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Temporada do Barcelona começa com mais do mesmo, mas precisa ser diferente
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André Rocha

Supercopa da Espanha, baterias começando a aquecer, os muitos jogadores que disputaram a Copa do Mundo voltando aos poucos. O jogo único no Marrocos entre Barcelona e Sevilla manteve o clima de pré-temporada dos amistosos, algo que não costumava existir quando jogado no próprio país.

Ernesto Valverde escalou Arthur de início e deixou Phillipe Coutinho no banco. Um 4-3-3 variando para o 4-4-2 sem a bola com Rafinha abrindo à direita e dando liberdade a Messi. Dembelé foi para o setor esquerdo, formando dupla com Jordi Alba. Do lado oposto, Nelson Semedo fazia todo o corredor.

O gol logo aos oito minutos condicionou o primeiro tempo. Até porque o Sevilla, agora comandado por Pablo Machín, tinha como proposta deixar o adversário com a bola, negar espaços num 5-4-1 compacto e acelerar nos contragolpes. Com os ponteiros Pablo Sarabia e Franco Vázquez, na variação para o 4-3-3, se aproximando de Muriel, o atacante único que serviu Sarabia numa transição ofensiva rápida que terminou com conclusão precisa e a ajuda do VAR para validar o gol legal inicialmente anulado.

Depois o Barcelona ficou com a bola, tentando as inversões em busca dos laterais que chegam ao fundo. Suárez ainda nitidamente fora de ritmo, não conseguia dar sequências às jogadas como de costume e desperdiçou boa chance em chute cruzado. Dembele buscava os dribles para infiltrar em diagonal, mas batia no muro da última linha de defesa do Sevilla até bem coordenada para a primeira partida oficial da temporada.

Messi caminhava ou trotava em campo, buscando espaços entre a defesa e o meio-campo do oponente, por vezes recuando para ajudar na articulação. Só acelerava com a bola colada no pé esquerdo. Ou fazia a tradicional inversão para Alba. Impressiona a qualidade quando interfere no jogo e o respeito que impõe ao adversário, ao menos dentro da Espanha.

Cada vez mais preciso na bola parada. Cobrança de falta do camisa dez na trave esquerda, a bola bateu no goleiro Vaclik e Piqué empatou no rebote. O Barça manteve o domínio, sofrendo com um ou outro contra-ataque. Especialmente pelo setor esquerdo, com o zagueiro francês Lenglet, ex-Sevilla, mais uma contratação para a temporada, sem conseguir fazer a cobertura de Alba com a rapidez e a eficiência de Umtiti.

Arthur sofreu a falta do gol de empate, mas não foi tão bem. Ainda precisa se adaptar à velocidade da circulação da bola no ritmo de competição no mais alto nível. Questão de tempo e entendimento. Deu lugar a Philippe Coutinho e Rafinha saiu para a entrada de Rakitic. Com o 4-4-2 mais próximo da temporada passada e Dembelé indo para o lado direito, saiu o golaço do ponteiro francês em chute forte e preciso.

Gol de título, porque nos acréscimos Ter Stegen fez pênalti em Aleix Vidal, mas Ben Yedder bateu fraco e o goleiro alemão segurou. Mesmo sem uma clara superioridade sobre o adversário, o Barcelona alcançou mais uma conquista. A décima terceira do maior vencedor da história.

Mais do mesmo. Fruto de uma cultura de vitória dentro do país nos últimos anos. Ou desde Guardiola. Contando a partir da temporada 2008/09, são sete conquistas em dez edições do Espanhol. Mais seis taças da Copa do Rei e o mesmo número de Supercopas. Aproveitamento espetacular, mesmo considerando o foco habitual do Real Madrid na Liga dos Campeões e a trajetória bem sucedida deste nos últimos cinco anos.

Mas exatamente por essa sequência de triunfos é que o patamar subiu e a exigência para voltar a ser protagonista na Champions aumentou. Até porque depois do último título em 2015 o time vem caindo antes das semifinais. Nos confrontos contra Atlético de Madri, Juventus e Roma, a impressão de que faltou competitividade. Talvez um pouco mais de intensidade de Messi. Ou um elenco que aumentasse o leque de opções e fosse possível alterar as características da equipe, caso necessário.

Por isso a busca por Arthur, Malcom, Vidal para se somar à base titular que é reconhecidamente forte. Agora com Coutinho desde o início da temporada. Porque precisa ser diferente. Ou voltar ao que já foi. Sem perder o protagonismo na Espanha, mas voltando a dar as cartas no continente. Ir além do “piloto automático” na liga e na Copa. Ou mesmo repetir o grande rival e festejar a conquista mais importante, mesmo que as “domésticas” não venham.

No apito final, a comemoração tímida e protocolar. Mais uma. Parece pouco. O Barcelona tem que sair do marasmo. Inusitado pelas muitas conquistas recentes, mas sem deixar de parecer estagnado.

 


Sai Paulinho, entra Arthur: seleção deve seguir mudança do Barcelona
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André Rocha

Foto: Divulgação/Barcelona

Arthur já recebe elogios pelos primeiros treinamentos no Barcelona. A impressão geral é de que o meio-campista brasileiro de 21 anos contratado por cerca de 31 milhões de euros parece ter sido formado em La Masia e já surgem até comparações com Xavi e Iniesta. Apesar de algum exagero e da precocidade no paralelo com os dois maiores jogadores da história do futebol espanhol, não é nada absurdo para quem acompanhava sua evolução no Grêmio. Saiu como o melhor passador do país, disparado.

A tendência é que Arthur alterne com Busquets e Rakitic nas duas funções por dentro na segunda linha de quatro do 4-4-2 que foi a marca da equipe campeã espanhola e da Copa do Rei na última temporada. Pela direita, Willian pode ser a novidade, já que Dembelé não se afirmou, também por problemas físicos, e a perda da titularidade na França que ganhou corpo para ser campeã mundial fez com que diminuísse ainda mais seu prestígio no clube catalão. O atacante pode sair para a Internazionale.

O brasileiro, ainda definindo sua vida no Chelsea agora comandado por Maurizio Sarri, se juntaria a Messi, Suárez e Philippe Coutinho, este herdando definitivamente a vaga de Iniesta pela esquerda. Um quarteto de intensidade e rapidez que dentro da filosofia do Barça pede mais controle, precisão nos passes e variações no ritmo dos meio-campistas pelo centro.

Esta é a correção de rota do Barça que se completa com a volta de Paulinho para o Guangzhou Evergrande. Contratado a pedido de Messi e com o aval do novo treinador, o volante era uma opção de infiltração, imposição física e jogo aéreo num time que pecava pela previsibilidade e por insistir numa posse muitas vezes inócua.

Ao longo da temporada, porém, o brasileiro se mostrou com muitas dificuldades para participar da construção das jogadas, contrastando demais com o estilo de seus companheiros. A provável conclusão do treinador Ernesto Valverde: com Messi recuando para articular é melhor que a infiltração parta dos ponteiros em diagonal ou de Suárez. O meio-campo é para pensar o jogo e circular a bola. Por isso a “troca” de Paulinho por Arthur é tão marcante.

Lógica que deve ser também a da seleção brasileira, com ou sem Tite. Já que Casemiro se mostrou tão fundamental na proteção da defesa, a presença de Arthur se torna ainda mais necessária. Para este que escreve cabia já no grupo de 23 que disputou o Mundial na Rússia, mais ainda com a lesão de Fred e sua injustificável permanência entre os convocados. Porque ficou clara a dificuldade na articulação das jogadas a partir da intermediária, obrigando Coutinho a recuar muito para auxiliar. Mesmo defensivamente a tendência é que o posicionamento se ajuste pelas características de volante do agora jogador do Barcelona.

O futuro da seleção no ciclo até a Copa de 2022 depende demais da adaptação de Arthur ao novo clube. Uma decepção como foi, por exemplo, a passagem de Lucas Silva pelo Real Madrid manterá o nosso futebol estacionado, com seu maior “gargalo”: a ausência de um jogador de meio-campo que atue de área a área. Defendendo, organizando, acionando os atacantes e até aparecendo para finalizar.

O que Paulinho nunca foi e Renato Augusto tentou ser, mas no mais alto nível ficou devendo, até pelo abismo entre a principais ligas do mundo e a chinesa. O nome é Arthur e, ao menos por enquanto, não há um “plano B”. Oremos!


França não perdoa instabilidade dos sul-americanos. Uruguai foi o terceiro
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André Rocha

Primeiro foi o Peru, que jogou melhor na soma dos 90 minutos, mas pagou com a eliminação na fase de grupos pelo ataque “arame liso”. A Argentina alternou ritmos e humores, errou na formação inicial com Messi como “falso nove” e sem presença física no ataque. as fragilidades defensivas cobraram o preço contra Mbappé.

O Uruguai nitidamente entrou com a confiança abalada pela ausência de Cavani – no banco de reservas, mas claramente sem condições, tanto que não entrou em campo. Stuani entrou para dar o primeiro combate a Kanté e auxiliar o meio-campo na execução do 4-3-1-2 que Óscar Tabárez repetiu no duelo nas quartas-de final. Mas com Suárez muito isolado, praticamente sem chances contra Varane e Umtiti.

Jogo grande, três títulos mundiais em campo. A França também não estava tão confortável. Quanto maior a responsabilidade, mais temor de errar e, com isso, a perda da naturalidade em campo. Os franceses rodavam a bola, com Tolisso no lugar do suspenso Matuidi no mesmo 4-2-3-1 com um “ponta volante” pela esquerda. Mas arriscavam pouco.

58% de posse no primeiro tempo e 80% de efetividade nos passes. Mas a rigor o trabalho ofensivo se limitava a trocar passes, abrir no flanco e levantar na área procurando Giroud. Para variar, descomplicou na bola parada com Varane. Cáceres também foi preciso no golpe de cabeça do outro lado. A diferença foi a defesa portentosa de Lloris. A mais emblemática da Copa até aqui. Uma das quatro finalizações no alvo da Celeste num total de sete. Uma a mais que os Bleus. A única na direção de Muslera entrou.

Goleiro uruguaio que foi o personagem da segunda etapa. Ele e Griezmann. Primeiro uma tentativa de drible do goleiro que o atacante desarmou, mas a bola foi para a linha de fundo. Depois o frango que definiu a vaga nas semifinais com os 2 a 0. Sem precisar desta vez do brilho de Mbappé. Porque a França não tem perdoado a instabilidade dos sul-americanos na Rússia.

Não faltou suor, nem fibra. Mas erraram e oscilaram mais que os franceses. Se o Brasil passar pela Bélgica, a vice-campeã europeia só não enfrentará a Colômbia entre os classificados pela América do Sul. Uma coincidência que até aqui tem sido feliz para a seleção de Didier Deschamps.

(Estatísticas: Footstats)


Uruguai taticamente perfeito e fiel à sua história manda CR7 para casa
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André Rocha

Uruguai no 4-3-1-2 com Bentancur se aproximando de Suárez e Cavani, mas sem bola se fechando com duas linhas de quatro “mutantes” e por vezes no 4-1-4-1, com o recuo também de Cavani. Para segurar Portugal no 4-4-2 com muitas dificuldades na criação para Cristiano Ronaldo (Tactical Pad).

A celebração de Edinson Cavani no banco de reservas no apito final da sofrida vitória por 2 a 1 sobre Portugal em Sochi foi a grande imagem do duelo pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Personagem pelos dois gols, mas também pela entrega absoluta como atacante e também voltando pelo lado. Como costuma fazer por seu país, nem tantas vezes no PSG. Porque o Uruguai de Óscar Tabárez é fibra e suor, mas também inteligência tática.

Mesmo com meio-campistas mais técnicos, a base é o posicionamento defensivo com impressionante concentração no trabalho sem bola. Um 4-3-1-2 com Bentancur se aproximando de Suárez e Cavani, mas muitas vezes utilizando as ligações diretas da defesa para a dupla. Centro de Suárez da esquerda para o parceiro ir às redes.

Depois foi plantar duas linhas de quatro. “Mutantes”, com Betancur ora voltando fechando pelo flanco, ora por dentro. Parecido com o que Isco realiza no Real Madrid. Os outros três companheiros se rearrumam em função do “enganche” que retorna. Em vários momentos um 4-1-4-1 com Cavani também retornando, muitas vezes pela esquerda. Movimentos perfeitos, um relógio.

Questão de cultura futebolística. Os precursores do “saber sofrer” tão citado atualmente. Mas em alguns momentos joga contra. Porque o recuo para defender a própria meta foi um tanto excessivo quando Portugal parecia perdido e sem saída na execução do 4-4-2 com Gonçalo Guedes se juntando a Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva e João Mário pelos lados trabalhando com pés invertidos. Sem fluência, porém, E dando contragolpes seguidos, não aproveitados pelos sul-americanos.

A Celeste pagou na bola parada. Empate com Pepe completando cobrança de escanteio da esquerda. A solução diante do muro uruguaio, mesmo com a melhora depois da mudança do treinador Fernando Santos no posicionamento de Bernardo, mais centralizado, João Mário pela direita e Gonçalo Guedes à esquerda. Mas conseguiu de tanto insistir e rondar a área do oponente acuado.

Bastou o Uruguai entrar no campo rival com mais de dois jogadores para Cavani receber pela esquerda e bater com efeito, aproveitando o mal posicionamento do goleiro Rui Patrício. A vantagem de ter dois fantásticos finalizadores.

Depois o recuo foi compreensível.Lesionado, Cavani deu lugar a Stuani e o contragolpe perdeu força e perigo. Cristian “Cebolla” Rodríguez e Carlos Sánchez nas vagas de Bentancur e Nández fizeram o Uruguai perder qualidade na troca de passes. Sobraram a luta de Cavani e as arrancadas do “trator” Laxalt pela esquerda.

Restou a Portugal levantar bolas em profusão procurando André Silva, que entrou na vaga de Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e, no desespero final, de Pepe, Fonte e até Rui Patrício. Mesmo com 61% de posse e 20 finalizações, mas apenas cinco na direção de Muslera. O Uruguai concluiu apenas seis, mas metade no alvo. Dois gols.

Na eficiência, mas também sofrimento e garra, Uruguai segue na Copa. Com 100% de aproveitamento. E ajustado taticamente para dar trabalho à França, mesmo se Cavani não se recuperar a tempo.

O campeão europeu vai para casa. Por incrível que pareça, mesmo sendo dois anos mais velho que Messi, é mais difícil imaginar Cristiano Ronaldo desistindo de servir sua seleção. Porque é impossível medir o limite do abnegado português. Uma máquina que ainda voa fisicamente e é forte mentalmente para abandonar o barco.

Ele fez o que pôde, mas o universo de seleções é menos generoso com os dois gênios dos últimos dez anos. A Copa segue com menos talento, mas pelos grandes jogos de sábado ainda teremos muita qualidade e emoções.

(Estatísticas: FIFA)


Sofrer como favorito e sobrar como “zebra”. Mais Uruguai impossível
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André Rocha

O treinador russo Stanislav Cherchesov facilitou um pouco a tarefa ao rodar o grupo e deixar titulares no banco. Compreensível pela intensidade absurda aplicada pelos donos da casa nas duas primeiras rodadas. Até porque o objetivo inicial era garantir classificação e, na prática, não há muita diferença em enfrentar nas oitavas Espanha ou Portugal, os prováveis classificados do Grupo B.

Mas o Uruguai acabou seguindo um roteiro bem conhecido de sua história. Quando entra como favorito, pela história ou por contar com mais qualidade técnica, costuma se complicar. Ainda mais esta seleção de Óscar Tabárez, dependente de espaços para acionar sua dupla Suárez-Cavani.

Contra Egito e Arábia Saudita, triunfos sem brilho. Na estreia, o sofrimento no gol no final de Giménez. Contra os árabes, expectativa de goleada frustrada mesmo com o gol de Suárez logo aos 20 minutos do primeiro tempo. O peso da responsabilidade não costuma fazer bem. Mais confortável a condição de “zebra” para colocar a tradicional fibra e o conhecido poder de superação.

Contra os russos, se a história de bicampeão mundial não permite ser tratado como uma seleção menor, o desempenho das equipes nas duas primeiras rodadas e, principalmente, a condição de visitante entregava ao Uruguai o papel de coadjuvante no espetáculo. Na prática, porém, os sul-americanos novamente subverteram tudo.

Os gols de Suárez e contra de Cheryshev, desviando chute de Laxalt, em 23 minutos condicionaram o jogo na Arena Samara e a expulsão de Smolnikov aos 36 minutos praticamente tirou qualquer chance de reação russa. O segundo tempo chegou a ter momentos de ritmo de treino.

Mas o Uruguai teve boa atuação, a melhor neste Mundial. Retornando a um desenho costumeiro de Tabárez neste ciclo de 12 anos na seleção: o 4-3-1-2, com meio-campo em losango formado por Torreira à frente da defesa, Nández pela direita, Vecino à esquerda e Betancur mais adiantado na ligação com o ataque. Pelas laterais, Cáceres mais contido à direita no suporte a Coates, substituto de Giménez, e Laxalt com liberdade para descer pelo corredor esquerdo.

O jogo ficou mais fluido, com volume e chegando mais vezes aos atacantes. Foram 56% de posse de bola com 87% de efetividade nos passes e 17 finalizações, sete na direção da meta de Akinfeev. Valeu também para Cavani marcar no fim, fechando os 3 a 0, e tirar a ansiedade do artilheiro sem ir às redes.

Tudo certo para as oitavas. Para ambos. É óbvio que os russos vão deixar tudo em campo contra quem vier, mas parece claro que há a sensação de missão cumprida como anfitriã. Já os uruguaios devem entrar bem confortáveis caso os favoritos confirmem suas vagas definindo a classificação pelo saldo de gols.

Diante de Cristiano Ronaldo e os campeões europeus ou da rediviva Espanha dos craques e da posse de bola, a Celeste jogará serena, no cenário que mais aprecia. Para contrariar as previsões.

(Estatísticas: FIFA)


Real Madrid se sai melhor que o Liverpool nos clássicos antes de Kiev
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André Rocha

Havia muito em jogo para Real Madrid e Liverpool contra Barcelona e Chelsea, respectivamente, na reta final das ligas nacionais, impedindo que os times pudessem se dedicar exclusivamente à final da Liga dos Campeões no dia 26 em Kiev.

Para os Reds era a chance de confirmar a vaga na próxima edição do principal torneio do continente. No Stamford Bridge contra um adversário direto na Premier League. Já o time merengue entraria no Camp Nou com a missão de impedir o título espanhol invicto do rival Barcelona e ainda “carimbar” a despedida de Iniesta do clássico.

Tirando tudo que foi desnecessário no duelo entre os últimos campeões espanhois e europeus, desde o Real se recusando a recepcionar em campo o adversário que confirmou a conquista na rodada anterior até as brigas, chutes e pontapés que tiraram muito da beleza de um jogo sempre especial, não é absurdo dizer que a equipe de Zinedine Zidane deu mais uma demonstração de força.

Por iniciar pressionado pela dupla Messi-Suárez mais acesa que o habitual e pelo gol do uruguaio logo aos nove minutos em saída rápida bem engendrada com assistência de Sergi Roberto. Mas responder rapidamente com jogada coletiva ainda mais bela: calcanhar de Cristiano Ronaldo para Kroos, centro do alemão para Benzema preparar e o gênio português finalizar a obra que iniciou. O 25º do vice artilheiro da competição.

Real com uma “velha novidade” de Zidane: o trio “BBC”, fazendo a variação do 4-3-3 para as duas linhas de quatro sem a bola com o recuo de Gareth Bale pela direita. Na transição ofensiva, muita movimentação dos três, enchendo mais a área adversária. Ao menos por 45 minutos, já que Cristiano Ronaldo, por precaução, teve que sair no intervalo, substituído por Asensio.

Não só porque sentiu uma entrada dura, aparentemente maldosa, de Piqué justamente no lance do gol que empatou a disputa. Também por conta da pancadaria que tomou conta do jogo, muito mal conduzido pelo árbitro Alejandro José Hernandez, que culminou na expulsão de Sergi Roberto, que ingenuamente agrediu Marcelo na frente do juiz.

Desta vez o Real pode reclamar muito das decisões da arbitragem. Principalmente pela falta clara de Suárez na disputa com Varane que terminou no golaço de Messi quanto na falta dentro da área do Barça não menos nítida de Jordi Alba em Marcelo. Podia ter mudado o clássico e complicado a vida e a invencibilidade do time da casa muito mais que o golaço de Bale, completando assistência de Asensio. Foram 17 finalizações contra 11 do time blaugrana.

Mesmo com os 2 a 2, a força mental e a cultura de vitória se fizeram presentes. O desempenho geral também foi satisfatório. Confirmando algo que já virou senso comum: é difícil superar este Real Madrid em jogo grande.

O Liverpool também costuma crescer neste tipo de confronto, mas não foi o caso do duelo em Londres. Porque o time de Jurgen Klopp, ainda que mantenha a proposta ofensiva longe do Anfield Road, não consegue reproduzir o “arrastão” num ciclo de pressão pós-perda, acelerar a circulação da bola e acionar o seu trio de ataque.

Salah, Firmino e Mané também pagam um pouco o preço do sucesso e da visibilidade. Estão mais estudados e, consequentemente, vigiados em campo. Ainda mais contra o time de Antonio Conte com sua linha de cinco defensores e mais Kanté e Bakayoko na proteção.

Deram algum trabalho ao goleiro Courtois na primeira etapa, mas nos minutos finais apelaram para os muitos cruzamentos procurando Solanke, que entrou na vaga do lateral esquerdo Robertson, e o zagueiro Van Dijk, que se transformou em um segundo centroavante. Sem ideias, sem brilho. Os torcedores podem até desdenhar, mas quando os espaços diminuem o fato é que Philippe Coutinho faz muita falta aos Reds.

Assim como a equipe se ressente de uma maior solidez defensiva, especialmente pelo alto. No centro da direita, Giroud subiu mais que Lovren para marcar o gol único do duelo, ainda no primeiro tempo. Na ausência do lesionado Oxlade-Chamberlain, Klopp deixou Henderson no banco e arriscou uma formação com Alexander-Arnold formando o meio-campo com Wijnaldum e Milner e Clyne entrando na lateral direita. Podia ter sido melhor.

Apesar dos 68% de posse, foram apenas dez finalizações dos visitantes contra 12 dos Blues, que também foram superiores em desarmes e no jogo aéreo. Resultado coerente com o que foi a partida disputada com a intensidade típica do Campeonato Inglês.

Agora é obrigatório vencer o Brighton em Anfield para chegar aos 75 pontos e garantir ao menos a quarta colocação. A menos que venha a apoteose na Ucrânia com o sexto título da Champions. Depois de onze anos sem chegar a uma decisão e treze da última conquista.

Missão que já era complicada por enfrentar o atual bicampeão e maior vencedor da história. Depois dos clássicos fica a impressão de que a tarefa ficou ainda mais difícil.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 


Goleada na última final de Iniesta também sinaliza Barcelona do futuro
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André Rocha

O Barcelona vencer a Copa do Rei não é nenhuma novidade, nem título a celebrar tanto assim, considerando o nível que o clube alcançou na década. Nas últimas dez edições foram seis conquistas, quatro consecutivas em um total de trinta. O maior vencedor do torneio.

Ainda na ressaca da surpreendente e até vexatória eliminação na Liga dos Campeões para a Roma, considerando as prateleiras bem separadas entre os clubes no cenário europeu, a conquista vale mais pelo simbolismo de ser a última decisão de Iniesta com a camisa blaugrana antes da mais que provável partida em direção ao futebol chinês.

Mas se os 5 a 0 sobre o Sevilla no Wanda Metropolitano, em Madri, reverenciam o passado com um dos últimos atos de seu camisa oito histórico, chegando a 31 títulos pelo clube, também sinalizam o futuro.

O primeiro gol foi simbólico. Com o adversário adiantando a marcação desde a área do Barça, o goleiro Cillessen, titular no torneio enquanto Ter Stegen joga nas outras competições, não fez a bola circular desde a defesa dentro da proposta tradicional do jogo de posição. Sem trocas de passes até o time se instalar no campo do oponente.

Lançamento direto para Philippe Coutinho, novamente pela direita, explorando os espaços às costas da defesa avançada do rival para arrancar e servir Luis Suárez. Jogada simples, objetiva e inteligente. Para que aumentar a margem de erro perto da sua própria meta se é possível chegar ao gol na mesma ação?

O resto foi consequência, com o Sevilla deixando um verdadeiro latifúndio às costas de Banega e N’Zonzi que Messi, Coutinho e Iniesta aproveitaram, cada um com um gol. Do argentino completando linda assistência de calcanhar de Jordi Alba, do brasileiro cobrando pênalti que sofreu e Messi cedeu generosamente. O mais belo do meia veterano, tabelando com Messi. Lembrando o “velho” Barça lá da Era Guardiola. Mas que precisa se adaptar aos novos tempos.

Para isso conta com Suárez, o centroavante que  dá profundidade aos ataques. Chama lançamentos e está sempre pronto para receber as “pifadas” de Messi. Intenso até a medula. Dois gols que encaminharam a goleada.

Agora a missão é confirmar o “doblete”, fazer um bom superclássico contra o Real Madrid e tentar o título espanhol invicto. Para o treinador Ernesto Valverde é a chance de deixar a impressão de uma primeira temporada positiva no clube, apesar das críticas justas ao comportamento coletivo ao longo da temporada, especialmente na noite trágica na capital italiana.

Sem Iniesta e com Coutinho, em sua primeira conquista no novo clube, resta montar um Barcelona mais parecido com o rival Real Madrid que vem sobrando na Europa: adaptável, mutante. Capaz de se impor dentro de uma disputa que privilegie a técnica ou mais física ou de velocidade. Com Messi cada vez mais passador e “ritmista” na reta final da carreira, necessitando de jogadores rápidos e fortes ao redor como contraponto.

Vale a comemoração de mais um título numa era vencedora. Especialmente pela imagem de Iniesta erguendo a taça. Mas é preciso refletir, porque a régua criada pela própria excelência não aceita apenas a supremacia no país. Para voltar a vencer a Champions a velha escola não é mais suficiente. Deve ir com o eterno camisa oito.

O primeiro gol na final da Copa do Rei é um bom indício do que o futuro reserva ao Barça.


O que é Lionel Messi?
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André Rocha

O Chelsea de Antonio Conte fez o que pôde. Lutou, executou bem a transição do 5-4-1 sem a bola para o 3-4-3 para o ataque, muitas vezes empurrou as linhas do Barcelona para trás no Camp Nou. Criou chances, pode reclamar de um pênalti de Piqué sobre Marcos Alonso no primeiro tempo e lamentar a falta de concentração no início do jogo.

Mas o que fazer quando Messi entra em campo descansado, depois de 10 dias sem jogar, motivado pelo nascimento do terceiro filho e, por isto, inspirado como poucas vezes se viu?

Ernesto Valverde ajudou escalando Dembelé de início e voltando à sua ideia do início da temporada: 4-4-2 com o atacante abrindo o campo pela direita e Jordi Alba fazendo o mesmo à esquerda contando com a cobertura de Umtiti. Sergi Roberto mais contido na lateral direita e Busquets mais fixo na proteção. Peças mais bem distribuídas em campo, características combinadas de um modo mais justo.

E mais espaço para Messi circular. Pela direita para marcar o primeiro depois de passe de Suárez e do lado oposto para a fantástica arrancada ganhando de Fábregas, driblando Christensen e Azpilicueta para servir Dembelé no segundo. Também o terceiro em transição rápida e novo passe de Suárez. Dois chutes entre as pernas de Courtois.

Um gol logo aos três minutos para descomplicar, outros dois em saídas rápidas. Típico do Barcelona mais pragmático que controlou o jogo com a bola – terminou com 53% de posse e 86% de efetividade nos passes –  e concentrado defensivamente para não facilitar a vida dos Blues nem cair na armadilha de outras eliminações: ter a posse e ser surpreendido nos espaços às costas da defesa.

Foram oito finalizações, sete no alvo. Três nas redes. O Chelsea tentou treze vezes e acertou duas. Duas nas traves de Ter Stegen. 3 a 0 foi cruel. Mas o Barcelona foi letal.

Mantém a escola, porém foca mais no resultado. Organização defensiva, inteligência…e bola para Messi. 100 gols na Liga dos Campeões. Arte, objetividade. Construção e acabamento. O argentino tem domínio de todos os processos de um jogo.

A pergunta não é mais quem é Lionel Messi, mas o que é esse gênio da história do futebol.

(Estatísticas: Footstats)


Messi 600 e histórico! Mas dependência do Barcelona já passa do ponto
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André Rocha

O jogo decisivo da temporada para o Atlético de Madri reforça a impressão de que o modelo de Diego Simeone está desgastado depois de sete temporadas.

No Camp Nou, repetiu a estratégia de sempre contra o Barcelona: adianta linhas e pressiona saída de bola. Se o adversário ultrapassa esse bloqueio, se recolhe em duas linhas de quatro compactas para negar espaços, principalmente para Messi.

Mas com cinco pontos atrás na tabela era preciso mais e o time visitante não entregou. Só no segundo tempo, perdendo por 1 a 0, partiu para o desespero mantendo o 4-4-2, porém com Correa na ponta direita e Gameiro fazendo dupla com Diego Costa.

E Griezmann…Depois de sete gols nas últimas duas partidas era de se esperar mais do francês. Assumir o protagonismo, tentar algo diferente. Mas o camisa sete foi o atacante com liberdade atrás de Diego Costa e depois o ponteiro pela esquerda. A rigor, nada produziu.

Melhor para o Barcelona pragmático de Ernesto Valverde. Treinador que voltou a sacrificar Philippe Coutinho de início pela direita na linha de meio-campo. Só inverteu de lado por causa da lesão de Iniesta ainda no primeiro tempo.

Paulinho estava no banco, mas entrou…André Gomes. O blogueiro já desistiu de entender. Não melhora a produção pelo flanco, com ou sem a bola. É lento, tanto para buscar espaços às costas da defesa quanto para fazer a bola circular. Um corpo estranho em campo. Com Suárez lutando, mas pouco inspirado na luta contra Giménez e Godín, sobrou para Messi.

Qualquer time no planeta dependeria do argentino. Na história do esporte poucas equipes não teriam o genial camisa dez como seu maior destaque. Mas este Barcelona tem passado do ponto. Não é por acaso que é o artilheiro da liga espanhola com 24 gols e líder também em assistências, com doze.

Messi recua para organizar e distribuir. Se avança e encontra espaços entre a defesa e o meio do adversário parte para a decisão da jogada. Ou arranca e serve o último passe, ou toca rápido e aparece na área para finalizar.

Ou tenta resolver tudo sozinho. No clássico que encaminha o título espanhol foi o que aconteceu. Buscou a jogada individual, sofreu a falta e cobrou com a precisão que só aumenta. Terceiro gol seguido desta forma, tirando do alcance do ótimo goleiro Oblak.

O 600º gol na carreira em partidas oficiais. Histórico. Mas ele não é super homem, embora pareça um extraterrestre. Muito menos com 30 anos. Não dá para depender tanto, ainda que o talento transborde.

Abrindo oito pontos no topo da tabela, mais a vantagem no confronto direto, é o momento de descansar um pouco Messi. Administrar a liderança na liga e focar na Champions. Mas principalmente buscar soluções ofensivas para não viver de seu craque maior. A inversão de bola para Jordi Alba já está manjada pelos rivais. Sobra muito pouco.

Valverde tem que abrir o leque. Ou rezar para o maior jogador da história do Barcelona seguir fazendo seus milagres. Até quando ele aguenta?

 

 


O primeiro gol de Philippe Coutinho pelo Barcelona, com a “benção” de Messi
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André Rocha

Ernesto Valverde precisou de 45 minutos para perceber que o futebol coletivo do Barcelona era prejudicado pela nulidade de André Gomes jogando aberto pela direita na linha de meio-campo. Por isso sua equipe teve problemas no primeiro tempo no Estádio Mestalla pela semifinal da Copa do Rei.

Também porque o Valencia, necessitando reverter desvantagem de 1 a 0 construída no Camp Nou, se arriscou com o brasileiro naturalizado espanhol Rodrigo Moreno atuando como uma espécie de “falso nove” tentando alimentar Zaza e Vietto na frente. Dinâmica que dificultava a saída de Jordi Alba para atacar pela esquerda com a cobertura de Umtiti e Busquets centralizado na proteção.

A retaguarda sofria e os ataques pela direita eram previsíveis, dependentes do apoio de Sergi Roberto e das aparições de Messi no setor. Faltou fluência ofensiva, mesmo com o controle da posse de bola – importante para administrar a vantagem no confronto.

Tudo mudou em três minutos com Philippe Coutinho em campo na vaga do português na volta do intervalo. Ainda que o brasileiro não se sinta confortável pela direita, no primeiro ataque apareceu na segunda trave para completar centro de Suárez pela esquerda e encaminhar a classificação do Barça para a 10ª final do torneio em 13 anos. Primeiro gol pelo novo clube. Já sendo decisivo.

Interessante notar que até Paulinho entrar no lugar de Iniesta e Coutinho enfim ser deslocado para o lado esquerdo, Messi novamente usou toda sua leitura de jogo para permitir que o camisa 14 saísse da direita para circular pelo centro às costas dos volantes adversários, como faz na seleção. Exatamente no espaço em que o gênio argentino gosta de atuar.

Para gerar o espaço, Messi ficava aberto pela direita recebendo e acionando os companheiros. De certa forma também descansando em campo. Mas dando uma prova de que entende a importância do talentoso meia brasileiro no elenco de Valverde. Uma espécie de aval do craque do time.

Depois bastou ao Barcelona seguir controlando o jogo com posse e sofrendo apenas um ataque mais contundente, com Cillessen fazendo grande defesa. No final, falha do zagueiro Gabriel Paulista, mais uma assistência de Suárez e gol de Rakitic. Ainda houve tempo para estreia de Yerri Mina entrando no lugar de Piqué.

Com vaga na decisão da Copa nacional e o título espanhol bem encaminhado pela larga vantagem na liderança, o Barça pode concentrar todos os esforços no duelo com o Chelsea pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Favoritismo natural pelo bom momento contrastando com a séria crise no time inglês, mas a história mostra que costuma ser um duelo perigoso.

Mais ainda sem a opção de Coutinho, ainda que no banco. Resta ao brasileiro seguir seu processo de adaptação ao novo clube. Com gols e a “benção” de Lionel Messi.