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Vitória do Cruzeiro e o dilema do Palmeiras: mal treinado ou sem confiança?
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André Rocha

As ausências de Henrique e De Arrascaeta no Cruzeiro e de Felipe Melo e Borja no Palmeiras contribuíram para um jogo no Mineirão com ambos enfrentando problemas na construção das jogadas desde a defesa e terminando, como consequência, com a dificuldade de criar espaços quando o adversário está postado sem a bola.

A diferença no gol da vitória celeste foi a dobra de Edilson e Robinho pela direita contra Victor Luís que não teve o auxílio de Dudu. Cruzamento que encontrou Rafael Sóbis e a virada que tirou de Jaílson. A mais eficiente das dez finalizações cruzeirenses, uma das duas no alvo. Dudu saiu de campo logo após a falha na recomposição para a entrada de Moisés, mas podia ter sido protagonista no belo chute que Fabio espalmou no início da segunda etapa. A melhor das seis dos visitantes, metade na direção da meta cruzeirense.

Um detalhe decidiu. Também a organização da equipe de Mano Menezes, controlando os espaços e negando a chance cristalina ao adversário depois de abrir o placar. Usando o banco com boas opções, como Bruno Silva pela direita, Ariel Cabral no meio e Raniel lutando na frente, pressionando os passes dos zagueiros. A falta de criatividade do oponente ajudou.

E aí entra o grande dilema palmeirense: a falta de confiança por conta de uma pressão absurda a cada resultado negativo tira a coragem dos jogadores de arriscar ou o modelo é que é engessado em uma posse de bola inócua (terminou com 53%) e falta de mobilidade na execução do 4-2-3-1?

Difícil avaliar quando destaques como Lucas Lima e Dudu arriscam tão pouco. Pior ainda se Keno, o ponteiro que ousa no drible, entra em campo visivelmente com problemas físicos. Sem as inversões de Felipe Melo a troca de passes fica previsível. Mas cabe a Roger Machado encontrar soluções para não repetir o ciclo de seus trabalhos no Grêmio e no Atlético Mineiro: bom início e o trabalho vai definhando com o tempo. Sem reação dos jogadores importantes nem alterações significativas que façam o time reagir.

Melhor para o Cruzeiro, que com duas vitórias depois de um início ruim já se aproxima do pelotão da frente. Com foco e titulares em campo é equipe competitiva. Desta vez nem precisou de um gol no início como elemento facilitador. Mesmo com jogo parelho conseguiu se impor.

É o que tem faltado ao Palmeiras. Mesmo classificado na Copa do Brasil e com a melhor campanha na fase de grupos – outra coincidência em relação à passagem de Roger pelo Atlético Mineiro. Quando a corda aperta o time sente e tem fraquejado. Sem confiança por estar mal treinado ou o desempenho é ruim por causa da pressão? É preciso descobrir, tecer o diagnóstico correto. E rápido!

(Estatísticas: Footstats)


Cruzeiro desfalcado peca na concentração e joia do Racing não perdoa
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André Rocha

O Cruzeiro já não teria Edilson e Leo, suspensos, e ainda perdeu o goleiro Fábio pela morte do pai. Para complicar, aos seis minutos de jogo Fred saiu lesionado para a entrada de Rafael Sóbis. Muitos problemas para uma estreia fora de casa na Libertadores.

Logo contra um time em formação, mas evoluindo com as mudanças na virada do ano. Além do treinador Eduardo Coudet, mais seis jogadores entraram no Racing que se recuperou no Argentino com quatro vitórias consecutivas. Muito volume de jogo e posse – terminou com 53%.

Ainda com problemas, porém. Como os espaços entre a última linha de defesa mais o volante Nery Domínguez  e os três meias além dos dois atacantes no 4-1-3-2. Mas com Lautaro Martínez, joia de 20 anos que faz dupla de ataque com Lisandro López e é o jogador mais cobiçado do país. Jovem, mas inteligência na movimentação entre a defesa e o meio-campo do time celeste.

Diante de um cenário tão complicado, cabia ao Cruzeiro mostrar concentração total sem a bola. Não só nas transições defensivas do 4-1-4-1 inicial com Robinho alinhado a Ariel Cabral no meio e Rafinha e De Arrascaeta nas pontas. Mas, principalmente, nas jogadas de bola parada. Era o que se esperava de um time que só havia sofrido um gol na temporada.

Não aconteceu e Lautaro Martínez foi impiedoso. Cinco finalizações no alvo, três gols. Descomplicando o time argentino nos momentos mais difíceis no Cilindro em Avellaneda. Com a equipe em formação a oscilação é natural.

Cabia ao oponente aproveitar. Mas além de vacilar atrás, o Cruzeiro não foi tão eficiente nas conclusões. Duas bolas nas traves do goleiro Juan Musso, de Arrascaeta e Rafinha, além dos gols do camisa dez uruguaio, completando belo centro de Egídio, e Robinho na cobrança de falta. Foram 12 finalizações, mas sete na direção da meta. Uma a menos que os donos da casa num total de 10.

Quando o empate parecia mais próximo para o time de Mano Menezes que cresceu com a entrada de Thiago Neves e a mudança do sistema para 4-2-3-1 com Robinho e Rafinha nas pontas, Augusto Solari, que entrou como meia pela direita no lugar de Zaracho, definiu os 4 a 2.

Fica a lição do bom jogo no Cilindro para a equipe mineira pensando na sequência do complicado Grupo 5. Não pode faltar concentração em disputa tão parelha. Libertadores não é Campeonato Mineiro.

(Estatísticas: Footstats)


Cruzeiro, o estreante mais consistente da quarta-feira de futebol precoce
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André Rocha

Foram 14 dias de preparação do Cruzeiro para a estreia oficial no estadual contra o Tupi no Mineirão. Não se faz futebol com qualidade em duas semanas.

Mas pela base já montada e a essência do modelo de jogo já assimilada, o time de Mano Menezes conseguiu apresentar um rascunho de futebol mais interessante. Mesmo com o encaixe de Fred que já mudou toda a dinâmica do ataque em sua reestreia que atraiu mais de 40 mil cruzeirenses.

Com o camisa nove no centro de ataque, alguns movimentos mudaram. Como Rafinha jogando aberto pela direita e contando com o apoio por dentro de Lucas Romero, improvisado na lateral direita enquanto Edilson não estreia. Mais o suporte de Robinho no 4-3-3/4-1-4-1 como o desenho tático.

Do lado oposto, o inverso: De Arrascaeta buscando as diagonais se juntando a Fred e Egídio descendo quase colado à linha da lateral para espaçar a marcação adversária. Ariel Cabral dando opção de passes. Sempre em triangulações pelos lados e o centroavante fazendo o trabalho de pivô. Ocupação inteligente do campo de ataque e volume de jogo sem dar muitas chances aos contragolpes do adversário.

Fred desperdiçou algumas chances, mas teve movimentação até interessante para uma estreia. Atraiu marcação e foi um facilitador. Tabelou com Rafinha, que serviu Robinho no primeiro gol em bela jogada coletiva. Depois o próprio Rafinha completou de letra assistência de Henrique. Dois a zero, jogo resolvido.

A chance de Mano mandar a campo Thiago Neves e Rafael Sóbis, além de estrear Bruno Silva, que apoiou bem aberto pela direita e descansou um pouco Lucas Romero. Rodar o elenco será fundamental para dar minutos e descanso a todos em um calendário inchado.

Se a garotada do Flamengo fez bonito nos 2 a 0 em Volta Redonda e o Santos teve o placar mais dilatado nos 3 a 0 fora de casa sobre o Linense, o desempenho do Cruzeiro foi o mais consistente entre os grandes clubes na quarta-feira de futebol precoce no Brasil.

 


Apesar da crise, estreia indica que Abel deve manter Flu rápido e ofensivo
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André Rocha

O pior de uma crise profunda é quando a falta de confiança internamente parece maior que a de quem está de fora. Quem observa o Fluminense perdendo alguns jogadores e abrindo mão de outros por não ter condições de arcar com os custos não vislumbra um 2018 promissor.

A estreia no Torneio da Flórida aumentou esta impressão, principalmente pela escolha inusitada de Abel Braga, montando sua equipe num 5-3-2. Temendo um PSV muito alterado por Phillip Cocu. Mesmo considerando que o time holandês está no meio da temporada, com mais ritmo de competição, pareceu uma cautela exagerada.

Talvez Abel estivesse correto, com uma visão realista. Mas o que se viu foi uma equipe descoordenada no trabalho sem a bola. Na transição ofensiva os laterais Gilberto e Marlon demoravam a recompor a última linha obrigando os zagueiros a ficarem mais espaçados. Na proteção, Douglas e Richard permitiam espaços às costas e sofriam com a habilidade do brasileiro Mauro Júnior.

Para piorar, a saída para o ataque que precisa ser rápida e intensa não encontrava o passe vertical de Sornoza, muito menos a velocidade de Henrique Dourado para acompanhar Marcos Júnior. O Flu roubava a bola, mas não conseguia sair da pressão do adversário logo após a perda da bola e surpreender a defesa mais adiantada do Ajax.

De tanto insistir, o PSV abriu o placar com lindo gol de Sam Lammers. 20 anos, um metro e noventa, mas habilidade para limpar a marcação e técnica para tirar do alcance do goleiro Júlio César. Consequência natural da produção das equipes nos primeiros 45 minutos.

Na segunda etapa, as muitas alterações que descaracterizam qualquer amistoso, mas úteis no trabalho de observação e para dar ritmo à maioria dos jogadores. Funciona melhor para análises de desempenho individual.

Ainda assim, serviu para Abel notar que, mesmo com o elenco despedaçado, sem Diego Cavalieri, Lucas, Henrique, Wendel, Orejuela, Gustavo Scarpa e Wellington Silva, vale mais seguir o instinto do treinador e dos jovens atletas: um estilo mais leve, rápido e com vocação ofensiva. O Flu correu riscos, porém ocupou o campo de ataque com mais volume, especialmente pela direita com Matheus Alessandro. O grande destaque  que acabou saindo contundido.

Robinho, outro que entrou na segunda etapa, compensou com mais um golaço no jogo. Saída em velocidade, troca de passes, mais gente na frente e a bela conclusão do ponteiro. Empate e derrota nos pênaltis por 5 a 4. Romarinho foi o único a desperdiçar sua cobrança.

O resultado foi o menos importante. Valeu mais para Abel iniciar o trabalho de reconstrução da equipe. Mesmo em meio ao caos e ao pessimismo pelas sérias dificuldades financeiras que devem fazer o clube perder também Henrique Dourado, o Flu sempre rende melhor tentando jogar. Mesmo correndo riscos. Ainda que falte confiança dentro e fora do campo.


Um Palmeiras ainda “híbrido” sofre diante do Cruzeiro, o teste mais forte
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André Rocha

A expectativa e a pressão pela vitória em casa sobre o Cruzeiro que deixaria o Palmeiras a três pontos do líder do Brasileiro e maior rival atrapalharam mais uma vez. O favoritismo continua pesando nesta edição do campeonato.

Mas o que atrapalhou mesmo o atual campeão brasileiro foi o processo de mudar uma maneira de jogar e de pensar futebol na reta final da temporada. É quase como virar do avesso sair do estilo Cuca para o que Alberto Valentim quer para a equipe.

Principalmente no trabalho sem a bola, na transição defensiva. Porque quem está acostumado a marcar perseguindo o adversário vai sofrer para defender tendo a bola e o espaço como referências. Do “cada um pega o seu até o fim da jogada” para a marcação por zona é uma mudança radical.

Ainda mais com a última linha de defesa tão adiantada como quer Valentim para empurrar o adversário para o próprio campo. É um trabalho coletivo que depende muito da pressão que se exerce sobre o oponente que está com a bola para dificultar o passe. Mas como saber se tem que pressionar no setor se antes a ordem era pegar o jogador?

Toda a complexidade deste processo se viu nos dois gols cruzeirenses. No passe longo com liberdade para Diogo Barbosa receber atrás de Mayke e cruzar para Juninho, correndo para evitar a finalização, jogar nas redes de Fernando Prass. Gol contra na única “conclusão” na direção da meta alviverde no primeiro tempo.

Porque com a bola o Palmeiras mostrou a evolução dos últimos jogos. Troca de passes, revezamento de funções entre Jean, Tche Tche e Moisés, embora este sempre ficasse mais adiantado na linha de meias; mobilidade de Keno e Dudu buscando o centro para se juntar a Borja, que novamente encontrou problemas para fazer o jogo associativo – tabelas, trabalho de pivô, preparar jogadas. Mas estava na área para buscar o empate duas vezes.

A primeira em jogada pela esquerda com Egídio, depois o centro de Dudu da direita encontrando o camisa nove. Cruzamentos rasteiros, um em cada tempo. Ainda que as jogadas aéreas continuassem presentes, principalmente na necessidade de criar espaços e atacar. Foram 46 cruzamentos no total. Outra herança do “Cucabol” difícil de largar – se esta é a intenção de Valentim, diga-se.

A defesa adiantada com o lento Edu Dracena foi furada no segundo gol, de Robinho, que acabara de entrar na vaga de Rafael Marques. No Cruzeiro de Mano Menezes bem posicionado, com linhas próximas e saída em velocidade. Bem mais perigoso na segunda etapa de cinco finalizações, todas no alvo. Subindo a posse de 37% para 40%. Outro protagonista de um belo duelo.

Palmeiras das 21 finalizações que transformaram Fabio no grande destaque individual da partida. Que partiu para o abafa no final com Roger Guedes na ponta, Borja e Deyverson na área celeste, porém não conseguiu o objetivo que mudaria oficialmente o discurso de G-4 como meta para a realidade: a chance do bicampeonato nunca pareceu tão palpável.

São cinco pontos de diferença para o dérbi em Itaquera. Uma vitória com autoridade diminuiria para três e minaria ainda mais a confiança do abalado Corinthians ao longo da semana. Agora é confronto aberto, imprevisível. Alberto Valentim tem cinco dias para fazer ajustes e deixar o Palmeiras mais com sua assinatura do que a do antecessor. Não o time “híbrido” que sofreu no teste mais forte até aqui.

(Estatísticas: Footstats)


Robinho e o país dos bagaços que se acham suco puro
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André Rocha

Tem presidente que não aceita salvar as laranjas podres e é colocada para fora do saco. Por outro lado, o senador que chupa até o caroço tem sempre alguém para lhe garantir no bolo.

Tem bajulador e aspone na carona dos que detém o poder e, por isso, se julgam importantes. Tem também os que já fizeram algo um dia e tratam como título de nobreza, vitalícia e hereditária. Tem os que se encostam atrás da aposentadoria depois de oito anos de mandato.

Tem os boleiros que por terem “estado lá” acham que podem ciscar por toda parte, em todas as funções. Mesmo que com o microfone ou com a prancheta na mão não consigam sair do óbvio e do lugar comum. Sem conhecimento para agregar à vivência.

Mas estes sempre têm vez no país do “sabe com quem está falando?” Da autoridade adquirida e nunca questionada. Do “chupou laranja com quem?” para se perpetuar no poder, ou na prateleira de cima. Mesmo que já esteja caindo pelas tabelas.

Robinho é só mais um exemplo. Do ex-futuro melhor do mundo na década passada a uma reta final de carreira num Atlético Mineiro que pensou ter respirado, mas tem de volta a agonia da luta para se manter na Série A. Ao final da rodada pode estar apenas a três pontos do Z-4. Camisa sete que era reserva com Rogerio Micale, agora titular com Oswaldo de Oliveira, outro que roda pelos clubes mais pelos serviços prestados em um tempo que não volta mais.

Provocou Moisés Ribeiro com a velha “carteirada”: “jogou aonde?” Atitude comum na crueldade boleira, naquilo que eles dizem que fica no campo. Mas que, na prática, circula por todos os setores da sociedade. A elite querendo manter o status quo, a classe média que não quer o pobre junto com seu filho na universidade. Nas castas informais que não podem se misturar.

Mas no campo vale o que se joga e a Chapecoense saiu do Independência com vitória de virada por 3 a 2. Moisés sobe com sua equipe para longe do inferno e estaciona o outrora favorito ao título na escalada que busca o “G-7”. Porque chupar laranja com Ronaldo Fenômeno, Zidane, Beckham e Roberto Carlos no Real Madrid em 2005 não garante ninguém doze anos depois.

Nem no país dos bagaços que se acham suco puro.


Atlético Mineiro 2017 é mais um típico projeto de ilusão fadado ao fracasso
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André Rocha

Foto: André Durão

Rogerio Micale foi demitido depois da derrota por 3 a 1 para o Vitória no Independência. Assumiu em julho com contrato até dezembro. Trabalho que não deu liga, assim como o de seu antecessor Roger Machado. Treinadores de perfis parecidos, que obviamente têm suas cotas de responsabilidade no fraco desempenho em 2017. A começar por terem aceitado o convite para um trabalho com poucas chances de dar certo.

Porque Marcelo Oliveira, com estilo e histórico totalmente distintos, também fracassou no ano anterior. Colocou na Libertadores via Brasileiro e na final da Copa do Brasil, mas a expectativa com o treinador bicampeão brasileiro com o Cruzeiro e ídolo do clube como jogador era de grandes conquistas.

Nem estudioso com pouca rodagem e, consequentemente, títulos. Nem o veterano com currículo e bom gestor de grupo. Simplesmente por ser um típico projeto fadado ao fracasso.

Já aconteceu tantas vezes e não aprendemos – e aí este que escreve se inclui como analista. Em 1985 o Corinthians torrou a grana da venda de Sócrates para a Fiorentina montando times caros, tirando Serginho Chulapa do Santos e Hugo De León do Grêmio, e nada conseguindo. O Flamengo de Edmundo, Sávio e Romário em 1995 é outro exemplo, assim como o bancado pela falida ISL em 200, que reuniu Alex, Denilson, Edilson, Gamarra e Petkovic.

Há também os bem sucedidos, como os Palmeiras de Luxemburgo e Scolari na Era Parmalat. Mas com uma diferença: o investimento era feito em jogadores talentosos e promissores, mas ainda com “fome” na carreira. Oferecendo boas condições de trabalho.

Estrutura nem é o problema do Galo e sua Cidade. O erro é contratar baseado mais na grife, na esperança do jogador consagrado resgatar o desempenho de seu auge anos atrás. Pior ainda é ganhar o selo de favorito aos títulos que disputa não pelo que os atletas construíram juntos, mas por conta do status de cada jogador em separado.

Não é possível juntar o Leonardo Silva de 2013, o Fabio Santos e o Fred de 2012, o Elias de 2009 e o Robinho de 2004. Estamos em 2017. E outra má notícia: se trouxe tem que botar para jogar. Porque o veterano consagrado não costuma lidar bem com o banco de reservas.

Logo vem os questionamentos: o titular, mais jovem e produtivo, “chupou laranja com quem?” Como tirar do time o “presidente da resenha”, o craque que os mais jovens tinham no videogame? Como descartar quem estaciona o carro mais luxuoso na garagem, recebe visitas de outros craques midiáticos na sede e tem um staff que parece um outro time de futebol?

No Galo, o pecado maior foi reunir Robinho e Fred sem entender que no futebol atual ou você tem um típico centroavante com velocidade e intensidade ao redor para acioná-lo, ou tem o atacante veterano que compensa a falta de mobilidade de outros tempos com inteligência e técnica. Mas vai precisar de alguém na frente com mais dinâmica.

Os dois juntos exigem mais sacrifícios dos demais. E logo atrás há um Elias em fase parecida na carreira, um Cazares e Otero buscando protagonismo no futebol brasileiro. Um Yago querendo espaço. Difícil correr sabendo que na mídia, se o time vencer, serão as principais estrelas a ganhar os holofotes. É humano.

Assim como é natural a expectativa criada. O “agora vai!”, a esperança de que será diferente. Mesmo que as características dentro e fora de campo não combinem. E só pelos nomes se transfira uma responsabilidade de conquistas que, no fundo, é irreal.

Porque em 2017 não dá mais para aceitar a contratação sem avaliação criteriosa. Só pelo nome é enorme risco. Assim como contratar o treinador na tentativa e erro, no “vai que cola”. Não é só questão de sorte. Trabalho e estudo sempre ajudam.

Foi o que faltou ao Atlético. Jogou para a galera. A mesma que agora cobra do presidente Daniel Nepomuceno ao funcionário mais humilde. Ninguém engole mais a transferência de responsabilidades, o “contratei os melhores, se não deu certo não é problema meu”. É problema de todos.

E fica novamente o questionamento deste blog: vale tratar estadual como prioridade em abril e maio e se achar superior ao rival com o título, se em dezembro este pode estar celebrando uma conquista de Copa do Brasil ou a vaga do G-6 que parecia reservada para si mesmo, o “favoritão”?

Os nove pontos de distância em relação ao Botafogo, sexto colocado, e os três de vantagem sobre o São Paulo, 17º, dão a dimensão dos objetivos do Galo, agora sem treinador, até o fim do ano. Depois de ser eliminado da Libertadores pelo Jorge Wilstermann que levou oito do River Plate e da Copa do Brasil pelo Bota de orçamento muito inferior.

Neste cenário é até difícil tratar a Primeira Liga como um título relevante. E ainda há a chance de novo revés como favorito contra o Londrina que está no meio da tabela na Série B. Outro vexame?

Certeza só de que era fiasco anunciado, com o dom de iludir. Mais um. Será que agora aprendemos todos?


Quanto maior o desafio, mais forte e concentrado é o Corinthians
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André Rocha

Mineirão com bom público (45.529 presentes), Atlético Mineiro buscando afirmação, de novo o time desfalcado – embora menos que o esperado, com Guilherme Arana e Maycon em campo. O cenário era relativamente perigoso para o líder Corinthians. A invencibilidade estava em risco.

Mas o que não foi bem entendido no post sobre o empate contra o Flamengo ficou bem claro em Belo Horizonte: quanto maior é o obstáculo, ao menos na aparência, mais concentrado fica o Corinthians. No domingo, o jogo em Itaquera parecia controlado com facilidade pelos problemas técnicos e táticos do adversário. Houve uma desmobilização natural e com as substituições que melhoraram o desempenho do Fla, não era mais possível retomar a força mental. Por isso o sufoco no segundo tempo.

Desta vez um Galo se propondo a resgatar a intensidade na estreia de Rogerio Micale no Mineirão, com Pablo e Gustavo Blanco mantidos depois do triunfo de 2 a 0 sobre o Coritiba, deixou a equipe de Carille atenta e minimizando erros. Como de costume fora de casa neste campeonato – eram seis vitórias e dois empates como visitante.

Até quando o quase sempre preciso Balbuena errou, Fagner estava ligado e dificultou a finalização de Rafael Moura no primeiro tempo. Já quando Arana vacilou no posicionamento pela esquerda, Cássio precisou de sorte para o chute cruzado de Robinho, que entrou na vaga de Elias, não vencer sua meta na segunda etapa.

O Corinthians já vencia o jogo com o 11º gol de Jô em incursão rápida pela direita de Fagner que Maycon preparou para o artilheiro do campeonato. O jovem camisa oito é uma das chaves do equilíbrio e da produção ofensiva. Meio-campista que marca e joga.

Rodriguinho é que não vinha rendendo desde que voltou da seleção e parecia sem mobilidade como o meia central do 4-2-3-1. Sem Jadson e Romero, apesar das atuações mais consistentes de Giovanni Augusto e Clayson em relação ao empate contra o Flamengo, o quarteto ofensivo precisava do desempenho do autor do segundo gol deixando Leonardo Silva no chão.

Uma típica vitória corintiana fora de casa: apenas 42% de posse de bola, mas até finalizando mais, por conta dos espaços proporcionados pelo oponente: 12, quatro no alvo. Também permitiu mais conclusões atleticanas: 15, quatro no alvo. Chance cristalina, porém, só uma. Aquela de Robinho.

Retrato de um time focado, levando tão a sério o já batido discurso de pensar jogo a jogo que a emblemática 19ª rodada chegou e, se não for superado pelo Sport em casa no sábado, será o primeiro “campeão” invicto do turno por pontos corridos com 20 clubes, superando também os 44 do Palmeiras no returno do ano passado.

Não dá para duvidar de mais nada de bom que este Corinthians possa realizar. Quanto mais desafiado, mais forte fica.

(Estatísticas: Footstats)


Empate é o retrato do Atlético Mineiro na temporada. Na hora de decolar…
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André Rocha

Roger Machado seguiu o planejamento traçado para o jogo contra o Botafogo no Nílton Santos: deixou Cazares e Fred, desgastados pela viagem a Cochabamba, no banco de reservas. Também Alex Silva, titular na Libertadores, mas permitindo o retorno do titular Marcos Rocha.

No entanto, com a rodada favorável que poderia dar oportunidade de subir da oitava para a quinta posição, com a mesma pontuação do Palmeiras, e a proposta do Botafogo de, mesmo em casa e com a maioria dos titulares, manter a ideia de jogar reagindo à iniciativa do adversário, tomou conta da partida.

Com Elias ao lado de Rafael Carioca à frente da defesa, Yago e Marlone nas pontas e Robinho solto como atacante circulando pelos flancos e se aproximando de Rafael Moura, o Atlético Mineiro teve a chance de definir o jogo no primeiro tempo com o gol de Marlone em chute que desviou em Emerson Silva e no pênalti desperdiçado por Rafael Moura.

Ou defendido por Jefferson, ídolo alvinegro vindo de inatividade de 14 meses substituindo Gatito Fernández. Melhor em campo e protagonista de um Botafogo sem ideias quando ficou em desvantagem no placar. Ficou com a posse de bola, teve Camilo no início do segundo tempo e depois Guilherme na vaga do extenuado Pimpão e Marcos Vinicius no lugar de Lindoso, mantendo a estrutura tática, porém com jogadores mais ofensivos que se aproximavam de Roger.

Mas criou muito pouco. Se limitou ao abafa com lançamentos e cruzamentos a esmo, rebatidos pela defesa atleticana, que ganhou consistência com Adilson no lugar de Yago – Elias voltou para o lado direito – e desafogo com a dupla Cazares e Fred saindo do banco para qualificar os contragolpes. Só que desta vez o equatoriano entrou descansado fechando o setor esquerdo e mantendo Robinho livre na frente.

Exatamente os dois que desperdiçaram contragolpes no final e consagraram o nome de Jefferson. Também deram a sensação de que o Galo havia dado chances demais ao time da casa, que não costuma desistir. No pênalti sobre Marcos Vinicius, Victor ainda fez a defesa na cobrança de Roger, mas nada pôde fazer no rebote que sua retaguarda não conseguiu afastar. Outro vacilo. Nos acréscimos.

Foi a terceira finalização no alvo do Bota em dez tentativas. O Galo chutou seis que fizeram Jefferson brilhar, num total de nove. Claro que houve muitos méritos do arqueiro veterano, ainda mais retornando depois de tanto tempo. Mas é impressionante como o Galo de Roger perde oportunidades de se afirmar na temporada.

Mesmo com título estadual, melhor campanha na fase de grupos da Libertadores e com vantagem para a volta das quartas da Copa do Brasil contra o próprio Botafogo (se repetir o 1 a 1 estará classificado), não desperta confiança no desempenho. É capaz de oscilar dentro das partidas. A combinação técnico promissor + elenco qualificado ainda não conseguiu dar a liga que prometia.

O Atlético podia entrar no G-6 – o Santos venceu o São Paulo na Vila Belmiro e subiu para quarto. Ficou em oitavo com o gosto amargo de dois pontos perdidos pelas circunstâncias da disputa em Engenho de Dentro. Um retrato da equipe em 2017.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras e Galo: oscilações que minam a confiança longe de casa
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André Rocha

O Atlético Mineiro de Roger Machado encontrou há algum tempo uma estrutura com o quarteto ofensivo formado por Elias, Cazares, Robinho e Fred. Sofre, porém, com os desfalques na retaguarda. Especialmente Marcos Rocha, que nunca foi exímio defensor, mas encontra menos dificuldades que Alex Silva.

Em Cochabamba, o ex-lateral do América-MG penou contra o brasileiro Serginho, depois Ruddy Cardozo. E ainda cometeu um pênalti, desses autorizados pelas novas orientações da FIFA, saltando com o braço aberto e a bola batendo em sua mão.

Uma atuação catastrófica. Pelo seu setor saiu a cobrança de lateral na área, não a usual dos últimos tempos, mas um lançamento para Bergese finalizar e Álvarez acertar de bicicleta no rebote do corte de Gabriel sobre a linha.

O 4-2-3-1 atleticano que está se tornando comum no futebol brasileiro, com um meio-campista (Elias) de um lado e um atacante (Robinho) do outro, consegue ter fluência na frente quando chega em bloco.

Mas na altitude de 2600 metros na Bolívia ficou mais complicado e muitas vezes se viu Elias mais preso para não ter que infiltrar na frente e Robinho nem sempre voltando e ficando na frente com Cazares e Fred, que também produziram pouco.

Foram 13 finalizações, uma a mais que o time da casa. Incluindo a cabeçada na trave de Rafael Moura, que entrou na vaga de Fred. Mas apenas uma na direção da meta de Olivares. O Galo deve ser mais eficiente em Belo Horizonte, ainda mais se forçar as jogada aéreas, ponto fraco dos bolivianos.

Deixou, no entanto, uma impressão de que um pouco mais de confiança, mesmo diante de um time que é reconhecidamente forte em seus domínios, com vitórias sobre Palmeiras, Tucumán e Peñarol, poderia ter rendido ao menos um ponto e serenidade para a volta.

Porque, apesar da melhor campanha geral na fase de grupos, este Atlético de Roger oscila demais. Não apresenta consistência para se impor independentemente do contexto, mesmo com a recuperação no Brasileiro, subindo seis posições com a vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro no clássico e voltando à primeira página da tabela. Sem contar a vantagem construída em casa sobre o Botafogo nas quartas de final da Copa do Brasil.

Mesmo caso do Palmeiras, quarto colocado na competição nacional, ainda vivo na Copa do Brasil. Mas inconstante a ponto de cumprir boa atuação na primeira etapa em Guayaquil. Mesmo sem Guerra, que voltou ao Brasil para cuidar do filho hospitalizado por afogamento. A transição ofensiva ganhava qualidade com Dudu e encontrava Willian para finalizar. Como na melhor oportunidade dos primeiros 45 minutos em chute cruzado.

Cuca trocou Zé Roberto, escalado no meio-campo para Juninho cumprir a função de lateral-zagueiro pela esquerda tão prezada por Cuca, por Roger Guedes. Michel Bastos e Keno entraram nas vagas de Dudu e Borja. Ou seja, trocas em todo o ataque. Para se defender mais que o recomendável, permitindo que o time equatoriano rondasse a área, terminando a partida com 56% de posse.

Até achar o gol de Jonatan Alvez no chute que desviou em Thiago Santos, o volante “cão de guarda” que virou titular. Na oitava e última finalização do time mandante, o dobro do campeão brasileiro – três no alvo para cada lado.

A questão é que o jogo alviverde não flui, nem tem ao menos a capacidade competitiva do ano passado, apesar dos 24 desarmes certos contra apenas nove do Barcelona. E o contexto para o duelo final em São Paulo poderia ser pior, caso o árbitro houvesse marcado pênalti no toque de braço de Mina.

O que é preocupante para a volta no Allianz Parque é que, ao contrário do Jorge Wilstermann, o Barcelona mostrou força como visitante na fase de grupos. Inclusive vencendo o líder Botafogo no Estádio Nilton Santos. Exatamente quando o alvinegro tentou mudar sua maneira de jogar e saiu para propor o jogo. Acabou surpreendido como o Palmeiras não tem o direito de repetir por sua capacidade de investimento. Sair nas oitavas do torneio continental seria um fracasso para repensar tudo.

É possível virar no modo “Porco Doido” empurrado pela torcida pode fazer em 90 minutos o que alcançou em vinte ao buscar três gols  e o empate contra o Cruzeiro. Mas há o risco exatamente por Cuca ainda não ter construído uma equipe confiável. Intensa e constante. Sem Gabriel Jesus, Moisés, Vitor Hugo e tempo para treinar e ajustar o elenco muito heterogêneo fica bem mais complicado.

A missão é acessível para Palmeiras e Galo, apesar do calendário massacrante. Até agosto é obrigatório oscilar menos para que as equipes cheguem mais inteiras nos jogos que, no pior cenário, podem custar a temporada.

(Estatísticas: Footstats)