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Melhor atuação coletiva do Real Madrid, um presente para Cristiano Ronaldo
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André Rocha

Os primeiros 30 minutos da primeira semifinal da Liga dos Campeões no Bernabéu apresentaram o que se espera de eficiência e beleza do Real Madrid desde que Zinedine Zidane assumiu e armou uma equipe competitiva, porém sem brilho.

Atuação consistente que passa fundamentalmente pela movimentação de Isco na ponta do losango do 4-3-1-2 que surpreendeu Simeone e seu Atlético de Madrid. O meia circulava entre as duas linhas de quatro e ninguém sabia como parar.

O desequilíbrio no meio, com superioridade numérica em vários momentos de quatro homens contra dois, produziu um volume de jogo impressionante. Foram nada menos que dez finalizações e 66% de posse de bola. Podia ter saído, pelo menos, mais dois gols além do marcado por Cristiano Ronaldo completando centro de Casemiro.

Até o final da primeira etapa, o time de Zidane finalizou mais uma vez. Seis na direção da meta de Oblak. Contra uma dos colchoneros, para fora. Depois do gol sofrido o Atlético nitidamente se desmanchou mentalmente. Depois de três vitórias e um empate na casa do rival. Deu espaços generosos, o que não é comum, e praticamente não atacou. Gameiro cumpriu atuação pluripatética.

Real Madrid no 4-3-1-2 com Isco circulando entre as linhas de quatro do Atlético. Superioridade numérica no meio-campo fez o time de Zidane construir volume de jogo impressionante, principalmente nos primeiros 30 minutos (Tactical Pad).

Disputa mais equilibrada na segunda etapa, com o Real guardando mais o setor direito, que tinha Nacho na vaga de Carvajal, que saiu lesionado no intervalo. A equipe merengue esperava o momento para matar o jogo diante de um Atlético mais agressivo com Fernando Torres e Nico Gaitán na frente.

Isco cansou e Zidane mandou a campo Asensio, voltando para compor no meio, mas atacando em velocidade pela esquerda, para cima do frágil Lucas Hernández, o substituto de Juanfran. O Real recuperou volume e o rival voltou a murchar.

Time colchonero equilibrou um pouco as ações no segundo tempo com Gaitán e Fernando Torres. Mas Zidane foi preciso na entrada de Asensio no lugar de Isco. Acelerando os contragolpes pela esquerda e fechando espaços pelo meio, ajudou o time a se impor no final e matar o jogo – e provavelmente o confronto pela semifinal da Champions – com mais dois gols de Cristiano Ronaldo (Tactical Pad).

Mortal contra o maior finalizador da história. Mais dois de Cristiano Ronaldo. Era possível prever o gol quando o português dominou a bola antes de marcar o segundo. Depois, como o fantástico centroavante que vem se transformando nos últimos anos, foi implacável à frente de Oblak completando centro da direita de Lucas Vázquez, que entrou no lugar de Benzema.

Nada menos que oito gols nas últimas três partidas. Decisivas no principal torneio de clubes do mundo. Contra Bayern de Munique e Atlético de Madrid, potências europeias nas últimas temporadas. Uma máquina de colocar bolas nas redes. Agora 103 na Liga dos Campeões. Fenômeno.

Maior candidato à Bola de Ouro. Messi só tem alguma chance de evitar o empate em cinco premiações para cada se Cristiano não ganhar nenhum título e o Barcelona conseguir a virada no Espanhol, além da Copa do Rei. Aí valeria a grande atuação do gênio argentino no Bernabéu.

Parece improvável. Até porque encaminhando a vaga na final da Champions com os 3 a 0 é possível mirar os últimos quatro jogos no campeonato nacional. Tudo parece luzir para Zidane.

E para Cristiano Ronaldo, que depende tanto do time para brilhar nas conclusões. Ganhou de presente a melhor atuação coletiva do Real Madrid na temporada para fazer ainda mais história.

(Estatísticas: UEFA)

 


Trauma ou sede de revanche? Como será o Atlético de Simeone contra o Real?
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André Rocha

Foto: Denis Doyle (Getty Images)

O sorteio das semifinais da Liga dos Campeões promove o quarto encontro consecutivo entre Real e Atlético, o clássico de Madrid. Foram duas finais duríssimas, definidas em prorrogação e pênaltis. Mais um duelo pelas quartas-de final em 2015. 1 a 1 no Calderón, 1 a 0 para os merengues no Bernabéu.

O Atlético vem de três vitórias e um empate no Santiago Bernabéu pelo Espanhol. O retrospecto contra o rival na Era Simeone é de sete vitórias, seis empates e oito derrotas. Equilíbrio absoluto.

Agora a ida no Bernabéu e a definição no Calderón. Em tese, uma vantagem para o Atlético e um cenário nunca vivido pelo Real contra os colchoneros.

Taticamente, sem segredos. Real Madrid terá a bola, trocará passes no meio e buscará as infiltrações com os atacantes acelerando ou abrindo o jogo pelas laterais com Carvajal e Marcelo para furar as compactas linhas de quatro de Simeone que vai tentar controlar o jogo sem a bola esperando a chance de golpear com o talento e a rapidez de Griezmann.

A grande questão é como o Atlético vai se comportar em termos anímicos. Porque o retrospecto, no geral, é de jogos parelhos. Mas na Champions o rival sempre saiu comemorando. Quando os times entrarem em campo no Bernabéu valerá mais a invencibilidade dos visitantes ou o que foi vivido no duelo continental?

O Atlético será todo trauma, todo medo de sair novamente como o vencido ou todo valentia, todo sede de revanche com o “sangue nos olhos” tão cobrado por Simeone? Como será encarar de novo os algozes Sergio Ramos, Cristiano Ronaldo, Marcelo? Os clássicos pela liga espanhola terão peso nesta equação?

As respostas de Madrid virão a partir do dia 2 de maio. Mas se tivesse que investir as fichas, a aposta seria no Atlético. Se sair vivo do Bernabéu que conhece tão bem, a atmosfera do Calderón com Simeone regendo a massa pode fazer a diferença desta vez.

Para fazer a final em Cardiff, provavelmente, contra a Juventus. Favorita contra o Monaco pela chance de domar o time do jovem Kylian Mbappé como o irregular Manchester City de Guardiola e o traumatizado Borussia Dortmund não conseguiram. Sistema defensivo sólido para controlar e qualidade na frente para aproveitar os espaços cedidos pelo time de Leonardo Jardim.


Real de Zidane aprendeu a jogar La Liga. Mas tem Griezmann no Bernabéu…
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André Rocha

O título da Liga dos Campeões é e será a grande lembrança para o Real Madrid da temporada 2015/2016. Ainda que a conquista tenha vindo sem um desempenho tão sólido, inferior ao da conquista de “La Décima”. Mas houve um feito relevante que acabou esquecido por não ter rendido taça.

Zidane sucedeu Rafa Benítez em 2016 e começou sua trajetória com cinco vitórias e dois empates. Na rodada seguinte, derrota. A única. Porque emendou nada menos que doze vitórias, inclusive por 2 a 1 sobre o Barcelona no Camp Nou. Ficou a um mísero ponto do time catalão, que faturou o bicampeonato.

Na atual temporada alcançou mais quatro triunfos. Com os 12, igualou as 16 vitórias seguidas do Barcelona comandado por Pep Guardiola na temporada 2010/2011. Na 31ª rodada, a liderança com 22 vitórias, seis empates e só duas derrotas. Tem um jogo a cumprir, fora de casa contra o Celta de Vigo.

Uma campanha espetacular com Zidane. Em 51 jogos, 39 vitórias, oito empates e quatro derrotas. Nada menos que 84% de aproveitamento. Definitivamente, o clube que nos últimos anos cresce no mata-mata e dispersa nos pontos corridos aprendeu a jogar a liga. Mas o título que não vem desde 2011/2012 está em risco.

Porque o Atlético de Madrid é uma pedra no sapato do time merengue. Por incrível que pareça, o derrotado em duas finais de Champions e que levou 3 a 0 no Vicente Calderón no turno, triplete de Cristiano Ronaldo, complica tudo no Santiago Bernabéu.

Na temporada passada, a única derrota do Real Madrid sob o comando de Zidane na liga espanhola. A rigor, foi o que tirou o título. Ainda que Zidane tivesse jogado a toalha da disputa e focado na Champions. Mas foi vencendo, vencendo…e quase chegou.

Agora o Real vinha de 14 jogos de invencibilidade e os colchoneros chegavam ao Bernabéu com cinco vitórias consecutivas. Duelo fundamental para o Atlético tentar uma última arrancada em busca do título que faturou em 2014 e o Real garantir a vantagem antes do superclássico no próximo final de semana.

Os visitantes começaram surpreendendo atacando o lado de Marcelo com Ferreira Carrasco e forçando os erros de passe do rival com marcação agressiva. Mas logo se recolheu nas duas linhas de quatro, porém recuando muito os atacantes Griezmann e Fernando Torres.

Com isso perdia a capacidade de construir os contragolpes com bolas longas às costas da defesa. O Real avançou as linhas e passou a jogar como gosta: trabalhando os passes no meio com Casemiro, Modric e Kroos para acelerar na frente com o trio BBC ou pelos flancos com Carvajal e Marcelo.

Controlou com 56% de posse, finalizou seis vezes contra cinco. Mas quatro no alvo contra apenas um do Atlético. A melhor com Cristiano Ronaldo tirando do alcance de Oblak, mas o zagueiro Savic salvando de cabeça sobre a linha.

Para ir às redes na segunda etapa, foi preciso apelar para a grande arma do time de Zidane: as jogadas aéreas com bola parada. São 25 gols desta forma na temporada. Na 11ª assistência de Toni Kroos, o gol de cabeça do zagueiro….Não, desta vez não foi de Sergio Ramos. Belo golpe de cabeça de Pepe, que saiu lesionado após choque com Toni Kroos.

Por incrível que pareça, o milionário Real Madrid de Florentino Pérez piorou com as substituições: Além de Nacho na vaga do zagueiro luso-brasileiro, Lucas Vázquez e Isco substituíram Bale e Kroos. Perdeu volume e controle.

Simeone ganhou mobilidade entre a defesa e o meio-campo do adversário com duas substituições: Correa na vaga de Saúl Níguez e Thomas no lugar de Ferando Torres. Na flutuação do argentino às costas de Modric e fora do alcance de Casemiro, o passe para Griezmann, adiantado como centroavante, empatar. Sim, o “carrasco” da derrota na temporada passada.

Agora são três vitórias e o empate em 1 a 1 no Bernabéu nos últimos quatro jogos. O “freguês” na Liga dos Campeões e que sofre com o rival quando joga em seus domínios pode ajudar o Barcelona novamente.

O trio MSN e seus companheiros agora só dependem de si para buscar o tricampeonato. Se vencerem o Málaga igualam na liderança com 72 pontos. Se superarem os merengues em Madrid,  ultrapassam e nem dependem mais do jogo a menos do Real, já que o critério de desempate é o confronto direto.

E aí pouco valerá o aproveitamento fantástico de Zidane como treinador na liga. Porque tem o Atlético e Griezmann pelo caminho…


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Jair Ventura, exclusivo: Simeone é modelo, Montillo um mistério
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André Rocha

Jair Ventura Botafogo

Agora com pré-temporada, o jovem técnico do Botafogo pode consolidar seus conceitos que apareceram já no Brasileiro de 2016. Sucedeu Ricardo Gomes, manteve a estrutura inicial e depois acrescentou suas convicções ao time que surpreendeu se firmando no G-6.

Com a cabeça fervilhando de ideias, o filho de Jairzinho atendeu ao blog por telefone e falou sobre os planos para 2017.

BLOG – Você assumiu o time na saída de Ricardo Gomes para o São Paulo, manteve a estrutura da equipe e depois foi mudando. O que você planeja taticamente para a temporada?

JAIR VENTURA – Eu trabalhei com vários sistemas. De fato, no início mantive o losango no meio-campo que varia para duas linhas de quatro sem a bola – um volante abre, o externo recua do outro lado e deixa o meia e o centroavante na frente. Mas joguei com meio no quadrado (4-2-2-2), 4-2-3-1, 4-3-3 com um e dois volantes. Tudo depende da necessidade e da disponibilidade do elenco. Jogo a jogo.

BLOG – A estratégia do adversário também influi, certo?

JAIR VENTURA – É claro, por isso estudamos tão minuciosamente quem vamos enfrentar. O jogo pode pedir dois centroavantes ou dois meias, por exemplo, se o rival fecha bem as laterais. Já terminei jogo com o Camilo mais recuado ou só o Lindoso de volante, ele que era camisa dez do Madureira. Mas primeiro dependo do elenco disponível. Quando perdi Aírton e Bruno Silva não havia razão para escalar três médios atrás do Camilo.

BLOG – Haverá rodízio no elenco?

JAIR VENTURA – Ele acontece naturalmente, por lesões e, principalmente, pelo desgaste. O jogo está muito intenso, são cada vez mais ações de alta intensidade no campo. Antes o jogador perdia a bola e voltava para o próprio campo para depois marcar. Hoje ele perde e tem que pressionar. É exigência do futebol atual o atacante se dedicar sem a bola. Amadurecemos isso e os números mostram que deu certo, fomos a melhor defesa do returno do Brasileiro.

BLOG – Como o Montillo vai funcionar nesta engrenagem?

JAIR VENTURA – Desculpe, mas isso não vou abrir porque gosto de criar dúvida e tentar surpreender os adversários. De qualquer forma, ainda vou sentar com ele, colocar um quadro e conversar sobre o melhor posicionamento.

BLOG – A ideia do ponta articulador, o meia que sai do flanco para articular as jogadas, te agrada?

JAIR VENTURA – Não é o ideal, mas pode acontecer. Por exemplo, se o lateral do adversário não desce tanto para fazer dupla contra o meu lateral. Se o jogo pedir ele pode ser meia com o Camilo. Não tenho medo de correr riscos se houver a possibilidade.

BLOG – A ideia de aproveitar os jovens da base no elenco permanece?

JAIR VENTURA  – Sem dúvida. Está no meu DNA, eu trabalhei na base. Em 2015 comandei o time como interino e contra o Bahia usei sete jogadores criados no clube. O Canales chegou para ser titular, mas o Sassá mostrou mais desempenho. Eu só não vou usar por usar. A avaliação precisa ser cuidadosa. Por exemplo, hoje eu não tenho um externo de velocidade dentro do clube pronto para entrar e repor a saída do Neílton. Tenho que ir ao mercado e não forçar uma barra só porque minha filosofia é lançar jovens.

BLOG – Para terminar, quais são suas referências como treinador, no Brasil e no mundo?

JAIR VENTURA – Posso dizer que sou um privilegiado, pois nos oito anos em que trabalhei como assistente técnico convivi com grandes treinadores aqui no Botafogo. Aprendi muito com cada um deles e sigo aprendendo, sou um eterno aprendiz. Mas lá fora meu espelho é o Simeone, do Atlético de Madrid. Sem grandes estrelas venceu Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique. O poder de persuasão dele é impressionante. Ninguém gosta de correr, o jogador prefere estar com a bola. Convencê-los a jogar sem ela nunca é fácil.


A incrível sina dos times de Madrid na “Undécima” do Real
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André Rocha

Muitos times se desmanchariam emocionalmente se levassem um gol numa final do tamanho da Liga dos Campeões antes dos 15 minutos de jogo. E logo do algoz há apenas dois anos. E com Sergio Ramos impedido. Por pouco, mas irregular.

Não o Atlético de Simeone, que voltou a se aprumar, continuou sofrendo com as jogadas aéreas do Real Madrid, mas terminou o primeiro tempo em Milão com as mesmas cinco finalizações do rival e igualando em posse de bola.

Equipes tão cascudas quanto a colchonera jogariam a toalha no pênalti perdido pelo craque do time no segundo minuto da segunda etapa. Griezmann no travessão.Já com Carrasco no lugar de Augusto Fernández e rearrumando o desenho tático para um ofensivo 4-3-3.

O Atlético insistiu. Podia ter sucumbido nas chances seguidas dos merengues nos contragolpes. Fechado num 4-1-4-1 com Bale e Cristiano Ronaldo recompondo pelas pontas. Benzema perdeu à frente de Oblak. O francês deu lugar a Lucas Vázquez. Antes Zidane trocou o extenuado Kroos por Isco. Na mesma jogada, Ronaldo e Bale desperdiçaram à frente de Oblak.

Até Marcelo deixar espaços às suas costas com o sistema defensivo postado. Velho erro de posicionamento que Juanfran aproveitou e centrou para Carrasco, que se antecipou a Danilo, substituto do lesionado Carvajal e outro lateral brasileiro a falhar nas suas atribuições como defensor.

Quando o jogo parecia à feição para a virada colchonera, o time que teve que se desgastar mais ao longo do jogo pela desvantagem no placar e os abalos emocionais não teve pernas. Filipe Luís e Koke estouraram e as entradas de Lucas Hernández e Partey acrescentaram pouco nos minutos finais e na prorrogação arrastada por conta do cansaço geral.

Pênaltis. Definidos primeiro pelo inexplicável comportamento de Oblak. Ainda que as cobranças de Vázquez, Marcelo, Bale, Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo tenham sido precisas, o arqueiro esloveno não saltou em nenhuma. Parecia aguardar o chute no meio do gol. Ou sentiu mesmo a pressão.

O experiente Juanfran não afinou, mas foi infeliz. Navas até saltou no chute na trave direita que transferiu ao português e artilheiro absoluto com 16 gols o papel de herói. O décimo primeiro título do gigante em 14 decisões. Conquistado com incrível recuperação da equipe com Zidane, mas também os sorteios favoráveis que colocaram Roma, Wolfsburg e City no caminho.

Tudo conspirou contra o time de Simeone, que suportou e enfrentou todos os oponentes. Inclusive os campeões PSV, Barcelona e Bayern de Munique. Só não teve como fazer frente à incrível sina. Terceiro vice na Champions. Todos doídos, difíceis de encontrar consolo.

Se há uma razão para sofrer menos é ter perdido duas nos detalhes para o maior campeão. Um time fadado a levar a “orelhuda” para casa.

(Estatísticas: UEFA)


Revanche nos olhos não pode virar sede de vingança para Atlético de Madrid
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André Rocha

Simeone Atletico

O melhor sistema defensivo da Europa. Apenas 18 gols sofridos em 38 rodadas do Campeonato Espanhol. Só sete na Liga dos Campeões, sendo quatro deles contra os gigantes Barcelona e Bayern de Munique.

Concentração absoluta, força mental para jogar sem a bola e coordenar linhas compactas, coberturas, dobras de marcação, pressão sobre o homem da bola. Todos participando com entrega total. Uma incrível capacidade de competir durante os 90 minutos.

Vimos isso durante toda a temporada do Atlético de Madrid de Diego Simeone. Agora imagine tudo isso com uma preparação de quase vinte dias – desde a derrota por 2 a 1 para o Levante na penúltima rodada do Espanhol que acabou com qualquer chance de disputar o título nacional.

Toda a atenção voltada para um jogo. O jogo. A final da Liga dos Campeões no Giuseppe Meazza em Milão. A terceira da história do clube. A segunda contra o maior rival do próprio país, da própria cidade. Dois anos depois de perder a primeira na prorrogação.

Ou no golpe letal de cabeça de Sergio Ramos nas esperanças de uma temporada mágica dos colchoneros, com o título da liga superando dois gigantes. No lance derradeiro do tempo normal no Estádio da Luz.

Talvez Simeone tenha torcido para enfrentar o Real Madrid e não o Manchester City na final continental. Porque o ineditismo do inglês transferiria um incômodo favoritismo pelas experiências recentes e por ter eliminado o atual campeão e o time de Guardiola.

Contra os merengues, “Cholo” deve colocar revanche nos olhos de seus comandados. Um firme propósito de deixar a vida em campo se for preciso. Todo suor, toda atenção, toda paixão. A maior resistência possível de um exército.

Só não pode transformar esse doping emocional em sede de vingança e se perder na truculência punida com cartão vermelho e uma desvantagem numérica que seria fatal diante de rival tão poderoso.

Na lembrança, os 2 a 1 do Barcelona no Camp Nou pelo Espanhol com o Atlético cumprindo atuação perfeita na tática e na estratégia e, mesmo levando a virada, fazia jogo igual até que as expulsões dos pilhados Filipe Luís e Godín pulverizassem qualquer chance de reação.

Simeone exige que seus soldados sejam competitivos, mas também saibam fazer “jogos mentais” com provocações, intimidando com um jeito sul-americano. Não é bonito nem nobre. Mas legítimo se limitado às regras do jogo.

Para sábado, a estratégia não deve fugir das linhas de quatro muito próximas, quase chapadas. Torres e Griezmann à frente, mas colaborando sem a bola. Alternando pressão no ataque e proteção à meta de Oblak com todos no próprio campo.

Na transição ofensiva, muita velocidade, toques práticos, rápidos e verticais. Como no contragolpe que terminou no gol de Griezmann sobre os bávaros na Allianz Arena. Ou mesmo no último duelo contra o Real Madrid: 1 a 0 no Santiago Bernabéu. Também Griezmann. Bola roubada, saída rápida, o francês acionou Filipe Luís e apareceu na área para finalizar.

O desafio será fugir da marcação pressão sufocante que Zidane prepara nos treinos. A saída de bola terá que ser precisa. O Real marcou dez gols em contra-ataques na temporada – sete no Espanhol, três na Champions. O Atlético só cinco, a metade. Mas o contexto dá o contragolpe a Simeone.

A ideia do técnico francês é roubar a bola perto da meta rival para acelerar e acionar rapidamente o trio BBC que deve ter Cristiano Ronaldo no sacrifício e alternando com Benzema no centro do ataque. A jogada aérea com o próprio craque português, o Bale de nove gols de cabeça na temporada e, claro, o “carrasco” Ramos é arma importantíssima também.

É disputa sem favoritos. O Real tem mais talentos desequilibrantes, a confiança da incrível recuperação no Espanhol com 12 vitórias seguidas e a serenidade de quem venceu o clássico decisivo em 2014.

Já o Atlético virá com toda a alma e o fogo no olhar. O perigo é ser consumido pelas chamas.

(Estatísticas: Whoscored)

 

As prováveis formações para a final em Milão: Atlético no 4-4-2 compacto e concentrado no plano de jogo, Real no 4-3-3 que pode alternar Benzema e Cristiano Ronaldo para poupar energias do português no sacrifício (Tactical Pad).

As prováveis formações para a final em Milão: Atlético no 4-4-2 compacto e concentrado no plano de jogo, Real no 4-3-3 que pode alternar Benzema e Cristiano Ronaldo para poupar energias do português no sacrifício (Tactical Pad).

Leia também: Com Zidane, Real Madrid volta a transitar bem entre Guardiola e Mourinho


A sorte de Simeone e o fracasso de Guardiola, não vexame
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André Rocha

Que o Atlético de Madri tem o sistema defensivo mais eficiente da Europa não resta nenhuma dúvida. Linhas compactas e bem coordenadas, concentração absoluta e a fibra que dá liga e faz tudo acontecer no time de Diego Simeone.

Está novamente na final da Liga dos Campeões e trabalhou para isso. Mas na Allianz Arena teve mais sorte que juízo. Ou competência. Sim, sorte.

Porque não há como elogiar um trabalho de bloqueio que permite nada menos que 34 finalizações do adversário, 12 na direção da meta de Oblak. Incluindo os gols de Xabi Alonso, que também foi feliz no desvio de Giménez, e Lewandowski, além do pênalti cobrado por Muller e defendido pelo arqueiro colchonero.

O Bayern de Munique amassou com volume de jogo impressionante. 68% de posse, mas desta vez com contundência. Douglas Costa e Ribéry cortando para dentro com pés invertidos procurando Muller e Lewandowski e os laterais Lahm e Alaba abrindo e esgarçando a marcação. Domínio absoluto.

Mas sangrou e perdeu a vaga no contragolpe letal de Fernando Torres acionando Griezmann. Gol “qualificado”. Podia ter penado mais no pênalti inexistente que Torres bateu e Neuer também pegou. O velho risco de ser pego com linhas adiantadas e zaga aberta. Tão perigoso quanto esperar atrás e permitir tanta pressão do oponente.

Pep Guardiola fracassou em Munique. Porque a ideia era afirmar um estilo de jogo e construir uma dinastia. O técnico vai para Manchester comandar o City sem cumprir as duas metas. O time que deixa para Carlo Ancelotti tem posse, porém trabalha muito mais com cruzamentos e presença física na área que o Barcelona histórico.

Não impôs sua filosofia, mas sinaliza amadurecimento profissional, pelo respeito às características dos jogadores. Guardiola carrega o mundo e o peso do currículo impressionante nas costas, mas tem apenas sete temporadas no comando de grandes equipes. Parece ter nascido sabendo tudo, mas é só impressão. Há muito a aprender.

Nas duas primeiras semifinais de Champions frustradas com os bávaros, Guardiola e sua equipe sucumbiram diante de Cristiano Ronaldo e Messi, os dois gigantes desta era. Agora está eliminado por outro time histórico, mas no detalhe. No gol que faltou. Mas não deixou de ser construído. Fracasso sim, não vexame.

A rigor, Simeone não ganhou o duelo tático de 180 minutos, mas está na decisão. Contra o City levará a aura de favorito pela história. Diante do Real, a chance de vingar a derrota há duas temporadas. Certamente o treinador argentino prefere a segunda opção, pela chance de mobilizar ainda mais seus soldados. Só espera desta vez não ter um Sergio Ramos no meio do caminho.

Porque a sorte também faz parte da vitória nas batalhas. Como será o duelo final em Milão?

(Estatísticas: UEFA)


A pintura de Saúl no Atlético “de Libertadores” e a dura missão do Bayern
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André Rocha

A estratégia de Diego Simeone diante de um time de posse de bola novamente funcionou no Vicente Calderón. Assim como contra o Barcelona, iniciou abafando, aproveitando a atmosfera da torcida em êxtase.

Sem a bola, marcação adiantada e pressão. Na transição ofensiva, time descendo em bloco, mas sem valorizar muito a posse. Para não errar e ceder espaços à equipe mais qualificada, a jogada é definida rapidamente.

Menos quando Saúl Ñíguez colou a bola no pé esquerdo, limpou Thiago Alcântara, Bernat, Xabi Alonso e Alaba para bater com efeito e marcar um dos mais belos gols desta edição da Liga dos Campeões. Obra de arte que contradiz as teses reducionistas de “time de Libertadores, que não joga, truculento”. Uma equipe apenas violenta não investiria em um jovem tão talentoso quanto Saúl.

Atlético de Madri com linhas adiantadas no início, descendo em bloco. Mas sem reter a bola, definindo logo a jogada sobre um Bayern mais cauteloso num 4-1-4-1. Até o golaço de Saúl (Tactical Pad).

Atlético de Madri com linhas adiantadas no início, descendo em bloco. Mas sem reter a bola, definindo logo a jogada sobre um Bayern mais cauteloso num 4-1-4-1. Até o golaço de Saúl (Tactical Pad).

Com a vantagem logo aos dez minutos veio a segunda parte do plano de jogo de Simeone: linhas compactas à frente da meta de Oblak negando espaços. Jogadores concentrados no posicionamento e nos confrontos diretos com rivais mais habilidosos. Desta vez mais no 4-4-2 que no 4-1-4-1.

Pep Guardiola respondeu com um Bayern ainda controlando a bola, porém muito mais intenso, vertical, explorando os cruzamentos procurando Lewandowski. No segundo tempo, desmontou o 4-1-4-1 que visava preencher mais o meio-campo e avançou com Muller e Ribéry.

Quando Benatia entrou na zaga e Alaba foi fazer a lateral esquerda, ofensivamente o time bávaro lembrou muito o da tríplice coroa, comandado por Jupp Heynckes na lendária temporada 2012/13. Na formação e no estilo.

Amassou os colchoneros com mais de 70% de posse (69% nos 90 minutos) e volume de jogo sufocante, com troca de passes, mas também jogadas aéreas. Bola no travessão com Alaba, Oblak fazendo grandes defesas em cabeçada de Javi Martinez e chute de Vidal.

Dezenove finalizações contra onze – sete a cinco no alvo. Podia ter virado. Mas quase saiu com os 2 a 0 que eliminou o Barca. Faltou “El Nino” Torres acertar o chute que carimbou a trave de Neuer num contragolpe em altíssima velocidade. Para lembrar que esse Atlético nunca se desmancha mentalmente.

Na segunda etapa, os bávaros amassaram com as substituições de Guardiola. Os colchoneros sofreram, mas resistiram e quase ampliaram em contragolpe com Fernando Torres (Tactical Pad).

Na segunda etapa, os bávaros amassaram com as substituições de Guardiola. Os colchoneros sofreram, mas resistiram e quase ampliaram em contragolpe com Fernando Torres (Tactical Pad).

Por isso o Bayern terá que ser um rolo compressor na Allianz Arena. Dentro e fora de campo, com sua torcida também apaixonada. Apuro técnico e variações táticas como pede Guardiola, mas também as tradicionais abnegação e persistência alemãs. Como na virada sobre a Juventus nas oitavas. Ou com mais intensidade.

Porque é semifinal de Champions. Porque é dura a missão de dobrar o time de Simeone, que provou sua força em mais uma noite mágica em Madri. Na capacidade de competir, mas também na pintura de Saúl.

(Estatísticas: UEFA)


Mais um feito dos herois de Simeone sobre o Barcelona que “virou o fio”
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André Rocha

O maior desafio para se manter no topo em alto nível na Europa é o estudo obsessivo dos adversários buscando anular virtudes e explorar deficiências. Principalmente a dificuldade de preservar a “fome” para superar a exaustão física e mental, além do natural relaxamento.

Não por acaso, o último bicampeão europeu foi o Milan, de 1988 a 1990. Nem o Real Madrid galáctico, nem o Barcelona de Guardiola.

O de Luis Enrique “virou o fio”. A preparação que fez o time voar na reta final da temporada passada falhou em algum momento. Também porque o sucesso e as conquistas fizeram a equipe catalã disputar mais jogos, inclusive um Mundial Interclubes.

De repente o time que parecia imbatível e o trio MSN já sendo citado como o melhor ataque da história travaram. Pararam. Cansaram. Perderam intensidade na marcação adiantada e por pressão, mobilidade e brilho na frente. A mágica desapareceu.

Só restou a posse de bola. 72% no Vicente Calderón. Inócua. Ou só ameaçou num abafa final, rodando a pelota e levantando na área. Pode lamentar o pênalti no centro de Iniesta que Gabi cortou com o braço dentro da área. O árbitro Nicola Rizzoli viu fora. Muito pouco diante dos heróis de Diego Simeone.

O Atlético de concentração absoluta na execução do seu plano de jogo. Primeiro tempo no 4-4-2, segunda etapa no 4-1-4-1. Compactação, vergonha zero de dar de bico para se livrar do perigo, pressão para tentar evitar o passe limpo do oponente. Transição ofensiva em alta velocidade e jogadas aéreas. Assim como o tocante clima de comunhão com a torcida em Madri.

Atlético de Madri compacto em duas linhas de quatro no primeiro tempo, adiantando a marcação, concentrado para travar a posse de bola do Barcelona e procurando Griezmann para definir na frente (Tactical Pad).

Atlético de Madri compacto em duas linhas de quatro no primeiro tempo, adiantando a marcação, concentrado para travar a posse de bola do Barcelona e procurando Griezmann para definir na frente (Tactical Pad).

Para decidir, Antoine Griezmann. Jogando como a referência na frente com a ausência de Fernando Torres. Primeiro completando de cabeça o centro de Saúl, outro destaque. No final cobrando pênalti de Iniesta em bela jogada de Filipe Luís. Agora são seis gols na Liga dos Campeões, 29 na temporada que da expectativa de nova tríplice coroa do Barça pode ser deste incrível time colchonero.

Simeone pensa jogo a jogo. E compete segundo a segundo, gota a gota de suor. Sim, muitas vezes exagera nas faltas e provocações. Mas mudam as peças, o espírito permanece. Está novamente nas semifinais da principal competição de clubes do planeta e de novo pode ser o “intruso” na liga nacional fadada até financeiramente a ser dominada por Barcelona e Real Madrid.

Protagonistas de mais um grande feito. Mas nem precisaram de uma atuação perfeita para repetir 2014 e mandar o gigante e favorito para casa nas quartas-de-final.

É bem provável que Luis Enrique não esperasse a queda de rendimento de sua equipe. Mas sabia desde o início que o Atlético seria o pior adversário possível. E foi.

No 4-1-4-1, se entrincheirou para defender as muitas bolas levantadas pelo Barça e esperou o momento do contragolpe letal, que saiu dos pés de Filipe Luís e terminou no pênalti convertido por Griezmann (Tactical Pad).

No 4-1-4-1, se entrincheirou para defender as muitas bolas levantadas pelo Barça e esperou o momento do contragolpe letal, que saiu dos pés de Filipe Luís e terminou no pênalti convertido por Griezmann (Tactical Pad).

(Estatísticas: UEFA)