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Com Douglas Costa, Tite projeta uma seleção mais ofensiva
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André Rocha

O gol aos 11 segundos de Diego Souza em bola roubada no campo de ataque condicionou toda a sequência do amistoso em Melbourne. Não virou goleada ainda no primeiro tempo pelo natural desentrosamento de uma seleção brasileira muito modificada e também pelo trabalho de pressão no campo de ataque e compactação defensiva da Austrália.

De positivo, a paciência e a vontade de qualificar a saída de bola, mesmo com a pressão adversária. Por isso a opção por David Luiz à frente da defesa. Este e mais Thiago Silva e Rodrigo Caio tiveram desempenho correto e ainda apareceram na jogada aérea que terminou no segundo gol, de Thiago. Interessante para transferir ainda mais confiança para o zagueiro em seu processo de retorno à seleção.

Mas, pensando no futuro, valeu a observação da movimentação do trio de meias atrás de Diego Souza. Variação natural do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 quando Philippe Coutinho avançava, Paulinho ficava mais próximo a David Luiz. Giuliano e Douglas Costa pelos flancos, alternando o posicionamento em alguns momentos para atuar com os pés trocados – o canhoto à direita, o destro pela esquerda.

Infelizmente Coutinho e Douglas não renderam o esperado, nitidamente sentindo na parte física o fim de temporada europeia. Porque Tite pensa mais à frente em uma proposta ofensiva reunindo Coutinho, Douglas Costa, Neymar e Gabriel Jesus. Com trocas de posição, tabelas e triangulações. O primeiro ensaio com Douglas, disponível depois de cortes por lesões, teve alguns bons momentos. Merece uma experiência mais à frente.

Assim como Diego Souza novamente correspondeu e fica como uma alternativa para quando faltar Jesus ou Roberto Firmino. Tem personalidade e rende na função de pivô, ainda que não jogue assim no Sport. Ainda marcou o quarto gol, de cabeça. Willian e Taison entraram e foram os protagonistas da jogada do terceiro gol, marcado pelo ponteiro do Shakhtar Donetsk.

Com auxílio luxuoso de Paulinho, titular nas duas partidas por sua consistência. Em técnica e fisicamente. Com leitura de jogo para ser volante e meia. Meio-campista. Aposta de Tite que pode seguir como titular até mesmo nesta variação mais ofensiva no futuro. Hoje está à frente de Renato Augusto.

Apesar da vibração do treinador nos gols, os 4 a 0 têm o mesmo peso da derrota para a Argentina. Nenhum. Importante foi fazer observações e notar que o modelo de jogo está bem assimilado, mantendo a competitividade mesmo com tantas alterações. O trabalho caminha bem. Basta seguir como está: atento e inquieto.


Nova Argentina de Sampaoli, um ótimo teste. Resultado é o que menos importa
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André Rocha

Tite tinha dois problemas para o clássico sul-americano em Melbourne: a formação sem muito entrosamento em função da busca por novos testes e observações. Principalmente, a falta de parâmetros consistentes de observação para imaginar como viria a Argentina, agora comandada por Jorge Sampaoli.

E a albiceleste chegou bem diferente. Não só no sistema tático – um 3-4-3 com Di María bem espetado à esquerda e Messi e Dybala mais próximos de Higuaín – mas também na dinâmica, nos comportamentos, nas ideias de jogo.

O resultado foi uma disputa com altíssima intensidade: pressão sobre quem estava com a bola e muitos deslocamentos. Menos Messi, mantendo seu estilo de trotar em campo e só acelerar com a bola ou na possibilidade de recebê-la. Prejudica coletivamente, mas tem a peça capaz de desequilibrar.

O 3-4-3 de Sampaoli com intensidade e velocidade pela esquerda com Di María, mas ainda precisando aproveitar o melhor de Messi e Dybala e ajustar o posicionamento defensivo. Brasil com muitas mudanças, mas mantendo o 4-1-4-1 que se manteve competitivo, apesar do desempenho abaixo da média de Philippe Coutinho no primeiro tempo aberto à direita (Tactical Pad).

Até as muitas substituições – necessárias para fazer experiências, mas que descaracterizam o jogo em si – a partida foi equilibrada. A Argentina tinha Di María levando vantagem seguidamente sobre Fagner, que destoou e ainda tentou cavar pênalti de forma grotesca. O Brasil sempre rendia mais ofensivamente quando acelerava o passe e aproveitava um “ponto cego” das equipes de Sampaoli: os espaços entre os zagueiros abertos e os alas.

Philippe Coutinho teve duas boas oportunidades, mas novamente não se sentiu confortável pelo lado direito na execução do 4-1-4-1. Por isso a inversão com Willian na segunda etapa. Tite manteve a ideia de manter Renato Augusto mais recuado, defendendo e organizando, e Paulinho chegando mais à frente. A melhor chance, porém, foi no passe longo de Fernandinho e os chutes nas traves de Gabriel Jesus e Willian.

O amistoso foi decidido na bola parada, com Mercado. Mais uma arma dessa Argentina de Sampaoli que tende a crescer. Basta encaixar melhor Messi e Dybala na proposta de jogo. Questão de tempo.

Tempo também ótimo para Tite. Sem foco em resultados, até porque em um passado recente alimentou-se uma ilusão pelas vitórias em partidas sem valer três pontos. Importante foi observar a seleção se mantendo competitiva em alto nível, mesmo sem toda a defesa titular, Casemiro e Neymar. Thiago Silva teve boa atuação e Gabriel Jesus, mesmo apanhando bastante, retornou mantendo o nível de desempenho.

A perda da invencibilidade e dos 100% de aproveitamento é uma questão menor. O teste foi ótimo! Que contra a Austrália o treinador fique mais à vontade, sem a rivalidade continental para exigir um cuidado mínimo. Se a Argentina não tem margem de erro, o Brasil construiu um cenário para já pensar na Rússia.


Sectarismo: a razão do fetiche de descobrir o time de coração do jornalista
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André Rocha

O torcedor que participa de fóruns, sites e grupos de WhatsApp dedicados ao seu time de coração já deve ter se deparado com a seguinte situação: uma crítica que é consenso nas discussões internas nunca é bem aceita quando sai da boca de um rival.

É como alguém de fora da família comentar o comportamento ou algum desvio de um pai ou irmão. É verdade, mas deve sempre ter tratada como “roupa suja se lava em casa”.

Esse fetiche de descobrir o time de coração do jornalista sempre me intrigou. Afinal, o que isso influenciaria no seu trabalho? Até porque, se a paixão não diluir ao longo do tempo, o mais comum é adotar um tom mais crítico com este mesmo time. Não para buscar isenção, mas por se importar mais com ele.

Particularmente, sempre preferi o futebol ao time de coração. Como já contei neste blog, cheguei ao ponto de assistir a um clássico no lado do rival no Maracanã e efetivamente torci para o melhor time à época, que me encantava.

A seleção brasileira também fica acima, até hoje. Legado do escrete de 1982 e todo seu simbolismo. A escolha do time, confesso, foi mais para contrariar a família portuguesa e também por ser o time mais vencedor naquele momento. Ou seja, optei pelo Flamengo de Zico, aos oito anos de idade.

Mas acreditem: com o tempo, o jornalista tende a torcer mais por suas convicções se concretizarem em resultados do que pela paixão de infância. Várias vezes, mesmo no estádio, preferi a vitória do adversário do rubro-negro por ser mais alinhado ao que acredito ser o melhor para o futebol.

O analista se preocupa com outras questões, como o legado de uma maneira de jogar, a visão de futebol de um treinador vitorioso e que pode entrar na linha de sucessão na seleção brasileira – no meu caso, essa paixão se transformou menos, apesar da CBF.

Mas para o torcedor a relação é direta: só quem torce para o clube pode opinar. Mesmo os mais críticos contam com uma paciência diferente. Se ele está apontando o erro é porque quer o melhor do time. Mas se torce para o rival só há uma explicação: quer plantar crise, prejudicar. Ainda que a observação seja ponderada, respeitosa…e exatamente a mesma que ecoa nos grupos dedicados ao clube.

Há as exceções, normalmente dos colegas que preferem, até pelo traço da personalidade, buscar um consenso, fugir da contundência e sempre procurar os aspectos positivos em todos os times. São os “caras legais”. Ainda mais se eles entram naquele grupo de torcedores mais críticos com o próprio time de coração. Aí é mais fácil ser perseguido pelos “irmãos” de cores e credos. Mas, como disse, de maneira diferente, mais branda. É “um de nós”.

Em qualquer cenário, porém, o que prevalece é o sectarismo. É transformar o time em seita, religião. Algo comum nos perfis criados em redes sociais. O indivíduo não tem rosto, nem nome. Tudo é relacionado ao clube, desde a foto até a descrição. Ali impera a intolerância e a intransigência.

Qualquer coisa que não é elogio vira perseguição de um rival. E, portanto, merece ser massacrado. Virtualmente e se cruzar na rua…Então comentaristas viram inimigos. O torcedor chega ao ponto de seguir apenas para patrulhar, quando ignorar seria o mais saudável para as duas partes. É até o mais lógico: se o que o jornalista diz não tem credibilidade, para que acompanhá-lo?

A resposta está na necessidade de ter um alvo para gritar “chupa!” quando seu time vence. Aquele inimigo imaginário que alguns treinadores criam quando ele não existe para motivar seus atletas. Reparem: quase toda conquista no Brasil é celebrada “para calar a boca”. De alguém que simplesmente é pago para expressar sua opinião e ajudar a formar a do público.

O jornalista que paga contas, às vezes tem que lidar com uma escala apertada que o enfia no estúdio e numa redação durante um dia inteiro. Que precisa conciliar isso com a família, amigos, estudo…E o torcedor tem certeza absoluta que ele passa o dia arquitetando um jeito de prejudicar o rival.

Não faz sentido. Mas na prática a derrota do rival é tão ou mais deliciosa que a conquista do próprio time. É preciso ter uma referência para transmitir, por oposição, valor ao que se ama. Sempre me intrigou em estádio, nos tempos de clássicos com duas torcidas, o torcedor que em vez de celebrar o gol do seu time e abraçar quem está do lado prefere se virar para o lado rival e xingar, apontar o dedo médio, etc.

É assim, não vai mudar. Ao menos por enquanto. Difícil entender. Mas me ajudou a compreender essa fissura pelos times dos jornalistas. É o sectarismo que precisa do “outro lado”. É estúpido, mas é humano. Mais uma prova de que nossa sociedade é doente. Resta sobreviver e manter respirando a paixão que iniciou todo o processo: o futebol.


O ponto em comum entre Pep Guardiola e a seleção brasileira de 1982
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André Rocha

Foto: Reprodução ESPN Brasil

Em entrevista ao repórter João Castelo-Branco, da ESPN Brasil, Pep Guardiola mostrou-se feliz e honrado, até emocionado, ao ser informado que, na gravação de um documentário sobre os 35 anos da derrota da seleção brasileira para a Itália em 1982, todos os jogadores daquela geração afirmaram que veem no futebol atual as equipes do treinador catalão com algo do time comandado por Telê Santana.

“É, provavelmente, o maior título que um treinador pode conquistar. As pessoas estão muito enganadas em pensar que só é título quando se ergue a taça. Não há coisa mais bonita que ver que uma geração de jogadores que jogou bola como esse Brasil de 1982 pode dizer coisas boas de uma pessoa ou dos times que ela treinou”, afirmou Pep em entrevista exclusiva.

No entanto, ao ser questionado duas vezes pelo entrevistador se aquele time foi uma influência na maneira de armar suas equipes, novamente foi político ao elogiar e concordar sobre o impacto que ela lhe causou, mas sem citá-la como referência em tática, estratégica ou modelo de jogo.

Impressão que vai ao encontro do que disse Martí Perarnau, autor dos livros “Guardiola Confidencial” e “A Metamorfose”, quando perguntado por este blogueiro se Guardiola tinha a escola brasileira como modelo:

“É verdade que depois de dois anos seguidos conversando com Guardiola sobre todo tipo de futebol, nunca houve um comentário de que o Brasil fosse uma referência tática para ele. Conversamos, sim, sobre aquela maravilhosa seleção de 1982, mas da mesma forma que qualquer um faz: aquela maravilha de Sócrates e companhia, uma pena que perdessem pelo que significou aquela derrota depois. Nada mais do que isso.”

De fato, basta uma pesquisa em entrevistas do treinador para perceber que suas referências são Marcelo Bielsa, Van Gaal, César Luis Menotti, Arrigo Sacchi, Juan Manuel Lillo e Johan Cruyff.

Mas é na Holanda que se encontra o ponto de encontro entre o Brasil de 1982 e Pep Guardiola: Rinus Michels e a sua seleção vice-campeã da Copa na Alemanha em 1974.

Porque Guardiola foi jogador de Cruyff no “Dream Team” do Barcelona no início dos 1990. Sempre teve o treinador como mestre. A maioria de suas ideias e de seus conceitos vêm da escola holandesa: pressão, movimentação, busca da superioridade numérica, qualidade na saída de bola e triangulações.

As mesmas que influenciaram Telê Santana em 1982. Pouco antes do início da segunda fase da Copa do Mundo contra Argentina e Itália, o treinador afirmou em entrevista ao Jornal do Brasil: “Temos um toque de bola e deslocamentos que desnorteiam os adversários, como a Holanda fez em 1974. Mas temos, acima de tudo, o que eles não tinham: a malícia, o toque perfeito e principalmente a criatividade”.

Não era raro ver a seleção brasileira no Mundial da Espanha fazendo pressão no campo adversário, recuando Falcão para qualificar ainda mais a saída desde a defesa e com muitos deslocamentos. A opção de Telê por não ter um ponta pela direita criou um problema defensivo que não foi corrigido – e o primeiro gol de Paolo Rossi no Sarriá deixa isso bem claro.

Por outro lado, nos jogos contra Argentina e Itália, a movimentação de Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico pelo setor renderam três dos cinco gols marcados. Primeiro Zico lançando, Falcão infiltrando como ponta e cruzando para Serginho marcar o segundo nos 3 a 1 sobre a Argentina. Diante da Itália, Zico limpou Gentile e lançou Sócrates às costas de Cabrini no primeiro; Falcão recebe, Cerezo passa como lateral, o meio-campista da Roma corta para dentro e marca um dos mais belos e emocionantes gols da história das Copas.

Sem contar as tabelas e triangulações em todo o campo. Com Éder aberto pela esquerda e Junior apoiando por dentro. O mesmo com Leandro do lado oposto com qualquer um do “quadrado mágico” no meio-campo que, na prática, formava um 4-2-3-1 meio “torto”, já que Éder era um ponteiro que recuava bastante para participar da articulação das jogadas. Futebol moderno dentro do contexto da época.

Mas perdeu. Para a Itália comandada por Enzo Bearzot, que também via influência da vice-campeã mundial de 1974 no time canarinho: “O futebol dos brasileiros está cada vez mais se aperfeiçoando. Parece a Holanda, com todos os jogadores trabalhando para o conjunto, sem destaque individual”, exaltou o treinador.

A última grande revolução do futebol mundial. O time de Rinus Michels comandado em campo por Cruyff. Com Krol, Neeskens, Van Hanegem, Rep e Rensenbrink. Do “arrastão” com dez jogadores correndo na direção do adversário com a bola. Da “pelada organizada”, como definiu João Saldanha pelo fato dos jogadores não atuarem fixos em suas posições. Craques técnicos e táticos, executando múltiplas funções.

O maior deles, Johan Cruyff, modelo para Guardiola. Treinado por Michels, exemplo para Telê. Eis a interseção, a conexão. Mais que isso, só a arrogância de ter certeza que tudo de bom que se faz no futebol mundial em todos os tempos foi invenção nossa.

Não foi, não é. Guardiola quer brasileiros no seu ataque para desequilibrar: pediu Neymar no Barcelona, levou Douglas Costa para o Bayern de Munique e hoje cobre Gabriel Jesus de elogios. Mas quer todo esse talento no último terço do campo.

Os alicerces de seu jogo vêm de outros pontos do mundo. Porque não se joga bola só por essas terras. Por mais que o Brasil de 1982 seja uma deliciosa lembrança.

 


Análise tática: Ponte Preta e Corinthians desconstroem a “moda” do 4-1-4-1
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André Rocha

Com o sucesso da seleção brasileira sob o comando de Tite, veio a impressão de que o 4-1-4-1 se consolidaria como tendência no futebol brasileiro. Como um dia foi o 4-2-3-1.

Ponte Preta e Corinthians até utilizaram o desenho tático com um volante entre duas linhas de quatro e mais um atacante durante a campanha na fase de grupos do Paulista. Mas bastou chegar os confrontos mais importantes para os treinadores Gilson Kleina e Fabio Carille alterarem o sistema.

Agora são duas linhas de quatro sem a bola que deixam dois jogadores mais adiantados. Para pressionar a saída de bola do adversário, mas também servir como referência para a transição rápida do campo de defesa.

De maneiras distintas, porém. Nos surpreendentes 3 a 0 sobre o favorito Palmeiras no Moisés Lucarelli, a Ponte compactou bem as linhas e não deu refresco ao palmeirense que estivesse com a bola. Pressão para tomar rápido e acelerar buscando o artilheiro William Pottker e Clayson, que saiu da direita para formar uma dupla na frente e criar problemas circulando às costas de Felipe Melo.

Mas sem enfraquecer o setor “abandonado”. Porque Jadson abria para fechar a segunda linha e atacava por dentro, deixando o corredor para as descidas de Jeferson, substituto de Nino Paraíba. Para cima de Zé Roberto, que não contava com o suporte de Dudu.

O Palmeiras de Eduardo Baptista dá a impressão de que confia na posse de bola e no temor que pode causar no oponente por conta de seu elenco de alto nível para o futebol que se joga na América do Sul para não ser atacado.

Só que o time de Campinas atacou e contra-atacou. No ritmo de Fernando Bob, volante elegante que distribui o jogo e aparece na frente. Com Lucca, infiltrando em diagonal para receber linda assistência de Pottker e marcar o segundo gol aos nove.

Porque o primeiro não precisou nem de um minuto para acontecer, com Pottker. Uma blitz na área palmeirense até o desvio do goleador do Paulista ao lado do são-paulino Giberto, com nove. O terceiro com Jeferson após falha grotesca de Zé Roberto. Seis finalizações, cinco no alvo. Três gols. Tudo isso em 33 minutos.

As linhas de quatro da Ponte Preta com todos defendendo no próprio campo, inclusive Clayson e Pottker. Jadson abrindo para bloquear o lado direito e Fernando Bob na proteção da última linha (reprodução TV Globo).

O Corinthians precisou de 45, mais três de acréscimo, no Morumbi para se impor com as mesmas linhas de quatro que adiantaram Rodriguinho para desequilibrar. Primeiro no passe preciso para Jô marcar seu sexto gol na temporada, quatro em clássicos. Depois o chute que Renan Ribeiro não impediu que chegasse às redes no lance final da primeira etapa. Ambos em vacilos de Jucilei, muito lento para a função que exerce na proteção da retaguarda.

A equipe de Carille confia mais no posicionamento. Nem precisa pressionar tanto a bola, porque em seu próprio campo tem os espaços como referência. Permite até o controle da pelota, mas nega brechas ao rival, especialmente na última linha defensiva.

Fabio Carille dá mais liberdade a Rodriguinho no novo desenho tático corintiano. A última linha de defesa segue posicional atrás de outra com quatro jogadores para negar espaços aos adversários (reprodução Premiere).

Bola roubada, a saída em velocidade e em bloco para aproveitar os espaços deixados pelo tricolor que parecia acertar o sistema defensivo. Mas era só a fragilidade dos adversários mesmo.

Rogério Ceni vai sofrendo com a “síndrome do caderno em branco”. Toda experiência como treinador é a primeira. Não foi o primeiro clássico Majestoso, mas este vale vaga na decisão. E seu time falhou. Continua mal posicionado atrás. Só valeu pela honestidade de Rodrigo Caio na anulação do amarelo para Jô, que sequer tocou em Renan Ribeiro. Questão de índole.

No segundo tempo subiu a posse para 62%, fez Cássio trabalhar com oito finalizações contra uma e criou espaços e chances até para empatar. Só que não é fácil vazar o melhor sistema defensivo do país até aqui em 2017 e que deve confirmar em Itaquera a vaga na final estadual.

O Palmeiras diminuiu os estragos na segunda etapa em Campinas. Também porque a Ponte preferiu controlar o jogo sem a posse (terminou com 44%) e administrar ótima vantagem para a volta no Allianz Parque. Mas não irreversível.

Para a volta, a melhor receita parece a mesma da ida: marcar e jogar. Com as duas linhas de quatro que fizeram Corinthians e Ponte mais sólidos e objetivos. Desconstruindo a “moda” do 4-1-4-1. Quarenta anos depois do gol histórico de Basílio, podem fazer novamente a final do Paulista.

(Estatísticas: Footstats)

 


Brasil na Copa! Agora é encarar gigantes, mas também retrancas “handebol”
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André Rocha

A vitória do Peru sobre o Uruguai por 2 a 1 de virada garantiu matematicamente o que estava claro no campo: o Brasil estará na Copa do Mundo da Rússia.

Com a confirmação oficial, o discurso de Tite é experimentar jogadores, manter a concorrência em alto nível por vagas não só no time titular, mas no grupo de 23 até a convocação final. Também medir forças com as principais seleções europeias em amistosos.

Importante para o próprio treinador ganhar cancha em grandes duelos internacionais além do continente. Ainda que os europeus tratem os jogos que não valem três pontos com menos seriedade, rodem o elenco e não se importem tanto com o resultado final.

Mas há um teste tão fundamental quanto os grandes clássicos mundiais para esta seleção brasileira: enfrentar uma retranca típica desta era do futebol moderno. A criada por José Mourinho para conter o Barcelona de Guardiola. Alguns chamam de “ônibus” na frente da própria área. Este que escreve prefere tratar como “handebol”. Leia mais AQUI.

Foi vista com frequência na última Eurocopa e criou problemas para grandes seleções. Uma linha de cinco na defesa, outra de quatro no meio. Mas tão próximas que em alguns momentos era possível ver sete ou até os nove fechando os espaços para a infiltração do adversário. Como o momento defensivo do handebol, obviamente com outra dinâmica e um campo maior para cobrir.

O exemplo mais radical foi a Irlanda do Norte que deu trabalho à campeã mundial e então favorita Alemanha. A linha de cinco se estreitava e permitia que os meias pelos lados também recuassem praticamente como laterais, formando uma barreira de sete homens que os favoritos abriram à forceps no gol único de Mario Gómez.

Flagrante da linha de sete defensores da Irlanda do Norte para conter o ataque alemão na fase de grupos da Eurocopa 2016. Lembra o handebol (reprodução Sportv).

Por que será importante para o Brasil de Tite? Ora, com o favoritismo que pode aumentar caso seja bem sucedido nos amistosos, os oponentes não terão vergonha de se retrancar. Mesmo os mais tradicionais. E certamente numa fase de grupos ou até nas oitavas-de-final não será surpresa ter pelo menos dois adversários adotando esta prática.

Para abrir esse ferrolho, o posicionamento dos jogadores é tão importante quanto o drible, a movimentação e a inventividade na criação de espaços. No 4-1-4-1 de Tite, Philippe Coutinho e Neymar são pontas que procuram o meio para tabelas e triangulações. Os laterais, Daniel Alves e Marcelo, que poderiam abrir bem e esgarçar a marcação também tendem a centralizar. Para furar a linha de handebol fica mais complicado.

A Austrália, adversária no amistoso que será disputado em junho, costuma atuar com três zagueiros. Mas vale o teste contra uma seleção da Europa. País de Gales, de Gareth Bale, chegou à semifinal da Euro se defendendo com cinco na última linha e recuando até o seu grande craque para negar espaços. Pode ser um rival interessante. Sérvia também joga com cinco atrás. A própria Irlanda do Norte.

A Itália venceu ontem a Holanda de virada em Amsterdã por 2 a 1 com Zappacosta, Rugani, Bonucci, Romagnoli e Darmian à frente do jovem goleiro Donnarumma. Mais De Rossi na proteção. Uma experiência do técnico Giampiero Ventura seguindo a linha de seu antecessor Antonio Conte, sensação na Premier League atuando no 5-4-1 quando não tem a bola. Se mantiver a ideia pode ser um confronto ainda mais importante, pois combinaria peso da camisa e um teste para o ataque brasileiro.

A linha de cinco, mais dois jogadores no apoio, da Itália na virada sobre a Holanda. Se Gianpiero Ventura mantiver a estrutura, pode ser teste interessante para a seleção brasileira (reprodução ESPN Brasil).

Antenado ao que acontece no futebol mundial e detalhista como é Tite, certamente a retranca “handebol” está no seu radar. Porque os adversários nas Eliminatórias até tentaram se fechar contra o Brasil, mas não com essa proposta mais radical.

Como Neymar e seus companheiros vão se comportar? Temos praticamente um ano para descobrir até a bola rolar na Rússia.


Tite, Neymar e o gosto pelo desempenho
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André Rocha

Sempre que pode em todas as entrevistas desde que assumiu a seleção brasileira, Tite ressalta a importância de jogar bem e construir o resultado naturalmente pelo desempenho. Logo após a goleada sobre o Uruguai, o treinador falou que sua equipe estava “pegando gosto pelo desempenho”.

Para o jogo na Arena Corinthians havia clima de festa, retorno de Tite ao estádio que conhece tão bem, expectativa pela combinação de resultados que garantiria matematicamente o Brasil na Copa da Rússia.

Com bola rolando, um Paraguai fechado e batendo e provocando Neymar. Tentando jogar no erro ou na dispersão brasileira. Só ameaçou no erro na saída de bola que Derlis quase aproveitou no primeiro tempo.

A seleção jogou. Não foi brilhante, mas já transmite algo fundamental: segurança. É um time confiável. Que vai ser sério e competitivo, mas querendo fazer bem feito. Nos movimentos coletivos e nas jogadas individuais.

Trabalhou a bola até Philippe Coutinho arrancar pela direita, buscar a diagonal, receber o belo toque de calcanhar de Paulinho e, aproveitando a falha do zagueiro Paulo da Silva na leitura da jogada e chegar atrasado, colocar no canto e transformar a confiança em tranquilidade.

Serenidade de Neymar. Uma impressionante espiral de maturidade nos últimos tempos. Talvez Tite e Luis Enrique, seu treinador no Barcelona, tenham contribuído. Mas parece algo mais do craque que agora entende seu tamanho.

Apanhou, não reclamou. Sofreu e perdeu pênalti, mas em nenhum momento perdeu o foco. Seguiu atento à sua função no jogo, atacando e defendendo pela esquerda, buscando a diagonal. Coroado com um golaço, o segundo.

A senha para virar passeio em Itaquera. Com o time tranquilo, Tite gritando à beira do campo seguidas vezes: “Vamos jogar!” A torcida no estádio pedindo olé e a seleção vertical, objetiva. Mesmo depois do gol da redenção de Marcelo. Respeitando o adversário, o público.

Acima de tudo, o cuidado com o desempenho. Para o resultado ser mera consequência. Algo que devia ser um parâmetro para todos os setores da sociedade. Planeja, executa, faz o melhor sem tentar controlar os resultados. Sem jeitinho, sem subterfúgios. Se o oponente for melhor ou mais feliz, é da vida. Vale a consciência tranquila.

O Brasil de Tite e Neymar gosta do desempenho. Quem gosta de futebol e de ver a coisa bem feita, que transcende as oito (ou nove, se contar o amistoso contra a Colômbia) vitórias seguidas, tem que exaltar essa seleção.

 


Viva a estrutura federativa do Brasil! Os clubes merecem essa coleira
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André Rocha

Enquanto a seleção se preparava para os 4 a 1 sobre o Uruguai em Montevidéu, a CBF aproveitou a paz que conseguiu com as vitórias da equipe de Tite para reafirmar seu poder no futebol brasileiro.

Alterou o colégio eleitoral com uma mudança significativa em seu estatuto: os votos das federações estaduais passam a ter peso três. Os clubes da Série A peso dois e os da Série B – a novidade que poderia mudar o jogo, só que não – com peso um.

São 27 federações. Ou seja, 81 votos. Vinte clubes da Série A. 40 votos. Vinte clubes da Série B: 20 votos. 81 a 60.

Ou seja, quem decide o destino do futebol brasileiro são as entidades que deviam ser apenas coadjuvantes, executar funções burocráticas e serem mediadoras e facilitadoras dos interesses dos verdadeiros protagonistas.

Porque federação não tem torcida, não move paixões nem multidões. Não movimenta o dinheiro. Mas se aproveita dele.

Portanto, se prepare para mais estaduais inchados. Porque é assim que a estrutura federativa do futebol brasileiro funciona: os clubes pequenos, que não se contentam em disputar suas divisões no Brasileiro e querem enfrentar os grandes além da Copa do Brasil, sustentam as federações que mantêm o poder da CBF. É a pirâmide da barganha.

Mas os clubes brasileiros devem estar radiantes. Afinal, toda iniciativa para construir uma independência foi implodida pela própria desunião. Pelo amadorismo secular. Clube dos Treze, Copa União, Bom Senso FC, Primeira Liga. Tiros na água da correnteza de incompetência e provincianismo.

Porque é mais fácil ser aliado da federação e levar vantagem num mando de campo aqui, uma arbitragem ali. Se acabar campeão, para o torcedor está tudo maravilhoso. Inclusive alguns clubes repetem a estrutura internamente, criando seus “feudos”.

E se perder já tem em quem colocar a culpa e transferir responsabilidade: “não somos os queridinhos da federação”, “fomos roubados” e por aí vai. A velha muleta para iludir os incautos.

Os clubes merecem que um agente externo embolse uma parte importante de seus recursos. Que sigam fazendo o jogo das emissoras de TV. Que continuem vivendo de migalhas da própria grandeza. Merecem essa coleira. Independência, para quê?

Enquanto isso, Marco Polo Del Nero e seus asseclas comemoram uma vitória que não devia ser deles. Viva a seleção ressuscitada! Os clubes? Que obedeçam ou morram à míngua.

Parabéns aos envolvidos.


Seleção de Tite é o Brasil que dá certo
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André Rocha

Era o que se dizia nos sombrios anos 1980 sobre Nelson Piquet, depois Ayrton Senna no automobilismo. Mais recentemente, Carlos Alberto Parreira já não foi tão feliz ao se referir à CBF.

Mas na crise em todas as instâncias que vive o Brasil, ver a seleção de Tite com a segurança de quem sabe o que precisa fazer, unindo serenidade, conhecimento e confiança, é inspirador.

Compensando os erros de um Marcelo em noite nada produtiva. Falha grotesca no recuo para Alisson que Cavani entrou na frente para sofrer e converter o pênalti que abriu o placar. Pela primeira vez o Brasil de Tite saía atrás. No Centenário. Com nove minutos de jogo.

Mas a organização transmite segurança. As linhas próximas no 4-1-4-1 dão opções de passe para sair da marcação pressão do rival. Conceitos bem assimilados não permitem que a equipe se desmanche mentalmente.

Arrancada de Neymar, Paulinho recebe entre as linhas e empata com um golaço. Uma das três finalizações em 45 minutos, duas no alvo. Com 76% de posse. Ainda com dificuldades para conter o jogo físico uruguaio que proporcionou seis finalizações, mas apenas uma na direção da meta do Alisson.

O segundo tempo foi um primor. Roberto Firmino, nitidamente desconfortável na primeira etapa, enfim acertou o pivô, girou e finalizou. No rebote, o segundo de Paulinho. O contestado meio-campista que completou o triplete no último lance da partida e consolidou sua condição de melhor em campo. Atuando mais à frente com o recuo de Renato Augusto para ajudar Marcelo no combate e na saída de bola.

Entre eles, a pintura de Neymar ganhando de Coates e tocando por cima de Martín Silva em um contragolpe mortal. Para coroar uma atuação essencialmente sólida. Finalizou menos, mas de onze acertou sete e colocou quatro nas redes. Precisou de só cinco desarmes certos contra 16 uruguaios. Porque o posicionamento é preciso.

Classificação garantida para o Mundial da Rússia. No continente está claro que não há concorrentes. É hora de encarar as principais seleções do mundo para o polimento e as observações que faltam.

Por ora, os resultados sustentados pelo desempenho são um alento. Em tempos tão cinzentos, o Brasil de Tite é um facho de luz que iluminou a noite em Montevidéu.

(Estatísticas: Footstats)


Seleção é reunir os melhores jogadores ou as peças que fazem o melhor time?
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André Rocha

Em fevereiro de 1969, João Saldanha assumiu a seleção brasileira e anunciou a convocação definindo titulares e reservas. Eram as “Feras do Saldanha”: os melhores jogadores atuando no país, dois por posição. Base de Botafogo, Santos e Cruzeiro, as equipes mais fortes à época.

Conseguiu a classificação para o Mundial e formaria cerca de 80% do escrete campeão no ano seguinte no México. Com Zagallo sucedendo o polêmico Saldanha e fazendo pequenos ajustes. Ou seja, combinando as características dos jogadores para formar a equipe até hoje considerada a melhor de todos os tempos.

Na falta de um zagueiro mais técnico para jogar com Brito, improvisou Piazza. Barrou Marco Antonio, lateral esquerdo mais ofensivo, e encaixou Everaldo, que descia menos e liberava Carlos Alberto Torres do lado oposto. Rivellino no lugar de Paulo César Caju, por compor melhor o meio-campo com Clodoaldo e Gerson e deixar Pelé solto, se aproximando de Tostão e Jairzinho entrando em diagonal a partir da direita.

Outros tempos, de eliminatórias disputadas em poucos jogos apenas no ano anterior à Copa. A convocação servia como um teste em todas as instâncias, inclusive convivência, gestão de grupo, comportamento. Se tudo desse certo, o grupo da Copa estaria praticamente pronto.

Criou-se o senso comum de que selecionar seria seguir fielmente o significado do verbo: escolher. Os melhores. Por mérito, pelo que cada um desempenha em seu clube. Sem grandes preocupações com conjunto. Afinal, “as feras se entendem”.

Corte para 2017. Tempos de futebol cada vez mais coletivo, estudado, pensado. Agora com datas FIFA em que a seleção se reúne para disputar eliminatórias, amistosos. Com a Copa do Mundo ainda a cada quatro anos, mas agora também a disputa continental e a Copa das Confederações com o mesmo intervalo.

Nas eliminatórias, o grupo de convocados se reúne, fica junto por cerca de dez dias, joga e retorna para a rotina dos clubes. Com cortes por lesões, afastamentos por não jogar regularmente e outras dificuldades.

A tarefa do selecionador é complexa: ele tem a base formada para garantir entrosamento, mas mesmo bem sucedida precisa estar aberta a quem estiver com desempenho acima da média. Tem que se preocupar também com o vestiário, ter atletas de sua confiança. Mas sem prejuízo técnico.

Taticamente, a convicção de que se deve convocar os mais qualificados e só então definir sistema e modelo de jogo de acordo com os atletas já não é tão sólida. Porque o jogador pode não estar no auge, ou outro da mesma posição estar voando. E a proposta de jogo precisa estar assimilada.

Mas dentro do organismo que é uma equipe de futebol, a combinação de características é bem mais importante que em 1970. Com sintonia, jogando de memória, melhor ainda. Não por acaso as duas últimas campeãs mundiais, Espanha e Alemanha, tinham como base os três times mais poderosos do planeta: Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique.

Em 1982, Telê Santana preferiu não utilizar mais jogadores do Flamengo que em maio daquele ano era o último campeão estadual, brasileiro, sul-americano e intercontinental. Sem Careca e Reinaldo e não tão confiante assim em Serginho e Roberto Dinamite, podia ter dado oportunidade a Nunes. Centroavante limitado, mas que se entendia com Zico, Leandro e Júnior no olhar e, o principal, sabia abrir espaços para os meio-campistas procurando os flancos. Preferiu o Chulapa.

Jogador “de grupo” é importante, mas com critério. Para evitar a saia justa de 1998: Cafu suspenso para a semifinal contra a Holanda e a lateral direita caindo no colo de Zé Carlos, que estava na França muito mais pela carência na posição e por arrancar gargalhadas dos colegas imitando porco, galinha e passarinho…

No Brasil de Tite há um ainda contestado homem de confiança: Paulinho. Tomando como base o Corinthians campeão brasileiro de 2015, referência para Tite, ele é Elias. Ou seja, o meia da linha de quatro à frente do volante no 4-1-4-1 que mais defende e infiltra que organiza, missão esta de Renato Augusto. Numa ponta um meia articulador – antes Jadson, agora Philippe Coutinho – e na outra um atacante que infiltre em diagonal, mais agudo. No Corinthians Malcom, na seleção um imenso “upgrade” com Neymar.

Pela necessidade imediata de desempenho e resultado quando assumiu, Tite fez o simples: com a estrutura tática na cabeça, pinçou jogadores que executassem as funções avaliando qualidade no campo e equilíbrio fora dele. Aposta certeira em Gabriel Jesus no comando do ataque. Paulinho fundamental no auxílio a Fernandinho no cerco a Messi no Mineirão e ainda foi às redes no último gol dos 3 a 0.

Nas laterais, sim, apostou no talento. Prefere trabalhar Daniel Alves e Marcelo na sua linha de defesa “posicional” à italiana do que investir em laterais mais defensivos. Entre Filipe Luís e Marcelo preferiu o jogador do Real Madrid. Mas insiste com Fagner na reposição pela direita. Por pura confiança no defensor que já viveu fases melhores. Com Tite.

O treinador vai encaixando as melhores peças no quebra-cabeças. Respondendo à pergunta do título do post: um pouco dos dois. Escolher o atleta mais capacitado e imaginá-lo dentro da engrenagem. Com sabedoria e sempre pensando no coletivo.

Nesta sequência das Eliminatórias contra Uruguai e Paraguai, o Brasil deve confirmar a vaga no Mundial da Rússia. A próxima etapa será de polimento e testes, inclusive em amistosos contra as mais fortes seleções do planeta, como quer a comissão técnica.

Tudo para chegar à convocação final e pesar igualmente: o trabalho realizado, o momento de cada jogador, a convivência em grupo e a confiança do treinador. Provavelmente não serão “as feras do Tite”, haverá dois ou três nomes contestados como em qualquer lista. Que serão lembrados se o hexa não vier.

Mas podem no conjunto de virtudes e defeitos formar um Brasil forte para buscar em 2018 o que não conseguiu em casa.