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Um Palmeiras ainda “híbrido” sofre diante do Cruzeiro, o teste mais forte
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André Rocha

A expectativa e a pressão pela vitória em casa sobre o Cruzeiro que deixaria o Palmeiras a três pontos do líder do Brasileiro e maior rival atrapalharam mais uma vez. O favoritismo continua pesando nesta edição do campeonato.

Mas o que atrapalhou mesmo o atual campeão brasileiro foi o processo de mudar uma maneira de jogar e de pensar futebol na reta final da temporada. É quase como virar do avesso sair do estilo Cuca para o que Alberto Valentim quer para a equipe.

Principalmente no trabalho sem a bola, na transição defensiva. Porque quem está acostumado a marcar perseguindo o adversário vai sofrer para defender tendo a bola e o espaço como referências. Do “cada um pega o seu até o fim da jogada” para a marcação por zona é uma mudança radical.

Ainda mais com a última linha de defesa tão adiantada como quer Valentim para empurrar o adversário para o próprio campo. É um trabalho coletivo que depende muito da pressão que se exerce sobre o oponente que está com a bola para dificultar o passe. Mas como saber se tem que pressionar no setor se antes a ordem era pegar o jogador?

Toda a complexidade deste processo se viu nos dois gols cruzeirenses. No passe longo com liberdade para Diogo Barbosa receber atrás de Mayke e cruzar para Juninho, correndo para evitar a finalização, jogar nas redes de Fernando Prass. Gol contra na única “conclusão” na direção da meta alviverde no primeiro tempo.

Porque com a bola o Palmeiras mostrou a evolução dos últimos jogos. Troca de passes, revezamento de funções entre Jean, Tche Tche e Moisés, embora este sempre ficasse mais adiantado na linha de meias; mobilidade de Keno e Dudu buscando o centro para se juntar a Borja, que novamente encontrou problemas para fazer o jogo associativo – tabelas, trabalho de pivô, preparar jogadas. Mas estava na área para buscar o empate duas vezes.

A primeira em jogada pela esquerda com Egídio, depois o centro de Dudu da direita encontrando o camisa nove. Cruzamentos rasteiros, um em cada tempo. Ainda que as jogadas aéreas continuassem presentes, principalmente na necessidade de criar espaços e atacar. Foram 46 cruzamentos no total. Outra herança do “Cucabol” difícil de largar – se esta é a intenção de Valentim, diga-se.

A defesa adiantada com o lento Edu Dracena foi furada no segundo gol, de Robinho, que acabara de entrar na vaga de Rafael Marques. No Cruzeiro de Mano Menezes bem posicionado, com linhas próximas e saída em velocidade. Bem mais perigoso na segunda etapa de cinco finalizações, todas no alvo. Subindo a posse de 37% para 40%. Outro protagonista de um belo duelo.

Palmeiras das 21 finalizações que transformaram Fabio no grande destaque individual da partida. Que partiu para o abafa no final com Roger Guedes na ponta, Borja e Deyverson na área celeste, porém não conseguiu o objetivo que mudaria oficialmente o discurso de G-4 como meta para a realidade: a chance do bicampeonato nunca pareceu tão palpável.

São cinco pontos de diferença para o dérbi em Itaquera. Uma vitória com autoridade diminuiria para três e minaria ainda mais a confiança do abalado Corinthians ao longo da semana. Agora é confronto aberto, imprevisível. Alberto Valentim tem cinco dias para fazer ajustes e deixar o Palmeiras mais com sua assinatura do que a do antecessor. Não o time “híbrido” que sofreu no teste mais forte até aqui.

(Estatísticas: Footstats)


Robinho e o país dos bagaços que se acham suco puro
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André Rocha

Tem presidente que não aceita salvar as laranjas podres e é colocada para fora do saco. Por outro lado, o senador que chupa até o caroço tem sempre alguém para lhe garantir no bolo.

Tem bajulador e aspone na carona dos que detém o poder e, por isso, se julgam importantes. Tem também os que já fizeram algo um dia e tratam como título de nobreza, vitalícia e hereditária. Tem os que se encostam atrás da aposentadoria depois de oito anos de mandato.

Tem os boleiros que por terem “estado lá” acham que podem ciscar por toda parte, em todas as funções. Mesmo que com o microfone ou com a prancheta na mão não consigam sair do óbvio e do lugar comum. Sem conhecimento para agregar à vivência.

Mas estes sempre têm vez no país do “sabe com quem está falando?” Da autoridade adquirida e nunca questionada. Do “chupou laranja com quem?” para se perpetuar no poder, ou na prateleira de cima. Mesmo que já esteja caindo pelas tabelas.

Robinho é só mais um exemplo. Do ex-futuro melhor do mundo na década passada a uma reta final de carreira num Atlético Mineiro que pensou ter respirado, mas tem de volta a agonia da luta para se manter na Série A. Ao final da rodada pode estar apenas a três pontos do Z-4. Camisa sete que era reserva com Rogerio Micale, agora titular com Oswaldo de Oliveira, outro que roda pelos clubes mais pelos serviços prestados em um tempo que não volta mais.

Provocou Moisés Ribeiro com a velha “carteirada”: “jogou aonde?” Atitude comum na crueldade boleira, naquilo que eles dizem que fica no campo. Mas que, na prática, circula por todos os setores da sociedade. A elite querendo manter o status quo, a classe média que não quer o pobre junto com seu filho na universidade. Nas castas informais que não podem se misturar.

Mas no campo vale o que se joga e a Chapecoense saiu do Independência com vitória de virada por 3 a 2. Moisés sobe com sua equipe para longe do inferno e estaciona o outrora favorito ao título na escalada que busca o “G-7”. Porque chupar laranja com Ronaldo Fenômeno, Zidane, Beckham e Roberto Carlos no Real Madrid em 2005 não garante ninguém doze anos depois.

Nem no país dos bagaços que se acham suco puro.


Atlético Mineiro 2017 é mais um típico projeto de ilusão fadado ao fracasso
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André Rocha

Foto: André Durão

Rogerio Micale foi demitido depois da derrota por 3 a 1 para o Vitória no Independência. Assumiu em julho com contrato até dezembro. Trabalho que não deu liga, assim como o de seu antecessor Roger Machado. Treinadores de perfis parecidos, que obviamente têm suas cotas de responsabilidade no fraco desempenho em 2017. A começar por terem aceitado o convite para um trabalho com poucas chances de dar certo.

Porque Marcelo Oliveira, com estilo e histórico totalmente distintos, também fracassou no ano anterior. Colocou na Libertadores via Brasileiro e na final da Copa do Brasil, mas a expectativa com o treinador bicampeão brasileiro com o Cruzeiro e ídolo do clube como jogador era de grandes conquistas.

Nem estudioso com pouca rodagem e, consequentemente, títulos. Nem o veterano com currículo e bom gestor de grupo. Simplesmente por ser um típico projeto fadado ao fracasso.

Já aconteceu tantas vezes e não aprendemos – e aí este que escreve se inclui como analista. Em 1985 o Corinthians torrou a grana da venda de Sócrates para a Fiorentina montando times caros, tirando Serginho Chulapa do Santos e Hugo De León do Grêmio, e nada conseguindo. O Flamengo de Edmundo, Sávio e Romário em 1995 é outro exemplo, assim como o bancado pela falida ISL em 200, que reuniu Alex, Denilson, Edilson, Gamarra e Petkovic.

Há também os bem sucedidos, como os Palmeiras de Luxemburgo e Scolari na Era Parmalat. Mas com uma diferença: o investimento era feito em jogadores talentosos e promissores, mas ainda com “fome” na carreira. Oferecendo boas condições de trabalho.

Estrutura nem é o problema do Galo e sua Cidade. O erro é contratar baseado mais na grife, na esperança do jogador consagrado resgatar o desempenho de seu auge anos atrás. Pior ainda é ganhar o selo de favorito aos títulos que disputa não pelo que os atletas construíram juntos, mas por conta do status de cada jogador em separado.

Não é possível juntar o Leonardo Silva de 2013, o Fabio Santos e o Fred de 2012, o Elias de 2009 e o Robinho de 2004. Estamos em 2017. E outra má notícia: se trouxe tem que botar para jogar. Porque o veterano consagrado não costuma lidar bem com o banco de reservas.

Logo vem os questionamentos: o titular, mais jovem e produtivo, “chupou laranja com quem?” Como tirar do time o “presidente da resenha”, o craque que os mais jovens tinham no videogame? Como descartar quem estaciona o carro mais luxuoso na garagem, recebe visitas de outros craques midiáticos na sede e tem um staff que parece um outro time de futebol?

No Galo, o pecado maior foi reunir Robinho e Fred sem entender que no futebol atual ou você tem um típico centroavante com velocidade e intensidade ao redor para acioná-lo, ou tem o atacante veterano que compensa a falta de mobilidade de outros tempos com inteligência e técnica. Mas vai precisar de alguém na frente com mais dinâmica.

Os dois juntos exigem mais sacrifícios dos demais. E logo atrás há um Elias em fase parecida na carreira, um Cazares e Otero buscando protagonismo no futebol brasileiro. Um Yago querendo espaço. Difícil correr sabendo que na mídia, se o time vencer, serão as principais estrelas a ganhar os holofotes. É humano.

Assim como é natural a expectativa criada. O “agora vai!”, a esperança de que será diferente. Mesmo que as características dentro e fora de campo não combinem. E só pelos nomes se transfira uma responsabilidade de conquistas que, no fundo, é irreal.

Porque em 2017 não dá mais para aceitar a contratação sem avaliação criteriosa. Só pelo nome é enorme risco. Assim como contratar o treinador na tentativa e erro, no “vai que cola”. Não é só questão de sorte. Trabalho e estudo sempre ajudam.

Foi o que faltou ao Atlético. Jogou para a galera. A mesma que agora cobra do presidente Daniel Nepomuceno ao funcionário mais humilde. Ninguém engole mais a transferência de responsabilidades, o “contratei os melhores, se não deu certo não é problema meu”. É problema de todos.

E fica novamente o questionamento deste blog: vale tratar estadual como prioridade em abril e maio e se achar superior ao rival com o título, se em dezembro este pode estar celebrando uma conquista de Copa do Brasil ou a vaga do G-6 que parecia reservada para si mesmo, o “favoritão”?

Os nove pontos de distância em relação ao Botafogo, sexto colocado, e os três de vantagem sobre o São Paulo, 17º, dão a dimensão dos objetivos do Galo, agora sem treinador, até o fim do ano. Depois de ser eliminado da Libertadores pelo Jorge Wilstermann que levou oito do River Plate e da Copa do Brasil pelo Bota de orçamento muito inferior.

Neste cenário é até difícil tratar a Primeira Liga como um título relevante. E ainda há a chance de novo revés como favorito contra o Londrina que está no meio da tabela na Série B. Outro vexame?

Certeza só de que era fiasco anunciado, com o dom de iludir. Mais um. Será que agora aprendemos todos?


Quanto maior o desafio, mais forte e concentrado é o Corinthians
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André Rocha

Mineirão com bom público (45.529 presentes), Atlético Mineiro buscando afirmação, de novo o time desfalcado – embora menos que o esperado, com Guilherme Arana e Maycon em campo. O cenário era relativamente perigoso para o líder Corinthians. A invencibilidade estava em risco.

Mas o que não foi bem entendido no post sobre o empate contra o Flamengo ficou bem claro em Belo Horizonte: quanto maior é o obstáculo, ao menos na aparência, mais concentrado fica o Corinthians. No domingo, o jogo em Itaquera parecia controlado com facilidade pelos problemas técnicos e táticos do adversário. Houve uma desmobilização natural e com as substituições que melhoraram o desempenho do Fla, não era mais possível retomar a força mental. Por isso o sufoco no segundo tempo.

Desta vez um Galo se propondo a resgatar a intensidade na estreia de Rogerio Micale no Mineirão, com Pablo e Gustavo Blanco mantidos depois do triunfo de 2 a 0 sobre o Coritiba, deixou a equipe de Carille atenta e minimizando erros. Como de costume fora de casa neste campeonato – eram seis vitórias e dois empates como visitante.

Até quando o quase sempre preciso Balbuena errou, Fagner estava ligado e dificultou a finalização de Rafael Moura no primeiro tempo. Já quando Arana vacilou no posicionamento pela esquerda, Cássio precisou de sorte para o chute cruzado de Robinho, que entrou na vaga de Elias, não vencer sua meta na segunda etapa.

O Corinthians já vencia o jogo com o 11º gol de Jô em incursão rápida pela direita de Fagner que Maycon preparou para o artilheiro do campeonato. O jovem camisa oito é uma das chaves do equilíbrio e da produção ofensiva. Meio-campista que marca e joga.

Rodriguinho é que não vinha rendendo desde que voltou da seleção e parecia sem mobilidade como o meia central do 4-2-3-1. Sem Jadson e Romero, apesar das atuações mais consistentes de Giovanni Augusto e Clayson em relação ao empate contra o Flamengo, o quarteto ofensivo precisava do desempenho do autor do segundo gol deixando Leonardo Silva no chão.

Uma típica vitória corintiana fora de casa: apenas 42% de posse de bola, mas até finalizando mais, por conta dos espaços proporcionados pelo oponente: 12, quatro no alvo. Também permitiu mais conclusões atleticanas: 15, quatro no alvo. Chance cristalina, porém, só uma. Aquela de Robinho.

Retrato de um time focado, levando tão a sério o já batido discurso de pensar jogo a jogo que a emblemática 19ª rodada chegou e, se não for superado pelo Sport em casa no sábado, será o primeiro “campeão” invicto do turno por pontos corridos com 20 clubes, superando também os 44 do Palmeiras no returno do ano passado.

Não dá para duvidar de mais nada de bom que este Corinthians possa realizar. Quanto mais desafiado, mais forte fica.

(Estatísticas: Footstats)


Empate é o retrato do Atlético Mineiro na temporada. Na hora de decolar…
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André Rocha

Roger Machado seguiu o planejamento traçado para o jogo contra o Botafogo no Nílton Santos: deixou Cazares e Fred, desgastados pela viagem a Cochabamba, no banco de reservas. Também Alex Silva, titular na Libertadores, mas permitindo o retorno do titular Marcos Rocha.

No entanto, com a rodada favorável que poderia dar oportunidade de subir da oitava para a quinta posição, com a mesma pontuação do Palmeiras, e a proposta do Botafogo de, mesmo em casa e com a maioria dos titulares, manter a ideia de jogar reagindo à iniciativa do adversário, tomou conta da partida.

Com Elias ao lado de Rafael Carioca à frente da defesa, Yago e Marlone nas pontas e Robinho solto como atacante circulando pelos flancos e se aproximando de Rafael Moura, o Atlético Mineiro teve a chance de definir o jogo no primeiro tempo com o gol de Marlone em chute que desviou em Emerson Silva e no pênalti desperdiçado por Rafael Moura.

Ou defendido por Jefferson, ídolo alvinegro vindo de inatividade de 14 meses substituindo Gatito Fernández. Melhor em campo e protagonista de um Botafogo sem ideias quando ficou em desvantagem no placar. Ficou com a posse de bola, teve Camilo no início do segundo tempo e depois Guilherme na vaga do extenuado Pimpão e Marcos Vinicius no lugar de Lindoso, mantendo a estrutura tática, porém com jogadores mais ofensivos que se aproximavam de Roger.

Mas criou muito pouco. Se limitou ao abafa com lançamentos e cruzamentos a esmo, rebatidos pela defesa atleticana, que ganhou consistência com Adilson no lugar de Yago – Elias voltou para o lado direito – e desafogo com a dupla Cazares e Fred saindo do banco para qualificar os contragolpes. Só que desta vez o equatoriano entrou descansado fechando o setor esquerdo e mantendo Robinho livre na frente.

Exatamente os dois que desperdiçaram contragolpes no final e consagraram o nome de Jefferson. Também deram a sensação de que o Galo havia dado chances demais ao time da casa, que não costuma desistir. No pênalti sobre Marcos Vinicius, Victor ainda fez a defesa na cobrança de Roger, mas nada pôde fazer no rebote que sua retaguarda não conseguiu afastar. Outro vacilo. Nos acréscimos.

Foi a terceira finalização no alvo do Bota em dez tentativas. O Galo chutou seis que fizeram Jefferson brilhar, num total de nove. Claro que houve muitos méritos do arqueiro veterano, ainda mais retornando depois de tanto tempo. Mas é impressionante como o Galo de Roger perde oportunidades de se afirmar na temporada.

Mesmo com título estadual, melhor campanha na fase de grupos da Libertadores e com vantagem para a volta das quartas da Copa do Brasil contra o próprio Botafogo (se repetir o 1 a 1 estará classificado), não desperta confiança no desempenho. É capaz de oscilar dentro das partidas. A combinação técnico promissor + elenco qualificado ainda não conseguiu dar a liga que prometia.

O Atlético podia entrar no G-6 – o Santos venceu o São Paulo na Vila Belmiro e subiu para quarto. Ficou em oitavo com o gosto amargo de dois pontos perdidos pelas circunstâncias da disputa em Engenho de Dentro. Um retrato da equipe em 2017.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras e Galo: oscilações que minam a confiança longe de casa
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André Rocha

O Atlético Mineiro de Roger Machado encontrou há algum tempo uma estrutura com o quarteto ofensivo formado por Elias, Cazares, Robinho e Fred. Sofre, porém, com os desfalques na retaguarda. Especialmente Marcos Rocha, que nunca foi exímio defensor, mas encontra menos dificuldades que Alex Silva.

Em Cochabamba, o ex-lateral do América-MG penou contra o brasileiro Serginho, depois Ruddy Cardozo. E ainda cometeu um pênalti, desses autorizados pelas novas orientações da FIFA, saltando com o braço aberto e a bola batendo em sua mão.

Uma atuação catastrófica. Pelo seu setor saiu a cobrança de lateral na área, não a usual dos últimos tempos, mas um lançamento para Bergese finalizar e Álvarez acertar de bicicleta no rebote do corte de Gabriel sobre a linha.

O 4-2-3-1 atleticano que está se tornando comum no futebol brasileiro, com um meio-campista (Elias) de um lado e um atacante (Robinho) do outro, consegue ter fluência na frente quando chega em bloco.

Mas na altitude de 2600 metros na Bolívia ficou mais complicado e muitas vezes se viu Elias mais preso para não ter que infiltrar na frente e Robinho nem sempre voltando e ficando na frente com Cazares e Fred, que também produziram pouco.

Foram 13 finalizações, uma a mais que o time da casa. Incluindo a cabeçada na trave de Rafael Moura, que entrou na vaga de Fred. Mas apenas uma na direção da meta de Olivares. O Galo deve ser mais eficiente em Belo Horizonte, ainda mais se forçar as jogada aéreas, ponto fraco dos bolivianos.

Deixou, no entanto, uma impressão de que um pouco mais de confiança, mesmo diante de um time que é reconhecidamente forte em seus domínios, com vitórias sobre Palmeiras, Tucumán e Peñarol, poderia ter rendido ao menos um ponto e serenidade para a volta.

Porque, apesar da melhor campanha geral na fase de grupos, este Atlético de Roger oscila demais. Não apresenta consistência para se impor independentemente do contexto, mesmo com a recuperação no Brasileiro, subindo seis posições com a vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro no clássico e voltando à primeira página da tabela. Sem contar a vantagem construída em casa sobre o Botafogo nas quartas de final da Copa do Brasil.

Mesmo caso do Palmeiras, quarto colocado na competição nacional, ainda vivo na Copa do Brasil. Mas inconstante a ponto de cumprir boa atuação na primeira etapa em Guayaquil. Mesmo sem Guerra, que voltou ao Brasil para cuidar do filho hospitalizado por afogamento. A transição ofensiva ganhava qualidade com Dudu e encontrava Willian para finalizar. Como na melhor oportunidade dos primeiros 45 minutos em chute cruzado.

Cuca trocou Zé Roberto, escalado no meio-campo para Juninho cumprir a função de lateral-zagueiro pela esquerda tão prezada por Cuca, por Roger Guedes. Michel Bastos e Keno entraram nas vagas de Dudu e Borja. Ou seja, trocas em todo o ataque. Para se defender mais que o recomendável, permitindo que o time equatoriano rondasse a área, terminando a partida com 56% de posse.

Até achar o gol de Jonatan Alvez no chute que desviou em Thiago Santos, o volante “cão de guarda” que virou titular. Na oitava e última finalização do time mandante, o dobro do campeão brasileiro – três no alvo para cada lado.

A questão é que o jogo alviverde não flui, nem tem ao menos a capacidade competitiva do ano passado, apesar dos 24 desarmes certos contra apenas nove do Barcelona. E o contexto para o duelo final em São Paulo poderia ser pior, caso o árbitro houvesse marcado pênalti no toque de braço de Mina.

O que é preocupante para a volta no Allianz Parque é que, ao contrário do Jorge Wilstermann, o Barcelona mostrou força como visitante na fase de grupos. Inclusive vencendo o líder Botafogo no Estádio Nilton Santos. Exatamente quando o alvinegro tentou mudar sua maneira de jogar e saiu para propor o jogo. Acabou surpreendido como o Palmeiras não tem o direito de repetir por sua capacidade de investimento. Sair nas oitavas do torneio continental seria um fracasso para repensar tudo.

É possível virar no modo “Porco Doido” empurrado pela torcida pode fazer em 90 minutos o que alcançou em vinte ao buscar três gols  e o empate contra o Cruzeiro. Mas há o risco exatamente por Cuca ainda não ter construído uma equipe confiável. Intensa e constante. Sem Gabriel Jesus, Moisés, Vitor Hugo e tempo para treinar e ajustar o elenco muito heterogêneo fica bem mais complicado.

A missão é acessível para Palmeiras e Galo, apesar do calendário massacrante. Até agosto é obrigatório oscilar menos para que as equipes cheguem mais inteiras nos jogos que, no pior cenário, podem custar a temporada.

(Estatísticas: Footstats)


Até quando o acaso vai proteger o Atlético Mineiro?
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André Rocha

“O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”. A canção “Epitáfio”, dos Titãs, foi escolhida por Carlos Alberto Parreira para ser o tema da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2006.

O prenúncio do que viria como punição pela bagunça da preparação midiática em Weggis: o favorito absoluto antes do torneio que acreditou que só o talento bastava foi subjugado pelo futebol coletivo da equipe do gênio maior daquele Mundial: Zinedine Zidane.

Corte para 2016. Dez anos depois, o Atlético Mineiro de Marcelo Oliveira certamente trabalha bem mais sério na Cidade do Galo. É terceiro colocado no Brasileiro com chances de título por ainda enfrentar Palmeiras e Flamengo, em casa.

Mas se tem qualidade individual na frente acima da média brasileira, defensivamente parece sempre jogar de forma aleatória, entregue à própria sorte.

Sem controle seria a melhor definição. Mesmo com Rafael Carioca, um volante de passe certo e que sabe ditar o ritmo, Marcelo Oliveira segue padecendo dos mesmos problemas dos tempos de Palmeiras: seu time não retém a bola em momentos importantes do jogo.

A intensidade dos tempos de Cuca e que seguiram como herança para Levir Culpi continuam como marca do Galo. Importante no futebol atual. Mas a solução das jogadas não precisa ser tão rápida. Muitas vezes apressada.

O time mineiro até tem bons números no Brasileiro em passes. É o quinto que mais acerta entre os 20 da Série A. Na posse de bola também só fica atrás de quatro equipes. Mas é muito mais em função do volume de jogo e da proposta ofensiva dentro ou fora de casa que acuam o rival do que por uma estratégia mais equilibrada e uma equipe com linhas mais próximas.

A torcida se habituou com as conquistas recentes e tem fé na força do ataque, que já foi às redes 44 vezes e só fica atrás do Palmeiras, ataque mais positivo, e do Santos na relação finalizações/gols. Precisa de não mais que sete conclusões para ir às redes.

É time que “fede” a gol e compensa os 36 sofridos – só sete times foram mais vazados no Brasileiro. Não por acaso Robinho é o artilheiro do país com 23 em 42 jogos. Onze na principal competição nacional. Um a mais que Fred.

Na vitória sobre o Juventude no Mineirão pelas quartas-de-final da Copa do Brasil, Pratto foi quem decidiu, ainda no primeiro tempo. Não sem sofrimento. Porque o time relaxou e perdeu intensidade na volta do intervalo. Sem volume ofensivo, viu a bola bater e voltar e ser ameaçado pelo organizado time gaúcho comandado por Antonio Carlos Zago.

Ainda mais depois da tola expulsão de Carlos César aos 23 do segundo tempo. Já havia perdido Erazo por lesão na primeira etapa. Mesmo terminando com 59% de posse, permitiu nove finalizações do adversário e só não cedeu o empate que seria trágico para a volta em Caxias do Sul por mais sorte que juízo.

Curiosamente em uma noite de gols marcados fora de casa de Palmeiras, Internacional e Cruzeiro que mantiveram tudo aberto nos confrontos com Grêmio, Santos e Corinthians, respectivamente, foi justamente o Atlético o único a não ser vazado.

Apesar dos muitos problemas coletivos diante de um adversário valente e bem treinado, mas com as limitações técnicas naturais de um time que disputa a Série C nacional. Foi no sufoco, de novo.

Até quando o acaso vai proteger o Galo?

(Estatísticas: Footstats)


E o Galo chegou…com Fred, Robinho e Pratto! O futebol é generoso
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André Rocha

Trabalhar com futebol é apaixonante. Mas às vezes transfere uma certa angústia. Porque somos convocados a opinar sobre o mais subjetivo e imprevisível dos esportes. Não por acaso o mais popular.

O grande embate entre torcedor e jornalista é porque normalmente o apaixonado espera que o profissional avalize a sua visão emocional: se vence ou é campeão não há defeitos ou ressalvas; se o resultado não vem é crise, tudo está errado ou há uma grande conspiração contra o seu time de coração e é obrigação denunciar, mesmo sem provas.

E nós penamos porque mesmo que a intuição nos sugira que algo pode dar muito certo ou ser um retumbante fracasso é dever de ofício tentar racionalizar, buscar indícios, dados que embasem a opinião. Não pode ser “porque sim”.

Mas muitas vezes é “porque sim”. Sim, o Atlético Mineiro que frequentou a zona de rebaixamento reagiu e está a um ponto da liderança. Você leu AQUI que seria muito difícil o time de Marcelo Oliveira funcionar com Robinho, Fred e Lucas Pratto juntos.

Porque o técnico vinha de um trabalho ruim no Palmeiras em desempenho, apesar do título da Copa do Brasil. Time muito espaçado, abusando das ligações diretas e do jogo aéreo. Bola batendo e voltando, defesa exposta. Problemas que se repetiram no início da campanha em seu retorno a Belo Horizonte.

Além disso, o trio de atacantes veteranos parecia uma solução que tiraria velocidade e intensidade na frente, características marcantes nas temporadas vencedoras dos últimos anos. Era improvável que desse certo, ate porque parecia mais que provável uma transferência do argentino para o futebol chinês.

Não foi e vem funcionando. Porque se Marcelo Oliveira é de uma escola menos atual do futebol, mais fiel ao estilo de Telê Santana que antenado aos movimentos de Pep Guardiola, seu jeito tranquilo e agregador conseguiu o que tantas vezes é mais importante que os conceitos do jogo: a capacidade de convencer seus comandados.

Nos 2 a 1 sobre o São Paulo no Morumbi, não foi raro ver Robinho voltando pela esquerda para fechar a linha de quatro na execução do 4-2-3-1. Mas a dupla na frente também ajudou, na pressão e na recomposição. Fred mais adiantado e fixo, Pratto tentando compensar a ausência de Cazares.

Solidariedade. Todos se entregando para não sobrecarregar ninguém. Embalados por um clima nitidamente leve e amistoso. Sem vaidades, com sorrisos. Coisas simples, esquecidas nas análises. Mas fundamentais em qualquer ambiente.

Na transição ofensiva, rapidez e belos lances que já tinham encantado nos 3 a 0 sobre o Santa Cruz. Porque os três estão voando – mérito da estrutura do clube na Cidade do Galo e da sequência menos desgastante de jogos. O técnico conta ainda com a mesma dedicação de Maicosuel, autor do gol de empate antes de Pratto decretar a virada.

Com 60 minutos veio o desgaste natural e Marcelo trocou três peças. Deixou Pratto na frente, reoxigenou  com velocidade. Ainda mais com o retorno de Luan. Também a estreia do venezuelano Otero, que precisa se adaptar ao futebol brasileiro.

Vantagem de contar com elenco numeroso e qualificado. Melhor ainda é dispor de Victor em noite inspirada que segurou a pressão são-paulina na segunda etapa. Ainda o problema de não controlar o jogo, mesmo com um volante que dita ritmo e erra poucos passes como Rafael Carioca. Apenas 37% de posse e 37 bolas rebatidas.

Mas venceu e encostou de vez. O Galo pode ser líder já na próxima rodada, a última do returno. Com Robinho, Fred e Pratto. Competindo e dando espetáculo. Porque, como diz Paulo Autuori, “o futebol é generoso”. Não há fórmula ou receita. Só as tendências nas quais nos agarramos para tatear a razão.

Às vezes acertamos. Mas tolo é quem sonha com a utopia das regras e limites neste esporte que arrebata porque surpreende. Cativa porque não há verdades. Melhor assim.

No 4-2-3-1 do Galo de Marcelo Oliveira, Robinho, Fred, Pratto e Maicosuel formam um quarteto ofensivo que se movimenta e colabora sem a bola para que ninguém fique sobrecarregado. Parecia improvável, mas funciona (Tactical Pad).

No 4-2-3-1 do Galo de Marcelo Oliveira, Robinho, Fred, Pratto e Maicosuel formam um quarteto ofensivo que se movimenta e colabora sem a bola para que ninguém fique sobrecarregado. Parecia improvável, mas funciona (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)

 


Fred no Galo pode dar caldo, mas sem Pratto
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André Rocha

A primeira impressão – feeling, não informação – sobre o acerto de Fred com o Atlético Mineiro, anunciado ontem à noite pelo presidente Daniel Nepomuceno, é que a negociação se iniciou no desentendimento com Levir Culpi no Fluminense e só se confirmou agora por algum fato novo.

Provavelmente uma saída já bem encaminhada de Lucas Pratto. Primeiro pela questão financeira. A dupla e mais Robinho onerariam demais os cofres do clube que tem poder de investimento e estrutura, mas não a tal ponto.

Até porque a resposta no campo não seria tão fácil. O argentino já atuou como um atacante atrás do centroavante no Genoa e no próprio Vélez Sarsfield. Tem 28 anos, não é tão lento. Viável. Mas o primeiro problema de juntar Fred e Pratto seria o posicionamento de Robinho.

Desde o Santos em 2015 e a passagem frustrada pelo Guangzhou Evergrande ficou claro que o camisa sete não consegue mais executar com intensidade e fôlego a função de um ponteiro que precisa voltar para compor a linha de meias, seja no 4-2-3-1 ou 4-1-4-1.

Não por acaso Aguirre e agora Marcelo Oliveira costumam posicioná-lo mais centralizado. Com Fred na equipe, a função que seria de Pratto é de Robinho. Pode até alternar com Cazares pela esquerda quando este retornar da Copa América Centenário. Porém sem tantas atribuições defensivas. Até mais adiantado, mas o técnico não abre mão da referência entre os zagueiros.

Pratto e Fred na frente significam duas linhas de quatro com os meias pelos lados, mesmo velozes, muito recuados. Se o adversário avançar a marcação e forçar a ligação direta atleticana, um dos atacantes pode até ganhar na primeira disputa pelo alto. Mas quem terá a capacidade de acelerar a transição ofensiva? O ataque perderia velocidade. Improvável!

Com Robinho não seria tão mais rápido, mas compensaria em criatividade e habilidade no um contra um.

O destino do argentino deve ser China ou um retorno ao futebol do seu país. Fred tem tudo para chegar com a motivação natural da mudança de ares e a volta a Belo Horizonte. Revelado pelo América, apresentado ao planeta bola pelo Cruzeiro. Pode ser útil ao Atlético com sua vocação de artilheiro e se entender com Robinho, companheiro de seleção brasileira na Copa de 2006.

Deve dar caldo no Galo. Mas sem Pratto.

Com todos disponíveis - exceto Luan, que ainda ficará bom tempo de fora - um possível Atlético Mineiro com Fred teria Robinho e Cazares alternando no centro e pela esquerda e Junior Urso completando o quarteto que alimenta o novo centroavante (Tactical Pad).

Com todos disponíveis – exceto Luan, que ainda ficará bom tempo de fora – um possível Atlético Mineiro com Fred teria Robinho e Cazares alternando no centro e pela esquerda e Junior Urso completando o quarteto que alimenta o novo centroavante (Tactical Pad).


Na estreia de Robinho, o brilho de Cazares. Como escalar os dois no Galo?
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André Rocha

O Estádio Independência queria ver Robinho, mas Diego Aguirre foi cuidadoso e colocou a nova estrela de início no banco. Decisão inteligente.

Alternando intensidade e posse de bola, além da forte jogada aérea, como quer o técnico uruguaio, o Atlético Mineiro foi beneficiado pelo gol logo aos três minutos de Lucas Pratto, completando passe de Marcos Rocha. Depois massacrou o Independiente Del Valle: 63% de posse, nove finalizações contra três – cinco a zero no alvo. Chamaram atenção os 11 desarmes certos para o Galo contra apenas dois.

Mas saltou aos olhos mesmo a dinâmica de Juan Cazares. Centralizado atrás de Pratto no 4-2-3-1, é o meia que pensa correndo. Sem comparações, o equatoriano lembra o santista Lucas Lima pela movimentação procurando a bola, dando opções de passe e fazendo o jogo acelerar. Um primeiro tempo de encantar as retinas, mesmo sem o devido entrosamento.

No primeiro tempo, Cazares ditou o ritmo do Galo intenso e rápido que aproveitou o gol logo no início de Pratto para envolver o Independiente Del Valle (Tactical Pad).

No primeiro tempo, Cazares ditou o ritmo do Galo intenso e rápido que aproveitou o gol logo no início de Pratto para envolver o Independiente Del Valle (Tactical Pad).

Cansou na segunda etapa. A senha para a entrada de Robinho. Totalmente compreensível pelo aspecto físico. O problema foi deixar Patric em campo e despertar a ira da torcida. Frustrou também o espectador que queria ver os dois juntos.

Robinho foi praticamente outro atacante e esvaziou o meio-campo. Aguirre tentou compensar com Junior Urso na vaga de Leandro Donizete, que já tinha cartão amarelo. O time equatoriano ganhou espaços e fez Victor trabalhar. Angulo quase empatou em chute forte, a mais perigosa das três conclusões do visitante na segunda etapa.

A posse do Galo caiu para 57%, não houve controle do jogo. Robinho errou muito, natural por não conhecer os companheiros. Tem crédito e lastro para evoluir. A questão é como escalar a principal contratação da temporada até aqui com Cazares.

É viável. No 4-2-3-1, Cazares pode recompor pela esquerda e ganhar liberdade para articular. Robinho fica com Pratto na frente e nas ações ofensivas procura o lado esquerdo. Infiltra em diagonal e abre o corredor para Douglas Santos. Clayton, por ora, aguarda uma oportunidade. Mas é outra ótima contratação para a temporada.

A referência deve ser o desempenho da primeira etapa na segunda vitória na Libertadores e inserir um Robinho mais pronto para enfim ser o protagonista. Desta vez foi Cazares.

Robinho e Cazares podem alternar pela esquerda e no centro da articulação atrás de Lucas Pratto (Tactical Pad).

Robinho e Cazares podem alternar pela esquerda e no centro da articulação atrás de Lucas Pratto (Tactical Pad).