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Messi, CR7 e Champions são “culpados” pela disparidade nas ligas europeias
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André Rocha

Foto: Sergio Perez / Agência Reuters

O Bayern de Munique garantiu o sexto título consecutivo da Bundesliga, conquista inédita, com cinco rodadas de antecedência. Na França, o Paris Saint-Germain retomou do Monaco a hegemonia também disparando e confirmando matematicamente faltando cinco rodadas. A Juventus na Itália teve mais dificuldades, porém superou o Napoli e faturou o heptacampeonato nacional.

Na Premier League há maior alternância de poder, mas o Manchester City de Pep Guardiola liderou de ponta a ponta e empilhou recordes: chegou aos 100 pontos em 38 jogos e ainda fez história com mais vitórias (32), triunfos consecutivos (18), gols marcados (105), saldo (+79) e os 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Se somarmos tudo isso ao domínio do Barcelona nesta edição da liga espanhola, com a invencibilidade perdida apenas na penúltima rodada com vários reservas e uma atuação desastrosa do colombiano Yerri Mina nos 5 a 4 do Levante. mas título confirmado faltando quatro jogos, temos um cenário em que as principais ligas da Europa não reservaram disputas mais acirradas.

A senha para os disseminadores do “ódio ao futebol moderno”, muitos confundindo equilíbrio com qualidade, protestassem contra este cenário em que, para eles, apenas a disparidade econômica justifica essa vantagem dos campeões.

O grande equívoco é desprezar a enorme competência e know-how desses clubes. O Bayern ostenta a melhor geração de sua história ao lado da de Beckenbauer, Gerd Muller e Sepp Maier nos anos 1970. O mesmo vale para a Juventus. O PSG nem há como comparar e no caso do Manchester City há um retrospecto de conquistas na década, mas principalmente a presença do “rei das ligas” Guardiola, com sete conquistas em nove temporadas por três clubes e países diferentes.

Sem contar Barcelona e Real Madrid com os grandes times de sua história. E os maiores jogadores de todos os tempos nos dois clubes. Competindo na mesma época. Eis a chave para todo este cenário.

Messi e Cristiano Ronaldo venceram as quatro últimas edições da Liga dos Campeões. Se considerarmos desde 2007/08, dez anos, são sete: Manchester United com uma, Barcelona e Real Madrid com três. E os merengues em mais uma decisão podendo ampliar este retrospecto.

Em tempos recentes nunca houve nada parecido. Um fenômeno que subiu o patamar da Champions para níveis estratosféricos. De interesse, inclusive, pela sedução de se medir entre grandes da história. Com isso, o sarrafo foi parar no topo. Para desafiá-los é preciso estar em um nível de excelência em desempenho. Em todos os aspectos – físico, técnico, tático, mental, logística…

Resta aos desafiantes investir. Em elenco, comissões técnicas, estrutura…Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique conseguiram superá-los, com os alemães ainda acumulando dois vices e os ingleses um. Manchester United, ainda com CR7, Borussia Dortmund, Juventus e Atlético de Madri chegaram às decisões, mas não conseguiram equilibrar forças em jogo único. PSG e City seguem lutando para furar a casca e entrar no grupo de clubes mais tradicionais. O Liverpool, finalista depois de onze anos, tenta voltar à elite. Mas não é fácil.

Com esse nível tão alto, quem não consegue acompanhar vai perdendo o bonde da história. E os gigantes trabalham para ficar cada vez melhores de olho no principal torneio de clubes, dominado por Messi e Cristiano Ronaldo com seus históricos Barcelona e Real Madrid, mesmo com o time blaugrana de fora das últimas três semifinais.

Como consequência sobram em seus países. Elenco numerosos, estruturas fantásticas, ótimas comissões técnicas. Nos casos específicos de Bayern de Munique e Juventus, os títulos consecutivos acontecem também porque não há como se acomodar com as conquistas nacionais. Não são a prioridade. Então mesmo sobrando os processos são revistos e aprimorados, o elenco ainda mais qualificado. O time que está ganhando se mexe e fica ainda melhor. Pensando em Barça e Real Madrid.

Mas não basta só dinheiro. Ou o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp não seria bicampeonato alemão de 2010 a 2012, o Atlético de Madri não teria superado os gigantes na Espanha em 2014. O mesmo com o Monaco contra o PSG na temporada passada e, caso a Juve não tivesse deixado a Champions ainda nas quartas eliminada pelo Real Madrid e dividisse esforços por mais tempo, o Napoli poderia ter fôlego para terminar na frente. Sem contar o fenômeno Leicester City na liga mais valiosa do mundo em 2015/16. Se não jogar muito não vence. A tese do “piloto automático” é furada.

Mais do que nunca o futebol no mais alto nível exige superação constante. Com regularidade, consistência. “Culpa” de Messi, Cristiano Ronaldo e da Liga dos Campeões que levam o esporte para outra galáxia. Ainda bem que estamos vivos para ver a história sendo escrita. E até os que hoje reclamam vão sentir saudades, mesmo que não admitam.

 

 


Nem Deus, nem farsa. Pep Guardiola é apenas o melhor em 10 anos de carreira
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André Rocha

Foto: Laurence Griffiths/Getty Images

Há muita romantização em torno da figura de Pep Guardiola. Alimentada por uma certa carga dramática e poética de Martí Perarnau em seus livros sobre o treinador, ainda que ele também desconstrua alguns mitos. Especialmente o de que é um esteta que despreza os resultados em nome da arte de jogar futebol.

A conquista da Premier League pelo Manchester City é o sétimo título em campeonatos nacionais por pontos corridos. Ou oitavo, se considerarmos a primeira experiência no Barcelona B campeão da terceira divisão espanhola. Em dez anos de carreira, com o hiato em 2012/13.

Com as duas Ligas dos Campeões que conquistou no Barça, o currículo construído até aqui é invejável. 23 títulos no total. José Mourinho tem 18 anos de carreira, Jurgen Klopp um a menos que o português, Carlo Ancelotti há 23 no comando técnico, 16 a menos que Jupp Heynckes. Antonio Conte tem uma temporada a mais que Guardiola. Mas nenhum chega perto na média de conquistas por temporada. Zidane com suas duas Champions e a liga espanhola pelo Real Madrid é quem parece competir nos resultados imediatos. Mas há um fator preponderante além dos títulos que separa Pep de seus pares: a influência na evolução do jogo.

Ele mesmo admite não ter inventado nada, só recombinado ideias. Mas basta um olhar mais atento à prática do esporte nos últimos dez anos para notar a mão do catalão. Tanto na proposta que virou a sua marca, com o jogo de posição através da construção desde a defesa com passes buscando a superioridade numérica no setor em que está a bola e a pressão sufocante após a perda, como nas respostas dos adversários.

A partir do “ônibus” de Mourinho até o caos de intensidade e pressão de Klopp. O maior mérito de Guardiola foi gerar ainda mais inquietação e busca de novas soluções em um esporte que se transforma o tempo todo. Com ele o futebol evoluiu 30 anos em dez. Eis o ponto de sua genialidade.

Talento que incomoda. Talvez por não fazer parte da elite do futebol mundial em termos de seleções: Brasil, Alemanha, Itália e Argentina. O que os gigantes teriam a aprender com um cara da Catalunha? Os tradicionalistas ou puristas preferem o jogo mais lúdico, menos intenso. Outros o mais físico, de choque. Ou simplesmente o costume no futebol de torcer pelo lado mais fraco.

Mas Guardiola não é infalível, longe disso. A obsessão pela vitória tem atrapalhado na Liga dos Campeões. Os relatos de Perarnau em seus livros descrevem um homem atormentado, dando voltas e voltas em torno do próprio time e do oponente em busca de algo diferente para surpreender. Não tem dado certo e já são cinco eliminações seguidas. Na maioria das vezes contando com o melhor jogo coletivo do continente.

Mas pecando em escalações e estratégias, passando do ponto, tirando naturalidade e carregando tensão em seus comandados. Sucumbindo diante de Cristiano Ronaldo, do “pupilo” Messi, da fortaleza defensiva de Simeone, do “one hit wonder” do Monaco e do “maluco beleza” Klopp.

Algo para melhorar, aprender. E Guardiola é louco por aprendizado e crescimento profissional. Não é e nunca foi um homem acomodado e “engenheiro de obra pronta” como acusam seus “haters”. Basta um resgate histórico feito com honestidade para posicionar as coisas.

Ele chegou ao comando do time principal do Barcelona depois de temporadas fracassadas de Frank Rijkaard. Elenco desgastado e envelhecido. Deco e Ronaldinho Gaúcho saíram e ele reconstruiu a equipe que tinha, sim, algumas estrelas. Mas não para automaticamente se transformar em uma equipe histórica, a melhor que este blogueiro viu em ação acompanhando futebol há mais de três décadas.

É óbvio que Guardiola estava bem confortável em Barcelona. Conhecia o clube e o que fez foi apenas acrescentar ou resgatar elementos da filosofia implementada por Johan Cruyff. Potencializou todos os talentos e criou uma simbiose quase perfeita. Natural que as grandes conquistas tenham sido em seu “berço” logo no início de sua trajetória no ofício de liderar fora de campo.

Mas ao analisar sua partida para Munique é preciso contextualizar o momento do acerto. Final de 2012. A realidade do Bayern era a perda da hegemonia nacional para o Borussia Dortmund de Klopp, então bicampeão nacional, e a derrota dura nos pênaltis para o Chelsea na final da Champions em casa. Heynckes questionado e partindo para a aposentadoria. O clube queria reciclar sua maneira de praticar o esporte e, claro, voltar a vencer.

O primeiro semestre de 2013, porém, apresentou o cenário de um time bávaro faturando a tríplice coroa e se impondo como o modelo. Guardiola chegou como contracultura e sofreu uma resistência maior do que a esperada. Aquilo citado acima: os alemães ganharam tudo sem Pep, por que teriam que se curvar a ele?

Direção, jogadores e o responsável pelo comando técnico acabaram aprendendo juntos e cresceram. Sobraram na Bundesliga, também pelo enfraquecimento do rival Dortmund que perdeu as maiores estrelas justamente para o Bayern. Viraram referência de futebol bem jogado no planeta e influenciaram diretamente no estilo da Alemanha campeã mundial, assim como o Barcelona fizera com a Espanha quatro anos antes.

Agora o Manchester City. Clube menos tradicional em uma liga bem mais parelha, embora não superior em técnica e tática à espanhola. Sofrimento na primeira temporada pela total falta de controle das partidas através da posse. Também por conta de um elenco envelhecido e desalinhado às ideias do treinador. Era preciso aprender e se adaptar. Com o Chelsea de Conte tomando a liderança e disparando, os detratores foram implacáveis: “Acabou a moleza dos campeonatos de um time só!”

Pois Guardiola fez sua equipe reinar absoluta em 2017/18. Conquista com cinco rodadas de antecedência, apenas duas derrotas. Números e desempenho impressionantes. E ainda faturando a Copa da Liga de carona.

Sim, gastando mais do que os outros. Mas rendendo bem acima na média do que a diferença entre os orçamentos. Tornando o time mais objetivo quando necessário e circulando a bola com mais velocidade. Na base titular com apenas dois acréscimos em relação à temporada passada: Ederson no gol e Walker na lateral. No mais, quase sempre um 4-3-3 com jogadores amadurecidos dentro da ideia de jogo. Especialmente De Bruyne, o melhor na média de atuações.

De novo os críticos reduzem o feito como se o Inglês de uma temporada para outra tivesse se transformado numa Bundesliga ou Ligue 1. A única semelhança é que um time reinou absoluto. O melhor, disparado. 88% de aproveitamento, ataque mais positivo e defesa menos vazada. Líder em posse de bola, acerto de passes, finalizações. Incríveis 28 vitórias em 33 partidas. Na liga mais parelha e dos jogos malucos.

Para ratificar a distância, os simbólicos 3 a 1 sobre o forte Tottenham em Wembley depois da traumática eliminação na Champions para o Liverpool, enquanto o United de Mourinho perdeu vergonhosamente em casa para o lanterna West Bromwich. A matemática apenas confirmava o óbvio.

Mais uma conquista para a década de Guardiola. Genial, sim. Mas com muito a amadurecer e corrigir. Ainda é jovem, embora a fisionomia cansada já revele sinais do enorme desgaste mental. Vai ganhar minutos, rodagem, enfrentar novos cenários. Crescer.

Nem Deus, nem uma farsa. Humano, porém na justa primeira prateleira pela contribuição ao jogo respaldada por resultados consistentes. Como nenhum outro, ao menos por enquanto. Tão bom que até quem o detesta exige o impossível que parece menos improvável para ele: vencer tudo e com o “plus” do espetáculo.

Amado e odiado. Simplesmente por ser o melhor entre seus contemporâneos. Nada mais, nem menos.


Virada do United é para Guardiola repensar muita coisa, assim como Mourinho
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André Rocha

A escalação inicial do City para o dérbi de Manchester deixava claro que o planejamento de Pep Guardiola era dividir esforços para garantir o título da Premier League e buscar a recuperação contra o Liverpool na Liga dos Campeões.

Bernardo Silva como “falso nove” com a clara intenção de buscar espaços entre a defesa e o meio-campo do United. Kun Aguero e Gabriel Jesus no banco, assim como Kevin De Bruyne descansando para Gundogan seguir no meio, com Fernandinho e David Silva.

A proposta funcionou por méritos na execução de seu modelo de jogo. Posse de bola e movimentação. Com o tempo, Bernardo foi para o lado direito e Sterling ficou mais adiantado no centro do ataque. Placar aberto na bola parada com Kompany e jogada bem trabalhada até Gundogan girar e tirar do alcance do goleiro De Gea.

O City pode reclamar de um pênalti no toque no braço de Ashley Young no início do jogo. Mas principalmente lamentar as quatro chances claras desperdiçadas por Sterling ao longo do jogo. Em especial as duas à frente do goleiro que poderia ter transformado os 2 a 0 no primeiro tempo em uma goleada que faria José Mourinho jogar a toalha em 45 minutos.

Período sem nenhuma agressividade dos Red Devils. Era assustadora a falta de intensidade três dias depois do Liverpool de Jurgen Klopp atropelar os citizens em 30 minutos com pressão absurda. O time de Mourinho esperava posicionado no 4-1-4-1, mas assistindo à troca de passes do rival. Permitiu nove finalizações, cinco no alvo. Não concluiu nenhuma vez. Zero. City sobrou com 66% de posse.

Não mudou muito no início do segundo tempo. Talvez tenha sido o que desligou o time de Guardiola do jogo. Relaxado, permitiu a bela articulação que terminou no gol de Pogba. E o jogo com 2 a 1 se transformou. Quem já deveria estar entregue com uma goleada se agigantou e a equipe que parecia absoluta e com título garantido se viu ameaçada. E aí a derrota na quarta-feira talvez tenha pesado na falta de confiança.

Outro de Pogba, o da virada com Smalling. Três das quatro conclusões na direção da meta de Ederson entraram, num total de cinco. Em 30 minutos o clássico de Manchester virou do avesso e só aí Guardiola mandou a campo Jesus, Aguero e De Bruyne. Mas mentalmente o cenário ficou adverso demais. No “abafa”, Aguero cabeceou para defesaça do goleiro espanhol do United e Sterling perdeu sua última chance, desviando na trave. Que tarde infeliz do atacante inglês!

E aí cabe a maior reflexão de Pep Guardiola: em dois jogos grandes, seu time pecou, entre outras coisas, pela falta de contundência na frente. Muito porque o treinador monta elenco e escala em função de sua visão de futebol. Prefere jogadores ágeis, rápidos, que façam a bola girar. No Bayern de Munique, até pela cultura do clube e da Alemanha, trabalhou com Lewandowski e Muller, dois goleadores mais típicos.

Mas, paradoxalmente, embora seus times marquem muitos gols, não são matadores. Daqueles que em quatro chances colocam duas nas redes. É preciso muito volume de jogo para aplicar goleadas. Foi a diferença que impediu o triunfo no Etihad Stadium.

Talvez por isso só tenha vencido a Liga dos Campeões com Messi, o jogador perfeito para Guardiola: rápido, habilidoso, adaptado ao jogo de posição…e um goleador implacável. Em duelos mais equilibrados é fundamental. Uma das explicações para a hegemonia europeia do Real Madrid de Cristiano Ronaldo.

Obviamente o City não é um time “arame liso” – cerca, mas não fura. Mas foi no dérbi, com 20 finalizações, seis no alvo e apenas dois gols. Não poderá ser na terça-feira de novo em Manchester. Guardiola que busque as soluções, inclusive para resgatar o ânimo de seus comandados depois de dois reveses doídos.

Grande virada do time de José Mourinho. Ficou a impressão de que não houve lá muita interferência do treinador na recuperação do United. Mas não deixa de trazer reflexões também para o treinador português.

Porque ficou provado que com uma postura mais agressiva sua equipe pode fazer suas estrelas desequilibrarem. Menos pragmatismo, mais coragem. Precisava acontecer com 2 a 0 contra? Com o título inglês praticamente perdido? Eliminado da Liga dos Campeões exatamente pelo excesso de cautela no confronto com um Sevilla, em tese, inferior? Algo a ser revisto.

Guardiola e Mourinho estão na história do esporte como responsáveis diretos pela enorme evolução do jogo. Cada um com sua contribuição. Mas o jogo segue e é preciso aprender sempre sem se escravizar às próprias convicções. O pecado do português há alguns anos.

Pep parece com a mente mais aberta,. Há, porém, o que pensar. Mesmo confirmando o título nacional daqui a duas rodadas e até virando as quartas do torneio continental contra os Reds.  Não há fórmula perfeita, por mais que se busque.

(Estatísticas: BBC)


Por que Guardiola valoriza tanto a liga e o que o Arsenal quer com Wenger?
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André Rocha

Mais um 3 a 0 longe em Londres sobre o Arsenal. O primeiro em Wembley rendeu o título da Copa da Liga Inglesa, o primeiro de Pep Guardiola no comando do Manchester City. Agora no Emirates Stadium ratifica a liderança absoluta com 16 pontos de vantagem. Praticamente impossível tirar essa vantagem em dez rodadas, ainda mais com os citizens encarando Chelsea e United no seu estádio. Só não dá para garantir porque é futebol.

Ainda que bola não falte à equipe que sobra no país e joga o futebol mais consistente da Europa. Cada vez mais versátil, capaz de fazer gols como o de Aguero completando lançamento longo do goleiro Ederson ou de David Silva nesta segunda partida finalizando bela troca de passes. Time letal com ou sem posse, pressionando a saída de bola rival e sabendo acelerar dentro do padrão do futebol jogado na Inglaterra. Guardiola conseguiu em 100 jogos como treinador do clube.

A cada rodada mais absoluto. 24 vitórias, três empates e ainda a derrota solitária para o Liverpool. 89% de aproveitamento. Melhor ataque com incríveis 82 gols, 17 a mais que o dos Reds. Defesa menos vazada com 20 junto com os Red Devils de Mourinho. Líder em posse, mas também em vitórias no jogo aéreo, finalizações e qualidade nos passes. Completo.

Porque Guardiola valoriza a liga, como confirmou esta semana em entrevista que a prioridade nesta temporada é a Premier League. Exatamente por não permitir que uma noite ruim elimine a melhor equipe. É a certeza da premiação do trabalho bem feito. Jogo a jogo, estudo a estudo do adversário. Não por acaso vai para a sétima conquista em nove disputas nacionais com Barcelona, Bayern de Munique e agora com o City. Fazendo o time evoluir e o desempenho construir resultados. Como deve ser.

Como Arsène Wenger não faz mais no Arsenal. Sexto colocado, oito pontos atrás do Chelsea, o quinto. Fora até da zona de classificação para a Liga Europa. Por mais que doe criticar o homem que ajudou a resgatar o Arsenal e evoluir o jogo na Inglaterra, o tempo passou para o francês. O olho clínico para jovens talentos, a vocação ofensiva e o estilo empolgante ficaram pelo caminho e a direção do clube não percebeu que os Gunners não podiam sonhar tão pequeno.

A realidade é que o Arsenal hoje é um clube morno, mesmo para o padrão europeu de manutenção do trabalho de treinadores/managers. Não entra mais na rota dos grandes jogadores, ainda que tenha trazido nomes como Lacazetti e Aubameyang. Mas a falta de ambição e a manutenção numa “zona morta” sem mudanças apequenaram um gigante inglês que se contenta com as copas nacionais e luta por vaga na Champions. Ultimamente sem sucesso. Está acima de qualquer questão técnica ou tática. Um olhar mais atento para o campo é suficiente para perceber que não vai a lugar algum.

Com os cinco times do país com chances de chegar às quartas da Liga dos Campeões o abismo fica claro. Diante do City de Guardiola mais ainda. Afinal, o que o Arsenal ainda quer com Wenger?

(Estatísticas: WhoScored.com)


A segunda revolução de Pep Guardiola
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André Rocha

Se o futebol evoluiu 25 anos desde 2008 nos aspectos táticos e no jogo coletivo deve muito a Pep Guardiola. Não que o catalão tenha criado algo absolutamente original – ele mesmo diz que é um mero “ladrão de ideias”. Mas combinando conceitos construiu um modelo de jogo no Barcelona que virou do avesso o esporte bretão.

Não só por sua filosofia, mas pela exigência de uma resposta de outras equipes e treinadores. José Mourinho montou sua “linha de handebol” com a Internazionale e fez o jogo defensivo ganhar inteligência e sofisticação sem precedentes na negação de espaços. Estava criada a dicotomia do futebol mundial.

Com o tempo, o jogo mais complexo foi gerando outros conflitos. Times com posse e protagonistas sendo domados por fortes bloqueios e contragolpes letais. Mas também equipes reativas sofrendo quando precisavam criar espaços e jogar no campo de ataque. A evolução cobrando conjuntos inteligentes, capazes de alternar propostas e ações de acordo com necessidade, adversário, contexto.

É o futebol por demanda, tratado neste blog com o Real Madrid bicampeão da Liga dos Campeões comandado por Zinedine Zidane como o exemplo mais bem sucedido liderando um movimento.

Guardiola sofreu em sua primeira temporada na Inglaterra. Sem a reformulação que desejava no elenco envelhecido e vendo suas ideias sem encaixe na dinâmica do futebol inglês. Em muitos jogos foi uma equipe de posse estéril e muito exposta no bate e volta muitas vezes insano da Premier League. Foi o primeiro ano sem conquistas. Ainda assim, conseguiu cumprir a meta básica de colocar os citizens novamente na Liga dos Campeões.

Renovação do grupo de jogadores, especialmente nas laterais com Walker, Mendy e Danilo. Ederson para encarar a missão de ser o goleiro excelente com a bola nos pés que Bravo não foi. Mais saúde para resistir às adaptações dos princípios inegociáveis do comandante depois de um ano mais aprendendo do que tentando impor sua visão de futebol.

O resultado até aqui na temporada 2017/18 é a segunda revolução de Guardiola. Futebol por demanda na veia, porém um pouco mais propositivo que o Real Madrid. Quer a bola para comandar o jogo, mas com leitura partida a partida.

Guardiola é um treinador de ligas. Não por acaso vai encaminhando com 15 pontos de vantagem na liderança o sétimo título nacional em nove temporadas. Trabalho baseado no foco na evolução contínua do desempenho para conquistar os resultados. Sem relaxamento. Por isso as muitas conquistas com enorme antecipação e vantagem, especialmente na Alemanha. Nas competições por pontos corridos uma noite ruim ou infeliz é menos danosa do que numa Champions.

Com o triunfo por 1 a 0 sobre o Newcastle, o time azul de Manchester chega à 18ª vitória seguida, recorde absoluto na Inglaterra, ficando a uma da sequência de 19 do Bayern de Munique em 2013/14…comandado por Guardiola. Vitória fora de casa, vantagem mínima. Mas com posse de bola que ficou quase sempre acima de 80% e terminou com 78%.  Vinte e uma finalizações contra seis. Fruto da disparidade técnica e também da eficiência dos visitantes no trabalho de pressionar logo após a perda da bola.

Uma das virtudes do futebol total do City. Total não pelo significado original, da Holanda de 1974, pela constante troca de funções dos jogadores. Mas pela capacidade de atacar os adversários de todas as maneiras. Circulando a bola de forma mais cadenciada ou veloz. Passes de lado para controlar ou verticais para furar as linhas de marcação. Com toques rasteiros ou jogo aéreo, na bola parada ou não.

O City é o time com mais posse, com maior índice de acerto nos passes, mas também que mais finaliza e vence os duelos pelo alto. Absoluto.

Se o Tottenham adianta a marcação com encaixes e até perseguições individuais para complicar a saída de bola, Ederson capricha nos passes longos e cria superioridade numérica já no campo de ataque. Se o Newcastle recua e estaciona um ônibus à frente da própria área no primeiro tempo no Saint Jame’s Park, Guardiola “aproveita” mais uma lesão de Kompany para mandar a campo Gabriel Jesus e recuar Fernandinho para ter mais um a qualificar o passe e manter o time com a bola. E atacando, finalizando, colocando três bolas nas traves do goleiro Elliot. Indo às redes na nona assistência de Kevin De Bruyne, destaque individual absoluto, para o 13º gol de Sterling.

Nas vitórias mais sofridas, como a virada fora de casa sobre o Huddersfiled por 2 a 1 ou na pressão do Newcastle na reta final, pragmatismo e concentração para buscar ou administrar o resultado. Com linhas recuadas e ligações diretas. Nenhum romantismo na conquista dos três pontos. A preferência pelo espetáculo, mas só quando é possível. A competição vem primeiro.

Posse, perde e pressiona, busca das entrelinhas e da superioridade numérica no setor em que está a bola. Guardiola não mudou a essência. Mas vai se transformando ao longo do tempo, das experiências. Aprendendo com vitórias e derrotas.

O treinador é exigente com si mesmo e o mundo segue essa cobrança, querendo vitórias, títulos e espetáculos. Principalmente que continue liderando as transformações no futebol. Com o City vai fazendo história e interferindo no jogo mais uma vez. Com fome, mas também inteligência. O melhor time da Europa e do planeta no presente, mas também sinalizando o futuro.

(Estatísticas: WhoScored)

 

 


Vitória do City é a prova de que Guardiola se reinventou e Mourinho não
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André Rocha

O primeiro tempo do clássico de Manchester no Old Trafford foi um típico duelo Pep Guardiola x José Mourinho. City ocupando o campo de ataque, trocando passes e buscando surpreender o United com uma configuração inusitada do trio ofensivo: Sané pela direita, Sterling centralizado como uma espécie de “falso nove” entre a defesa e o meio-campo adversário e Gabriel Jesus à esquerda.

Provavelmente guiado pelo desenho tático dos Red Devils, desarmando o sistema com três zagueiros e voltando ao 4-2-3-1 com Smalling e Rojo na zaga e Lingard centralizado atrás de Lukaku. Sem tanta necessidade de esgarçar a marcação, os citizens tentaram explorar os ponteiros com pés invertidos buscando as diagonais.

Mas com 75% de posse de bola e num universo de nove finalizações, o gol saiu na bola parada. Cobrança de escanteio, desvio de Otamendi e gol de David Silva, aparecendo livre na falha de Ashley Young na tática de impedimento.

Só então o time da casa se aventurou no ataque e finalizou a gol, com Martial, que iniciou pela direita, mas logo depois da desvantagem no placar trocou com Rashford. Pela direita, a joia do lado vermelho de Manchester aproveitou falha grotesca de Fabian Delph no domínio para empatar já nos acréscimos. De novo Mourinho vivendo dos elos fracos dos adversários. Um exagero na especulação.

Guardiola foi ainda mais ousado na volta do intervalo ao trocar Kompany, sempre às voltas com problemas físicos, por Gundogan. Fernandinho foi para a zaga. O jogo ficou mais equilibrado, com United se aventurando um pouco mais. Também com uma substituição na zaga: Rojo por Lindelof.

Smalling trocou de lado na zaga. E deu azar no corte de Lukaku defendendo a própria área. A bola bateu nas suas costas e sobrou para Otamendi livre. Com a vantagem, entrou em ação o Guardiola mais pragmático.

Tirou Jesus, colocou Mangala. Preencheu o meio-campo com a volta de Fernandinho ao setor e abriu Sterling e Sané para os contragolpes. Também se protegeu do mais que previsível ataque aéreo do United na necessidade de reverter o resultado. Ibrahimovic no lugar de Lingard e Juan Mata substituiu Ander Herrera.

No abafa, quase o empate com Mata e Lukaku, mas Ederson salvou mostrando que é candidato, sim, à titularidade na seleção brasileira. Guardiola tirou Sané, exausto, mas deixou Aguero no banco. Colocou Bernardo Silva, que desperdiçou dois contragolpes cristalinos. Ainda falta um pouco de rapidez na tomada de decisão ao português para a intensa Premier League. De Gea ainda salvou em bela finalização do meia De Bruyne em mais uma rápida transição ofensiva.

Nos minutos finais, a frieza e o foco no resultado mantendo a bola perto da bandeira de escanteio. Lembrou times argentinos na Libertadores, principalmente o Boca Juniors de Riquelme. Gastando tempo pela noção do tamanho da vitória.

Os 11 pontos de vantagem no topo da tabela praticamente encaminham a conquista nacional. A campanha até aqui é espetacular e histórica: 15 vitórias – 14 seguidas – e só um empate. Reflexo da superioridade do City com um elenco renovado, mas também da reinvenção de Guardiola. Treinador que mantém seus princípios de jogo, mas se recicla para transformar o protagonismo em vitórias.

Seu time ataca de todas as formas, com bola no chão e pelo alto. Se preciso for, reforça o sistema defensivo e gasta o tempo. Provando de vez que não é romântico. Sempre quis vencer, mas agora sem exigir tanto que seja à sua maneira. Como for possível.

Por isso está à frente de Mourinho, que não abandona a persona anti-Guardiola, o homem que pára o ônibus e parece estacionado. O português tem elenco e orçamento para fazer mais nos clássicos. Ainda pragmático e mirando o resultado. Porém mais eficiente, como Guardiola vai se impondo na Premier League.

(Estatísticas: BBC)

 

 


Falta um pouco de Tite em Klopp no Liverpool de Coutinho e Firmino
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André Rocha

Philippe Coutinho tem cinco gols e quatro assistências na temporada 2017/2018. Roberto Firmino foi às redes oito vezes e também serviu passes para gols de companheiros por quatro vezes. Só não são os grandes destaques individuais do Liverpool porque o egípcio Mohamed Salah vive momento mágico, já marcando 13 vezes e somando três assistências. É o artilheiro do Campeonato Inglês com nove.

Os brasileiros contribuem efetivamente para que os Reds só sejam superados pelo Paris Saint-Germain de Neymar, Mbappé e Cavani na Liga dos Campeões como ataque mais efetivo – 17 a 16, em cinco partidas – e fiquem atrás apenas dos times de Manchester na Premier League: marcou 24, enquanto o City de Pep Guardiola foi às redes 40 vezes e o United de José Mourinho 27.  Em 12 rodadas. É também a equipe que mais finaliza na competição nacional.

O quarteto ofensivo ainda conta com o senegalês Sadio Mané – quatro gols e três assistências em dez jogos, depois de cumprir suspensão de três jogos na PL e sofrer lesão que o deixou de fora por cinco partidas. Dos 40 gols marcados nas duas competições, eles são responsáveis por 30. Ou 75%.

Só não garantiram matematicamente a classificação antecipada para as oitavas de final do torneio continental e uma posição acima da quinta colocação atual no Inglês – ocupando a zona de classificação para a Liga Europa porque supera Arsenal e Burnley com os mesmos 22 pontos por conta do saldo de gols – pelo fraco desempenho do sistema defensivo.

Na Premier League, são 17 sofridos. A mais vazada entre os sete primeiros. Na Liga dos Campeões, apenas seis. Mas um mau sinal: o Sevilla, rival mais competitivo do Grupo E, fez cinco. Nos dois empates entre as equipes.

O último em 3 a 3 no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Resultado que poderia ser considerado satisfatório como visitante. Mas não depois de abrir 3 a 0 em trinta minutos e ceder o empate na segunda etapa. Firmino marcou dois e serviu Mané. Jogo de 20 finalizações, dez para cada equipe. Sete no alvo dos visitantes, cinco dos anfitriões que ainda carimbaram a trave do goleiro Loris Karius uma vez.

Por que o Liverpool sofre tanto sem a bola? Uma das explicações seria as limitações dos jogadores da última linha de defesa – em Sevilla formada por Joe Gomez, Lovren, Klavan e Moreno, apesar do lateral espanhol ser um dos líderes em assistências da Champions com três passes para gols. Ou a proteção insuficiente da dupla Henderson-Wijnaldum. Mas vai um pouco além.

Passa pela visão de futebol do treinador alemão Jurgen Klopp. Figura carismática, instigante. Com eletricidade e paixão à beira do campo. Comandante que popularizou o “gegenpressing”, que nada mais é que um trabalho de pressão intensa e obsessiva sobre o adversário logo após a perda da bola, ainda no campo de ataque. Acredita em futebol no volume máximo.

Mas sem o minimo controle. Mesmo considerando o contexto de jogo ultraveloz não só da liga inglesa, mas também da alemã que conquistou duas vezes com o Borussia Dortmund. Um jogo de bate e volta, no estilo “briga de rua”. Sem adaptações, mesmo completando dois anos na Inglaterra em outubro. Na prática vem exaurindo sos atletas, física e mentalmente, além de expor demais o time.

Coutinho e Firmino devem sentir a falta de um pouco de Tite no clube. Não só pelos cinco gols sofridos pela seleção brasileira sob comando do treinador em 17 partidas, apenas três em 12 jogos oficiais pelas Eliminatórias. Mas principalmente pela busca do equilíbrio entre as ações de ataque e defesa, além, é claro, dos os companheiros mais qualificados na retaguarda verde e amarela.

Também a ideia de controlar o jogo, ora com a posse da bola, ora fechando os espaços e esperando o momento certo de atacar e definir as partidas. O Liverpool troca golpes o tempo todo. É capaz de surrar o Arsenal por 4 a 0 em Anfield Road na terceira rodada da Premier League e, no jogo seguinte pelo Inglês, ser atropelado pelo City no Etihad Stadium por 5 a 0.

Tem a terceira melhor média de posse da liga, empatado com o Arsenal e atrás de City e Tottenham, mas é muito mais pelo volume e por pressionar e recuperar rapidamente, em especial contra equipes de menor investimento, do que pela capacidade de dominar o oponente.

Aleatório demais. Aqui não há a intenção de comparar os treinadores em qualidade, mas realçando as diferenças de características e personalidades. Fica claro, porém, que falta uma pitada, ou uma mão cheia, de Tite em Jurgen Klopp. Por isso o time de Coutinho e Firmino não decola, na Inglaterra e na Europa.

(Estatísticas: UEFA e WhoScored)


A primeira vitória de Guardiola sobre o Chelsea, com a marca De Bruyne
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André Rocha

Com a suspensão de David Luiz, Antonio Conte perdeu a peça fundamental em sua saída da defesa, que com passes longos faz a bola chegar mais rapidamente ao ataque, sem riscos da pressão adversária se transformar em bolas roubadas e contragolpes. Quase um “quarterback” de futebol americano.

Diante do Manchester City de Pep Guardiola, que adianta a marcação e propõe o jogo mesmo no Stamford Bridge, a dificuldade ficou clara. Ainda obrigou Fábregas, escalado para atuar mais avançado, a recuar e tentar qualificar o passe. O mesmo com Eden Hazard.

O resultado em campo era um time com os jogadores mais qualificados lá atrás e Kanté, Bakayoko e Azpilicueta, escalado na ala direita do 3-4-1-2 de Conte, na área dos visitantes. Alonso, ala esquerdo que joga solto, na “função Sorín” sempre presente na área adversária, desta vez não pôde se arriscar tanto por ter Sterling atacando o seu setor.

A lesão de Morata ainda no primeiro tempo induziu Conte a não colocar Batshuayi e mandar Willian a campo. Fazia algum sentido: se não tinha o homem da bola longa, não fazia sentido ter o pivô para reter na frente. Era melhor ganhar qualidade na construção. Os Blues, porém, na prática ficaram ainda mais desconfortáveis.

O Manchester City de Guardiola se defendeu atacando, ocupando o campo de ataque e adiantando e pressionando a marcação, dificultando a vida do Chelsea de Antonio Conte sem David Luiz e depois perdeu Morata, entrando Willian (Tactical Pad)

Porque mais uma vez a equipe de Guardiola se defendeu atacando. Com Walker e Delph, novamente improvisado na lateral esquerda, ora atacando por dentro ou abertos. Nas pontas, Sterling e Sané trocando de lado, buscando as diagonais ou ficando quase colados nas laterais para esgarçar a linha de cinco defensores do rival.

A solução do treinador para seguir tendo a bola, mas sem ser vítima das transições seguidas e insanas dos times ingleses, foi acelerar a troca de passes assim que entra no campo adversário. Sem a paciência dos toques até se instalar no campo de ataque e praticar o jogo de posição.

É aí que entra Kevin De Bruyne. O belga é a referência de toque veloz no campo de ataque. Marca, articula e finaliza. Também homem das bolas paradas. Completo. Novamente decisivo no golaço vencendo Courtois completando pivô de Gabriel Jesus.

O atacante brasileiro, jogando no centro como referência com a ausência de Aguero por conta de um acidente automobilístico na Holanda, teve dificuldades contra Rudiger, Christensen e Cahill, não deu sequência a algumas ações ofensivas importantes e só cresceu com espaços após o gol. Quase deixou o seu em bela finalização, não fosse as costas de Rudiger, com o goleiro já batido.

No final, com Pedro e Batshuayi nas vagas de Bakayoko e Hazard, o Chelsea tentou um abafa nas jogadas aéreas, mas o City estava prevenido com Stones e Otamendi e podia ter ampliado nos contragolpes. Atuação segura da equipe de Manchester com 62% de posse e nada menos que 17 finalizações contra quatro dos donos da casa.

Primeiro triunfo em 90 minutos de Guardiola sobre o Chelsea – vencera nos pênaltis em 2013 a Supercopa da Europa. O único time a vencer em turno e returno uma equipe do treinador catalão em uma liga nacional. Feito da temporada passada, de título. Desta vez os citizens, em plena disputa pela liderança com o rival United, estavam mais prontos e aproveitaram as ausências sentidas no time londrino.

Com a marca De Bruyne, cada vez mais desequilibrante. O meio-campista dos sonhos de qualquer time. Mais um a mudar de patamar nas mãos de Pep.

(Estatísticas: BBC)

 


Campeonato inglês com cheiro de volta para Manchester. Pep ou Mou?
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André Rocha

Fica claro a cada partida do campeão Chelsea, inclusive no empate sem gols contra o Arsenal no Stamford Bridge, que Antonio Conte não encontrou em Morata uma reposição para Diego Costa no que o brasileiro naturalizado espanhol fazia de melhor, além dos gols: a capacidade de reter na frente as ligações diretas e passes longos.

O 5-4-1 esvazia o meio-campo e não sustenta construção de jogo com posse de bola. Sem Hazard, que volta para ajudar na articulação, fica ainda mais complicado. Por isso a superioridade do Arsenal de Arsene Wenger, que emulou o desenho tático do rival londrino e teve em Xhaka e Ramsey meio-campistas que combinaram qualidade técnica e dinâmica melhor que Kanté e Fábregas – apesar do passe precioso do espanhol para o compatriota Pedro perder à frente de Cech na melhor chance do jogo, ainda no primeiro tempo.

Com Liverpool e Tottenham oscilando mais que o esperado e o Newcastle não mostrando força até aqui para repetir a surpresa do Leicester em 2016, a Premier League começa a ganhar um aroma bem conhecido da Premier League nos últimos dez anos. Mesmo com apenas cinco rodadas.

Desde 2007, quando o Chelsea não foi campeão a taça rumou para Manchester. O United de Alex Ferguson faturou cinco, o City conquistou dois. Agora, não é exatamente a tradição que parece pesar a favor das equipes da cidade, mas a força de seus elencos e, principalmente, a capacidade de seus treinadores.

Pep Guardiola já sinaliza que o “curso” de um ano de campeonato inglês foi útil para o aprendizado. Entender o ritmo, o jogo físico, o “bate-volta” e tentar se adaptar. Jogo a jogo, demanda a demanda. Por isso a variação no desenho tático com linha de quatro ou cinco defensores, porém mantendo a ideia de jogo.

Abrir o campo com os novos laterais/alas Walker e Mendy, controlar o jogo no meio-campo alternando posse e aceleração com De Bruyne e David Silva e garantindo presença de área e poder de finalização mantendo Aguero e Gabriel Jesus no ataque, ainda que o brasileiro parta da ponta para dentro.

Como nos 6 a 0 sobre o Watford fora de casa, mas protagonista em campo atacando com volume, mas sabendo usar as jogadas aéreas com bola parada ou rolando e também explorar os espaços às costas da retaguarda adversária. Um City híbrido e inteligente. Um Guardiola mais conectado à lógica da liga mais forte do mundo.

Algo que o tricampeão Mourinho conhece tão bem. Por isso os Red Devils sob seu comando iguala a campanha do rival local: quatro vitórias e um empate, dezesseis gols marcados e dois sofridos. Mas trajetória construída de maneira bem diferente.

Um estilo baseado na força física e nas jogadas aéreas, ao menos até abrir vantagem. Depois muita velocidade nas transições e fôlego nos minutos finais, como nos 3 a 0 sobre o Everton no reencontro com Wayne Rooney dentro do Old Trafford, matando o jogo com os gols de Mkhitaryan e Lukaku depois do golaço de Valencia logo no início da partida.

Sem grande preocupação com a posse de bola, apostando sempre nos ataques verticais. Na ausência de Pogba, lesionado, Fellaini é mais um para cortar ou completar cruzamentos. Juan Mata é o ponta articulador que garante mobilidade e criação de espaços diante de adversários fechados. Um 4-2-3-1 compacto, rápido, intenso.

A retaguarda ainda não inspira confiança, mas foi vazada apenas no empate contra o Southampton. Graças às intervenções do goleiro De Gea. A do City também precisa de ajustes e sofre menos porque consegue manter a bola mais longe da meta de Ederson.

É muito cedo para qualquer prognóstico, ainda mais com tanto equilíbrio de forças e as equipes mais poderosas envolvidas em torneios continentais, fora as copas nacionais sempre desgastantes. Mas já é possível sentir um cheiro de Manchester voltando ao domínio na Inglaterra.

Ou um novo duelo Pep x Mou para atrair os olhos do mundo.


Dupla Jesus-Aguero, Danilo e Mendy. Guardiola parece ter achado melhor City
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André Rocha

A expulsão de Sadio Mané ainda no primeiro tempo após entrada imprudente e violenta sobre o goleiro Ederson praticamente definiu o jogo no Etihad Stadium. Mas o Manchester City já era superior ao Liverpool, inclusive no placar – 1 a 0, gol de Kun Aguero completando passe preciso em profundidade de Kevin De Bruyne.

O belga foi um dos destaques da formação que Pep Guardiola mandou a campo. Com Danilo como lateral-zagueiro pela direita, como Azpilicueta no Chelsea de Antonio Conte. Liberando Walker como ala, acelerando as coberturas e qualificando a saída de bola. Fora a versatilidade para mudar o desenho sem mexer nas peças.

No segundo tempo o brasileiro inverteu o lado e foi praticamente outro meio-campista no auxílio a Fernandinho. Dando suporte a Mendy que voava à esquerda para cima de Trent Alexander-Arnold, fragilizado na lateral direita da equipe de Jurgen Klopp, que de início tentou adiantar linhas e duelar pela posse de bola na execução de seu 4-3-3 sem Philippe Coutinho até no banco.

Perdeu capacidade de criação e flexibilidade. Eram três meio-campistas sem tanta qualidade no passe, dois ponteiros velozes e Firmino girando e tentando abrir espaços. Por isso teve a grande oportunidade na partida com Salah em contragolpe cedido pelo City mesmo com 1 a 0 no placar.

Efeito colateral da confiança em uma maneira de jogar que parece ter encontrado a melhor formação. O 5-3-2 que se transforma em 3-1-4-2 na retomada. Trabalhando a posse, pressionando no campo de ataque. Movimentando a dupla de ataque e abrindo o campo com os alas.

Passeio na segunda etapa com o segundo de Jesus cedido por Aguero depois de passe em profundidade letal de Fernandinho. O primeiro do atacante brasileiro saiu de cabeça, logo após a expulsão, em nova assistência do meia De Bruyne. Cruzamento cirúrgico da esquerda. O belga foi outro destaque individual em uma bela atuação coletiva.

Fica a dúvida em relação ao comportamento desta equipe diante de adversários bem fechados e com linhas compactas, de “handebol”. Porque induz o jogo posicional a abrir a jogada e fazer o cruzamento buscando a dupla de atacantes. Com espaços fica mais fácil alternar por dentro e pelo flanco.

Por isso Sané, que entrou na vaga de Jesus, também deu espetáculo com dois gols. O último golaço nos acréscimos para fechar em 5 a 0. Antes completou mais um centro de Mendy no passeio pelo setor esquerdo. Num universo de 66% de posse de bola e 12 finalizações, nove no alvo. A mira também estava afiada.

Placar histórico, que só não é a maior dos citizens no confronto porque em 1936 houve um 6 a 0.  Mais importante que o número de gols, porém, foi o desempenho. Guardiola parece ter encontrado o melhor caminho para enfim se impor na Premier League.

(Estatísticas: BBC)