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Pachuca na semifinal! Mas o grande adversário do Grêmio segue o mesmo
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André Rocha

Sem meias palavras: foram 120 minutos duros de assistir. No primeiro tempo de Pachuca x Wydad Casablanca em Abu Dhabi, a FIFA teve que inventar uma finalização que, a rigor, foi um cruzamento na direção do gol. O time mexicano não conseguia criar espaços, apesar de propor o jogo. O time ainda sente muita falta do jovem meia Hirving Lozano, negociado com o PSV Eindhoven. O marroquino, campeão africano, tinha espaços, mas não conseguia concatenar contragolpes, muito menos acionar a estrela Bencharki na frente.

Mesmo com o Wydad contando com apenas dez homens desde os 24 minutos da segunda etapa, após a expulsão do volante Nakach, o gol do Pachuca só saiu aos seis do segundo tempo da prorrogação. Quando, enfim, o uruguaio Urretaviscaya chegou ao fundo pela direita com liberdade para colocar na cabeça de Victor Guzmán.

Subindo por trás de Franco Jara, o centroavante de referência que entrou no segundo tempo na vaga de Ángelo Sagal, o chileno que foi o atacante móvel à frente do japonês Keisuke Honda no 4-2-3-1 montado pelo treinador Diego Alonso na formação inicial.

Nada demais. Mas os times que chegam às semifinais contra os campeões europeu e sul-americano dificilmente impressionam. Só que nos últimos tempos, no caso do confronto com o campeão da Libertadores, isto vem contando a favor.

Porque já passou pela estreia e o que podia restar de tensão vai embora com o confortável status de “zebra”. E se havia alguma obrigação de vencer no primeiro jogo, agora a condição é de franco atirador. Nada a perder.

Ou seja, a responsabilidade estará toda com o Grêmio. Desde a criação do Mundial de Clubes da FIFA, todos os brasileiros encontraram dificuldades na semifinal. Mesmo o Santos nos 3 a 1 sobre o Kashima Reysol em 2011 não atropelou, teve períodos de jogo controlado pelo adversário. Internacional e Atlético Mineiro ficaram pelo caminho em 2010 e 2013. Na última edição, o Atlético Nacional sequer conseguiu se classificar contra o Real Madrid. Atropelamento do Kashima Antlers por 3 a 0.

Para o Grêmio não correr riscos de vexame é importante manter a força mental e encarar como um jogo decisivo, sem assumir mais responsabilidades do que o contexto exige. Entrar com personalidade e foco no jogo. Renato Gaúcho deve exigir de seus comandados que sequer passe pela cabeça a intenção de poupar energias e evitar contusões pensando na grande decisão. É semifinal e deve ser tratada com esse peso, mesmo com todo favoritismo.

O campeão da CONCACAF  entra na rota do tricampeão da América. Mas para seguir no sonho de fazer o planeta azul pela segunda vez, o grande adversário do Grêmio segue o mesmo: os próprios nervos.

Pachuca no 4-2-3-1 com dificuldades para criar espaços, tentando acionar Urretaviscaya para acelerar pela direita. Mesmo com a expulsão no segundo tempo de Nakach, volante do 4-2-3-1 do Wydad Casablanca. Mas contra o Grêmio o time mexicano deve encontrar mais espaços para jogar (Tactical Pad).


Alex Muralha não tem culpa. Nem agora, nem se jogar em Barranquilla
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André Rocha

Sim, soa cruel e até oportunista a afirmação, mas não é possível mais fugir da constatação de um fato: Alex Muralha hoje é o pior goleiro das duas principais divisões do futebol brasileiro. Uniu suas muitas limitações com uma falta de confiança assombrosa. Ou uma maneira suicida de mostrar que tem valor. Como na tentativa de drible em Ricardo Oliveira que terminou no gol de Bruno Henrique, na derrota do Flamengo de virada para o Santos por 2 a 1 na Ilha do Governador.

O segundo, de Arthur Gomes num chute defensável que mais uma vez Muralha deixou passar. Como permitiu que o cruzamento de Jony González encontrasse Teo Gutierrez no gol do Junior de Barranquilla. Como não defendeu nenhuma cobrança de pênalti dos cruzeirenses na final da Copa do Brasil em uma estratégia até hoje não bem explicada – se partiu apenas do goleiro ou foi combinada com a comissão técnica – até porque, como diz o dito popular, “filho feio não tem pai”. Como nas falhas contra o próprio Santos pela Copa do Brasil nos 4 a 2 na Vila Belmiro. Como tantas outros erros em um 2017 catastrófico.

Por que o goleiro ainda está em campo prejudicando o Flamengo? As lesões de Tiago e Diego Alves explicam em parte. Mas já era para o clube ter providenciado um Plano B para não precisar recorrer ao atleta tão contestado. Por muito menos outros jogadores já deixaram o Flamengo, até para preservar sua integridade física.

Não, não é exagero temer que, em tempos tão malucos, alguém tente e consiga agredir ou até fazer coisa pior com Muralha e/ou algum familiar. Mas será que a culpa é dele?

Em relação ao desempenho, é óbvio que a maior responsabilidade é do profissional. Principalmente em erros tolos e básicos. Mas a maior cobrança deve recair sobre quem deduziu que ele era um goleiro para ser titular absoluto do Flamengo, com um jovem na reserva. Sem sombra. Mais ainda sobre quem ainda o mantém no elenco e, pior, escala em partidas importantes. Devem ser cobrados, mas sem violência. É bom reforçar.

Era jogo para dar ritmo e confiança a César, formado nas divisões de base, que ainda pode ser inscrito no torneio continental e, por isso, precisaria de ritmo de competição. Jovem, não é garantia de segurança em Barranquilla em um jogo decisivo. Tiago falhou na primeira final da Copa do Brasil, convém lembrar.

Mas a menos que o futebol proporcione uma das mais improváveis redenções da história do esporte, é melhor arriscar uma incógnita do que bancar uma quase certeza de insucesso. Não é absurdo imaginar uma derrota por 2 a 1 e nova decisão por pênaltis.

Se o Flamengo for eliminado novamente com Muralha em campo a culpa não será dele. O aviso foi dado hoje. Os responsáveis que tomem a decisão mais lógica até quinta-feira.


A desonestidade de tirar os méritos de Dorival na recuperação do São Paulo
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André Rocha

No Brasil é muito comum dar méritos na vitória e atribuir a culpa em um revés a apenas um personagem, sem considerar o todo. No futebol, o esporte dos elos fracos e fortes, das falhas e lampejos que podem decidir jogos e campeonatos, mais ainda.

Na seleção brasileira atual, todos os méritos são de Tite. Ainda mais para aqueles que rotularam a geração de jogadores como fraca sem perceber que ela era apenas mal treinada. Assim como transferiram para o treinador até os louros do ouro olímpico no Rio de Janeiro por uma suposta interferência no trabalho de Rogério Micale. Uma falácia já rechaçada pelo próprio Tite, simplesmente por ser absurda. Ninguém arma ou arruma uma equipe numa conversa. Sem contar que Micale usou Neymar por dentro no ataque canarinho e o treinador da principal prefere utilizá-lo partindo do lado esquerdo.

Impossível não lembrar do Flamengo campeão brasileiro de 2009. O “time de Petkovic e Adriano”. Imagem reforçada pelo fracasso de Andrade na carreira de técnico de futebol. Mas é inegável que ali havia um sistema tático e uma maneira de jogar que privilegiava o talento da dupla que desequilibrou na reta final daquela competição. Se fosse apenas pelas individualidades, o Fla que teve a dupla e mais Edilson, Alex, Denilson e Gamarra em 2000 teria obrigatoriamente que conquistar todos os títulos possíveis naquele ano. Não foi o caso.

Agora é o São Paulo. De Hernanes e do apoio da torcida apaixonada. No grito e no talento. Para os mais radicais, apesar de Dorival Júnior.

Uma desonestidade, pois se o tricolor do Morumbi acumula cinco jogos sem derrota – três vitórias e dois empates – e, com nove pontos de vantagem sobre o 17º colocado Sport faltando quatro rodadas, pode dizer que está livre da ameaça de rebaixamento, há muito do trabalho do comando técnico.

Porque apoio da torcida existia com Rogério Ceni. Talvez até maior do que agora no que se refere à paixão, pois ela era multiplicada por ter o maior ídolo do clube à beira do campo. Várias vezes o Morumbi esteve lotado. No Paulista, na Copa do Brasil, na Sul-Americana e no início do Brasileiro.

Mas o time não se acertou, também pela inexperiência de Ceni, que deixou o clube eliminado em todas as competições de mata-mata e em 17º no Brasileiro, no Z-4. E aí entra o orgulho de boa parte de torcedores e da mídia ligada ao São Paulo em não admitir o fracasso. Muitos bancaram o sucesso do treinador pelo pensamento mágico de achar que um profissional que é bom em uma função pode ser competente em todas.

Não aconteceu e então agora é mais fácil creditar o desempenho em campo na conta das contratações de última hora, especialmente Hernanes. Não há a mínima dúvida de que os nove gols e as três assistências, além dos 24 passes para finalizações em 18 partidas contribuíram, e muito, para o crescimento da equipe.

Mas olhar para o desempenho individual desconsiderando o coletivo é um dos grandes equívocos do jeito brasileiro de ver futebol. Porque Hernanes é um meio-campista, não um Neymar que no Santos era acionado toda hora, ou precisava vir na intemediária para criar toda a jogada no talento para definir. Aliás, o time que precisou menos de seu poder de decisão foi exatamente o comandado por Dorival.

Talvez a resistência ao treinador seja pelo jeito sério, sem o carisma de outros personagens do nosso futebol. Ou pelo passado mais ligado ao Santos e ao Pakmeiras; por não ter o currículo recheado de conquistas de peso apesar dos bons trabalhos na maioria das equipes que comandou. Quem sabe por algumas escolhas infelizes ao longo da carreira que culminaram no rebaixamento ou em um enorme risco?

A recuperação nas últimas rodadas salvou São Paulo e Dorival do sofrimento. A rigor, o 4-1-4-1 tricolor que deu liga depende muito mais de Cueva do que de Hernanes. O time sentiu muito a falta do peruano, à serviço de sua seleção na repescagem das eliminatórias, nos empates com Chapecoense e Vasco. Pela movimentação às costas dos volantes adversários como ponta articulador que sai da direita para criar as jogadas. Gera também espaços para os companheiros, inclusive o camisa 15.

Dos nove gols marcados, cinco foram na bola parada – três de pênalti e dois de falta. Ou seja, o São Paulo não vive dos lampejos de Hernanes, da jogada iniciada e finalizada pelo meio-campista. É uma equipe que ganhou mais segurança defensiva e trabalha a bola a ponto de proporcionar momentos de espetáculo, com ações ofensivas bem coordenadas. E aí o meia de 32 anos se destaca.

A equipe evoluiu às duras penas dentro de um ambiente político conturbado, de um elenco desigual e muito mexido ao longo da temporada, com a confiança abalada pela temporada ruim. Não é justo atribuir o insucesso de Ceni a este cenário e não reconhecer o valor do trabalho do atual treinador no mesmo contexto. Houve uma melhora de desempenho com a troca de técnico. Na experiência e nas ideias mais claras com métodos para aplicá-las no campo. Só não vê quem não quer.

Fica a dica para as “viúvas” de Rogério, que vai seguir sua vida no novo ofício em Fortaleza: aceitar sempre dói menos.

(Estatísticas: Footstats)

 


Palmeiras sobra contra o Flamengo da cultura da derrota em São Paulo
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André Rocha

Os gols de Deyverson no Allianz Parque redimem o Palmeiras das duas derrotas e dois empates que transformaram a chance de ser líder do Brasileiro na volta à luta por uma vaga no G-4. Placar de 2 a 0 construído no primeiro tempo com imposição natural do time mandante. Mesmo com protestos da torcida e utilizando Felipe Melo e Michel Bastos voltando à equipe, sem o ritmo de competição ideal.

Mais uma visita frustrada do Flamengo a São Paulo. Capital, Santos e Campinas. Quatro derrotas e um empate. Contra o lider Corinthians, que teve um gol absurdamente anulado de Jô, mas abdicou do jogo no segundo tempo. E mesmo dominando, os rubro-negros não conseguiram sair com a vitória. Ao menos encerrando uma sequência de derrotas na casa do adversário que poderia ter chegado a meia dúzia.

Incluindo os 4 a 0 em 2016, o único revés na casa dos paulistas. Mas triunfo apenas sobre a Ponte Preta na estreia de Zé Ricardo por 2 a 1. Mais empates contra São Paulo, Santos e Palmeiras. Este último num confronto direto pela liderança que escapou das mãos do Fla no gol de Gabriel Jesus.

Porque sempre parece faltar algo a este time em jogos grandes, importantes. Com exceção, claro, dos clássicos cariocas. Aí sim vemos o inconformismo, a indignação com a derrota. Mesmo considerando o ambiente favorável no Maracanã é muito pouco.

Reinaldo Rueda chegou falando em desenvolver uma mentalidade vencedora. Já reparou que o time “guerreia pouco” nos jogos. Ainda que a Copa Sul-Americana tenha se tornado uma prioridade, a campanha no Brasileiro é decepcionante. Pelos resultados, mas, principalmente, pelo comportamento. A torcida, por mais que se esforce, não consegue se identificar com a equipe. Fica esperançosa contra Flu, Bota e Vasco e depois volta à decepção. Um marasmo.

A rodada começou positiva para o Fla com a derrota do Botafogo para o Atlético Paranaense. O time carioca, porém, não se ajudou. Mais uma vez.

Muito pelos méritos palmeirenses. Com mais cuidados defensivos e o volume de jogo que ganhou com a chegada de Alberto Valentim. Foram 11 finalizações, mesmo número do oponente. Mas sete no alvo, contra apenas uma do ataque “arame liso” do Fla. A posse só igualada no final pelo domínio estéril do adversário. 22 desarmes certos contra 13. Pelo menos mais quatro oportunidades além das finalizações que venceram Diego Alves.

É mais um que sobra se aproveitando da cultura da derrota do Flamengo quando vai a São Paulo.

(Estatísticas: Footstats)


Brasileiro volta à sua programação normal
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André Rocha

O Corinthians venceu sendo pressionado e com menos posse que o Atlético Paranaense na Arena da Baixada: apenas 38%. Finalizou seis vezes contra 15 do time mandante. Walter pegou pênalti cobrado por Nikão, saiu lesionado e os visitantes terminaram com o terceiro goleiro, Caíque. Mas foi às redes com o heroi improvável Giovanni Augusto, que entrara na vaga de Clayson, que virou titular exatamente por salvar a equipe com gols entrando no segundo tempo.

Volta a disparar na liderança porque o Palmeiras penou diante do Vitória com a insistência de Alberto Valentim com a última linha de defesa avançada contra um ataque veloz e que aproveita os espaços às costas da retaguarda. 3 a 1 no Barradão. Dois de Yago Costa, um de Tréllez. De tanto dizer que o foco era o G-4…

O Santos de Elano segue aleatório como o de Levir Culpi. Mesmo com um pouco mais de cuidado com a posse de bola com Renato à frente da defesa, ainda depende muito das defesas de Vanderlei e dos lampejos na frente. Na quinta assistência de Lucas Lima, o oitavo gol de Ricardo Oliveira. Mas depois vieram os espaços entre os setores, o cansaço e a virada do Vasco de Zé Ricardo, no chutaço de Evander e na bela cobrança de falta de Nenê.

A vice-liderança volta a cair no colo do Grêmio temporariamente mais focado no Brasileiro, embora com a equipe muito mexida. No gol de Ramiro, a vitória em Campinas sobre a Ponte Preta. Oito pontos atrás do líder, mas ainda priorizando outro torneio, a final da Libertadores contra o Lanús.

O time de Fabio Carille volta a criar gordura no topo da tabela, concorrentes vacilando e o Grêmio, quase sem querer, como o anti-Corinthians. O Brasileiro volta à programação normal no pelotão da frente. Mas agora, faltando apenas cinco rodadas, a “grade” não deve mudar muito até o final.

(Estatisticas: Footstats)

 


Hernanes, Bruno Henrique e Jô: destaques no Brasil, descartáveis na seleção
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André Rocha

Bruno Henrique chegou a 11 assistências com os dois passes para gols nos 3 a 1 sobre o Atlético Mineiro na Vila Belmiro. Um em cada tempo, um de cada lado do campo. É também o melhor driblador do Brasileiro. Jô agora é artilheiro do campeonato com 16 gols, igualando Henrique Dourado. Não perdeu uma no jogo aéreo contra os zagueiros palmeirenses no dérbi. Hernanes marcou seu nono gol em 16 partidas no triunfo são-paulino fora de casa sobre o Atlético-GO que praticamente garante o tricolor na primeira divisão e muda a equipe de patamar, sonhando até com vaga na Libertadores.

Destaques indiscutíveis que merecem elogios pelo desempenho e pela capacidade de desequilibrar. Mas que Tite pode tranquilamente descartar nas convocações da seleção brasileira.

O motivo é simples, embora magoe e ofenda os defensores do futebol jogado no país cinco vezes campeão do mundo: a nossa liga é fraca, medíocre. Nossas equipes são formadas por atletas medianos, jovens buscando espaço, refugos de experiências mal sucedidas em grandes centros, veteranos na reta final de carreira.

Bruno Henrique, com 26 anos, até teve alguns bons momentos do Wolfsburg, o mais notável na vitória por 2 a 0 sobre o Real Madrid nas quartas de final da Liga dos Campeões, dando um calor em Marcelo. Mais não fez e voltou ao Brasil. Hernanes estava na China, depois de sete anos no futebol italiano. Aos 32 anos, seu tempo já passou no futebol em alto nível. Suas Copas seriam as de 2010 ou 2014. Jô esteve no Mundial do Brasil, mas na reserva. Aos 30 anos, também passou pela China e agora é protagonista no Corinthians. Mas a curva também é descendente, não tem mais mercado na Europa.

Todos merecem respeito por suas trajetórias profissionais. Se Tite der oportunidades – como sinaliza com Hernanes, até pela carência de um articulador no meio-campo como reposição a Renato Augusto – podem até render. Não só pela motivação, mas por estar inserido em um grupo qualificado. O fato, porém, é que há opções mais confiáveis atuando em ligas mais competitivas.

Como seria Jorginho, destaque do Napoli, convocado pela seleção italiana. Joga à frente da defesa, mas tem o perfil de organizador. Meio-campista que pensa o jogo todo e não apenas na sua função em campo. Artigo raro, disputando a Série A do Calcio e Liga dos Campeões. Descartado sabe-se lá o porquê. Mas no setor da equipe de Maurizio Sarri ainda temos Allan, outro pedindo passagem.

No centro do ataque, Gabriel Jesus e Roberto Firmino, que disputam Premier League e Champions. Ponto, sem maiores discussões. Na ausência de um dos dois, pela carência no setor até seria possível pensar em um nome atuando no país. Nada mais que isso. Soa até como piada o menosprezo ao atacante do Liverpool em defesa de Jô, Fred e outros centroavantes mais “midiáticos”.

Nas pontas, a concorrência para Bruno Henrique é cruel: Willian, Coutinho, Neymar, Douglas Costa. Mesmo Taison ou Bernard do Shakhtar Donetsk seria mais interessante. Tite ainda tem os jovens Malcom, do Bordeaux, e Richarlison, do Watford, como alternativas jogando em ligas mais competitivas.

Sim, a Ligue 1, hoje, está acima do Brasileirão. Só pela simples presença de uma seleção mundial como o PSG. Mesmo o Monaco desmanchado, mas já na segunda colocação e ainda forte, com remanescentes do semifinalista da última Liga dos Campeões. Até os times de nível intermediário jogam um futebol mais atual e conectado aos principais centros que o nosso.

Além do orgulho de bater no peito e repetir a falácia do “país do futebol”, muitos ainda confundem o pertencimento, a identificação e o equilíbrio de forças com qualidade. Nosso jogo até evoluiu no trabalho defensivo. Mas ainda é espaçado, lento e fraco tecnicamente. A intensidade ainda fica abaixo.

É compreensível que a mídia incense os jogadores atuando nos clubes daqui. Afinal, a presença deles entre os convocados atrai a audiência nas datas FIFA. Ainda mais agora que o campeonato tem uma pausa, o que motiva ainda mais o torcedor a exigir a presença do melhor jogador do seu time do coração, já que não será desfalque como antes. De novo a questão da identidade: uma seleção com jogadores atuando na Europa, ainda que as emissoras de TV fechada e eventualmente a aberta transmitam as partidas, parece “estrangeira”.

Não por acaso, os escretes que construíram o tricampeonato mundial, além da de 1982, habitam o imaginário popular até hoje e na época criaram uma comunhão com o povo. Todos estavam aqui. A da Copa da Espanha, então, com ídolos dos times mais populares do país, uniu ainda mais os torcedores. Outros tempos, outro contexto.

Hoje a lógica é clara, até óbvia: os países com mais capacidade financeira contratam os melhores jogadores e treinadores. Por consequência praticam futebol com mais qualidade. Em técnica e tática. Admitir isso não é ter complexo de vira-latas ou menos valia. Pelo contrário. Se temos brasileiros atuando nos principais campeonatos nacionais do planeta com desempenho satisfatório, estes devem ser os escolhidos por Tite. Para o bem da seleção.

A menos que surja um talento como Neymar ou Gabriel Jesus para assumir protagonismo ainda atuando aqui. Com projeção para se destacar na Espanha e na Inglaterra com rapidez. Hoje quem parece mais pronto para ser o prodígio a vestir a camisa verde e amarela e se afirmar, ainda com 21 anos e jogando no Grêmio, é Arthur.

Fora isso é aposta. Como os citados acima, os convocados Cássio, Rodrigo Caio e os Diegos, Souza e Ribas. Ou Luan, Geromel, Lucas Lima, Vanderlei, Dudu, Moisés, Gustavo Scarpa, Fagner, Thiago Neves, Fabio e outros.  Porque o protagonismo no Brasil não é credencial segura. Há algum tempo. Por mais que doa reconhecer isso.

(Estatisticas: Footstats)

 


Vanderlei Luxemburgo parou no tempo. Por isso ninguém corre mais por ele
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André Rocha

Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência O Globo

Vanderlei Luxemburgo está na história do futebol brasileiro por tudo que conquistou, pelo personagem polêmico, multifacetado e com momentos hilários. Por ter comandado o Real Madrid galáctico.

Ele também tem razão, apesar da empáfia, quando se denomina um “cara de vanguarda”. Especialmente nos anos 1990 nenhum treinador brasileiro foi mais criativo e visionário. Desde o primeiro 4-1-4-1 que se tem registro no Brasil (leia mais AQUI), passando pelo uso do “falso nove” com Evair recuando para armar jogadas e abrir espaços para as infiltrações de Edmundo e Edilson, depois Rivaldo, no Palmeiras bicampeão brasileiro 1993/94. Ainda que não seja algo totalmente original, já que o treinador se inspirou no movimento de Roberto Dinamite com os pontas Mauricinho e Romário, este no início da carreira, no Vasco de 1985 a 1987.

Ou Rincón recuando como volante para qualificar a saída de bola no Corinthians 1998, num 4-2-2-2 típico da época que, na prática, se convertia num losango com Vampeta e Ricardinho nos lados e Marcelinho mais solto. O 4-3-1-2 que virou sua marca nos anos 2000 por distribuir melhor os jogadores, como dizia José Mourinho, então melhor técnico do mundo.

No Real Madrid, assim que chegou encontrou o melhor posicionamento para Beckham e Zidane – pelos lados, à frente do “volante-volante” Thomas Gravesen e atrás de Raúl na ponta do losango. Na frente, Owen e Ronaldo. O time que venceu o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho por 4 a 2 no Bernabéu e deu uma esperança de reação em busca do título, mas não houve tempo.

Luxemburgo também teve sacadas interessantes na sua aventura em 1995 de deixar o Palmeiras dominante para comandar o Flamengo de Kléber Leite e Romário. Como posicionar o canhoto Sávio pela ponta direita para usar o recurso de cortar para dentro e finalizar – ninguém tinha pensado nisso antes. Ou alternar Fabinho e Charles Guerreiro como volante e lateral pela direita e Válber e Branco do lado oposto para dosar as energias e, ao menos tempo, confundir a marcação.

Também as polêmicas do ponto eletrônico de Ricardinho no Corinthians e, no Santos, de entrar em campo com 12 jogadores e tirar um só no gramado para dificultar o trabalho do Corinthians no clássico. Sempre pensando à frente, em alguns momentos pelo típico prazer de ser (ou parecer) mais “malandro” que todo mundo.

Além das questões táticas e estratégicas, as palestras motivacionais marcaram sua trajetória e sempre foram elogiadas pelos jogadores que comandou. Algumas bizarras com o olhar de hoje, mas eficientes na proposta de fazer com que seus atletas entrassem concentrados e até “mordidos” para, se preciso, deixar até a vida no campo. Foi pioneiro também no uso do terno e do traje elegante à beira do campo. De fato, um treinador à frente do seu tempo no Brasil.

O pecado de Luxemburgo foi deitar sobre seus louros, desviar um pouco a atenção do campo e tentar ser um “manager” como Alex Ferguson interferindo em negociações. Difícil entender até hoje como um profissional bem remunerado e que dizia sempre que seu objetivo era trabalhar na Europa não se esforçou para aprender sequer o espanhol para adquirir fluência. Seu “portunhol” é piada até hoje em Madrid, assim como seus treinos em caixa de areia e a utilização do 4-2-2-2 na temporada 2005/2006.

Parou no tempo e seus trabalhos foram perdendo qualidade e capacidade competitiva. Quando os conceitos de Pep Guardiola e as respostas de Mourinho, Ancelotti, Klopp e outros treinadores fizeram o futebol evoluir 20 anos em cinco a partir de 2008/09, o brasileiro não percebeu essa revolução. Continuou vendo tudo como antes, como sempre ressalta em suas entrevistas e participações em programas de rádio e TV.

Ficou para trás, preso ao passado. Se não nota, não aplica. Muito menos cria metodologias para que suas equipes joguem, de fato, um futebol atual. Vive do nome, do impacto da mudança quando chega a um clube com sua “grife”. Mas logo que a chacoalhada em motivação passa não há conteúdo para melhorar o desempenho.

O Sport foi só mais uma equipe espaçada, muitas vezes atacando com quarteto ofensivo de um 4-2-3-1, mais um volante ou um lateral. Cinco na frente, cinco atrás. Distantes. Porque Guardiola e outros atualizaram e aprofundaram os conceitos de compactação dos setores de Arrigo Sacchi no Milan do final dos anos 1980, ainda a referência de Luxemburgo, que acha que nada aconteceu.

Para piorar, o temperamento e a vaidade exacerbada de quem já foi e ainda se acha o número um faz com que ele perca força também na gestão do vestiário. Muitos jovens de 19, 20 anos que comanda eram crianças quando ele venceu seu último título relevante: o Brasileiro de 2004 com o Santos. Difícil entender tanta “marra”. A consequência: enquanto outros boleiros veteranos de sua geração conseguem se manter como “paizões”, ele dificulta o relacionamento.

Complica mais ainda reclamando pela imprensa, criticando assessores e outras polêmicas, tantas desnecessárias. Nas vitórias que consegue no início do trabalho chama todos os méritos para si. Quando vem a má fase, a transferência de responsabilidade aparece. “Eu venci, nós empatamos, eles perderam”.

Em Recife o aproveitamento foi fraco: 40%. Em 34 partidas, 11 vitórias, oito empates e 15 derrotas. A última pela Sul-Americana para o Junior Barranquila na Ilha do Retiro, por 2 a 0. Se no Brasil está difícil se impor, que dirá nos torneios continentais que nunca venceu, nem nos tempos áureos.

Agora complicou de vez para Vanderlei Luxemburgo se reinserir no mercado. Porque ninguém mais corre por quem parou no tempo. Dentro e fora de campo. Uma pena.


Queda do Corinthians tem um “pecado original”: a desmobilização
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André Rocha

Foto: Nelson Almeida (AFP/Getty Images)

Em entrevista ao programa “Esporte Espetacular” na TV Globo, Cicinho, ex-lateral do São Paulo e da seleção brasileira, ao abordar a depressão que o levou ao alcoolismo, disse que tudo começou quando chegou ao Real Madrid e se viu sem metas na carreira e na vida. “E agora, o que faço?”

Ou seja, tudo começou com a desmobilização, que é diferente de relaxamento ou indolência, preguiça…É se perceber com o objetivo alcançado e perder o foco, permitir que aquela energia concentrada em busca de uma meta se dissipe. Exatamente por se sentir sem ter pelo que lutar.

O Corinthians se considerou campeão brasileiro antes da hora. Não é uma crítica oportunista, porque este que escreve também pensou o mesmo. Afinal, a vantagem era confortável e, principalmente, os concorrentes pareciam mais concentrados nos torneios mata-mata – Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana. E cada vez que um era eliminado vinha a ressaca e a perda de pontos.

Depois de um turno perfeito, o sonho era ser campeão invicto. Vieram as derrotas, mas nunca uma ameaça real. Renato Gaúcho disse que o líder despencaria, mas o próprio Grêmio, antes o candidato mais sério a disputar o topo da tabela, deixou pontos pelo caminho utilizando reservas.

A consequência natural pôde ser percebida em declarações e entrevistas: Fabio Carille apresentando o ex-treinador René Simões como uma espécie de “guru”, jogadores com discurso nas entrelinhas como se o título já estivesse garantido. Diretoria já falando em 2018, sobre possíveis reforços. O contexto favorecia, com as rodadas passando e a distância na tabela praticamente intacta.

Tudo isso se refletiu no campo com uma equipe burocrática, engessada. Lenta. Não na velocidade dos jogadores em si, mas no jogo. As triangulações e deslocamentos perderam fluência e sincronia. Muito pela queda técnica e física de quem fazia a bola girar: Jadson, Maycon e Rodriguinho. O time hoje depende fundamentalmente de bolas esticadas para Jô. Também porque Romero nitidamente sentiu o desgaste de meia temporada jogando sempre e de uma linha de fundo à outra.

A compactação não é mais a mesma e a última linha de defesa passou a ficar mais exposta, fazendo Cássio trabalhar. Pior: passou a sofrer com as jogadas aéreas, com bola parada ou rolando. Onze dos 20 gols sofridos no segundo turno. Inclusive os dois  na derrota por 2 a 1 para o Botafogo no Estádio Nilton Santos. Exatamente a maior, ou única, virtude ofensiva da maioria das equipes.

A equipe que tinha a concentração como seu grande pilar perdeu força mental. Afinal, bastava apenas administrar a vantagem e confirmar o título. Não havia mais o rótulo de “quarta força” para lutar contra. Só restava um favoritismo imenso. Uma certeza.

Mas o futebol é dinâmico. Com cinco derrotas em 11 partidas no returno e um pífio aproveitamento de 36%, em contraste com os 82% das primeiras 19 rodadas, a vantagem cai para seis pontos. Ainda considerável, mas o problema é a tendência de queda.

Depois da ressaca das eliminações, Palmeiras e Santos passaram a priorizar o Brasileiro. Cuca saiu e, com Alberto Valentim, o alviverde emendou três vitórias. O Santos oscilou mais e, ainda assim, também recuperou terreno. Mas quem parece se apresentar como grande ameaça é justo o maior rival, que ainda tem um confronto direto em Itaquera.

Por isso o cenário torna-se menos confortável, ainda que não dramático. Porque a confiança está abalada e a pressão fica maior para que não deixe o título escapar e o Palmeiras faturar o bi, o que seria o maior “flop” da história do Brasileiro em pontos corridos. Pelo contexto, maior até que o do próprio rival em 2009, quando desabou da liderança para uma quinta colocação que tirou até a vaga na Libertadores. Agora a disputa do torneio continental no ano que vem está garantida, mas perder o hepta será um vexame sem precedentes.

A solução? Primeiro, a calma. Afinal, ainda há duas rodadas de vantagem sobre os rivais. O duelo com o Palmeiras é em sua arena. Nada está perdido, contanto que o desempenho seja retomado, ainda que não em 100%. Não pode é apelar para os chavões “futebol de resultados”, “jogar por uma bola”, “vencer jogando feio”. Até porque o Corinthians do returno não é nada bonito.

É preciso retomar as triangulações, voltar à “cartilha” de Tite. Talvez retornar ao 4-1-4-1 do início da temporada recuando Rodriguinho, plantando Gabriel entre as linhas de quatro e voltar a unir três jogadores pelos flancos para tocar mais curto. E rápido. Errar menos passes por jogar mais agrupado. Proteger a retaguarda, mas sem abdicar do ataque. Mexer na formação se Carille achar que deve. Por que o talentoso e promissor Pedrinho vem sendo descartado? Difícil entender.

Acima de qualquer outra questão, é urgente resgatar a mobilização. O foco no título. Deixar isto se esvanecer foi o “pecado original” do Corinthians no Brasileiro 2017.


Não há time mais aleatório no Brasileirão que o Santos
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André Rocha

Gol sofrido aos quatro minutos de jogo no Moisés Lucarelli, numa rara hesitação do goleiro Vanderlei que Naldo aproveitou. Depois um domínio territorial com média de 63% de posse e seis finalizações contra duas da Ponte Preta, mas sem muitas ideias e deixando brechas entre os setores na execução confusa do 4-2-3-1 habitual para contragolpes que o adversário não soube dar acabamento.

O time de Eduardo Baptista tentava controlar os espaços num 4-1-4-1 organizado e forte pela direita com Nino Paraíba e Emerson para cima do frágil Zeca. Pelo setor, a estocada que encontrou Lucca livre na área para perder gol feito. Na volta, a nona assistência de Bruno Henrique, desta vez pela direita, e mais um gol de Ricardo Oliveira. No minuto final do primeiro tempo transformando um 2 a 0 que não seria nada absurdo em um empate por 1 a 1 que também carregava uma certa lógica.

Porque não há time mais aleatório nesta edição do Brasileiro que o Santos. Time da trocação, do jogo aberto, da aposta na qualidade do quarteto ofensivo, da dupla de zaga formada por Lucas Veríssimo e David Braz, ainda que expostos, e do goleiro Vanderlei.

E por que ainda disputa o título, ao menos na matemática? Porque o nível geral é fraco e nesta proposta de bater e levar cria mais problemas para os adversários mais reativos que outros quando tem a obrigação de atacar. Como não há uma equipe tão superior no trabalho coletivo, nem o líder Corinthians, o Santos vai pontuando e se mantendo no pelotão da frente.

Podia ter vencido em Campinas. No segundo tempo de postura mais agressiva da Ponte, com Eduardo Baptista trocando Emerson Sheik por Leo Gamalho e deslocando Lucca para o lado direito. Depois tirando os meias Naldo e Jean Patrick e colocando Jadson e Felipe Saraiva para reoxigenar o meio-campo e seguir atacando. Mesmo depois da tola expulsão de Fernando Bob que reagrupou o time num 4-4-1.

Levir seguiu em silêncio, pelos problemas de saúde, e não fez nenhuma substituição. Zero. Mesmo com o desgaste por conta da intensidade do oponente e até por necessidade em uma equipe não ajustada.

E quase saiu com a vitória, se o “garçom” Bruno Henrique não perdesse gol feito completando mal centro preciso de Lucas Lima da direita. Na 12ª finalização de um time com inegável vocação ofensiva, mas que parece tomar decisões sem um plano. O tempo todo. Como se contasse com o acaso para proteger o talento e a vontade de vencer.

Quem entende esse Santos?

(Estatísticas: Footstats)


Vanderlei, Bruno Henrique e legado de Dorival explicam “milagre” do Santos
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André Rocha

Foto: Djalma Vassão (Gazeta Press)

A vitória sobre o Palmeiras no molhado Allianz Parque no sábado por 1 a 0 fez o Santos tomar do rival alviverde a condição, subjetiva, de principal desafiante do líder Corinthians. Ainda que o Grêmio tenha vencido e siga na luta, apenas um ponto atrás do alvinegro praiano. Mas com Libertadores e, provavelmente, pontos preciosos deixados pelo caminho utilizando reservas.

O time de Levir Culpi, de fato, é um mistério. Não chama atenção pela consistência defensiva, mas tem a segunda defesa menos vazada com 16 gols, um a mais que Corinthians. Muito menos pelo ímpeto do ataque, que só foi às redes 27 vezes em 26 rodadas.

O estilo não encanta as retinas. Não controla a disputa com a bola, embora seja o segundo em posse e o terceiro que acerta mais passes – 90,7% de efetividade. Nem os espaços, pois a coordenação dos setores não é tão acertada. O jogo é no modo “briga de rua” (como você já leu AQUI), com trocação de golpes até derrubar ou ser nocauteado.

Quando tentou ser mais estratégico para administrar o empate sem gols na Vila Belmiro contra o Barcelona de Guayaquil pelas quartas de final da Libertadores o desempenho e o resultado foram trágicos. Dominado, vencido e eliminado em seus domínios. O mesmo na ida das quartas da Copa do Brasil contra o Flamengo na Ilha do Governador. Derrota por 2 a 0 com postura mais cautelosa. Faltou um gol nos 4 a 2 em casa com o time no estilo “Peixe Doido”.

O que explica, então, a eficiência no Brasileiro? Os números podem indicar algumas respostas.

Primeiro o goleiro Vanderlei. Quinto mais acionado da competição. Entre os times do G-6 só fica atrás de Cássio. Muitas intervenções fundamentais, tantos pontos garantidos. Não é absurdo dizer que a segunda defesa menos vazada está na conta dele. Porque na troca de ataques ele garante o zero do outro lado do placar.

Depois Bruno Henrique. Líder de assistências ao lado de Gustavo Scarpa com oito, a última na cabeça de Ricardo Oliveira para vencer Fernando Prass. Mais seis gols. Válvula de escape pelos flancos, especialmente à esquerda. Ponto de referência para as saídas em velocidade. O ponteiro que no Wolfsburg em 2016 fez Marcelo do Real Madrid sofrer  numa disputa de quartas de final de Liga dos Campeões. Não por acaso é quem mais acerta dribles na Série A. Não é atacante top, muito menos uma solução para  Tite na seleção brasileira. Mas por aqui vem desequilibrando.

A outra explicação é o legado de Dorival Júnior no cuidado que o time mantém com os passes. O elenco é praticamente o mesmo do antecessor de Levir e a posse garante volume de jogo, especialmente com Lucas Lima em campo. Toques certos que qualificam as ações ofensivas em meio à loucura do bate-volta. Com espaços, o time que rodava a bola para criá-los encontra mais facilidade para superar as defesas adversárias. A exigência de precisão agora é menor.

Qual o mérito de Levir no “milagre” santista? A capacidade de mobilização, o pragmatismo na busca dos resultados e a busca da velocidade, grande lacuna do time vagaroso e inócuo de Dorival na reta final de sua passagem pela Vila Belmiro. Assim como a leitura correta de que assumir protagonismo e se instalar no campo de ataque, no futebol brasileiro de hoje, é se tornar presa fácil para as equipes mais reativas.

Ah, e também a sorte, que nunca pode ser desprezada em qualquer jogo e está no irônico título do livro lançado pelo treinador em 2015: “Um Burro com Sorte?”.

Sem outra competição para dividir esforços, o Santos vai tentar aumentar o aproveitamento de 60,3% e torcer por uma queda ainda mais acentuada do rendimento corintiano, hoje em 70,5%. Para tirar os oito pontos de vantagem e alcançar uma virada que seria histórica.

Contra si há o fato de não mais ter o confronto direto. Derrota em Itaquera, ainda com Dorival Júnior, vitória na Vila Belmiro no início de setembro. A favor, três trunfos que devem garantir ao menos o retorno ao principal torneio continental em 2018, diretamente na fase de grupos. Por mais incrível que possa parecer.

(Estatísticas: Footstats)