com tantos jogadores. Por ser um momento especial do jogo é mais fácil se concentrar na execução e complicar o trabalho dos defensores.

Vitória do favorito confirmando tendências. Ou mais do mesmo no Mundial na Rússia.

(Estatísticas: FIFA)


Empate no jogaço entre a Espanha do estilo coletivo e CR7, o gênio goleador
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André Rocha

A Espanha demonstrou incrível capacidade de recuperação na estreia do Mundial na Rússia depois da crise pela demissão de Lopetegui. Sofreu dois golpes duríssimos em Sochi. O primeiro no pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo logo aos quatro minutos. Depois no frangaço do goleiro De Gea no segundo gol do gênio português.

Mesmo sem treinador e com Hierro escolhido como sucessor para gerir o vestiário e garantir o piloto automático na execução do modelo de jogo já assimilado pela seleção, a Roja se impôs em campo pela inigualável qualidade no meio-campo. Busquets, Koke, Iniesta, David Silva, Isco. Ainda entrou Thiago Alcântara para manter o jogo de posse.

Na frente, Diego Costa. Enfim encaixado no estilo da seleção. O homem que chama lançamentos e tem presença física na área adversária. Assim ganhou de Pepe no físico – sem falta para este que escreve – e depois, na qualidade, limpou a marcação e bateu forte no canto de Rui Patrício. No segundo tempo, completou jogada muito bem ensaiada e executada na cobrança de falta de Silva e a assistência de Busquets na segunda trave.

Portugal tentava compactar as linhas de quatro, agredir a marcação sobre o adversário com a bola e acelerar as transições ofensivas acionando Gonçalo Guedes e Cristiano Ronaldo, que sempre cresce quando não fica isolado na frente. Mas a equipe de Fernando Santos sofria com o volume de jogo e a pressão depois da perda da bola do rival.

Os espanhois tocavam e rodavam a bola, porém não tinham profundidade pelos flancos. Jordi Alba bem vigiado pelo lateral Cédric e Nacho, zagueiro improvisado, sem velocidade para surpreender nas infiltrações como Carvajal. Foi decisivo, porém, ao aparecer no momento certo e acertar belo chute que marcaria a virada para 3 a 2.

Consolidando o domínio que terminou com 62% de posse e 12 finalizações contra oito – cinco a três no alvo.

As três de Cristiano Ronaldo. Nas redes. Porque o camisa sete é daqueles que ficam indignados com derrota, ainda mais em jogo grande. Chamou a responsabilidade, sofreu e cobrou falta no ângulo. Desta vez De Gea sequer teve como reagir. O melhor finalizador desta era já é artilheiro do Mundial, dobrando seus números em Copas. Agora está a três dos nove de Eusébio em 1966. Mais um recorde à vista.

Tem tudo para alcançá-lo contra Marrocos e Irã e garantir Portugal nas oitavas. Disputando no saldo a primeira vaga com a Espanha. As favoritas do Grupo B confirmaram as expectativas e fizeram o melhor jogo da Copa do Mundo até aqui.

(Estatísticas: FIFA)

 


Copa do Mundo deve combinar características da última Euro e da Champions
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André Rocha

A Copa do Mundo tem sua abertura na quinta-feira com a anfitriã Rússia diante da Arábia Saudita. O primeiro duelo já deve dar a tônica do que provavelmente será a fase de grupos na maioria das partidas.

Uma seleção favorita pela camisa, história, tradição e/ou um grupo mais qualificado de jogadores contra uma equipe tratada como “zebra” fechando espaços no próprio campo. Com a cada vez mais frequente linha de cinco ou mesmo a tradicional com quatro defensores, porém com os pontas recuando como laterais formando um cinturão guardando a própria área. Todos os movimentos estudados por departamentos de inteligência cada vez mais equipados e qualificados.

Então o time que ataca busca uma jogada individual mais perto da área do oponente, ou uma virada de bola rápida que surpreenda o sistema defensivo. Se não for possível, os chutes de média e longa distância, a jogada aérea com bola rolando ou parada e o desarme no campo de ataque com transição rápida viram as possíveis soluções para ir às redes. Tudo isso atento ao balanço defensivo para não dar ao rival os espaços tão desejados às costas da retaguarda.

Fica tudo muito condicionado ao primeiro gol. Se a seleção que defende marca aí o bloqueio fica ainda mais sólido, com todos os jogadores num espaço de 20 metros em linhas quase chapadas, como no handebol. Já se o favorito abre o placar aumenta exponencialmente a chance do jogo mudar e os espaços e mais gols aparecerem.

Foi o que aconteceu na última Eurocopa, na França em 2016, com algumas partidas de fato entediantes para quem aprecia uma trocação de ataques e gols e se apega ao esporte mais pela emoção que pelo jogo em si. Apenas oito placares com vantagens iguais ou superiores a dois gols num total de 36 partidas. Média de 1,2 por jogo.

Sim, desta vez haverá Messi, Neymar, Suárez, James Rodríguez, Salah, Guerrero, o jovem Mbappé que surgiu ano passado na França e outros talentos desequilibrantes. Mas também um trabalho defensivo ainda mais concentrado e aprimorado para bloquear a técnica e o improviso.

Por outro lado, se os favoritos em cada grupo conseguirem suas classificações o torneio tende a passar por uma transformação, como a que ocorre quase todo ano na Liga dos Campeões. A partir da primeira “seleção natural” o nível já sobe bastante. Mesmo com a presença de algumas surpresas que se conseguem a vaga a partir das quartas é porque houve mérito.

Imaginemos a partir das oitavas os duelos envolvendo as favoritas Alemanha, Brasil, Espanha e França, mais os talentos belgas, o Uruguai de Cavani, Suárez e agora meio-campistas mais qualificados. Inglaterra, Colômbia, Croácia…A Polônia de Lewandowski e a promissora Dinamarca do meia Eriksen. E ainda Messi e Cristiano Ronaldo no Mundial que provavelmente será o último da dupla de extraterrestres jogando no mais alto nível. Conduzindo Argentina e Portugal. Mas ao contrário do universo dos clubes sem o favoritismo de Barcelona e Real Madrid, o que torna tudo mais imprevisível e eletrizante. Mesmo sem o peso de Holanda e Itália, esta a única ausente do seleto grupo de campeãs. Em jogo único. Segue ou vai para casa.

A torcida é para que este que escreve esteja enganado em sua previsão da primeira fase e os jogos eliminatórios sejam acima das ótimas expectativas. Mas caso o blogueiro tenha razão viveremos uma montanha russa de impressões. Para o deleite dos saudosistas – como se nas décadas anteriores os Mundiais não tivessem peladas homéricas, inclusive com a seleção brasileira – e reclamões de plantão na “chata” primeira fase e depois a apoteose de jogaços na reta final deixando a média positiva.

Seja como for, Copa do Mundo é como pizza. Até quando é ruim é boa e vale a pena. O maior evento esportivo do planeta que felizmente acontece de quatro em quatro anos e não se banaliza, ao menos por enquanto. Que tudo enfim comece na Rússia!


Recuperação de Neymar fica cada vez mais distante do “Caso Ronaldo 2002”
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André Rocha

Foto: Ricardo Nogueira/FolhaPress

Quando Neymar fraturou o quinto metatarso do pé direito no dia 25 de fevereiro, muitos no Brasil tentaram ver o aspecto positivo da lesão da maior estrela brasileira: a inatividade no PSG poderia dar uma vantagem física ao atacante na Copa do Mundo, evitando o desgaste da reta final da temporada europeia. Ainda estavam em disputa as oitavas de final da Liga dos Campeões.

Inevitável a lembrança do “Caso Ronaldo 2002”. O craque e artilheiro do penta voou na Copa mais descansado enquanto estrelas como Zidane e Figo chegaram esgotados na Ásia depois da conquista da Champions com o Real Madrid. Mesmo vindo de lesões gravíssimas no joelho em 1999/2000. E outra coincidência: a previsão de três meses de recuperação seria o mesmo período em que o Fenômeno ficou fora dos gramados antes da Copa que o consagrou.

Pois estamos no início de junho e o Brasil fará seu primeiro amistoso já dentro do período de preparação exclusiva para o Mundial na Rússia. Domingo, diante da Croácia em Liverpool. Faltando exatamente duas semanas para a estreia contra a Suíça. E Neymar começará no banco.

O jogador parece tranquilo, sempre sorridente nos treinos. A comissão técnica também traça um planejamento para que ele esteja preparado para a estreia. Mas há uma diferença fundamental que distancia cada vez mais o caso do atual camisa dez da seleção de Ronaldo há 16 anos: o período sem jogar na linha do tempo.

Ronaldo se lesionou em 2000 pela Internazionale. Voltou aos campos em julho de 2001. Até o fim daquele ano disputou 13 jogos. Foi uma lesão na coxa esquerda que tirou de ação o atacante no ano da Copa. Mas voltou no final de março, exatamente num amistoso da seleção contra a Iugoslávia. Luiz Felipe Scolari chamou para testar sua condição.

Tudo Ok, ele seguiu com a preparação e disputou o amistoso contra Portugal em abril que consolidou a ideia de Felipão de reunir Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo na frente e dar liberdade aos alas Cafu e Roberto Carlos em um esquema com três zagueiros. O Fenômeno participou do período de treinamentos e chegou inteiro já para a estreia contra a Turquia.

Já Neymar terá que retomar o ritmo de competição durante a Copa. Depois de três meses sem jogar. Por uma lesão que é considerada “chatinha”. Ou seja, por maior que seja o otimismo, a rigor, é uma incógnita. Impossível prever como retornará a grande referência técnica do grupo convocado por Tite.

Junte a isso a lesão de Douglas Costa, o eventual substituto dentro da ideia de ter Philippe Coutinho por dentro na linha de meias do 4-1-4-1 contra seleções mais fechadas, e temos uma preparação um tanto prejudicada para encarar o mais desafio brasileiro: furar linha de cinco defensores. Algo que objetivamente não vimos contra a Rússia, a ponto do adversário, em casa, se arriscar na frente e ceder os espaços que o Brasil aproveitou para fazer 3 a 0.

A vantagem é que, ao contrário de 2002, o modelo de jogo foi consolidado nas Eliminatórias e a dependência de Neymar não é a mesma dos tempos de Felipão em 2014 e de Dunga nos dois primeiros anos do ciclo até a Rússia. É possível até pensar em um Neymar no ritmo e pronto na última partida da fase de grupos. E voando a partir das oitavas, aí sim com vantagem física sobre Messi, Cristiano Ronaldo, Griezmann, Toni Kroos, Isco…

Não deixa, porém, de ser um grande ponto de interrogação até lá. Assim como Ronaldo em 2002. Que ao menos o final desta história seja o mesmo.


Cristiano Ronaldo, o gênio da grande área no futebol 2.0
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André Rocha

Na décima primeira rodada do Campeonato Espanhol, Lionel Messi tinha 11 gols e Cristiano Ronaldo apenas um. Mesmo assim, o português, segundo o programa “El Transistor”, da rádio “Onda Cero”, teria apostado com colegas do Real Madrid que terminaria a temporada na artilharia da Liga.

Com os quatro marcados nos 6 a 3 sobre o Girona em mais uma noite de gala no Santiago Bernabéu, o CR7 chegou a 22 gols, ultrapassando Suárez e ficando a três de Messi. Faltando nove partidas. São 18 nos últimos 11 jogos, seis nas últimas duas rodadas. Foi às redes nas últimas seis.

O atacante tem motivos para confiar no próprio taco. O início ruim era parte de um período complicado, com as férias adiadas por conta da disputa da Copa das Federações pela seleção portuguesa. Depois, quando voltava aos poucos à equipe merengue na disputa da Supercopa da Espanha contra o Barcelona foi expulso e acabou ficando de fora de cinco jogos. Suspensão por empurrar o árbitro.

Ciente de que com 33 anos os problemas físicos em consequência do desgaste natural de mais de uma década competindo em alto nível pesam, Cristiano Ronaldo se adapta e prepara para estar no ápice do desempenho no momento decisivo da temporada.

Por conta da campanha invicta do Barcelona, o título espanhol é um sonho quase impossível. Mas isso não o faz entregar menos de 100% sempre que está em campo. O que mais impressiona em Cristiano Ronaldo é a capacidade de concentração.

Repare em seus movimentos. Ele sempre busca o desmarque para surgir livre no momento da conclusão. Para isso não descuida da parte atlética. A explosão é fundamental. Também a força mental que parece se alimentar das críticas e do descrédito para se superar. Mas a maior virtude, sem dúvida, é o domínio de todas as ações dentro da área adversária.

Como atua solto como atacante no 4-4-2 do Real, Cristiano alterna os deslocamentos em diagonal, partindo da direita ou da esquerda, com a infiltração pelo centro para finalizar por baixo ou por cima, aproveitando estatura e impulsão. Tem o timing para concluir antecipando na primeira trave ou esperando na segunda para definir.

Com a má fase e a insegurança de Benzema para finalizar, ele acaba sendo ainda mais beneficiado. Além do seu lado um tanto egoísta. O CR7 é como um jogador de vôlei de praia que força para receber o serviço e consequentemente ser o responsável pelo ataque.

O número de assistências vem caindo a cada temporada. 22 em 2014/15, depois 15, 10 e agora sete. A última girando e dando como pivô a Lucas Vázquez o terceiro gol do Real sobre o Girona. Mas quase sempre induz os companheiros a serví-lo. Como a eficiência costuma ser absurda, quem vai negar?

Johan Cruyff definiu Romário, no auge atuando pelo Barcelona, como o “gênio da grande área”. Não estava errado em 1993/1994. Outros tempos, outro jogo. Outra cabeça do Baixinho, que depois da consagração na Copa do Mundo e da conquista da Bola de Ouro voltou para o futebol brasileiro. Romário que admitiu ter disputado uma final de Liga dos Campeões com a cabeça no Mundial nos Estados Unidos – derrota por 4 a 0 para o Milan em Atenas. Alguém imagina Cristiano Ronaldo fazendo o mesmo?

O futebol atual é o dos setores compactos, do pouco tempo e espaço para jogar, da necessidade da decisão correta e da execução precisa. Se é melhor ou pior que os de outras décadas vai de cada um. Mas a evolução dentro e fora de campo é inquestionável. O futebol 2.0.

E nesta Era o gênio da grande área é Cristiano Ronaldo. O maior artilheiro da história do Real Madrid, da seleção portuguesa e da Liga dos Campeões. Ninguém é mais letal no último toque para as redes adversárias. Média de sete finalizações por partida.

Ainda que Messi em sua fase mais goleadora tenha alcançado o recorde de 91 gols em 2012. O argentino tem cabeça de meia, camisa dez. Ele chega na área, não a ronda como um centroavante. Cristiano é sete, mas tem alma de nove. Cada vez mais.

No Brasil respeitam pouco Cristiano Ronaldo. Vira e mexe surgem jogadores do passado se colocando acima e menosprezando seus feitos, como se a concorrência atual fosse fraca. Como se todos tivessem disputado tudo com um Messi. Sem contar Ibrahimovic, Lewandowski, Eto’o, Neymar, Cavani, Suárez, Diego Costa, Muller, Griezmann, Hazard, Aguero, Robben, Ribéry e tantos outros nessa década disputando sempre no topo.

O “robozão” já foi ponta habilidoso. No auge do Manchester United virou um atacante completo. Criativo e artilheiro. Com o tempo foi aprendendo a ser minimalista. Poucos toques, uma pilha de gols. De todas as maneiras. Pé direito, canhota, cabeça. Cobrando faltas e pênaltis. Antes mais regular, agora aparecendo quando é fundamental.

Se não encanta seus olhos, que sua boca respeite Cristiano Ronaldo. Ele faz por merecer jogo a jogo. Título a título. Gol a gol. É duro apostar contra o português.

(Estatísticas: WhosScored.com)


Messi deve, sim, ser cobrado na Argentina pelo nível mais alto da história
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André Rocha

Foto: Alejandro Pagni (AFP/Getty Images)

Este que escreve ama e acompanha o futebol há mais de três décadas e não viu ao vivo ninguém melhor que Lionel Messi. Nenhum jogador combinou tão bem técnica, habilidade e objetividade por tanto tempo. Já completou uma década atuando em altíssimo nível e concorrendo ao prêmio de melhor do mundo – sua primeira indicação foi no ano em que Kaká venceu e o argentino terminou em segundo lugar.

Mesmo em uma temporada não tão inspirada, como a passada, é capaz de faturar a Chuteira de Ouro da UEFA pelos 37 gols no Campeonato Espanhol e só perder a artilharia da Liga dos Campeões para Cristiano Ronaldo na grande decisão, com o Barcelona eliminado nas quartas de final pela Juventus.

As conquistas e os recordes com o time catalão o colocam entre os maiores da história do esporte. Mas para as gerações que ainda colocam o desempenho na seleção como o grande parâmetro para avaliar o tamanho de um jogador, nas quais me incluo, é impossível negar que falta a Messi algo maior com a camisa albiceleste.

Os fãs mais apaixonados defendem o camisa dez alegando que ele não pode ser responsabilizado pelo caos na AFA, com constantes trocas de treinadores e sérios problemas de gestão, incluindo corrupção. Também que não tem culpa se seus companheiros não acompanham seu nível. Ainda assim, é o maior artilheiro da seleção bicampeã mundial, com 58 gols.

Não resta dúvida que depositar toda a culpa em um indivíduo pela falta de conquistas em um esporte coletivo sempre soará injusto. E Messi quase sempre entregou desempenho. Só que estamos tratando do mais alto nível. A excelência. O topo. E aí há uma dívida, sim.

Porque é inaceitável a Argentina passar pela Era Messi sem nenhuma conquista relevante. É absurdo estar há 24 anos sem títulos. Mais ainda se recordarmos que em todas as decisões o genial atacante teve chances cristalinas, que não costuma desperdiçar no seu clube, e falhou. Nas três últimas, definidas na prorrogação ou na disputa de pênaltis, podiam ter mudado a história.

Por mais que concordemos que “a bola não entra por acaso”, naqueles segundos não havia AFA, companheiros medíocres ou qualquer outro obstáculo. Era Messi, o goleiro do oponente e seu ofício de marcar gols. Não podia desperdiçar.

Assim como a Argentina não pode ficar fora de uma Copa do Mundo. Caso aconteça será inevitável lembrar das oportunidades que ele também perdeu. Ou por errar a finalização, ou por preferir passar para os conterrâneos menos confiáveis na missão de ir às redes.

Porque Messi foi criado e moldado no jogo posicional do Barcelona. No qual cada jogador sabe exatamente sua função no trabalho da equipe. Por mais que Pep Guardiola diga que o time que comandou e fez história trabalhava para que o mais talentoso brilhasse, Messi pensa coletivamente. Arranca para fazer o gol, mas se percebe que passar a bola aumentará as chances de êxito ele não hesitará em fazê-lo. Está no DNA. Porém já deu tempo de perceber que é obrigatório assumir mais a responsabilidade representando seu país.

É cruel acusá-lo de ser “menos argentino” por não ter história em um clube de lá e ter saído cedo para a Europa. Até porque ninguém acreditou e investiu naquele menino com problemas hormonais que impediam seu desenvolvimento ósseo. Por isso a gratidão e o propósito de encerrar a carreira no Barcelona.

Mas segue faltando o gol decisivo para quem já marcou tantos. 579 como profissional, para ser mais exato. Deve o toque preciso que define para que lado vai a taça. Por mais méritos que tenham o Brasil de 2007 e o Chile em 2015 nas Copas América que faturaram e, principalmente, a Alemanha no título mundial vencido no Brasil, o direito de errar na frente do goleiro adversário tem que ser menor para Messi.

Porque ele está no Olimpo, com Pelé, Maradona e outros poucos. Mas por enquanto ainda olhando para cima ao mirar aqueles que levaram taças para seus povos. Até Cristiano Ronaldo e a conquista da Eurocopa se colocam acima. Se não é melhor, o português está maior que seu grande rival. Ainda que admitamos que este mostrou menos desempenho no título que conquistou do que Messi nas competições que deixou escapar.

Por isso não pode falhar na terça contra o Equador em Quito, nem em uma eventual repescagem. Se não for à Rússia ficará para sempre um degrau abaixo. Por mais duro que seja reconhecer isto para quem venera o talento genial do argentino.


Sarrià, 35 anos: a velha mania brasileira de achar que perdeu pra si mesmo
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André Rocha

 

As seleções brasileiras nas Copas de 1930 e 1934 foram “improvisadas”, não eram propriamente um grupo com os melhores jogadores do país. Em 1938 a Itália fascista de Mussolini venceu a semifinal por conta da ausência de Leônidas da Silva, “poupado” pelo treinador Ademar Pimenta. O “Maracanazo” de 1950 está eternamente na conta do goleiro Barbosa. Em 1954 e 1966 foi a desorganização. Na Copa da Alemanha depois do tri “amarelamos” contra a Holanda.

Em 1978 não houve derrota, então foi “campeão moral”. Mas se o Falcão tivesse sido convocado…Em 1986 a culpa foi do Zico com o joelho em frangalhos. Em 1990 e 2010 o responsável pelo fracasso foi o Dunga, dentro e fora de campo. A convulsão de Ronaldo impossibilitou a conquista em 1998 – para muitos foi a Copa “vendida” para a França. Há três anos, um simples “apagão” no Mineirão.

Para muitos brasileiros, em condições normais de temperatura e pressão, a seleção de Tite iria para o Mundial da Rússia apenas buscar sua 19ª taça. Porque o Brasil sempre perdeu apenas para si mesmo. Quando venceu foi por méritos totais. Ou não mais que a obrigação.

Ninguém lembra da dura semifinal contra a França em 1958 que acabou facilitada pela fratura do zagueiro Jonquet que deixou a forte seleção de Just Fontaine e Raymond Kopa fragilizada pela impossibilidade de fazer substituições. Nem dos apitos amigos em 1962 e 2002 contra Espanha e Bélgica, respectivamente. Em 1994, Branco nos tirou do sufoco nas quartas-de-final contra a Holanda numa falta cavada em que colocou a mão na cara do adversário. Mas aí é a velha “malandragem” tupiniquim.

Em 1982 foi culpa do Cerezo que entregou a bola para Paolo Rossi no segundo gol, do Telê Santana que não tinha um ponta pela direita e Cabrini desceu livre para cruzar na cabeça do algoz brasileiro no gol que abriu o placar . Junior vacilou não deixando Rossi impedido no tento derradeiro dos lendários 3 a 2 no Sarrià. Há 35 anos.

Esquecem, mais uma vez, que havia uma camisa bicampeã mundial vestindo a base da equipe, com o mesmo Enzo Bearzot no comando, que foi a única a vencer a anfitriã Argentina quatro anos antes. Que ficou em quarto no Mundial por detalhes, tanto na derrota para a Holanda que custou a vaga na final quanto nos gols de Nelinho e Dirceu na decisão do terceiro lugar. Em disputas equilibradíssimas.

Time do “regista” Antognioni, meio-campista que jogava com classe e marcou o quarto gol, anulado por impedimento inexistente. De Bruno Conti, ponta direita canhoto e articulador com técnica refinada. Do onipresente Tardelli no meio, indo e voltando. Do versátil Oriali, que foi atuar na lateral direita para que Gentile fosse perseguir Zico no campo todo, assim como fizera com Maradona.

De Gaetano Scirea, um dos melhores líberos de todos os tempos. De Cabrini, o lateral apoiador que apareceu bem no primeiro gol, mas depois sofreu com a movimentação brasileira pelo seu setor. Um dos motivos de críticas depois do revés, mas que confundiu e tirou o encaixe pensado por Bearzot. A ideia era que Cabrini cuidasse de Sócrates e Graziani, o ponta esquerda, voltasse com Leandro. Por ali saíram os gols de Sócrates e Falcão.

Porque a Azzurra também errou. Na defesa deixando Zico e Serginho livres para concluir à frente de Dino Zoff, mas o centroavante finalizou bisonhamente. O camisa dez brasileiro ainda sofreu pênalti tendo sua camisa rasgada. Marcação implacável? Só no segundo tempo. E Zico reclama até hoje que os companheiros pararam de procurá-lo, por estar sempre vigiado.

Rossi marcou três, porém o mais fácil ele perdeu, totalmente livre no segundo tempo, com a bola à feição no tradicional “contropiede” italiano. Com Bergomi no lugar de Collovati e a entrada de Paulo Isidoro na vaga de Serginho, Sócrates foi para o centro do ataque e a retaguarda italiana se confundiu para fazer a sobra com Scirea.

Jogaço duríssimo até a cabeçada de Oscar na cobrança de falta de Eder que Zoff pegou na maior defesa sem rebote da história das Copas. Mérito total do goleiro veterano. Assim como a Itália cumpriu sua melhor atuação naquela Copa na Espanha. Depois, com a confiança no topo, passou por cima da Polônia sem o craque Boniek na semifinal e atropelou na decisão no Santiago Bernabéu a Alemanha estropiada pelo esforço hercúleo diante da França.

Por isso a festa de título no apito final de Abraham Klein no dia 5 de julho. A Itália havia eliminado o melhor futebol daquele torneio até então. Que não é esquecido até hoje. Que provocou aplausos a Telê Santana na sala de imprensa e elogios do vencedor Bearzot. Também o prêmio de segundo melhor jogador da competição a Falcão.

Mas não perdeu para si mesmo. A Itália venceu. Talvez fosse derrotada em outros dez confrontos. Talvez não. Nunca saberemos. No Sarrià superou as desconfianças de uma primeira fase de empates contra Peru, Polônia e Camarões para alcançar um de seus mais celebrados êxitos. Porque foi melhor.

Como tantas outras seleções que nos superaram em Copas. Desde a Itália bicampeã nos anos 1930, passando pelo Uruguai de Obdulio Varela, a Hungria em 1954, mesmo sem Puskas. Portugal de Eusébio, Holanda de Cruyff e de Sneijder, Argentina de Menotti, a França de Platini e de Zidane, a Argentina de Maradona e Caniggia. A Alemanha dos 7 a 1. Com exceção de 1966 e 1986, todos que eliminaram o Brasil foram, no mínimo, finalistas.

Não é pouco, nem merece ser subestimado como a Itália. Não foi a vitória do pragmatismo sobre a arte irresponsável, o futebol “bailarino”. O Brasil de Telê tinha os dez homens na defesa quando sofreu o terceiro gol e foi buscar o empate na jogada aérea. Não houve catenaccio, retranca, futebol covarde. A Azzurra fez uma partida combinando seu estilo e a necessidade do resultado.

O Brasil não contrariou suas características, mas quando empatou pela segunda vez com Falcão percebeu que devia ser mais cuidadoso. E foi, não sofreu gol em contra-ataque. Telê podia ter trocado Waldir Peres por Paulo Sérgio, Luisinho por Edinho e Serginho por Dinamite ao longo do Mundial. Mas não foi derrotado apenas por conta de seus elos fracos.

Havia um rival valoroso, com entrega, técnica e estratégia. O Brasil perdeu para a melhor seleção daquele mês de verão na Espanha em 1982. O resto é nossa presunção de onipotência quando o assunto é futebol. Uma velha e tola mania.


Cristiano Ronaldo segue voando. Portugal deve agradecer ao Real Madrid
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André Rocha

Foto: Ivan Sekretarev (AP Photo)

Na estreia da Copa das Confederações contra o México, Fernando Santos escalou a seleção portuguesa mais experiente, próxima à formação que venceu a Eurocopa.

Só que o futebol é dinâmico e hoje mandar a campo João Moutinho, Nani e Quaresma com Adrien, Bernardo e André Silva disponíveis é um crime lesa-pátria. Fernando efetuou a correção para a segunda partida, contra os anfitriões.

Rússia que respeitou o campeão continental e mandou para o banco as opções ofensivas Poloz e Erokhin, titulares na vitória sobre a Nova Zelândia na estreia por 2 a 0 para montar um 5-4-1/3-4-3 à la Chelsea de Conte para negar espaços com muita compactação defensiva e saída rápida pela direita com Samedov e Golovin.

Mas, do lado oposto, Kudryashov e Kombarov vacilaram na movimentação para fechar a diagonal de Cristiano Ronaldo, que fez o gol único da partida. Jogada iniciada com inversão de Bernardo Silva para o cruzamento de Raphael Guerreiro que encontrou a estrela máxima do torneio.

Infiltrando pela direita. Porque Cristiano convenceu Fernando Santos a repetir na seleção o que Zidane fez no Real Madrid: dar total liberdade ao seu melhor atacante. Antes, o camisa sete iniciava pela esquerda num 4-3-3 e se juntava ao centroavante em um movimento programado. Agora ele atua solto na frente, alternando com outro atacante. No time merengue, Benzema. Na seleção, o jovem e promissor André Silva.

Cristiano Ronaldo voou na reta final da temporada europeia e mantém o desempenho com a camisa de seu país. Antes, chegava esfalfado, destruído por jogar todas para duelar nas estatísticas e recordes com Messi. Agora está inteiro para buscar o que realmente importa: títulos. Não que ele precise da Copa das Confederações para confirmar a Bola de Ouro, que já é dele.

Na recomposição, duas linhas de quatro com André Gomes fazendo a compensação pela esquerda, Bernardo à direita como no Monaco – e como lembra Messi nos gestos técnicos! William e Adrien no centro, protegendo Cédric, Pepe, Bruno Alves e Guerreiro.

Portugal empilhou chances, teve 62% de posse e quatro finalizações a dois, três contra nenhuma no alvo, no primeiro tempo. Finalizou mais oito vezes na segunda etapa, Cristiano Ronaldo perdeu duas chances claras que podiam até ter encaminhado uma goleada.

Acabou sofrendo com uma Rússia sem ideias, mas presença ofensiva com Poloz e Erokhin, mais Bukharov. No abafa, bolas levantadas na área de Rui Patrício, finalizou seis vezes no segundo tempo, subiu a posse para 42% e fez o adversário correr o risco de novo empate no final, como os mexicanos conseguiram.

Ainda assim, a formação inicial é um bom norte para Fernando Santos, que deve agradecer ao Real Madrid. Não só pela “inspiração” no posicionamento de Cristiano Ronaldo, mas pelo planejamento de fazer o craque “fominha” descansar ao longo da temporada e chegar em junho ainda voando fisicamente. No auge, Cristiano pode comemorar mais uma conquista em 2017.

(Estatísticas: FIFA)


Cristiano Ronaldo é o craque do presente e referência para o futuro
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André Rocha

cristiano-ronaldo

Lionel Messi é um gênio atemporal e o grande jogador desta era, na visão deste que escreve. Um dos melhores da história. Como Maradona será sempre lembrado como o maior dos anos 1980 e 1990, ainda que Platini, Zico, Van Basten, Matthaus e outros tenham conquistado premiações individuais e títulos com seus times e seleções no período.

O maior mérito de Cristiano Ronaldo, consagrado o melhor de 2016 pela “France Football” e agora pela FIFA, é ter a exata noção de como rivalizar com o argentino: nos números e nos títulos de equipes. E na seleção, com a Eurocopa do ano passado agora separando os dois. Conquistando como zebra o que o outro não conseguiu na condição de favorito.

“Não foi justo, Messi marcou mais gols e deu mais assistências no ano”. Cristiano Ronaldo foi artilheiro da Liga dos Campeões, o torneio mais importante entre os clubes, com 16 gols. Só não foi o recorde por um gol para igualar…Cristiano Ronaldo, que marcou 17 em 2013/14.

“Só marca de pênalti e gol fácil”. Quanto o argentino daria de sua fortuna por uma conclusão na pequena área sem goleiro ou pela penalidade não desperdiçada na final da Copa América Centenário contra o Chile?

“Não foi decisivo nas finais de Champions e Eurocopa”. Sem os três contra o Wolfsburg pelos merengues e os dois, um de letra, mais uma assistência na primeira fase da Euro diante da Hungria no empate em 3 a 3 e nem haveria decisões para disputar.

O português é craque com estatísticas e momentos geniais a menos de um mês de completar 32 anos por saber amadurecer com inteligência. Trabalha obsessivamente para seguir como um espetacular atleta, mantendo um baixíssimo índice de gordura e alto desempenho. Mas, ao mesmo tempo, já procura os atalhos em campo.

O objetivo é estar inteiro, física e mentalmente, para ser decisivo. Cristiano Ronaldo hoje sabe o momento de estar na ponta e buscar a diagonal e a hora de se enfiar na área adversária como centroavante. Mas também pode fechar uma linha de meio num 4-1-4-1 pela esquerda e se entregar ao trabalho defensivo, como fez, por exemplo, nos 2 a 1 sobre o Barcelona na temporada passada.

O maior artilheiro da história do Real Madrid e da seleção portuguesa também sinaliza o caminho que está por vir. Com o jogo cada vez mais intenso em alto nível e o calendário inchado por FIFA e UEFA, o jogador precisa ser um superatleta para suportar a carga e também encontrar forças e fôlego para aprimorar os fundamentos sempre que possível sem o risco de exaurir os músculos. Profissionalismo absoluto.

Precisão técnica, o lema do futebol nos próximos anos. A marca desta máquina de gols, já uma lenda. Quatro vezes o melhor do mundo. Craque do presente e referência para o futuro.