Blog do André Rocha

Arquivo : psg

Messi, CR7 e Champions são “culpados” pela disparidade nas ligas europeias
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Sergio Perez / Agência Reuters

O Bayern de Munique garantiu o sexto título consecutivo da Bundesliga, conquista inédita, com cinco rodadas de antecedência. Na França, o Paris Saint-Germain retomou do Monaco a hegemonia também disparando e confirmando matematicamente faltando cinco rodadas. A Juventus na Itália teve mais dificuldades, porém superou o Napoli e faturou o heptacampeonato nacional.

Na Premier League há maior alternância de poder, mas o Manchester City de Pep Guardiola liderou de ponta a ponta e empilhou recordes: chegou aos 100 pontos em 38 jogos e ainda fez história com mais vitórias (32), triunfos consecutivos (18), gols marcados (105), saldo (+79) e os 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Se somarmos tudo isso ao domínio do Barcelona nesta edição da liga espanhola, com a invencibilidade perdida apenas na penúltima rodada com vários reservas e uma atuação desastrosa do colombiano Yerri Mina nos 5 a 4 do Levante. mas título confirmado faltando quatro jogos, temos um cenário em que as principais ligas da Europa não reservaram disputas mais acirradas.

A senha para os disseminadores do “ódio ao futebol moderno”, muitos confundindo equilíbrio com qualidade, protestassem contra este cenário em que, para eles, apenas a disparidade econômica justifica essa vantagem dos campeões.

O grande equívoco é desprezar a enorme competência e know-how desses clubes. O Bayern ostenta a melhor geração de sua história ao lado da de Beckenbauer, Gerd Muller e Sepp Maier nos anos 1970. O mesmo vale para a Juventus. O PSG nem há como comparar e no caso do Manchester City há um retrospecto de conquistas na década, mas principalmente a presença do “rei das ligas” Guardiola, com sete conquistas em nove temporadas por três clubes e países diferentes.

Sem contar Barcelona e Real Madrid com os grandes times de sua história. E os maiores jogadores de todos os tempos nos dois clubes. Competindo na mesma época. Eis a chave para todo este cenário.

Messi e Cristiano Ronaldo venceram as quatro últimas edições da Liga dos Campeões. Se considerarmos desde 2007/08, dez anos, são sete: Manchester United com uma, Barcelona e Real Madrid com três. E os merengues em mais uma decisão podendo ampliar este retrospecto.

Em tempos recentes nunca houve nada parecido. Um fenômeno que subiu o patamar da Champions para níveis estratosféricos. De interesse, inclusive, pela sedução de se medir entre grandes da história. Com isso, o sarrafo foi parar no topo. Para desafiá-los é preciso estar em um nível de excelência em desempenho. Em todos os aspectos – físico, técnico, tático, mental, logística…

Resta aos desafiantes investir. Em elenco, comissões técnicas, estrutura…Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique conseguiram superá-los, com os alemães ainda acumulando dois vices e os ingleses um. Manchester United, ainda com CR7, Borussia Dortmund, Juventus e Atlético de Madri chegaram às decisões, mas não conseguiram equilibrar forças em jogo único. PSG e City seguem lutando para furar a casca e entrar no grupo de clubes mais tradicionais. O Liverpool, finalista depois de onze anos, tenta voltar à elite. Mas não é fácil.

Com esse nível tão alto, quem não consegue acompanhar vai perdendo o bonde da história. E os gigantes trabalham para ficar cada vez melhores de olho no principal torneio de clubes, dominado por Messi e Cristiano Ronaldo com seus históricos Barcelona e Real Madrid, mesmo com o time blaugrana de fora das últimas três semifinais.

Como consequência sobram em seus países. Elenco numerosos, estruturas fantásticas, ótimas comissões técnicas. Nos casos específicos de Bayern de Munique e Juventus, os títulos consecutivos acontecem também porque não há como se acomodar com as conquistas nacionais. Não são a prioridade. Então mesmo sobrando os processos são revistos e aprimorados, o elenco ainda mais qualificado. O time que está ganhando se mexe e fica ainda melhor. Pensando em Barça e Real Madrid.

Mas não basta só dinheiro. Ou o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp não seria bicampeonato alemão de 2010 a 2012, o Atlético de Madri não teria superado os gigantes na Espanha em 2014. O mesmo com o Monaco contra o PSG na temporada passada e, caso a Juve não tivesse deixado a Champions ainda nas quartas eliminada pelo Real Madrid e dividisse esforços por mais tempo, o Napoli poderia ter fôlego para terminar na frente. Sem contar o fenômeno Leicester City na liga mais valiosa do mundo em 2015/16. Se não jogar muito não vence. A tese do “piloto automático” é furada.

Mais do que nunca o futebol no mais alto nível exige superação constante. Com regularidade, consistência. “Culpa” de Messi, Cristiano Ronaldo e da Liga dos Campeões que levam o esporte para outra galáxia. Ainda bem que estamos vivos para ver a história sendo escrita. E até os que hoje reclamam vão sentir saudades, mesmo que não admitam.

 

 


A lesão de Daniel Alves e o grande jogo de dados que é o futebol
Comentários Comente

André Rocha

Imagem: Franck Fife / AFP Photo

Em sua ótima coluna na Folha de São Paulo, Tostão afirma que o jogo é uma mistura de inspiração e expiração, de ciência e imprevistos.

Podia ser Meunier ou qualquer outro lateral direito do futebol profissional do mundo inteiro em campo ontem na conquista da Copa da França pelo PSG na vitória por 2 a 0 sobre o Les Herbies, da terceira divisão francesa. Faria pouca diferença em mais um título do campeão francês e da Copa da Liga. Que volta a sobrar no país depois do “meteoro” Monaco na temporada passada.

Mas era Daniel Alves. Na noite de seu 38º título na carreira, mas que também pode lhe negar a chance de conquistar o trofeu mais cobiçado pelo brasileiro. A lesão no joelho direito, em um exame preliminar, afetou o ligamento cruzado e há o risco real do lateral ficar de fora da Copa do Mundo. A última de sua trajetória multicampeã.

Logo a lateral direita sem uma reposição confiável. Que pode cair no colo de Fagner, sem grande experiência internacional no mais alto nível, ou de Danilo, reserva do Manchester City e outra incógnita em  jogo grande no Mundial da Rússia. Talvez uma surpresa que apareça na lista pela emergência.

Daniel também pode se recuperar a tempo e o Brasil contar com os melhores laterais do mundo na formação titular. Mas também sofrer com as conhecidas fragilidades defensivas do jogador do PSG e também de Marcelo do lado oposto. Como já aconteceu há quatro anos. O gol da Croácia logo aos dez minutos da estreia do time de Felipão teve bola nas costas de Daniel Alves, cruzamento e Marcelo, no movimento errado da diagonal de cobertura, marcou contra. Fora o sufoco em outros jogos.

Algo minimizado pelo bom trabalho coletivo sem a bola com Tite, mas ainda um problema. Que no detalhe de um jogo eliminatório na reta final pode afastar a seleção brasileira da disputa do título. Mas a possibilidade do substituto na direita ser a solução para uma maior estabilidade na retaguarda não pode ser descartada. Afinal, entrando no time sem tanto lastro e minutos entre os titulares, a tendência natural é guardar mais o posicionamento atrás e só descer na boa.

Considerando que Danilo já atuou como zagueiro e até volante com Pep Guardiola e Fagner conhece toda a dinâmica das equipes de Tite na última linha de defesa pelos anos trabalhando juntos no Corinthians é possível que a mudança até traga um equilíbrio que não existia.

Impossível prever. E dependendo do desempenho e do resultado uma ou outra alternativa pode ser a justificativa para a glória ou o fracasso. Na mesma coluna citada acima, Tostão provoca: “Quando termina a partida, elegemos os heróis e os vilões e tentamos explicar, com bons ou maus argumentos, o que, muitas vezes, não tem explicação. Tem existência”.

O campeão mundial em 1970 às vezes exige do comentarista uma “não análise”. A função de quem estuda, observa e coloca sua visão é oferecer pontos de vista para que o espectador ou leitor forme sua própria opinião. Há sempre indícios que podem justificar um desempenho ruim e o mau resultado.

Mas tem toda razão quando fala do imponderável. Daniel Alves se lesionou numa decisão. Podia ser em um treino. Como Neymar dobrou o pé em um lance banal num jogo qualquer da Ligue 1. Como Casemiro, Marcelo e Firmino correm riscos na final da Liga dos Campeões. Ou qualquer um dos possíveis convocados. Até em casa, brincando com o filho.

Uma ausência pode definir tudo. Para o bem ou para o mal. Quantos não lamentam o corte de Romário em 1998 imaginando que o Baixinho poderia compensar o problema de Ronaldo antes da final da Copa? Mas quatro anos antes, o Brasil conquistou o tetra com Aldair e Márcio Santos na zaga que tinha como titulares os Ricardos, Rocha e Gomes. Em 2002, Gilberto Silva se transformou em um dos destaques da campanha do penta porque Emerson foi cortado por uma luxação no ombro. Brincando de goleiro em um rachão na véspera da estreia.

Como não lembrar de Einstein e sua famosa frase “Deus não joga dados com o Universo”? Mas cada vez mais o futebol, mesmo tendo também a sua porção de ciência, vai se mostrando um grande jogo de dados. De sorte e azar. Do imprevisto que salva ou destroi. Vejamos o que o destino reserva para Tite e seus comandados na Rússia.


PSG vive em março um fim de festa. Tem que rever projeto, com ou sem Neymar
Comentários Comente

André Rocha

O Paris Saint-Germain goleou o lanterna Metz por 5 a 0 no primeiro jogo de “luto” após a eliminação da Liga dos Campeões. Mantém os 14 pontos de vantagem sobre o Monaco na liderança da Ligue 1. É favorito também na Copa da França e na Copa da Liga.

Mas e daí? O foco era a Champions. A obsessão. Ainda que o título francês marque a recuperação da hegemonia nacional, o clima já é de decepção, fim de temporada. Muitas especulações de saídas. Sobre Neymar esfriaram um pouco por conta da lesão. Já Unai Emery está mesmo se despedindo do clube. A rigor, nem devia ter permanecido depois de sequer vencer a liga na temporada passada, sem contar a tragédia contra o Barcelona.

A tendência é que o clube defina o novo treinador e consulte o comandante sobre reformulação ou não do elenco. Mas tudo isso já em março?

PSG precisa refazer seu projeto. Palavra banalizada no Brasil pelo nosso amadorismo de todo dia, mas que deve ser levada muito a sério por quem despeja milhões de euros em um clube de futebol. A meta principal, inevitavelmente, será a conquista do principal torneio de clubes do planeta.

Mas os valores podem ser revistos. Não só os financeiros. Unir individualidades em torno do coletivo. Transformar a evolução da equipe com conteúdo tático como a alavanca para manter o foco. Sair um pouco dos resultados, concentrar mais no jogo.

Assim a construção das vitórias na liga seria mais tranquila e a campanha na Champions encarada de forma natural, parte do processo. Sem aumentar a pressão que já é enorme.

Olhando para o desempenho, além da fragilidade mental que é nítida, uma deficiência salta aos olhos: como o PSG defende mal pelos flancos! Até contra o fraquíssimo Metz no Parc des Princes levou alguns sustos nas costas de Berchiche pela esquerda. Muito pela indolência de quem joga na frente. Seja a estrela Neymar ou Nkunku, o garoto em busca de espaço que marcou dois gols.

Se priorizar o trabalho tático, a disparidade abissal entre as equipes francesas continuaria sendo relativizada, mas o acerto nos movimentos defensivos seria um parâmetro mais seguro que a fragilidade dos ataques adversários. Nesta temporada, o PSG venceu várias partidas marcando “com os olhos” e quando chegou na competição continental, especialmente contra o Bayern em Munique e nos confrontos com o Real Madrid, a verdade veio inexorável. Até cruel.

É hora do dinheiro formar um time na acepção da palavra. Começando pelo treinador. Se este que escreve assinasse o cheque iria atrás de Jurgen Klopp. Não só pela competência, mas pelo carisma para agregar e dar fogo e intensidade ao que parece tão morno.

Acima de tudo, fazendo o coletivo potencializar o talento. Com ou sem Neymar. Ou qualquer outra estrela. É urgente.

 

 


A aula de 4-4-2 e de maturidade do Real Madrid em Paris
Comentários Comente

André Rocha

No Brasil é costume justificar a ineficiência de um time pela falta do “camisa dez”. Essa entidade capaz de resolver qualquer problema de criatividade em qualquer equipe.

Pois o Real construiu a virada sobre o PSG por 3 a 1 em Madri e consolidou sua classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões com outra vitória no Parc des Princes atuando num típico 4-4-2.

Dois volantes: Casemiro e Kovacic. Mais Lucas Vázquez e Asensio pelos flancos, deixando Benzema e Cristiano Ronaldo na frente. Execução exemplar das linhas de quatro, com setores próximos, pressão no adversário com a bola, estreitando a marcação para fechar as opções de passe.

Com a bola. saída rápida e movimentação para não deixar o time engessado. No primeiro gol, Asensio interceptou passe de Daniel Alves, acionou Vázquez, que colocou na cabeça de Cristiano Ronaldo. O terceiro gol do português no confronto. Mais uma vez decisivo num mata-mata de Champions. O 12º do artilheiro do torneio. Desta edição e de todos os tempos.

Símbolo da maturidade de um time vencedor. Histórico. Simples, inteligente e decisivo na tomada de decisão. Como funcionou o coletivo do bicampeão europeu. Já favorito ao tri pelo que representa.

Tudo que o PSG não teve. Ainda não tem. Talvez não tivesse com Neymar em campo. A expulsão de Verratti é símbolo do desequilíbrio emocional, da desistência da luta. Do apequenamento. Nem precisou sofrer um gol para silenciar o estádio. A postura do adversário já murchou a torcida, que só ensaiou uma reação no gol de joelho do Cavani que empatou o jogo. Não foi suficiente. Coisas que o dinheiro não compra.

Mas contratar um treinador melhor que Unai Emery para manejar um elenco milionário será um bom início de planejamento para a próxima temporada. Escalações questionáveis, substituições indecifráveis. No episódio das cobranças de pênalti que criou o imbróglio Neymar x Cavani, a nítida falta de autoridade. O vestiário ficou maior que o homem  que devia liderá-lo.

O Real tem Zidane. Com as hesitações normais de um novato no ofício, mas com moral absurda pelo que jogou e representa para o clube. Sua serenidade reflete em campo nas partidas decisivas. Mas neste duelo a mão de estrategista ficou clara. Especialmente por fazer o time voar pela esquerda para construir a virada.

Mas o golpe final saiu pela direita. Passe de Cristiano Ronaldo, centro de Vázquez e, na sobra, o chute de Casemiro que desviou em Marquinho e saiu de Areola. O Real controlou o jogo e mereceu sair de Paris com uma vitória emblemática. Uma aula tática e de maturidade. Do gigante nesta disputa.


Por que Neymar pode ser a diferença a favor do PSG contra o Real Madrid
Comentários Comente

André Rocha

Enfim chegou a hora do mata-mata da Liga dos Campeões. De 11 de dezembro de 2017 para cá muita bola rolou, mas o confronto mais esperado continua sendo Real Madrid x PSG. A expectativa só aumentou ao longo do tempo com as oscilações do time merengue e as muitas polêmicas de bastidores em Paris. Felizmente o primeiro duelo, no Santiago Bernabéu, já acontece na primeira semana de disputa.

Ambos venceram no sábado por suas ligas contra Toulouse e Real Sociedad com o Real, por conta dos 5 a 2 em Madri, deixando uma impressão positiva. Mas a formação no 4-4-2 com Lucas Vázquez e Asensio pelos lados no meio-campo deve mudar com o retorno de Casemiro e Gareth Bale. Mais provável o retorno do 4-3-3 das últimas partidas e da conquista continental de 2015/2016.

Sem a bola, a dinâmica segue a mesma. Bale volta pela direita formando a segunda linha de quatro com Modric, Casemiro e Kroos. Por conta da qualidade e do volume de jogo do adversário, Zinedine Zidane vai precisar da concentração que vem faltando, especialmente na compactação dos setores para expor menos a retaguarda.

Sem Carvajal e, provavelmente, com Nacho improvisado pela direita, a tendência é o Real atacar ainda mais pela esquerda, com Marcelo, Kroos e Cristiano Ronaldo ou Benzema. Até para forçar o lado de Daniel Alves que não costuma ter um apoio no trabalho defensivo de Mbappé – é possível que muitas vezes seja Cavani o atacante que volta pela direita na recomposição.

Unai Emery deve montar o Paris Saint-Germain também no 4-3-3 que se desdobra em duas linhas de quatro sem a bola. No meio, além de Mbappé, Verratti e Thiago Motta pelo centro e Rabiot abrindo à esquerda para auxiliar Kurzawa e dar liberdade a Neymar.

O brasileiro pode ser a chave do PSG para se impor. No jogo de ida e no confronto. Não, não é patriotada, muito menos uma afirmação apenas para agradar os fãs e irritar os haters do brasileiro. Há uma razão que passa pelas características dos atacantes que estarão em campo.

Bale, Benzema, Cristiano Ronaldo, Cavani e Mbappé são atacantes típicos. Força, velocidade, explosão, capacidade de finalização, técnica. Cada um com uma característica mais preponderante. Neymar é o único que tem um pouco menos de força, mas compensa, e pode desequilibrar, pela capacidade de funcionar como um armador.

Porque a luta no meio-campo será árdua, com muita qualidade na organização para ser bloqueada e um duelo de imposição de ritmo. Com o trio “BBC”, o Real não tem um atacante para fazer a “liga”, como era Isco na execução do 4-3-1-2 antes de cair de rendimento e ser sacado.

O PSG tem Neymar. Para buscar a bola e distribuir passes e lançamentos, procurar os espaços às costas de Casemiro e Modric.. Ou partir para cima do improvisado Nacho. Fazer a bola chegar ainda mais fácil nos seus companheiros de ataque. Flexibilizar e tornar menos previsíveis as ações ofensivas. Ser o ponta articulador que desequilibra a marcação do oponente. Já tem 14 assistências na temporada, três na Liga dos Campeões.

Sem contar o faro de artilheiro: 28 gols em 27 partidas, seis na Champions. Com bola rolando ou nos pênaltis e faltas. Ainda que a liga francesa não tenha a competitividade da espanhola, são números significativos na temporada de quem chegou para ser o protagonista.

Neymar visitou o Bernabéu três vezes: venceu duas, perdeu uma e fez dois gols. Mas nunca sua equipe precisou tanto dele como agora. Para dar sequência ao projeto de vencer o principal torneio de clubes do planeta. Eliminando o bicampeão.

Não há favorito. O PSG tem “fome” e decide em casa. O Real tem a experiência e a confiança de três conquistas nas últimas quatro edições e o foco absoluto na chance de título que sobrou na temporada. Muito equilíbrio. A diferença pode ser Neymar.

As prováveis formações de Real Madrid e PSG para o primeiro duelo: equipes no 4-3-3 variando para as duas linhas de quatro sem a bola com Bale e Mbappé ou Cavani voltando pela direita. Duelo de força e qualidade no meio-campo e no ataque. Neymar pode ser a diferença como um ponta articulador partindo da esquerda para circular às costas do meio-campo adversário ou indo para cima do improvisado Nacho (Tactical Pad).


Neymar, Ibrahimovic e “O Show de Truman”
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Jean-Sebastien Evrard/AFP

E lá vamos nós de Neymar… Este blog evita o recurso fácil de caçar cliques com a maior “isca” da internet, mas em alguns momentos é inevitável abordar o tema.

O brasileiro novamente foi centro de uma polêmica ao provocar adversários na vitória por 3 a 2 do Paris Saint-Germain sobre o Rennes na semifinal da Copa da Liga Francesa. Primeiro o gesto de oferecer a mão para levantar um colega de trabalho e depois deixá-lo no “vácuo”.

Quanto ao domínio com as costas seguido de um chapéu em Bourigeaud, é o risco que Neymar adora assumir. Para quem leva será sempre um ato de desrespeito, ainda mais na Europa. O craque encara como espetáculo e uma forma de revidar com habilidade as pancadas e provocações. Mesmo sabendo que com isso se torna ainda mais o alvo.

É do jogo. Não precisava ser assim e talvez sejam exemplos ruins de um ídolo para a criança que está formando valores para a vida. Mas não definem o caráter de ninguém. Basta observar as declarações de quem convive ou já conviveu com o craque – inclusive no Barcelona, mesmo com uma saída traumática que poderia deixar ressentimentos – para desconstruir essa imagem de astro egocêntrico. Há coisas bem mais reprováveis por aí que passam batidas. Inclusive no futebol.

Ibrahimovic, por exemplo, já humilhou adversário procurando o nome na camisa, ironizou até o bigode de um oponente e agrediu com bolada o goleiro das Ilhas Faroe. Sem contar suas brincadeiras de mau gosto com colegas e as entrevistas em tom arrogante falando de si mesmo na terceira pessoa (“Zlatan”). Para muitos é visto apenas como “personalidade forte”. Outros tantos são indiferentes. Longe de causar tanta celeuma, no mesmo PSG.

Porque não é Neymar. Sempre o centro das atenções, com a vida escancarada nas redes sociais para milhões de seguidores. A ponto de monitorarem seu desempenho em campo de acordo com o namoro com a atriz global. Sem contar outras pautas que nada têm a ver com esporte.

Uma espécie de “O Show de Truman”, filme estrelado por Jim Carrey que completa 20 anos em 2018. Mas se na obra cinematográfica Truman Burbank não sabia que estava sendo filmado e sua vida transformada em um programa de TV, Neymar capitaliza com a exposição. Em todos os sentidos.

Só não pode reclamar do lado ruim, inclusive este texto que foge um pouco da bola jogada pelo brasileiro em Paris. Nem apelar para o clichê “o futebol está chato” ou se irritar com pancadas dos rivais, vaias das arquibancadas e críticas de quem pensa diferente. Ou mesmo a perseguição dos haters, muitas vezes por pura inveja.

São os prós e contras da vida. O verso da moeda vem sempre no pacote.

Veja também:


PSG e Real atacam bem e defendem mal. Quem se organiza primeiro pro duelo?
Comentários Comente

André Rocha

O Real Madrid se recuperou da vexatória eliminação na Copa do Rei em casa para o Leganés com um resultado expressivo: 4 a 1 sobre o Valencia no Estádio Mestalla. Com o time da casa disputando vaga na Liga dos Campeões e que não perdia para os merengues em seu estádio há três temporadas.

O time de Zidane foi vertical no resgate do trio BBC. Gareth Bale voltando a executar a função de atacante que volta pela direita formando a segunda linha de quatro. Sem Isco, o atual campeão da Espanha e da Europa perde criatividade e volume de jogo, porém fica mais letal na frente.

No contragolpe de manual, o pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo. Depois uma falta mais que duvidosa de Montoya sobre Benzema para o camisa sete marcar o segundo também na penalidade máxima. Gol de Mina e muita pressão do Valencia em busca do empate. Com Lucas Vázquez na vaga de Bale manteve a estrutura tática, porém perdeu “punch” na frente.

Mas Asensio no lugar de Benzema centralizou Cristiano Ronaldo e deu a Marcelo o parceiro para a bela tabela que terminou no golaço do lateral brasileiro. O de Toni Kroos não foi menos belo, também em tabelinha rápida. Goleada, mas sem grande atuação coletiva e muitas dificuldades no trabalho defensivo. Houve uma nítida queda na intensidade e na compactação dos setores.

O PSG enfiou 4 a 0 no Montpellier. Dois de Neymar, o recorde de gols de Cavani, agora com 157 pelo clube. Mais um do redivivo Di María na vaga do lesionado Mbappé. O jovem argentino Lo Celso ditando o ritmo no meio-campo com Rabiot. Mais uma daquelas típicas vitórias tranquilas do time de Paris no Campeonato Francês.

Eis o problema para a equipe de Unai Emery. A falta de testes mais consistentes na liga nacional. Mas as raras derrotas, como os 2 a 1 impostos pelo Lyon, mostram uma equipe com sérias fragilidades defensivas. Muitas vezes com apenas seis jogadores de linha atrás da linha da bola e os laterais Daniel Alves e Kurzawa expostos, sem apoio do meio-campo.

Emery não está errado ao tentar buscar abrigar o maior número possível de jogadores talentosos na formação titular, mas há efeitos colaterais. A questão nem é marcar, ter especialistas em desarmes. O problema é a falta de coordenação dos setores na tarefa de negar espaços aos adversários. A disparidade na França faz com que o time não exercite isso mais vezes.

As derrotas por 3 a 1 nos jogos mais duros fora de casa na fase de grupos Liga dos Campeões deixaram avisos:  do Bayern em Munique para o Paris Saint-Germain e do Tottenham para o Real Madrid. Em confrontos parelhos, ceder espaços generosos para os rivais pode ser letal.

É óbvio que para as oitavas-de-final da Champions que começam daqui a 18 dias a concentração será outra, principalmente para o time visitante. Ambos sabem do potencial de ataque do outro lado e também de seus muitos problemas sem a bola.

Quem se organiza primeiro? O Real Madrid tem duas vantagens: jogadores com vasta experiência em duelos de mata-mata e mais “amostragens” de suas falhas exploradas por adversários mais fortes no Espanhol. Sem contar o peso de 12 conquistas do torneio e o foco absoluto na busca do tricampeonato.

Mas não garantem nada contra Neymar, Cavani e uma imensa vontade de ser protagonista na Europa. Mesmo com tudo que se diz sobre os bastidores, conflitos no vestiário…é jogo gigante e decisivo! Nessas horas os problemas ficam menores em nome de algo maior.

A promessa é de jogaço. Se os times continuarem atacando bem e defendendo mal podemos ter um caminhão de gols nas duas partidas. Um  duelo “lúdico” em Paris e Madri?


Crise pode tirar Real Madrid da Champions. Mas não era piloto automático?
Comentários Comente

André Rocha

Precisamos mais uma vez voltar à tese simplista de que dinheiro compra bom futebol, vitórias e títulos. Que a Libertadores é melhor que a Liga dos Campeões por conta do equilíbrio e que os times bilionários da Europa vencem os demais, incluindo o campeão sul-americano no Mundial de Clubes, simplesmente pelo abismo no orçamento.

A crise do Real Madrid bicampeão europeu e do planeta, com o atual Bola de Ouro Cristiano Ronaldo e outras estrelas mostra que não é assim que funciona no futebol. Derrota para o Villareal no Santiago Bernabéu por 1 a 0 e, se o Sevilla vencer o Alavés fora de casa o time merengue ainda fica na zona de classificação da Liga dos Campeões. Mas apenas pelo confronto direto – vitória por 5 a 0, a última boa atuação do bicampeão europeu. Uma ameaça real, sem trocadilho.

É óbvio que há muito tempo para recuperação. No pior cenário, se o desempenho não melhorar pode vir a eliminação para o PSG na Liga dos Campeões e aí sobraria tempo e foco para se recuperar na liga nacional e lutar, ao menos, pelo habitual segundo lugar.

Mas eis o ponto: não há piloto automático. Superioridade pura e simplesmente pela maior capacidade de investimento. Se vacilar é alcançado. Porque o esporte é coletivo, não uma mera reunião de individualidades.

O que é difícil entender é que Barcelona e Real Madrid vêm se impondo na Espanha e na Europa sendo os vencedores das últimas quatro edições da Champions porque contam com times que estão entre os melhores de suas histórias. Com Messi e Cristiano Ronaldo, os maiores artilheiros e craques dos clubes desde sempre.

O mesmo vale para o Bayern, base da Alemanha campeã mundial e que só não igualou a geração de Beckenbauer e Gerd Muller com um tricampeonato da Champions exatamente porque tinha um Messi e um Cristiano Ronaldo pelo caminho. Mas na Bundesliga sobra encaminhando um inédito hexacampeonato porque é competente ao se impor como o mais rico.

Lógica semelhante na França com o PSG. Investiu e atropela na Ligue 1, porque o objetivo é vencer o principal torneio continental. Com Neymar e Mbappé há alguma dúvida de que formou o grande esquadrão de sua história? E é bom lembrar: o atual campeão é o Monaco, que não é um “primo pobre”, mas prova que para vencer é preciso jogar.

O Real Madrid hesita. Talvez tenha se acomodado com as muitas conquistas, alimentado uma ilusão de dinastia com os títulos seguidos. Ou a obsessão pelo tricampeonato da UCL e o planejamento de estar voando na reta final da temporada como em 2016/17 tenha deixado um buraco inesperado no meio. Algo anda muito errado com o time de Zinedine Zidane, alçado a melhor que Pep Guardiola há poucos meses e agora mais que questionado.

Exatamente porque o futebol é cíclico, imprevisível. Não existe jogo jogado e vencido. O óbvio que às vezes é preciso ser lembrado para rebater teorias criadas por estas bandas. Românticas, vitimistas, saudosistas. Como se nada pudéssemos fazer para melhorar nosso jogo e ser mais competitivo que o Grêmio de apenas uma finalização contra esse mesmo Real Madrid. Com rendimento não muito melhor que o atual.

Este blog insiste: não é apenas dinheiro. Só não vê quem não quer.


Chelsea pode eliminar Barça porque Messi é senhor e escravo das entrelinhas
Comentários Comente

André Rocha

Difícil imaginar em dezembro um confronto previsto para fevereiro. Mas ainda que o Chelsea não seja o mesmo da temporada passada, o sorteio das oitavas de final da Liga dos Campeões não foi nada generoso com o Barcelona.

Porque o time de Antonio Conte, com linha de cinco homens na defesa e meio-campo com Kanté e Bakayoko, vai negar os espaços que o Barcelona precisa e cada vez cria menos.

Sem uma opção de drible pela ponta como Neymar e o lesionado Dembelé, o jogo está todo concentrado em Messi. O argentino precisa armar e finalizar como nunca. O único escape é Jordi Alba pela esquerda ou as eventuais infiltrações de Paulinho.

Só que Messi vive um paradoxo. É o mestre das entrelinhas. Embora a bola nos pés do gênio seja poesia pura, o conceito não é subjetivo, nem romântico. É física pura.

Antes um ponta habilidoso e goleador que virou gênio quando Guardiola o chamou no seu quarto em 2009 para mostrar os espaços entre a defesa e o meio-campo do Real Madrid e pediu para que ele jogasse exatamente ali. Entre as linhas de marcação. Para receber com liberdade e acelerar em direção ao gol. O Barça enfiou 6 a 2 no maior rival dentro do Santiago Bernabéu. Nascia o Messi “falso nove”.

Mas mesmo quando ele voltou para o lado direito com a chegada de Suárez e Neymar e agora como um autêntico “ponta de lança” moderno no 4-4-1-1 montado por Ernesto Valverde, o espaço do camisa dez genial não muda. Ele procura as brechas entre os setores.

O problema é quando o adversário não as cede. O primeiro a fazer esta leitura foi José Mourinho. Primeiro com o ônibus da Internazionale em 2010, depois no Real Madrid colocando um homem entre essas linhas – primeiro Pepe, depois Xabi Alonso – não para marcar individualmente, mas preencher o vazio. Só com a expulsão do zagueiro luso-brasileiro o time de Guardiola se impôs e Messi, no auge do auge, fez a diferença na lendária semifinal da Liga dos Campeões 2010/2011.

Com o tempo, as equipes passaram a utilizar como “antídoto” quase sempre o 4-1-4-1, como o Villareal que plantou o volante português Rúben Semedo entre as linhas e foi um duro adversário na 15ª rodada do Campeonato Espanhol. A vitória por 2 a 0 só foi construída no segundo tempo, depois da expulsão do ponteiro Raba por falta duríssima em Sergio Busquets. Messi marcou seu 14º gol numa saída de bola errada, com o adversário escancarado.

É óbvio que o argentino continua genial e desequilibrante, com números estupendos. Para este que escreve o melhor que viu jogar. Mas repare como ele costuma crescer quando o adversário cansa ou está desarticulado. No cenário ideal, recebendo com liberdade entre as linhas, da meia direita para o centro, é imparável.

Flagrante do cenário ideal para Messi: recebendo entre a defesa e o meio-campo adversário, partindo da meia direita para o centro. Serve ou finaliza. É o jogo entrelinhas (reprodução ESPN Brasil).

A questão é que os adversários já sabem disso, ficou “manjado”. E nos jogos grandes, mais parelhos, os espaços somem. Até pela cultura de ter a bola do Barcelona. O oponente se recolhe, compacta as linhas. E Messi não joga.

Na última temporada, as partidas contra PSG e Juventus foram didáticas. Para eliminar os franceses o time catalão precisou do brilho de Neymar. Diante dos italianos não teve jeito. Porque Messi simplesmente se entrega. Ou espera a entrelinha. Se ela não vem…

Repare no argentino em campo. Ele só compete com a bola. Trota, por vezes caminha. Espera a bola chegar. Só dispara se perceber a chance de recebê-la em boas condições. Se o adversário não permite, ele costuma recuar. Com as principais linhas de passe fechadas, toca de lado. Ou se enfia no centro do ataque ou em uma das pontas. Os lançamentos dos companheiros não o encontram pela desvantagem física, inclusive na estatura. Ou seja, está morto no jogo.

Contra o Villareal, um exemplo de um cenário complicado para Messi: recebe de frente para as linhas compactas e fechando as linhas de passe, com um adversário cercando. No Barcelona atual, só há escape com Jordi Alba pela esquerda (reprodução ESPN Brasil).

Por isso a desvantagem nos últimos anos no duelo com Cristiano Ronaldo pelos prêmios individuais. O português é mais adaptável, já entendeu que precisa ser mais atacante, tocar menos na bola. Passa o jogo buscando a melhor chance de finalizar. Ora entrando como centroavante, ora buscando as infiltrações em diagonal. Contra retaguardas mais ou menos fechadas. Não desiste.

Messi fraqueja. Se a concentração do rival durar noventa minutos, ele só vai aparecer na bola parada – falta ou pênalti, como nos 6 a 1 sobre o PSG. Se já era pouco antes, agora que o Barcelona depende mais de sua estrela maior pode ser bem dramático.

O Chelsea não atua no 4-1-4-1, mas o 5-4-1 bem executado, com dois leões franceses na proteção, deve complicar bastante a vida do Barcelona, mesmo com o retorno de Dembelé. Porque Messi é senhor, mas também escravo das entrelinhas. Já está mais que subentendido.


Os três avisos do Bayern em Munique ao PSG no primeiro grande teste
Comentários Comente

André Rocha

Você leu neste blog que o primeiro teste em alto nível do Paris Saint-Germain com Neymar e Mbappé neste início de temporada seria o Bayern de Munique, agora sob o comando de Jupp Heyckens, voltando de sua aposentadoria para recuperar o time alemão na temporada.

Se os 3 a 1 na Allianz Arena que encerraram a invencibilidade e a campanha 100% do PSG não foram suficientes para inverter a classificação do grupo B da Liga dos Campeões, ao menos serviram para resgatar de vez a confiança do gigante alemão para a sequência da Bundesliga. Principalmente, para o retorno da competição continental em fevereiro de 2018. Mesmo sem Robben e com time muito alterado – Vidal, Javi Martínez e Thomas Muller iniciaram no banco de reservas. Não será rival fácil para qualquer líder de grupo nas oitavas-de-final.

Também deixou três avisos para a equipe de Unai Emery se preparar para os duelos mais complicados na segunda metade da jornada 2017/2018:

1 – Intensidade nos 90 minutos

O abismo entre o PSG e os concorrentes na França faz com que o time diminua muito a intensidade em alguns períodos das partidas do campeonato nacional. Especialmente no trabalho sem a bola. Aconteceu no primeiro tempo, com todos os titulares disponíveis, apesar dos 54% de posse de bola e das seis finalizações dos visitantes, com duas boas oportunidades -a mais clara com Neymar em lindo passe de Mbappé e a primeira grande defesa de Ulrich, o goleiro substituto do lesionado Neuer.

Desta vez, porém, era o Bayern do outro lado. Concluiu seis vezes, duas nas redes de Areola. O atalho era pela esquerda, com Ribéry, Alaba e James Rodríguez, que envolveram Daniel Alves, sem o devido auxílio de Mbappé, com relativa facilidade nos gols de Lewandowski e Tolisso. Lateral brasileiro que perdeu a disputa com Coman, que inverteu o lado com a troca de Ribéry por Thomas Muller, no terceiro marcado na segunda etapa, também de Tolisso.

O PSG precisa competir mais, com concentração na maior parte do tempo para não dar armas ao rival. Compactar os setores e contar com mais colaboração dos atacantes além da pressão no campo adversário.

2 – Aproveitar as oportunidades

Por mais méritos que Ulrich tenha nas intervenções que impediram mais gols além do marcado por Mbappé em lindo passe de Cavani, um time que quer vencer Liga dos Campeões, mesmo em uma partida com larga vantagem para garantir a liderança do grupo, não pode aproveitar apenas uma de 13 finalizações e oito no alvo.

Ainda mais com a força do tridente ofensivo. Encontrou o atalho pela direita, com Mbappé levando vantagem seguidamente sobre Alaba e Hummels e tinha obrigação de ser mais contundente. Ainda mais em um jogo fora de casa contra uma equipe da primeira prateleira do futebol europeu. Em um confronto de mata-mata pode ser letal.

3 – O jogo é coletivo

O camisa dez e estrela maior da equipe francesa circulou menos e, consequentemente, não prendeu tanto a bola desta vez. Foi atacante, esperando a bola chegar à zona de decisão para entrar em ação. Primeiro sofreu falta de Kimmich que rendeu um cartão amarelo ao lateral e depois infiltrou em diagonal e obrigou Ulriche a uma fantástica defesa.

Neymar voltou aceso, como todo o time, na volta do intervalo. Mas depois do terceiro gol bávaro nitidamente relaxou, até se escondeu um pouco do jogo. Uma prova de que o talento individual por si só, sem ser potencializado pelo trabalho coletivo, tende a ser menos decisivo. O Bayern, sem grandes estrelas, foi mais eficiente em sua proposta de jogo.

Unai Emery e seus comandados terão dois meses para refletir, fazer os devidos ajustes e tentar fazer o PSG, enfim, ser protagonista na Liga dos Campeões.

(Estatísticas: Footstats)