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Maxi López salvando o Vasco diz muito sobre o Brasileirão
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André Rocha

Foto: Andre Melo Andrade/Eleven

No gol de Pikachu, o movimento deixando a bola passar que desmontou a zaga dos reservas do Cruzeiro. Depois uma ação típica de centroavante, girando e batendo com efeito. Maxi López foi o grande destaque individual dos 2 a 0 em São Januário que fazem o Vasco respirar na fuga do Z-4.

O centroavante fez cinco gols em doze jogos.  Mais quatro assistências e dez passes para finalizações. Precisa em média de seis conclusões para ir às redes. Não são números espetaculares, de um fenômeno. Para a realidade cruzmaltina, porém, vem sendo a diferença. Ou a salvação.

Porque a equipe de Alberto Valentim depende fundamentalmente do trabalho do centroavante. Antes pesadão, agora mais em forma e com ritmo de competição. Mas naturalmente menos ágil com seus 34 anos e 1.85m. Ainda assim, faz o trabalho do típico pivô e incomoda os zagueiros. Recebe bolas longas ou passes curtos, retém, espera seus companheiros e serve ou gira para finalizar. Sem o argentino o time trava.

Impressionante para quem nas últimas temporadas do futebol italiano atuando por Torino e Udinese havia marcado apenas quatro gols em 44 partidas. Teve alguns bons momentos na equipe de Turim, mas desempenho em alto nível mesmo só no Catania em 2010 e… no Grêmio em 2009. Sua outra passagem pelo futebol brasileiro.

É surreal que em 2018 Maxi López ainda consiga em poucos jogos entregar tanto na Série A. No início estava nitidamente acima do peso. E já fez diferença… Méritos dele, bom para o Vasco, mas também diz muito sobre o Brasileirão. Um retrato nu e cru do baixo nível técnico e de intensidade. Em uma liga mais veloz e competitiva, Máxi teve e teria mais dificuldades para impor seu jogo físico e de boa técnica, mas já em rotação mais baixa.

Há muitos anos a principal competição nacional vive de jovens talentosos surgindo e de experientes sem mercado nos grandes centros. Mas não deixa de assustar a maneira com que “La Barbie” se impôs por aqui. Sinal dos tempos.

(Estatísticas: Footstats)


Sai Vizeu e chega Dourado no Flamengo. Afinal, a base é só para vender?
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André Rocha

Este blogueiro se lembra de ver Romário surgindo no Vasco em 1984 e Djalminha no Flamengo em 1990 nas preliminares do Maracanã. Era visível a ansiedade doa torcedores para vê-los nos profissionais e imaginando trajetórias de sucessos nos clubes. Um estreou nos profissionais em 1985 e foi negociado com o PSV em 1988, o outro subiu depois de ser o craque da Copa SP de 1990 e foi saído da Gávea em 1993.

Dois casos com desfechos bem diferentes, mas que em comum entregaram três anos de futebol no profissional a quem o revelou. Saíram, mas ao menos permitiram que o apaixonado pelo clube sonhasse com a possibilidade de construir uma história, mesmo não tão longa.

Hoje esse sonho é ilusão. O garoto surge antes mesmo do sub-20 já com a obsessão de jogar no exterior, os clubes europeus monitoram e contratam na primeira oportunidade. A única chance que resta é o comprador permitir que fique um tempo para ganhar cancha e minutos entre os adultos.

É o que acontece com Vinícius Júnior no Flamengo. Negociado com o Real Madrid e motivo de orgulho para os dirigentes porque o valor que receberam bancaria o orçamento das divisões de base por anos. Mas e o retorno técnico tão curto, com o jogador saindo aos 18 anos?

Ninguém calcula. E acha natural que agora o Flamengo negocie o atacante Vizeu, 20 anos, com a Udinese e contrate o rodado Henrique Dourado, 28, para a mesma função.

Sim, há um cálculo compreensível nesta combinação. Até junho o elenco terá Vizeu e Dourado, além do garoto Lincoln, como centroavantes e depois Paolo Guerrero, caso renove o contrato que vai até agosto, retorna de suspensão no lugar do atleta negociado que parte para a Itália.

Mas não parece loucura o clube vender o jovem promissor para trazer um jogador mais velho que pelas oscilações na carreira não passa de uma grande incógnita? É uma inversão de valores ou este que escreve quer uma utopia?

É óbvio que existe a possibilidade de Vizeu bater, voltar e não vingar como jogador em alto nível e o “Ceifador” empilhar gols e ganhar títulos no novo clube. No futebol tudo pode. Mas cabe a reflexão sobre as divisões de base: é só formar para vender mesmo? Tipo exportação e cada vez mais cedo?

O Santos resistiu com Neymar. Surgiu em 2009, partiu para Barcelona quatro anos depois deixando uma Copa do Brasil e a terceira Libertadores na sala de troféus. Se a negociação não deu o retorno esperado por questões legais, ao menos em campo a resposta foi ótima. Vizeu não é Neymar, talvez nem Vinicius Jr. chegue ao mesmo patamar, mas a lógica teria que ser a mesma.

Se a vontade do jogador tem que prevalecer, por que não buscar um plano de carreira que convença o garoto a ficar mais um pouco? Ou falta vontade para alimentar a criatividade e o único alvo são as cifras?

O futebol evolui e se torna mais complexo em todos os seus aspectos, mas essa nova ordem nacional de vender o jovem para contratar o experiente sempre vai soar muito estranha. Um paradoxo. Desta vez foi o Flamengo. Quem será o próximo?

 


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