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O que falta ao Flamengo para vencer além das fronteiras do Rio de Janeiro
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André Rocha

Mais uma vez em 2017 o Flamengo deixou uma vitória escapar por pequenos detalhes que fazem diferença, especialmente numa decisão.

Seja o problema crônico de não ter um jogo coletivo bem elaborado, com triangulações, ultrapassagens, trabalho de pivô…O time, com Zé Ricardo ou Rueda, vive fundamentalmente das jogadas aéreas. Com bola parada ou rolando. Foi assim com Réver em Avellaneda e de novo com Lucas Paquetá depois de uma cobrança de falta de Diego. Mais um gol do jovem atacante em decisão, assim como foi na ida contra o Cruzeiro na Copa do Brasil.

O “arame liso” também se fez presente no Maracanã. 56% de posse, 18 finalizações. Mas só três no alvo. Exatamente porque o time não cria a jogada surpreendente que facilita a vida de quem vai concluir. E quando Everton apareceu na frente de Campaña o chute não foi preciso. Numa final o time que precisa finalizar, em média, oito vezes para ir às redes vai sofrer mais. Cerca, mas para furar é difícil.

Com tantas dificuldades para ser contundente na frente, as falhas defensivas costumam custar caro. O pênalti de Cuéllar sobre Meza que Barco converteu para empatar e garantir o 17º título internacional do “Rei de Copas” foi um tanto duvidoso, mas não resta dúvida que o volante colombiano foi imprudente na disputa. Podia ter sido pior, se Juan não tivesse salvado falha grotesca de Réver que terminou na cavadinha de Gigliotti e o salto espetacular do zagueiro veterano.

O mais do mesmo seguiu com a falta de criatividade de Diego. O camisa dez não dá fluência às jogadas, sequer arrisca um passe rápido e vertical que fura a defesa, mesmo quando os companheiros dão opção. Só aparece na bola parada. E não tem a leitura para perceber que seria mais útil entrando na área para finalizar. Recua, prende a bola, atrasa a transição ofensiva e quase sempre toca de lado, para os laterais levantarem na área adversária. Um elo fraco rubro-negro ao longo da temporada. Impressiona como ainda tem o nome aventado para a lista final de Tite para a Copa do Mundo na Rússia.

O Fla do elenco milionário e experiente nos últimos minutos dependeu de Vinicius Júnior, Paquetá, Vizeu e Lincoln. Com Everton Ribeiro, principal contratação para a temporada, se arrastando e errando jogadas primárias. Uma prova de que a ida ao mercado não foi das mais felizes. O departamento de futebol segue devendo.

O Independiente foi melhor coletivamente nos 180 minutos e a mentalidade vencedora ajudou a construir os 3 a 2 agregado que garantiu o segundo troféu do torneio continental. Para o Flamengo restou novamente a frustração. Termina o ano apenas com a conquista do Carioca. Simbólico para mostrar que a reestruturação financeira e o maior poder de investimento não mudaram o patamar nos cenários nacional e internacional. O clube segue como o maior vencedor no estado, na competição menos relevante na temporada. E só.

Falta dar o salto de competitividade em alto nível. Ser forte e vencedor além das fronteiras do Rio de Janeiro deve ser a prioridade para 2018. A começar por priorizar a Libertadores e deixar um pouco de lado o campeonato tão valorizado em abril, maio…e esquecido no final da temporada. O ano foi de fracassos. Não tapar o sol com a peneira é um bom primeiro passo.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo com alma de clássico carioca num duelo continental. Como deve ser
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André Rocha

Indignação com a derrota ou resultado negativo. O que faltou ao Flamengo na maioria da temporada, menos nos clássicos cariocas – com exceção da única derrota para o Botafogo pelo Brasileiro utilizando reservas. O que vinha faltando principalmente em competições sul-americanas.

Não aceitar outro resultado senão a vitória foi o que moveu o time de Reinaldo Rueda no Maracanã com imperdoáveis espaços vazios, fruto da obtusa política de preços que pensa induzir o torcedor a virar sócio. Mas a virada por 2 a 1 sobre o Junior de Barranquilla na ida da semifinal da Copa Sul-Americana não seria possível não fossem as muitas falhas do adversário justamente na jogada mais eficiente dos rubro-negros em toda temporada, desde os tempos de Zé Ricardo.

A jogada aérea, com bola parada ou rolando. Podia ter acontecido com Vizeu ainda no primeiro tempo, completando cruzamento de Everton Ribeiro. Já com desvantagem no placar. E Alex Muralha em campo na vaga do Diego Alves, que sofreu fratura na clavícula após cometer pênalti não marcado sobre Jony González. Uma infelicidade tão grande quanto o primeiro ataque colombiano terminar em gol. Juan perdeu a disputa com Teo Gutierrez, passe de Mier nas costas de Pará e González rolando para Teo. O goleiro, frio e nitidamente inseguro, deixou passar o cruzamento.

Parecia que os visitantes repetiriam o passeio que deram no Sport em Recife nas quartas de final, mas abdicaram um pouco do jogo, recuando as linhas e esperando o contragolpe letal com o velocíssimo Yimmi Chará nas costas de Trauco. Não veio no primeiro tempo de 54% de posse do Fla e sete finalizações, mas nenhuma no alvo. O Junior concluiu quatro, duas no alvo e o gol único antes do intervalo.

Com oito minutos de atraso, Reinaldo Rueda trocou Mancuello por Vinicius Júnior. Nem tanto pelo desempenho do argentino, que finalizou duas vezes com perigo e tentou colaborar na articulação. Mas principalmente pela entrada de um atacante com característica semelhante à de Berrío e Everton. Até então o Fla não tinha uma referência de velocidade para lançamentos, que desse profundidade aos ataques.

Melhorou um pouco o desempenho, mas faltava criatividade, o passe diferente qualificado. Não veio de Everton Ribeiro, substituído por Lucas Paquetá. Muito menos de Diego, novamente um líder em campo, mas burocrático na articulação. O jogo do Fla não fluía mais uma vez. De novo o time que não dá liga, das peças que não encaixam.

Mas desta vez havia alma. E um recurso óbvio. Na fibra, no grito da torcida que respondeu à postura diferente da equipe e nos muitos cruzamentos – 41 no total, 22 na primeira etapa – a virada com Juan e Vizeu. Golaço do jovem centroavante completando no ângulo de Viera a assistência de Willian Arão. Comemoração no banco com Rhodolfo para se redimir da enorme bobagem que fez nos 3 a 0 sobre o Corinthians no domingo.

Virada e vantagem para a volta. Mas há muitas preocupações. Porque logo após o empate, o time de Barranquilla teve duas grandes chances, com Chará e Luiz Díaz, que substituiu Mier e centralizou Chará no 4-2-3-1. O treinador uruguaio Julio Comesaña pecou ao chamar demais o Fla para o próprio campo e confiar nos contragolpes que não encaixaram. Os visitantes sempre foram mais perigosos quando desceram em bloco, trocando passes no meio e acelerando pelos flancos.  Deve ser assim na Colômbia.

O Flamengo vai precisar de velocidade nas transições ofensivas – Everton deve retornar pela esquerda – e, principalmente, de concentração defensiva absoluta para não precisar tanto de Muralha. Um enorme desafio para quem deixou a Libertadores exatamente por não pontuar longe do Rio de Janeiro.

Se repetir longe da torcida o comportamento no Maracanã as chances serão maiores. Um time com alma de clássico carioca num duelo continental. Como deve ser.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo: a lenta agonia do time que não dá liga
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André Rocha

A derrota para o Coritiba no Couto Pereira foi mais uma típica do Flamengo no Brasileiro 2017: domina a posse de bola (65%), finaliza mais que o adversário – 11 a 5, 4 a 1 no alvo – mas não consegue traduzir em gols o controle do jogo.

As críticas sobre jogadores e o treinador Reinaldo Rueda giram em torno do comodismo, de aceitar a derrota com um discurso conformado, de uma apatia que se mistura à indiferença. Protestos com alguma razão, mas os problemas vão um pouco além disso.

O fato é que o time não dá liga. Ou seja, as características dos jogadores não combinam entre si, por mais que Zé Ricardo e depois Rueda tentassem e ainda tentem um encaixe.

É um efeito dominó. Everton Ribeiro foi contratado para ser o ponta articulador. O meia que sai do lado do campo para se movimentar às costas do volante, criar superioridade no meio e criar as jogadas. Mas para isso o ideal é que, como Ricardo Goulart fazia no Cruzeiro bicampeão brasileiro com o próprio Everton, o meia central no 4-2-3-1 que não se alterou com a mudança no comando técnico se aproxime mais do centroavante e se comporte como uma espécie de segundo atacante.

Diego Ribas não faz isso. Por costume, recua para ajudar na armação ou procura os lados do campo. Quando pisa na área sempre é mais útil, mas prefere voltar à intermediária. Pior: prende demais a bola, dá sempre um ou dois toques a mais e quase sempre atrasa a transição ofensiva. Tenta compensar com vontade, liderança positiva e qualidade nas cobranças de faltas e escanteios, mas coletivamente o saldo quase sempre é negativo.

Para aproveitar o espaço que o camisa sete deixa à direita, um lateral de velocidade daria uma opção interessante para buscar a linha de fundo. Não é Pará. Seria Rodinei, mas este tem sérios problemas de leitura de jogo e, principalmente, no posicionamento defensivo.

Porque os zagueiros, embora experientes e de bom nível técnico, são lentos. Para evitar os muitos gols sofridos nas costas da última linha no final do trabalho de Zé Ricardo, Rueda prefere os laterais com um posicionamento mais conservador.

Também para encaixar Cuéllar no meio-campo, à frente da retaguarda. Mas o colombiano, embora tenha bom passe, não é o organizador que o setor precisa nesta ideia de ser protagonista, jogar no campo adversário e controlar as partidas com posse de bola. Nem ele, nem Willian Arão, que eventualmente até acerta alguns passes em profundidade, mas tem como principal virtude a infiltração. O camisa cinco, porém, é um atleta que nitidamente se permite afetar pelas instabilidades do time e sente as cobranças. Sem contar a dispersão no trabalho defensivo.

Por isso Márcio Araújo acaba jogando mais do que deveria. Com Zé Ricardo e agora ganhando chances com Rueda em algumas partidas. No Couto Pereira, o gol de Cléber logo aos sete minutos fez com que a presença do volante se tornasse ainda mais desnecessária por sua nulidade na construção das jogadas. Só deixou o campo aos 13 minutos da segunda etapa. Joga porque defende melhor que Arão e protege a zaga sem velocidade. Romulo não justificou a contratação e o jovem Ronaldo, sem oportunidades, foi ganhar rodagem no Atlético-GO.

Na frente, outro problema: Guerrero não é o típico centroavante, que fica na área e finaliza com bom aproveitamento. O peruano sempre foi muito mais de circular e trabalhar coletivamente. No Fla se destaca pelo trabalho de pivô, por conta de todos os problemas do meio-campo na criação. Recua, faz a parede e procura os ponteiros. Muitas vezes não dá tempo de chegar na área. E dificilmente recebe a bola com chance clara de concluir com liberdade porque as jogadas não fluem, há poucas infiltrações em diagonal.

Porque os ponteiros não têm essa característica. Nem Berrío, agora lesionado, nem Everton. O ponta pela esquerda até vem aparecendo na área e já fez dez gols na temporada. Mas poderia ter feito bem mais se nas muitas vezes em que Guerrero recuou ele penetrasse no espaço certo. Não tem o hábito.

Assim como Filipe Vizeu, o substituto de Guerrero, parece não ter aprendido nas divisões de base a fazer a proteção da bola para a aproximação dos companheiros. Nem fazer a leitura do espaço que precisa atacar para chegar em melhores condições para finalizar. Não é o centroavante para a proposta rubro-negra. Por isso a improvisação de Lucas Paquetá, que não é exatamente um goleador e, apesar da luta, desperdiça oportunidades cristalinas como a que o goleiro Wilson salvou no primeiro tempo em Curitiba.

O encaixe mais promissor foi quando Rueda utilizou Orlando Berrío pela direita com Pará e Everton Ribeiro à esquerda. Se Trauco e Renê também não são laterais rápidos na chegada ao fundo, ao menos a movimentação do meia abria espaços para o deslocamento de Guerrero, que prefere buscar aquele setor e não faz o mesmo movimento à direita. Mas o colombiano teve grave lesão e só volta em 2018 e o peruano está suspenso por doping e também só deve retornar no ano que vem.

Todo esse cenário desfavorável, sem que os treinadores encontrem soluções, é que parece ser o responsável por esse desânimo que se vê em campo. Os jogadores percebem que não combinam entre si e se acomodam. Começa a se espalhar a ideia de “fazer o seu e, se não dá certo, a culpa não é sua”. A desclassificação na fase de grupos na Libertadores foi um golpe na confiança que vinha em alta com a boa campanha no Brasileiro do ano passado e o título estadual.

As críticas e protestos de torcida e parte da mídia, porém, são justas porque nos clássicos cariocas, por conta de uma mentalidade provinciana que impera no clube há algum tempo, aparece a indignação com a derrota. Algo fundamental quando as coisas não vão bem. Um nível mais alto de concentração, fibra e entrega para compensar os problemas. Em jogos “comuns”, ainda mais numa competição por pontos corridos e que nunca foi tratada como prioridade ao longo da temporada, volta a apatia.

Quem deve ser responsabilizado? Todos no clube, mas principalmente a direção. Por erros de planejamento, como ter apenas Alex Muralha e Thiago como goleiros em boa parte da temporada, escolha que acabou prejudicando demais o time na final da Copa do Brasil. Diego Alves chegou tarde.

Também por não perceber as necessidades reais da equipe e contratar Berrío, sendo que o pedido de Zé Ricardo tinha sido um ponteiro driblador e com bom poder de finalização para deixar o ataque menos “arame liso” – cerca, mas não fura – em jogos grandes ou confrontos mais parelhos.  Vinícius Júnior pode até vir a ser este atacante rápido, criativo e com boa finalização, mas é injusto cobrar de um menino de 17 anos, já negociado com o Real Madrid, que seja o pilar ofensivo de um time grande recheado de jogadores experientes e rodados.

O ambiente acaba se tornando um tanto permissivo e morno. Uma falsa sensação de estabilidade, sem grandes cobranças. Talvez por não ter entregado o seu melhor, a direção não se sinta confortável para exigir. Mesmo com salários em dia e melhor estrutura no CT. Vez ou outra ecoa uma voz dissonante, como Juan ou Everton Ribeiro, que na saída de campo no Couto Pereira reclamou que “todo jogo é assim”.

Rueda tem perfil mais administrador, não de ruptura, criativo, ousado para encontrar saídas. A impressão é de que vai tentar o título da Sul-Americana, mas já pensa em reestruturar o elenco para 2018 dentro do que pensa sobre futebol. A dúvida é se será suficiente. Nas coletivas diz não conseguir encontrar explicações para o mau momento. Será que enxerga?

Por tudo isso o Flamengo vive essa lenta agonia em 2017. Ainda com chances de conseguir pelo Brasileiro a vaga nas fases preliminares na Libertadores – insatisfatório diante de tanto investimento. Vivo na semifinal do torneio continental contra o Junior Barranquilla.

Mas que não desperta confiança. Porque os jogadores não combinam e parecem cansados fisicamente e sem força mental para buscar algo que não veio durante toda a temporada. Restam a frustração e a revolta da maior torcida do país. Um desperdício.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras sobra contra o Flamengo da cultura da derrota em São Paulo
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André Rocha

Os gols de Deyverson no Allianz Parque redimem o Palmeiras das duas derrotas e dois empates que transformaram a chance de ser líder do Brasileiro na volta à luta por uma vaga no G-4. Placar de 2 a 0 construído no primeiro tempo com imposição natural do time mandante. Mesmo com protestos da torcida e utilizando Felipe Melo e Michel Bastos voltando à equipe, sem o ritmo de competição ideal.

Mais uma visita frustrada do Flamengo a São Paulo. Capital, Santos e Campinas. Quatro derrotas e um empate. Contra o lider Corinthians, que teve um gol absurdamente anulado de Jô, mas abdicou do jogo no segundo tempo. E mesmo dominando, os rubro-negros não conseguiram sair com a vitória. Ao menos encerrando uma sequência de derrotas na casa do adversário que poderia ter chegado a meia dúzia.

Incluindo os 4 a 0 em 2016, o único revés na casa dos paulistas. Mas triunfo apenas sobre a Ponte Preta na estreia de Zé Ricardo por 2 a 1. Mais empates contra São Paulo, Santos e Palmeiras. Este último num confronto direto pela liderança que escapou das mãos do Fla no gol de Gabriel Jesus.

Porque sempre parece faltar algo a este time em jogos grandes, importantes. Com exceção, claro, dos clássicos cariocas. Aí sim vemos o inconformismo, a indignação com a derrota. Mesmo considerando o ambiente favorável no Maracanã é muito pouco.

Reinaldo Rueda chegou falando em desenvolver uma mentalidade vencedora. Já reparou que o time “guerreia pouco” nos jogos. Ainda que a Copa Sul-Americana tenha se tornado uma prioridade, a campanha no Brasileiro é decepcionante. Pelos resultados, mas, principalmente, pelo comportamento. A torcida, por mais que se esforce, não consegue se identificar com a equipe. Fica esperançosa contra Flu, Bota e Vasco e depois volta à decepção. Um marasmo.

A rodada começou positiva para o Fla com a derrota do Botafogo para o Atlético Paranaense. O time carioca, porém, não se ajudou. Mais uma vez.

Muito pelos méritos palmeirenses. Com mais cuidados defensivos e o volume de jogo que ganhou com a chegada de Alberto Valentim. Foram 11 finalizações, mesmo número do oponente. Mas sete no alvo, contra apenas uma do ataque “arame liso” do Fla. A posse só igualada no final pelo domínio estéril do adversário. 22 desarmes certos contra 13. Pelo menos mais quatro oportunidades além das finalizações que venceram Diego Alves.

É mais um que sobra se aproveitando da cultura da derrota do Flamengo quando vai a São Paulo.

(Estatísticas: Footstats)


No Fla-Flu insano e continental, segue o mais forte nos clássicos cariocas
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André Rocha

O Fluminense se impôs no início com uma mudança tática que confundiu a marcação do rival: Marcos Júnior formando dupla de ataque com Henrique Dourado num 4-3-1-2 com Gustavo Scarpa centralizado. Por isso Trauco largou o seu setor para disputar com o meia tricolor e Lucas apareceu livre para abrir o placar.

Diego cumpriu sua melhor atuação com a camisa do Flamengo. Nem tanto pelo belo gol de falta que empatou o jogo pela primeira vez, mas pela movimentação mais inteligente, alguns toques de primeiro. Principalmente pela intensidade que colocou em cada lance.

Conduziu um time aguerrido como só se vê em clássicos estaduais. Principalmente os de caráter decisivo. Ainda mais em uma competição internacional. Mesmo quando Renato Chaves aproveitou vacilos de Filipe Vizeu e Willian Arão, um em cada tempo, para construir em cabeçadas uma vantagem de 3 a 1 difícil para um time que é pouco contundente – ou “arame liso” – e sem grande poder de reação (“pecho frio”) conseguir reverter.

Mas não num Fla-Flu. Assim foi na final da Taça Guanabara, perdida nos pênaltis muito pelo “fator Muralha”. De novo um 3 a 3. Outro jogo doido, um tanto aleatório. Reação que começou a ser gestada na entrada de Vinicius Júnior na vaga de Trauco. Everton foi para a lateral esquerda e a joia que fez o Real Madrid encher os cofres rubro-negros iniciou pela esquerda a jogada do gol de Vizeu, com bela assistência de calcanhar de Everton Ribeiro.

O suficiente para preocupar a empolgada torcida tricolor e reanimar a do Fla no Maracanã. Reinaldo Rueda colocou Paquetá na vaga de Cuéllar, que desta vez não foi bem. Vinicius Júnior foi para a ponta direita, Everton Ribeiro centralizou se juntando a Diego, Arão ficou na proteção à defesa que tinha Rafael Vaz no lugar de Juan, lesionado, e Paquetá se posicionou pela esquerda, mas abrindo todo o corredor para Everton. Nada muito organizado, mas com uma fibra que contagiou os torcedores.

Até a redenção de Arão. Um jogador que muitas vezes peca por dispersão e baixa intensidade, mas com presença de área importante para decretar os 3 a 3 que o Flu de Abel Braga não teve forças para mudar a história de mais uma eliminação em competições sul-americanas. Elenco jovem e limitado. Com Romarinho, Wendel e Pedro nas vagas de Marcos Júnior, Sornoza e Douglas, só restou a luta.

Pouco diante da experiência dos rubro-negros, que ganharam o tempo que puderam, especialmente Diego Alves. No último lance, Diego deixou de consagrar sua boa atuação completando em cima do xará Cavalieri bela assistência de Vinicius Júnior. O personagem a incendiar e mudar o Fla-Flu.

Que o Flamengo aprenda a repetir em duelos interestaduais no Brasileiro e internacionais na Sul-Americana, a partir da semifinal diante do Junior Barranquilla, a coragem, a entrega e a força mental que apresentou no clássico estadual. Deixar para trás de vez esse provincianismo de fazer questão de se impor apenas contra os rivais locais. Campeão carioca invicto, sem perder com os titulares em todas as competições, eliminando o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil.

Algo que faz parte da cultura do futebol e que carrega o seu prazer e orgulho. Mas é pouco para o tamanho do investimento do clube e da paixão de sua gente.


O campeão carioca deu as caras no Fla-Flu da Sul-Americana
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André Rocha

Não foi só apenas a coincidência da repetição do placar da primeira final do Carioca, também com gol de Everton. O Flamengo da partida de ida das quartas-de-final da Sul-Americana lembrou o campeão estadual.

E neste bolo é possível incluir também a semifinal contra o Botafogo na Copa do Brasil. Diante dos rivais locais em disputas de mata-mata o time rubro-negro apresenta a fibra e a concentração que faltaram em tantos outros momentos da temporada. A rivalidade mais uma vez é o que move o Fla, seja com Zé Ricardo ou Reinaldo Rueda.

Concentração defensiva com duas linhas de quatro compactas para conter o volume ofensivo tricolor e organização para atacar. Desta vez com a criatividade de Everton Ribeiro, que percebeu a infiltração de Willian Arão e serviu com precisão em tempo e espaço. Finalização do camisa cinco e, no rebote de Diego Cavalieri, o gol de Everton.

Construção da vitória no primeiro tempo de controle e eficiência, mesmo com a saída de Rever, lesionado, para a entrada de Rhodolfo. Seis finalizações, duas no alvo. O Fluminense terminou com 52% de posse, cinco conclusões, mas apenas uma na direção da meta de Diego Alves, com Henrique Dourado batendo cruzado. Foram 13 desarmes corretos rubro-negros contra oito do rival.

Reação do time de Abel no segundo tempo, com bola na trave de Marcos Júnior, grande defesa de Diego Alves em chute de Gustavo Scarpa e pressão depois das entradas de Wendell e Wellington Silva nas vagas de Orejuela e Marcos Júnior. 13 finalizações e 57% de posse. Mas encontrou um Fla atento, encerrando a partida com 24 desarmes corretos. Podia ter ampliado em cabeçada de Juan. Entrega de Diego, Everton Ribeiro, sacrifício de Lucas Paquetá, novamente o substituto de Paolo Guerrero. Mudança de espírito.

Vantagem mínima, porém considerável. Valeu na primeira decisão estadual para confirmar na volta – triunfo por 2 a 1. O Flu está vivo, mas a má notícia é que não terá pela frente o Flamengo apático e disperso de boa parte da temporada. Nos clássicos fica claro que o time é outro.  O campeão carioca que deu as caras na Sul-Americana.

(Estatísticas: Footstats)

 


São Paulo 2×0 Flamengo – Nas contas de Dorival Júnior e Reinaldo Rueda
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André Rocha

São Paulo no 4-1-4-1 com Cueva como ponta articulador pela direita, circulando às costas dos volantes Cuéllar e Willian Arão. Petros cobria o setor auxiliando Militão. Flamengo num incompreensível 4-2-2-2 sem a referência que esvaziou a área adversária e o time ficou ainda menos contundente no ataque (Tactical Pad).

O campeão de 1970 e hoje colunista Tostão tem razão na crítica à valorização excessiva dos treinadores, no Brasil e no mundo. Em qualquer tempo, os grandes protagonistas são os jogadores, especialmente os capazes de lidar com situações imprevistas e, obviamente, os craques que definem jogos e campeonatos.

Mas em algumas ocasiões as escolhas e decisões dos comandantes são capazes de desequilibrar duelos, para o bem e para o mal.

Foi difícil entender o que Reinaldo Rueda queria com Berrío e Everton nos flancos e Geuvânio reaparecendo entre os titulares por dentro, fazendo dupla com Everton Ribeiro numa espécie de 4-2-2-2 que não se mostrou nada funcional.

Primeiro porque o Flamengo é um time moldado ofensivamente a partir do trabalho de seu pivô, seja Paolo Guerrero ou a improvisação de Lucas Paquetá. Sem ele, o que se viu foi uma equipe sem ideias, vivendo dos sprints de seus ponteiros e os cruzamentos que não encontravam uma referência na área adversária. Foram 16 nos primeiros 45 minutos, apenas um correto. Na maior parte do tempo, a área adversária ficou vazia.

Melhor para Dorival Júnior, que preparou sua equipe para enfrentar um Flamengo dentro do seu padrão, mesmo com a ausência confirmada do peruano camisa nove. Plantou Jucilei na proteção a Arboleda e Rodrigo Caio e fez a mudança no setor ofensivo que terminou de pender a balança a favor do São Paulo.

Cueva foi o ponta armador no 4-1-4-1 tricolor. Na maior parte do tempo saindo do lado direito para circular às costas de Cuéllar e Willian Arão. Sem maiores atribuições defensivas, já que Petros abria para ajudar Militão contra Trauco e Everton. O peruano era o grande articulador jogando entre as linhas espaçadas do adversário.

Um Flamengo mal escalado e novamente com baixa intensidade, displicente em um jogo do Brasileiro.  Desta vez pensando no Fla-Flu de quarta-feira, primeira partida das quartas de final da Sul-Americana. Apenas 42% de posse, uma finalização de Everton na direção da meta de Sidão.

Atuação tão fraca que até tira um pouco do peso do erro da arbitragem comandada por Rafael Traci ao validar o gol de Lucas Pratto usando o braço direito completando cobrança de escanteio e aproveitando desatenção de Rever. Vantagem que parecia questão de tempo, tal o domínio do time mandante no Pacaembu.

Superioridade consolidada com o segundo gol. De novo Cueva, mas aberto à direita para receber desvio de Militão após ligação direta de Sidão, chegar ao fundo com facilidade no setor de Trauco e colocar na cabeça de Hernanes. Quatro finalizações, três no alvo. Duas nas redes de Diego Alves.

Com Paquetá na vaga de Geuvânio, o reparo tardio na escalação inexplicável. E o Fla naturalmente teve mais posse, terminando praticamente empatado no controle da bola nos 90 minutos. Finalizou cinco vezes, com Sidão no final salvando cabeçada de Rhodolfo. Diego, poupado no banco para o Fla-Flu, até entrou bem no lugar de Berrío, lesionado.

Com Everton Ribeiro aberto pela direita, o Fla teve mais volume. O excesso de cruzamentos mais uma vez atrapalhou: 40, só dois executados com precisão. E faltou novamente a contundência do ataque “arame liso” em jogos mais parelhos.

O São Paulo viveu de contragolpes esporádicos, controlou espaços, finalizou só mais uma vez. Dorival sofreu outra vez com as limitações do elenco. As substituições pioraram o desempenho. Sorte do tricolor paulista, que respira na fuga do Z-4, que o jogo foi definido no primeiro tempo.

Resolvido pelas decisões dos treinadores. Desta vez o resultado pode ser creditado na conta do contestado Dorival Júnior e debitada na de Rueda. Tostão que me perdoe.

(Estatísticas: Footstats)

[Em tempo: o gol de Pratto é um erro de arbitragem, como tantos outros no campeonato. O marcado por Jõ sobre o Vasco em lance semelhante causou mais polêmica pelo contexto. Ou seja, as declarações do atacante do Corinthians depois do fair play de Rodrigo Caio. Mas quem leu o blog depois do acontecido lembrará do peso dado ao que ocorreu – leia AQUI e AQUI.]


Cruzeiro, justo campeão! Mas fraca final é novo alerta para o nosso futebol
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André Rocha

Foto: Gilvan de Souza (Flamengo)

O Cruzeiro foi o time do melhor goleiro, nos 180 minutos e na disputa por pênaltis. O título da Copa do Brasil também premiou o trabalho mais longo e consolidado de Mano Menezes, mantido mesmo quando muito questionado no momento de baixa.

A campanha é inquestionável, por ter sido construída desde as fases iniciais e, principalmente, por ter eliminado na semifinal o Grêmio, único brasileiro sobrevivente na Libertadores e que (ainda) pratica o melhor futebol do país.

A disputa final, sim, é que deixou a desejar. Não só pela tensão característica das decisões e pelo muito que estava em jogo no confronto entre clubes que investiram tanto e não tinham uma conquista recente mais pesada para validar o esforço, na nossa mentalidade tão imediatista e que condiciona o trabalho correto ao resultado final.

Cruzeiro e Flamengo protagonizaram um típico jogo entre grandes no Brasil: práticas atualizadas no trabalho defensivo e ainda muito arcaicas e insipientes para justamente superar esse bloqueio com ocupação mais inteligente dos espaços.

Muita preocupação em compactar setores, estreitar o cerco na frente da área para evitar as infiltrações pelo centro ou nas diagonais, evitar superioridade numérica em todos os setores, especialmente pelos flancos. Muita pressão sobre o adversário que está com a bola no terço final do campo, onde nasce a jogada criativa para a finalização.

Por isso Reinaldo Rueda preferiu mandar Everton para o sacrifício, mesmo voltando de lesão. Ele e Berrío executaram a função de ida e volta nas pontas, apoiando os laterais Pará e Trauco. No meio, a proteção de Cuéllar e Willian Arão e Diego, mais uma vez, muito lento, prendendo demais a bola, atrasando as transições ofensivas e fazendo o time depender demais do trabalho de retenção de bola e pivô de Paolo Guerrero na frente.

Mano Menezes teve que conviver com lesões que o obrigaram a mexer na equipe. Primeiro Raniel, logo aos cinco minutos. O jovem atacante, escalado para atacar os espaços e acelerar para cima dos veteranos Rever e Juan, nitidamente somatizou tanta ansiedade e distendeu as duas coxas. Entrou De Arrascaeta, que mudou a dinâmica na frente sem a referência e o time ficou sem profundidade, especialmente à direita com Robinho, que é mais um ponta articulador e não tem o apoio de Ezequiel, que guarda mais o setor.

O meia saiu no intervalo, também por questões físicas, para a entrada de Rafinha, que foi ocupar o espaço à direita com mais intensidade e rapidez. Mas ainda sem aproveitar bem os contra-ataques. Seguiu assim pela esquerda quando Alisson sentiu e deu lugar a Elber.

No Mineirão, o time mandante não se preocupou em ter a posse e tomar a iniciativa. Controlava os espaços, negava brechas aos adversários, fechava o centro e induzia o oponente a abrir a jogada e forçar o cruzamento, mais simples de ser interceptado. Ainda mais contra um Flamengo novamente tendo a bola, mas sem saber bem o que fazer com ela.

No final, foram 53% de posse rubro-negra e 15 finalizações, quatro na direção da meta de Fabio. A mais difícil no final, em jogada pessoal de Guerrero, que cresceu quando Lucas Paquetá entrou na vaga de Everton. O jovem meia procurava o centro para articular com Diego e Arão e abria espaço para o peruano fazer sua jogada característica: receber na esquerda, cortar para dentro e bater para o gol. Sem o sacrifício pelo centro, sempre tendo que girar para servir ou tentar o chute.

O Cruzeiro viveu de uma ou outra incursão pela esquerda, com a movimentação de Arrascaeta indefinindo a marcação de Pará e a cobertura de Rever. Teve a grande chance na saída grotesca da meta de Alex Muralha que o camisa dez uruguaio não aproveitou na segunda etapa. Foram 13 conclusões, só uma no alvo.

Os números de jogadas finalizadas dão a impressão de um jogo bonito, até aberto, com ações bem elaboradas. Mas eis o ponto crucial no futebol jogado atualmente no Brasil: as finalizações acontecem, mas a marcação é tão próxima e intensa que as oportunidades cristalinas são raríssimas. Os chutes mascados, as cabeçadas em divididas. Poucas tabelas e triangulações com o passe diferente que surpreende. Ou a jogada combinada que começa de um lado e na inversão pega o rival em inferioridade numérica para buscar a linha de fundo e encontrar um companheiro livre.

Não acontece porque o futebol brasileiro, na sua pressão insana por resultados imediatos, obriga os treinadores a primeiro “arrumar a cozinha”. E os conceitos mais modernos são uma sofisticação do “fechar a casinha”. Na frente? Ou pressiona e tenta roubar a bola perto da meta adversária, ensaia a bola parada ou depende do lampejo dos mais talentosos. Se treina pouco o ataque. No máximo um campo reduzido, mas sem maiores orientações.

É pouco. Foi insuficiente em Belo Horizonte para definir o campeão nos 90 minutos. Na disputa por pênaltis, a Muralha, grande personagem da final por todo o contexto, foi no mínimo infeliz na “estratégia” de pular sempre no canto direito. Piorou com a enorme competência do time celeste nas cobranças.

O Flamengo tinha um elo fraco na meta e outro em Diego, coroado craque da competição, mas de atuações pífias na reta final. Sem confiança, cobrou mal e Fabio pegou. Quinto título cruzeirense, quarto vice do time carioca. Emoção e festa depois da cobrança de Thiago Neves que chegou a gerar uma pequena polêmica por um suposto segundo toque na bola no meia que escorregou. Nada ilegal.

Venceu o melhor, ou o mais bem sucedido em sua estratégia. A bola jogada, porém, não foi para se guardar na memória. Mais uma vez. A fraca final é outro grito de alerta para o nosso jogo, que precisa fechar o ciclo e se modernizar também quando estiver com a bola. Começa a ficar urgente.

(Estatísticas: Footstats)

 


A melhor atuação do Flamengo com Rueda, mas Chapecoense não é parâmetro
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André Rocha

Reinaldo Rueda manteve Trauco e Everton Ribeiro fazendo a dupla pela esquerda no 4-2-3-1 habitual do Flamengo, depois da boa atuação na vitória por 2 a 0 sobre o Sport pelo Brasileiro. Também pelas ausências de René e Everton, mais a insegurança de Rodinei no trabalho defensivo pela direita.

Com o meia mais criativo pela esquerda e Berrío do lado oposto o quarteto ofensivo deu liga porque a movimentação do camisa sete para dentro procurando Diego na articulação abre espaço para o apoio do lateral e o deslocamento de Guerrero por ali, buscando a diagonal ou permitindo infiltrações de Diego, Willian Arão ou mesmo Cuéllar pelo centro.

Os volantes marcaram os dois primeiros gols no triunfo por 4 a 0 que valeu a classificação para as quartas-de-final da Copa Sul-Americana. Porque a Chapecoense era compacta no 4-1-4-1,  mas os meio-campistas não pressionavam os adversários e a última linha defensiva ficava exposta e, pior, mal posicionada, permitindo as infiltrações em diagonal.

Ofensivamente só incomodava com o equatoriano Penilla, inicialmente pela esquerda e depois procurando o lado direito. Aproximar Arthur Caike de Wellington Paulista não funcionou e deixou ainda mais espaços entre as intermediárias.

Por isso o Fla sobrou na Arena da Ilha na melhor atuação coletiva sob o comando de Rueda. Mesmo com Diego atrasando alguns contragolpes e Berrío se equivocando nas tomadas de decisão. Problemas compensados por belas atuações dos volantes e a perfeição de Juan na defesa e na frente, completando os 3 a 0 no rebote de cabeçada de Guerrero, outro destaque, mesmo não indo às redes. Lucas Paquetá entrou e completou a goleada, completando bela assistência de Everton Ribeiro.

Foram 57% de posse de bola e 14 finalizações do Fla – oito no alvo, bem diferente do “arame liso” de outros jogos. O dobro da Chape. Uma medida da distância entre as equipes no campo.

Um desempenho animador se o Fla pensar na sequência de Brasileiro e Sul-Americana, porque para a final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro o time não terá Everton Ribeiro. Mas vale uma ressalva: a Chapecoense não tem sido um bom parâmetro para avaliar a evolução da equipe.

No Brasileiro, os 5 a 1 no mesmo estádio parecia um marco de recuperação do time comandado por Zé Ricardo, mas seguiu oscilando até a crise que culminou com a mudança no comando técnico. De qualquer forma, fica a impressão de que a combinação de características dos jogadores encontrou um melhor encaixe. Vale observar a sequência de jogos.

(Estatísticas: Footstats)


Como o Flamengo pode esperar resultados diferentes de escolhas semelhantes?
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André Rocha

O Flamengo do empate sem gols na Arena Condá não teve desta vez os elos fracos que costumam comprometer o desempenho coletivo com falhas individuais. A escalação foi bastante coerente, considerando as últimas partidas sob o comando de Reinaldo Rueda.

O problema não foi a falta de entrega em campo ou fibra. Até porque esse time costuma se abater quando sofre um gol e não foi o caso em Chapecó, apesar das boas oportunidades da equipe catarinense no segundo tempo. Principalmente depois da entrada do equatoriano Penilla que deitou e rolou sobre Rodinei.

O velho clichê “Queremos raça!” gritado nas arquibancadas nem sempre é a solução para todos os problemas. Muitas vezes o time não é “sem vergonha”, ainda que não seja um exemplo de superação ou garra. O jogo é que não flui, por uma série de fatores.

Como as características dos jogadores que não combinam. Quem vê o lado direito com Rodinei e Berrío, dois velocistas sem grande leitura de jogo e senso coletivo, percebe que a presença de Everton Ribeiro como ponta articulador daria ao setor a qualidade no passe e o deslocamento para o lateral ultrapassar.

Mas para isso é necessário que Diego, o meia central do 4-2-3-1 rubro-negro, se apresente para tabelas rápidas ou infiltre no espaço certo. Como, por exemplo, Ricardo Goulart fazia com perfeição no Cruzeiro bicampeão brasileiro. Mas o camisa dez, ao menos na numeração da Copa Sul-Americana, prefere recuar para tentar organizar o jogo a usar o seu bom poder de finalização.

Mesmo com o meio-campo mais qualificado depois da efetivação de Cuéllar e Willian Arão à frente da defesa. A saída de bola ficou mais limpa e poderia encontrar Diego adiantado, perto da zona de decisão. Com essa dinâmica dos meias criativos o ataque podia, enfim, depender menos do trabalho de pivô de Paolo Guerrero.

O peruano precisa recuar sempre e aparece ou se desloca menos para buscar a finalização. Serve mais do que é abastecido. Abre na ponta e quando chega na área a jogada é previsivel. Porque os ponteiros Berrío e Everton não surpreendem, com exceção do drible do colombiano que resolveu a semifinal da Copa do Brasil.

Torneio, aliás, que há algum tempo vem norteando a montagem do time titular. Por isso Everton Ribeiro perdeu espaço. Mas Berrío não pode, por isto, ser considerado intocável, absoluto.

Uma jogada eventual que parece garantir uma sobrevida entre os que ganham mais minutos, além do fato de ter trabalhado com o treinador no Atlético Nacional. A produção, porém, não é consistente. Muitos erros técnicos ou na leitura das jogadas.

O resultado final é um time travado, com um ou outro lampejo. Porque parece pronto para os contragolpes, mas pelo peso da camisa e por conta da badalação  (exagerada) do  elenco, se coloca como protagonista nas partidas, se instala no campo de ataque e troca passes. Mas sem espaços não consegue acelerar. Um paradoxo.

Por isso o ataque “arame liso”, que cerca mas sofre para furar a defesa do oponente. Sem criatividade e contundência. Exatamente pela falta de ideias. Talvez intimidadas pela necessidade de vitórias e títulos. Era assim com Zé Ricardo, segue com Rueda, que sabia que precisava dar uma resposta imediata no desempenho para obter vitórias a curto prazo.

Mas como obter resultados diferentes com escolhas semelhantes? Com uma ou outra mudança, por necessidade ou convicção do novo treinador, a essência é a mesma, principalmente nas ações ofensivas. O fluxo de passes segue muito parecido quando se aproxima da área adversária. Ainda a bola que gira, perde tempo com Diego que sempre prende, no mínimo, um segundo a mais. Passa por Guerrero, chega a Arão até parar no flanco, mesmo que cruzando, na média, menos que nos tempos de Zé Ricardo.

Deficiências já conhecidas e não corrigidas. Hora de fugir das explicações de sempre e encontrar novas soluções a tempo de salvar o ano em que o orçamento permitiu mais investimentos no futebol. Fechar 2017 apenas com um título estadual será bem pouco para quem gasta tanto.