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A desonestidade de tirar os méritos de Dorival na recuperação do São Paulo
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André Rocha

No Brasil é muito comum dar méritos na vitória e atribuir a culpa em um revés a apenas um personagem, sem considerar o todo. No futebol, o esporte dos elos fracos e fortes, das falhas e lampejos que podem decidir jogos e campeonatos, mais ainda.

Na seleção brasileira atual, todos os méritos são de Tite. Ainda mais para aqueles que rotularam a geração de jogadores como fraca sem perceber que ela era apenas mal treinada. Assim como transferiram para o treinador até os louros do ouro olímpico no Rio de Janeiro por uma suposta interferência no trabalho de Rogério Micale. Uma falácia já rechaçada pelo próprio Tite, simplesmente por ser absurda. Ninguém arma ou arruma uma equipe numa conversa. Sem contar que Micale usou Neymar por dentro no ataque canarinho e o treinador da principal prefere utilizá-lo partindo do lado esquerdo.

Impossível não lembrar do Flamengo campeão brasileiro de 2009. O “time de Petkovic e Adriano”. Imagem reforçada pelo fracasso de Andrade na carreira de técnico de futebol. Mas é inegável que ali havia um sistema tático e uma maneira de jogar que privilegiava o talento da dupla que desequilibrou na reta final daquela competição. Se fosse apenas pelas individualidades, o Fla que teve a dupla e mais Edilson, Alex, Denilson e Gamarra em 2000 teria obrigatoriamente que conquistar todos os títulos possíveis naquele ano. Não foi o caso.

Agora é o São Paulo. De Hernanes e do apoio da torcida apaixonada. No grito e no talento. Para os mais radicais, apesar de Dorival Júnior.

Uma desonestidade, pois se o tricolor do Morumbi acumula cinco jogos sem derrota – três vitórias e dois empates – e, com nove pontos de vantagem sobre o 17º colocado Sport faltando quatro rodadas, pode dizer que está livre da ameaça de rebaixamento, há muito do trabalho do comando técnico.

Porque apoio da torcida existia com Rogério Ceni. Talvez até maior do que agora no que se refere à paixão, pois ela era multiplicada por ter o maior ídolo do clube à beira do campo. Várias vezes o Morumbi esteve lotado. No Paulista, na Copa do Brasil, na Sul-Americana e no início do Brasileiro.

Mas o time não se acertou, também pela inexperiência de Ceni, que deixou o clube eliminado em todas as competições de mata-mata e em 17º no Brasileiro, no Z-4. E aí entra o orgulho de boa parte de torcedores e da mídia ligada ao São Paulo em não admitir o fracasso. Muitos bancaram o sucesso do treinador pelo pensamento mágico de achar que um profissional que é bom em uma função pode ser competente em todas.

Não aconteceu e então agora é mais fácil creditar o desempenho em campo na conta das contratações de última hora, especialmente Hernanes. Não há a mínima dúvida de que os nove gols e as três assistências, além dos 24 passes para finalizações em 18 partidas contribuíram, e muito, para o crescimento da equipe.

Mas olhar para o desempenho individual desconsiderando o coletivo é um dos grandes equívocos do jeito brasileiro de ver futebol. Porque Hernanes é um meio-campista, não um Neymar que no Santos era acionado toda hora, ou precisava vir na intemediária para criar toda a jogada no talento para definir. Aliás, o time que precisou menos de seu poder de decisão foi exatamente o comandado por Dorival.

Talvez a resistência ao treinador seja pelo jeito sério, sem o carisma de outros personagens do nosso futebol. Ou pelo passado mais ligado ao Santos e ao Pakmeiras; por não ter o currículo recheado de conquistas de peso apesar dos bons trabalhos na maioria das equipes que comandou. Quem sabe por algumas escolhas infelizes ao longo da carreira que culminaram no rebaixamento ou em um enorme risco?

A recuperação nas últimas rodadas salvou São Paulo e Dorival do sofrimento. A rigor, o 4-1-4-1 tricolor que deu liga depende muito mais de Cueva do que de Hernanes. O time sentiu muito a falta do peruano, à serviço de sua seleção na repescagem das eliminatórias, nos empates com Chapecoense e Vasco. Pela movimentação às costas dos volantes adversários como ponta articulador que sai da direita para criar as jogadas. Gera também espaços para os companheiros, inclusive o camisa 15.

Dos nove gols marcados, cinco foram na bola parada – três de pênalti e dois de falta. Ou seja, o São Paulo não vive dos lampejos de Hernanes, da jogada iniciada e finalizada pelo meio-campista. É uma equipe que ganhou mais segurança defensiva e trabalha a bola a ponto de proporcionar momentos de espetáculo, com ações ofensivas bem coordenadas. E aí o meia de 32 anos se destaca.

A equipe evoluiu às duras penas dentro de um ambiente político conturbado, de um elenco desigual e muito mexido ao longo da temporada, com a confiança abalada pela temporada ruim. Não é justo atribuir o insucesso de Ceni a este cenário e não reconhecer o valor do trabalho do atual treinador no mesmo contexto. Houve uma melhora de desempenho com a troca de técnico. Na experiência e nas ideias mais claras com métodos para aplicá-las no campo. Só não vê quem não quer.

Fica a dica para as “viúvas” de Rogério, que vai seguir sua vida no novo ofício em Fortaleza: aceitar sempre dói menos.

(Estatísticas: Footstats)

 


Palmeiras sobra contra o Flamengo da cultura da derrota em São Paulo
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André Rocha

Os gols de Deyverson no Allianz Parque redimem o Palmeiras das duas derrotas e dois empates que transformaram a chance de ser líder do Brasileiro na volta à luta por uma vaga no G-4. Placar de 2 a 0 construído no primeiro tempo com imposição natural do time mandante. Mesmo com protestos da torcida e utilizando Felipe Melo e Michel Bastos voltando à equipe, sem o ritmo de competição ideal.

Mais uma visita frustrada do Flamengo a São Paulo. Capital, Santos e Campinas. Quatro derrotas e um empate. Contra o lider Corinthians, que teve um gol absurdamente anulado de Jô, mas abdicou do jogo no segundo tempo. E mesmo dominando, os rubro-negros não conseguiram sair com a vitória. Ao menos encerrando uma sequência de derrotas na casa do adversário que poderia ter chegado a meia dúzia.

Incluindo os 4 a 0 em 2016, o único revés na casa dos paulistas. Mas triunfo apenas sobre a Ponte Preta na estreia de Zé Ricardo por 2 a 1. Mais empates contra São Paulo, Santos e Palmeiras. Este último num confronto direto pela liderança que escapou das mãos do Fla no gol de Gabriel Jesus.

Porque sempre parece faltar algo a este time em jogos grandes, importantes. Com exceção, claro, dos clássicos cariocas. Aí sim vemos o inconformismo, a indignação com a derrota. Mesmo considerando o ambiente favorável no Maracanã é muito pouco.

Reinaldo Rueda chegou falando em desenvolver uma mentalidade vencedora. Já reparou que o time “guerreia pouco” nos jogos. Ainda que a Copa Sul-Americana tenha se tornado uma prioridade, a campanha no Brasileiro é decepcionante. Pelos resultados, mas, principalmente, pelo comportamento. A torcida, por mais que se esforce, não consegue se identificar com a equipe. Fica esperançosa contra Flu, Bota e Vasco e depois volta à decepção. Um marasmo.

A rodada começou positiva para o Fla com a derrota do Botafogo para o Atlético Paranaense. O time carioca, porém, não se ajudou. Mais uma vez.

Muito pelos méritos palmeirenses. Com mais cuidados defensivos e o volume de jogo que ganhou com a chegada de Alberto Valentim. Foram 11 finalizações, mesmo número do oponente. Mas sete no alvo, contra apenas uma do ataque “arame liso” do Fla. A posse só igualada no final pelo domínio estéril do adversário. 22 desarmes certos contra 13. Pelo menos mais quatro oportunidades além das finalizações que venceram Diego Alves.

É mais um que sobra se aproveitando da cultura da derrota do Flamengo quando vai a São Paulo.

(Estatísticas: Footstats)


Hernanes, Bruno Henrique e Jô: destaques no Brasil, descartáveis na seleção
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André Rocha

Bruno Henrique chegou a 11 assistências com os dois passes para gols nos 3 a 1 sobre o Atlético Mineiro na Vila Belmiro. Um em cada tempo, um de cada lado do campo. É também o melhor driblador do Brasileiro. Jô agora é artilheiro do campeonato com 16 gols, igualando Henrique Dourado. Não perdeu uma no jogo aéreo contra os zagueiros palmeirenses no dérbi. Hernanes marcou seu nono gol em 16 partidas no triunfo são-paulino fora de casa sobre o Atlético-GO que praticamente garante o tricolor na primeira divisão e muda a equipe de patamar, sonhando até com vaga na Libertadores.

Destaques indiscutíveis que merecem elogios pelo desempenho e pela capacidade de desequilibrar. Mas que Tite pode tranquilamente descartar nas convocações da seleção brasileira.

O motivo é simples, embora magoe e ofenda os defensores do futebol jogado no país cinco vezes campeão do mundo: a nossa liga é fraca, medíocre. Nossas equipes são formadas por atletas medianos, jovens buscando espaço, refugos de experiências mal sucedidas em grandes centros, veteranos na reta final de carreira.

Bruno Henrique, com 26 anos, até teve alguns bons momentos do Wolfsburg, o mais notável na vitória por 2 a 0 sobre o Real Madrid nas quartas de final da Liga dos Campeões, dando um calor em Marcelo. Mais não fez e voltou ao Brasil. Hernanes estava na China, depois de sete anos no futebol italiano. Aos 32 anos, seu tempo já passou no futebol em alto nível. Suas Copas seriam as de 2010 ou 2014. Jô esteve no Mundial do Brasil, mas na reserva. Aos 30 anos, também passou pela China e agora é protagonista no Corinthians. Mas a curva também é descendente, não tem mais mercado na Europa.

Todos merecem respeito por suas trajetórias profissionais. Se Tite der oportunidades – como sinaliza com Hernanes, até pela carência de um articulador no meio-campo como reposição a Renato Augusto – podem até render. Não só pela motivação, mas por estar inserido em um grupo qualificado. O fato, porém, é que há opções mais confiáveis atuando em ligas mais competitivas.

Como seria Jorginho, destaque do Napoli, convocado pela seleção italiana. Joga à frente da defesa, mas tem o perfil de organizador. Meio-campista que pensa o jogo todo e não apenas na sua função em campo. Artigo raro, disputando a Série A do Calcio e Liga dos Campeões. Descartado sabe-se lá o porquê. Mas no setor da equipe de Maurizio Sarri ainda temos Allan, outro pedindo passagem.

No centro do ataque, Gabriel Jesus e Roberto Firmino, que disputam Premier League e Champions. Ponto, sem maiores discussões. Na ausência de um dos dois, pela carência no setor até seria possível pensar em um nome atuando no país. Nada mais que isso. Soa até como piada o menosprezo ao atacante do Liverpool em defesa de Jô, Fred e outros centroavantes mais “midiáticos”.

Nas pontas, a concorrência para Bruno Henrique é cruel: Willian, Coutinho, Neymar, Douglas Costa. Mesmo Taison ou Bernard do Shakhtar Donetsk seria mais interessante. Tite ainda tem os jovens Malcom, do Bordeaux, e Richarlison, do Watford, como alternativas jogando em ligas mais competitivas.

Sim, a Ligue 1, hoje, está acima do Brasileirão. Só pela simples presença de uma seleção mundial como o PSG. Mesmo o Monaco desmanchado, mas já na segunda colocação e ainda forte, com remanescentes do semifinalista da última Liga dos Campeões. Até os times de nível intermediário jogam um futebol mais atual e conectado aos principais centros que o nosso.

Além do orgulho de bater no peito e repetir a falácia do “país do futebol”, muitos ainda confundem o pertencimento, a identificação e o equilíbrio de forças com qualidade. Nosso jogo até evoluiu no trabalho defensivo. Mas ainda é espaçado, lento e fraco tecnicamente. A intensidade ainda fica abaixo.

É compreensível que a mídia incense os jogadores atuando nos clubes daqui. Afinal, a presença deles entre os convocados atrai a audiência nas datas FIFA. Ainda mais agora que o campeonato tem uma pausa, o que motiva ainda mais o torcedor a exigir a presença do melhor jogador do seu time do coração, já que não será desfalque como antes. De novo a questão da identidade: uma seleção com jogadores atuando na Europa, ainda que as emissoras de TV fechada e eventualmente a aberta transmitam as partidas, parece “estrangeira”.

Não por acaso, os escretes que construíram o tricampeonato mundial, além da de 1982, habitam o imaginário popular até hoje e na época criaram uma comunhão com o povo. Todos estavam aqui. A da Copa da Espanha, então, com ídolos dos times mais populares do país, uniu ainda mais os torcedores. Outros tempos, outro contexto.

Hoje a lógica é clara, até óbvia: os países com mais capacidade financeira contratam os melhores jogadores e treinadores. Por consequência praticam futebol com mais qualidade. Em técnica e tática. Admitir isso não é ter complexo de vira-latas ou menos valia. Pelo contrário. Se temos brasileiros atuando nos principais campeonatos nacionais do planeta com desempenho satisfatório, estes devem ser os escolhidos por Tite. Para o bem da seleção.

A menos que surja um talento como Neymar ou Gabriel Jesus para assumir protagonismo ainda atuando aqui. Com projeção para se destacar na Espanha e na Inglaterra com rapidez. Hoje quem parece mais pronto para ser o prodígio a vestir a camisa verde e amarela e se afirmar, ainda com 21 anos e jogando no Grêmio, é Arthur.

Fora isso é aposta. Como os citados acima, os convocados Cássio, Rodrigo Caio e os Diegos, Souza e Ribas. Ou Luan, Geromel, Lucas Lima, Vanderlei, Dudu, Moisés, Gustavo Scarpa, Fagner, Thiago Neves, Fabio e outros.  Porque o protagonismo no Brasil não é credencial segura. Há algum tempo. Por mais que doa reconhecer isso.

(Estatisticas: Footstats)

 


São Paulo 2×0 Flamengo – Nas contas de Dorival Júnior e Reinaldo Rueda
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André Rocha

São Paulo no 4-1-4-1 com Cueva como ponta articulador pela direita, circulando às costas dos volantes Cuéllar e Willian Arão. Petros cobria o setor auxiliando Militão. Flamengo num incompreensível 4-2-2-2 sem a referência que esvaziou a área adversária e o time ficou ainda menos contundente no ataque (Tactical Pad).

O campeão de 1970 e hoje colunista Tostão tem razão na crítica à valorização excessiva dos treinadores, no Brasil e no mundo. Em qualquer tempo, os grandes protagonistas são os jogadores, especialmente os capazes de lidar com situações imprevistas e, obviamente, os craques que definem jogos e campeonatos.

Mas em algumas ocasiões as escolhas e decisões dos comandantes são capazes de desequilibrar duelos, para o bem e para o mal.

Foi difícil entender o que Reinaldo Rueda queria com Berrío e Everton nos flancos e Geuvânio reaparecendo entre os titulares por dentro, fazendo dupla com Everton Ribeiro numa espécie de 4-2-2-2 que não se mostrou nada funcional.

Primeiro porque o Flamengo é um time moldado ofensivamente a partir do trabalho de seu pivô, seja Paolo Guerrero ou a improvisação de Lucas Paquetá. Sem ele, o que se viu foi uma equipe sem ideias, vivendo dos sprints de seus ponteiros e os cruzamentos que não encontravam uma referência na área adversária. Foram 16 nos primeiros 45 minutos, apenas um correto. Na maior parte do tempo, a área adversária ficou vazia.

Melhor para Dorival Júnior, que preparou sua equipe para enfrentar um Flamengo dentro do seu padrão, mesmo com a ausência confirmada do peruano camisa nove. Plantou Jucilei na proteção a Arboleda e Rodrigo Caio e fez a mudança no setor ofensivo que terminou de pender a balança a favor do São Paulo.

Cueva foi o ponta armador no 4-1-4-1 tricolor. Na maior parte do tempo saindo do lado direito para circular às costas de Cuéllar e Willian Arão. Sem maiores atribuições defensivas, já que Petros abria para ajudar Militão contra Trauco e Everton. O peruano era o grande articulador jogando entre as linhas espaçadas do adversário.

Um Flamengo mal escalado e novamente com baixa intensidade, displicente em um jogo do Brasileiro.  Desta vez pensando no Fla-Flu de quarta-feira, primeira partida das quartas de final da Sul-Americana. Apenas 42% de posse, uma finalização de Everton na direção da meta de Sidão.

Atuação tão fraca que até tira um pouco do peso do erro da arbitragem comandada por Rafael Traci ao validar o gol de Lucas Pratto usando o braço direito completando cobrança de escanteio e aproveitando desatenção de Rever. Vantagem que parecia questão de tempo, tal o domínio do time mandante no Pacaembu.

Superioridade consolidada com o segundo gol. De novo Cueva, mas aberto à direita para receber desvio de Militão após ligação direta de Sidão, chegar ao fundo com facilidade no setor de Trauco e colocar na cabeça de Hernanes. Quatro finalizações, três no alvo. Duas nas redes de Diego Alves.

Com Paquetá na vaga de Geuvânio, o reparo tardio na escalação inexplicável. E o Fla naturalmente teve mais posse, terminando praticamente empatado no controle da bola nos 90 minutos. Finalizou cinco vezes, com Sidão no final salvando cabeçada de Rhodolfo. Diego, poupado no banco para o Fla-Flu, até entrou bem no lugar de Berrío, lesionado.

Com Everton Ribeiro aberto pela direita, o Fla teve mais volume. O excesso de cruzamentos mais uma vez atrapalhou: 40, só dois executados com precisão. E faltou novamente a contundência do ataque “arame liso” em jogos mais parelhos.

O São Paulo viveu de contragolpes esporádicos, controlou espaços, finalizou só mais uma vez. Dorival sofreu outra vez com as limitações do elenco. As substituições pioraram o desempenho. Sorte do tricolor paulista, que respira na fuga do Z-4, que o jogo foi definido no primeiro tempo.

Resolvido pelas decisões dos treinadores. Desta vez o resultado pode ser creditado na conta do contestado Dorival Júnior e debitada na de Rueda. Tostão que me perdoe.

(Estatísticas: Footstats)

[Em tempo: o gol de Pratto é um erro de arbitragem, como tantos outros no campeonato. O marcado por Jõ sobre o Vasco em lance semelhante causou mais polêmica pelo contexto. Ou seja, as declarações do atacante do Corinthians depois do fair play de Rodrigo Caio. Mas quem leu o blog depois do acontecido lembrará do peso dado ao que ocorreu – leia AQUI e AQUI.]


Dorival Júnior, exclusivo: “Aqui se olha para o futebol sem enxergá-lo”
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André Rocha

Foto: Érico Leonan/saopaulofc.net

Um misto de alívio, esperança e preocupação norteou o papo com o treinador Dorival Júnior sobre o momento do São Paulo: time fora da zona de rebaixamento, mas sem o direito de perder a concentração na pausa de dez dias para a data FIFA. Margem de erro pequena, mas otimismo quanto à evolução da equipe, além do incômodo com o imediatismo e a cobrança excessiva por resultados.

BLOG – O São Paulo vem jogando uma vez por semana há algum tempo e agora tem pausa de dez dias – dois dias de folga e sete sessões de treinamentos. O time saiu da zona de rebaixamento depois de 13 rodadas. Qual o risco de um relaxamento ou desmobilização?

DORIVAL JÚNIOR – O cuidado maior deve ser na dosagem dos treinamentos. Se aumentar o volume de trabalho pode ser prejudicial, mas também não pode tirar o pé do acelerador. Equilibrar as informações diárias sobre a condição dos atletas com o feeling de tantas experiências parecidas. O importante é que não percamos competitividade nesta pausa.

BLOG – Sua equipe, até por necessidade, vai tentar propor o jogo no dia 11, em Belo Horizonte contra o Atlético Mineiro?

DORIVAL JÚNIOR – Nossa situação não permite celebrar esse alívio na tabela. Temos que respeitar as nossas características, mas também as particularidades do adversário. Não podemos nos comportar como “sparring”, precisamos pontuar. Será jogo de superação. Com segurança, mas sem deixar de ser agressivo.

BLOG – Como você avalia a evolução do São Paulo nos últimos jogos com uma formação sem um volante na proteção, com Petros à frente da defesa?

DORIVAL JÚNIOR – A aproximação dos setores está deixando os atletas mais confortáveis e já é possível arriscar movimentos diferentes, como dois dos atacantes voltando e os outros dois infiltrando na última linha do adversário. Estamos conseguindo confundir mais a marcação com a mobilidade de Lucas Fernandes, Marcos Guilherme, Cueva e Pratto. Tivemos alguma dificuldade na criação das jogadas contra o Sport, mas faz parte do processo.

Sem a bola, me agrada muito notar que eles estão mais interessados e preocupados com o trabalho defensivo. A colaboração de todos na compactação vem corrigindo um erro grave nos gols tomados, que era a equipe muito espaçada. Agora a última linha está mais protegida e também bem posicionada.

BLOG – Você é um treinador que preza muito a posse de bola e o estilo mais ofensivo. Como está vendo o Brasileiro com predomínio do jogo mais reativo? Mudou algo nas suas convicções?

DORIVAL JÚNIOR – É preocupante. Mas o que noto é que muitos dos que reclamam do futebol jogado no Brasil são os mesmos que cobram resultados imediatos.  É um assunto muito debatido, mas sem dados concretos. É algo que está incomodando, mas pode tirar da zona de conforto. Eu tenho conceitos e uma visão de futebol. Já venci e perdi propondo jogo ou reagindo à iniciativa do adversário. Não vou mudar. Para mim o futebol, na fase ofensiva, é posse de bola, deslocamentos, velocidade e infiltração.

BLOG – Mas você concorda que o dito “futebol moderno” chegou aqui primeiro pela dinâmica defensiva e ainda estamos atrasados na evolução da construção do jogo?

DORIVAL JÚNIOR – Concordo, mas esse desequilíbrio existe praticamente no mundo todo. O trabalho defensivo evoluiu demais. Antes era privilégio de Itália, Alemanha, Inglaterra…Na Alemanha houve primeiro uma mudança de mentalidade e depois a chegada do Guardiola. É uma nova escola de futebol.

Mas no mundo todo houve um acréscimo no jogo coletivo sem a bola, por pragmatismo, que não foi acompanhado pelo trabalho ofensivo. A única evolução foi a busca maior da amplitude no ataque com os pontas. É provável que as defesas prevaleçam sobre os ataques durante algum tempo. Cabe a nós, treinadores, complementarmos nosso trabalho e dar mais qualidade às ações de ataque.

BLOG – Então o futebol hoje está mais para Mourinho que Guardiola?

DORIVAL JÚNIOR – Foi uma transformação rápida, uma mudança por necessidade. Aproxima as linhas, marca por zona. Agora usando até cinco homens, exatamente para negar espaços no fundo do campo. Fecha o centro, induz o rival a abrir a jogada para interceptar o cruzamento. Houve mais inovações neste aspecto e mais times jogando desta maneira.

BLOG – Qual a dificuldade de trabalhar conceitos de jogo em um elenco que mal se conhece, mexido, desentrosado e sofrendo enorme pressão para vencer e subir na classificação?

DORIVAL JÚNIOR – No Santos eu tive dois anos e pude trabalhar uma filosofia e ir encaixando algumas situações ao longo do tempo. Aqui eu preciso adaptar, dentro das minhas convicções. Não posso me dar ao luxo de arriscar muito, por tudo que você expôs na pergunta. Primeiro proteger, depois fazer os jogadores acreditarem na proposta.

BLOG – Você falou em “proteção”. E os muitos gols sofridos, especialmente no início do trabalho, que geraram muitas críticas?

DORIVAL JUNIOR – É questão de tempo de trabalho. Tem jogador que mal se conhece. Em outubro, quase no fim da temporada, muitos não completaram sequer uma dúzia de partidas pelo clube. É o Militão adaptado à lateral direita, vários problemas. Mas querem soluções rápidas. Aqui se olha o futebol sem enxergá-lo. São cobranças descabidas e uma visão deturpada em todos os segmentos.

BLOG – Ainda dentro deste tema, como é possível orientar o Pratto com essa ansiedade de dez rodadas sem marcar gols?

DORIVAL JÚNIOR – Internamente ele sabe da sua importância. É um cara coletivo, mas com ambições. O grupo vem administrando isso muito bem. Todos têm noção da sua contribuição na abertura de espaços, nos deslocamentos. Sua movimentação compensa a falta de gols. Como gestor procuro tranquilizá-lo, por mais que ele seja experiente. Mostrar que está no caminho correto e que as coisas vão acontecer naturalmente. E sua importância não é só dentro de campo, tem a liderança que contribui demais.

BLOG – O fato de termos o oitavo colocado separado do 18º por apenas quatro pontos ajuda por motivar a conseguir uma sequência de bons resultados e respirar aliviado ou é preocupante porque os jogos serão mais duros e qualquer vacilo significa a volta ao incômodo Z-4?

DORIVAL JÚNIOR – Em todas as edições do Brasileiro da Série A que disputei o returno foi bem mais disputado que o turno. É uma constante e este ano parece ainda mais dura a concorrência. Os jogos serão mais parelhos e essa distância mínima deixa tudo ainda mais complicado. Sem dúvida é a edição mais difícil que já disputei e será assim até a última rodada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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São Paulo 1×1 Corinthians – Empate que mistura frustração e preocupação
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André Rocha

A formação ofensiva do São Paulo no Morumbi encontrou sustentação no primeiro tempo pela lentidão do Corinthians nas transições ofensivas e se impôs pela movimentação do trio Lucas Fernandes-Cueva-Marcos Guilherme atrás de Pratto, mais as descidas dos meio-campistas Petros e Hernanes além do apoio de Junior Tavares que obrigava Romero, deslocado pela direita, a retornar muito para fechar o setor.

O líder do Brasileiro, com a escalação titular completa, mantinha a boa estrutura defensiva, mas sofria com os seguidos ataques de quem pressionava e recuperava a bola assim que a perdia. Já o tricolor paulista não tinha o mesmo problema. Chama a atenção a queda no desempenho corintiano. Perdeu intensidade, mobilidade e, consequentemente, confiança.

Primeira etapa de 55% de posse são-paulina, mas com média acima de 60% até os 27 minutos, quando Petros se apresentou para apoiar o quarteto ofensivo, recebeu pela direita e aparentemente tentou cruzar. O efeito na bola surpreendeu Cássio. A única finalização no alvo num universo de seis conclusões do time da casa e apenas duas dos visitantes.

São Paulo se impôs no primeiro tempo com mobilidade do quarteto ofensivo e o apoio de Hernanes e Petros, autor do gol tricolor. Corinthians sofrendo com a lentidão na saída para os contragolpes pela preocupação de Romero com as descidas de Junior Tavares (Tactical Pad).

Equilibrou um pouco com a entrada de Marquinhos Gabriel logo na volta do intervalo, substituindo um Jadson que perdeu sua maior virtude: a mobilidade para circular às costas dos volantes adversários e criar superioridade numérica no meio. Sem o camisa dez, Rodriguinho assumiu em definitivo a articulação das jogadas se apresentando mais como opção para os companheiros.

As substituições de Dorival Júnior não foram das mais felizes. Jucilei no lugar de Cueva e Denilson na vaga de Lucas Fernandes, lesionado, tiraram dinâmica ofensiva, intensidade na pressão no campo de ataque e o Corinthians ganhou espaço para atacar. Por isso a troca mais ousada de Carille: Clayson no lugar de Gabriel.

Vieram então as duas primeiras finalizações no alvo depois de 168 minutos – 90 no empate sem gols contra o Racing que custou a eliminação na Copa Sul-Americana. Primeiro Romero e depois Clayson, no rebote vencendo Sidão. Jogada de Rodriguinho pela direita aproveitando vacilo de Junior Tavares.

Corinthians ocupou o campo de ataque com Marquinhos Gabriel e Clayson nas vagas de Jadson e Gabriel, aproveitando espaços cedidos pelo rival que perdeu dinâmica com Jucilei e Denilson substituindo Cueva e Lucas Fernandes (Tactical Pad).

Com o empate, a inversão da confiança, não aproveitada por Carille, que tirou Romero e colocou Camacho para recompor o meio. Perdeu agressividade.

A senha para uma pressão final de quem mais precisava. E Jucilei, que fez o São Paulo perder força no meio, quase virou o heroi e fez valer a “lei do ex” em bela cabeçada para defesa espetacular de Cássio. Ao total, foram 12 finalizações do tricolor, uma a mais que o rival – seis a três no alvo.

O time da casa no clássico para mais de 60 mil presentes terminou com 52% de posse. Equilíbrio nos números, mas a frustração do São Paulo é maior pelo desempenho nos 90 minutos e porque os três pontos, dentro do contexto da fuga do rebaixamento, eram essenciais. Na matemática e no ânimo. De novo falhou.

O Corinthians sai no lucro, mas precisa aproveitar o tempo livre para recuperação e treinos visando resgatar o trabalho coletivo dos melhores momentos na temporada através do desempenho das individualidades. No “Majestoso” houve tempo e espaço para a reação. Mas quem ostenta a liderança absoluta do Brasileiro não pode produzir tão pouco. Preocupante.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Pânico do Galo com dois homens a mais é retrato do futebol brasileiro
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André Rocha

Aos 33 minutos do segundo tempo, a expulsão de Willian deixou o Palmeiras com dois homens a menos contra o Atlético Mineiro no Independência. O time da casa já estava com vantagem numérica desde os 40 da primeira etapa com o cartão vermelho apresentado por Leandro Vuaden a Luan Garcia.

A ideia do post não é se ater às decisões do árbitro no confuso 1 a 1 de sábado, com três pênaltis além das duas expulsões e outros lances polêmicos, mas às consequências dentro do jogo. Com um homem a mais, o Galo já vinha encontrando dificuldades e se livrou de sofrer o segundo gol quando Victor pegou a cobrança de pênalti de Deyverson.

Quando o cenário do final da partida apresentou a obrigação de atacar para se impor sobre oito jogadores plantados na própria área protegendo o goleiro Fernando Prass, o time mineiro entrou em pânico. Passou a errar passes seguidos, se afobar chutando de fora da área e levantar bolas a esmo, muitas delas na intermediária.

Para desespero do treinador Rogerio Micale, no comando da equipe há pouco mais de dois meses. Era possível fazer a leitura labial e entender que seus gritos eram para girar a bola até criar o espaço para a infiltração. Em vão, ainda que a forceps tenha criado algumas oportunidades e pudesse até sair com a vitória. Ou derrota, no contragolpe cedido que Moisés, já exausto, não conseguiu aproveitar.

A postura do Galo no final da partida é um retrato do futebol atual praticado no Brasil. No qual ter a bola e a obrigação, pelo contexto da partida, de atacar e propor o jogo é um problema. Quase um fardo. Ou o maior risco de sair derrotado.

As razões são muitas. Desde o pouco tempo para treinar pelo calendário insano que também exige um revezamento maior no elenco e compromete o entrosamento, passando pelas constantes mudanças por conta de uma janela de transferências que parece nunca acabar e a pouca paciência com o trabalho dos treinadores. Pressão absurda por resultados imediatos, ainda mais de elencos montados com altíssimo investimento, como os de Palmeiras e Atlético-MG.

Assim como a percepção de que o futebol jogado nos grandes centros chegou aqui primeiro pela defesa. O trabalho sem a bola que ganhou um salto de evolução com a aproximação das linhas, a participação de todos, a perda da vergonha de recuar os dez homens atrás da linha da bola, a preocupação em congestionar a zona de criação para a infiltração. Também a pressão no campo adversário para dificultar a construção das jogadas desde o seu início.

Como criar espaços em um jogo tão apressado, que vaia a bola atrasada para o goleiro ou os passes trocados pelos zagueiros para tirar o rival do próprio campo? Um sistema defensivo bem posicionado e com movimentos coordenados não é tão difícil de ser treinado e exige um trabalho mais sofisticado de quem tem a bola.

É preciso se movimentar para abrir a brecha e o companheiro aparecer nela no tempo certo. Saber o momento de arriscar o drible que desequilibra. Leitura de jogo. Para isso é preciso inteligência e também sintonia, jogar de memória, se entender no olhar. Só vem com a repetição. Difícil com o entra e sai de peças. Não por acaso o São Paulo de Dorival Júnior, que contratou dezoito jogadores e também o treinador, sofre mais que os outros e a meta que restou em 2017 é escapar do rebaixamento que parece cada vez mais palpável.

Mas o líder Corinthians, ainda absoluto e com boa vantagem, também pena quando tem a bola. Fabio Carille tem time base definido, resgata conceitos dos tempos de Tite e mesmo com a maioria dos titulares tendo atuado sob o comando do atual treinador da seleção brasileira, o fato de ter se tornado o time a ser batido fez com que os adversários estudassem mais os movimentos ofensivos e se concentrassem em bloqueá-los.

Enfrentar o melhor time do campeonato também permite jogar em contragolpes, mesmo em casa. Assim o Santos venceu na Vila Belmiro. Porque os espaços se oferecem para os velocistas que não conseguem pensar quando se deparam com uma parede. Resta levantar a bola na área para arrancar um gol. Ou apostar na bola parada. É pouco. Falta repertório, ousadia. Ideias.

Não por acaso em 73% dos jogos quem fica mais tempo com a bola não vence. Por isso o Galo penou e perdeu a oportunidade de conseguir três pontos e se aproximar do G-6. Segundo o Footstats, terminou a partida com 62% de posse, 20 finalizações. Mas apenas sete no alvo e poucas chances cristalinas. Foi às redes na cobrança de pênalti de Fabio Santos. Efetuou 33 cruzamentos.

Criou pouco porque se livrou da bola. E no final é comum o discurso de que fizeram tudo que foi possível. “Massacramos, mas não deu”. Como se ficar com a posse sem criar nada de concreto representasse alguma superioridade real.

Um engano recorrente que empobrece ainda mais o nosso jogo tão sofrido. Há qualidade, mas ela está sufocada. Sem espaço, tempo, paciência, treino e coragem fica quase impossível. É mais fácil esperar o contragolpe. Ou o acaso proteger.


No clássico da desordem, Palmeiras respira e São Paulo agoniza sem soluções
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André Rocha

O time de Cuca mostrou as virtudes e defeitos habituais na temporada. Erros defensivos pela desorganização provocada pelas perseguições individuais. Ficou claro no gol de Marcos Guilherme, quando Pratto aproveitou a retaguarda esburacada para dar assistência, antes do acidente com Hernanes que o tirou do campo na ambulância.

Entrou Gilberto e o São Paulo perdeu força. O Palmeiras reagiu pela persistência, por não desistir, pela inquietação de seu treinador usando as peças disponíveis. Jogada de Michel Bastos, gol de Willian, autor do segundo em finalização de fora. Virada rápida desconstruída por Hernanes, o único lúcido no tricolor paulista. Mas que não pode resolver tudo na jogada individual ou nas finalizações precisas.

Porque o “Soberano” é um clube à deriva. Pela irresponsabilidade de entregar um dos gigantes brasileiros à própria sorte com jogadores e treinador ainda se conhecendo em agosto, num balcão de compra e venda que parece não ter fim. E não consegue resolver um problema grave desde o início da temporada: a falta de um goleiro confiável.

Sidão teve mais uma chance e novamente mostrou a insegurança capaz de minar as forças e a confiança de qualquer um. Mesmo que Dorival Júnior tente organizar sua equipe num 4-1-4-1 que tem momentos de compactação e setores bem coordenados. Só que elos fracos como os  laterais Buffarini e Edimar acabam comprometendo qualquer esforço coletivo e períodos de domínio na partida, com chances cristalinas desperdiçadas – a de Rodrigo Caio na segunda etapa simplesmente inacreditável.

Duas jogadas pela esquerda, o terceiro gol com Keno, substituto de Bruno Henrique para tornar o time ainda mais ofensivo, e o golpe final com Hyoran, reserva pouco utilizado desde que chegou ao Palmeiras. Jogada iniciada com um lançamento precioso de Tchê Tchê para Willian servir o companheiro.

O “Bigode” foi o personagem da vitória fundamental e justa no Allianz Parque: o mandante teve 54% de posse, desarmou corretamente 21 vezes contra dez e finalizou 24 vezes contra nove do rival – dez a quatro no alvo. Para o Alviverde se recolocar na disputa das primeiras posições da tabela e aliviar o ambiente de crise. Nem precisou de tanto para vencer um “Choque-Rei” marcado pela desorganização dos times.

Revés sintomático para um São Paulo em desespero. Vítima de decisões equivocadas há algum tempo, mas bem mais graves em 2017. Desmanchar e remontar elenco ao longo do Brasileiro é algo criminoso. O resultado é uma lenta agonia que parece cada vez mais sem soluções.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Foco, tempo e até desespero devem nortear segundo turno do Brasileirão
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André Rocha

O Corinthians está com o Brasileiro nas mãos. Até aqui, pelo menos, é aquele caso em que tudo conspira a favor. Inclusive a pausa entre um turno e outro para recuperar e treinar a equipe por conta da viagem da Chapecoense. Com Grêmio, Santos e Flamengo envolvidos em outras competições e Palmeiras na ressaca da eliminação da Libertadores com 14 pontos atrás que podem virar 17, o atual líder disparado pode até se planejar para buscar também o título da Sul-Americana.

Competição que ainda envolve outros cinco brasileiros. Com dois confrontos nacionais  – Sport x Ponte Preta e Flamengo x Chapecoense – que podem reduzir a quarto para as quartas de final. Mesmo número de times na disputa das semifinais da Copa do Brasil. Um a mais que nas quartas da Libertadores.

Dez times dividindo atenções, outros dez disputando somente o Brasileiro. Com apenas quatro rodadas de dezenove no meio da semana. Parece claro que o foco e o tempo para treinar têm grandes chances de fazer a diferença e até superar o nível técnico e tático das equipes.

Sem contar o desespero. Aquele que, pela dificuldade na tabela, torna o adversário difícil de ser batido. Sim, a fuga do Z-4. Que parece ter o Atlético-GO condenado, mas ainda matematicamente vivo, dependendo de uma arrancada que hoje soa improvável. Um olhar mais atento à tabela, porém, revela que o Fluminense, disputando a Sul-Americana, está apenas cinco pontos à frente da Chapecoense, 17ª colocada e com um jogo a menos.

Qualquer vacilo será fatal. É onde mora a esperança são-paulina. Mesmo com todos os equívocos e com a equipe oscilando até psicologicamente, há qualidade, especialmente de Hernanes desequilibrando nas últimas vitórias, e agora tempo para se preparar. O que Dorival Júnior mais precisava. E nada mais para distrair. Uma sequência de bons resultados e pode até sobrar uma vaga na Sul-Americana.

A disputa pelas seis primeiras colocações ganha novos postulantes, como os Atléticos, mineiro e paranaense. Os únicos junto com o Palmeiras entre os onze primeiros com foco absoluto na Série A. Uma vantagem considerável em meio a tanto equilíbrio, com exceção do Corinthians.

A Primeira Liga não deu certo pelo servilismo dos clubes à CBF e agora se encontra soterrada pelos demais torneios. Para muitos será um engodo, um problema de logística. Hoje soa como um prêmio de consolação, uma taça para não deixar 2017 de mãos abanando. Vale menos que o estadual.

O maior desafio, sem dúvida, é o do Botafogo. Com elenco não tão robusto, um clássico carioca no torneio nacional e um duelo brasileiro na Libertadores contra o Grêmio, uma das melhores equipes do país. A um ponto do G-6, que seria a garantia de volta ao torneio continental independentemente do desempenho no mata-mata. Mas a seis da zona de rebaixamento, o que exige um certo cuidado.

Neste cenário, o returno reserva alguns jogos que serão esvaziados pela utilização de reservas e outros que podem ganhar contornos épicos, com times até com tempo para se preparar, mas tão envolvidos emocionalmente que não resistirão ao maldito “jogo para ganhar e não para jogar”. Valendo a vida. Para quem gosta de emoção e não torce o nariz para a fórmula de pontos corridos será um prato cheio.

Se nos dois extremos da tabela os destinos de Corinthians e Atlético-GO parecem selados, todo o resto carrega suas dúvidas e um contexto construído jogo a jogo. Dependente de outras competições, que agora contemplam toda temporada. Vejamos o que o novo calendário reservará à nossa liga neste primeiro ano.


Dorival Júnior vai penar com um São Paulo sem confiança e entrosamento
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André Rocha

Dorival Júnior resgatou o gosto pela posse de bola do trabalho de Rogério Ceni, em especial no início. O novo treinador quer um São Paulo protagonista, propondo o jogo. Mas está difícil. Porque são nove partidas sem vitória e time afundado na zona de rebaixamento, o que naturalmente abala a confiança.

Para piorar, o desentrosamento de um elenco muito mexido, com entradas e saídas de atletas. Na Arena Condá, o primeiro tempo de domínio, especialmente nas jogadas pela esquerda com aproximação de Junior Tavares, Jonatan Gómez e Cueva, não conseguiu proporcionar uma oportunidade cristalina. Porque a jogada pelo flanco sempre fugia de Lucas Pratto e Wellington Nem, exatamente pela falta de sintonia. O cruzamento era impreciso ou o atacante estava mal posicionado para finalizar.

Pouco ou nada adianta a posse sempre acima dos 65%. Ou até atrapalha, pois dá ao adversário o conforto de jogar posicionado atrás e saindo em transições ofensivas rápidas aproveitando espaços em uma retaguarda adiantada. Time sem confiança, erra o passe e está exposto.

Foi o que aconteceu na segunda etapa, principalmente depois do gol de Tulio de Melo na jogada aérea, ainda uma opção ofensiva interessante na Chapecoense agora comandada por Vinicius Eutrópio. Mesmo sentindo os desfalques, especialmente do forte lado esquerdo com Reinaldo e Arthur Caike, o 4-1-4-1 encontrou em Apodi do lado oposto a melhor saída em velocidade.

Dorival Júnior trocou Wellington Nem, Cueva e Petros, colocando Marcinho, Lucas Fernandes e Denilson. Mas era uma equipe nitidamente insegura, com medo de errar e evitando o passe diferente para as infiltrações. A bola rodava, rodava e nada acontecia.

Até o erro, a bola retomada e o chute preciso de Lucas Marques. A 15ª finalização da equipe mais objetiva para decretar os 2 a 0. Resultado que redime a Chape, que respira se afastando do Z-4. O São Paulo sofre, Dorival Júnior vai penar para implementar seus conceitos em elenco tão heterogêneo e ainda se conhecendo, com o primeiro turno se aproximando do fim.

O desafio só aumenta.

(Estatísticas: Footstats)