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O passeio do Liverpool e o recado de Coutinho para Tite
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André Rocha

Tite estava no Metalist Stadium para ver nove brasileiros e mais Ismaily em campo na vitória do Shakhtar Donetsk sobre o Manchester City por 2 a 1 que garantiu o time ucraniano nas oitavas da Liga dos Campeões.

Mas podia ter testemunhado in loco o espetáculo do Liverpool nos 7 a 0 sobre o Spartak Moscow em Anfield, com os Reds voltando ao mata-mata do principal torneio de clubes do mundo.

Três gols de Philippe Coutinho, o primeiro de pênalti. Camisa dez e faixa de capitão pela primeira vez, mesmo com os rumores cada vez mais fortes de sua saída do clube. Mais que isso, ditando o ritmo e desequilibrando. Armando e finalizando. Marcando e jogando no 4-1-4-1 de Jurgen Klopp que varia naturalmente para o 4-2-3-1 com os movimentos naturais de seu camisa dez.

Mais um sinal de que seu talento pode ser ainda melhor aproveitado do que na função de ponta articulador na seleção. Partindo da direita, nem tão confortável assim. Seu grande momento foi no golaço sobre a Argentina. Recebendo no centro, às costas dos volantes rivais e arrancando pela meia esquerda para cortar para dentro e bater de direita.

Pode acontecer mais vezes. Com Willian entrando pela direita para abrir o campo e dar opção de busca da linha de fundo ou das diagonais em velocidade. Coutinho substituiria Renato Augusto ou Paulinho no 4-1-4-1/4-2-3-1.

Se Tite quiser testar um novo sistema,a formação considerada titular pode até ser mantida. Mas com Coutinho de “enganche” num 4-3-1-2 à la Real Madrid, como já abordado neste blog. Não centralizado o tempo todo facilitando a marcação, mas procurando os flancos, como Isco faz no time merengue. Inclusive o esquerdo, sem conflitar com Neymar, que se mexeria mais como atacante. Mobilidade para confundir a marcação adversárias. Algo a se pensar.

Certeza mesmo é de que o Brasil não pode abrir mão do dez do Liverpool que é onze na seleção e pode ser ainda mais na equipe de Tite. Mais um recado foi dado em Anfield.


Suíça, Costa Rica e Sérvia: Brasil pode encarar três ferrolhos. Um perigo!
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André Rocha

Acabou a ansiedade e tantas simulações neste mundo apressado que precisa inventar pautas o tempo todo. Agora é o que vale!

O Brasil fugiu de Inglaterra, que caiu no Grupo G com a Bélgica, e Espanha, adversário de Portugal no Grupo B. Não temos exatamente um “grupo da morte”, ainda que Islândia, Croácia e Nigéria não sejam adversários tranquilos para a Argentina no Grupo D.

Suíça, Costa Rica e Sérvia. O Brasil naturalmente é o favorito à primeira colocação do Grupo E. Mas pode ter problemas na primeira fase do Mundial da Rússia.

Duas seleções europeias que não devem abrir mão de forte compactação e, muito provavelmente, uma linha de cinco defensores. Ou armar linhas de quatro e recuar os meias pelos flancos reunindo seis homens protegendo as próprias metas. Já a Costa Rica desde o último Mundial costuma atuar com três zagueiros, mais dois alas que recuam como laterais. Serão três ferrolhos. Ninguém vai se abrir. Ou talvez só a Sérvia, por necessidade, na última partida.

Um problema para a seleção de Tite, que gosta de espaços para trabalhar e sofreu para infiltrar na linha de cinco da Inglaterra. Com Neymar conduzindo demais, Coutinho saindo da direita em direção à zona de maior pressão, Gabriel Jesus voltando para fazer pivô, laterais talentosos (Daniel Alves e Marcelo), mas apoiando muito por dentro e sem buscar a linha de fundo com velocidade. Apenas Paulinho buscava o espaço às costas da defesa. Algo a ser trabalhado até lá.

Costa Rica de Keylor Navas, Suíça de Xhaka e Shaqiri e Sérvia de Matic. Em termos de qualidade individual e tradição, não é nada preocupante. Mas nunca o esporte foi tão coletivo e focado em ocupação e criação de espaços. Jogar com a responsabilidade de se instalar no campo de ataque é uma responsabilidade grande. E um perigo!

Por ora são as possíveis previsões. Mais que isso é adivinhação. Que dirá tentar imaginar adversários nas oitavas, quartas. O futebol está cada vez mais nivelado, com jogos duros. Imaginar apenas os favoritos se classificando chega a ser ingênuo. Ainda mais num Mundial em que Itália, Holanda e Chile ficaram de fora.

Mais prudente seguir o clichê e pensar jogo a jogo. Ou melhor, priorizar a preparação para melhorar o desempenho e crescer na hora certa.


Tite vê Neymar mais completo no PSG: “não mudou, mas agregou qualidades”
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André Rocha

Foto: divulgação CBF

Não é fácil falar com Tite. Nunca foi simples conseguir um minuto do treinador da seleção brasileira, ainda mais com Copa do Mundo se aproximando. Seja Zagallo, Dunga, Felipão…

Com Adenor Leonardo Bacchi, a demanda fica ainda maior pelo sucesso no trabalho de recuperação e de resgate da autoestima do futebol cinco vezes campeão do mundo pós 7 a 1. Na impossibilidade de uma exclusiva, que este blogueiro conseguiu por duas vezes nos tempos de Corinthians, e na dificuldade até de um contato por e-mail, tão frequente nos últimos seis anos, surgiu a chance de tentar ao menos uma pergunta.

Foi no Footlink, evento promovido no Rio de Janeiro por Paulo Angioni e Eduardo Barroca, aos quais agradeço pelo convite. O tema era preparação de seleções para a Copa do Mundo. Estiveram presentes também Sebastião Lazaroni, técnico da seleção na Copa de 1990, e Reinaldo Rueda, atual treinador do Flamengo e que comandou Honduras em 2010 e Equador no último Mundial.

As perguntas do público presente eram enviadas por e-mail para um endereço indicado pela organização. Tive a sorte do colega Gilmar Ferreira, mediador do debate, selecionar o meu questionamento a Tite – também enviei perguntas aos outros dois, mas minha expectativa era pela resposta do atual técnico do escrete canarinho.

Reproduzo aqui a questão enviada: você diz que trabalha baseado no que os jogadores fazem em seus clubes. Mas como fazer quando o jogador muda de time e de função? Sim, me refiro ao Neymar – ponta no Barcelona e agora mais articulador e condutor de bola no PSG.

O resumo da resposta de Tite: “Neymar mudou, mas agregou qualidades. Ele pode trabalhar por dentro, mas também ser usado do lado. Continua forte no um contra um e está mais completo. Vai trazer tudo isso para a seleção”.

O blogueiro não discorda da resposta inteligente do treinador. Mas viu com preocupação Neymar buscando a bola demais no empate com a Inglaterra em Wembley. Diante de linhas defensivas bem posicionadas, o camisa dez exagerou um pouco na condução e praticamente não chegou a fundo. Afunilou as ações ofensivas, exatamente para a região mais congestionada e com mais pressão.

Como Marcelo não apoia tão aberto, e Tite ressaltou em seu momento de exposição no evento esta diferença em relação à maneira de atuar do lateral do Real Madrid, o Brasil não conseguiu abrir o jogo, espaçar a retaguarda inglesa e sofreu para criar oportunidades, especialmente na primeira etapa.

Porque Neymar deixou de ser um ponteiro que recebe pela esquerda e parte para a jogada pessoal para chegar ao fundo ou infiltrar em diagonal e servir Messi e Suárez para se transformar praticamente num meia no PSG que recua e tenta armar as jogadas para Mbappé e Cavani. Como previsto neste blog, no time de Unai Emery o brasileiro é mais Messi e Mbappé é mais Neymar na equipe francesa.

Neymar mudou, sim. E levou essa alteração na movimentação em campo para a seleção. Só que na equipe de Tite o ponta articulador que sai do flanco para o centro é Philippe Coutinho, não Neymar. Com isso perdeu um pouco a infiltração letal do camisa dez, assim como o drible de ponta que abre as defesas.

Preocupante, mas com soluções. Ou resgatar essa dinâmica de atacante pelo flanco do início do trabalho de Tite na seleção, especialmente no período de treinamentos para a Copa na Rússia. Ou mudar o time. Com Willian, que tem mais características de ponteiro pela direita, Neymar pode circular mais sem que o ataque perca amplitude e profundidade. Questão de ajuste.

Valeu mesmo foi a chance de fazer ao menos uma pergunta a um dos homens mais requisitados e midiáticos do país. Algo que deve ficar ainda mais concorrido até junho de 2018.

 


Falta um pouco de Tite em Klopp no Liverpool de Coutinho e Firmino
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André Rocha

Philippe Coutinho tem cinco gols e quatro assistências na temporada 2017/2018. Roberto Firmino foi às redes oito vezes e também serviu passes para gols de companheiros por quatro vezes. Só não são os grandes destaques individuais do Liverpool porque o egípcio Mohamed Salah vive momento mágico, já marcando 13 vezes e somando três assistências. É o artilheiro do Campeonato Inglês com nove.

Os brasileiros contribuem efetivamente para que os Reds só sejam superados pelo Paris Saint-Germain de Neymar, Mbappé e Cavani na Liga dos Campeões como ataque mais efetivo – 17 a 16, em cinco partidas – e fiquem atrás apenas dos times de Manchester na Premier League: marcou 24, enquanto o City de Pep Guardiola foi às redes 40 vezes e o United de José Mourinho 27.  Em 12 rodadas. É também a equipe que mais finaliza na competição nacional.

O quarteto ofensivo ainda conta com o senegalês Sadio Mané – quatro gols e três assistências em dez jogos, depois de cumprir suspensão de três jogos na PL e sofrer lesão que o deixou de fora por cinco partidas. Dos 40 gols marcados nas duas competições, eles são responsáveis por 30. Ou 75%.

Só não garantiram matematicamente a classificação antecipada para as oitavas de final do torneio continental e uma posição acima da quinta colocação atual no Inglês – ocupando a zona de classificação para a Liga Europa porque supera Arsenal e Burnley com os mesmos 22 pontos por conta do saldo de gols – pelo fraco desempenho do sistema defensivo.

Na Premier League, são 17 sofridos. A mais vazada entre os sete primeiros. Na Liga dos Campeões, apenas seis. Mas um mau sinal: o Sevilla, rival mais competitivo do Grupo E, fez cinco. Nos dois empates entre as equipes.

O último em 3 a 3 no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Resultado que poderia ser considerado satisfatório como visitante. Mas não depois de abrir 3 a 0 em trinta minutos e ceder o empate na segunda etapa. Firmino marcou dois e serviu Mané. Jogo de 20 finalizações, dez para cada equipe. Sete no alvo dos visitantes, cinco dos anfitriões que ainda carimbaram a trave do goleiro Loris Karius uma vez.

Por que o Liverpool sofre tanto sem a bola? Uma das explicações seria as limitações dos jogadores da última linha de defesa – em Sevilla formada por Joe Gomez, Lovren, Klavan e Moreno, apesar do lateral espanhol ser um dos líderes em assistências da Champions com três passes para gols. Ou a proteção insuficiente da dupla Henderson-Wijnaldum. Mas vai um pouco além.

Passa pela visão de futebol do treinador alemão Jurgen Klopp. Figura carismática, instigante. Com eletricidade e paixão à beira do campo. Comandante que popularizou o “gegenpressing”, que nada mais é que um trabalho de pressão intensa e obsessiva sobre o adversário logo após a perda da bola, ainda no campo de ataque. Acredita em futebol no volume máximo.

Mas sem o minimo controle. Mesmo considerando o contexto de jogo ultraveloz não só da liga inglesa, mas também da alemã que conquistou duas vezes com o Borussia Dortmund. Um jogo de bate e volta, no estilo “briga de rua”. Sem adaptações, mesmo completando dois anos na Inglaterra em outubro. Na prática vem exaurindo sos atletas, física e mentalmente, além de expor demais o time.

Coutinho e Firmino devem sentir a falta de um pouco de Tite no clube. Não só pelos cinco gols sofridos pela seleção brasileira sob comando do treinador em 17 partidas, apenas três em 12 jogos oficiais pelas Eliminatórias. Mas principalmente pela busca do equilíbrio entre as ações de ataque e defesa, além, é claro, dos os companheiros mais qualificados na retaguarda verde e amarela.

Também a ideia de controlar o jogo, ora com a posse da bola, ora fechando os espaços e esperando o momento certo de atacar e definir as partidas. O Liverpool troca golpes o tempo todo. É capaz de surrar o Arsenal por 4 a 0 em Anfield Road na terceira rodada da Premier League e, no jogo seguinte pelo Inglês, ser atropelado pelo City no Etihad Stadium por 5 a 0.

Tem a terceira melhor média de posse da liga, empatado com o Arsenal e atrás de City e Tottenham, mas é muito mais pelo volume e por pressionar e recuperar rapidamente, em especial contra equipes de menor investimento, do que pela capacidade de dominar o oponente.

Aleatório demais. Aqui não há a intenção de comparar os treinadores em qualidade, mas realçando as diferenças de características e personalidades. Fica claro, porém, que falta uma pitada, ou uma mão cheia, de Tite em Jurgen Klopp. Por isso o time de Coutinho e Firmino não decola, na Inglaterra e na Europa.

(Estatísticas: UEFA e WhoScored)


Primeiro teste na Europa foi útil, mas não bom. Brasil titular foi lento
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André Rocha

Apesar da Inglaterra desfigurada com sete desfalques, o teste para a seleção de Tite foi útil pelo enfrentamento com uma seleção europeia. Mais ainda por encarar uma linha de cinco defensores, negando espaços para infiltrações pelo meio ou nas diagonais.

Mas não foi bom. O time considerado ideal e titular esbarrou na própria lentidão em Wembley. Não por falta de velocidade dos jogadores, mas da circulação da bola. Muito pelo comportamento dos jogadores, especialmente Neymar.

Quando Tite montou o trio ofensivo, pensou em Philippe Coutinho como articulador partindo do lado direito para circular às costas dos volantes e Neymar saindo da esquerda e infiltrando em diagonal para servir os companheiros ou finalizar. Como um atacante letal e vertical. Como era no Barcelona.

Mas agora, no PSG, Neymar é muito mais este ponta armador, conduzindo a bola para acionar Cavani e Mbappé. O problema de levar este comportamento para a seleção é que Coutinho, Neymar e Renato Augusto procuram a bola para o toque curto ou conduzir. Apenas Paulinho tenta infiltrar.

Para complicar, Daniel Alves e Marcelo, bloqueados pelos alas Walker e Bertrand, não buscavam o fundo. E Gabriel Jesus, atuando mais como pivô no Manchester City, também recuava para fazer a parede e não se deslocava para receber em velocidade. Até porque o trio de zagueiros Gomes, Stones e Maguire não deixava espaços às costas.

Por isso um primeiro tempo insosso. Também porque Marquinhos e Miranda, com o auxílio de Casemiro, controlou bem as investidas rápidas de Vardy e Rashford, o único a finalizar para a defesa de Alisson.

Melhorou na segunda etapa porque Neymar passou a guardar um pouco mais a posição pela esquerda. Mas ainda mais armador que atacante. De seus pés saíram os passes para Jesus que Coutinho, na sequência, concluiu sobre Hart, e Paulinho. As únicas jogadas em profundidade para finalização. Pouco.

Melhorou um pouco com Willian, Fernandinho e Roberto Firmino nas vagas de Coutinho, Renato Augusto – ainda o mais inteligente meio-campista, mas jogando uma rotação abaixo dos demais – e Jesus. Porque com Willian aberto à direita, Neymar ganhou espaço para articular por dentro. Firmino, inteligente, foi buscar a brecha deixada à esquerda. Faltou a jogada precisa, assistência e finalização para sair do empate sem gols.

Amistoso é para isso: observar e testar. O resultado é secundário. Tite viu o que não funcionou no teste tão esperado e vai levar as reflexões para as férias. Talvez mexa no time base para a volta em março. O certo é que vai precisar mudar a dinâmica. Porque a ideia inicial de trabalhar com seus jogadores como eles atuam em seus clubes não está mais casando as características.

A seleção ficou mais lenta, ou menos rápida. No futebol de mais alto nível entre as seleções vai sofrer.


Com Willian, Brasil ganha cara de Real Madrid de Ancelotti. Neymar é CR7
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André Rocha

O gol de Neymar na cobrança de pênalti sobre Fernandinho com ajuda do árbitro de vídeo (VAR) logo aos oito minutos descomplicou um início com Japão pressionando e tirando espaços de uma seleção com natural desentrosamento pelas seis mudanças em relação à base titular.

Mas o amistoso em Lille – sem estádio lotado por conta dos ingressos caros – teve sua utilidade exatamente porque a falta de tempo até o Mundial da Rússia faz com que Tite não trate como mais um compromisso e aproveite cada oportunidade de reunir os jogadores para fazer observações e experiências.

No primeiro tempo ficou bem claro que a equipe com Willian, que tem mais perfil de ponteiro que Philippe Coutinho, ganha uma cara mais de 4-3-3 do que 4-1-4-1. Em vários momentos foi possível notar os três atacantes bem adiantados em relação aos meio-campistas. Com uma variação: exatamente o recuo de Willian pela direita formando uma segunda linha de quatro.

Fernandinho, escalado na vaga e na função de Renato Augusto, trabalhou sem bola como uma espécie de “guardião” de Marcelo, abrindo pela esquerda para fechar os espaços e liberar Neymar, cada vez mais atacante em dupla com Gabriel Jesus. Ainda assim nervoso, perdendo a segunda cobrança de pênalti e levando um amarelo desnecessário em nova intevenção do VAR.

Em 2014, o ano “sabático” de estudos, Tite foi a Madri acompanhar o Real do amigo Carlo Ancelotti. Campeão da Liga dos Campeões daquela temporada. Time montado num 4-3-3 que variava para o 4-4-2 com Bale voltando pela direita, Di María no meio abrindo pela esquerda para ajudar Marcelo e dar liberdade a Cristiano Ronaldo.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Na cabeça de Tite, Neymar é Cristiano Ronaldo. O talento desequilibrante. Sem comparações, obviamente. Apenas o posicionamento mais solto e a importância para o time.

Os 3 a 1 valeram para rodar o time, ver que a disputa pela última vaga na defesa está aberta com a atuação hesitante de Jemerson, que falhou no gol de Makino. Também que a equipe muito mexida, com Diego Souza, Alex Sandro, Renato Augusto, Taison e Douglas Costa, sofreu na segunda metade do segundo tempo para conter os ataques japoneses.

Principalmente pelo terceiro gol, de Gabriel Jesus em bela trama coletiva. Desde a pressão na perda da bola no lado esquerdo até a inversão, a ultrapassagem de Danilo e a assistência do lateral do Manchester City que vai ganhando de Fagner a vaga na reserva de Daniel Alves.

O golaço de Marcelo usando o pé direito num petardo também foi válido para o lateral do Real Madrid, tão criticado, recuperar confiança e mostrar que os problemas do clube não o abalam com a camisa verde e amarela. Melhor assim.

Contra a Inglaterra, Tite deve escalar todos os titulares para um teste de peso. Mesmo com as muitas baixas do adversário é a primeira chance de enfrentar a escola europeia. Com o retorno de Coutinho a dinâmica ofensiva muda. Vejamos se Tite revela alguma surpresa. Quem sabe com o meia do Liverpool mais por dentro, como Isco no time atual do Real Madrid, comandado por Zidane?

Se assim for, Neymar continuará sendo o CR7 da seleção.

 


Fernandinho na vaga de Renato Augusto é Tite definindo seus 15 “titulares”
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André Rocha

A Espanha foi campeã do mundo em 2010 utilizando 15 jogadores por ao menos três partidas em sete – de início ou saindo do banco de reservas. Seguindo este mesmo critério, Joachim Low trabalhou com 16 na campanha do tetra alemão no Brasil há três anos.

É a tônica nas Copas, não só entre as seleções que vencem. Um time titular inicial, quase sempre modificado ao longo do torneio em uma ou duas posições e outros dois ou três reservas utilizados na maioria das partidas. Ou seja, no mínimo sete jogadores entram em um ou dois jogos, no máximo. Normalmente naquela partida já definida ou no terceiro jogo da fase de grupos com o país já classificado.

Em 2010, Dunga utilizou 13 em pelo menos duas partidas num total de cinco. No Brasil, Luiz Felipe Scolari trabalhou com 17 em no mínimo três jogos. Ou seja, mesmo em seleções com irregularidade no desempenho e indefinição do treinador, a média não muda.

Tite sinaliza a entrada de Fernandinho na vaga de Renato Augusto para o amistoso de sexta-feira contra o Japão em Lille, na França. Ou seja, o volante que, em tese, seria o reserva de Casemiro entra na vaga de um dos meias por dentro no 4-1-4-1 brasileiro.

Nenhuma novidade para o meio-campista do Manchester City, que já atuou mais adiantado em outros momentos da carreira, inclusive no próprio clube inglês. Mas, principalmente, é o reconhecimento de Tite a um jogador marcado pelos 7 a 1 – injustamente, porque atuou mal porque ficou praticamente sozinho na intermediária brasileira levando botes seguidos de Khedira, Kroos e Schweinsteiger dentro de um time totalmente desorganizado – que evoluiu demais desde que passou a trabalhar com Pep Guardiola.

Na leitura de jogo, em especial. Inteligência para se posicionar, distribuir o jogo e ainda aparecer à frente, mesmo dividindo o setor com meias essencialmente ofensivos como Kevin De Bruyne e David Silva. Sabe mudar o comportamento no momento da perda da bola, logo pressionando e fechando linhas de passe. Acima de tudo, entende a necessidade de se apresentar como opção de apoio para os companheiros.

Com Casemiro, pode recuar para fazer a saída de bola e liberar o volante do Real Madrid, como Kroos e Modric fazem no plano de jogo de Zidane. Nada tão diferente do que Renato Augusto realiza, mas Tite tem razão em se preocupar com seu jogador de confiança que tem mostrado intensidade abaixo dos companheiros por disputar a liga chinesa, de menor exigência.

Para o próximo amistoso faz ainda mais sentido pela ausência de Diego Ribas, com dores musculares. O meia do Flamengo é tratado como reposição a Renato Augusto, mas a impressão que fica é de que se nada de excepcional acontecer até o Mundial, caso esteja na lista final fará parte dos sete ou oito que entrarão em campo poucas vezes ou nenhuma.

Porque o time base parece definido, com dúvidas no gol entre Alisson e Ederson, na zaga entre Marquinhos, Miranda e Thiago Silva e no meio-campo, exatamente pela inconstância de Renato Augusto, com Fernandinho correndo por fora.

Ou seja, 14 jogadores disputando posições. A outra opção que vem sendo frequentemente usada e não deve mudar é Willian. Sempre pela direita. No lugar de Philippe Coutinho, como deve ocorrer na sexta, ou de Renato Augusto, com Coutinho centralizando e o desenho tático variando para um 4-2-3-1. Ou até na vaga de Neymar, numa emergência. Neste caso, Coutinho inverteria o lado e atuaria pela esquerda.

Quinze “titulares” para o Mundial. Como o mais provável é que um goleiro seja definido como titular, pode ser que outro jogador durante a Copa seja um reserva utilizado com frequência para descansar titulares. Talvez Giuliano ou Roberto Firmino. Os outros oito apenas numa necessidade ou queda brusca de produção de um ou outro atleta entre os que iniciam as partidas.

Preocupante por essa consolidação tão precoce e pelo risco de precisar de jogadores sem muitos minutos com Tite e, em alguns casos, desempenho confiável para entrar no time em momentos decisivos. Mas é compreensível para um trabalho curto e com pouco tempo de maturação até a estreia na Rússia. O treinador deve monitorar e estimular ainda mais obsessivamente seus escolhidos para que o rendimento não caia.

Principalmente os 15 homens de Tite.

 


Hernanes, Bruno Henrique e Jô: destaques no Brasil, descartáveis na seleção
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André Rocha

Bruno Henrique chegou a 11 assistências com os dois passes para gols nos 3 a 1 sobre o Atlético Mineiro na Vila Belmiro. Um em cada tempo, um de cada lado do campo. É também o melhor driblador do Brasileiro. Jô agora é artilheiro do campeonato com 16 gols, igualando Henrique Dourado. Não perdeu uma no jogo aéreo contra os zagueiros palmeirenses no dérbi. Hernanes marcou seu nono gol em 16 partidas no triunfo são-paulino fora de casa sobre o Atlético-GO que praticamente garante o tricolor na primeira divisão e muda a equipe de patamar, sonhando até com vaga na Libertadores.

Destaques indiscutíveis que merecem elogios pelo desempenho e pela capacidade de desequilibrar. Mas que Tite pode tranquilamente descartar nas convocações da seleção brasileira.

O motivo é simples, embora magoe e ofenda os defensores do futebol jogado no país cinco vezes campeão do mundo: a nossa liga é fraca, medíocre. Nossas equipes são formadas por atletas medianos, jovens buscando espaço, refugos de experiências mal sucedidas em grandes centros, veteranos na reta final de carreira.

Bruno Henrique, com 26 anos, até teve alguns bons momentos do Wolfsburg, o mais notável na vitória por 2 a 0 sobre o Real Madrid nas quartas de final da Liga dos Campeões, dando um calor em Marcelo. Mais não fez e voltou ao Brasil. Hernanes estava na China, depois de sete anos no futebol italiano. Aos 32 anos, seu tempo já passou no futebol em alto nível. Suas Copas seriam as de 2010 ou 2014. Jô esteve no Mundial do Brasil, mas na reserva. Aos 30 anos, também passou pela China e agora é protagonista no Corinthians. Mas a curva também é descendente, não tem mais mercado na Europa.

Todos merecem respeito por suas trajetórias profissionais. Se Tite der oportunidades – como sinaliza com Hernanes, até pela carência de um articulador no meio-campo como reposição a Renato Augusto – podem até render. Não só pela motivação, mas por estar inserido em um grupo qualificado. O fato, porém, é que há opções mais confiáveis atuando em ligas mais competitivas.

Como seria Jorginho, destaque do Napoli, convocado pela seleção italiana. Joga à frente da defesa, mas tem o perfil de organizador. Meio-campista que pensa o jogo todo e não apenas na sua função em campo. Artigo raro, disputando a Série A do Calcio e Liga dos Campeões. Descartado sabe-se lá o porquê. Mas no setor da equipe de Maurizio Sarri ainda temos Allan, outro pedindo passagem.

No centro do ataque, Gabriel Jesus e Roberto Firmino, que disputam Premier League e Champions. Ponto, sem maiores discussões. Na ausência de um dos dois, pela carência no setor até seria possível pensar em um nome atuando no país. Nada mais que isso. Soa até como piada o menosprezo ao atacante do Liverpool em defesa de Jô, Fred e outros centroavantes mais “midiáticos”.

Nas pontas, a concorrência para Bruno Henrique é cruel: Willian, Coutinho, Neymar, Douglas Costa. Mesmo Taison ou Bernard do Shakhtar Donetsk seria mais interessante. Tite ainda tem os jovens Malcom, do Bordeaux, e Richarlison, do Watford, como alternativas jogando em ligas mais competitivas.

Sim, a Ligue 1, hoje, está acima do Brasileirão. Só pela simples presença de uma seleção mundial como o PSG. Mesmo o Monaco desmanchado, mas já na segunda colocação e ainda forte, com remanescentes do semifinalista da última Liga dos Campeões. Até os times de nível intermediário jogam um futebol mais atual e conectado aos principais centros que o nosso.

Além do orgulho de bater no peito e repetir a falácia do “país do futebol”, muitos ainda confundem o pertencimento, a identificação e o equilíbrio de forças com qualidade. Nosso jogo até evoluiu no trabalho defensivo. Mas ainda é espaçado, lento e fraco tecnicamente. A intensidade ainda fica abaixo.

É compreensível que a mídia incense os jogadores atuando nos clubes daqui. Afinal, a presença deles entre os convocados atrai a audiência nas datas FIFA. Ainda mais agora que o campeonato tem uma pausa, o que motiva ainda mais o torcedor a exigir a presença do melhor jogador do seu time do coração, já que não será desfalque como antes. De novo a questão da identidade: uma seleção com jogadores atuando na Europa, ainda que as emissoras de TV fechada e eventualmente a aberta transmitam as partidas, parece “estrangeira”.

Não por acaso, os escretes que construíram o tricampeonato mundial, além da de 1982, habitam o imaginário popular até hoje e na época criaram uma comunhão com o povo. Todos estavam aqui. A da Copa da Espanha, então, com ídolos dos times mais populares do país, uniu ainda mais os torcedores. Outros tempos, outro contexto.

Hoje a lógica é clara, até óbvia: os países com mais capacidade financeira contratam os melhores jogadores e treinadores. Por consequência praticam futebol com mais qualidade. Em técnica e tática. Admitir isso não é ter complexo de vira-latas ou menos valia. Pelo contrário. Se temos brasileiros atuando nos principais campeonatos nacionais do planeta com desempenho satisfatório, estes devem ser os escolhidos por Tite. Para o bem da seleção.

A menos que surja um talento como Neymar ou Gabriel Jesus para assumir protagonismo ainda atuando aqui. Com projeção para se destacar na Espanha e na Inglaterra com rapidez. Hoje quem parece mais pronto para ser o prodígio a vestir a camisa verde e amarela e se afirmar, ainda com 21 anos e jogando no Grêmio, é Arthur.

Fora isso é aposta. Como os citados acima, os convocados Cássio, Rodrigo Caio e os Diegos, Souza e Ribas. Ou Luan, Geromel, Lucas Lima, Vanderlei, Dudu, Moisés, Gustavo Scarpa, Fagner, Thiago Neves, Fabio e outros.  Porque o protagonismo no Brasil não é credencial segura. Há algum tempo. Por mais que doa reconhecer isso.

(Estatisticas: Footstats)

 


Tite segue flertando com o perigo de repetir Dunga em 2010
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André Rocha

Dois de julho de 2010. Estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth. Quartas-de-final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Vinte e sete minutos do segundo tempo. O Brasil perde para a Holanda de virada por 2 a 1, depois de sair na frente com Robinho e ter a chance de ampliar com Kaká, impedido por grande defesa de Stekelenburg. Está com um homem a menos após a expulsão de Felipe Melo.

Dunga, que pregou coerência nas convocações e deixou Paulo Henrique Ganso e Neymar no Brasil, se vira para o banco de reservas e depara com Kleberson, Josué, Julio Baptista, Grafite e Nilmar. O último entrou no lugar de Luis Fabiano. O treinador já havia trocado Michel Bastos por Gilberto. E morreu com uma substituição a fazer.

Voltemos a 2017. Tite divulga a lista para amistosos contra Japão e Inglaterra. A base titular mantida, sem problemas. Mas as opções seguem mais que questionáveis, especialmente no setor ofensivo: Giuliano, Taison e os Diegos, Souza e Ribas.

A impressão que fica é de que o treinador não quer criar dúvidas sobre a formação titular com a única variação utilizada até aqui: Willian no lugar de Philippe Coutinho ou Renato Augusto.

A ideia de consolidar o time titular com apenas um ano e três meses de trabalho e oito meses até o Mundial da Rússia é compreensível, até recomendável. Mas não pensar em um Plano B no caso da seleção ser mapeada, dissecada e bloqueada por um rival num jogo eliminatório é um enorme risco.

Porque na tensão de uma partida de quartas de final ou semifinal é preciso ter jogadores com alto desempenho e confiança. Quem observa com atenção o futebol jogado na Europa sabe que Fabinho,Allan, Jorginho, Malcom, Richarlison e até William José e Anderson Talisca estão rendendo mais. Merecem ao menos um teste. Abrir o leque. Ainda que não tenhamos um Neymar explodindo em algum clube brasileiro.

O momento do futebol jogado no país não é para confiar no desempenho dos atletas. Muito menos de quem não vem se destacando, como os Diegos. Qualquer liga europeia de nível intermediário oferece opções mais confiáveis. É duro reconhecer, mas não há como fugir.

Afinal, é meritocracia ou experiência e ser jogador de confiança que vale? A insistência com certos nomes desconstroi o discurso de disputa aberta e comissão atenta a todos os jogadores. Difícil entender.

De positivo, o retorno de Douglas Costa como opção ofensiva. Que ele não se contunda desta vez, ainda que não viva na Juventus um momento tão bom como no Bayern de Munique sob o comando de Pep Guardiola.

No mais, Tite segue flertando com o perigo de repetir Dunga em 2010, o que seria um enorme desperdício de qualidade. Dentro e fora de campo.

 


Tite é mais 1994 que 1982 e 2002
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André Rocha

No programa “Boa Noite Fox” na segunda-feira, Tite disse que entre vencer como em 1994 e perder como em 1982 ele prefere ser campeão como em 2002. Resposta diplomática, fugindo da grande discussão do futebol brasileiro há mais de 20 anos. Que perdura exatamente porque o quinto título mundial conquistado na Ásia não trouxe respostas e foi tratado como um caso isolado, sem legado. Mesmo com sete vitórias.

Aquela equipe de Luiz Felipe Scolari foi montada às pressas, combinando o time que vencera a Venezuela e garantira a vaga no Mundial apenas na última rodada das Eliminatórias e uma ideia guardada por Felipão desde 1999, quando a seleção, então comandada por Vanderlei Luxemburgo, atropelou a Argentina em Porto Alegre por 4 a 2: unir Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo no ataque.

Tite fala tanto em mérito e vencer jogando limpo, que não quer arbitragem ajudando nem prejudicando. Difícil, então, aprovar uma campanha de 100% apoiada em dois grandes erros de arbitragem: o pênalti sobre Luizão convertido por Rivaldo na virada por 2 a 1 sobre a Turquia na estreia e, principalmente, o gol de Wilmots para a Bélgica no primeiro tempo da partida pelas oitavas de final muito mal anulado pela arbitragem do jamaicano Peter Prendergast, que alegou falta do atacante sobre Roque Junior. Um absurdo que facilitou a construção dos 2 a 0 na segunda etapa em lampejos de Rivaldo e Ronaldo.

Brasil 2002 que dependia dos talentos para decidir na frente. Defensivamente, marcava por encaixe e Edmilson variava como zagueiro e volante de acordo com o número de atacantes do adversário. Fazia perseguições individuais e, consequentemente, sofria com buracos na retaguarda. Tudo que Tite não faz.

Então aparecia o goleiro Marcos para salvar. Inclusive na decisão contra uma Alemanha enfraquecida sem Michael Ballack. Antes dos gols de Ronaldo o arqueiro precisou trabalhar para evitar que o adversário abrisse vantagem. Também brilhou no sofrido primeiro tempo contra os belgas.

A seleção de Tite combina muito mais com a de 1994. Não só por ter Taffarel em sua comissão técnica. Questionada pelos resultados apertados e por ter sido a primeira campeã na disputa por pênaltis na história das Copas. Mas que prezava a segurança defensiva, marcava por zona e trabalhava coletivamente, com bola no chão, para potencializar o talento de Bebeto e Romário no ataque.

Só não teve mais posse de bola que a Holanda nas quartas de final. Jogo com o único erro de arbitragem favorável à equipe de Carlos Alberto Parreira: a falta cavada e cobrada por Branco que colocou a mão no rosto de Overmars. Decisiva nos 3 a 2. Mas nos 90 minutos controlou o jogo, abriu 2 a 0 com tranquilidade e permitiu o empate num lapso de desconcentração.

Nos outros jogos dominou os adversários, mesmo no empate por 1 a 1 com a Suécia na primeira fase ou com um homem a menos após a expulsão de Leonardo na vitória sobre os Estados Unidos no dia 4 de julho. Até na final contra a Itália no Estádio Rose Bowl. Paradoxalmente, Romário, o craque da Copa, podia também ter sido o artilheiro e tornado a campanha mais sólida em resultados. Perdeu vários gols, inclusive dois feitos, na semifinal e na grande decisão, já na prorrogação.

Pela falta de um craque no meio-campo ganhou o rótulo de “retranqueira”. Mas tinha solidez defensiva, mesmo com a zaga formada pelos reservas Aldair e Márcio Santos, e criava tantos pelos flancos com as duplas Jorginho-Mazinho e Leonardo/Branco-Zinho como pelo centro com Bebeto e Romário. Todos alimentados pelos ótimos passes de Dunga, outra peça fundamental subestimada.

Tite também tem mais a ver com o universo de 1994 do que com o de 1982, que tanto exalta. Primeiro porque dificilmente veremos sua seleção na Rússia com uma formação que nunca havia estado em campo, como Telê Santana fez na Espanha com o meio-campo formado por Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico com o suporte de Eder pela esquerda e Serginho na frente.

Muito menos observaremos todos no ataque na base da intuição deixando generosos espaços para os adversários. E como em 2002, erros graves de arbitragem favoreceram o escrete canarinho, como os pênaltis do zagueiro Luisinho não marcados na estreia contra a então União Soviética e o claríssimo de Junior sobre Maradona quando o placar estava 1 a 0 para os brasileiros sobre os argentinos no Estádio Sarriá.

Para alguém com a leitura de jogo do treinador da seleção brasileira a resposta soou estranha. Talvez seja uma maneira de exaltar Felipão e buscar uma reaproximação com quem admirou tanto e depois se transformou em desafeto.  Mas, honestamente, pensando no que aconteceu em campo e na visão de futebol de Tite é difícil encontrar alguma lógica.