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A desonestidade de tirar os méritos de Dorival na recuperação do São Paulo
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André Rocha

No Brasil é muito comum dar méritos na vitória e atribuir a culpa em um revés a apenas um personagem, sem considerar o todo. No futebol, o esporte dos elos fracos e fortes, das falhas e lampejos que podem decidir jogos e campeonatos, mais ainda.

Na seleção brasileira atual, todos os méritos são de Tite. Ainda mais para aqueles que rotularam a geração de jogadores como fraca sem perceber que ela era apenas mal treinada. Assim como transferiram para o treinador até os louros do ouro olímpico no Rio de Janeiro por uma suposta interferência no trabalho de Rogério Micale. Uma falácia já rechaçada pelo próprio Tite, simplesmente por ser absurda. Ninguém arma ou arruma uma equipe numa conversa. Sem contar que Micale usou Neymar por dentro no ataque canarinho e o treinador da principal prefere utilizá-lo partindo do lado esquerdo.

Impossível não lembrar do Flamengo campeão brasileiro de 2009. O “time de Petkovic e Adriano”. Imagem reforçada pelo fracasso de Andrade na carreira de técnico de futebol. Mas é inegável que ali havia um sistema tático e uma maneira de jogar que privilegiava o talento da dupla que desequilibrou na reta final daquela competição. Se fosse apenas pelas individualidades, o Fla que teve a dupla e mais Edilson, Alex, Denilson e Gamarra em 2000 teria obrigatoriamente que conquistar todos os títulos possíveis naquele ano. Não foi o caso.

Agora é o São Paulo. De Hernanes e do apoio da torcida apaixonada. No grito e no talento. Para os mais radicais, apesar de Dorival Júnior.

Uma desonestidade, pois se o tricolor do Morumbi acumula cinco jogos sem derrota – três vitórias e dois empates – e, com nove pontos de vantagem sobre o 17º colocado Sport faltando quatro rodadas, pode dizer que está livre da ameaça de rebaixamento, há muito do trabalho do comando técnico.

Porque apoio da torcida existia com Rogério Ceni. Talvez até maior do que agora no que se refere à paixão, pois ela era multiplicada por ter o maior ídolo do clube à beira do campo. Várias vezes o Morumbi esteve lotado. No Paulista, na Copa do Brasil, na Sul-Americana e no início do Brasileiro.

Mas o time não se acertou, também pela inexperiência de Ceni, que deixou o clube eliminado em todas as competições de mata-mata e em 17º no Brasileiro, no Z-4. E aí entra o orgulho de boa parte de torcedores e da mídia ligada ao São Paulo em não admitir o fracasso. Muitos bancaram o sucesso do treinador pelo pensamento mágico de achar que um profissional que é bom em uma função pode ser competente em todas.

Não aconteceu e então agora é mais fácil creditar o desempenho em campo na conta das contratações de última hora, especialmente Hernanes. Não há a mínima dúvida de que os nove gols e as três assistências, além dos 24 passes para finalizações em 18 partidas contribuíram, e muito, para o crescimento da equipe.

Mas olhar para o desempenho individual desconsiderando o coletivo é um dos grandes equívocos do jeito brasileiro de ver futebol. Porque Hernanes é um meio-campista, não um Neymar que no Santos era acionado toda hora, ou precisava vir na intemediária para criar toda a jogada no talento para definir. Aliás, o time que precisou menos de seu poder de decisão foi exatamente o comandado por Dorival.

Talvez a resistência ao treinador seja pelo jeito sério, sem o carisma de outros personagens do nosso futebol. Ou pelo passado mais ligado ao Santos e ao Pakmeiras; por não ter o currículo recheado de conquistas de peso apesar dos bons trabalhos na maioria das equipes que comandou. Quem sabe por algumas escolhas infelizes ao longo da carreira que culminaram no rebaixamento ou em um enorme risco?

A recuperação nas últimas rodadas salvou São Paulo e Dorival do sofrimento. A rigor, o 4-1-4-1 tricolor que deu liga depende muito mais de Cueva do que de Hernanes. O time sentiu muito a falta do peruano, à serviço de sua seleção na repescagem das eliminatórias, nos empates com Chapecoense e Vasco. Pela movimentação às costas dos volantes adversários como ponta articulador que sai da direita para criar as jogadas. Gera também espaços para os companheiros, inclusive o camisa 15.

Dos nove gols marcados, cinco foram na bola parada – três de pênalti e dois de falta. Ou seja, o São Paulo não vive dos lampejos de Hernanes, da jogada iniciada e finalizada pelo meio-campista. É uma equipe que ganhou mais segurança defensiva e trabalha a bola a ponto de proporcionar momentos de espetáculo, com ações ofensivas bem coordenadas. E aí o meia de 32 anos se destaca.

A equipe evoluiu às duras penas dentro de um ambiente político conturbado, de um elenco desigual e muito mexido ao longo da temporada, com a confiança abalada pela temporada ruim. Não é justo atribuir o insucesso de Ceni a este cenário e não reconhecer o valor do trabalho do atual treinador no mesmo contexto. Houve uma melhora de desempenho com a troca de técnico. Na experiência e nas ideias mais claras com métodos para aplicá-las no campo. Só não vê quem não quer.

Fica a dica para as “viúvas” de Rogério, que vai seguir sua vida no novo ofício em Fortaleza: aceitar sempre dói menos.

(Estatísticas: Footstats)

 


Rogério Ceni sabia, ou devia saber…
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André Rocha

Rogério Ceni sabia, ou devia saber…

Que a carga de responsabilidade seria imensa. Que no futebol brasileiro que mais sente do que pensa ele seria cobrado como o ídolo-bandeira-goleiro e não um treinador iniciante. Que não teriam tanta paciência assim. Que seriam capazes da calhordice de esperar o São Paulo entrar na zona de rebaixamento do Brasileiro e usarem como álibi para uma demissão.

Que o período de estudos na Europa poderia não ser suficiente para chegar com conceitos sólidos e métodos definidos para colocá-los em prática de imediato. Que jogar com a intensidade máxima desejada no nosso calendário é praticamente impossível. Que a antipatia que cultivou ao longo do tempo por defender incondicionalmente o clube, sempre com certa arrogância, faria parte da imprensa não ser tão paciente com ele.

Que sua “tropa de choque” de jornalistas-torcedores/fãs não seria capaz de blindagem eterna. Que a diretoria, ainda nos tempos de Carlos Miguel Aidar, já tinha irritado Juan Carlos Osorio com a compra e venda de jogadores durante o Brasileiro.

Que podia fraquejar em suas convicções e jogar mais por resultados que desempenho, como tantos outros treinadores com que trabalhou fizeram – ou foram obrigados a fazer. Que a torcida teria carinho e paciência até o limite, mas não para sempre. Que nossa cultura é imediatista e pode moer até as carnes mais nobres. Até as sagradas.

Rogério Ceni sabia, ou devia saber, que a chance de dar errado era enorme. Que o mercado de treinadores praticamente se fecha para ele no Brasil. Que para ser diretor ou ocupar outro cargo no tricolor do Morumbi só com a troca na direção. Ou talvez ele mesmo sendo presidente. Que o sonho era ambicioso.

Mas acabou. Rogério Ceni sabia, ou devia saber, que ser mito na meta não credencia ninguém à onipotência e à onisciência. Não é licença para todas as funções no futebol. Pena ter descoberto, ou constatado, da pior maneira.


Rogério Ceni e São Paulo: reféns um do outro
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André Rocha

Já está virando rotina: na saída do estádio, jogadores do São Paulo são hostilizados, também dirigentes e o presidente Leco. Só o treinador continua preservado.

Comandante do time eliminado no Paulista, na Copa do Brasil, na Sul-Americana – vexatoriamente contra o minúsculo argentino Defensa y Justicia – e está na última posição antes do Z-4 no Brasileiro. Apenas 52% de aproveitamento na temporada, incluindo os jogos contra pequenos no estadual que costumam mascarar os números.

Tudo isto em um dos clubes mais vencedores do país que vive uma seca de conquistas desde 2012. Qualquer profissional em sua primeira experiência na carreira já teria sido defenestrado e, se morasse na mesma cidade, não sairia na rua sem ser ofendido. Menos Rogério Ceni.

Porque no Brasil, mais uma vez, se confunde o ídolo e o iniciante. O mito e o inexperiente. É assim na carreira de treinador, dirigente, comentarista. “Ah, ele sabe tudo de futebol!” Será? Em qualquer função?

Rogério Ceni começou fiel às suas ideias e ideais. Depois, como mesmo disse, descobriu que os números que valem para a maioria da torcida e da imprensa são os do placar final. Hoje sua equipe não tem cara. É um Frankenstein das ideias de suas referências: Sampaoli, Osorio, Muricy, Autuori…

Deixou de ser envolvente e intensa no ataque, mas não ganhou solidez defensiva a ponto de se tornar mais competitiva. Vive de espasmos, com momentos mais longos de posse estéril e linhas espaçadas.

Personalidade forte e exigente, não lida bem com os equívocos de seus atletas. Também tem dificuldades de reconhecer seus erros e os méritos dos adversários. Nas coletivas parece viver em um mundo paralelo, de derrotas e empates sempre injustos.

A pior notícia para ele é que começando pelo clube com o qual é mais identificado, uma saída fecharia as portas para praticamente todos os times grandes do país. Até pela imagem que construiu, muito fiel ao São Paulo e pouco simpática aos demais, não só aos rivais locais.

A questão interna é ter coragem de demitir o maior ídolo. De novo a mistura das funções. Há dois enormes complicadores: não existe um nome de consenso disponível do mercado e, como Ceni é principiante, não há uma referência anterior para identificar a possibilidade ou não de crescimento no médio/longo prazo. Ou seja, um enorme ponto de interrogação.

O São Paulo segue contratando, dispensando, testando. Fazendo a parelha Série A brasileira de laboratório. À espera da fórmula mágica. Ou de um milagre. O clube é refém de seu técnico-mito, que não tem outra opção a não ser tentar até o limite. Qual será?


Botafogo pode ser boa referência tática para São Paulo de Ceni
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André Rocha

Era consenso nesta segunda-feira que o São Paulo vivia no Morumbi gelado uma daquelas noites indesejadas, nas quais garantir os três pontos é mais importante que jogar bem ou evoluir o modelo de jogo. Coisas do imediatismo do futebol brasileiro.

No caso do São Paulo, nem tanto. Não fosse Rogério Ceni o ídolo treinador novato, certamente já teria caído com as eliminações no Paulista, na Copa do Brasil e, especialmente, na Copa Sul-Americana, com o vexame diante do Defensia y Justicia no Morumbi.

Portanto, os 2 a o sobre o Avaí e os primeiro três pontos aliviam um tanto o ambiente para o clássico diante do Palmeiras, novamente no Morumbi. Mas o desempenho do tricolor na temporada deixa claro que há uma clara dissonância entre o que pretende Ceni e as características das melhores peças do elenco e até a condição anímica no clube.

O São Paulo não conquista um título relevante desde 2012, com a Sul-Americana. Para uma torcida exigente é tempo demais. Contando os reveses seguidos para os rivais, com o alento dos 3 a 1 sobre o Santos na Vila Belmiro, é difícil imaginar essa equipe com confiança para ser protagonista nas partidas, impondo seu modelo de jogo e acuando o adversário em jogos grandes da Série A.

Ceni começou com uma ideia de jogo ousada, com posse e pressão no campo de ataque. Depois tentou equilibrar para sofrer menos gols, chegou a utilizar um sistema com três zagueiros. Para um comandante escrevendo suas primeiras páginas na história do novo ofício, é natural oscilar, experimentar. A inquietação é até saudável.

Então fica a pergunta: por que não uma proposta mais reativa, baseada em bloqueio forte e velocidade na transição ofensiva? Se os zagueiros do elenco sofrem com a sombra de Lugano, ídolo sempre lembrado nas derrotas sem ele em campo, por que não efetivar o uruguaio, mas protegê-lo de forma adequada?

A referência pode ser o Botafogo de Jair Ventura. É mais confortável sem a bola, joga melhor em transição. Por necessidade, segura mais o lado direito com um lateral-zagueiro. No desenho tático, monta um losango no meio-campo que se desmembra em duas linhas de quatro no momento defensivo: um volante abre, o atacante de velocidade retorna do lado oposto e o “enganche” fica mais liberado à frente, próximo ao centroavante.

Pensando na formação utilizada na última partida, Buffarini poderia ficar mais preso, fazendo a cobertura por dentro de Lugano, que teria Rodrigo Caio ao lado e Jucilei na proteção da retaguarda. Junior Tavares seria o lateral apoiador pela esquerda. Do lado oposto, Thiago Mendes, que sofreu ontem uma torção no joelho e preocupa, compensaria o lateral mais preso apoiando mais aberto. Tem vigor e boa chegada à frente.

Cícero seria o jogador que fecharia o centro da segunda linha de quatro com Jucilei e trabalharia com passes longos, como o que achou Marcinho e deste para a finalização de Pratto no primeiro gol. Com isso, Cueva ficaria mais livre para criar, sem atuar como ponta articulador. O peruano já mostrou que rende melhor com liberdade de movimentação, pensando correndo. Sem a bola, ficaria mais próximo de Lucas Pratto.

Para a função do atacante de velocidade que joga de uma linha de fundo à outra, como Pimpão realiza no Botafogo, Luiz Araújo parece ser o mais indicado. Retorna, fecha o setor pela esquerda e busca as infiltrações em diagonal, sendo o alvo para os passes de Cueva e Cícero. É jovem, tem intensidade e chama passes em profundidade. Entrou na vaga de Marcinho e marcou o segundo gol.

O 4-3-1-2 que varia para as duas linhas de quatro sem a bola, inspirado no Botafogo: Thiago Mendes fecharia o lado direito e Luiz Araújo retornaria à esquerda, deixando Cueva mais próximo de Lucas Pratto. Buffarini ficaria mais fixo na lateral direita e Jucilei à frente da retaguarda para proteger o veterano Lugano (Tactical Pad).

O torcedor certamente vai criticar a formação sugerida no campinho, que serve apenas como referência. A fase do São Paulo é daquelas em que o jogador que não está em campo com frequência parece melhor que o titular. O que importa é a proposta de evoluir o desempenho coletivo para que as individualidades voltem a ser potencializadas.

Assim como o Botafogo, o São Paulo pode aproveitar a imagem de não favorito para surpreender os adversários. Vale recordar que na última fase vencedora do clube, o time de Muricy Ramalho também tinha uma proposta mais reativa e pragmática. Com Ceni na meta.

O treinador pode e deve considerar a hipótese de buscar o controle do jogo sem posse, não deixando espaços às costas de sua defesa lenta com marcação tão adiantada. Na grande vitória e melhor atuação da temporada, Luiz Araújo desmontou o sistema defensivo santista na velocidade. Talvez tenha sido o recado, não ouvido, que os ideais nobres e a ideia que o ambicioso e vencedor ex-goleiro tem para marcar sua nova carreira podem ficar para um outro momento.

Até porque Ceni e São Paulo estão num labirinto, reféns um do outro: se o técnico fracassar no clube em que tem identificação única, para onde ir depois? E como o clube pode saber se dispensar o ídolo será melhor, se não há um nome forte e de consenso disponível de mercado, nem a certeza que não haveria margem de evolução da equipe ao longo da temporada?

Rogério Ceni vai ficando e, dentro de sua realidade, tem um bom espelho a seguir. De desacreditado a um dos representantes brasileiros já garantidos nas oitavas-de-final da Libertadores. Superando desconfianças, o Botafogo chegou mais longe que se podia imaginar. Um bom norte para o São Paulo.

Basta ter a humildade de se colocar como o coadjuvante que pode surpreender. Este é o cenário. A decisão, de Ceni.


Análise tática: Ponte Preta e Corinthians desconstroem a “moda” do 4-1-4-1
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André Rocha

Com o sucesso da seleção brasileira sob o comando de Tite, veio a impressão de que o 4-1-4-1 se consolidaria como tendência no futebol brasileiro. Como um dia foi o 4-2-3-1.

Ponte Preta e Corinthians até utilizaram o desenho tático com um volante entre duas linhas de quatro e mais um atacante durante a campanha na fase de grupos do Paulista. Mas bastou chegar os confrontos mais importantes para os treinadores Gilson Kleina e Fabio Carille alterarem o sistema.

Agora são duas linhas de quatro sem a bola que deixam dois jogadores mais adiantados. Para pressionar a saída de bola do adversário, mas também servir como referência para a transição rápida do campo de defesa.

De maneiras distintas, porém. Nos surpreendentes 3 a 0 sobre o favorito Palmeiras no Moisés Lucarelli, a Ponte compactou bem as linhas e não deu refresco ao palmeirense que estivesse com a bola. Pressão para tomar rápido e acelerar buscando o artilheiro William Pottker e Clayson, que saiu da direita para formar uma dupla na frente e criar problemas circulando às costas de Felipe Melo.

Mas sem enfraquecer o setor “abandonado”. Porque Jadson abria para fechar a segunda linha e atacava por dentro, deixando o corredor para as descidas de Jeferson, substituto de Nino Paraíba. Para cima de Zé Roberto, que não contava com o suporte de Dudu.

O Palmeiras de Eduardo Baptista dá a impressão de que confia na posse de bola e no temor que pode causar no oponente por conta de seu elenco de alto nível para o futebol que se joga na América do Sul para não ser atacado.

Só que o time de Campinas atacou e contra-atacou. No ritmo de Fernando Bob, volante elegante que distribui o jogo e aparece na frente. Com Lucca, infiltrando em diagonal para receber linda assistência de Pottker e marcar o segundo gol aos nove.

Porque o primeiro não precisou nem de um minuto para acontecer, com Pottker. Uma blitz na área palmeirense até o desvio do goleador do Paulista ao lado do são-paulino Giberto, com nove. O terceiro com Jeferson após falha grotesca de Zé Roberto. Seis finalizações, cinco no alvo. Três gols. Tudo isso em 33 minutos.

As linhas de quatro da Ponte Preta com todos defendendo no próprio campo, inclusive Clayson e Pottker. Jadson abrindo para bloquear o lado direito e Fernando Bob na proteção da última linha (reprodução TV Globo).

O Corinthians precisou de 45, mais três de acréscimo, no Morumbi para se impor com as mesmas linhas de quatro que adiantaram Rodriguinho para desequilibrar. Primeiro no passe preciso para Jô marcar seu sexto gol na temporada, quatro em clássicos. Depois o chute que Renan Ribeiro não impediu que chegasse às redes no lance final da primeira etapa. Ambos em vacilos de Jucilei, muito lento para a função que exerce na proteção da retaguarda.

A equipe de Carille confia mais no posicionamento. Nem precisa pressionar tanto a bola, porque em seu próprio campo tem os espaços como referência. Permite até o controle da pelota, mas nega brechas ao rival, especialmente na última linha defensiva.

Fabio Carille dá mais liberdade a Rodriguinho no novo desenho tático corintiano. A última linha de defesa segue posicional atrás de outra com quatro jogadores para negar espaços aos adversários (reprodução Premiere).

Bola roubada, a saída em velocidade e em bloco para aproveitar os espaços deixados pelo tricolor que parecia acertar o sistema defensivo. Mas era só a fragilidade dos adversários mesmo.

Rogério Ceni vai sofrendo com a “síndrome do caderno em branco”. Toda experiência como treinador é a primeira. Não foi o primeiro clássico Majestoso, mas este vale vaga na decisão. E seu time falhou. Continua mal posicionado atrás. Só valeu pela honestidade de Rodrigo Caio na anulação do amarelo para Jô, que sequer tocou em Renan Ribeiro. Questão de índole.

No segundo tempo subiu a posse para 62%, fez Cássio trabalhar com oito finalizações contra uma e criou espaços e chances até para empatar. Só que não é fácil vazar o melhor sistema defensivo do país até aqui em 2017 e que deve confirmar em Itaquera a vaga na final estadual.

O Palmeiras diminuiu os estragos na segunda etapa em Campinas. Também porque a Ponte preferiu controlar o jogo sem a posse (terminou com 44%) e administrar ótima vantagem para a volta no Allianz Parque. Mas não irreversível.

Para a volta, a melhor receita parece a mesma da ida: marcar e jogar. Com as duas linhas de quatro que fizeram Corinthians e Ponte mais sólidos e objetivos. Desconstruindo a “moda” do 4-1-4-1. Quarenta anos depois do gol histórico de Basílio, podem fazer novamente a final do Paulista.

(Estatísticas: Footstats)

 


Análise tática – São Paulo 1×1 Corinthians: a última linha e o terço final
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André Rocha

A arbitragem comandada por Vinicius Furlan no Morumbi foi pluripatética, embora menos que a do clássico carioca no Mané Garrincha. Mas o Majestoso reforçou impressões sobre os times neste início de temporada, mesmo com desfalques importantes.

A começar pela fragilidade defensiva do São Paulo de Rogério Ceni que já virou clichê – agora são surreais 20 gols sofridos em 10 partidas no estadual. O duelo com o arquirrival se colocou como um desafio para enfim não ter a meta vazada. O treinador tentou proteger com Jucilei mais plantado, Cícero recuado para garantir mais posse (terminou com 59%) e controle com volante passador.

Velocidade e intensidade no quarteto ofensivo. Tanto para pressionar no momento da perda da bola quanto para acelerar. Thiago Mendes e Wellington Nem alternando entre o lado direito e o centro, Gilberto na referência e Luiz Araújo pela esquerda. Faltou mais visão de jogo e o toque fácil. Também a conclusão precisa do melhor ataque da competição com 24 gols. Desta vez faltou Cueva. E Pratto.

Quando Nem, centralizado, acertou a assistência que fura a defesa, Luiz Araújo parou em Cássio no escanteio que Maicon colocou nas redes e comemorou provocando a torcida corintiana.

Mas depois falhou grosseiramente no posicionamento no gol de Jô. Nem cobriu Araruna no combate a Arana, nem ficou no centro da área junto com Rodrigo Caio na disputa com o centroavante do oponente. Ainda criou uma indefinição para o companheiro de zaga, que não sabia se saía em Rodriguinho ou ficava no centroavante. Nem ao menos se manteve num setor em que pudesse interceptar o cruzamento. Numa zona “morta”, assistiu ao empate e viu seu time murchar.

Maicon não cobriu Araruna, nem interceptou o cruzamento. Ainda criou uma indefinição para Rodrigo Caio – sair em Rodriguinho ou ficar em Jô? Na falha da última linha, o gol corintiano (reprodução TV Globo).

O Corinthians só não aproveitou para construir a virada porque segue sem criatividade e mobilidade na frente com a bola em movimento. Até houve mais revezamento, com os jovens Maycon e Pedrinho trocando de lado, Jadson e Rodriguinho circulando. Mas sem aquele deslocamento que gera superioridade numérica, as triangulações e a infiltração do terço final.

Tudo muito previsível. Piorou com a entrada de Leo Jabá, atacante que parece involuir cada vez que aparece entre os titulares. Já Pedrinho merece mais oportunidades, mesmo perdendo algumas disputas no físico. O time visitante finalizou dez vezes, seis no alvo. Sem chances cristalinas, porém.

Corinthians no último terço: mesmo com os jogadores da linha de meias trocando de posição, o time é previsível no ataque, isolando Jô (reprodução TV Globo).

Mais uma vez, diante do maior volume do adversário, o que garantiu o time de Fabio Carille foi a última linha de defesa bem posicionada. Apesar de um ou outro vacilo de Léo Príncipe, que entrou na vaga de Fagner. Sem os movimentos assimilados, se complicou em algumas coberturas por dentro. Balbuena teve que compensar saindo de sua posição.

Mesmo com espaços às costas do meio-campo por conta de falhas de Gabriel na proteção, o quarteto ofensivo são-paulino teve dificuldades de infiltrar na última linha corintiana quase sempre bem posicionada (reprodução TV Globo).

Mas mesmo com algumas dificuldades de Gabriel na proteção, a defesa conseguiu conter os lances mais agudos. Só não tem os melhores números do Paulista por conta de falhas individuais, como a de Cássio no gol de Maicon. Bem diferente da desorganização são-paulina.

A impressão é de que Ceni pensa futebol com a sua equipe adiantada, fazendo pressão e forçando a ligação direta do rival. Se este consegue transpor esse cerco no próprio campo, tudo fica por conta da rapidez, da qualidade e da intuição de seus defensores. Por isso sofre na última linha.

Sò não penou mais porque o Corinthians tem dificuldades no terço final do campo. Na zona de decisão, onde é preciso ter ideias. Mesmo diante de um sistema defensivo tão caótico. Não por acaso tem média de um gol marcado por jogo na temporada. Ajuda a explicar o 1 a 1. Empate entre os diferentes.

(Estatísticas: Footstats)

 


São Paulo não perdeu para qualquer um e ideias de Ceni precisam de tempo
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André Rocha

Por maior que Rogério Ceni seja para o São Paulo, sua história como técnico é uma página em branco que começa a ser escrita.

Talvez fosse mais simples começar em uma equipe menor ou nas divisões de base. Já que resolveu começar no clube que o tem como maior ídolo, a proposta de jogo poderia ser mais simples, partindo do básico para o mais complexo.

Mas Ceni é ambicioso, como sempre foi na carreira como goleiro-artilheiro. Quer muito e já. O São Paulo resolveu investir no projeto e agora vai precisar de paciência, mesmo em um cenário de seca de títulos e ansiedade do torcedor.

Porque não é fácil se colocar como protagonista nas partidas. Adiantar linhas, trocar passes, empurrar o adversário para trás, criar espaços. É uma escolha que, como qualquer outra, corre riscos. Ainda mais num início de trabalho.

Pior ainda quando encara uma equipe organizada por um treinador que não abre mão de jogar. O Audax de Fernando Diniz qualifica a saída de bola com o recuo de Pedro Carmona e Léo Arthur e envolve na frente com muita movimentação do trio ofensivo e laterais espetados, chegando à frente com velocidade e muita gente.

Letal para Douglas e Buffarini perdidos pela esquerda e expostos pela lenta recomposição. Muito por conta da qualidade do adversário para sair da defesa para o ataque. Porque a premissa da proposta de Ceni é pressionar na frente para quebrar o passe. Coisa que Chávez, Luiz Araújo, Cueva e Wellington Nem, depois Cícero, não conseguiram.

Só com o recuo natural do Audax depois de abrir 2 a 0 em oito minutos com Marquinho e Carmona é que o tricolor paulista ganhou volume e poder de reação. Com Cícero na vaga de Nem, a bola passou a transitar mais pelo meio e encontrou Chávez duas vezes para empatar.

Na segunda etapa a diferença foi a competência da equipe de Fernando Diniz na bola parada com o gol de Felipe Rodrigues. O São Paulo reagiu com João Schmidt na vaga de Douglas, com Rodrigo Caio recuando para a zaga.

Depois Gilberto entrou na vaga de Chávez e aí Ceni teve que abrir mão de sua ideia e partir para uma espécie de “Muricybol” dos seus tempos de tricampeão brasileiro, despejando bolas na área adversária. Muito pelo cansaço de sempre correr atrás do resultado.

Também porque é preciso refletir sobre o contexto brasileiro na hora de pensar num modelo de jogo. O calor e os gramados desgastam mais quem joga na base de pressão e movimentação para criar espaços. Intensidade, porém com pausas de controle de jogo com posse de bola e uma marcação mais compacta no próprio campo.

O São Paulo foi superior na posse (55%) e teve mais que o dobro de finalizações – 27  a 12, dez a sete no alvo. Mas morreu no pênalti em Gabriel Leite que Carmona converteu. De qualquer forma, os 4 a 2 na Arena Barueri não são o fim do mundo, nem razão para Rogério Ceni mudar tudo e rasgar sua proposta, que não é simples. A fase é de aprendizado. Do time em relação à nova forma de jogar e do treinador na nova função. Precisa de tempo.

Acima de tudo, fazer algo tão raro por estas bandas: reconhecer os méritos do vencedor. O Audax foi superior e Fernando Diniz é um técnico mais pronto, que vai aprendendo com os erros sem abrir mão de sua filosofia. Em um país menos conservador quando o assunto é futebol já teria oportunidade num clube de maior investimento.

O São Paulo acreditou em Ceni. Só que a fase dos milagres na meta fazem parte do passado. O comandante ainda não está pronto.

(Estatísticas: Footstats)

 

 

 

 

 


A primeira imagem do São Paulo de Ceni é animadora. Só faltou acabamento
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André Rocha

O analista de futebol trabalha com o momento. Fotografias de cenários. Chamado a opinar quase diariamente, precisa ter uma visão do todo, mas fundamentalmente observar o que está acontecendo e tentar perceber tendências.

A foto da estreia de Ceni trouxe imagens interessantes: linhas adiantadas, pressão sobre o adversário com a bola, velocidade na transição ofensiva. Protagonismo que envolveu o River Plate nos primeiros 45 minutos com a formação considerada titular.

E o novo treinador já mostrou uma prática influenciada por Jorge Sampaoli, um de seus “gurus”: contra apenas um atacante (Lucas Alario), dois zagueiros ficam mais fixos para garantir superioridade numérica atrás – Maicon e Breno. O terceiro, na teoria, seria Rodrigo Caio, que foi adiantado como volante para qualificar a saída de bola à frente da retaguarda.

O uruguaio Rodrigo Mora também é atacante, mas circula mais pelos flancos. Por isso Ceni optou por segurar um pouco os alas Bruno e Buffarini como laterais, fazendo diagonais de cobertura, mas se projetando nas ações ofensivas.

Na frente, destaque para Wellington Nem, canhoto pela direita cortando para dentro. Rapidez e criatividade. Luiz Araujo tentava fazer o mesmo pela esquerda, porém entrando mais na área rival se juntando a Chávez. Em números, um 4-3-3.

Não faltou criatividade, mesmo sem um típico articulador. Cueva é meia que pensa correndo e teve o suporte de Thiago Mendes. Mas com bola retomada na frente, mobilidade e trabalho coletivo o time soube criar espaços.

Sobraram gols perdidos. Desde o pênalti sobre Nem cobrado por Cueva que o goleiro Bologna defendeu logo aos quatro minutos, passando pelas chances desperdiçadas por Luiz Araujo e Chávez. O volume de jogo que encurralou o adversário não encontrou o acabamento para ir às redes.

Trabalho para Michael Beale, auxiliar inglês de Ceni obcecado por fundamentos, precisão técnica. Não vai ensinar ninguém a finalizar, mas pode criar treinos para aprimorar o que for possível.

Foram dez trocas na volta do intervalo, depois Buffarini saiu para a entrada de Foguete. Como quase sempre acontece em amistosos, o jogo perde intensidade e interesse com tantas mudanças.

O River equilibrou, criou oportunidades aproveitando mais espaços entre os setores são-paulinos e o natural desentrosamento. Carimbou as traves duas vezes, inclusive no lance derradeiro com Martínez.

Valeu para Ceni ter a confirmação de que o jovem Shaylon será muito útil e constatar que Lucão está mais maduro na retaguarda. O treinador ainda espera pelo talentoso David Neres, a serviço da seleção sub-20.

Na decisão interminável de pênaltis pela vaga na final do torneio contra o Corinthians, vitória por 8 a 7 nas mãos de Sidão. Mas o resultado é secundário. Importante foi o bom desempenho na primeira etapa. A primeira imagem. Só faltou o acabamento.


São Paulo é a maior incógnita para 2017. Mas pode ser a melhor surpresa
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André Rocha

Ceni_SPFC_Treinador

Rogério Ceni sempre teve liderança, poder de articulação, capacidade de se comunicar, vivência de campo e moral de maior ídolo do São Paulo. Além disso, foi atrás de conhecimento para se qualificar no novo ofício.

Só que a história mostra que nada disso garante o sucesso como treinador. Este que escreve mantém a opinião de que seria melhor começar nas divisões de base ou em um clube menor, para ganhar cancha e se preparar para o desafio de comandar um clube grande.

Logo onde construiu sua história. Logo num período sem conquistas relevantes, com a torcida carente, exigente e esperançosa de que o goleiro vencedor resgatará a rotina de títulos.

O São Paulo é a maior incógnita para a próxima temporada porque não há parâmetros, um currículo anterior para termos noção das possibilidades de Ceni comandando fora de campo.

Mas pode dar muito certo, principalmente pela carta de intenções na escolha de seus auxiliares. Não porque Michael Beale e Charles Hembert são estrangeiros, mas pelo perfil dos profissionais e o que eles podem acrescentar ao nosso futebol.

Especialmente o inglês, ex-técnico do sub-23 do Liverpool. Pelo seu trabalho na base do Chelsea e dos Reds e pela capacidade de ajudar na qualificação dos treinamentos do time. Mas principalmente por uma visão de vanguarda em relação às divisões de base: a necessidade do aprimoramento técnico, de fundamentos, para chegar pronto ao profissional.

Porque em um jogo cada vez mais tático e intenso, a precisão técnica é que define vencidos e vencedores nos detalhes, na chance de gol que não é desperdiçada, no passe certo desde a defesa que constroi a jogada de ataque e não o contragolpe adversário. Com esta visão de futuro, o tricolor do Morumbi pode sair na frente.

Já Hembert inicialmente será uma espécie de interlocutor entre Beale e os jogadores, mas também um gestor responsável por logística e questões burocráticas, com experiência em grandes eventos.

O francês também é treinador, com licença da Football Association. Sua rede de contatos será importantíssima para Ceni, que pretende manter o intercâmbio com o futebol europeu e se manter antenado ao que há de mais atual em todos os aspectos do esporte.

Fica a dúvida se haverá tempo e paciência num país que só respeita os “gringos” e as novas ideias se  o resultado vier imediatamente. Também se Ceni, de personalidade centralizadora, saberá ouvir seus assistentes e delegar poderes nos momentos de pressão.

É um projeto ambicioso, de médio a longo prazo, ainda que os garotos que estão subindo tenham entregado desempenho e títulos na base e possam dar retorno nesta primeira temporada. Especialmente o talentoso David Neres, que já mostrou personalidade e capacidade de desequilibrar na reta final do Brasileiro.

Qualificar o elenco que entregou pouco em 2016 com contratações pontuais. Como Sidão, que chega para repetir no clube o que fez no Botafogo: substituir o goleiro ídolo, o que Denis definitivamente não conseguiu.  Mais os garotos, dosando juventude e experiência pode dar muito certo. Com conceitos, gestão moderna e inteligente dentro e fora de campo. Sem deixar a turbulência política atrapalhar.

Difícil prever o futuro no Morumbi, mas ferramentas não faltam para fazer do São Paulo a melhor surpresa de 2017 no Brasil.

 


O patrão ficou maluco! E não é Black Friday
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André Rocha

Daniel Nepomuceno Galo

Primeiro foi Levir Culpi, demitido do Fluminense faltando quatro rodadas para o final do campeonato.  Entrou o eterno interino Marcão. Todos imaginavam que seria a última dispensa de treinador do Brasileiro 2016.

Mas na rodada seguinte o Internacional trocou Celso Roth por “Lisca Doido”. Para ter a primeira finalização contra o Corinthians em Itaquera aos 15 minutos do segundo tempo. Precisando da vitória.

Agora o São Paulo, depois de garantir Ricardo Gomes no cargo com os 4 a 0 sobre o Corinthians no Morumbi, muda os planos e demite o treinador para dar a primeira oportunidade a Rogério Ceni. Uma clara decisão política porque não há como imaginar o desempenho do ídolo na nova função.

Já o Galo dispensa Marcelo Oliveira antes do segundo jogo da decisão da Copa do Brasil e com o time ainda com chances de G-3 no Brasileiro. Assume Diego Giacomini, da base. Precisou levar um gol “de rachão” de Pedro Rocha e cair a mística de imbatível em Belo Horizonte para acordar.

O que mais impressiona é que, com exceção de Rogério Ceni, nenhum dos substitutos foi escolhido já pensando no planejamento de 2017, o que seria o mais lógico. No caso do Colorado é desespero mesmo.

A visão imediatista de dirigentes, torcedores e jornalistas já é notória, até virou clichê. Mas desta vez os clubes se superaram. Talvez o sucesso de Renato Gaúcho, contratado por apenas três meses e muito próximo de conquistar o título que o Grêmio busca há 15 anos, esteja influenciando nessas decisões intempestivas de contratar a curto prazo. Mas é uma exceção à regra, com todos as suas particularidades.

De tudo que foi dito sobre estas demissões, o que mais chamou a atenção foi a declaração de Daniel Nepomuceno, presidente do Galo: “A gente está vendo o processo. Ah, demitiu, mas demitiu tarde, ah, mas demitiu cedo. Não é simples assim. Nunca é 100%. Para quem acompanha futebol há tantos anos como vocês não é fácil.”

Alguém entendeu?

O patrão ficou maluco! E não é Black Friday…