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Arquivo : Vasco

Pedro salva o Fluminense e uma tradição carioca no Brasileiro
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André Rocha

Foto: Lucas Merçon/FFC

No clássico em São Januário, o Vasco pecou por não aproveitar uma atuação que chegou a ser constrangedora tecnicamente do Fluminense no segundo tempo da estreia sob o comando de Marcelo Oliveira. Principalmente depois do gol de Andrés Rios que parecia encaminhar a vitória cruzmaltina.

Mas a defesa vacilou nos minutos finais. Logo contra Pedro. Primeiro um golpe de cabeça que Martín Silva salvou e, no rebote, Pablo Dyego chutou na trave com o goleiro uruguaio caído. Mas logo depois Breno permitiu que o centroavante limpasse e tocasse na saída de Martín. Empate por 1 a 1.

De novo o camisa nove salvando um Fluminense que perdeu Abel Braga e muito de sua identidade. Como time e clube. Sem investimento e agora sem uma figura que o simbolize. Resta Pedro, produto do trabalho nas divisões de base.

O atacante de 21 anos não é apenas um jogador para atuar como referência apostando na estatura (1,85 m) e na presença física para definir no toque final. Sabe sair da área, abrir espaços, fazer pivô e trabalhar coletivamente. Inclusive com boa visão de jogo.

E o principal: decide. Em termos de precisão, é, com alguma folga, o melhor finalizador do futebol carioca. Muito se debateu sobre as funções táticas de um nove moderno durante a Copa do Mundo. Mas é preciso contextualizar: Giroud tinha Mbappé e Griezmann como protagonistas, Gabriel Jesus se sacrificava por Neymar e Philippe Coutinho. Se não há um jogador mais qualificado para colocar a bola nas redes, o centroavante tem que aparecer.

Pedro não se esconde. Já tem sete gols no Brasileiro, mesmo número que o consagrou como artilheiro do Campeonato Carioca em 13 jogos. Com mais um na Sul-Americana, totaliza 15 na temporada. Está empatado com Willian, do Palmeiras e atrás de Roger Guedes, com nove. Mas o Palmeiras negociou o atacante que estava no Atlético Mineiro com o Shandong Luneng, da China. A disputa fica ainda mais aberta.

Se Pedro mantiver o desempenho e a eficiência, é possível que o futebol carioca preserve sua tradição de contar com o goleador máximo na principal competição nacional. Como Henrique Dourado no próprio tricolor no ano passado, dividindo a artilharia com Jô, do Corinthians, com 18 gols.

Na lista de principais artilheiros da história do Brasileiro, os seis primeiros fizeram história única ou especialmente no Rio de Janeiro: Roberto Dinamite, Romário, Edmundo, Fred, Zico e Túlio Maravilha. Na era dos pontos corridos, a liderança é de Fred, que marcou 103 de seus 139 gols pelo Flu. Com a unificação das edições desde 1959, o Rio de Janeiro teve por 23 anos um representante na liderança absoluta ou dividindo o topo da lista de goleadores. Um a mais que São Paulo.

Sem nenhuma comparação técnica entre os artilheiros, Pedro pode repetir o feito. Caso fique por aqui até o fim do ano. Mas o jovem centroavante também precisa da ajuda do próprio time, que está apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento. Não dá para salvar sempre.

 


O abismo de centímetros entre Romário e Neymar
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André Rocha

17 de julho de 1994. Rose Bowl, Pasadena, Estados Unidos. Brasil e Itália decidem a Copa do Mundo. Disputam o tetracampeonato, repetindo a final de 1970. Um tira-teima depois da vitória da Azzurra sobre a seleção de Telê Santana em 1982. Disputa direta entre Romário e Roberto Baggio pelo prêmio de melhor jogador da Copa e, consequentemente, do mundo naquele ano.

Arrigo Sacchi voltava a contar com Franco Baresi na defesa depois de uma milagrosa recuperação de uma lesão séria no joelho. Um extraordinário defensor, mas não deixava de ser incógnita quanto à sua condição física e ao ritmo de jogo para uma final de Copa. Ainda mais no calor sufocante de verão americano naquela tarde de domingo.

Era a chance de Romário brilhar, já que Roberto Baggio também sofria com desgaste físico, inclusive atuando com uma proteção na perna direita. Mas o Baixinho não repetiu o bom desempenho de toda a campanha brasileira. Cinco gols e uma assistência para Bebeto marcar o gol salvador contra os Estados Unidos em 4 de julho.

Baresi controlou bem as arrancadas de Romário ao longo dos 90 minutos. Na prorrogação, com Viola e mais fôlego, os espaços apareceram. Surgiu a chance de se consagrar completando passe de Cafu. Mas o camisa onze perdeu na pequena área. Uma chance que não costumava desperdiçar. Decisão por pênaltis, a primeira da história das Copas. Com personalidade, pediu ao treinador Carlos Alberto Parreira para cobrar. Não bateu bem, mas deu sorte de Pagliuca saltar para o outro canto e a bola tocar na trave direita e cair dentro do gol. A última cobrança, de Baggio, entrou para a história e o Brasil comemorou o tetracampeonato.

Foi a consagração de Romário. Prometeu classificar o Brasil e fez dois gols no Uruguai na última partida das Eliminatórias. Garantiu a conquista do tetra e não decepcionou. Todos os méritos para ele.

Mas imaginemos que aquele chute, por um detalhe do futebol e da vida, tocasse na trave e fosse para fora. Pênalti perdido pelo melhor do time. Poderia abalar a seleção pressionada por críticas e 24 anos sem títulos. A Itália poderia ter se aproveitado e virado a história do avesso.

Centímetros que salvaram um Romário sempre polêmico. Criticado em 1990 por não ter cuidado bem de uma fratura na perna jogando pelo PSV. Disputou pelada com gesso, tratou com a sua rezadeira Dona Nazaré da Vila da Penha. Foi para o Mundial na Itália, mas não rendeu o esperado. Disputou apenas o jogo contra a Escócia. Já tinha perdido a vaga de titular no ano anterior para Careca por ter sido expulso contra o Chile em Santiago pela Eliminatória,  complicando a equipe de Sebastião Lazaroni que precisou vencer no Maracanã na famosa partida da farsa do goleiro Rojas e da “fogueteira”.

Romário que teve seus privilégios nos Estados Unidos. Não só a liberação de treinos físicos e outras atividades que entendiavam o Baixinho. Jornais da época publicaram fotos de uma “namorada” que o atacante teria levado para a concentração da seleção, mesmo em dias que não eram de folga. Segundo as fontes, Parreira e Zagallo sabiam, o capitão Dunga também. Tudo foi abafado para não perturbar a estrela máxima da seleção.

Não é difícil prever o que aconteceria caso o Brasil não fosse campeão do mundo. Na caça às bruxas de sempre, o maior alvo seria o centro das atenções. Alguma dúvida de que tudo que hoje é tratado como “folclórico” seria motivo para demonização, mesmo sendo decisivo nas partidas anteriores?

É bom lembrar que a capacidade e a personalidade de Ronaldo Fenômeno também foi questionada pela convulsão e atuação apática na final da Copa de 1998 até escrever uma das maiores histórias de redenção do esporte com o título e a artilharia em 2002. Até de “amarelão” foi chamado, em colunas e mesas redondas. Sem contar as vaias em 1997 e 1998 quando não rendia.

Ronaldinho virou vilão em 2006. Rivaldo foi perseguido em 1996 pelo desempenho pífio na seleção olímpica. Kaká já foi alvo de pipocas no São Paulo e também criticado pelo desempenho com a camisa verde e amarela em 2006. Todos Bolas de Ouro, como Romário. Até Pelé, que teria um busto em cada esquina em qualquer país do mundo que ama futebol, é criticado e ironizado no Brasil.

Todos tinham um outro craque para dividir um pouco os holofotes. Pelé teve Garrincha, Romário teve Bebeto, depois Ronaldo. Fenômeno que teve Rivaldo, mais tarde Ronaldinho Gaúcho que chegou a dividir o bastão com Kaká.

E chegamos a Neymar. Estrela única do futebol brasileiro atual. A referência na bola e na mídia. Com idiossincrasias e privilégios, como quase todo destaque. Como Messi na Argentina e no Barcelona, Cristiano Ronaldo em Portugal e no Real Madrid. Como Romário por onde passou.

Criticado no inicio da Copa por individualismo, simulações, irritação. A partir do jogo contra a Sérvia, até por estar pendurado com um cartão amarelo, focou no futebol e foi importante para a classificação brasileira. Diante do México, a melhor atuação com gol e o chute que Ochoa deu rebote e Firmino completou. Pisado por Layun, pode ter exagerado na reclamação, mas não a ponto de transformar o agressor em vítima como Juan Carlos Osorio tentou fazer parecer.

Com o camisa dez brasileiro mais concentrado e rendendo, as críticas ficaram mais discretas. Ou veladas. Afinal, a cobrança era para que ele jogasse futebol e esquecesse as polêmicas, os enroscos. Foi o que fez. Mas quem persegue fica à espreita esperando o momento do bote. Ele veio.

Contra a Bélgica, atuação irregular como todo time. Mal no primeiro tempo pela desvantagem de 2 a 0. Mesmo com 26 anos, não tem o perfil de liderança de pegar a bola e conduzir a equipe. Nem Romário tinha. Em 1994, esta era a função de Dunga.

Melhorou na etapa final como toda a equipe. No ataque derradeiro, o belo chute que parou na defesa ainda mais espetacular do goleiro Courtois. Tocou na bola o suficiente para desviá-la e impedir o empate. Centímetros. De braço. De história.

Imaginemos Neymar empatando o jogo no final. Deixando o Brasil com vantagem física e emocional para a prorrogação. Com chances de marcar pelo menos mais um que garantisse a vaga nas semifinais. Alguém imagina como seria o discurso? No mínimo, exaltando a personalidade no momento decisivo.

Certamente lembrariam do desempenho fantástico nas disputas de mata-mata do título do Barcelona na Liga dos Campeões 2014/15. Superior a Messi, inclusive. Artilheiro junto com os dois gênios da geração. Gol em final. Ou a conquista da Libertadores de 2011 também marcando na decisão contra o Peñarol. Ou quando assumiu a responsabilidade e conduziu o Barcelona aos 6 a 1 sobre o PSG em 2017, arbitragem à parte. Feitos que Romário, por exemplo, não ostenta em seu currículo. Na única final europeia, derrota do seu Barcelona por 4 a 0 para o Milan.

De certa forma, Neymar também ajudou a colocar o Brasil na Copa. Ausente de boa parte dos jogos da Era Dunga nas Eliminatórias, assumiu a responsabilidade no início do trabalho de Tite. Quando os resultados eram fundamentais para tirar da incômoda sexta posição, fez um gol de pênalti, deu assistência no terceiro e participou da jogada do segundo, ambos de Gabriel Jesus nos 3 a 0 sobre o Equador em Quito. Nos 2 a 1 sobre a Colômbia, cobrou escanteio na cabeça de Miranda e marcou o gol da vitória. Terminou com seis gols, um a menos que Gabriel Jesus. Hoje parece quase nada, mas teve seu peso naquele momento de dificuldade.

Não aconteceu para Neymar na Rússia. E veio a onda de dedos apontados. Piadas e memes. De todo o planeta. Reduzindo Neymar a um pseudocraque que rola pelos gramados. Um mero produto da mídia mimado e que engana os incautos e pachecos. Marrento e antipático. Como se outros talentos não fossem. Como Romário.

Centímetros. Que salvaram Romário em 1994 na sua última Copa do Mundo. Em 1998, pelo temperamento complicado e por tudo que aprontou nos Estados Unidos e depois, não contou com a paciência de Zagallo para aguardar a recuperação de uma lesão na panturrilha. Em 2000, por conta de uma desavença com Vanderlei Luxemburgo no Flamengo em 1995, ficou de fora da Olimpíada. Dois anos depois, descartado por Luiz Felipe Scolari, viu o penta pela TV. Tudo porque era “difícil”. Também simulava faltas e pênaltis. Dobrava os joelhos e jogava o corpo para a frente. Mas aí entrava na cota da “malandragem”…

Como foi tetra virou mito. Com a fama de “jogar e decidir”, ainda que ostente poucos títulos para os 22 anos de carreira profissional. Merece o reconhecimento. Mas sabemos que um detalhe poderia ter jogado um dos maiores atacantes de todos os tempos no limbo da história.

Neymar corre este risco. Mesmo superando Romário na artilharia da seleção, agora com 57 gols – e homenageou o artilheiro aposentado na comemoração. Todos que não aceitam sua personalidade contraditória aproveitam o momento de baixa para a vingança. Ou apenas aproveitam para colocar em prática a crueldade de afirmar teses em cima da imagem dos outros.

Por centímetros do braço de Courtois. Com final diferente do efeito dos centímetros que levaram a bola da trave para dentro na cobrança de pênalti de Romário em 1994. Um chute não tão bom que entrou, outro perfeito interceptado na trajetória que parecia inevitável. Medida que cria um abismo entre dois dos maiores da história do futebol cinco vezes campeão do mundo.

No Brasil do pensamento binário, no qual quem não odeia é passador de pano, é bom deixar claro: este post não é uma crítica a Romário. Este que escreve viu ainda garoto, em 1984, marcando gols pelos então “juniores” (sub-20) do Vasco nas preliminares do Maracanã. E tantas vezes testemunhou no estádio o talento do gênio da grande área do século 20. Um ídolo.

Muito menos a intenção é blindar Neymar. Quem acompanha o blog sabe que este que escreve evita mencionar o nome do personagem que mais atrai cliques na internet. Oportunismo aqui passa longe. E para massacrar já há gente até demais. Mas não discordo de quem considera Neymar mal orientado e assessorado. Na bolha em que vive há quase uma década ele precisa de uma voz que o conecte à realidade para evitar certos desgastes desnecessários. Já passou da hora de amadurecer.

O texto e o “se” que o norteia propõem apenas uma reflexão sobre a nossa capacidade de idolatrar ou ridicularizar por um resultado. Definido por detalhe, pelo imponderável. Tão pouco. Centímetros.

 


Na estreia de Jorginho, a vitória do “Clube de Regatas Yago Pikachu”
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André Rocha

Na entrevista à beira do campo em São Januário, Claudinei Oliveira, treinador do Sport, já previa um Vasco transformado animicamente por conta da estreia de Jorginho no comando técnico. O tradicional “fato novo” que movimenta o clube e muda o ambiente. Ao menos no início.

Claudinei certamente também sabia que, apesar das mudanças no time cruzmaltino, uma coisa não mudaria: a dependência das jogadas de Yago Pikachu. Só não esperava que o meia pela direita no 4-2-3-1 armado por Jorginho seria tão decisivo.

Abriu o placar completando passe de Giovanni Augusto, depois sofreu e converteu o pênalti que colocou o Vasco novamente à frente no placar depois do gol contra de Paulão. Michel Bastos, que entrou no lugar de Fellipe Bastos, empatou em bela virada. Mas Pikachu apareceu para chutar forte e, no rebote de Magrão, Ramon, substituto de Bruno Cosendey, definiu os 3 a 2.

Triunfo valorizado pela boa atuação do Sport, mesmo sem Anselmo, volante negociado pelo Internacional ao Al-Wheda de Fabio Carille. Justificando a vice-liderança antes do início da 11ª rodada. Organizado num 4-2-3-1 muitas vezes com a última linha de defesa bem estreita, com os defensores próximos, e os ponteiros Rogério e Marlone voltando como laterais negando espaços a Luiz Gustavo e Henrique. Terminou com mais posse de bola (55%) e apenas uma finalização a menos: 11 contra 12. Mas apenas duas na direção da meta de Fernando Miguel.

Das seis do Vasco no alvo, quatro foram de Pikachu. Dois gols, o chute que deu o rebote do terceiro e ainda um lindo voleio que Magrão salvou. Definitivamente, o camisa 23 desequilibrou. Mais uma vez. Desta vez com a vitória do “Clube de Regatas Yago Pikachu”. Para Jorginho iniciar em paz sua segunda passagem pelo Vasco como treinador.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo 1 x 1 Vasco – Mais um clássico estragado pelo clima de guerra
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André Rocha

Aconteceu de novo. 40 faltas, muita reclamação desnecessária com arbitragem. Nervos à flor da pele e pouco, muito pouco futebol.

Desta vez foram Flamengo e Vasco os protagonistas deste espetáculo deprimente no Maracanã. Cada vez mais frequente. E certamente depois da partida só vão falar do trabalho da equipe comandada por Ricardo Marques Ribeiro. Ruim ao longo do jogo, desde o impedimento de Diego na origem da jogada que terminou na finalização de Everton Ribeiro e Vinicius Júnior abrindo o placar ao aproveitar falha de Martín Silva, que deu rebote de um chute nem tão forte. Confuso nos critérios para as expulsões de Rhodolfo, Cuéllar, Breno e Riascos na confusão do final do jogo.

Mas os jogadores em nada colaboram. Toda hora alguém pedindo cartão para faltas normais, fazendo escândalo se discordar de uma marcação. Criando um clima de pressão que só prejudica a partida. Futebol é detalhe. O jogador entra em campo com a obrigação de fazer tudo para que o torcedor não o considere apático. Entrada dura, carrinho para a lateral batendo no braço, chutões. Um jogo só sentido, nada pensado.

Uma lástima. O Flamengo até tentou tomar a iniciativa em boa parte do jogo, repetindo a ideia de jogo com mais trocas de passe e bola no chão desde que Mauricio Barbieri assumiu, ainda interinamente. Apesar do início ruim e das quatro finalizações do rival até a sua primeira ir às redes. Mas logo em seguida vacilar na jogada aérea e permitir o empate vascaíno com Wagner. Diferente de outras partidas, desta vez Diego foi bem e Lucas Paquetá mal. No saldo final, 63% de posse e oito finalizações. Apenas três no alvo.

Contra 15 do time de Zé Ricardo, que acertou sete vezes na direção da meta de Diego Alves. Novamente mostrando no clássico a consistência defensiva que não apresenta em outros jogos na temporada. Yago Pikachu travou bom duelo com Rodinei e Breno mostrou novamente que é o zagueiro mais confiável do elenco cruzmaltino. Ou dos que o treinador utiliza, já que o jovem Ricardo Graça segue escanteado.

Pelo menos não houve nada mais grave nas arquibancadas e foi um alento ver a área ocupada pelas duas torcidas juntas em paz. Mas ninguém mereceu sair com os três pontos. Até para não deixar o campo com a crença de que esses artifícios compensam. Não foram só dois pontos perdidos para cada lado, mas a chance desperdiçada de mostrar desempenho. Futebol. No apito final sobra muito pouco, quase nada.

Qual será o próximo clássico no Brasil estragado pelo clima de guerra?

(Estatísticas: Footstats)

 


Bahia perde chance de resolver confronto na noite da covardia de Zé Ricardo
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André Rocha

O Bahia cumpriu mais uma boa atuação na Arena Fonte Nova, se redimindo do péssimo desempenho contra o Sport fora de casa pelo Brasileirão. Intensidade, volume de jogo, Zé Rafael e Vinicius organizando e Elber e Edigar Júnior acelerando no quarteto ofensivo do 4-2-3-1 de Guto Ferreira.

Um baile pelo lado direito com João Pedro, substituto de Nino Paraíba, voando para cima de Henrique que não tinha o devido auxilío de Caio Monteiro. Também muita liberdade na entrada da área muito mal protegida por Wellington e Desábato, os volantes cruzmaltinos.

Terminou 3 a 0, poderia ter fechado em seis como resultado das 21 finalizações. Oito na direção da meta de Martín Silva, que sofreu novamente com a total desorganização do sistema defensivo da equipe. A prova na prática que escalar três zagueiros de ofício, mesmo numa linha de quatro, não garante solidez da retaguarda. Werley, improvisado na lateral direita, Paulão e Erazo totalmente perdidos.

Gols de Zé Rafael e Edigar Júnio no primeiro tempo e Vinicius na segunda etapa. Jogando ao natural, com facilidade. Muitos méritos do time da casa, ainda que tenha perdido a chance de resolver o confronto e garantir vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. De qualquer forma, a vantagem para a volta em São Januário não deixa de ser confortável.

O Vasco segue vivo, mas há muito a corrigir. E Zé Ricardo a refletir. O treinador que ganhou oportunidade no profissional pelo bom trabalho nas divisões de base do Flamengo deveria ter a mesma lógica na hora de colocar os jovens em campo. Mas a falta de paciência e confiança é assustadora.

Com 30 minutos de jogo tirou Bruno Cosendey para a entrada de Wagner. Com todos jogando mal e Wellington rendendo pouco há muito tempo, sacar foi queimar o menino que mudou o jogo na virada sobre o América. Representa também desvalorizar um patrimônio que pode através de uma venda futura reforçar os cofres de um clube afundado em profunda crise institucional e financeira.

Uma covardia, não há outro termo sem soar como eufemismo. E nenhuma questão técnica ou tática é capaz de justificar. Até porque, na prática, pouco acrescentou coletivamente ao Vasco, que sequer esboçou reação e só foi finalizar com perigo no final do jogo, com Kelvin.

Difícil de entender e aceitar a má vontade de um jovem treinador, campeão da Copa São Paulo há dois anos, com garotos. Antes Lucas Paquetá, hoje Bruno Cosendey. Qual será o próximo?

(Estatísticas: Footstats)


No Vasco rachado pela política, só a base pode salvar o futebol
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André Rocha

A eleição do presidente Alexandre Campello via Conselho e desrespeitando os votos dos sócios, que elegeram Julio Brant n polêmica eleição da já folclórica “urna sete”, foi uma das páginas mais negras da bela história de democracia e raízes populares do Clube de Regatas Vasco da Gama. Do estádio construído por sua gente, dos jogadores negros e de tantos gestos pioneiros.

É óbvio que criaria um racha político de consequências imprevisíveis. No poder, o lado mais fraco. Eleito pelas circunstâncias. Para Eurico Miranda perder, mas não permitir que Julio Brant vencesse. Um filme de terror que já teve renúncia de 13 vice-presidentes, agora acena até com possibilidades de impeachment de Campello, questionado pela negociação pouco transparente, segundo conselheiros, de Paulinho com o Bayer Leverkusen e por um suposto empréstimo feito com o ex-vice de patrimônio, Luiz Gustavo.

Estava claro também que tanta turbulência somada à crise financeira respingaria no campo. Ainda que Zé Ricardo tenha feito tudo para blindar seus comandados. Chegar à final do estadual e passar pelas etapas preliminares da Libertadores até sinalizaram a possibilidade de repetir o bom desempenho da reta final do Brasileiro de 2017.

A fase de grupos do torneio continental, porém, trouxe a realidade crua e dura na eliminação precoce com derrotas para Racing, Cruzeiro e Universidad de Chile na pior campanha do clube na competição até aqui. A retaguarda considerada sólida penou com três goleadas por 4 a 0 – Jorge Wilstermann, Racing e, a pior, para o Cruzeiro dentro de São Januário.

Restam Brasileiro e Copa do Brasil. Dentro de um elenco limitado e com a baixa de Paulinho sem reposição à altura, resta a Zé Ricardo deixar de lado uma prática que vem de sua primeira experiência no futebol profissional vindo da base do Flamengo: relegar os jovens a um papel secundário e escalar os mais experientes que deram sustentação ao seu início de trabalho. Antes a “gratidão” ao esforço de Gabriel que negou oportunidades a Lucas Paquetá.

Agora o treinador tem obrigação de dar mais minutos em campo aos jovens Caio Monteiro e Bruno Cosendey, protagonistas da virada sobre o América por 4 a 1 no sábado em São Januário. Não repetir o que fez com Ricardo Graça, de desempenho promissor nas primeiras oportunidades e infeliz como o time todo na goleada sofrida na Bolívia.  Automaticamente ficou atrás de Paulão e Werley na disputa por uma vaga na zaga.

As divisões de base são a tábua de salvação do Vasco neste momento. Tanto no retorno técnico em campo dentro de um elenco desigual e longe da primeira prateleira do futebol nacional quanto na possibilidade de negociação no futuro para salvar os cofres na caixa preta que é a gestão financeira a cada ciclo de um presidente. Foi assim com Eurico Miranda, Roberto Dinamite, agora Campello. O que mais virá por aí?

Se quiser salvar seu emprego e a sobrevivência digna do clube, Zé Ricardo precisa olhar com mais carinho para os meninos que são produtos de uma reestruturação do trabalho de formação. É a perspectiva a curto, médio e longo prazo para a grande incógnita que é o Vasco da Gama.


Corinthians sofre sem seu “camisa dez” nas conquistas recentes: o tempo
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André Rocha

Foto: Daniel Augusto Jr. /Agência Corinthians

Sim, muitos vão dizer que o verdadeiro trunfo corintiano é o “apito amigo”. Tema recorrente. E chato. Porque sempre o alvo é quem está vencendo no período. Já foi o Flamengo, o São Paulo, o Palmeiras, o Fluminense…Agora o maior campeão dos últimos dez anos no Brasil. Coincidência?

O vício de colocar tudo na conta da arbitragem é tão grande que já contaminou até a Liga dos Campeões, cada vez mais popular e com mais jogos transmitidos em TV aberta. O alvo? Claro, o Real Madrid bicampeão e em mais uma final. Um choro que parece inesgotável. Este que escreve prefere ficar com as declarações dos alemães Hummels e Muller após a eliminação do Bayern de Munique: culparam os próprios erros, a incompetência por não transformar 33 finalizações em mais de três gols no confronto. Sem “bengala”. Não por acaso são campeões do mundo.

Voltemos ao Corinthians. Duas derrotas seguidas, para Atlético Mineiro e Independiente. Perdendo os 100% e a liderança no Brasileiro e se complicando no Grupo 7 da LIbertadores, embora siga no topo da classificação e ainda com boas chances de garantir vaga nas oitavas de final.

Momento natural de oscilação na temporada. Todos passam por isto. E o elenco curto, desequilibrado e já desgastado por disputar o estadual até o fim sofre mais. Responsabilidade da gestão, que conta com estádio próprio, receita alta de TV e, mesmo assim, não consegue se equilibrar nas finanças e investir proporcionalmente.

Venceu em 2017 porque contou com o verdadeiro “camisa dez” do Corinthians nas conquistas recentes: o tempo. Para descanso e treinamentos. Do corpo e da mente. Fundamental para a equipe que prioriza o trabalho coletivo, a intensidade e a concentração.

Não houve como Fabio Carille corrigir com um mísero treinamento os muitos erros do revés no Estádio Independência no fim de semana. A preparação para o duelo com o “Rei de Copas” e atual campeão da Sul-Americana em Itaquera teve que ser na base da conversa e dos vídeos. Porque se a ideia é que o treino tenha a intensidade e a dinâmica do jogo, ainda que mais curto, o risco de lesão é praticamente o mesmo de uma partida oficial.

Ano passado não teve essa “roda viva”. Eliminado na Copa do Brasil pelo Internacional antes das oitavas de final e priorizando o Brasileiro durante a disputa da Copa Sul-Americana, o Corinthians teve semanas e semanas cheias de preparação, enquanto os rivais se degladiavam em outras frentes. Abriu vantagem no início e depois administrou até o fim.

O mesmo que ocorreu em 2011, no começo desta trajetória vencedora na década. Eliminado pelo Tolima antes mesmo da fase de grupos do torneio continental e sem a possibilidade de disputar a Copa do Brasil, concentrou esforços no Brasileiro e se impôs contra um Vasco campeão da Copa do Brasil e que se dividiu até o fim entre a principal competição nacional e a Copa Sul-Americana.

No ano seguinte, prioridade absoluta para a Libertadores e, depois da conquista, o Brasileiro foi uma longa preparação de Tite e seus comandados para o Mundial de Clubes. O último brasileiro a superar o vencedor da Liga dos Campeões.

O foco fez a diferença também em 2015. Eliminado nas oitavas da Libertadores e da Copa do Brasil, Tite teve tempo para ajustar seu 4-1-4-1 acrescentando conceitos ofensivos que estudou em seu 2014 “sabático” e fez o time voar na reta final jogando bem e bonito. Mais uma taça para a coleção.

Não é impossível terminar 2018 com mais uma conquista além do bi paulista. A mentalidade vencedora desenvolvida nos últimos anos não pode ser desprezada e se for possível priorizar algo com chances reais de conquista as chances aumentam consideravelmente. A parada para a Copa do Mundo deve ajudar na recuperação do gás para o segundo semestre.

Mas sem tempo entre aviões, hoteis e estádios, a missão fica bem mais difícil. Para qualquer um. Não é por acaso que o único time campeão brasileiro e da Libertadores na mesma temporada tenha sido o Santos de Pelé em 1962/1963. Mas fazendo apenas cinco jogos na Taça Brasil em 1962 e quatro no ano seguinte. E vencer a Copa do Brasil e o Brasileiro é um feito apenas do Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo e Alex em 2003. Campeão da Libertadores e da Copa do Brasil? Não existe. Culpa também de um calendário inchado e que é conivente com a estrutura federativa que sustenta CBF e federações.

Se fracassar, o Corinthians ao menos trará um alento para sua torcida e quem gosta mais de futebol do que de reclamar de arbitragem: sem taças não tem “mimimi”. Ou até terá, porque virou mania nacional. Afinal, dói menos diminuir quem dá a volta olímpica no final.

 


Goleada em São Januário reflete abismo entre Cruzeiro e Vasco
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André Rocha

Cruzeiro e Vasco empataram sem gols no Mineirão no dia quatro de abril. Jogo duro, com o time visitante ainda contando com Paulinho, joia da base cruzmaltina, cumprindo boa atuação e tendo chances de sair de Belo Horizonte com três pontos. Superando a equipe mandante em momento turbulento por conta da derrota para o rival Atlético na primeira partida da final mineira.

Quase um mês depois o reencontro na Libertadores. O tempo foi cruel com Zé Ricardo, que perdeu Paulinho, lesionado e depois negociado com o Bayer Leverkusen, e viu os problemas políticos e financeiros do clube se somarem às escolhas infelizes do próprio treinador para criar o cenário da inevitável eliminação na fase de grupos.

Depois da surpreendente recuperação no Brasileiro 2017 e da luta nas fases preliminares do torneio continental, o nível do grupo pesou. Racing emergente na Argentina e o Cruzeiro que oscila, mas segue com Mano Menezes no comando técnico e construindo uma identidade que busca unir competitividade e qualidade técnica.

O tempo favoreceu o treinador e o elenco celestes. A conquista do Campeonato Mineiro também aliviou a pressão de transformar investimento em desempenho e, por consequência, em resultados. O início da redenção em termos de desempenho se deu nos 7 a o sobre a Universidad de Chile. Beneficiado, sim, pelo gol de Thiago Neves na bola parada logo no início e da vantagem numérica ao longo do jogo. Mas ganhando confiança e uma nova cara.

No mesmo 4-2-3-1, porém com Lucas Silva se juntando a Henrique à frente da defesa, De Arrascaeta pela esquerda sendo o ponta mais articulador e Rafinha mais atacante, se juntando a Sassá, a alternativa à ausência do lesionado Fred. E Thiago Neves solto para desequilibrar, especialmente nas finalizações. Para completar, o crescimento de Egídio para abrir o campo e buscar a linha de fundo pela esquerda.

O lateral levou vantagem no duelo com Yago Pikachu foi responsável por três passes que terminaram em gols na primeira etapa. Leo, Thiago Neves e Sassá. Nas três primeiras finalizações do Cruzeiro em São Januário. Prenúncio da goleada por 4 a 0, completada também por Sassá na segunda etapa. Na quarta e última conclusão na direção da meta de Martín Silva. Para colocar o time mineiro praticamente classificado e na luta pela primeira colocação no Grupo 5 – a definição deve acontecer no confronto direto, desta vez no Mineirão.

Ao Vasco resta a luta com “La U” pela vaga na Copa Sul-Americana. Antes é preciso se reorganizar como clube, para que as diferenças políticas não passem dos bastidores para as arquibancadas e de lá para o campo. Zé Ricardo também precisa repensar suas escolhas. Os reveses e, principalmente, os muitos gols sofridos, têm a cota de responsabilidade do treinador. Mesmo com todos os “incêndios” que precisam ser apagados diariamente.

A fibra livrou de algumas derrotas. Também rendeu 55% de posse e 15 finalizações contra o Cruzeiro. Mas é muito pouco. A noite em São Januário apenas concretizou na frieza do placar o abismo entre os times brasileiros.

(Estatísticas: Footstats)

 


Racing atropela Vasco na noite das escolhas infelizes de Zé Ricardo
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André Rocha

É difícil se defender contra o Racing no Cilindro, em Avellaneda. O time de Eduardo Coudet tem muito volume de jogo na execução do arrojado 4-1-3-2. Também movimentação, com os meias Centurión, Solari e Zaracho se juntando a Lisandro López e Lautaro Martínez. Com o apoio incondicional de sua gente a missão fica ainda mais complicada.

Mas Zé Ricardo facilitou com uma formação que só faltou estender tapete vermelho para o time da casa atacar durante 45 minutos pela direita. Evander não tem intensidade para atuar pelo lado e deixou Henrique sozinho. Contra o lateral Saravia e mais Zaracho ou Centurión e Lisandro ou Lautaro. Mobilidade, trocas de passes e as arrancadas com dribles de Zaracho, o melhor em campo.

Por ali saíram dois gols, de Centurión e Lautaro. E dois pênaltis. O primeiro inexistente, do próprio Evander sobre Saravia e outro de Erazo derrubando Lautaro. Lisandro bateu ambos pessimamente para defesas de Martín Silva. No total, foram nove finalizações, sete no alvo. Podia ter terminado 4 a 0. E Zé Ricardo nada fez para corrigir.

Talvez porque o Vasco ofensivamente até criou alguns problemas, aproveitando os buracos que o time argentino deixa entre os quatro da defesa mais o volante Nery Domínguez e os cinco mais ofensivos. Mas foram cinco finalizações e nenhuma na direção do jovem goleiro Juan Musso.

Só no intervalo Zé Ricardo agiu. Trocou Evander por Rildo e mexeu na linha de meio-campo do 4-1-4-1 cruzmaltino. Wellington foi para o lado direito, Wagner centralizou e Rildo ficou pela esquerda. Até corrigiu razoavelmente o problema defensivo, mas não conseguiu conter o “arrastão” do Racing no início da segunda etapa.

Primeiro um golaço de Zaracho em bela arrancada e depois mais um pênalti, desta vez convertido por Lisandro, que correu o risco de repetir Martín Palermo desperdiçando três cobranças. Com 3 a 0 no placar, porém, ficou mais fácil ser corajoso. Depois foi controlar e descansar Lautaro e Centurión, além da substituição na volta do intervalo para preservar o zagueiro Sigali, já com cartão amarelo. Entrou Barbieri, que seguiu com pouco trabalho na segunda etapa.

Zé Ricardo só foi efetuar a segunda substituição ao 40 minutos da segunda etapa. Caio Monteiro no lugar do volante Bruno Silva. E acabou o jogo goleado com uma mudança a fazer. Difícil entender, ainda que o elenco não ofereça tantas opções assim.

No total, 62% de posse do Racing e 14 finalizações, dez no alvo. Um 6 a 0 não teria sido nenhum absurdo. Atropelo  do líder do Grupo 5, agora com sete pontos em três rodadas. O Vasco se complica, inclusive no saldo de gols que pode definir a segunda vaga. Agora está em cinco negativos. Mas serão duas partidas em São Januário para se recuperar.

A missão de Zé Ricardo é reorganizar o time com escolhas mais felizes e menos questionáveis que em Avellaneda.

(Estatísticas: Footstats)


Qualquer projeção para o Brasileirão é chute, puro e simples
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André Rocha

Todo ano era a mesma tortura. Fim dos estaduais e logo aparecia alguém pedindo projeções para o Brasileirão. Título, vagas na Libertadores, rebaixados. Em maio. Para um campeonato que acaba no fim de novembro. Com uma janela de transferências que parece nunca fechar. Agora Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil durando o ano todo.

E quem é pago para analisar tinha que recorrer ao tiro no escuro. Para ser cobrado depois porque para muita gente quem trabalha com futebol tem que ser adivinho e cravar o que vai acontecer, mesmo com tantas variáveis possíveis. Como se jornalistas de Economia ou Política tivessem que prever todas as oscilações de mercado ou diplomáticas e traçar um cenário preciso até o fim do ano para serem considerados minimamente competentes.

Na era dos memes e da zoeira que sempre carrega um pouco de covardia, mas dá para tirar de letra, o que é dito ou escrito tem que valer por seis meses. Se errar logo vêm os mantras “tá fácil ser jornalista”, “por isso não exigem diploma” e outras pérolas dos “jênios” da internet. Os profetas do acontecido que ficam calados no conforto do anonimato para garantirem que sabiam lá atrás e quem é pago para isso tinha que carregar a mesma certeza.

Mas como imaginar o que virá? Mesmo descontando toda a imprevisibilidade do esporte, no Brasil é ainda mais complicado. Imaginem os guias da competição já furados com as prováveis saídas de Everton do Flamengo para o São Paulo, de Maycon do Corinthians para o Shakhtar Donetsk e de Roger do Internacional para o Corinthians.

Sem contar que o time que joga o melhor futebol do país, o Grêmio, até por sua cultura copeira, deve novamente poupar jogadores na competição por pontos corridos e priorizar Libertadores e Copa do Brasil. E o Corinthians, atual campeão e favorito natural, desta vez não terá o respiro do ano passado e também dividirá esforços. Com elencos mexidos o tempo todo.

E os grandes orçamentos, como Flamengo e Palmeiras, regidos pelos humores e arroubos de dirigentes-torcedores, embalados por redes sociais? Com escolhas mais políticas que técnicas. Sem ideias ou norte, ao menos por enquanto. Só agora começam a entender a importância de ter uma identidade, como o Cruzeiro de Mano Menezes vai tentando implementar, mas também muito condicionado a resultados, até pelo alto investimento na formação do elenco.

São Paulo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Internacional, Atlético Mineiro, Bahia, Chapecoense, Vitória e o Atlético Paranaense de Fernando Diniz formam um “blocão” de incógnitas que podem circular entre zona de Libertadores e Z-4. Como de costume, Ceará, Paraná e América-MG, os times que subiram além do “gigante redimido”, são cantados como bolas da vez para cair pela famosa dificuldade de se manter depois do acesso. Ainda que Enderson Moreira e Marcelo Chamusca tenham trabalhos consolidados em seus clubes e possam, sim, tornar suas equipes competitivas. Quem vai saber?

Para completar, um campeonato com seus desequilíbrios por forças das circunstâncias. Como um time encarar os reservas do Grêmio e outro sofrer diante da equipe principal de Renato Gaúcho focada naquela rodada específica. Ou o time beneficiado pela perda do mando de campo do adversário. Três pontos que podem fazer toda diferença. Na tabela ou no estado de ânimo de uma equipe.

Por isso o equilíbrio que gera a emoção que muitos confundem como qualidade ou virtude. Será que nossos times vão usar a concentração e a organização não só para defender e teremos times atacando melhor? Ou será novamente o campeonato do futebol reativo, de contragolpe? Nenhum time vive e viverá mais este dilema do que o Santos do DNA ofensivo, mas agora comandado pelo pragmático Jair Ventura.

Com pressão por resultados, viagens e mais viagens e pouco tempo em campo para treinar é difícil imaginar algo mais elaborado. Por mais que os treinadores da nova safra tentem. E ainda tem o vestiário, ambiente sempre espinhoso e que diz muito da verdade do campo. Por isto a lacuna ainda não preenchida pelos jovens comandantes buscando afirmação para substituírem de vez os da “Velha Guarda”.

A sorte está lançada. Vejamos quem será o mais competente, contando também com a proteção tão bem-vinda do acaso. Palpites? Ainda bem que desta vez ninguém pediu nada ao blogueiro. Projeção a esta altura é chute, puro e simples. Melhor analisar rodada a rodada. Até porque quem pensa jogo a jogo sempre está mais perto da taça nesta loucura que é o Brasileirão.