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Análise tática: Ponte Preta e Corinthians desconstroem a “moda” do 4-1-4-1
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André Rocha

Com o sucesso da seleção brasileira sob o comando de Tite, veio a impressão de que o 4-1-4-1 se consolidaria como tendência no futebol brasileiro. Como um dia foi o 4-2-3-1.

Ponte Preta e Corinthians até utilizaram o desenho tático com um volante entre duas linhas de quatro e mais um atacante durante a campanha na fase de grupos do Paulista. Mas bastou chegar os confrontos mais importantes para os treinadores Gilson Kleina e Fabio Carille alterarem o sistema.

Agora são duas linhas de quatro sem a bola que deixam dois jogadores mais adiantados. Para pressionar a saída de bola do adversário, mas também servir como referência para a transição rápida do campo de defesa.

De maneiras distintas, porém. Nos surpreendentes 3 a 0 sobre o favorito Palmeiras no Moisés Lucarelli, a Ponte compactou bem as linhas e não deu refresco ao palmeirense que estivesse com a bola. Pressão para tomar rápido e acelerar buscando o artilheiro William Pottker e Clayson, que saiu da direita para formar uma dupla na frente e criar problemas circulando às costas de Felipe Melo.

Mas sem enfraquecer o setor “abandonado”. Porque Jadson abria para fechar a segunda linha e atacava por dentro, deixando o corredor para as descidas de Jeferson, substituto de Nino Paraíba. Para cima de Zé Roberto, que não contava com o suporte de Dudu.

O Palmeiras de Eduardo Baptista dá a impressão de que confia na posse de bola e no temor que pode causar no oponente por conta de seu elenco de alto nível para o futebol que se joga na América do Sul para não ser atacado.

Só que o time de Campinas atacou e contra-atacou. No ritmo de Fernando Bob, volante elegante que distribui o jogo e aparece na frente. Com Lucca, infiltrando em diagonal para receber linda assistência de Pottker e marcar o segundo gol aos nove.

Porque o primeiro não precisou nem de um minuto para acontecer, com Pottker. Uma blitz na área palmeirense até o desvio do goleador do Paulista ao lado do são-paulino Giberto, com nove. O terceiro com Jeferson após falha grotesca de Zé Roberto. Seis finalizações, cinco no alvo. Três gols. Tudo isso em 33 minutos.

As linhas de quatro da Ponte Preta com todos defendendo no próprio campo, inclusive Clayson e Pottker. Jadson abrindo para bloquear o lado direito e Fernando Bob na proteção da última linha (reprodução TV Globo).

O Corinthians precisou de 45, mais três de acréscimo, no Morumbi para se impor com as mesmas linhas de quatro que adiantaram Rodriguinho para desequilibrar. Primeiro no passe preciso para Jô marcar seu sexto gol na temporada, quatro em clássicos. Depois o chute que Renan Ribeiro não impediu que chegasse às redes no lance final da primeira etapa. Ambos em vacilos de Jucilei, muito lento para a função que exerce na proteção da retaguarda.

A equipe de Carille confia mais no posicionamento. Nem precisa pressionar tanto a bola, porque em seu próprio campo tem os espaços como referência. Permite até o controle da pelota, mas nega brechas ao rival, especialmente na última linha defensiva.

Fabio Carille dá mais liberdade a Rodriguinho no novo desenho tático corintiano. A última linha de defesa segue posicional atrás de outra com quatro jogadores para negar espaços aos adversários (reprodução Premiere).

Bola roubada, a saída em velocidade e em bloco para aproveitar os espaços deixados pelo tricolor que parecia acertar o sistema defensivo. Mas era só a fragilidade dos adversários mesmo.

Rogério Ceni vai sofrendo com a “síndrome do caderno em branco”. Toda experiência como treinador é a primeira. Não foi o primeiro clássico Majestoso, mas este vale vaga na decisão. E seu time falhou. Continua mal posicionado atrás. Só valeu pela honestidade de Rodrigo Caio na anulação do amarelo para Jô, que sequer tocou em Renan Ribeiro. Questão de índole.

No segundo tempo subiu a posse para 62%, fez Cássio trabalhar com oito finalizações contra uma e criou espaços e chances até para empatar. Só que não é fácil vazar o melhor sistema defensivo do país até aqui em 2017 e que deve confirmar em Itaquera a vaga na final estadual.

O Palmeiras diminuiu os estragos na segunda etapa em Campinas. Também porque a Ponte preferiu controlar o jogo sem a posse (terminou com 44%) e administrar ótima vantagem para a volta no Allianz Parque. Mas não irreversível.

Para a volta, a melhor receita parece a mesma da ida: marcar e jogar. Com as duas linhas de quatro que fizeram Corinthians e Ponte mais sólidos e objetivos. Desconstruindo a “moda” do 4-1-4-1. Quarenta anos depois do gol histórico de Basílio, podem fazer novamente a final do Paulista.

(Estatísticas: Footstats)

 


Brasil na Copa! Agora é encarar gigantes, mas também retrancas “handebol”
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André Rocha

A vitória do Peru sobre o Uruguai por 2 a 1 de virada garantiu matematicamente o que estava claro no campo: o Brasil estará na Copa do Mundo da Rússia.

Com a confirmação oficial, o discurso de Tite é experimentar jogadores, manter a concorrência em alto nível por vagas não só no time titular, mas no grupo de 23 até a convocação final. Também medir forças com as principais seleções europeias em amistosos.

Importante para o próprio treinador ganhar cancha em grandes duelos internacionais além do continente. Ainda que os europeus tratem os jogos que não valem três pontos com menos seriedade, rodem o elenco e não se importem tanto com o resultado final.

Mas há um teste tão fundamental quanto os grandes clássicos mundiais para esta seleção brasileira: enfrentar uma retranca típica desta era do futebol moderno. A criada por José Mourinho para conter o Barcelona de Guardiola. Alguns chamam de “ônibus” na frente da própria área. Este que escreve prefere tratar como “handebol”. Leia mais AQUI.

Foi vista com frequência na última Eurocopa e criou problemas para grandes seleções. Uma linha de cinco na defesa, outra de quatro no meio. Mas tão próximas que em alguns momentos era possível ver sete ou até os nove fechando os espaços para a infiltração do adversário. Como o momento defensivo do handebol, obviamente com outra dinâmica e um campo maior para cobrir.

O exemplo mais radical foi a Irlanda do Norte que deu trabalho à campeã mundial e então favorita Alemanha. A linha de cinco se estreitava e permitia que os meias pelos lados também recuassem praticamente como laterais, formando uma barreira de sete homens que os favoritos abriram à forceps no gol único de Mario Gómez.

Flagrante da linha de sete defensores da Irlanda do Norte para conter o ataque alemão na fase de grupos da Eurocopa 2016. Lembra o handebol (reprodução Sportv).

Por que será importante para o Brasil de Tite? Ora, com o favoritismo que pode aumentar caso seja bem sucedido nos amistosos, os oponentes não terão vergonha de se retrancar. Mesmo os mais tradicionais. E certamente numa fase de grupos ou até nas oitavas-de-final não será surpresa ter pelo menos dois adversários adotando esta prática.

Para abrir esse ferrolho, o posicionamento dos jogadores é tão importante quanto o drible, a movimentação e a inventividade na criação de espaços. No 4-1-4-1 de Tite, Philippe Coutinho e Neymar são pontas que procuram o meio para tabelas e triangulações. Os laterais, Daniel Alves e Marcelo, que poderiam abrir bem e esgarçar a marcação também tendem a centralizar. Para furar a linha de handebol fica mais complicado.

A Austrália, adversária no amistoso que será disputado em junho, costuma atuar com três zagueiros. Mas vale o teste contra uma seleção da Europa. País de Gales, de Gareth Bale, chegou à semifinal da Euro se defendendo com cinco na última linha e recuando até o seu grande craque para negar espaços. Pode ser um rival interessante. Sérvia também joga com cinco atrás. A própria Irlanda do Norte.

A Itália venceu ontem a Holanda de virada em Amsterdã por 2 a 1 com Zappacosta, Rugani, Bonucci, Romagnoli e Darmian à frente do jovem goleiro Donnarumma. Mais De Rossi na proteção. Uma experiência do técnico Giampiero Ventura seguindo a linha de seu antecessor Antonio Conte, sensação na Premier League atuando no 5-4-1 quando não tem a bola. Se mantiver a ideia pode ser um confronto ainda mais importante, pois combinaria peso da camisa e um teste para o ataque brasileiro.

A linha de cinco, mais dois jogadores no apoio, da Itália na virada sobre a Holanda. Se Gianpiero Ventura mantiver a estrutura, pode ser teste interessante para a seleção brasileira (reprodução ESPN Brasil).

Antenado ao que acontece no futebol mundial e detalhista como é Tite, certamente a retranca “handebol” está no seu radar. Porque os adversários nas Eliminatórias até tentaram se fechar contra o Brasil, mas não com essa proposta mais radical.

Como Neymar e seus companheiros vão se comportar? Temos praticamente um ano para descobrir até a bola rolar na Rússia.


Tite, Neymar e o gosto pelo desempenho
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André Rocha

Sempre que pode em todas as entrevistas desde que assumiu a seleção brasileira, Tite ressalta a importância de jogar bem e construir o resultado naturalmente pelo desempenho. Logo após a goleada sobre o Uruguai, o treinador falou que sua equipe estava “pegando gosto pelo desempenho”.

Para o jogo na Arena Corinthians havia clima de festa, retorno de Tite ao estádio que conhece tão bem, expectativa pela combinação de resultados que garantiria matematicamente o Brasil na Copa da Rússia.

Com bola rolando, um Paraguai fechado e batendo e provocando Neymar. Tentando jogar no erro ou na dispersão brasileira. Só ameaçou no erro na saída de bola que Derlis quase aproveitou no primeiro tempo.

A seleção jogou. Não foi brilhante, mas já transmite algo fundamental: segurança. É um time confiável. Que vai ser sério e competitivo, mas querendo fazer bem feito. Nos movimentos coletivos e nas jogadas individuais.

Trabalhou a bola até Philippe Coutinho arrancar pela direita, buscar a diagonal, receber o belo toque de calcanhar de Paulinho e, aproveitando a falha do zagueiro Paulo da Silva na leitura da jogada e chegar atrasado, colocar no canto e transformar a confiança em tranquilidade.

Serenidade de Neymar. Uma impressionante espiral de maturidade nos últimos tempos. Talvez Tite e Luis Enrique, seu treinador no Barcelona, tenham contribuído. Mas parece algo mais do craque que agora entende seu tamanho.

Apanhou, não reclamou. Sofreu e perdeu pênalti, mas em nenhum momento perdeu o foco. Seguiu atento à sua função no jogo, atacando e defendendo pela esquerda, buscando a diagonal. Coroado com um golaço, o segundo.

A senha para virar passeio em Itaquera. Com o time tranquilo, Tite gritando à beira do campo seguidas vezes: “Vamos jogar!” A torcida no estádio pedindo olé e a seleção vertical, objetiva. Mesmo depois do gol da redenção de Marcelo. Respeitando o adversário, o público.

Acima de tudo, o cuidado com o desempenho. Para o resultado ser mera consequência. Algo que devia ser um parâmetro para todos os setores da sociedade. Planeja, executa, faz o melhor sem tentar controlar os resultados. Sem jeitinho, sem subterfúgios. Se o oponente for melhor ou mais feliz, é da vida. Vale a consciência tranquila.

O Brasil de Tite e Neymar gosta do desempenho. Quem gosta de futebol e de ver a coisa bem feita, que transcende as oito (ou nove, se contar o amistoso contra a Colômbia) vitórias seguidas, tem que exaltar essa seleção.

 


Viva a estrutura federativa do Brasil! Os clubes merecem essa coleira
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André Rocha

Enquanto a seleção se preparava para os 4 a 1 sobre o Uruguai em Montevidéu, a CBF aproveitou a paz que conseguiu com as vitórias da equipe de Tite para reafirmar seu poder no futebol brasileiro.

Alterou o colégio eleitoral com uma mudança significativa em seu estatuto: os votos das federações estaduais passam a ter peso três. Os clubes da Série A peso dois e os da Série B – a novidade que poderia mudar o jogo, só que não – com peso um.

São 27 federações. Ou seja, 81 votos. Vinte clubes da Série A. 40 votos. Vinte clubes da Série B: 20 votos. 81 a 60.

Ou seja, quem decide o destino do futebol brasileiro são as entidades que deviam ser apenas coadjuvantes, executar funções burocráticas e serem mediadoras e facilitadoras dos interesses dos verdadeiros protagonistas.

Porque federação não tem torcida, não move paixões nem multidões. Não movimenta o dinheiro. Mas se aproveita dele.

Portanto, se prepare para mais estaduais inchados. Porque é assim que a estrutura federativa do futebol brasileiro funciona: os clubes pequenos, que não se contentam em disputar suas divisões no Brasileiro e querem enfrentar os grandes além da Copa do Brasil, sustentam as federações que mantêm o poder da CBF. É a pirâmide da barganha.

Mas os clubes brasileiros devem estar radiantes. Afinal, toda iniciativa para construir uma independência foi implodida pela própria desunião. Pelo amadorismo secular. Clube dos Treze, Copa União, Bom Senso FC, Primeira Liga. Tiros na água da correnteza de incompetência e provincianismo.

Porque é mais fácil ser aliado da federação e levar vantagem num mando de campo aqui, uma arbitragem ali. Se acabar campeão, para o torcedor está tudo maravilhoso. Inclusive alguns clubes repetem a estrutura internamente, criando seus “feudos”.

E se perder já tem em quem colocar a culpa e transferir responsabilidade: “não somos os queridinhos da federação”, “fomos roubados” e por aí vai. A velha muleta para iludir os incautos.

Os clubes merecem que um agente externo embolse uma parte importante de seus recursos. Que sigam fazendo o jogo das emissoras de TV. Que continuem vivendo de migalhas da própria grandeza. Merecem essa coleira. Independência, para quê?

Enquanto isso, Marco Polo Del Nero e seus asseclas comemoram uma vitória que não devia ser deles. Viva a seleção ressuscitada! Os clubes? Que obedeçam ou morram à míngua.

Parabéns aos envolvidos.


Seleção de Tite é o Brasil que dá certo
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André Rocha

Era o que se dizia nos sombrios anos 1980 sobre Nelson Piquet, depois Ayrton Senna no automobilismo. Mais recentemente, Carlos Alberto Parreira já não foi tão feliz ao se referir à CBF.

Mas na crise em todas as instâncias que vive o Brasil, ver a seleção de Tite com a segurança de quem sabe o que precisa fazer, unindo serenidade, conhecimento e confiança, é inspirador.

Compensando os erros de um Marcelo em noite nada produtiva. Falha grotesca no recuo para Alisson que Cavani entrou na frente para sofrer e converter o pênalti que abriu o placar. Pela primeira vez o Brasil de Tite saía atrás. No Centenário. Com nove minutos de jogo.

Mas a organização transmite segurança. As linhas próximas no 4-1-4-1 dão opções de passe para sair da marcação pressão do rival. Conceitos bem assimilados não permitem que a equipe se desmanche mentalmente.

Arrancada de Neymar, Paulinho recebe entre as linhas e empata com um golaço. Uma das três finalizações em 45 minutos, duas no alvo. Com 76% de posse. Ainda com dificuldades para conter o jogo físico uruguaio que proporcionou seis finalizações, mas apenas uma na direção da meta do Alisson.

O segundo tempo foi um primor. Roberto Firmino, nitidamente desconfortável na primeira etapa, enfim acertou o pivô, girou e finalizou. No rebote, o segundo de Paulinho. O contestado meio-campista que completou o triplete no último lance da partida e consolidou sua condição de melhor em campo. Atuando mais à frente com o recuo de Renato Augusto para ajudar Marcelo no combate e na saída de bola.

Entre eles, a pintura de Neymar ganhando de Coates e tocando por cima de Martín Silva em um contragolpe mortal. Para coroar uma atuação essencialmente sólida. Finalizou menos, mas de onze acertou sete e colocou quatro nas redes. Precisou de só cinco desarmes certos contra 16 uruguaios. Porque o posicionamento é preciso.

Classificação garantida para o Mundial da Rússia. No continente está claro que não há concorrentes. É hora de encarar as principais seleções do mundo para o polimento e as observações que faltam.

Por ora, os resultados sustentados pelo desempenho são um alento. Em tempos tão cinzentos, o Brasil de Tite é um facho de luz que iluminou a noite em Montevidéu.

(Estatísticas: Footstats)


Seleção é reunir os melhores jogadores ou as peças que fazem o melhor time?
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André Rocha

Em fevereiro de 1969, João Saldanha assumiu a seleção brasileira e anunciou a convocação definindo titulares e reservas. Eram as “Feras do Saldanha”: os melhores jogadores atuando no país, dois por posição. Base de Botafogo, Santos e Cruzeiro, as equipes mais fortes à época.

Conseguiu a classificação para o Mundial e formaria cerca de 80% do escrete campeão no ano seguinte no México. Com Zagallo sucedendo o polêmico Saldanha e fazendo pequenos ajustes. Ou seja, combinando as características dos jogadores para formar a equipe até hoje considerada a melhor de todos os tempos.

Na falta de um zagueiro mais técnico para jogar com Brito, improvisou Piazza. Barrou Marco Antonio, lateral esquerdo mais ofensivo, e encaixou Everaldo, que descia menos e liberava Carlos Alberto Torres do lado oposto. Rivellino no lugar de Paulo César Caju, por compor melhor o meio-campo com Clodoaldo e Gerson e deixar Pelé solto, se aproximando de Tostão e Jairzinho entrando em diagonal a partir da direita.

Outros tempos, de eliminatórias disputadas em poucos jogos apenas no ano anterior à Copa. A convocação servia como um teste em todas as instâncias, inclusive convivência, gestão de grupo, comportamento. Se tudo desse certo, o grupo da Copa estaria praticamente pronto.

Criou-se o senso comum de que selecionar seria seguir fielmente o significado do verbo: escolher. Os melhores. Por mérito, pelo que cada um desempenha em seu clube. Sem grandes preocupações com conjunto. Afinal, “as feras se entendem”.

Corte para 2017. Tempos de futebol cada vez mais coletivo, estudado, pensado. Agora com datas FIFA em que a seleção se reúne para disputar eliminatórias, amistosos. Com a Copa do Mundo ainda a cada quatro anos, mas agora também a disputa continental e a Copa das Confederações com o mesmo intervalo.

Nas eliminatórias, o grupo de convocados se reúne, fica junto por cerca de dez dias, joga e retorna para a rotina dos clubes. Com cortes por lesões, afastamentos por não jogar regularmente e outras dificuldades.

A tarefa do selecionador é complexa: ele tem a base formada para garantir entrosamento, mas mesmo bem sucedida precisa estar aberta a quem estiver com desempenho acima da média. Tem que se preocupar também com o vestiário, ter atletas de sua confiança. Mas sem prejuízo técnico.

Taticamente, a convicção de que se deve convocar os mais qualificados e só então definir sistema e modelo de jogo de acordo com os atletas já não é tão sólida. Porque o jogador pode não estar no auge, ou outro da mesma posição estar voando. E a proposta de jogo precisa estar assimilada.

Mas dentro do organismo que é uma equipe de futebol, a combinação de características é bem mais importante que em 1970. Com sintonia, jogando de memória, melhor ainda. Não por acaso as duas últimas campeãs mundiais, Espanha e Alemanha, tinham como base os três times mais poderosos do planeta: Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique.

Em 1982, Telê Santana preferiu não utilizar mais jogadores do Flamengo que em maio daquele ano era o último campeão estadual, brasileiro, sul-americano e intercontinental. Sem Careca e Reinaldo e não tão confiante assim em Serginho e Roberto Dinamite, podia ter dado oportunidade a Nunes. Centroavante limitado, mas que se entendia com Zico, Leandro e Júnior no olhar e, o principal, sabia abrir espaços para os meio-campistas procurando os flancos. Preferiu o Chulapa.

Jogador “de grupo” é importante, mas com critério. Para evitar a saia justa de 1998: Cafu suspenso para a semifinal contra a Holanda e a lateral direita caindo no colo de Zé Carlos, que estava na França muito mais pela carência na posição e por arrancar gargalhadas dos colegas imitando porco, galinha e passarinho…

No Brasil de Tite há um ainda contestado homem de confiança: Paulinho. Tomando como base o Corinthians campeão brasileiro de 2015, referência para Tite, ele é Elias. Ou seja, o meia da linha de quatro à frente do volante no 4-1-4-1 que mais defende e infiltra que organiza, missão esta de Renato Augusto. Numa ponta um meia articulador – antes Jadson, agora Philippe Coutinho – e na outra um atacante que infiltre em diagonal, mais agudo. No Corinthians Malcom, na seleção um imenso “upgrade” com Neymar.

Pela necessidade imediata de desempenho e resultado quando assumiu, Tite fez o simples: com a estrutura tática na cabeça, pinçou jogadores que executassem as funções avaliando qualidade no campo e equilíbrio fora dele. Aposta certeira em Gabriel Jesus no comando do ataque. Paulinho fundamental no auxílio a Fernandinho no cerco a Messi no Mineirão e ainda foi às redes no último gol dos 3 a 0.

Nas laterais, sim, apostou no talento. Prefere trabalhar Daniel Alves e Marcelo na sua linha de defesa “posicional” à italiana do que investir em laterais mais defensivos. Entre Filipe Luís e Marcelo preferiu o jogador do Real Madrid. Mas insiste com Fagner na reposição pela direita. Por pura confiança no defensor que já viveu fases melhores. Com Tite.

O treinador vai encaixando as melhores peças no quebra-cabeças. Respondendo à pergunta do título do post: um pouco dos dois. Escolher o atleta mais capacitado e imaginá-lo dentro da engrenagem. Com sabedoria e sempre pensando no coletivo.

Nesta sequência das Eliminatórias contra Uruguai e Paraguai, o Brasil deve confirmar a vaga no Mundial da Rússia. A próxima etapa será de polimento e testes, inclusive em amistosos contra as mais fortes seleções do planeta, como quer a comissão técnica.

Tudo para chegar à convocação final e pesar igualmente: o trabalho realizado, o momento de cada jogador, a convivência em grupo e a confiança do treinador. Provavelmente não serão “as feras do Tite”, haverá dois ou três nomes contestados como em qualquer lista. Que serão lembrados se o hexa não vier.

Mas podem no conjunto de virtudes e defeitos formar um Brasil forte para buscar em 2018 o que não conseguiu em casa.


Vinícius Júnior não pode ser Neymar. Porque Santos não é Flamengo
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André Rocha

Quando o Flamengo foi eliminado pelo Corinthians nas quartas-de-final da Copa SP – com Vinicius Júnior, joia da base e destaque do time nas fases anteriores, desperdiçando duas chances claras – este que escreve viu no Twitter comentários nesta linha: “Fomos enganados pelo novo Negueba”.

Também foi possível pescar na rua a seguinte observação de um senhor, na casa dos 50 anos: “O garoto até que é habilidoso, mas nunca será um Adílio”.

Vinicius Júnior tem 16 anos, foi artilheiro e craque do Sul-Americano sub-17. Entre os profissionais que trabalham com base – treinadores, auxiliares, observadores, jornalistas – é praticamente uma unanimidade: o menino é um fenômeno, com potencial para no futuro concorrer aos principais prêmios individuais. Não por acaso, Barcelona, Real Madrid e outros gigantes europeus estão atentos aos seus movimentos.

Em campo, a qualidade e versatilidade saltam aos olhos: o menino rende nas pontas, na articulação e até jogando como referência. É habilidoso, inventivo, preciso nos fundamentos e tem leitura de jogo. Serve tão bem quanto finaliza. Forte também na bola parada.

Por isso já desperta uma enorme curiosidade e, por conta da carência de um talento deste quilate no ataque do time principal, especialmente nas pontas, já há um lobby pela utilização do atacante pelo técnico Zé Ricardo.

O Flamengo trata com cuidado. Vinicius não está inscrito nem no Estadual, nem na fase de grupos da Libertadores. Mas o clube também vive um dilema: tem contrato até 2019, tenta prorrogá-lo por mais um ano, mas se demorar muito a utilizá-lo pode vê-lo partir sem entregar todo seu talento entre os adultos.

A grande questão é que o rubro-negro tem certas particularidades: a primeira é contar com a maior torcida do país e tudo que acontece de bom e ruim ganhar uma repercussão imensa. E dentro do imediatismo do nosso futebol, a urgência é amplificada também. Com toda essa expectativa, qualquer jovem talentoso pode ser execrado se errar em um jogo importante. E o erro é parte do processo de amadurecimento.

Por outro lado, se entrar brilhando a euforia pode deslumbrar, desviar o foco. O assédio aumenta exponencialmente e pode distrair até a boa cabeça que Vinicius demonstra ter. É preciso cuidado.

E lembrar que até o maior ídolo do clube não se afirmou imediatamente. Zico estreou no profissional em 1971, com 18 anos, voltou à base e só foi se consolidar aos 21 anos, ganhando o Carioca e sendo Bola de Ouro da Placar. A geração mais vencedora do clube, sem querer, também cria dificuldades.

Porque o Flamengo segue à espera do novo messias que conduzirá o time novamente ao titulo da Libertadores e à hegemonia nacional. Todo garoto que surge é comparado a Zico, Junior, Leandro, Andrade e Adílio. Como Vinicius pelo senhor que ouvi na rua. Essa nostalgia, essa régua tão alta na exigência já custou a carreira de muita gente boa formada na Gávea. Inclusive Negueba, citado no início deste texto. De “alegria nas pernas” a “peladeiro”.

As comparações são inevitáveis também entre Vinícius Júnior e Neymar, que coloca o “Jr.” na camisa e inspirou o menino a fazer o mesmo. Alguns até avaliam o rubro-negro acima do santista, na mesma idade, em capacidade de desequilibrar.

Só que Neymar surgiu inserido em outro contexto. O Santos reverencia Pelé, campeão mundial aos 17 anos pela seleção e multicampeão pelo clube, mas sem tanto saudosismo. Porque existiu a geração de Pita e Juary, a de Diego e Robinho e em 2010 explodiu a de Neymar e Ganso. Com Robinho, que poderia ser um parâmetro de comparação, de volta a Santos e aceitando ser coadjuvante, no campo, das duas jovens estrelas nas conquistas da Copa do Brasil e do Paulista.

A repercussão é diferente, a cobrança também. Por ter dado certo outras vezes, quando surge um garoto talentoso ele ganha carinho e confiança para se desenvolver. Está no DNA do alvinegro praiano o apoio aos “Meninos da Vila”. Se errar a crítica virá, mas não tão pesada. Sem massacre.

Por isso Vinícius Júnior pode conquistar na próxima década os prêmios que hoje Messi e Cristiano Ronaldo negam a Neymar e a qualquer terráqueo que jogue futebol. Mas certamente construirá sua trajetória de maneira bem diferente do atual camisa onze do Barcelona.

Porque Santos e Flamengo são gigantes vencedores do Brasil, mas têm diferenças cruciais. Na história, na quantidade de gente envolvida em suas coisas. Especialmente no trato com os garotos. Por isso a cautela com Vinícius precisa ser triplicada. Até excessiva. Para evitar um novo erro que seria cruel para o clube e para o futebol brasileiro.


Diegos, Souza e Ribas, são trunfos de Tite para mudar o jogo e manter foco
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André Rocha

Um Diego, o Souza, não é centroavante no Sport, embora já tenha atuado como referência na frente no próprio time pernambucano, no Vasco e em outros clubes. O outro, o Ribas, por suas características, obrigou o técnico Zé Ricardo a desfazer no Flamengo o 4-1-4-1, sistema de sua preferência e também o de Tite, e deixar o meia mais centralizado e adiantado num 4-2-3-1.

Se Tite sempre afirma que procura escolher os jogadores com o pensamento de que eles cumpram na seleção as funções que exercem nos clubes, a convocação da dupla para as vagas dos lesionados Gabriel Jesus e Lucas Lima – este também em má fase –  seria uma incoerência, certo?

Pode ser. E quase invariavelmente há polêmicas e divergências a cada lista divulgada. Mas está claro que Tite os trata como reservas. E a ideia é utilizá-los para mudar o jogo, se for preciso.

Porque Gabriel Jesus até sabe fazer trabalho de pivô – e estava aprimorando no ataque posicional de Pep Guardiola no Manchester City. Mas na seleção sua principal virtude era aproveitar os espaços às costas da defesa e usar sua velocidade e rapidez de raciocínio e execução.

Roberto Firmino, o provável substituto para os jogos contra Uruguai e Paraguai, segue a mesma linha e não vem sendo tão efetivo nas finalizações pelo Liverpool. Então, se precisar de presença física na área e faro de gol, Tite conta com Diego Souza, um dos artilheiros do Brasileiro do ano passado com 14 gols.

O mesmo vale para o Diego do Flamengo, que não se enquadra nas características de meio-campista que Tite aprecia como os centrais da linha de quatro à frente do volante mais fixo. Não é reposição a Renato Augusto, o mais cerebral.

O meia rubro-negro é jogador de condução de bola e finalização. Não passe e controle. E sofre diante de marcações mais compactas e estreitas, porque precisa dominar, girar para depois decidir o que fazer com a bola. Por isso teve dificuldades na Europa nos últimos anos. Tite alega que ele entrou bem diante da Colômbia, mas era o segundo tempo de um amistoso festivo.

Ainda assim, se ele precisar em um momento de sufoco, de um meia que pise na área adversária e acrescente presença física e contundência, Diego tem muito acrescentar. Já marcou dez gols em 24 jogos pelo Flamengo.

Convocar os dois depois do amistoso no Engenhão contra a Colômbia serve também e principalmente como um aviso importante. Palavras do próprio treinador na coletiva depois da divulgação dos nomes: “Então quero passar uma mensagem aos atletas: prepare-se, jogue muito nos seus clubes, tenham um bom preparamento físico. Atleta de alto nível a exigência é essa. Precisamos disso. Aí está a oportunidade. Diego no lugar do Gabriel é a oportunidade”.

É o remédio que Tite enxerga para evitar acomodação e grupo fechado, problemas brasileiros na preparação desde o último título mundial em 2002. Agora não tem Copa das Federações, ou das Ilusões, para vencer e se considerar preparado para o Mundial. É uma vantagem.

A outra é manter todos focados e atentos. Os Diegos aproveitaram suas chances e entraram no radar.


Fiasco do Brasil sub-20. A inteligência vale mais que “alegria nas pernas”
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André Rocha

O maior pecado do técnico Rogério Micale na eliminação brasileira do Sul-Americano no Equador com o empate sem gols contra a Colômbia foi tentar se manter fiel às suas convicções de jogo apoiado, valorizando a posse de bola, sem considerar o contexto: gramados ruins na primeira fase e, principalmente, as características dos jogadores – mais velocidade e força que técnica e raciocínio.

Talvez tenha faltado mais do rubro-negro Lucas Paquetá, maior esperança na organização e criação. Mas é bem provável que o fiasco brasileiro tenha sido novamente uma mera consequência de seu próprio ciclo nas divisões de base.

Desde sempre o que o menino bom de bola ouve é “filho, pega a bola, parte para cima e resolve o problema da sua família”. Depois de um tempo, se confirmar o potencial, o empresário é incluído no pacote de dependentes. O aprendizado inicial é tentar resolver na individualidade para se destacar na multidão.

A questão é que por mais que os profissionais da base estejam se qualificando na preparação dos garotos, a nossa mentalidade atrapalha. Olhamos para um time e sempre buscamos “o cara”, aquele que chama a responsabilidade, que faz a diferença, que decide sozinho. Não vale ser coadjuvante. A velha visão do “patrão” e “empregado”.

Só que no futebol atual, por mais que se tenha Messi, Cristiano Ronaldo, Suárez, Neymar, Ibrahimovich, Hazard e outros talentos desequilibrantes, “o cara” é cada vez mais o time. A ideia de jogo que vai potencializar e fazer aparecer o jogador diferente.

Por isso a necessidade de uma leitura de jogo cada vez mais precisa. A exata noção da importância de cada um no funcionamento do modelo de jogo. Saber que passar e se deslocar oferecendo opção ao companheiro vai ser mais importante que o drible em dois terços do campo. Só no último, mais próximo do gol, a vitória pessoal será essencial para furar as linhas de marcação cada vez mais compactas.

Saber o que fazer também ajuda a não se desesperar na hora da dificuldade. Era nítida a tensão dos meninos da seleção sub-20 por conta dos problemas graves na construção do jogo apoiado que Micale exige. Porque o garoto, culturalmente, é cobrado para decidir sozinho. Habilidade ou força e velocidade, rompendo as defesas. Vencendo as dificuldades na marra ou no jeitinho que é só nosso.

Tudo para conseguir um contrato na Europa e sair daqui jogando bola e aprender lá a fazer o jogo. Coletivo. Discurso comum entre os novos e os ex-boleiros. Às vezes surge um Gabriel Jesus, talentoso e inteligente praticamente na mesma proporção que se encaixa rápido em qualquer lugar – Palmeiras, seleção olímpica, principal, Manchester City. Mas é exceção.

Não é acaso a nossa maior carência em alto nível: os meio-campistas cerebrais, que jogam de área a área e ditam o ritmo. Fazem o jogo coletivo acontecer. Como estimular o menino se o mais rápido, o mais forte e o mais driblador é que vão ganhar os holofotes e as melhores oportunidades?

A visão do futuro não é apocalíptica e há avanços nos métodos de treinamento nas divisões de base do país. Também há mais competições para colocar tudo em prática. Não parece a hora de defenestrar Micale e voltar a encher a CBF de ex-boleiros sem formação e preparo.

O problema maior do processo segue sendo a transição e a afirmação dos mais promissores no profissional. Muito porque o empresário e a família querem que o craque sub chegue com banca entre os adultos. Ou só passe por lá em busca do sonho maior: a independência financeira nos centros mais rentáveis.

David Neres já entrou no time principal do São Paulo com status de estrela e, no meio do Sul-Americano, foi vendido ao Ajax. Difícil imaginar a cabeça do garoto para seguir no torneio de base com a primeira grande meta cumprida. Seleção principal, Copa do Mundo? Lá na frente e se for conveniente.

Uma busca individual em uma visão pouco coletiva. De mundo, que passa pela educação formal, em casa e entra no campo. Em um futebol de alto nível cada vez mais associativo, de união de forças, combinação de características. Um paradoxo.

Por isso a inconstância, a irregularidade de alternar um título mundial sub-2o em 2011, um vice em 2015 e duas eliminações no Sul-Americano, em 2013 e agora. Um sinal de que está na hora de começar a privilegiar a inteligência em campo. Ela vale bem mais que “alegria nas pernas”.


Conhecimento: a arma de Eduardo Baptista para convencer no Palmeiras
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André Rocha

Eduardo Baptista Palmeiras

Tite aceitou a proposta da CBF e sua primeira missão foi estudar os jogos da seleção brasileira desde 2013 e depois mapear detalhadamente o que cada atleta no radar estava fazendo em seu clube.

Eduardo Baptista chega ao Palmeiras campeão brasileiro e inicia a temporada depois de dissecar a equipe de Cuca nos 38 jogos da competição nacional, além de analisar informações detalhadas de seus novos comandados, inclusive os novos contratados.

Tite é campeão mundial com o Corinthians, mas se comparado com Guardiola, Ancelotti, Mourinho e outros treinadores que comandam as estrelas do escrete canarinho, sua situação era parecida com a do filho de Nelsinho Baptista, jovem treinador sem grandes títulos no currículo, em um time vencedor.

Um técnico começa a vencer quando convence seus jogadores de que sua ideia é viável. Se não há tanto carisma e títulos para apresentar, o conhecimento é fundamental. Porque hoje o jogador, com staff e empresário a tiracolo, não precisa de um pai. Apenas de um treinador que deixe duas coisas bem claras: o que ele precisa fazer em campo e por que ele é titular ou reserva da equipe.

Gestão de grupo é ser franco e direto. Todos podem elogiar Tite na seleção por ter mudado o clima pesado dos tempos de Dunga. Mas se não houvesse trabalho e informação, a ponto de surpreender os atletas, o sucesso imediato em campo seria mais difícil.

Eis a arma de Baptista. Diante de Felipe Melo – jogador inteligente, de personalidade forte e que entende o futebol atual – e de Guerra, melhor da última Libertadores, além dos campeões de Copa do Brasil e Brasileiro dos últimos anos, se não houver convicção e conteúdo para apresentar virá a pergunta cruel: “ganhou o quê?” Exatamente o que inviabilizou sua permanência no Fluminense de Fred.

O técnico terá que fazer entender as razões para mudar das perseguições individuais dos tempos de Cuca para a marcação por zona e, com a bola, construir um jogo mais apoiado, com bola no chão e transição ofensiva rápida para surpreender o adversário. No mesmo 4-3-3/4-1-4-1 da campanha vencedora no ano passado.

Falta o centroavante para repor Gabriel Jesus e fechar o elenco que Alexandre Mattos começou a remontar ainda em 2016. Pensando em Cuca, agora com Eduardo Baptista. O maior desafio da carreira do novo comandante. Uma incógnita que pode dar certo através do conhecimento.