Blog do André Rocha

Arquivo : rogermachado

Grêmio de Renato sofre com o pior da Era Roger, mas vence no modo “copero”
Comentários Comente

André Rocha

O Grêmio sentiu os desfalques em sua arena. Edilson finaliza melhor e é forte na bola parada, mas não chega tanto à linha de fundo quanto Léo Moura – fundamental para aproveitar o espaço deixado por Ramiro quando vem para o centro.

Já a opção de Renato Portaluppi para a vaga do lesionado Lucas Barrios foi um tanto controversa. Abriu mão do centroavante mais típico, manteve Everton, autor de três gols em Chapecó, no banco e adiantou Arthur para a meia central, Luan voltou a ser “falso nove” e Maicon entrou no meio-campo.

O resultado prático foi um Grêmio rodando a bola, mas sem opções de infiltração além das diagonais de Pedro Rocha, que teve a melhor oportunidade tentando encobrir o goleiro Jean. Mas na maior parte do tempo a posse foi estéril. A pior faceta da Era Roger.

A escolha, inclusive, corrobora a tese de que o trabalho mantém uma linha mestra de conceitos e ideias, com algumas adaptações e reparos do treinador carismático e experiente. Quando não teve Barrios e Bolaños, Renato voltou à configuração típica do seu antecessor, com Arthur fazendo a função que era de Douglas. Desta vez não deu tão certo.

Também pela maior concentração do adversário, efeito colateral do grande futebol apresentado pela equipe gaúcha. As duas linhas de quatro compactas do Bahia de Jorginho negavam espaços, dificultavam as tabelas e triangulações. Mas a equipe visitante também ameaçava pouco, isolando Edigar Junio. Com alguns momentos de aceleração e habilidade com Zé Rafael e Allione pelos flancos.

Melhorou um pouco para o mandante e favorito no segundo tempo com Everton, Fernandinho e Lincoln. Passou a rondar a área em uma zona mais perigosa e chegou a 16 finalizações, contra apenas seis do Bahia. Diminuiu um pouco a posse, de 66% para 61% definindo mais rapidamente as jogadas. Mais Renato Gaúcho.

O gol da vitória veio no melhor estilo “copero y peleador” tão prezado pelos gremistas. Quarenta minutos do segundo tempo. Cobrança de escanteio, desvio e toque de Cortez, que virou titular com a lesão de Marcelo Oliveira. Ala de outros tempos que hoje cumpre função de lateral, primeiro sendo um defensor. Mas apareceu na área para ajudar sua equipe a arrancar três pontos.

A forceps. À la Grêmio. Para alcançar a vice-liderança e já ensaiar uma polarização na disputa da ponta da tabela com o Corinthians. Quem sabe até o dia 25, quando as equipes se encontram também em Porto Alegre?

(Estatísticas: Foostats)

 

 


O toque de midas de Renato Gaúcho no Grêmio
Comentários Comente

André Rocha

Everton substituiu o lesionado Lucas Barrios aos 14 minutos da segunda etapa na Arena Condá. Aos 15 marcou o terceiro gol, no minuto seguinte o quarto e, depois do gol de pênalti de Reinaldo, transformou em goleada um jogo duríssimo até então, definido em bola parada e falhas dos goleiros Jandrei e Marcelo Grohe, aproveitadas por Michel (um golaço!) e Luiz Antonio.

Mais gols de Arthur Caike e Luan para fechar os 6 a 3. O Grêmio chega aos 12 pontos, supera a Chape e está atrás do Corinthians na tabela da Série A. Mas os titulares alcançam 100% de aproveitamento. Os reservas até abriram 2 a 0 sobre o Sport em Recife, mas acabaram sofrendo a virada. A intenção era guardar energias para a volta da Copa do Brasil no Maracanã contra o Fluminense. Nem foi preciso, no primeiro tempo o confronto já estava definido.

Porque Renato Gaúcho parece estar vivendo uma fase de Rei Midas, depois da frustração no Gauchão – o treinador chegou a poupar titulares na Libertadores para priorizar o torneio estadual, mas sequer chegou à decisão. Com tempo para treinar, preparou a equipe resgatando virtudes da arrancada que chegou ao título da Copa do Brasil.

Segue a impressão de que o encaixe do estilo do maior ídolo do clube ao trabalho que Roger Machado deixou foi perfeito. Ficaram os conceitos, o trabalho coletivo, o jogo entre linhas de Luan, o gosto pela troca de passes. Chegou o que faltava: gestão de vestiário, eficiência nas bolas paradas ofensivas e defensivas e mais efetividade no ataque.

O resultado é o melhor futebol praticado no país nos últimos 30 dias. Com Leonardo Moura e Cortez, típicos alas, fazendo o trabalho como laterais, primeiro defendendo e depois atacando. Achando em Michel e Arthur os volantes que compensam as ausências de Walace e Maicon e por vezes até superam em desempenho a dupla do ano passado.

Tem Ramiro como chave tática como um volante aberto pela direita que auxilia Michel e Arthur, abre espaço para Léo Moura e os deslocamentos de Barrios e Luan às costas do lateral esquerdo adversário. Na esquerda, Pedro Rocha voando, infiltrando em diagonal.

Um jogo fluido, bonito de ver, que acelera e cadencia conforme a necessidade. Time inteligente, que encontra soluções de acordo com o que o jogo exige. Ataque mais positivo do Brasileirão, com média de três gols por rodada.

Mérito de Renato, que mantém o discurso boleiro e fanfarrão. Mas em campo há um jogo pensado, que não é construído em coletivos e rachões, na base da intuição. E aí entram a comissão técnica, o setor de inteligência e análise de desempenho. Trabalho em equipe.

Sim, são cinco rodadas. O Grêmio tem Libertadores e Copa do Brasil para desgastar física e mentalmente na sequência da temporada. Mas hoje o que Renato Portaluppi toca vira ouro. Como a entrada de Everton em Chapecó.


Eles não podem errar! A dura transição do mercado de treinadores no Brasil
Comentários Comente

André Rocha

Quando Zé Ricardo chamou Matheus Sávio para dar instruções enquanto a torcida do Flamengo no Serra Dourada pedia a entrada da joia Vinícius Júnior, o treinador sabia que corria riscos por suas convicções.

Afinal, se o time fosse eliminado da Copa do Brasil, independentemente do rendimento do jovem atacante, que entrou muito mal contra o San Lorenzo na traumática derrota na Libertadores, as chances de ser demitido cresceriam exponencialmente.

Mas Sávio, assim como contra o Atlético Mineiro no Maracanã, na estreia do Campeonato Brasileiro, colocou um cruzamento no fundo das redes do goleiro Felipe do Atlético-GO. O choro copioso do jogador foi sintomático. É muita pressão para quem ainda está no início de sua trajetória entre os profissionais.

O mesmo vale para os treinadores. No país do futebol de resultados, o comandante passa de “boa novidade” e “atualizado” para “estagiário” e “rolando lero” a cada semana. Mesmo que a sua equipe esteja organizada e o placar adverso tenha vindo por uma infelicidade na defesa ou chances perdidas na frente.

Ou até se eles se equivocarem, algo absolutamente natural. No mais imprevisível e caótico dos esportes, o que foi treinado baseado em observação e análise pode dar errado por uma noite ruim do atleta e aquela mudança aleatória, mais por conta da intuição, pode terminar em vitória. Para quem tem bagagem já é um desafio, imagine para novatos.

Eles simplesmente não podem errar. Seja Zé Ricardo, Roger Machado, Eduardo Baptista…Mesmo Jair Ventura, com enorme crédito no Botafogo, quando tentou mudar a maneira de jogar contra o Barcelona de Guayaquil no Estádio Nilton Santos e saiu derrotado as críticas vieram pesadas.

A transição no mercado de treinadores é dura. Depois dos 7 a 1 que mandaram Luiz Felipe Scolari para a China e da queda em desempenho e resultados de grifes como Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e até Marcelo Oliveira, apesar dos títulos com Cruzeiro e Palmeiras, um buraco foi aberto para uma leva de profissionais com conceitos atualizados, vendo e pensando o futebol como é jogado nos grandes centros.

Um jogo mais coletivo e que trabalha com informações e gestão na comissão técnica. Menos com carisma e discursos motivacionais. Quando o resultado acontece, tudo isso é louvado. Se não, bate a saudade dos velhos nomes e de fórmulas antigas. Como se o que deu certo na década passada necessariamente dará em 2017.

O cenário é complexo. Dá para contar nos dedos de uma das mãos os treinadores do país que conseguem unir vivência como ex-jogador, conteúdo atual, sensibilidade na gestão de grupo e da comissão técnica. Ou seja, no auge da carreira. O melhor deles está na CBF.

Por conta de todas as dificuldades citadas, as experiências com estrangeiros não foram felizes – vide Diego Aguirre, Ricardo Gareca, Edgardo Bauza, Juan Carlos Osorio, entre outros. Quando estão começando a aprender o idioma para se comunicar já estão passando no RH e voltando para casa.

Simplesmente não há paciência, porque falta convicção para acreditar num projeto de longo prazo. Roger Machado e Zé Ricardo acharam que teriam um pouco mais de paz e respaldo para trabalhar por conta de conquistas nos estaduais. Mas basta uma sequência de resultados ruins e tudo é esquecido.

Ainda mais em clubes dos quais se espera muito. Pela capacidade de investimento e ilusão alimentada por departamentos de marketing e também por nós da imprensa, o torcedor passa a crer que seu time de coração conta com um elenco estelar e que basta o treinador distribuir certo as camisas e não atrapalhar para tudo acontecer.

Não é assim que funciona. Estar atualizado nas ideias e métodos ajuda a não ser surpreendido, a minimizar a aleatoriedade do jogo. Mas não garante nada. Muito menos onde não se valoriza filosofia e identidade, só o placar final e a conquista que vão gerar memes e zoações. Até tudo ser esquecido no próximo jogo.

Por ora, Dorival Júnior é o sobrevivente na Série A, comandando o Santos desde julho de 2015. Já Ney Franco foi demitido do Sport depois de perder a Copa do Nordeste para o Bahia com menos de dois meses de trabalho. Treinadores com rodagem de mais de uma década. Paulo Autuori, com mais de quarenta anos à beira do campo, cansou. “A rotina consome”, explicou. Vai ser gestor no Atlético-PR e abre espaço para Eduardo Baptista.

Paciência não significa ser permissivo e deixar de cobrar o desempenho que chega ao resultado. Os profissionais são bem remunerados para isso. O ponto nevrálgico é o imediatismo, a incapacidade de observar um lastro de evolução, vislumbrar um futuro melhor. Tudo ainda se resume à tentativa e erro. Até acertar. Para ontem.

Enquanto isso, segue a roda vida, a máquina de moer técnicos. Zé Ricardo escapou no gol de Matheus Sávio. Quem será o próximo?


Carille, Zé Ricardo, Roger, Beto Campos: o legado de Tite nos estaduais
Comentários Comente

André Rocha

Objetivamente, nenhum dos quatro treinadores que conquistaram os títulos estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul utilizou o 4-1-4-1 que virou o desenho tático “de cabeceira” de Tite no Corinthians campeão brasileiro de 2015 e agora na seleção brasileira.

Mas as ideias de Adenor Leonardo Bacchi estão lá. As mais marcantes: última linha de defesa posicional no Corinthians de Fabio Carille, ex-auxiliar de Tite. O jogo apoiado, baseado em triangulações pelos lados do campo, mesmo sem tantas incursões por dentro dos ponteiros, no Flamengo de Zé Ricardo, outro que sempre cita o técnico 100% com a seleção brasileira como inspiração.

No Atlético Mineiro de Roger, a capacidade de se adaptar às circunstâncias, propondo ou sendo mais reativo, encaixando um terceiro volante para liberar Elias e tentando dar pausas ao “Galo Doido”. Por fim, um Beto Campos no supreendente Novo Hamburgo que sempre cita o técnico da seleção como referência e faz sua equipe se defender bem, mas também não abdicar do jogo.

Nos quatro discursos, sempre a palavra “mágica”: desempenho. E outra quase tão importante: concentração. Entrar focado nos movimentos coletivos para o time não se espaçar. Força mental para se adequar às dificuldades e ao contexto dos jogos. Ter sempre um norte: jogar bem sempre será o melhor caminho para conseguir vitórias e títulos.

Com méritos, sem atalhos ou subterfúgios, jogando ao natural. Equilibrando ataque e defesa. Entregando mais que só o resultado. Falando do jogo em si, transmitindo conceitos, abertos ao novo. Cada um à sua maneira.

É inspirador ver os pilares de Tite se espalhando entre os treinadores no futebol brasileiro. Nos quatro principais estaduais, o legado do melhor do país terminou em taças.


O que é de Roger, o que é de Renato. O que não é de Marcelo Oliveira
Comentários Comente

André Rocha

Era difícil acreditar na redenção de Renato Gaúcho em um trabalho de três meses. Sem estudo e maiores atualizações para comandar uma equipe trabalhada por Roger Machado em conceitos modernos.

O futebol é espetacular porque não tem verdades absolutas. Foi exatamente na combinação do que o antecessor deixou com o polimento do olhar mais vivido do maior ídolo da história do clube que o Grêmio se arrumou para buscar o título nacional que não vinha há quinze anos.

De Roger, os movimentos já memorizados de apoio ao jogador com a bola, criação de linhas de passe, profundidade, abrir o jogo para espaçar a marcação adversária. De Renato, a gestão de grupo, o carisma que mobiliza, o ajuste defensivo com soluções mais simples, embora se note a compactação dos melhores momentos da campanha surpreendente no ano passado. As correções nas jogadas aéreas. O que era preciso.

Por isso não é justo tirar méritos do atual treinador, mas seria cruel não lembrar da semente plantada por Roger. O resultado prático é um time bem coordenado, com Walace e Maicon qualificando a saída e negando espaços à frente da defesa. Volantes passadores e eficientes.

As linhas de quatro sem a bola deixando Douglas e Luan participando sem a bola mais na pressão sobre os defensores. Ramiro é muito mais um volante que atua aberto e ajuda Edilson a bloquear pelo setor direito e deixou o time um pouco mais equilibrado, sem esvaziar o meio-campo. Já Pedro Rocha é o ponta agudo na transição ofensiva, partindo em diagonal a partir da esquerda para finalizar.

O ponteiro foi o personagem dos 3 a 1 sobre o Atlético no Mineirão que encaminha a conquista tão esperada. Dois gols aproveitando a bagunça defensiva do oponente, uma chance cristalina perdida à frente de Victor e a tola expulsão que trouxe o Galo de volta ao jogo na segunda etapa.

Porque só o acaso, os eventos aleatórios que tornam o futebol tão previsível e apaixonante poderiam recolocar a equipe de Marcelo Oliveira na disputa. O treinador vencedor, bom gestor de grupo, que incentiva o talento e a improvisação de seus jogadores. Mas que não consegue organizar minimamente um sistema defensivo nem fazer seu time controlar o jogo.

Não é raro ver o Galo se defendendo com apenas seis jogadores, setores distantes, sem pressão, com erros graves de posicionamento. Capaz de levar numa decisão de torneio nacional um gol de fim de pelada, o segundo de Pedro Rocha arrancando sozinho e com incrível facilidade.

Aí não há garra de Leandro Donizete, talento de Robinho, presença de área de Pratto, o apoio de Júnior Urso e defesas de Victor que resolvam sempre. Nem o belo gol do zagueiro Gabriel que alimentou uma esperança de novo “milagre”. É claro que Luan, Otero e Fred fizeram falta, mas a facilidade com que o Grêmio atuou, especialmente no primeiro tempo, é inviável no futebol atual. Ainda mais numa final.

O terceiro gol, num contragolpe no final do jogo em bela jogada do ótimo Geromel que encontrou Everton livre é aceitável pelo contexto. Ainda que o time mineiro contasse com um homem a mais. Mas para a volta na Arena do Grêmio parece a pá de cal. Só não dá para garantir a quinta Copa do Brasil do tricolor gaúcho porque isso é futebol.

Até a capacidade de reação do Galo nas conquistas recentes precisa ser relativizada, porque as viradas sempre aconteceram em Belo Horizonte. Como visitante fica quase impossível. Também por conta do que faltou taticamente à equipe de Marcelo Oliveira.

Sobrou o Grêmio. De Renato e de Roger. Moderno e com alma. Com jeito de campeão.

 

 


Rápido e prático, Grêmio passa por cima do Corinthians sem identidade
Comentários Comente

André Rocha

Roger Machado se vira como pode no Grêmio sem Walace e Luan que ofereceram soluções para a seleção olímpica. Já a negociação de Giuliano criou um problema coletivo, pois tirou movimentação e versatilidade do 4-2-3-1 consolidado pelo treinador há mais de um ano.

A resposta nos 3 a 0 em casa sobre o Corinthians foi uma combinação de rapidez e objetividade. Com Maicon qualificando o passe, Douglas articulando para acionar a velocidade do trio Pedro Rocha, Bolaños e Everton. Autores dos gols e deitando e rolando para cima da defesa adiantada do adversário.

Um Corinthians que perdeu identidade. Porque o trabalho de Cristóvão Borges no time paulista é mais um que fica no meio do caminho. É ofensivo, mas não consegue controlar o jogo e manter o adversário longe da própria área com posse de bola. Nem ser letal transformando boa parte das oportunidades em gols.

Defensivamente, perdeu o ótimo posicionamento da última linha, com coberturas precisas porque os jogadores ficavam mais próximos. A pressão obsessiva logo após a perda da bola seria o remédio. Mas o calor e a cultura do jogador brasileiro são impecilhos.

Linhas adiantadas e expostas ao oponente com tempo para o passador definir a melhor jogada é suicídio. E o Corinthians vem morrendo, principalmente fora de casa. Porque falta consistência. Em todos os setores.

Balbuena e Yago não são velozes, nem se garantem no confronto direto com os atacantes. Na frente, a produção do quarteto ofensivo Marquinhos Gabriel-Giovanni Augusto-Romero-André até proporciona chances. Fizeram de Geromel e Marcelo Grohe dois dos melhores em campo. Mas não ferem o rival.

Em Porto Alegre foram 59% de posse e 22 finalizações contra 12. O Grêmio acertou 27 desarmes, dez a mais que o Corinthians. Nove finalizações na direção da meta de Cássio. Três nas redes, volta ao G-4. Com um jogo a menos.

Compensando dois empates com América e Santa Cruz. Porque esse time disponível para Roger, por ser tão prático e vertical, sofre para criar espaços. O Corinthians sem cara de Cristóvão os ofereceu de bandeja.

(Estatísticas: Footstats)


Grêmio: o trabalho mais longo na Série A pode fechar turno na liderança
Comentários Comente

André Rocha

O Grêmio foi o grande vencedor da 16ª rodada da Série A do Brasileiro. Três pontos contra o São Paulo na sua arena combinados com derrota do Palmeiras e empate do Corinthians em casa colocaram a equipe gaúcha a dois pontos da liderança.

Além da vitória, a boa notícia foi a atuação consistente, apesar do gol solitário de Douglas no rebote de Denis. Foram 26 finalizações contra oito, onze a zero no alvo, que fizeram do goleiro Denis o melhor em campo.

Mesmo sem Luan e Walace na seleção olímpica e Giuliano, que partiu para o Zenit. Também o suspenso Marcelo Oliveira. Com o retorno de Miller Bolaños e a inclusão de Negueba.

Com Giuliano, um meia que saía da ponta e circulava às costas dos volantes ajudando Douglas na articulação. A entrada de Negueba, em tese, acrescenta velocidade, mas tira mobilidade. A solução foi alternar com Everton pelos flancos.

Porque Roger Machado tem conteúdo tático, mas também conhecimento do clube e, principalmente, tempo de trabalho. Nem tanto assim, cerca de quatorze meses. O suficiente, porém, para ser o mais longo da primeira divisão brasileira. Pouco à frente de Vagner Mancini, Ricardo Gomes e Dorival Júnior.

As oscilações são naturais. Quando sequer disputou a decisão do estadual e foi eliminado na Libertadores, a impressão era de que o técnico não resistiria à roda viva que fez nova vítima hoje: Paulo Bento, depois de 17 partidas no comando do Cruzeiro e ainda se adaptando à realidade do futebol brasileiro – cobranças e desconfiança demais, poucos dias para trabalhar com jogos a cada três dias.

Roger sobreviveu, porque a diretoria gremista resistiu à tentação do “fato novo” para “chacoalhar” o elenco. Dá certo em um entre dez casos, mas ainda acreditam na fórmula. Erram na contratação e na hora de demitir. Porque falta convicção.

O Grêmio acreditou e pode ser recompensado com a liderança nas próximas três rodadas, fechando o turno: visita o América no Independência, recebe o Santa Cruz e sai novamente contra o Botafogo.

É possível sonhar com nove pontos antes do duelo decisivo em Porto Alegre diante do atual campeão Corinthians, que pena na transição de Tite para Cristóvão. O Palmeiras sem Fernando Prass e Gabriel Jesus durante os Jogos Olímpicos ainda é uma incógnita. .

Qualquer vacilo da dupla paulista e o tricolor gaúcho chega ao topo. E mesmo que não consiga, a campanha sólida é um exemplo saudável de confiança na seqüência, no progresso contínuo de uma ideia de jogo.

Uma questão de lógica: se não há tempo para treinar e existe sempre o risco de perder peças ao longo da temporada – seleção, janelas, suspensões e lesões – é menos complicada a adaptação para um time ajustado e com proposta assimilada, sem um técnico caindo de paraquedas.

Até porque não seria justo Roger Machado pagar pelo próprio sucesso inesperado no ano passado, com o time que, em tese, lutaria para não cair disputando o título e terminando no G-4.

Um sopro de trabalho correto e profissional na nossa insana máquina de moer condicionada ao resultado do próximo jogo. Nem tudo é imediatismo no Brasil.

(Estatísticas: Footstats)


Grêmio de Roger e Luan guarda os passeios para o Galo em Belo Horizonte
Comentários Comente

André Rocha

Foi a melhor atuação do tricolor gaúcho em 2016. Há quase um ano, aconteceu no Mineirão: 2 a 0 e golaço de Douglas em contragolpe de manual. Contra o mesmo Atlético Mineiro. Desta vez no Independência.

Não exatamente o mesmo Galo. Agora um time despedaçado pelos desfalques e apenas a segunda partida de Marcelo Oliveira no comando. Qualquer análise, mesmo para um revés de 3 a 0 em casa, precisa ser relativizada.

O único drama de Roger Machado, completando 12 meses como treinador no clube, foi a seqüência de lesões em 36 minutos: Fred, Henrique Almeida e Marcelo Oliveira. Difícil acreditar que apesar disso a atuação na primeira etapa foi impecável.

Primeiro controlando a pressão inicial de costume do adversário no Horto. Depois trocando passes e movendo as peças como esta equipe foi pensada e treinada. Sem referência no ataque. Sem Bobô tomando os espaços dos deslocamentos.

Com Luan em noite espetacular. A mesma em que Dunga convocou Kaká para a vaga de Douglas Costa. Corte de um jogador importante e um embaixador no lugar. O jovem atacante deitou e rolou circulando por todos os setores e marcando dois gols. O outro foi do lateral esquerdo antes de deixar o campo contundido.

Douglas voltou bem na articulação, Walace e Maicon ditaram o ritmo, Edílson marcou e atacou em atuação correta. Só Giuliano destoou no belo desempenho coletivo. Objetividade foi a marca: nove finalizações, seis no alvo, três nas redes.

Porque o Grêmio de Roger e Luan parece guardar os passeios para as visitas ao Galo em Belo Horizonte.

(Estatísticas: Footstats)


Miller Bolaños: velocidade e eficiência para o Grêmio mudar de patamar
Comentários Comente

André Rocha

Miller_Bolanos_Gremio

O time de Roger Machado pagou no início do ano pela própria competência na campanha improvável no Brasileiro 2015. A equipe comandada por Felipão que parecia fadada a apenas lutar para não cair e com o treinador novato vislumbrava com otimismo a primeira metade da tabela fez muito mais.

A vaga na Libertadores, o futebol com conceitos atuais e momentos de beleza combinados com a carência de títulos relevantes na década criaram expectativa de respostas imediatas. Mas Roger perdeu Rafael Galhardo e Erazo na defesa e o desfalque de Walace no meio complicou a proteção e a saída de bola. As oscilações são absolutamente naturais.

Para render em alto nível, só jogando no limite. Para mudar de patamar era preciso uma busca certeira no mercado, por conta do momento de readequação financeira do clube e as poucas opções disponíveis neste cenário.

Miller Bolaños. Atacante móvel, porém finalizador. 57 gols pelo Emelec desde 2013, 25 no último campeonato equatoriano. Não é craque, mas pode executar as quatro funções ofensivas na execução do 4-2-3-1.

Para não mexer tanto na estrutura, Roger abriu Luan pela esquerda e deixou Miller adiantado na estreia contra a LDU. Na Arena do Grêmio, a pressão pela vitória depois da estreia frustrante no México virou marcação adiantada e obsessiva. No ataque, mobilidade e boa técnica, apesar do natural desentrosamento com o “fato novo”.

Volume de jogo que os conterrâneos de Bolaños resistiram apenas por 11 minutos, até o gol de Maicon. Assistência do Luan contestado pela torcida no protesto das pipocas. O Grêmio que ainda não confia na retaguarda ainda buscando ajustes recolheu as linhas, atraiu o adversário e cedeu espaços.

Flagrante do Grêmio em duas linhas de quatro e mais Douglas no próprio campo negando espaços à LDU. O contestado Luan fechando o setor esquerdo (reprodução Fox Sports).

Flagrante do Grêmio em duas linhas de quatro e mais Douglas no próprio campo negando espaços à LDU. O contestado Luan fechando o setor esquerdo (reprodução Fox Sports).

No contragolpe, Luan arrancou pelo centro e serviu Miller. Letal e preciso para encaminhar a vitória e manter o clima de confiança na Arena. Primeiro tempo de 46% de posse gremista, mas nove finalizações contra quatro.

Com Miller Bolaños, o quarteto ofensivo ganhou ainda mais mobilidade e poder de fogo. LDU tentou criar superioridade numérica no meio com o losango, mas faltou intensidade (Tactical Pad).

Com Miller Bolaños, o quarteto ofensivo ganhou ainda mais mobilidade e poder de fogo. LDU tentou criar superioridade numérica no meio com o losango, mas faltou intensidade (Tactical Pad).

Objetividade que continuou sendo a tônica na volta do intervalo. Ainda mais com a vantagem numérica depois da expulsão de Romero logo no primeiro minuto que obrigou Claudio Borghi a reorganizar sua equipe no 4-4-1.

As substituições não diminuíram a lentidão e as fragilidades defensivas. A posse dos visitantes subiu para 56%, mas nenhuma finalização na direção da meta de Marcelo Grohe. Também pelos 26 desarmes corretos da equipe brasileira.

O tricolor gaúcho recuperou intensidade e voltou a acelerar na transição ofensiva com Everton e Henrique Almeida. Os autores dos outros gols que construíram os 4 a 0 e mostram que o elenco ganhou reposição de qualidade na frente sem precisar recorrer com freqüência a Bobô como referência.

O Grêmio seguiu intenso e rápido com Henrique Almeida e Everton para envolver a LDU que tentou atacar com as substituições, mas não deixou de ser frágil e lenta com um homem a menos depois da expulsão de Romero (Tactical Pad).

O Grêmio seguiu intenso e rápido com Henrique Almeida e Everton para envolver a LDU que tentou atacar com as substituições, mas não deixou de ser frágil e lenta com um homem a menos depois da expulsão de Romero (Tactical Pad).

Miller Bolaños é a diferença. Ou será com a seqüência de jogos. A melhor atuação coletiva em 2016 na estreia do equatoriano não é acaso. As características ajudam o entendimento com Giuliano (ponta articulador), Douglas (meia cerebral) e Luan (atacante agudo).

Velocidade e eficiência para o Grêmio resgatar a confiança que abre caminho para a evolução na Libertadores e na temporada. Os planos podem ser mais ambiciosos.

(Estatísticas: Footstats)


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>