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A vitória da filosofia que se adapta e reinventa sobre o time previsível
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André Rocha

A Juventus começou sua trajetória vencedora com a nova arena, o Juventus Stadium. Em 2011, uma casa para chamar de sua, faturar e se impor no futebol italiano. Pentacampeã com o hexa encaminhado.

Passaram por lá Antonio Conte, Andrea Pirlo, Arturo Vidal, Carlos Tevez, Paul Pogba…Filosofia fora e dentro do campo, apostando na excelência. Antenada com o melhor do futebol mundial, sabendo jogar com ou sem a posse de bola de acordo com o contexto.

Capacidade de adaptação, aprendendo a se reinventar sob o comando de Massimiliano Allegri. Aos poucos aprendendo a ser forte também no cenário europeu, como um contraponto à decadência do futebol italiano, a ponto de perder uma vaga na Liga dos Campeões.

Final em 2015, eliminação sofrida e precoce para o Bayern de Guardiola na temporada passada. Mas o trabalho seguiu, sem sobressaltos. Aprimorando conceitos e processos. Mantendo o ideal de protagonismo, especialmente atuando em seu estádio.

Agora volta à semifinal da Champions. Com Buffon, Bonucci e Chiellini da base vencedora lá atrás. Mas agora a gestão permite ir ao mercado com força. E inteligência para montar um grupo forte, mesmo com perdas importantes.

Equipe que varia o sistema com três ou quatro atrás. Em Turim, postura ofensiva que sufocou o Barcelona. No Camp Nou, chegou a se fechar com sete na última linha. Empate sem gols, mas com a vaga.

Para o Barcelona, a decepção de sequer ter vazado Buffon em 180 minutos. Mas nenhuma surpresa, mesmo depois dos 6 a 1 sobre o PSG. Por tudo que representa, o time catalão era o favorito no confronto. Mas desde o início da temporada era nítido que a proposta de jogo ficou previsível.

Na despedida do torneio continental, nove campeões de 2015. Apenas Sergi Roberto no lugar de Daniel Alves, que estava do outro lado. Mais Umtiti na zaga, com Mascherano no banco. Só que nesta caso, a manutenção da equipe e também do técnico desgastaram a fórmula outrora vencedora.

A Juventus tinha todas as ações ofensivas do Barça mapeadas. No primeiro tempo, bloqueava a entrada da área e induzia o adversário a terminar a jogada com seus laterais: o improvisado Sergi Roberto e o decadente Jordi Alba.

Restava o improviso do trio MSN. Mas com Suárez irreconhecível, Neymar nervoso e Messi com uma imprecisão anormal. Talvez pela preocupação exagerada de tirar a bola do alcance do melhor goleiro do mundo. Muito provavelmente pela pressão de resolver apenas no talento. Sem um plano.

O resultado prático do desespero do time da casa e da marcação bem pensada e executada pelos visitantes foram 17 finalizações do Barça, mas apenas uma no alvo. Precisando de três bolas na rede, no minimo. Com 61% de posse de bola. Inócua.

O Barcelona é previsível até no desespero. Desde os tempos de Pep Guardiola, a única saída no sufoco é mandar Piqué para o centro do ataque e levantar bolas a esmo. Pobreza de ideias e também consequência de elencos mal formados, nada homogêneos. Por isso a dependência dos titulares. Ou melhor, do seu trio de ataque.

Não podia dar certo. E com uma derrota no Bernabéu para o rival e líder do Espanhol no domingo só restará a Copa do Rei na temporada. Um duro fim de festa para Luis Enrique. O novo técnico terá trabalho para reconstruir o time.

Especialidade da Juventus de Allegri. Que já foi de Conte. Que será forte contra qualquer um na semifinal. E seguirá vencedora. Porque vale mais a manutenção da filosofia do clube que valorizar apenas nomes. Ou velhas ideias que não entregam mais o jogo que encantou o mundo.

(Estatísticas: UEFA)

 


Juventus soberana! Porque não há trio MSN que salve o Barça dos elos fracos
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André Rocha

O Barcelona jogou mais em Turim do que em Paris. Messi procurou a bola, criou espaços, não se entregou ao forte bloqueio do adversário. Desta vez foi que mais tentou, já que Neymar ficou encaixotado entre Daniel Alves e Cuadrado, sem um apoio qualificado pela esquerda com a ausência de Jordi Alba.

Já Suárez na maior parte do tempo teve que encarar simplesmente Bonucci, Chiellini e Buffon. Goleiro que salvou o gol de empate na primeira etapa no lampejo de Messi que achou Iniesta completamente livre na área. Com 3 a 0 na segunda etapa, negou o gol a Suárez.

Raros lampejos de um time que ao longo da temporada, em jogos duros fora de casa, sempre pareceu mais próximo de sofrer gols do que ir às redes. Simplesmente porque o time catalão, trio MSN à parte, é hoje uma equipe de “elos fracos”.

A ideia é do livro “Os Números do Jogo”, de Chris Anderson e David Sally. Ou seja, a disputa normalmente é definida mais pelas limitações do que pelas virtudes.E como este Barça é frágil…

Ainda mais sem Busquets, suspenso, e com Mascherano perdido à frente da defesa, como se ainda não atuasse como volante na seleção argentina. Pensando como zagueiro e deixando espaços generosos para Dybala fazer os dois primeiros gols em belas finalizações do primeiro tempo.

Depois, já como zagueiro com a saida de Mathieu para a entrada de André Gomes depois do intervalo, hesitou no bloqueio a Chiellini no terceiro gol.

Mas não só ele. Sergi Roberto improvisado, Mathieu, um Rakitic longe do melhor momento, André Gomes…Mesmo Iniesta, com a categoria intacta, mas com um notável decréscimo de intensidade. Sem contar os problemas coletivos de um time que se habituou a entregar a bola para seus três talentos.

O resultado prático é um Barcelona com 65% de posse de bola, 88% de efetividade nos passes e 13 finalizações, uma a menos que a “Vecchia Signora”. Só que oito no alvo dos italianos e apenas duas dos visitantes. Só um par de oportunidades cristalinas.

Porque a Juve errou pouco e deu uma aula de leitura de jogo e inteligência tática. No 4-4-2 montado por Massimiliano Allegri que defendia com todos no próprio campo, havia dois laterais brasileiros formados como alas que aprenderam na Europa a jogar como defensores (Daniel Alves e Alex Sandro), um centroavante aberto à esquerda muitas vezes formando com a defesa uma linha de cinco (Mandzukic). Nenhum “volantão” à frente da defesa, os dois centralizados marcando e jogando (Pjanic e Khedira).

Muita concentração defensiva e qualidade e rapidez nas transições ofensivas. A Juventus jogou a vida em sua arena e foi soberana. O Barcelona precisa de muita inspiração do seu tridente sul-americano. Mais complicado diante de rivais tão atentos na retaguarda.

Pior ainda quando um clube milionário é tão infeliz nas contratações e enche o elenco de “elos fracos”. Alguns circunstanciais, por mau momento, mas outros que eram tragédias anunciadas. Quase sempre Luis Enrique precisa de dois ou três deles.

Em um confronto de quartas-de-final de Liga dos Campeões, com tanto em jogo, costuma ser fatal. O talento, o acaso e a arbitragem compensaram no Camp Nou contra o PSG. A Juventus fez um gol a menos, mas tem camisa, cultura defensiva de sua escola e, em especial, o exemplo das oitavas para impedir uma nova remontada.

 

 


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Um chocolate em Paris. Jogo coletivo do PSG engole os talentos do Barça
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André Rocha

O desenho do passeio do PSG: intensidade e mobilidade da equipe francesa, com destaque para os ponteiros Di María e Draxler e a inércia de um Barcelona fragilizado coletivamente e que só teve Neymar mais ativo (Tactical Pad).

Você leu antes AQUI que o Barcelona estava previsível, com as ações ofensivas e os mecanismos de saída de bola mapeados pelos adversários e muito dependente dos lampejos do fantástico trio MSN.

Sem Daniel Alves, negociado, e agora Mascherano, além da fase inconstante de Rakitic, o cenário ficou ainda mais complicado. Messi, Suárez e Neymar foram resolvendo ou descomplicando. Os dois primeiros com gols, o brasileiro com assistências e sacrifício tático pela esquerda.

Funcionou até encontrar no Parc des Princes um time também com qualidade individual, mesmo sem Thiago Silva, mas com organização, intensidade, alma e coragem para se impor. O Paris Saint-Germain de Unai Emery não sobra na liga francesa como nos últimos anos. Nem é o líder, está atrás do Monaco.

Mas diante de um oponente fragilizado simplesmente atropelou, com Verratti como “regista” distribuindo o jogo e Rabiot se juntando a Di María, Matuidi, Draxler e Cavani. Movimentação, jogo entre linhas e inteligência para explorar os muitos espaços cedidos por um rival zonzo. Sem a bola, pressão e posicionamento perfeito, impedindo que a bola chegasse aos três desequilibrantes. Só Neymar tentou algo pela esquerda.

Di María sobrou com dois golaços – cobrança de falta precisa no primeiro tempo. O segundo num gol à la Barcelona. Mesmo pressionado, trocou passes desde a própria área até encontrar o argentino entrando da direita para dentro e terminar com outra bela finalização.

Também pela direita, Draxler apareceu para receber de Verratti e fazer o segundo. Faltava o de Cavani e saiu depois de uma sequência de erros do Barça na saída para o ataque e contragolpes perigosos até o uruguaio colocar nas redes e, com 4 a 0, igualar o placar do passeio do Bayern de Munique comandado por Jupp Heynckes na Allianz Arena em 2013.

A diferença em relação aos outros duelos recentes entre as equipes? O jogo coletivo que engoliu os talentos. O PSG antes jogva mais em função da estrela Ibrahimovic, o time catalão trabalhava para fazer a bola chegar aos talentos para resolver no último terço. O que não se viu na França e foi minando a confiança e a força da equipe dominante nesta década.

Gigante que terá que se superar como nunca para reverter uma desvantagem que parece definitiva e historicamente nunca foi revertida em mata-mata. Muito pelo demérito do Barcelona e mais ainda pela atuação irretocável da equipe de Unai Emery.

Foram 16 finalizações contra apenas seis, dez a um no alvo. Mesmo com apenas 43% de posse. Eficiência com beleza. Um chocolate em Paris.

(Estatísticas: UEFA)


Neymar não vive má fase, só mudou de função no Barcelona
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André Rocha

Neymar marcou 41 gols em 52 partidas pelo Barcelona na temporada 2014/15. Talvez a melhor da carreira, com tríplice coroa e artilharia da Liga dos Campeões. Apenas oito assistências.

Na última o número de gols caiu para 31 em 50 jogos, mas o de assistências quase triplicou: 21 passes para gols. Agora são apenas nove bolas nas redes adversárias, cinco na liga espanhola, porém o número de assistências já chegou a 15, sete no campeonato nacional.

Queda de rendimento? Se compararmos com o de dois anos atrás, sem dúvida. Com Luis Enrique no comando técnico, encontrou o melhor posicionamento em campo, o trio MSN era uma novidade que assombrou o mundo empilhando gols e os sul-americanos se entendendo rapidamente com incrível sintonia.

O cenário atual é bem mais complexo. O Barça, com a base mantida, tem praticamente todas as ações ofensivas mapeadas pelos rivais. Rareou a jogada característica que proporcionava as finalizações de Neymar: arrancada em diagonal de Messi da direita para o centro, inversão para Neymar. Jordi Alba passava voando atraindo a marcação, Iniesta se aproximava como opção e o brasileiro cortava para dentro e concluía.

O lateral espanhol vem de lesão e agora disputa posição com o francês Lucas Digne, que não tem a mesma qualidade no apoio. Iniesta, que lhe servia tantos passes, é outro que não consegue ter sequência. Além disso, Messi agora joga centralizado em praticamente todos os jogos, formando uma dupla à frente com Suárez. Não por acaso os dois dispararam na artilharia do time catalão – 31 de Messi e 22 de Suárez, ambos empatados na artilharia do Espanhol com 16.

A força pela direita, com Daniel Alves e Rakitic se juntando ao gênio argentino para criar e Neymar tantas vezes completar do lado oposto, se perdeu também com a saída do lateral ainda sem reposição à altura e a queda de produção do meia croata.

Com tudo isso, Neymar se viu obrigado a se transformar num ponteiro típico. Quase um “winger” britânico, voltando com muito mais frequência para formar uma segunda linha de quatro com os três meio-campistas. Colaborando na organização de um sistema defensivo que vai mostrando mais solidez.

Na transição ofensiva, com os oponentes mais atentos à marcação, o craque brasileiro instintivamente se posiciona mais aberto para tentar alargar e depois desmontar o sistema defensivo na base da vitória pessoal em busca da linha de fundo. Não por acaso é o líder em dribles e o que mais sofre faltas na competição.

Ou seja, as circunstâncias obrigam Neymar a jogar mais para o time e menos para si. Prova de evolução tática e amadurecimento. Não vive má fase, só mudou de função. De atacante finalizador a ponteiro assistente. Ainda criativo, fundamental. Mas sem artilharia. O protagonismo fica para a seleção brasileira.

Aniversariante de ontem, talvez tenha pedido mais gols na celebração dos 25 anos. Para calar os críticos, continuar midiático em tempos de Gabriel Jesus na crista da onda e ter mais chances de brigar ao menos no top 3 dos melhores do mundo.

Mas certamente deve ter agradecido pela capacidade de adaptação em campo a um momento complicado do Barcelona que se recupera no Espanhol com os tropeços de Real Madrid e Sevilla, está com classificação encaminhada para mais uma final da Copa do Rei e se prepara para o mata-mata da Liga dos Campeões. Com um novo Neymar, decisivo nos dribles e passes.

(Estatísticas: Whoscored.com)


Sinal de alerta no Barcelona: time histórico do trio MSN está previsível
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André Rocha

Em oito jogos na temporada, dois pela Supercopa da Espanha diante do Sevilla, cinco pelo Espanhol e a estreia na Liga dos Campeões, o Barcelona marcou 26 gols. Média superior a três por jogo. 14, ou dois terços, do trio MSN. Destes, sete de Messi. A metade. Tudo dentro do previsto.

Mas dissecando esses números há algo mais preocupante que a terceira colocação no Espanhol, com a derrota para o Alavés e o empate contra o Atlético de Madrid, ambos em casa – não tropeçava nas cinco rodadas iniciais desde 2011.

Nos jogos mais tranqüilos, alguns até em ritmo de treino, o tridente mágico marcou seus gols e construiu goleadas implacáveis – como os 7 a 0 sobre o Celtic no torneio continental. Mas quando os adversários impuseram maior resistência os coadjuvantes precisaram aparecer.

Rakitic marcou na vitória por 1 a 0 sobre o Athletic Bilbao e abriu o placar no 1 a 1 contra o time colchonero no Camp Nou. Mathieu fez contra o Alavés. Não é acaso.

Porque o Barcelona ficou previsível. Um efeito colateral da manutenção da base desde a temporada da tríplice coroa (2014/15). Agora, apenas duas modificações na formação titular: Ter Stegen agora titular absoluto com a ida de Bravo para o Manchester City e Sergi Roberto na vaga de Daniel Alves, que foi jogar na Juventus.

Os adversários estudam os movimentos coletivos e vão ganhando oportunidades de testar maneiras de negar espaços. Até pelo jogo de posição do Barca, que troca passes desde a defesa e empurra o oponente para o próprio campo.

O mundo sabe que Messi vai receber pela direita e cortar para dentro para finalizar, tentar tabelar e ou servir Suárez ou Neymar, que sempre vai buscar a diagonal tentar combinar com Iniesta e abrir o corredor para Jordi Alba.

Para complicar, o atual bicampeão espanhol terá que se acostumar a não contar com o improviso e as ultrapassagens de Daniel Alves. Sempre um desafogo, além do maior fornecedor de assistências da carreira de Messi. O argentino ainda se lesionou na segunda etapa contra o Atlético.

Luis Enrique precisa encontrar soluções além das aparições de Rakitic como elemento surpresa, os lampejos de Iniesta e a força de Piqué nas jogadas aéreas. Também inventar rotações no trio de ataque além de Messi trocando com Suárez e Neymar sendo o ponta agudo e finalizador.

As contratações para a temporada tiveram o objetivo de rechear o banco de reservas, criar opções para trocas de peças com mais freqüência. Mas André Gomes, Denis Suárez, Paco Alcácer e até Arda Turan, normalmente o jogador que aparece mais entre o quinteto ofensivo, não vem conseguindo criar um fato novo. Nem o meia turco, ex-Atlético de Madrid, que já foi às redes três vezes.

É óbvio que é possível criar soluções sem mudar o padrão e a ideia de jogo que fazem parte da filosofia do clube. Mas para o altíssimo padrão de excelência dos últimos anos, o Barcelona já mostra problemas no início da temporada. Suficientes para ligar o sinal de alerta.


Suárez, o melhor centroavante do mundo a serviço do líder Uruguai
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André Rocha

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Ele é o atacante que todos sonham para seu time: se entrega como um jogador essencialmente tático, tem ótima leitura de jogo, não é individualista, muito menos estrela que desagrega elencos. Trabalha demais para potencializar o talento para marcar gols e servir os companheiros, praticamente na mesma medida. Não foge das pancadas.

Luis Suárez chegou aos 18 gols nas Eliminatórias nos 4 a 0 sobre o Paraguai em Montevidéu. Marcou um de pênalti sofrido por ele mesmo. Agora é o segundo maior artilheiro das disputas por vagas na América do Sul para a Copa do Mundo, a um gol de Hernán Crespo. Ficou de fora das quatro primeiras rodadas pela suspensão da FIFA. Terá mais dez para igualar e superar este recorde. Com naturalidade.

Também serviu os dois de Cavani como um autêntico ponteiro, uma jogada de cada lado. Ou seja, jogou para a equipe e ainda reclamou quando Oscar Tabárez resolveu poupá-lo depois de levar uma pancada dura com a goleada já construída.

Com 46, ostenta também a artilharia da seleção uruguaia, em 86 jogos. Mais 20 assistências. Um fenômeno que alça a Celeste à liderança das Eliminatórias. É mais um que no auge tem a falta de sorte de ser contemporâneo dos dois extraterrestres Messi e Cristiano Ronaldo.

Em números e desempenho, porém, a concorrência desde que chegou ao Barcelona ficou mais dura. Não por acaso, faturou a Chuteira de Ouro da Europa, com incríveis 40 gols no Espanhol, disputando com os dois gênios. Com Messi, foi líder também em assistências. Sintomático.

Porque não pára de evoluir. Sabe proteger, atacar o espaço, infiltrar em diagonal – especialmente na seleção, armada no 4-4-2 e fazendo uma dupla à moda antiga com Cavani. Posicionamento perfeito, velocidade, visão de jogo. O sangue nos olhos é a cereja do bolo. Ou, para ele, nada mais que a obrigação.

A humildade em campo também está nas palavras. “Pensava que não tinha qualidade para jogar no Barcelona”, revelou em entrevista à TV holandesa KPN. O perfeccionismo sempre carrega algo de neurótico. Mas na dose certa pode dar ótimos resultados.

Suárez quer ser melhor a cada dia. Sem um pingo de narcisismo –  é o menos midiático do trio MSN do Barça e, também por isso, corre o risco de nem figurar entre os três finalistas da Bola de Ouro 2016 – e um mar do suor uruguaio. Por isso é, hoje, o melhor centroavante do mundo.


A virada no talento do Barcelona que descompensou o time de Simeone
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André Rocha

Os primeiros dez minutos do Atlético de Madrid no Camp Nou foram de concentração absoluta. O time de Simeone adiantou a marcação, com Carrasco e Griezmann alternando a pressão, especialmente sobre Busquets. Também fustigando Piqué e Mascherano.

Com isso, a saída do Barcelona ficou lenta e imprecisa. Bola roubada, transição rápida, intensa e objetiva. Chute forte de Saul, defesaça de Bravo. Falha inexplicável da retaguarda do time catalão em cobrança de lateral, gol de Koke.

A atuação perfeita durou vinte minutos. Até se recolher em duas linhas compactas, mas permitir que o Barça respirasse e enfim colocasse em prática seu jogo posicional, com no mínimo oito jogadores no campo adversário trocando passes, criando espaços.

Rondou a área até Alba servir Messi no empate. A senha para o Atlético voltar a adiantar a marcação. Consequentemente, a zaga também avançando, mas sem a coordenação e o fulgor de antes. Letal quando Daniel Alves acertou passe longo, Suárez se desmarcou de Giménez, saiu no limite da linha de impedimento, protegeu como autêntico nove e finalizou como o artilheiro do Espanhol, com 19 gols.

As faltas faziam parte da estratégia de Simeone para interromper o fluxo do jogo do rival. Mas desde o início Filipe Luís parecia pilhado demais, especialmente contra Messi. Até a entrada criminosa no argentino que terminou no cartão vermelho, que saiu barato. Devia ter saído algemado do estádio.

O momento mais infeliz de um belo duelo tático em 45 minutos, com 71% de posse do Barcelona e três finalizações para cada equipe. Na análise dos números, o Atlético foi mais eficiente. O Barcelona virou no talento.

O Atlético de Madrid teve execução perfeita do seu plano de jogo. com duas linhas de quatro, durante quinze minutos. Depois o Barcelona ocupou o campo de ataque, trocou passes e virou no talento de Messi e Suárez (Tactical Pad).

O Atlético de Madrid teve execução perfeita do seu plano de jogo. com duas linhas de quatro compactas e marcação pressão, durante quinze minutos. Depois o Barcelona ocupou o campo de ataque, trocou passes e virou no talento de Messi e Suárez (Tactical Pad).

Na segunda etapa, Godín não foi maldoso, mas inconsequente. E ingênuo, por conhecer o compatriota Suárez e saber que ele valorizaria a entrada para forçar o segundo amarelo. A intensidade que Simeone cobra às vezes se confunde com truculência.

Com nove homens – entre eles Savic, Gaméz e Partey, que entrou na vaga de Augusto Fernández – contra o melhor time do planeta no Camp Nou, restou ao Atlético se fechar em duas linhas de quatro e abrir mão do jogo.

Só que o Barcelona exagerou no controle do jogo, pouco contundente. Com momentos de nítida dispersão. Talvez para poupar energias. Provavelmente para evitar lesões contra um time descompensado. Especialmente Neymar, nitidamente no sacrifício. Porém correu riscos desnecessários, a ponto do adversário esfacelado ter a última bola do jogo.

Mas venceu. Novamente por 2 a 1, adicionando o confronto direto na vantagem de três pontos que podem virar seis no jogo a menos na tabela. A rigor, nada tão definitivo. Mas para o Barcelona capaz de dobrar rival tão “cascudo” o bicampeonato parece encaminhado.

No segundo tempo, o time de Simeone, com dois a menos, se fechou em duas linhas de quatro e sofreu pouco diante de um Barça que exagerou no controle, foi pouco incisivo e levou susto no final (Tactical Pad).

No segundo tempo, o time de Simeone, com dois a menos, se fechou em duas linhas de quatro e sofreu pouco diante de um Barça que exagerou no controle, foi pouco incisivo e levou susto no final (Tactical Pad).


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