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Arquivo : Sevilla

Goleada na última final de Iniesta também sinaliza Barcelona do futuro
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André Rocha

O Barcelona vencer a Copa do Rei não é nenhuma novidade, nem título a celebrar tanto assim, considerando o nível que o clube alcançou na década. Nas últimas dez edições foram seis conquistas, quatro consecutivas em um total de trinta. O maior vencedor do torneio.

Ainda na ressaca da surpreendente e até vexatória eliminação na Liga dos Campeões para a Roma, considerando as prateleiras bem separadas entre os clubes no cenário europeu, a conquista vale mais pelo simbolismo de ser a última decisão de Iniesta com a camisa blaugrana antes da mais que provável partida em direção ao futebol chinês.

Mas se os 5 a 0 sobre o Sevilla no Wanda Metropolitano, em Madri, reverenciam o passado com um dos últimos atos de seu camisa oito histórico, chegando a 31 títulos pelo clube, também sinalizam o futuro.

O primeiro gol foi simbólico. Com o adversário adiantando a marcação desde a área do Barça, o goleiro Cillessen, titular no torneio enquanto Ter Stegen joga nas outras competições, não fez a bola circular desde a defesa dentro da proposta tradicional do jogo de posição. Sem trocas de passes até o time se instalar no campo do oponente.

Lançamento direto para Philippe Coutinho, novamente pela direita, explorando os espaços às costas da defesa avançada do rival para arrancar e servir Luis Suárez. Jogada simples, objetiva e inteligente. Para que aumentar a margem de erro perto da sua própria meta se é possível chegar ao gol na mesma ação?

O resto foi consequência, com o Sevilla deixando um verdadeiro latifúndio às costas de Banega e N’Zonzi que Messi, Coutinho e Iniesta aproveitaram, cada um com um gol. Do argentino completando linda assistência de calcanhar de Jordi Alba, do brasileiro cobrando pênalti que sofreu e Messi cedeu generosamente. O mais belo do meia veterano, tabelando com Messi. Lembrando o “velho” Barça lá da Era Guardiola. Mas que precisa se adaptar aos novos tempos.

Para isso conta com Suárez, o centroavante que  dá profundidade aos ataques. Chama lançamentos e está sempre pronto para receber as “pifadas” de Messi. Intenso até a medula. Dois gols que encaminharam a goleada.

Agora a missão é confirmar o “doblete”, fazer um bom superclássico contra o Real Madrid e tentar o título espanhol invicto. Para o treinador Ernesto Valverde é a chance de deixar a impressão de uma primeira temporada positiva no clube, apesar das críticas justas ao comportamento coletivo ao longo da temporada, especialmente na noite trágica na capital italiana.

Sem Iniesta e com Coutinho, em sua primeira conquista no novo clube, resta montar um Barcelona mais parecido com o rival Real Madrid que vem sobrando na Europa: adaptável, mutante. Capaz de se impor dentro de uma disputa que privilegie a técnica ou mais física ou de velocidade. Com Messi cada vez mais passador e “ritmista” na reta final da carreira, necessitando de jogadores rápidos e fortes ao redor como contraponto.

Vale a comemoração de mais um título numa era vencedora. Especialmente pela imagem de Iniesta erguendo a taça. Mas é preciso refletir, porque a régua criada pela própria excelência não aceita apenas a supremacia no país. Para voltar a vencer a Champions a velha escola não é mais suficiente. Deve ir com o eterno camisa oito.

O primeiro gol na final da Copa do Rei é um bom indício do que o futuro reserva ao Barça.


Quartas de final da Champions só não têm favorito no duelo inglês
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André Rocha

Barcelona x Roma  – Confronto com favoritismo claro. O Barcelona invicto no Espanhol e na Liga dos Campeões, com Messi voando, pega o adversário em tese mais frágil. Mas que merece respeito por ter fechado a fase de grupos na liderança de um grupo com Chelsea e Atlético de Madri e eliminando este último. O jogo na capital italiana terá que ser bem controlado pelo time catalão se quiser voltar à semifinal depois dos fracassos nas duas últimas disputas nesta etapa contra Atlético e Juventus. Mas são equipes em prateleiras diferentes no futebol mundial.

Palpite: Barcelona

Sevilla x Bayern de Munique – Desde o título em 2013, com Jupp Heynckes, o Bayern de Munique foi eliminado nas últimas quatro temporadas por espanhois. Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madri. Agora o adversário é o Sevilla, cinco vezes campeão da Liga Europa, mas longe de ter o mesmo peso na Champions. Merece respeito por ter eliminado o Manchester United e, pela disparidade na Bundesliga, é sempre complicado avaliar o poderio do time bávaro. Mas é impossível não tratar o gigante alemão como favorito.

Palpite: Bayern de Munique

Juventus x Real Madrid – Reedição da final da temporada passada. Com os dois times crescendo em desempenho e resultados. O atual bicampeão europeu carrega uma vantagem inegável: a força mental. Confiança pelas conquistas recentes e também a chance de priorizar o torneio continental, já que a Juventus tomou há pouco do Napoli a liderança da Série A do Calcio. Favoritismo merengue, mas é bom lembrar: no último confronto em dois jogos deu Juventus, na semifinal de 2014/15.  Justamente a única eliminação do Real nas últimas quatro edições.

Palpite: Real Madrid

Liverpool x Manchester City – A campanha fantástica do time de Pep Guardiola na Premier League só não é invicta em 30 jogos por causa de uma derrota: os 4 a 3 impostos pelo Liverpool no Anfield Road, talvez no melhor jogo da temporada 2017/18 na Europa. Adicione a isso a camisa cinco vezes campeã da Liga dos Campeões de volta ao mata-mata e Jurgen Klopp, treinador que quase sempre proporciona duelos equilibrados com os times de Guardiola, e temos o único confronto das quartas sem favorito. Apesar dos 21 pontos de vantagem na liga nacional que refletem o abismo de desempenho e da maior experiência dos jogadores do time azul de Manchester na Champions.

Palpite: Manchester City


Champions: é justo avaliar a temporada por um torneio que envolve sorteio?
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André Rocha

Foto: UEFA

Amanhã acontecerá em Nyon o sorteio das quartas-de-final da Liga dos Campeões. Real Madrid, Barcelona, Sevilla, Juventus, Roma, Manchester City, Liverpool e Bayern de Munique estarão nas bolinhas que definirão o destino de cada um.

Imaginemos um hipotético confronto Barcelona x Manchester City. Se o time de Messi ficar pelo caminho diante da ótima equipe de Pep Guardiola em confrontos parelhos e o Real Madrid, por exemplo, encarar a Roma ou o Sevilla e seguir adiante até a conquista do inédito tricampeonato na Era Champions, a temporada do argentino, mesmo com o provável título espanhol e a conquista da Copa do Rei, poderá ser tachada de fracassada? De novo as premiações individuais irão para Cristiano Ronaldo pelo simples fato de ter vencido o principal torneio de clubes do planeta?

E se Guardiola novamente for derrotado pelo time catalão, como aconteceu em 2015, sua jornada fantástica nos citizens com o título da Copa da Liga Inglesa e a conquista cada vez mais próxima da Premier League com uma campanha histórica carregará essa mancha? Por ter sido superado pela equipe que tem apenas uma derrota na temporada?

No jogo em si, o “se” é parte apenas da imaginação e sempre envolve competência no gol perdido, na falha do goleiro. Até a lesão muscular do craque do time, em tese, poderia ser evitada com uma avaliação melhor do departamento de fisiologia do clube. O sorteio, não. É sorte apenas. Ou a falta dela.

Voltemos à 2016. Um Real Madrid ainda hesitante no desempenho na transição de Rafa Benítez para o estreante Zinedine Zidane enfrentou Roma, Wolfsburg e Manchester City até a repetição da final de 2014 contra o Atlético, rival de Madri. Venceu e ganhou confiança e moral para no ano seguinte ganhar o espanhol e a Champions passando por Napoli, Bayern de Munique e Atlético de Madri até a decisão contra a Juventus.

Imaginemos que o roteiro fosse o inverso. aquele Real de 2016 encarando o Bayern de Guardiola nas quartas-de-final. Com o time alemão mais maduro no comando do treinador catalão e sedento por vingança da surra que levou na semifinal de 2014?

Será que passaria? Nunca saberemos. Mas é certo que o caminho diante de adversários menos tradicionais foram obstáculos menores à chegada à decisão. E olha que contra o time alemão foi preciso virar um 2 a 0 e contra o City foram duelos parelhos definidos no detalhe e com a vantagem mínima.

Nesta mesma temporada, se as bolinhas colocassem o City e não o Atlético de Madri no caminho de Guardiola e seu Bayern de Munique, haveria, sim, a saia justa do treinador enfrentar a equipe com que estava acertado para trabalhar a partir da temporada seguinte. Mas as chances de chegar à decisão e buscar o título que faltou na passagem pela Baviera aumentariam exponencialmente.

Todos esses exercícios de mexer com as bolinhas e tentar adivinhar o desfecho podem ser estendidos a todas as temporadas. A partir das quartas, já que nas oitavas ao menos a colocação na fase de grupos é levada em campo. Continua sendo imaginação. O que aconteceu, obviamente, é o que está na história.

A questão é: ainda que seja o torneio que reúne o melhor do futebol mundial é justo ganhar um peso tão grande, ultimamente maior do que a Copa do Mundo, para avaliar equipes e jogadores? A impossibilidade de todos se enfrentarem em ida e volta não deveria ser levada em conta na hora de avaliar os desempenhos coletivo e individual?

Apenas uma reflexão. Pois, na prática, quem quiser terminar a temporada no topo do planeta bola terá que superar o que aparecer pela frente. Cristiano Ronaldo, Messi, Ben Yedder, Buffon, Dzeko, Salah, De Bruyne e Lewandowski. Os treinadores. Todos à expectativa do sopro da ventura na Suíça.

O amanhã pode sinalizar com força o caminho até 26 de maio no Estádio Olímpico de Kiev.


United de Mourinho joga o futebol mais chato entre os gigantes europeus
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André Rocha

Jogar bonito ou feio é subjetivo, questão de visão de futebol, até cultura. Mas como é chato ver o Manchester United de José Mourinho.

Não tem a ver com ganhar ou perder ou a dicotomia bem brasileira espetáculo x resultado. É simplesmente insuportável. Porque quase sempre não deixa jogar, mas também não joga.

Impossível dizer que os Red Devils são mal treinados. Os movimentos coletivos são executados corretamente, é nítido que o adversário foi muito bem estudado e quando tem a bola a ideia de definir rapidamente a jogada para surpreender o oponente é clara.

Mas mesmo quando vence é algo monótono. Boring. No empate sem gols fora de casa contra o Sevilla pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, a proposta novamente foi não jogar, administrar como visitante e buscar algo com Lukaku muito isolado, obrigado a disparar para receber lançamentos e  resolver sozinho ou esperar os companheiros.

Destaque para De Gea, com grandes defesas. Foram 17 finalizações do time espanhol contra seis, uma no alvo. Para a camisa e o poder de investimento é muito pouco. Ainda que não tenha estacionado um ônibus e deixado a bola para o oponente – terminou com 46% de posse. Mas com gol “qualificado” o 0 a 0 no Ramón Sanchéz Pizjuán não deixa de ser um risco.

É futebol. Se no Inglês é praticamente impossível alcançar o rival City, no mata-mata o United pode até vencer a Liga dos Campeões com esta estratégia e uma boa dose de ventura nos sorteios e nos jogos. Gol qualificado, pênaltis, De Gea, lances fortuitos, poder de fogo de Lukaku, jogada aérea e um ou outro lampejo de Alexis Sánchez, Martial, Rashford…

Mas nenhum dos gigantes da Europa joga um futebol tão chato quanto o time de José Mourinho.

(Estatísticas: UEFA)


Crise pode tirar Real Madrid da Champions. Mas não era piloto automático?
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André Rocha

Precisamos mais uma vez voltar à tese simplista de que dinheiro compra bom futebol, vitórias e títulos. Que a Libertadores é melhor que a Liga dos Campeões por conta do equilíbrio e que os times bilionários da Europa vencem os demais, incluindo o campeão sul-americano no Mundial de Clubes, simplesmente pelo abismo no orçamento.

A crise do Real Madrid bicampeão europeu e do planeta, com o atual Bola de Ouro Cristiano Ronaldo e outras estrelas mostra que não é assim que funciona no futebol. Derrota para o Villareal no Santiago Bernabéu por 1 a 0 e, se o Sevilla vencer o Alavés fora de casa o time merengue ainda fica na zona de classificação da Liga dos Campeões. Mas apenas pelo confronto direto – vitória por 5 a 0, a última boa atuação do bicampeão europeu. Uma ameaça real, sem trocadilho.

É óbvio que há muito tempo para recuperação. No pior cenário, se o desempenho não melhorar pode vir a eliminação para o PSG na Liga dos Campeões e aí sobraria tempo e foco para se recuperar na liga nacional e lutar, ao menos, pelo habitual segundo lugar.

Mas eis o ponto: não há piloto automático. Superioridade pura e simplesmente pela maior capacidade de investimento. Se vacilar é alcançado. Porque o esporte é coletivo, não uma mera reunião de individualidades.

O que é difícil entender é que Barcelona e Real Madrid vêm se impondo na Espanha e na Europa sendo os vencedores das últimas quatro edições da Champions porque contam com times que estão entre os melhores de suas histórias. Com Messi e Cristiano Ronaldo, os maiores artilheiros e craques dos clubes desde sempre.

O mesmo vale para o Bayern, base da Alemanha campeã mundial e que só não igualou a geração de Beckenbauer e Gerd Muller com um tricampeonato da Champions exatamente porque tinha um Messi e um Cristiano Ronaldo pelo caminho. Mas na Bundesliga sobra encaminhando um inédito hexacampeonato porque é competente ao se impor como o mais rico.

Lógica semelhante na França com o PSG. Investiu e atropela na Ligue 1, porque o objetivo é vencer o principal torneio continental. Com Neymar e Mbappé há alguma dúvida de que formou o grande esquadrão de sua história? E é bom lembrar: o atual campeão é o Monaco, que não é um “primo pobre”, mas prova que para vencer é preciso jogar.

O Real Madrid hesita. Talvez tenha se acomodado com as muitas conquistas, alimentado uma ilusão de dinastia com os títulos seguidos. Ou a obsessão pelo tricampeonato da UCL e o planejamento de estar voando na reta final da temporada como em 2016/17 tenha deixado um buraco inesperado no meio. Algo anda muito errado com o time de Zinedine Zidane, alçado a melhor que Pep Guardiola há poucos meses e agora mais que questionado.

Exatamente porque o futebol é cíclico, imprevisível. Não existe jogo jogado e vencido. O óbvio que às vezes é preciso ser lembrado para rebater teorias criadas por estas bandas. Românticas, vitimistas, saudosistas. Como se nada pudéssemos fazer para melhorar nosso jogo e ser mais competitivo que o Grêmio de apenas uma finalização contra esse mesmo Real Madrid. Com rendimento não muito melhor que o atual.

Este blog insiste: não é apenas dinheiro. Só não vê quem não quer.


Falta um pouco de Tite em Klopp no Liverpool de Coutinho e Firmino
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André Rocha

Philippe Coutinho tem cinco gols e quatro assistências na temporada 2017/2018. Roberto Firmino foi às redes oito vezes e também serviu passes para gols de companheiros por quatro vezes. Só não são os grandes destaques individuais do Liverpool porque o egípcio Mohamed Salah vive momento mágico, já marcando 13 vezes e somando três assistências. É o artilheiro do Campeonato Inglês com nove.

Os brasileiros contribuem efetivamente para que os Reds só sejam superados pelo Paris Saint-Germain de Neymar, Mbappé e Cavani na Liga dos Campeões como ataque mais efetivo – 17 a 16, em cinco partidas – e fiquem atrás apenas dos times de Manchester na Premier League: marcou 24, enquanto o City de Pep Guardiola foi às redes 40 vezes e o United de José Mourinho 27.  Em 12 rodadas. É também a equipe que mais finaliza na competição nacional.

O quarteto ofensivo ainda conta com o senegalês Sadio Mané – quatro gols e três assistências em dez jogos, depois de cumprir suspensão de três jogos na PL e sofrer lesão que o deixou de fora por cinco partidas. Dos 40 gols marcados nas duas competições, eles são responsáveis por 30. Ou 75%.

Só não garantiram matematicamente a classificação antecipada para as oitavas de final do torneio continental e uma posição acima da quinta colocação atual no Inglês – ocupando a zona de classificação para a Liga Europa porque supera Arsenal e Burnley com os mesmos 22 pontos por conta do saldo de gols – pelo fraco desempenho do sistema defensivo.

Na Premier League, são 17 sofridos. A mais vazada entre os sete primeiros. Na Liga dos Campeões, apenas seis. Mas um mau sinal: o Sevilla, rival mais competitivo do Grupo E, fez cinco. Nos dois empates entre as equipes.

O último em 3 a 3 no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Resultado que poderia ser considerado satisfatório como visitante. Mas não depois de abrir 3 a 0 em trinta minutos e ceder o empate na segunda etapa. Firmino marcou dois e serviu Mané. Jogo de 20 finalizações, dez para cada equipe. Sete no alvo dos visitantes, cinco dos anfitriões que ainda carimbaram a trave do goleiro Loris Karius uma vez.

Por que o Liverpool sofre tanto sem a bola? Uma das explicações seria as limitações dos jogadores da última linha de defesa – em Sevilla formada por Joe Gomez, Lovren, Klavan e Moreno, apesar do lateral espanhol ser um dos líderes em assistências da Champions com três passes para gols. Ou a proteção insuficiente da dupla Henderson-Wijnaldum. Mas vai um pouco além.

Passa pela visão de futebol do treinador alemão Jurgen Klopp. Figura carismática, instigante. Com eletricidade e paixão à beira do campo. Comandante que popularizou o “gegenpressing”, que nada mais é que um trabalho de pressão intensa e obsessiva sobre o adversário logo após a perda da bola, ainda no campo de ataque. Acredita em futebol no volume máximo.

Mas sem o minimo controle. Mesmo considerando o contexto de jogo ultraveloz não só da liga inglesa, mas também da alemã que conquistou duas vezes com o Borussia Dortmund. Um jogo de bate e volta, no estilo “briga de rua”. Sem adaptações, mesmo completando dois anos na Inglaterra em outubro. Na prática vem exaurindo sos atletas, física e mentalmente, além de expor demais o time.

Coutinho e Firmino devem sentir a falta de um pouco de Tite no clube. Não só pelos cinco gols sofridos pela seleção brasileira sob comando do treinador em 17 partidas, apenas três em 12 jogos oficiais pelas Eliminatórias. Mas principalmente pela busca do equilíbrio entre as ações de ataque e defesa, além, é claro, dos os companheiros mais qualificados na retaguarda verde e amarela.

Também a ideia de controlar o jogo, ora com a posse da bola, ora fechando os espaços e esperando o momento certo de atacar e definir as partidas. O Liverpool troca golpes o tempo todo. É capaz de surrar o Arsenal por 4 a 0 em Anfield Road na terceira rodada da Premier League e, no jogo seguinte pelo Inglês, ser atropelado pelo City no Etihad Stadium por 5 a 0.

Tem a terceira melhor média de posse da liga, empatado com o Arsenal e atrás de City e Tottenham, mas é muito mais pelo volume e por pressionar e recuperar rapidamente, em especial contra equipes de menor investimento, do que pela capacidade de dominar o oponente.

Aleatório demais. Aqui não há a intenção de comparar os treinadores em qualidade, mas realçando as diferenças de características e personalidades. Fica claro, porém, que falta uma pitada, ou uma mão cheia, de Tite em Jurgen Klopp. Por isso o time de Coutinho e Firmino não decola, na Inglaterra e na Europa.

(Estatísticas: UEFA e WhoScored)


Classificação do Leicester é obra de Ranieri, não de Shakespeare
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André Rocha

Mesmo com todo o discurso pé no chão da diretoria do Leicester City, focando apenas na manutenção na Premier League, a Liga dos Campeões foi tratada com sonho realizado no clube desde a confirmação da vaga na campanha do título.

A boa campanha na fase de grupos aumentou a sensação de que era possível. Reforçada pelo cruzamento com o Sevilla, que comparado com os gigantes europeus parecia acessível. E foi.

O atual campeão inglês, a rigor, perdeu apenas Kanté dos titulares na campanha vencedora. Desfalque seríssimo, mas que num torneio de mata-mata acaba sendo diluído pela capacidade de superação. Ainda mais pela entrega de Ndidi.

Logo, nada há de romântico nesta classificação do Leicester. Muito menos depois da nítida mudança de “humor” no campeonato inglês depois da demissão de Claudio Ranieri. Onde a gratidão e a lealdade se esvaneceram por um sanduíche de frango.

O time foi o de sempre no King Power Stadium. Duas linhas de quatro compactas, só teve posse de bola enquanto precisou construir o resultado. A partir do gol de Morgan recuou as linhas, abusou das ligações diretas, achou o segundo com Albrighton  e precisou do goleiro Kasper Schmeichel, inclusive na péssima cobrança de pênalti de N’Zonzi.

Também contou com a noite pouco feliz de Jorge Sampaoli na montagem do seu 3-4-2-1 e com a insanidade de Nasri, que se enroscou infantilmente com Vardy com a bola rolando, na frente do árbitro Daniele Orsato. Tola expulsão que merece multa e um chá de banco no Espanhol.

O Leicester sabe jogar como azarão, especulando. Vai entregar tudo contra qualquer um nas quartas da Liga dos Campeões e deve dar trabalho, mesmo aos gigantes.

A classificação é histórica, mas não épica – termo da moda na mídia histriônica que precisa gritar e superdimensionar tudo para chamar atenção. Porque tem como pano de fundo uma traição das mais torpes.

Tudo de melhor que este time puder construir não é obra de Shakespeare, o Craig, interino que assumiu o time. É de Claudio Ranieri.

 


Futebol não é só tática! Na alma, Sevilla encerra a invencibilidade do Real
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André Rocha

Zidane surpreendeu ao mandar a campo pela primeira vez o seu Real Madrid com três zagueiros. Ou uma linha de cinco atrás, tendência recente com o sucesso do Chelsea de Antonio Conte na Premier League.

A lógica é simples: se o adversário trabalha a bola para encontrar espaços, infiltrar nos últimos vinte metros e finalizar, por que não ter mais jogadores para evitar a jogada mais importante? A receita de Mourinho e tantos outros treinadores para parar Barcelona e as equipes de Guardiola ou qualquer time que queira a bola.

Como o Sevilla de Jorge Sampaoli, que é equipe de posse, linhas adiantadas e circulação de bola com tabelas e triangulações no ritmo do redivivo Nasri, que, junto com N’Zonzi, afundou Ganso no banco. Até encontrar as diagonais em velocidade de Ben Yedder, artilheiro da equipe, e Vitolo. Atacantes abertos que encontram parcerias nos flancos com os laterais Mariano e Escudero. Proposta ofensiva.

A resposta merengue foi Nacho entrando na zaga com Varane e Sergio Ramos. Carvajal e Marcelo eram alas no ataque e quase pontas quando o Real Madrid avançava a marcação e pressionava no campo de ataque. Sem a bola, formavam o cinturão de proteção da meta de Keylor Navas com o suporte de Casemiro, preciso nos desarmes.

O time visitante e líder do Espanhol não se incomodava em perder o meio-campo e deixar o mandante controlar a posse (56% no primeiro tempo). A ideia era evitar a ação ofensiva trabalhada que cria a oportunidade cristalina, o adversário na cara do gol.

Conseguiu na primeira etapa. O momento mais perigoso foi com N’Zonzi em cobrança de escanteio. Já o Real, nos contragolpes às costas de Mariano, teve duas espetadas de Cristiano Ronaldo e Benzema. Só faltou a conclusão precisa para coroar o jogo controlado.

A segunda etapa começou com intensidade máxima do time de Sampaoli, muita movimentação e uma bola roubada que virou contragolpe e Ben Yedder, pela primeira vez com espaços às costas de Nacho, parou em Navas.

Taticamente, porém, o Real seguia dono do plano mais bem executado. Logo ameaçou em dois contragolpes até o pênalti do goleiro Sergio Rico em Carvajal, após vacilo de Escudero. Confusão, catimba, provocação de Vitolo, mas nada impediu que Cristiano Ronaldo cobrasse com a precisão costumeira.

Zidane trocou o exausto Kroos por Kovacic. Poderia ter tirado Benzema e colocado Morata para ganhar fôlego nos contragolpes, mas o controle era do Real. Mesmo com Sampaoli arriscando tudo com Sarabia no lugar de Iborra, mas para abrir à direita e enviar Ben Yedder para se juntar no centro do ataque a Jovetic, que substituiu Franco Vázquez.

O Sevilla se mandou, correu riscos com os lentos zagueiros Pareja e Rami contra Cristiano Ronaldo. Mas futebol não é só tática ou estratégia. É também alma, fibra e atmosfera no estádio. E o Ramón Sánchez-Pijzuán ferveu no gol contra de Sergio Ramos, vaiado o jogo todo pelas provocações na Copa do Rei e ainda por conta da saída conturbada do clube. Na bola parada, quando o “abafa” era a única saída.

Com o Real tonto vendo o herói de tantas conquistas recentes com gols nos últimos minutos desta vez ser o vilão e acuado pelos gritos vindo das arquibancadas e pela entrega dos jogadores dentro, veio a virada no chute de Jovetic que Navas espalmou para dentro.

Sim, Sampaoli foi feliz ao colocar presença física na área adversária para ter mais chances de finalizar. Mas isso qualquer treinador faria. Fazer o óbvio às vezes é mérito também.

Zidane provavelmente será responsabilizado pela primeira derrota após 40 jogos. Talvez um técnico mais vivido fizesse o time parar o jogo, quem sabe com trocas no final para ganhar tempo. Porém na estratégia ele acertou mais que errou no duelo contra um dos melhores treinadores do planeta, que rapidamente já faz o Sevilla mudar de patamar no país e no continente.

Mas o futebol é espetacular por essas histórias errantes, sem roteiro definido. Instável, emocionante, imprevisível. Que deixa tudo em suspense, em aberto. Como ficou o Espanhol com o Sevilla voltando à vice-liderança e trazendo o Barça para perto do Real Madrid. Temos um campeonato.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 


As primeiras impressões do Sevilla de Sampaoli e a vocação do Real Madrid
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André Rocha

Paulo Henrique Ganso não estreou. Sequer foi relacionado. Mas nas primeiras impressões já foi possível perceber as ideias de Jorge Sampaoli no Sevilla que decidiu a Supercopa da Europa em Trondheim, Noruega.

A começar pela posse de bola, que nos 90 minutos sempre rondou os 65%. Saída com passes rasteiros, ora com os zagueiros Pareja e Carriço abertos e um dos volantes, N’Zonzi ou Iborra, recuando para qualificar o passe. Ou Kolodziejczak, escalado na lateral, voltando na linha dos defensores e o meia Vitolo espetando como ala.

Variações para priorizar a construção com o time descendo em bloco. Para o início do trabalho, a missão é transformar o controle da bola em volume de jogo. A rigor, o atual bicampeão da Liga Europa finalizou pouco.

O Real Madrid foi mais efetivo, mesmo com a formação mais alternativa que Zinedine Zidane mandou a campo e deixou os titulares Modric e Benzema no banco, mais James Rodríguez. Pepe e Cristiano Ronaldo ainda não estão prontos. Destaque para Marco Asensio. Não só pelo golaço que abriu o placar, mas pelo estilo do meia de 20 anos revelado pelo Mallorca.

Aberto pela esquerda no 4-1-4-1,  permitia que Marcelo apoiasse mais por dentro e ajudasse Kovacic e Isco na articulação. Pela direita, Lucas Vázquez fazia boa dupla com Carvajal. O time merengue não tinha a bola, porém era mais vertical e eficiente.

Sevilla de Jorge Sampaoli com variações na saída de bola, triangulações pelos flancos, porém menos efetivo que o Real Madrid com formação inicial alternativa, no mesmo 4-1-4-1 do final da temporada passada, com força pela esquerda com Asensio aberto e Marcelo apoiando por dentro em vários momentos (Tactical Pad).

Sevilla de Jorge Sampaoli com variações na saída de bola, triangulações pelos flancos, porém menos efetivo que o Real Madrid com formação inicial alternativa, no mesmo 4-1-4-1 do final da temporada passada, com força pela esquerda com Asensio aberto e Marcelo apoiando por dentro em vários momentos (Tactical Pad).

Mas o Sevilla, com paciência e rondando a área rival, empatou com o argentino Franco Vázquez ainda no primeiro tempo. Virada na segunda etapa com a cobrança de pênalti do ucraniano Konoplyanka, que entrou na vaga de Vietto e o ataque ficou sem uma referência na frente. Também perdeu um homem, com a expulsão de Kolodziejczak.

Vitolo virou lateral de vez e Sampaoli simplificou com um 4-4-1 básico, com Rami na zaga e Kranevitter no meio-campo. Mas ainda com sua filosofia: bola no chão, triangulações pelos flancos e sem abrir mão do ataque. Jogo controlado e título próximo.

Não fosse o Real do outro lado, já com Modric, Benzema e James em campo. Não fosse Sergio Ramos na área do oponente aos 48 minutos. Outro empate salvador na cabeça do zagueiro no lance derradeiro do tempo normal.

Lembrou Lisboa em 2014. O Sevilla, porém, não se desmanchou mentalmente como o Atlético de Madrid na prorrogação. Diminuiu a posse, recuou as linhas por conta do cansaço. Mas com organização e intensidade. Teve gol anulado de Sergio Ramos em lance discutível com Rami. Caminhava para os pênaltis.

Não fosse o Real Madrid, maior da Europa. Não tivesse Carvajal um vigor físico absurdo para a arrancada que abriu todos os caminhos pela direita até vencer o goleiro Rico. No final do tempo extra.

A segunda conquista como técnico de Zidane. O terceiro título do torneio para o clube. Venceu todas neste século – 2002 e 2014. Porque levar para casa taças continentais parece a vocação do Real.

Na prorrogação, o Sevilla se fechou num 4-4-1 e o Real Madrid, com Modric, Benzema e James Rodríguez, ocupou o campo de ataque e garantiu o título da Supercopa da Europa com o golaço de Carvajal (Tactical Pad).

No final do tempo extra e na prorrogação, o Sevilla se fechou num 4-4-1 e o Real Madrid, com Modric, Benzema e James Rodríguez, ocupou o campo de ataque e garantiu o título da Supercopa da Europa com o golaço de Carvajal (Tactical Pad).

 


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