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Corinthians, Botafogo e Cruzeiro: títulos serão ilusão ou redenção?
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André Rocha

Não adianta em abril ou maio lembrar ao torcedor que no final do ano é bem provável, a menos que aconteça algo épico, que ninguém lembre do título estadual. Porque o prazer de vencer o rival numa final ainda badalada em termos midiáticos e levar uma taça para casa inebria, entorpece.

Não funciona falar em excesso de jogos, poder das federações, enfraquecimento do próprio time de coração. O triunfo e a chance de tripudiar do colega de trabalho, do vizinho ou de qualquer um que vista as cores do rival valem mais do que qualquer análise racional. Logo passa, porque começa o Brasileiro emendando com Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana. Calendário inchado é isso.

Mas desta vez, por coincidência, as conquistas estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram algo em comum: premiaram times contestados pelas próprias torcidas e que acabaram beneficiados pelos contextos das decisões para se superar.

O Corinthians entra no caso citado no primeiro parágrafo. Vencer no tempo normal e nos pênaltis dentro da casa do milionário Palmeiras, que contava com torcida única e vantagem do empate, é um feito histórico e certamente será lembrado pelo corintiano no fim do ano, a menos que alguma tragédia aconteça até lá.

Mas o desempenho segue preocupante. O time de Fabio Carille se classificou contra o São Paulo também na disputa de pênaltis depois de achar um gol de Rodriguinho em um escanteio nos acréscimos. A decisão foi muito mais brigada que jogada e o Palmeiras se perdeu emocionalmente pela cobrança gigantesca por títulos que façam valer o altíssimo investimento para a realidade brasileira.

Valeu a cultura da vitória construída pelos muitos títulos na década. De novo no gol de Rodriguinho, desta vez no primeiro minuto do clássico. A confusão pelo pênalti que não existiu de Ralf sobre Dudu, mas foi marcado e depois invalidado pela interferência do quarto árbitro, só aumentou o caos emocional dos palmeirenses em campo e na arquibancada.

Mais uma vez Cássio garantiu pegando as cobranças de Dudu e Lucas Lima na decisão por pênaltis. A comemoração no Allianz Parque é imagem emblemática e inesquecível para o torcedor. Mas a conquista não tem o simbolismo de 2017, consolidando um trabalho que ganharia ainda mais força e maturidade no turno do Brasileirão que encaminhou a sétima taça do Corinthians na competição.

Agora o rendimento vem oscilando demais, apesar de uma boa nova como Matheus Vital e o resgate de Maycon, que havia perdido a vaga para Camacho na reta final de 2017 e bateu com precisão a última penalidade. Há espasmos da solidez defensiva que caracteriza a identidade corintiana e também boas triangulações e volume de jogo. Nada muito inspirador, ao menos por enquanto.

Já o título carioca do Botafogo veio numa sequência de acontecimentos que desafia o tradicional e já folclórico pessimismo do torcedor alvinegro. Péssimo início sob o comando de Felipe Conceição, eliminação precoce da Copa do Brasil para o Aparecidense. Chega Alberto Valentim ainda aparentando abimaturidade e a dificuldade para montar o sistema defensivo que apresentou no Palmeiras. Linhas adiantadas, pouca pressão na bola…gols dos rivais.

Não venceu nenhum turno, teve a pior campanha geral entre os grandes, levou 3 a 0 do Fluminense na final da Taça Rio e parecia ser apenas um figurante na fase decisiva. Mas uma atuação pluripatética do Flamengo que custou o emprego de muita gente, inclusive do treinador Paulo César Carpegiani, fez o time alcançar a vitória na única jogada bem engendrada em toda a semifinal em jogo único, finalizada por Luiz Fernando.

Vaga improvável na decisão e de novo o status de “zebra”, até pelo bicampeonato do Vasco em 2014/15 sobre o mesmo adversário e o trabalho mais consolidado do treinador Zé Ricardo. A vitória no primeiro jogo por 3 a 2 e depois a boa atuação no Mineirão contra o Cruzeiro pela Libertadores transferiam um favoritismo natural aos cruzmaltinos.

Mas Fabrício foi expulso aos 36 minutos na primeira etapa por entrada sobre Luiz Fernando quase tão criminosa quanto a de Rildo em João Paulo há três semanas. O vermelho condicionou toda a partida. O Botafogo insistiu, mas com enorme dificuldade para criar espaços. O time é limitado e perdeu organização e criatividade sem João Paulo. Obrigado a atacar pela necessidade e por conta da vantagem numérica acabou se complicando. O Vasco fechado num 4-4-1 e arriscando um contragolpe aqui e outro ali.

No ataque final, já nos acréscimos, a confusão na área e o chute de Joel Carli. Lance fortuito, meio ao acaso. Bola na rede, explosão da torcida e confiança em Gatito Fernández na disputa de pênaltis. Ele não decepcionou e pegou as cobranças de Werley e Henrique. 21º título alvinegro, festa pela conquista inesperada… Mas dá para confiar em boa campanha no Brasileiro?

Uma expulsão no primeiro tempo também mudou a história da decisão mineira. Logo de Otero, por cotovelada em Edilson aos 21 minutos. O meia que desequilibrou na bola parada no Independência. Vitória por 3 a 1 na primeira partida que fez eco durante a semana, encheu o Galo de confiança para a goleada por 4 a 0 sobre o Ferroviário pela Copa do Brasil e abalou o ânimo do Cruzeiro, que empatou sem gols e podia ter sido derrotado em casa pelo Vasco na Libertadores.

Com um a menos ficou mais difícil segurar o rival em casa e os gols do uruguaio De Arrascaeta e de Thiago Neves ratificaram a melhor campanha ao longo do campeonato. Mas de novo o time de Mano Menezes não apresentou um desempenho consistente. Faltou nas duas partidas pelo torneio continental e na primeira da decisão.

O contexto favoreceu, mas há muito a ser questionado. Mesmo com a lesão grave de Fred, a grande contratação para a temporada, há qualidade para apresentar mais e Mano se sente à vontade mesmo dentro de uma proposta mais pragmática e de controle de espaços e reação aos ataques do oponente. Na hora de criar em jogos mais aparelhos a coisa complica.

A grande questão depois das comemorações em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais é como os campeões reagirão. Se haverá a falsa impressão de que os times estão prontos para desafios maiores, mesmo com atuações que não inspiram confiança, ou se a conquista será tratada como a alavanca que combina paz para trabalhar e um clima de mais leveza para investir na evolução dos modelos de jogo. Vencer para crescer e não estacionar.

Ilusão ou redenção? Eis o questionamento que fica para a sequência de trabalho dos vencedores. Consciência da própria realidade é receita simples, mas sábia. Pode valer muito lá no final do ano, quando as taças não passarão de uma lembrança agradável, sem o êxtase de agora.


Botafogo na final da Taça Rio. Por João Paulo e na jogada aérea
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André Rocha

O melhor estava por vir para o Botafogo depois do absurdo da fratura da perna de João Paulo sem a expulsão de Rildo no domingo.

E logo na jogada aérea, o grande problema do Botafogo entre as muitas fragilidades defensivas da equipe comandada por Alberto Valentim. Assim levou oito gols, metade dos que sofreu na temporada. Agora o triunfo. Logo com Igor Rabello, contestado pela torcida, mas o destaque no Estádio Nílton Santos. Gol da vitória por 3 a 2, devolvendo o placar do último jogo, e belo passe longo para Luiz Fernando empatar.

Jogo eletrizante, maluco. Mas não jogaço. Por mais que o torcedor se revolte com o jornalista quando ele parece minimizar a emoção. Só que para quem trabalha vendo partidas de futebol alguns elementos são necessários para um jogo ser valorizado pela qualidade. Começando pelos acertos técnicos e táticos, as decisões e leitura de jogo dos atletas para construir um bom jogo coletivo. Não foi o caso. Muita aleatoriedade.

O Vasco sofrendo pela esquerda com Fabrício no lugar de Henrique na lateral. A saída de Evander ainda no primeiro tempo por lesão também prejudicou o trabalho no meio-campo. Sem contar que Wagner entrou frio e foi driblado por Leo Valencia, que colocou na cabeça de Brenner no gol que abriu o placar. Sem culpa do goleiro Gabriel Félix, substituto de Martín Silva, a serviço da seleção uruguaia. Mais uma vez a bizarrice de jogar futebol durante datas FIFA.

Depois a equipe de Zé Ricardo, com Riascos e Andrés Ríos alternando pela direita e abrindo o corredor para Yago Pikachu apoiar, virou nas jogadas aéreas com bola parada. Erazo e Riascos. Falha da marcação mista do Botafogo que mais uma vez não funcionou.

Assim como a dinâmica com defesa adiantada, mas pouca pressão sobre o adversário com a bola. Muitos espaços entre defesa e mei0-campo. Sem contar a dificuldade para organizar com Rodrigo Lindoso tentando cumprir a função de João Paulo na articulação.

Valentim arriscou tudo com Pachu e Pimpão nas vagas de Valencia e Marcos Vinícius. Tirou os dois meias da linha de três no 4-2-3-1. Brenner recuou para ajudar na articulação e Pachu ficou enfiado. Depois Ezequiel entrou no lugar de Luiz Fernando. Seis por meia dúzia, mas manteve o fôlego para seguir atacando.

Zé Ricardo trocou Ríos, extenuado, por Thiago Galhardo. Paulinho trocou de lado e foi para o setor direito, Wagner ocupou o lado esquerdo e Galhardo centralizou atrás de Riascos. Uma troca conservadora, mas o Vasco não recuou. Se pode haver uma crítica seria por não conseguir controlar o jogo. Seja pelo espaço ou através do domínio da bola. Sem contar os vacilos também nos cruzamentos do oponente. Também levou dois gols desta maneira.

Jogo de posse dividida em praticamente todo o jogo – Bota terminou com 52% pela necessidade da reta final. Dezoito finalizações cruzmaltinas contra onze – cinco a sete no alvo. Botafogo cruzou 32 bolas contra 24. Com a tensão, 21 faltas foram cometidas no segundo tempo, enquanto na primeira etapa foram apenas seis.

Na “briga de rua”, o golpe final com Igor Rabello. De cabeça. Para colocar o Botafogo na final da Taça Rio. Para quem não está mais envolvido com outra competição, fundamental. Para quem perdeu seu melhor jogador por uma entrada criminosa, impossível não pensar em justiça.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


A perna quebrada de João Paulo e as “regras não escritas” da arbitragem
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André Rocha

Dois minutos de jogo no Estádio Nílton Santos. Rildo quebrou a perna direita de João Paulo. Sem eufemismos ou desculpas. Movimento de cima para baixo, com velocidade e intensidade. Pode não ter sido intencional, mas o atacante do Vasco assumiu o risco de agredir um colega de profissão.

Muitos ex-árbitros hoje comentaristas, muitas vezes en passant  numa colocação, costumam dizer que os apitadores evitam expulsar no início de um clássico para “não estragar o espetáculo”. Ou seja, uma decisão costumeira que não consta nas regras do jogo. É bem possível que o árbitro Leonardo Garcia Cavalheiro tenha seguido o “conselho”.

Ou talvez porque o meia não estivesse gritando de dor e os colegas não colocassem a mão na cabeça em desespero, já que a fratura na tíbia e na fíbula não foi exposta. Como já se ouviu também dos comentaristas que quando a reclamação é geral e acintosa é porque houve alguma irregularidade. O árbitro e sua equipe estão lá para quê, afinal?

O fato é que apenas o cartão amarelo foi aplicado. Na TV, sem necessidade de replay, foi possível notar a gravidade da entrada e da lesão. Era para expulsar direto. Sem conversa. E punição exemplar, de preferência ficando de fora dos gramados pelo mesmo período de tempo do agredido.

Rildo seguiu em campo e ficou visado, não só pela torcida do Bota que vaiava cada vez que o ponteiro pegava na bola. Os jogadores do Botafogo passaram a entrar mais duro no adversário e, aos 18 minutos, veio o choque com Marcinho que provocou a luxação do ombro esquerdo e obrigou o atacante a deixar o campo.

Só que o Vasco seguiu com onze homens em campo. Entrou Paulinho, joia da base que marcou o gol da vitória do time cruzmaltino por 3 a 2. Sobre a equipe de Alberto Valentim que falhou grosseiramente no bloqueio defensivo, mas sofreu demais sem o organizador, o “ritmista” de seu meio-campo. O Botafogo perdeu bem mais sem seu camisa oito. O mínimo para tamanho prejuízo seria enfrentar o adversário com um homem a menos. É para isto que existe o árbitro.

Tudo muito desnecessário. Por causa dessas “regras não escritas” da arbitragem para contemporizar e não se comprometer. Infelizmente, isto nem o VAR poderá evitar. Pior para o futebol.

 


Vasco é mais um brasileiro que sofre com o “espírito de Libertadores”
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André Rocha

Mais uma vez faltou naturalidade ao time brasileiro para jogar. Mesmo descontando o peso da estreia na fase de grupos, toda essa tensão que transforma a partida numa guerra por ser de Libertadores atrapalha demais.

O Vasco pecou pela pressa. Tanto para definir as jogadas quanto para tentar retomar a bola. Faltas seguidas, ligações diretas e a bola “queimando” no pé. Erros seguidos na tomada de decisão e pouca inteligência tanto para bloquear os pontos fortes como para explorar as fragilidades da Universidad de Chile.

Já o time visitante, armado no 3-4-2-1 pelo treinador Ángel Guillermo Hoyos, contava com vários jogadores experientes: o goleiro Johnny Herrera, os zagueiros Vilches e Rafael Vaz, os meio-campistas Pizarro e Seymour, o ala esquerdo Beausejour e Pinilla no ataque. Não era um primor técnico ou tático, mas tinha calma para fazer o jogo que lhe interessava.

Basicamente forçar pelo lado esquerdo com Beausejour e Soteldo no setor de Yago Pikachu, que não contava com auxílio de Wagner e Wellington no trabalho defensivo. Na recomposição, linha de cinco mais posicionada e concentração para negar espaços. Nos primeiros 45 minutos, a melhor oportunidade surgiu num erro de reposição de Johnny Herrera que Riascos recuperou e cruzou com a bola batendo no travessão. Muito pouco.

Porque o time cruzmaltino facilitava errando passes e arriscando pouco. Faltava experiência e rodagem, além das claras limitações técnicas – sem contar o surto de virose que atingiu o elenco. O jovem Evander não conseguiu ser o organizador no meio-campo, tanto no primeiro tempo mais avançado no 4-2-3-1 quanto na segunda etapa depois que Zé Ricardo trocou Desábato por Andrés Rios.

Substituição infeliz porque os donos da casa não tinham o controle do jogo nem ocupavam o campo de ataque com segurança para tirar um jogador de proteção da retaguarda.Só fizera o goleiro Herrera trabalhar no cruzamento de Pikachu que Rildo cabeceou. Mais uma jogada apressada.

A punição veio com o gol de Ángelo Araos, o melhor em campo. Jovem de 21 anos equilibrando a média de idade de “La U” e desequilibrando a chegada ao ataque. Falha geral do sistema defensivo, inclusive Martín Silva, depois de uma cobrança de lateral. Imperdoável.

Depois só desespero, com a torcida cobrando…pressa para atacar. O time cansou de correr errado. Não podia dar certo. É pressão demais, sem calma e foco no desempenho que constroi o triunfo. Mais uma vítima do “espírito de Libertadores”. Ou a distorção deste.

Saldo final: 57% de posse e dez finalizações do Vasco, mas apenas três no alvo. Os visitantes concluíram nove, quatro na direção da meta de Martín Silva. A diferença foi Araos.

São Januário viu um paradoxo: tanta preocupação do Vasco com o resultado para o time chileno voltar para casa com os três pontos.

(Estatísticas: Footstats)


O Vasco organizado para ataque e contra-ataque vai cumprindo sua missão
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André Rocha

Nos últimos tempos os times brasileiros vêm aprimorando e atualizando o trabalho defensivo compactando setores, fechando espaços com a participação de todos, fazendo laterais se posicionarem primeiro como defensores e outras ações sem a bola.

O problema é que a parte ofensiva na maioria das vezes fica entregue à intuição dos jogadores, sem muito jogo associativo e mentalidade focada no coletivo para o individual desequilibrar. Por isso as muitas bolas levantadas na área adversária e poucas tabelas e infiltrações.

O Vasco de Zé Ricardo vem conseguindo as duas coisas nas etapas preliminares da Libertadores. A despeito da fragilidade dos adversários, o time se posiciona para atacar de forma coordenada, pelos dois lados do campo e aproveitando o melhor de cada jogador.

Nos 4 a 0 sobre o Jorge Wilstermann em São Januário com clima de duelo continental, o time cruzmaltino de início abriu os laterais Yago Pikachu e Henrique para espaçar a marcação do oponente. Também movimentou Wagner, Evander e Paulinho, o trio de meias do 4-2-3-1, buscando os espaços entre os setores do 5-4-1 do time boliviano e Andrés Rios fazendo o pivô e abrindo espaços. Posse de bola, inversão do lado da jogada e pressão logo após a perda da bola.

Futebol atual. Ainda que com alguma dificuldade na saída de bola com Paulão no lugar do suspenso Erazo. O zagueiro, porém, compensou com a costumeira presença de área para abrir o placar. Depois um erro na tática de impedimento comandada por Alex “Pirulito” Silva terminou no gol de Paulinho para acabar de descomplicar o primeiro tempo.

Segunda etapa com o treinador Roberto Mosquera desmanchando a linha de cinco e mandando a campo os atacantes Chávez e Álvarez para se juntarem ao brasileiro Lucas Gaúcho. Mas em um “abafa” sem muita organização e qualidade para furar a defesa bem protegida por Desábato e com Ricardo Graça na zaga cada vez mais seguro.

Zé Ricardo colocou Riascos, Rildo e Thiago Galhardo para acelerar os contragolpes e matou o jogo no final com Pikachu mais que readaptado à lateral direita e Rildo. 4 a 0 para deixar a vaga mais que encaminhada. Em Sucre, o Jorge Wilstermann terá pouco mais que os 2.800 metros de altitude para buscar um milagre.

Improvável. O Vasco vai ganhando encaixe, não tem o Carioca para atrapalhar e é difícil imaginar um time de Zé Ricardo desconcentrado a ponto de facilitar tanto. O Vasco vai cumprindo a missão de chegar à fase de grupos, algo que parecia complicado pelo momento político do clube, mas em campo se resolve com organização. Para atacar e contra-atacar. Como deve ser.


Vasco vence na volta à Libertadores com a marca de Zé Ricardo: foco no jogo
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André Rocha

Em meio à toda turbulência política do Vasco flertando com o caos neste início de 2018, Zé Ricardo só falou grosso quando chegou ao absurdo de não saber a quem se reportar no departamento de futebol.

Porque o foco do treinador é sempre o campo, o jogo. Discreto, até pacato, evita polêmicas ou reclamações que possam ser tratadas como “bengala”. Como o desgaste das viagens seguidas que prejudicou o desempenho do Flamengo na reta final do Brasileiro de 2016 em sua primeira experiência no comando de um time profissional. Para ele, falar de cansaço podia condicionar seus atletas e os adversários ou mesmo criar um “álibi” para os resultados ruins. Diminuir a concentração, um dos lemas de Zé Ricardo.

Por isso agora evitou protestar contra as baixas no elenco e valorizou os que ficaram, procurando manter a estrutura tática e o modelo de jogo. Organização e rapidez nas transições ofensivas e defensivas.

Priorizou a montagem do time e manteve o grupo mobilizado. Eis o maior mérito na vitória vascaína no retorno à Libertadores depois de cinco anos. Zé Ricardo mandou a campo um time eficiente que fez um duelo que parecia complicado e corria o risco de virar drama se transformar em goleada por 4 a 0 sobre a Universidad de Concepción.

Facilitada pelo gol logo aos dois minutos em bela combinação iniciada por Andrés Rios, passando por Wellington, o toque de calcanhar de Paulinho e a finalização precisa de Evander, o substituto de Nenê na execução do 4-2-3-1 com mais rapidez e intensidade.

Virtudes do novo camisa dez no segundo gol após o chute do goleiro Cristián Muñoz que pegou na mão de Ríos e sobrou para o jovem meia acertar chute de longe. No último ataque do primeiro tempo, a chance de consagração desperdiçada em belo contragolpe finalizado por Paulinho, mas Evander perdeu livre no rebote.

Foram cinco finalizações para cada lado, mas o Vasco chutou três no alvo contra nenhuma do time do jovem treinador Francisco Bozán que só foi perigoso nas descidas do lateral esquerdo De La Fuente para cima de Yago Pikachu – meia no ano passado que precisou voltar à lateral com as negociações de Gilberto com o Fluminense e Madson para o Grêmio.

O camisa dois sofreu um pouco atrás, mas estava bem posicionado para aproveitar mais uma falha de Muñoz e matar o jogo. Ainda houve tempo para outro contra-ataque letal que Rildo mandou para as redes. O ponteiro entrou com Thiago Galhardo e Riascos nas vagas de Wagner, Evander e Rios aumentando a velocidade nas saídas para o ataque.

O Concepción não pode reclamar da sorte, pois finalizou 13 vezes, mas nenhuma no alvo. Foi um time lento e insistindo demais em cruzamentos. Santiago Silva e Droguett pecaram nos momentos em que um gol poderia trazer o time mandante de volta para o jogo. Mas o Vasco não deu chance.

Chances para mais gols não faltaram, mas a melhor estreia cruzmaltina em Libertadores praticamente garante a classificação para a última etapa antes da fase de grupos. Triunfo com a marca de Zé Ricardo na primeira vitória fora de casa da carreira do treinador no principal torneio da América do Sul.

Pensando só em futebol, o Vasco subverteu tudo no Chile.

(Estatísticas: Conmebol)


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