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Nosso futebol é medroso porque o Brasil sempre tem algo a temer
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André Rocha

“Bola para o mato que o jogo é de campeonato!” Um dos jargões mais conhecidos do futebol do Brasil, com origem na várzea, traz um conceito básico do nosso jeito de ver o esporte: se vale pontos e taça, a ordem é minimizar os riscos. Para que tentar sair tocando e errar?

Um paradoxo no país cinco vezes campeão mundial, que ainda carrega para muitos o rótulo de “jogo bonito”. O detalhe é que por aqui sempre houve uma distinção entre talentosos e os esforçados que deviam correr para os craques decidirem. Os “carregadores de piano” que faziam o serviço sujo, mas entregavam a bola limpinha para quem sabe. No sufoco é chutão para frente mesmo!

Em três momentos da história da seleção brasileira, o medo de ficar para trás foi uma alavanca. Em 1958, a influência dos húngaros na Copa anterior trouxe a linha de quatro na defesa. Somado ao recuo de Zagallo pela esquerda no 4-3-3 que ficou mais nítido quatro anos depois no Mundial do Chile. Cuidados defensivos para o talento de Didi, Garrincha e Pelé decidir na frente.

Mesma lógica de 1970 depois do massacre físico e tático da Copa de 1966 na Inglaterra. O raciocínio básico de Zagallo e comissão técnica era: “se igualarmos na força e na organização venceremos na técnica”. No México, a seleção até hoje considerada a maior de todos os tempos se fechou com todos atrás da linha da bola e matou a grande maioria dos oponentes no segundo tempo em contragolpes velozes.

Depois da traumática Copa de 1982, o mote que encontrou seu ápice em 1994: “vamos fechar a casinha porque se não levarmos gol os nossos craques desequilibram”. Bebeto e Romário nos Estados Unidos. Mas também o trio Ronaldo-Rivaldo-Ronaldinho em 2002 no último título mundial. Decidindo para o Brasil de Felipão com três zagueiros e dois volantes. Sempre a cautela, o pensamento conservador. Fazer o simples no coletivo para que o brilho individual faça a diferença. Não arrisca, só vai na boa.

Lógico que há brilhantes exceções, especialmente nos clubes. Times arrojados, ofensivos como o “Expresso da Vitória” do Vasco nos anos 1940, Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras da Academia, o Flamengo de Zico, o São Paulo de Telê Santana e outros. Mas a linha mestra sempre foi “na dúvida, toca pro talento que ele decide”.

Hoje vivemos um dilema na execução desta ideia de futebol. Porque o esporte evoluiu demais nos últimos dez anos, na organização para atacar e defender. Pep Guardiola levou a proposta ofensiva a outro patamar, José Mourinho respondeu com a radicalização do trabalho de compactar setores para proteger sua meta.

Por conta da nossa tradição de acreditar no talento, olhamos com atenção mais para a prática do treinador português. A modernização do “fechar a casinha”. Ser atacado durante a maior parte do tempo virou “saber sofrer”. De Guardiola pegamos a marcação por pressão no campo de ataque. Nenhuma novidade, já que os times do sul têm essa reação após a perda da bola em sua cultura futebolística influenciada justamente pelos europeus.

E na hora de atacar? Ainda acreditamos que é questão de entregar a bola aos mais talentosos. Só que há dois problemas: o primeiro é que os melhores vão para a Europa cada vez mais cedo. O segundo é a relação espaço/tempo. Pela aproximação dos setores e por conta da pressão que o jogador com a bola recebe assim que a recebe é obrigação decidir certo e rápido.

Driblar? Só no local e no momento exatos. De preferência bem perto ou mesmo dentro da área adversária e com apenas um jogador pela frente. Algo cada vez mais raro. Porque para chegar neste ponto é preciso construir a jogada  com precisão e velocidade. Desde a defesa. Toca, se desloca, arrasta a marcação. Ilude com movimentos coletivos, não necessariamente com a finta, a ginga. Pensar no todo e não segmentando os que defendem e atacam. Difícil mudar uma mentalidade de décadas e que foi vencedora tantas vezes.

Mais fácil sair jogando com ligações diretas, tentar ganhar o rebote e avançar alguns metros já no campo adversário. Sem correr o risco de perder a bola perto da própria meta por conta de um passe errado. Minimizar erros, lembra? Por isso vez ou outro ouvimos dos treinadores uma espécie de confissão: “o perigo é quando temos a bola”.

Porque somos medrosos. No futebol e até como nação. Basta olhar a nossa história, quase sempre guiada por temores: da corte portuguesa, da insurreição mineira, do comunismo, do varguismo, da ditadura, do golpe, do imperialismo americano, da volta do partido x ou y ao poder, do fascismo. Votamos por medo, vamos às ruas com ele. Vivemos no susto. Com nossos fantasmas reais ou fictícios.

O futebol é mero reflexo. Por isso os gols estão cada vez mais raros, os jogos mais parelhos definidos em uma bola. Apenas o gol de Barcos para o Cruzeiro nas semifinais da Copa do Brasil, só os dois de Vasco 1×1 Flamengo nos três clássicos estaduais da 25ª rodada do Brasileiro. Poucos se arriscam e quando o fazem viram alvos. Dos rivais, das críticas. Para que mudar? É melhor “trabalhar quietinho”, sem assumir favoritismo. Respeitando todos os adversários. Até temendo. Deixando a bola para eles e ganhando no erro. Mais confortável ser zebra, até para diminuir o pavor da derrota.

O Brasil sempre tem algo a temer. A esperança é que em algum momento desperte o medo de matar a paixão do torcedor e, como consequência, seu interesse por um jogo tão pragmático e que entrega quase nada além do resultado final. Um cenário que já pareceu mais distante.

 

 

 


Onde você estava no dia 24 de janeiro?
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André Rocha

Atlético-MG x São Paulo. Internacional x Flamengo. Palmeiras x Atlético-PR. Ainda Santos x Grêmio na quinta-feira. Jogos grandes e importantes para o Brasileiro. Todos os envolvidos são campeões nacionais. A 23ª rodada é daquelas que num campeonato por pontos corridos podem definir muita coisa. Ainda mais no meio da semana, sem mata-mata e times poupando seus atletas.

Mas será disputada em meio à data FIFA. Muita reclamação dos clubes com jogadores convocados por Tite, porém desfalcados também pelos estrangeiros que servem suas seleções. Everton, Kannemann, Arboleda, Paquetá, Cuellar, Trauco, Chará. Mais as ausências comuns por cartões e lesões. Neste último caso, também pelo acúmulo de jogos na temporada.

As principais ligas paradas para as seleções jogarem e a gente aqui descascando batata no porão. De novo. Por quê?

A resposta genérica é o calendário inchado. Mas podemos ser mais específicos. Onde você estava no dia 24 de janeiro deste ano?

Nesta quarta feira, na qual os times poderiam estar fazendo sua pré-temporada com tranquilidade – em especial o Grêmio, que entrou de férias depois dos demais porque disputou o Mundial de Clubes -, o São Paulo venceu em casa o Mirassol por 2 a 0, o Corinthians fez 2 a 1 sobre a Ferroviária. Mesmo placar da vitória do Palmeiras sobre o Red Bull Brasil no dia seguinte, enquanto o Santos perdia por 1 a o para o São Bento.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro o Flamengo vencia o Bangu por 1 a 0, o Vasco era derrotado pela Cabofriense por 2 a 1 e o Fluminense empatava sem gols com a Portuguesa da Ilha. Na quinta, vitória do Botafogo sobre o Macaé por 2 a 1. No Rio Grande do Sul, o Grêmio perdeu para o Avenida por 3 a 2 e o Internacional foi superado pelo Caxias por 2 a 1. Em Minas, o Cruzeiro enfiava 5 a 0 no Uberlândia e o Atlético, na quinta, perdia para o Villa Nova por 1 a 0.

Você lembra dessas partidas? Com todo o respeito que as equipes de menor investimento merecem, não dá para dizer que foi uma rodada de meio de semana perdida? A maioria de jogos deficitários, alguns com os grandes utilizando reservas e resultados que pouco interferiram no destino dos clubes dentro da temporada. Mesmo para quem valoriza os estaduais, até pelas boas cotas de TV, não dá para negar que foram datas jogadas no lixo.

Pois é…Se o seu time vai jogar hoje ou amanhã dentro de uma data FIFA, na qual poderia estar recuperando e treinando para se fortalecer e apresentar um desempenho melhor na volta do campeonato, é por causa desse 24 (e 25) de janeiro que só alimenta uma estrutura federativa ultrapassada, pouco eficiente e eficaz na gestão do futebol brasileiro.

É chato bater sempre na mesma tecla. Mas enquanto os mesmos erros forem cometidos pelos clubes que aceitam ser explorados e exauridos, nada fazem pensando no todo e só reclamam quando se sentem prejudicados será inevitável. Mais do mesmo. Uma pena.


Volta do Grêmio titular salva mais um Brasileiro “água de salsicha”
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André Rocha

Sim, o São Paulo foi heroico sem Nenê e Everton no quarteto ofensivo e perdendo Diego Souza expulso ainda no primeiro tempo contra o Fluminense no Morumbi. Na fibra conseguiu o empate com Tréllez, o reserva que já descomplicou outras partidas e é mais um recurso de Diego Aguirre.

Está com jeito de campeão e Internacional e Flamengo, os concorrentes principais no momento, aumentam essa impressão deixando pontos pelo caminho e falhando em partidas em que deviam confirmar a força na disputa. Mais Palmeiras e Cruzeiro ainda envolvidos com Copa do Brasil e Libertadores.

Para os são-paulinos, o cenário é maravilhoso. E há muitos méritos do time em um clube gigante sem conquistas relevantes há tanto tempo. Especialmente na personalidade e na força mental. Se protagonizar o sétimo título do tricolor do Morumbi não é justo colocar ressalvas ou asteriscos – a menos que algo excepcional aconteça neste returno.

Mas o rendimento é o mais do mesmo da “água de salsicha” que tem sido as últimas edições do Brasileiro. Ainda mais com as competições mata-mata sendo disputadas o ano todo. Calendário inchado, pouco tempo para treinar, pressão por resultados imediatos, torcidas insanas nos estádios e redes sociais. É pensar no próximo jogo da competição tratada como prioridade. Fazer o simples sem muita margem de evolução.

A exceção é o Grêmio. Mesmo com oscilações ao longo da temporada e a dura adaptação à perda de Arthur para o Barcelona, o time de Renato Gaúcho continua jogando, na média, o melhor futebol do país. Trabalho menos longevo que o de Mano Menezes no Cruzeiro, porém mais assimilado e conseguindo manter o rendimento acima dos demais.

É o único capaz de proporcionar espetáculos como os 4 a 0 sobre o Botafogo. Sim, adversário frágil em Porto Alegre. Mas quantas vezes os demais concorrentes envolveram com tanta facilidade os oponentes mais fracos e ainda brindando o público com belas tabelas, triangulações e dribles?

Maicon assumindo a organização, Luan encontrando espaços entre a defesa e o meio-campo adversários – mesmo sem a fase de melhor da América em 2017. Na frente, enfim Jael se firmando como titular e Everton Cebolinha como o elemento desequilibrante partindo da esquerda para criar e finalizar. Alta posse de bola, ocupação do campo de ataque, mas também com solidez defensiva. Subiu para o quinto ataque mais positivo e segue como a equipe menos vazada.

Caiu na Copa do Brasil para o Flamengo, sim. Sendo inferior aos rubro-negros nos 180 minutos, mas tendo períodos de domínio e colocando o adversário em risco. Sem abrir mão da sua maneira de jogar que nos melhores momentos combina beleza e eficiência como nenhum outro no Brasil.

É claro que há outros times em ascensão e que merecem ser lembrados, como o Atlético Paranaense de Tiago Nunes e o Santos de Cuca. Mas com outros objetivos no campeonato. Há pouco ficar longe do Z-4, agora alcançar o G-6. Difícil sonhar mais alto que isso.

O Grêmio está a seis pontos do São Paulo faltando 16 rodadas. Diferença perfeitamente reversível, mas com a Libertadores como obsessão do clube e  boas possibilidades de eliminar o Tucumán para chegar às semifinais, a falta de foco e a utilização de reservas em jogos importantes devem tirar o fôlego para uma arrancada. Só se os suplentes encaixarem bons jogos nesses hiatos. Fica mais difícil com a competição afunilando, momento em que times lutando para não cair dão a vida por pontos.

Tudo é risco e a competição tratada como prioridade não é fácil de vencer. Pode até terminar o ano apenas com as conquistas do Gaúcho e da Recopa Sul-Americana e ver um Cruzeiro ou Palmeiras como o time do ano faturando as taças no mata-mata. No país do futebol de resultados talvez falem até em “fracasso”.

Ainda assim, seguirá ostentando o futebol mais agradável às retinas. A salvação até aqui de mais um Brasileiro achatado por baixo em técnica e tática.


São Paulo e Internacional sofrem com a “síndrome do favoritismo”
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André Rocha

Quantas vezes você já ouviu logo após alguma conquista ou grande vitória no futebol brasileiro um jogador ou treinador, ainda na emoção e adrenalina do triunfo, falar que “ninguém acreditava na gente, mas trabalhamos quietinhos e está aí o resultado!” ou coisa parecida?

É muito comum porque faz parte da nossa cultura. Dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira, a rigor, apenas o de 1962 foi com o favoritismo da conquista de 1958 e da base mantida. Ainda assim, teve que superar o abalo da perda de Pelé por lesão no Mundial do Chile.

Ser zebra é cômodo, não traz grandes responsabilidades. O trabalho motivacional tem um alvo fácil: “eles”, os que não acreditam e menosprezam. Mais fácil mobilizar, manter todos concentrados. Até uma raiva no limite certo colabora para competir mais forte.

No cenário do favoritismo só há exigências. De resultados e, na maioria das vezes, de espetáculo. Uma cobrança estética que é inviável por aqui pela falta de continuidade dos trabalhos, as constantes mudanças no elenco e a saída para o exterior dos mais talentosos ou que estejam se destacando.

São Paulo e Internacional não podiam ser considerados favoritos antes do Brasileiro. Até o Flamengo era uma incógnita, pela perda do Carioca e a demissão de Paulo César Carpegiani, sucedido pelo jovem Maurício Barbieri. O rubro-negro acabou surpreendendo nas primeiras doze rodadas antes da Copa do Mundo. Mesmo com alto investimento, a liderança conquistada com bom desempenho era inesperada.

Bastou retornar com o peso da expectativa, associada à saída de Vinícius Júnior para o Real Madrid e alimentada pela galhofa da torcida com o mantra “Segue o líder!”, para o rendimento cair. Com o “agosto negro” emendando partidas da Série A com Libertadores e Copa do Brasil, o desgaste completou o serviço.

Subiu o São Paulo e, no “vácuo”, o Internacional. Dedicados apenas ao Brasileirão, se transformaram nos times a serem batidos. Responsabilidade desconfortável mesmo para clubes grandes, porém com torcidas sofridas e sem grandes expectativas a curto prazo. De repente todos os holofotes estavam virados para a dupla de redivivos.

Junte a isso os modelos de jogo de Diego Aguirre e Odair Hellmann mais voltados para o controle de espaços, marcação com intensidade e saídas para o ataque em velocidade e temos duas equipes que sofrem quando precisam ocupar o campo de ataque e criar. Sem contar a instabilidade emocional e a insegurança para se impor.

Mais uma vez, o paradoxo: os resultados são construídos de uma maneira até a equipe alcançar o topo. Uma vez lá, para mantê-los é preciso mudar o estilo. O contexto exige, com adversários fechados. Agora o “franco atirador” está do outro lado.

Não por acaso o São Paulo empatou com o Paraná fora de casa e sofreu para vencer o Ceará no Morumbi. Nem jogou mal, apesar das 36 bolas levantadas na área do oponente, mas a dificuldade imposta, mesmo por times lutando para se manter na primeira divisão, é maior. As virtudes e defeitos são mais estudados. Além disso, como estimular e mobilizar se agora todos respeitam e muitos até temem? Não há nada a superar quando se está no topo.

Ou mesmo perto dele. O Internacional encarou seu primeiro grande duelo dos seis que terá no Beira-Rio neste returno. Expectativa e favoritismo, até pela opção de Luiz Felipe Scolari de escalar um Palmeiras repleto de reservas no Brasileiro para priorizar os torneios de mata-mata. Para complicar, a pressão por conta da vitória do São Paulo no jogo das 11h.

Resultado: um time tenso e ainda mais travado pela postura ofensiva do visitante, que finalizou 15 vezes contra oito, mesmo com apenas 42% de posse de bola. O Colorado hesitou quando mais se esperava dele. Talvez a ansiedade pela busca de um título que não vem desde 1979 justamente no ano da volta do inferno da Série B tenha pesado. Mas a partir de agora, já escaldado e sem preocupar tanto os adversário, é possível que as partidas ganhem menos peso.

Porque o favoritismo joga contra, ainda mais nos pontos corridos. No mata-mata há a imprevisibilidade, a chance do time menos poderoso se impor em casa ou surpreender fora. Na liga quem está na frente passa a ser tratado como a referência.

Repare nos últimos campeões: o Corinthians era chamado de “quarta força” em 2017, mas quando disparou na ponta sofreu contra equipes menores, principalmente em casa, pela obrigação de atacar. A vitória chave, sobre o Palmeiras, veio quando o time, mesmo ainda na primeira colocação, foi tratado como “zebra” por conta má fase. Fabio Carille mexeu no time, voltou a unir todos em torno de um “inimigo” e o triunfo no clássico encaminhou o hepta.

No ano anterior, o Palmeiras de Cuca liderava, mas parecia o azarão com o Flamengo atraindo toda atenção para si com o papo do “cheirinho”. Justamente o que manteve todos no Alviverde ligados e sem dar chance ao azar. Com a conquista e o aumento de investimento no elenco, mudou de patamar e, pressionado, não venceu mais nada.

Voltando à exigência por espetáculo, curioso observar que com Roger Machado havia uma cobrança por um estilo vistoso que não se vê com a volta de Felipão. Agora é futebol de resultados e só. Com menos pressão é possível pensar em novas conquistas.

Veja o Flamengo. Quando Eduardo Bandeira de Mello assumiu em 2013, a promessa era de títulos em dois anos, depois de equacionar dívidas e aumentar as receitas. Pois foi justamente no primeiro ano, com o elenco que foi possível montar dentro da austeridade financeira, que veio o único título nacional desta gestão: a Copa do Brasil. Desacreditado e arrancando na reta final. Agora, com uma contratação de impacto por ano desde 2015, o Fla coleciona fracassos no mais alto nível.

Por aqui vale muito o dito popular “quem tudo quer nada tem”. Mais fácil fingir que não pode, fazer o papel de coitadinho. Antes São Paulo e Internacional podiam blefar, agora não têm para onde correr. É preciso conviver e saber lidar com a “síndrome do favoritismo” tipicamente brasileira. Na segunda rodada do returno, o tricolor do Morumbi se saiu melhor e aumentou a vantagem na liderança.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


São Paulo é “campeão” do turno porque lidera estatísticas mais importantes
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André Rocha

Foto: Luciano Belford/AGIF

Ser líder em passes certos e posse de bola é importante e o Grêmio pode celebrar o feito em 19 rodadas do Brasileiro, até porque não utilizou os titulares em todas as 19 rodadas. Sinal de que o modelo de jogo da equipe de Renato Gaúcho está mais que assimilado.

Ostentar o ataque mais positivo e finalizar mais que os concorrentes também são boas notícias, como no Atlético Mineiro. Comprova em números que a proposta ofensiva do jovem treinador Thiago Larghi consegue ser efetiva, como nos 3 a 0 sobre o Botafogo no Estádio Nílton Santos. Só precisa equilibrar melhor a relação com o número de gols sofridos (36 a 26).

Por isso o São Paulo é o líder do campeonato e termina como “campeão” do turno. Não marcou mais gols, nem foi a defesa menos vazada, que continua sendo a do Grêmio com oito gols. Mas com 32 marcados e 16 sofridos é o time mais equilibrado. O tricolor gaúcho anotou apenas 23. O vice-líder Internacional, não por acaso, é o segundo neste balanço: 27 a favor, 12 contra. O outrora líder Flamengo perdeu terreno com os 3 a 0 sofridos em Curitiba para o Atlético Paranaense. Agora tem 15 gols sofridos e 29 marcados.

Tão fundamental quanto é outra estatística que o time do Morumbi também lidera: o número de finalizações necessárias para fazer um gol. Quanto menor, melhor. A equipe de Diego Aguirre precisa de apenas seis – o número exato na média é 6.2. O Atlético Mineiro está mais perto de sete (6.9), Internacional de nove (8,6) e Grêmio das dez (9,9).

Em uma disputa tão equilibrada, não desperdiçar tantas chances faz diferença. Principalmente se for a primeira, como na vitória são-paulina por 2 a 0 sobre a Chapecoense no Morumbi. Passe de Edimar, gol de Shaylon. Dois reservas, mas com a eficiência dos titulares. Descomplicaram o jogo transferindo confiança e baqueando o oponente. Quando perde a oportunidade o efeito é inverso.

Pode parecer simplismo, mas quando as equipes no pelotão de frente são parecidas taticamente e niveladas na técnica, a precisão é elemento fundamental. O São Paulo não tem o artilheiro da competição – Pedro, do Fluminense, com dez gols. Mas tem Diego Souza e Nenê com sete e é o único time que conta com dois jogadores entre os cinco primeiros nas assistências: Everton com seis e Joao Rojas com quatro. Retrato da eficiência do quarteto ofensivo do 4-2-3-1 de Aguirre, cada um em sua função.

O melhor para o são-paulino é que é possível vislumbrar uma evolução com apenas o Brasileiro para se dedicar. Aguirre rodou o elenco e resposta foi boa. Mesmo sem o desgaste de competições paralelas é bom ganhar opções para entrar no time e manter o desempenho.

O returno é uma incógnita com o Palmeiras de Felipão conseguindo ser competitivo mesmo utilizando time reserva, Grêmio e, muito provavelmente, o Flamengo se dedicando apenas a um campeonato em paralelo, o Galo consolidando uma reconstrução depois de muitas mudanças no elenco. Principalmente, o Internacional com a tabela indicando todos os duelos com os principais concorrentes no Beira-Rio e também totalmente focado na principal competição nacional.

Seja como for, o São Paulo segue um roteiro vencedor. As estatísticas apenas ilustram a superioridade em 19 jogos, especialmente os sete depois da Copa do Mundo. Os 18 pontos em 21 possíveis mudaram o eixo do campeonato. Méritos de quem encontrou primeiro o equilíbrio.

(Estatísticas: Footstats)

 


Internacional deve perseguir o São Paulo pela mesma “estrada limpa”
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André Rocha

Teve chuva de granizo, queda de energia e gramado pesado pela forte chuva no Independência. Prejudicou o nível técnico de uma disputa que prometia. No detalhe, o Internacional fez 1 a 0 no Atlético-MG e subiu para 32 pontos, ficando a dois do Flamengo e três do agora líder São Paulo.

Gol de Edenílson, o detalhe tático do amadurecimento do trabalho de Odair Hellmann. Antes um volante, agora um dos meias por dentro, alinhado a Patrick e à frente de Rodrigo Dourado no 4-1-4-1 do time gaúcho que relegou D’Alessandro à reserva e tem Nico López pela direita. Canhoto, cortando para dentro procurando o centroavante – antes Damião, agora o uruguaio Jonatan Álvez. Do lado oposto, William Pottker parte da ponta acelerando e infiltrando em diagonal aproveitando o deslocamento do atacante de referência e abrindo o corredor para as descidas do lateral Iago.

Nada excepcional, mas competitivo. Voltando da Série B, vai aos poucos ganhando confiança. Em Belo Horizonte, alcançou sua terceira vitória como visitante. Sofrendo no primeiro tempo contra um Atlético modificado, mas ainda com a proposta do jovem treinador Thiago Larghi de controlar a posse de bola – terminou com 56% de posse –  e acelerar na frente com Luan e Chará pelos flancos e infiltrar com Elias para não isolar Ricardo Oliveira.

Finalizou 11 vezes contra oito do Inter, podia ter empatado no chute do Luan que bateu na trave esquerda de Marcelo Lomba. O Colorado, porém, confirmou sua solidez defensiva: sofreu apenas 12 gols, junto com o Flamengo e atrás apenas do rival Grêmio, com oito. Mas ultrapassou o tricolor gaúcho na tabela.

Sem Copa do Brasil e competição sul-americana pelo caminho, o Internacional pode priorizar o Brasileiro. Finaliza o turno visitando o Fluminense e recebendo o Paraná. Termina agosto saindo contra o Bahia e enfrentando o Palmeiras no Beira-Rio.

Por que o detalhe para o mês corrente? Exatamente o período complicado para quem ainda vive no torneio nacional e na Libertadores depois da volta da parada para a Copa do Mundo. Particularmente o Flamengo, que já sentiu ao encarar o Grêmio duas vezes e ainda tem três duelos com o Cruzeiro. Apenas dois pontos na frente do Colorado.

Assim como aconteceu com o Corinthians no ano passado, a “estrada limpa” pode fazer a diferença. Se o São Paulo não conseguir reverter na Argentina a desvantagem contra o Colón pela Sul-Americana, só restará para ambos o Brasileiro.

É claro que times que fiquem pelo caminho no mata-mata terão tempo até o início de dezembro para se recuperarem, ainda que com confiança abalada por eliminações quase sempre traumáticas. Mas não deixa de ser uma vantagem dos dois gigantes redivivos para polarizar a disputa pelo título.

(Estatísticas: Footstats)

 


São Paulo agora é líder, com a mão de Diego Aguirre e um toque de humildade
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André Rocha

O gol de Joao Rojas no primeiro minuto do jogo no Morumbi era tudo que o São Paulo precisava para não complicar o duelo contra o Vasco como aconteceu na derrota para o Colón pela Sul-Americana. O jogo parecia ficar à feição da equipe que trabalha melhor com espaços para acelerar as transições ofensivas.

Mas o tricolor deu a impressão de se acomodar dentro de uma proposta de atrair o adversário para o seu campo, controlar espaços e esperar que o contragolpe ou uma bola parada surgisse naturalmente para ampliar a vantagem no placar.

Só que este São Paulo de Diego Aguirre precisa de agressividade na marcação e não recuar tanto as linhas para se defender na execução do 4-2-3-1. Porque Rojas e Everton ocupam a segunda linha de quatro e se ficarem no próprio campo deixando Diego Souza e Nenê na frente o time perde velocidade. Precisa que a dupla de veteranos retenha a bola na frente à espera dos companheiros.

Talvez a intenção tenha sido administrar o fôlego depois do desgaste físico e mental na quinta diante de um oponente que teve uma semana cheia de trabalho. Mas desperdiçou a chance de aproveitar o estádio quente e tentar definir o jogo com intensidade nos primeiros 45 minutos.

Pior foi a desconcentração na volta do intervalo, com muitos espaços entre os setores. Bem aproveitados por Andrés Ríos e Giovanni Augusto, o meia central do 4-2-3-1 cruzmaltino, que entrava às costas de Liziero e Hudson para servir os companheiros. Passe preciso e o sétimo gol de Yago Pikachu, a grande estrela vascaína na competição, entrando às costas de Bruno Alves.

O São Paulo foi da letargia ao desespero. Muitos passes errados cedendo contragolpes seguidos ao Vasco, que desperdiçou boas chances. Chute perigoso de Giovanni Augusto e em várias situações o lateral improvisado Luiz Gustavo se juntando a Pikachu fazendo dois contra o lateral Reinaldo.

Aguirre precisava mexer e teve coragem. Tirou Nenê e Diego Souza e colocou Carneiro e Tréllez. Mudanças que poderiam gerar reclamações das estrelas – socos no banco de reservas, chutes nos copos de água. Nada disso, apenas apoio. De todos. Até porque estava claro que o ataque precisava de gás.

Mas o gol do desafogo saiu na jogada com protagonistas que estavam em campo e já desgastados. Arrancada de Liziero, Everton ganhou de Luiz Gustavo e cruzou para Tréllez. Desta vez a bola aérea funcionou, com o toque que tirou de Martin Silva. A quinta assistência do ex-jogador do Flamengo. Gols em dois dos 30 cruzamentos em 90 minutos.

Na beira do campo, Nenê e Diego Souza comemoraram com Aguirre. Um detalhe que vira clichê nas vitórias e conquistas, mas que em qualquer ocasião tem seu simbolismo. E deixa claro que o São Paulo, mesmo oscilante, está mobilizado atrás do título que não vem há uma década.

Fundamental em jogo que se mostrou mais equilibrado que o esperado: nove finalizações para cada lado e 52% de posse de bola do time de Jorginho. Mas 24 desarmes certos dos são-paulinos, o dobro do Vasco. Tão simbólico quanto a ascensão à liderança logo na primeira rodada do campeonato no temido agosto para o Flamengo. Para o clube paulists, depois de três anos.

Se mantiver a mão firme do treinador e a humildade dos jogadores priorizando o coletivo é possível ampliar a vantagem no topo da tabela. Mesmo com o sofrimento e a ansiedade de um gigante que não levanta taças desde 2012.

(Estatísticas: Footstats)


São Paulo cruza tempestade com nove pontos em doze. Agora é com o Flamengo!
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André Rocha

A sequência dura para o São Paulo veio na volta da parada para a Copa do Mundo: o próprio time carioca no Maracanã, clássico contra o Corinthians, Grêmio em Porto Alegre e Cruzeiro no Mineirão. Sequência em que não seria nenhuma catástrofe somar quatro ou cinco pontos. O time de Diego Aguirre conseguiu nove!

Os três últimos num daqueles jogos de afirmação como candidato ao título. Logo após uma derrota doída de virada para o atual campeão da Libertadores, com um dia a menos de descanso que o adversário, sem os suspensos Militão, Arboleda e Hudson, mais o lesionado Jucilei. Diante de um Cruzeiro precisando de recuperação depois da derrota para o Corinthians em São Paulo, mesmo cumprindo boa atuação.

O tricolor paulista foi pragmático: Araruna na lateral direita, Bruno Alves na zaga, Liziero e o garoto Luan na proteção da defesa no mesmo 4-2-3-1. Novamente muita eficiência nos contragolpes. O primeiro de manual, no rebote da bola parada: partindo de Reinaldo pela direita, invertendo para Rojas deslocado pela esquerda. Assistência do equatoriano e gol de Diego Souza. No segundo tempo, outra saída rápida. De Rojas para Reinaldo, que chutou e, no rebote de Fabio, serviu Everton em condição legal.

Duas das quatro finalizações no alvo em um total de oito. 48% de bola. Também sorte na cobrança de pênalti de Barcos no travessão de Sidão com o placar em 1 a 0. O time mineiro finalizou também quatro no alvo, mas em um total de 15. O São Paulo, mais uma vez, foi letal.

E tem a chance de tomar a liderança do Brasileiro em agosto. Eliminado na Copa do Brasil, terá apenas a Copa Sul-Americana em paralelo. Dependendo do que acontecer no jogo de ida na quarta no Morumbi pode até priorizar totalmente a competição nacional. Encara Vasco, Chapecoense e Ceará em casa e sai contra Sport e Paraná. Todos na metade de baixo da tabela, Três na zona de rebaixamento antes do início da 16ª rodada. Em cinco jogos pode sonhar com 11 ou 12 pontos.

Já o Flamengo, que manteve os dois pontos de vantagem na dianteira, terá um mês insano. Com uma particularidade: enfrenta no Brasileiro os adversários nas quartas da Copa do Brasil e nas oitavas da Libertadores. Ou seja, três duelos contra Grêmio e Cruzeiro. Dois fora contra os gaúchos e dois em casa diante dos mineiros.

Com desgaste emocional, rivalidade, questões de arbitragem, entradas duras e discussões transferidos de um jogo para o outro. Sem contar a necessidade de rodar um elenco que até aqui não demonstrou força e versatilidade para a empreitada. Ainda América-MG e Atlético-PR fora. O único jogo tranquilo, em tese, seria o Vitória no Rio de Janeiro. Nove partidas contra sete do principal concorrente.

Uma missão que não é impossível e a atuação nos 4 a 1 sobre o Sport, com destaque para Marlos Moreno e Everton Ribeiro, somada à chegada de Vitinho credencia o rubro-negro a sair vivo no mata-mata e nos pontos corridos. A questão é se entra setembro ainda no topo da tabela do Brasileiro. Porque o São Paulo mostrou resistência ao cruzar a tempestade e agora espera o céu de brigadeiro para chegar à primeira colocação e até tentar abrir vantagem. Como duvidar?

(Estatísticas: Footstats)


Agora é oficial: o São Paulo competitivo está de volta
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André Rocha

A vitória do Flamengo sobre o Botafogo no Maracanã tirou do São Paulo a chance de tomar a liderança. O clássico no Morumbi se fazia perigoso, em tese, pelas ausências do goleiro Sidão e de Everton, autor do gol da vitória sobre o Fla na quarta e um dos pilares da recuperação tricolor na temporada.

Logo contra o Corinthians, algoz histórico e que vinha de vitória sobre o Botafogo na volta após a parada para a Copa do Mundo. Em tempos recentes seria um jogo para o tricolor paulista fraquejar. O peso dos anos sem conquistas relevantes, as constantes mudanças no clube. Uma pecha de time que hesita em momentos decisivos.

A resposta do São Paulo foi emblemática e a mais esperada por seu torcedor: um futebol competitivo. Marca do comando técnico de Diego Aguirre. No primeiro tempo até exagerando um pouco nas reclamações. Hábito que as equipes vêm cultivando em clássicos para mostrar que está ligado e inteiro no jogo que realmente importa para o torcedor pela rivalidade local. 45 minutos de muitas faltas também: 22. Praticamente uma a cada dois minutos.

Na segunda etapa, a dose certa. Cometeu apenas uma falta e construiu volume ofensivo na execução do 4-2-3-1 com Edimar na lateral esquerda dando liberdade a Reinaldo como meia e Liziero, substituto de Jucilei, fazendo a bola chegar mais rápida ao quarteto ofensivo. Ataques seguidos a ponto de assustar a retaguarda do rival, que cedeu escanteios bobos e evitáveis.

Até a cobrança pela esquerda e gol de Anderson Martins. Em outros tempos tentaria administrar a vantagem. Como fez na semifinal do Paulista e pagou com o gol de Rodriguinho no final que levou para os pênaltis e terminou em mais uma eliminação. Mas agora sobrou fome.

Segundo com Reinaldo, na insistência. Depois bola no travessão em cobrança de falta de Diego Souza. Nenê quase marcou gol olímpico. Cássio evitou. O goleiro corintiano, de atuação portentosa na vitória sobre o Botafogo, acabou levando um frangaço em outro chute de Reinaldo. No final, o gol de Jonathas. Atacante estreante que podia ter transformado a história do clássico se aproveitasse chance clara, á frente de Jean, no primeiro tempo.

Contra este São Paulo não pode haver erro, porque dificilmente terá outra chance. Na provável despedida de Rodriguinho, negociado com o futebol egípcio, o Corinthians descobriu de uma forma dolorosa. O time de Aguirre, que pode perder Éder Militão para o Porto, chega a quatro vitórias seguidas, cinco partidas de invencibilidade depois do revés contra o Palmeiras.

A torcida compareceu: quase 60 mil presentes. Novamente cantou que “o campeão voltou”. Se esta saga vai terminar com o sétimo título brasileiro é difícil prever. Mas agora é oficial: hoje o São Paulo é forte e voltou a impor respeito. Em qualquer campo. Vencer o Majestoso com autoridade era o “batismo de fogo” que faltava.


São Paulo vence Flamengo pela melhor reposição das perdas
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André Rocha

A parada para a Copa do Mundo foi importante para recuperação física e um período mais longo de treinamentos. Mas era natural que na volta os times, mesmo descansados, sentissem a falta de ritmo de competição e a baixa intensidade.

A vantagem do São Paulo foi manter a base da boa campanha nas 12 primeiras rodadas e adicionar o equatoriano Joao Rojas, que teve ótima atuação na estreia. Fez todo o corredor pela direita, repondo as saídas de Marcos Guilherme e Valdívia, auxiliando Éder Militão sem a bola e no ataque dando trabalho a Renê, que não teve o devido auxílio de Marlos Moreno.

O colombiano foi a reposição possível no elenco disponível para a saída de Vinícius Júnior para o Real Madrid. Mas foi um elo fraco, caindo demais e não dando sequência às jogadas. Só apareceu em uma boa descida pela esquerda no segundo tempo, servindo Diego, que chutou e Guerrero completou de cabeça para fora.

O peruano entrou na vaga de Henrique Dourado, suspenso. Tecnicamente, um “upgrade” considerável. Mas estava claramente fora de sintonia em relação aos companheiros e ao modelo de jogo de Maurício Barbieri. Errou lances bobos e repetiu um problema que prejudicou o Fla tantas vezes e também o Peru na Copa do Mundo: precisa de muitas finalizações para ir às redes. Desta vez foram seis, duas no alvo. Nenhum gol. Um problema quando o time não tem outros bons finalizadores.

Para complicar, a ausência de Cuéllar, também suspenso. Com Jonas negociado, sobrou para Rômulo. O volante contratado como solução em 2017, mas que nunca rendeu o esperado, até que não jogou mal. Mas sozinho na proteção com o avanço de Lucas Paquetá na execução do 4-1-4-1 e com a falta da intensidade na pressão logo após a perda da bola que foi uma das armas do Fla nas vitórias que levaram o time à liderança do Brasileiro acabou penando.

Até dar lugar a Trauco. Com Matheus Sávio de volta ao time no lugar de Everton Ribeiro e a estreia do colombiano Fernando Uribe na vaga de Marlos, o Fla partiu para o ataque em um 4-4-2 engessado, abusando dos cruzamentos (42 no total). Podia ter empatado com Uribe em duas chances claras. Perdeu a primeira, livre, em um rebote de Sidão, e na segunda nitidamente “pipocou”: mesmo com liberdade para avançar e chutar, preferiu esperar Guerrero para transferir a responsabilidade.

Melhor para um São Paulo aguerrido, como exige o treinador Diego Aguirre. Com Anderson Martins absoluto na zaga e Liziero entrando bem no lugar do lesionado Jucilei, tornando o meio-campo mais dinâmico. Outra reposição para melhor no tricolor paulista. Nenê e Diego Souza contribuíram com luta e experiência para administrar a vantagem.

O destaque, porém, foi mesmo Rojas, que deu encaixe ao 4-2-3-1 de Aguirre e também a assistência para o gol de Everton. Valeu de novo a “lei do ex”. Um prêmio a quem se dedicou voltando com Rodinei na recomposição e acelerando os contragolpes. Ainda respeitou a massa rubro-negra no Maracanã cheio não comemorando o gol único da partida.

Mas decidiu. Na melhor das duas finalizações no alvo do São Paulo, no total de 14. O Fla concluiu 24, nove na direção da meta de Sidão. Terminou com 58% de posse de bola. Mais inteiro que um adversário extenuado e que perdeu força na transição ofensiva com Araruna, expulso nos acréscimos, e Tréllez na vaga de Everton.

De qualquer forma, não faltou apenas o gol ao ainda líder. O Fla precisa de qualidade no banco e contundência na frente, por isso está no mercado. O São Paulo parece mais pronto para a retomada do campeonato. Com apenas a Sul-Americana em paralelo, é time pra brigar pelo topo da tabela.

(Estatísticas: Footstats)