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Flamengo 1 x 1 Vasco – Mais um clássico estragado pelo clima de guerra
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André Rocha

Aconteceu de novo. 40 faltas, muita reclamação desnecessária com arbitragem. Nervos à flor da pele e pouco, muito pouco futebol.

Desta vez foram Flamengo e Vasco os protagonistas deste espetáculo deprimente no Maracanã. Cada vez mais frequente. E certamente depois da partida só vão falar do trabalho da equipe comandada por Ricardo Marques Ribeiro. Ruim ao longo do jogo, desde o impedimento de Diego na origem da jogada que terminou na finalização de Everton Ribeiro e Vinicius Júnior abrindo o placar ao aproveitar falha de Martín Silva, que deu rebote de um chute nem tão forte. Confuso nos critérios para as expulsões de Rhodolfo, Cuéllar, Breno e Riascos na confusão do final do jogo.

Mas os jogadores em nada colaboram. Toda hora alguém pedindo cartão para faltas normais, fazendo escândalo se discordar de uma marcação. Criando um clima de pressão que só prejudica a partida. Futebol é detalhe. O jogador entra em campo com a obrigação de fazer tudo para que o torcedor não o considere apático. Entrada dura, carrinho para a lateral batendo no braço, chutões. Um jogo só sentido, nada pensado.

Uma lástima. O Flamengo até tentou tomar a iniciativa em boa parte do jogo, repetindo a ideia de jogo com mais trocas de passe e bola no chão desde que Mauricio Barbieri assumiu, ainda interinamente. Apesar do início ruim e das quatro finalizações do rival até a sua primeira ir às redes. Mas logo em seguida vacilar na jogada aérea e permitir o empate vascaíno com Wagner. Diferente de outras partidas, desta vez Diego foi bem e Lucas Paquetá mal. No saldo final, 63% de posse e oito finalizações. Apenas três no alvo.

Contra 15 do time de Zé Ricardo, que acertou sete vezes na direção da meta de Diego Alves. Novamente mostrando no clássico a consistência defensiva que não apresenta em outros jogos na temporada. Yago Pikachu travou bom duelo com Rodinei e Breno mostrou novamente que é o zagueiro mais confiável do elenco cruzmaltino. Ou dos que o treinador utiliza, já que o jovem Ricardo Graça segue escanteado.

Pelo menos não houve nada mais grave nas arquibancadas e foi um alento ver a área ocupada pelas duas torcidas juntas em paz. Mas ninguém mereceu sair com os três pontos. Até para não deixar o campo com a crença de que esses artifícios compensam. Não foram só dois pontos perdidos para cada lado, mas a chance desperdiçada de mostrar desempenho. Futebol. No apito final sobra muito pouco, quase nada.

Qual será o próximo clássico no Brasil estragado pelo clima de guerra?

(Estatísticas: Footstats)

 


Flamengo nas oitavas da Libertadores com boa atuação para superar o trauma
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André Rocha

É obrigatório contextualizar a situação do Flamengo para analisar a atuação da equipe na vitória por 2 a 0 sobre o Emelec no Maracanã. Valia vaga nas oitavas da Libertadores depois de três eliminações seguidas e vexatórias na fase de grupos.

A última traumática, no ano passado, para San Lorenzo e Atlético Paranaense. Ostentando com alguma sobra o maior orçamento do grupo, que ainda tinha a Universidad Católica. Vencendo o time chileno na despedida do Maracanã e saindo na frente com o gol de Rodinei no Nuevo Gasometro. Virada na Argentina e o Atlético vencendo no Chile. Misto de incompetência e muita falta de sorte.

Tudo isso foi levado para o Maracanã cheio. Com a massa apoiando, mas a tensão sendo transferida de dentro para fora do campo. Era obrigatório vencer um adversário que também precisava dos três pontos para seguir vivo. Se deixasse para definir no Monumental de Nuñez contra o River Plate as chances diminuiriam drasticamente.

Dito isto, por tudo que envolveu o jogo, a atuação do time de Mauricio Barbieri pode ser considerada boa. Por incrível que pareça, o treinador com menos grife e experiência consegue o que parecia impossível: combinar as características dos jogadores.

Rodinei é o lateral de ataque, de buscar o fundo. Renê segura mais e vai se especializando no trabalho defensivo. Tanto no um contra um como no posicionamento, fazendo diagonais de cobertura cada vez mais precisas. Desce na boa e dá liberdade a Vinicius Júnior para buscar jogadas individuais e infiltrações em diagonal. E o garoto ganha cada vez mais confiança e vivência entre os profissionais.

No meio-campo, Cuéllar protege, mas também passa. Lucas Paquetá faz tudo, embora ainda erre na circulação da bola prendendo muito em momentos inadequados. Mas se multiplica como o segundo homem de suporte ao volante na contenção e dos meias na articulação.

Everton Ribeiro merece um parágrafo à parte. Ou dois. O meia finalmente se encontrou em campo e passou a ter as companhias que precisa: do lateral passando no corredor quando ele corta da direita para dentro com a canhota e de um colega dando opção para tabela ou entrando exatamente no espaço deixado pelo ponta que vem para dentro. Com jogadores para dialogar no passe curto e não nos toques sem ideias buscando o lado para os cruzamentos seguidos, o futebol do camisa sete cresce demais.

Os gols da vitória foram a cereja do bolo de uma atuação que só não foi perfeita por um vacilo na saída e a perda da bola que gerou um contragolpe do Emelec que só não causou estragos pela presença de Rever. Este sim, numa noite sem erros e consertando vários equívocos dos companheiros. Perdendo Juan, que colocou duas bolas nas traves, no final do primeiro tempo e transmitindo segurança a Leo Duarte na segunda etapa.

Diego alternou passes de primeira que aceleraram ataques para Vinicius Júnior e a insistência em reter a bola e atrasar a transição ofensiva. Barbieri pode insistir para que ele recue menos e se posicione mais como um companheiro na frente de Henrique Dourado.

O centroavante é que destoou mais uma vez. Simplesmente não consegue dar sequência às jogadas e peca pela ansiedade na hora de finalizar – impressiona o contraste com a incrível segurança na cobrança de pênaltis. A ampliação da suspensão de Paolo Guerrero de seis para 14 meses é um duro golpe para o Fla. Com este ajuste crescente nas peças e mais volume de jogo a tendência era o peruano acrescentar muito com sua técnica e movimentação. Dourado terá que compensar com posicionamento e precisão no último toque. Faltou mais uma vez.

Vale a classificação antecipada, ainda que com sofrimento. Compreensível pelo histórico recente. Era preciso quebrar a barreira e a missão foi cumprida. A tarefa agora é seguir evoluindo, ganhar consistência. Com o jovem Barbieri, mesmo com seus erros normais de “pato novo”, parece haver uma luz mais à frente. Um rumo. No Flamengo do final da gestão Bandeira de Mello isto não é pouco.

 

 


Vitória da Chape é mais uma prova do mito do “elenco forte” no Flamengo
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André Rocha

Maurício Barbieri foi corretíssimo ao descansar alguns titulares na Arena Condá pensando na decisão contra o Emelec no Maracanã pela Libertadores. Os sinais de desgaste já tinham ficado claros no empate contra a Ponte Preta que valeu a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil.

Mas poupar significa enfraquecer um Flamengo que novamente deu provas que, na prática, tem o cobertor bem curto na qualidade do elenco. Mesmo com alto investimento em reforços e nas divisões de base.

A começar por Trauco, de volta à lateral esquerda e reforçando suas virtudes e seus defeitos. O peruano que deve estar na Copa do Mundo tem bom passe e acertou duas assistências para os dois gols do Fla. Guerrero, o primeiro na volta da suspensão por doping aproveitando falha grotesca do goleiro Jandrei, e Vinicius Júnior, que saiu do banco para contribuir com seu talento para que uma equipe naturalmente desorganizada pelas mudanças pudesse se impor mais uma vez através de lampejos.

Mas defensivamente é um desastre. Pior ainda sem o devido auxílio na recomposição de Marlos Moreno, outra contratação que até aqui não trouxe respostas em campo. Apodi e Guilherme voaram pelo setor do peruano. Inclusive no lance do único gol do primeiro tempo, de Canteros completando assistência do lateral veloz.

Sem Paquetá e Cuéllar, o meio-campo teve poder de marcação com Jonas e condução de bola com Diego e o jovem Jean Lucas, mas quase nada de circulação de bola através dos passes. Muito menos criatividade. Por isso Trauco acabou aparecendo com dois passes para gols.

Para piorar, o titular Juan acabou falhando também, na saída de bola que terminou no pênalti bastante discutível de Jonas que Guilherme sofreu e converteu em bela cobrança. Pareceu mais disputa por espaço que falta. Mas não dá para colocar a derrota por 3 a 2 na conta do árbitro Leandro Vuaden.

Porque Barbieri resolveu poupar Diego Alves para dar minutos a César, que acabou surpreendido pelo toque de Leandro Pereira, o substituto do suspenso Wellington Paulista, e com o pé colocou para dentro da própria meta nos minutos finais. Outra falha individual para a Chapecoense encerrar com vitória sobre o ainda líder uma sequência de quatro empates na temporada.

Mais uma prova de que a ideia de que o Flamengo tem elenco robusto para dividir esforços ao longo da temporada não passa de um mito. Se fica difícil combinar características e extrair qualidade no jogo coletivo com todos disponíveis, imagine mesclando titulares e reservas.

Sobreviveu na Copa do Brasil, manteve a liderança do Brasileiro pelo saldo superior a Corinthians e Atlético Mineiro e joga a tão desejada classificação para o mata-mata do torneio continental na quarta. Mas com um grupo de jogadores tão desigual e heterogêneo é difícil vislumbrar aonde pode chegar um dos maiores orçamentos do país que não consegue ser consistente na temporada.

Resta à maior torcida do país rezar para “São Paquetá” seguir tirando coelhos da cartola. Sem ele, o Flamengo não passa de um time bem comum.


Liderança do Flamengo significa quase nada além do topo da tabela
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André Rocha

Vitória, América e Ceará. Três rodadas, Duas vitórias, um empate. Sete pontos. Primeiro lugar na tabela de classificação.

Se fosse Corinthians ou Grêmio a ocupar esta colocação significaria pouco além da afirmação da autoridade da dupla formada pelo campeão brasileiro e o da Libertadores através de suas identidades de jogo. Confirmadas com as conquistas estaduais superando seus maiores rivais.

No caso do Flamengo, que terminou 2017 com uma conquista estadual, dois vices e a última vaga direta na fase de grupos do principal torneio continental e que no Carioca deste ano construiu a melhor campanha nos dois turnos vencendo apenas clássicos contra o Botafogo, mas perdendo e sendo eliminado pelo mesmo rival no confronto mais importante, significa quase nada.

Não só pelas muitas fragilidades dos adversários, que neste momento da temporada podem vislumbrar apenas a luta para seguir na Série A. Principalmente por conta da turbulência política, dos problemas no comando do futebol, da inexperiência do treinador Mauricio Barbieri e da própria inconstância tática do time. Sem contar as oscilações no aspecto mental em grandes jogos.

As três partidas até aqui tiveram seus simbolismos. Primeiro a estreia oficial do time sob comando de Barbieri, cercada de expectativas depois de um período de 17 dias sem jogos valendo três pontos. Empate em 2 a 2 contra o Vitória no Barradão com arbitragem polêmica. Na segunda rodada, despedida de Julio César em um Maracanã cheio e nostálgico. E a equipe precisou de intervenções importantes do goleiro para segurar os 2 a 0 sobre o América.

No Castelão, o apoio da massa cearense em contraste com o clima hostil no aeroporto ainda no Rio de Janeiro criou um ambiente positivo para o jogo. Ajudado pelo “efeito Paquetá”. Com o jovem no meio-campo, auxiliando Cuéllar no combate e na construção e dando liberdade a Diego para jogar mais próximo de Henrique Dourado em um 4-1-4-1 que na prática se transformava num 4-2-3-1, a equipe rubro-negra cresceu coletivamente. Mesmo ainda insistindo nos cruzamentos na primeira etapa, colocou mais a bola no chão e construiu os 3 a 0 com naturalidade.

Vinícius Júnior foi outro destaque com um gol fazendo a infiltração em diagonal que se espera dele desde a promoção para o profissional e também o posicionamento perfeito na área para completar a assistência de Rodinei. No terceiro gol, a imagem da rodada com Diego, que confirmou ter sofrido agressão na sexta, comemorando nos braços da torcida. Gesto que pode ser o início de redenção se for acompanhado de evolução no desempenho em campo.

Enfim, um alento. Também a esperança de dias de paz e de que enfim as peças encontrem encaixe – o lado direito com Everton Ribeiro abrindo o corredor para o apoio de Rodinei demonstrou uma sintonia ainda não vista. Necessita, porém, de sequência. Consistência. Começando pelo duelo contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Assim como no ano passado, o destino na Libertadores será decisivo para a sequência da temporada. Se cumprir a missão de passar da fase de grupos a atmosfera será outra. Mas se novamente for eliminado tudo se transforma numa grande incógnita para depois da Copa do Mundo.

Por enquanto, a liderança no Brasileiro vale apenas pelo simbolismo de alcançar o topo da tabela, algo que não acontecia desde 2011. Com o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. O de 2018 tem muito mais a provar.


Entra técnico, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Está repetitivo
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André Rocha

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1 – Que Diego é importante na bola parada, como na cobrança de escanteio que terminou gol de Henrique Dourado, logo aos sete minutos no empate do Flamengo por 1 a 1 com o Independiente Santa Fé no Maracanã com portões fechados. Mas atrapalha demais a fluência do time ao prender demais a bola e não arriscar passes que quebram as linhas da defesa adversária. De novo: domina, gira, dá mais um toque e toca para o lado. Atrasa tudo;

2 – Que no momento de dificuldade, quando o oponente nega espaços – como o Santa Fé do treinador interino Agustín Julio, armado num 4-2-3-1 – o time rubro-negro abusa dos cruzamentos. Ou depende deles para criar as melhores oportunidades. Jogadas aleatórias, nada pensadas. Desta vez foram 28, nem tantos em relação a outros jogos, mas simplesmente não há repertório;

3 – Quando acontece algo novo e surpreendente, como a bela tabela entre Diego e Paquetá logo aos dois minutos de jogo, a conclusão não é precisa. Desta vez foi Diego a desperdiçar. A primeira das 15 finalizações, seis no alvo. O Fla, porém, segue “arame liso”. Já o Santa Fé concluiu sete vezes, três no alvo. Na chance mais cristalina, Anderson Plata aproveitou contragolpe iniciado com passe errado de Diego e serviu Wilson Morelo, artilheiro da Libertadores com oito gols. Empate;

4 – No momento em que a coisa complica, os garotos precisam resolver. Ou assumem esta responsabilidade. Mas Vinicius Júnior e Lincoln, muito meninos, pecam pela afobação e Paquetá apela para as jogadas individuais. Mas insiste e na Libertadores o jogo é menos parado com faltas. Armou vários contragolpes do time colombiano na segunda etapa. Continua sendo o melhor da equipe, mas contribui pouco na construção, em fazer a bola circular mais rapidamente;

5 – E Dourado não pode exercer a mesma função de Guerrero. Não sabe fazer pivô, a bola bate e volta. É jogador de último toque e só. Saiu fazendo cara feia para o jovem treinador Maurício Barbieri, mas fora o gol nada produziu. Lincoln entrou com outras características, não é pivô. Assim como Filipe Vizeu. Fla ficou órfão deste suporte na frente e não encontra soluções para criar de outras formas.

Porque entra treinador, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Os mesmos erros, recursos semelhantes. O treinador assume, mantém praticamente os mesmos jogadores esperando resultados diferentes. Foi Rueda sucedendo Zé Ricardo, depois Carpegiani e agora Barbieri, que sem resultados não deve permanecer.

Qual será o próximo a sofrer com um time ancorado, sempre prestes a afundar? A equipe pode até inverter a lógica de 2017 e obter a classificação para o mata-mata da Libertadores com vitórias fora de casa. Mas se não subverter tudo e buscar novas saídas continuará previsivel, engessada. Com Maracanã lotado como no treino da véspera ou sem torcida.

O torcedor vai falar de garra, espírito…Talvez os jogadores pudessem até se posicionar exigindo uma ruptura. Mas como, se Diego, um dos principais líderes, é uma das causas do fraco desempenho coletivo? Em campo, o Fla tenta, mas não funciona. Por isso o desânimo. Não dá para vencer sempre na fibra.

Este time deve futebol e seguirá devendo se não houver um fato novo consistente. Com a atual diretoria comandada por Eduardo “Vamos Levando” Bandeira de Mello é improvável. Desculpe, está repetitivo. Mas é simples assim.

(Estatísticas: Footstats)


Parecia uma noite de Flamengo na Libertadores. Mas entrou Vinicius Jr…
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André Rocha

O Flamengo deu a impressão de que repetiria em Guayaquil a sina de 2017 na Libertadores: boa atuação fora de casa, mas sofrendo pelos erros de finalização, especialmente de Henrique Dourado. Também o individualismo de Lucas Paquetá, preferindo dribles e finalizações quando o passe era mais indicado.

Para complicar, o pênalti claro não marcado no toque de mão de Guagua em disputa com Everton Ribeiro e uma rara falha de Juan, que deixou as costas para Angulo infiltrar e fazer o gol do Emelec. Duro golpe para um desempenho correto na execução do 4-1-4-1, com entrega, liderança de Diego e mais personalidade do time que costumava ser frágil mentalmente.  Seria mais uma noite da sina recente no torneio continental de “jogou como nunca, perdeu como sempre”?

Seria, se Vinícius Júnior não tivesse entrado na vaga de Everton Ribeiro. Para jogar aberto pela direita, setor em que nem rende tanto quanto no lado oposto. Mas quando o time rubro-negro mais precisou o talento que fez o Real Madrid abrir os cofres atrás de um garoto de 17 anos apareceu como ainda não havia acontecido desde que subiu para os profissionais.

Faltava à equipe de Carpegiani a jogada diferente, o drible que desmonta a defesa adversária. Vinicius ofereceu seu repertório e dois gols numa virada que parecia improvável. O primeiro uma pintura em jogada pessoal, o segundo tabelando com Diego. Três finalizações, duas no alvo. Total de 21 conclusões do Fla, sete na direção da meta de Esteban Dreer, contra apenas nove dos donos da casa. 25 desarmes corretos dos brasileiros contra sete.

Um outro espírito, mas a diferença foi o talento. Não veio de Paquetá, mas no time das contratações milionárias outra joia da base resolveu. A mais reluzente e valiosa. Para encerrar uma invencibilidade de 16 jogos do Emelec e reescrever a história na vitória do Flamengo como visitante na Libertadores que não acontecia desde 2014.

(Estatísticas: Footstats)

 


Taça Guanabara não pode ser ilusão mais uma vez para o Flamengo
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André Rocha

Foram 33 cruzamentos em 90 minutos, mais os acréscimos. No vigésimo sétimo, o centro de Diego para Rever tocar e Kadu fazer contra. O gol para descomplicar um jogo em que o Boavista negou espaços com duas linhas de quatro  – Fellype Gabriel e Erick Flores voltando pelos lados com Pará e Renê.

O problema do Flamengo novamente foi a falta de jogadas mais criativas. Infiltrações em diagonal, tabelas por dentro. Difícil surpreender o adversário. Muito por causa de Diego. Parece perseguição, mas não é o caso. Inegável a importância do camisa dez pela liderança positiva, pela entrega absoluta, a concentração para auxiliar sem a bola na execução do 4-1-4-1. Em especial, a técnica nos cruzamentos e chutes, com bola rolando ou parada.

Mas repare que sempre que Diego recebe a bola e alguém se projeta para a jogada que vai furar as linhas de marcação o meia hesita. Domina, gira, dá mais um toque. Tempo suficiente para a marcação adversária se armar e só restar duas jogadas: abrir para um companheiro levantar a bola na área ou ele mesmo cruzar.

Para um time que planeja se instalar no campo de ataque e trabalhar a bola – terminou com 61,5% de posse – essa lentidão na circulação da bola na zona de decisão ou último terço atrapalha a criação de espaços. Não é o caso de barrar o camisa dez, mas tentar orientá-lo a soltar a bola mais rapidamente. Pode ajudá-lo, inclusive, na dura concorrência por uma vaga entre os 23 de Tite para a Copa do Mundo.

Em Cariacica, a tarde infeliz de Henrique Dourado até em jogadas simples complicou ainda mais. Mas pela disparidade entre as equipes , o time de Paulo César Carpegiani finalizou 20 vezes, cinco no alvo contra nenhuma do Boavista na direção da meta de César em um total de nove.

Com Rodinei e Vinícius Júnior, o time rubro-negro buscou mais o fundo na segunda etapa, ganhou velocidade pela direita e habilidade no um contra um do lado oposto. Com o cansaço do adversário a reta final foi de domínio absoluto e o segundo gol que definiu a conquista do primeiro turno do Carioca no lançamento de Everton Ribeiro que Vinícius Júnior raspou para tirar do goleiro Rafael.

21º título da Taça Guanabara e vaga garantida no quadrangular final do estadual. Mas não pode mais uma vez iludir pensando nas ambições do clube para a temporada, a começar pela disputa dura já na fase de grupos da Libertadores. Para a proposta de jogo de Carpegiani, nitidamente insatisfeito à beira do campo, há muito a evoluir. Na lógica do futebol brasileiro, os resultados ao menos ajudam a aumentar a confiança. Mas não bastam.

(Estatísticas: Footstats)

 


Sai Vizeu e chega Dourado no Flamengo. Afinal, a base é só para vender?
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André Rocha

Este blogueiro se lembra de ver Romário surgindo no Vasco em 1984 e Djalminha no Flamengo em 1990 nas preliminares do Maracanã. Era visível a ansiedade doa torcedores para vê-los nos profissionais e imaginando trajetórias de sucessos nos clubes. Um estreou nos profissionais em 1985 e foi negociado com o PSV em 1988, o outro subiu depois de ser o craque da Copa SP de 1990 e foi saído da Gávea em 1993.

Dois casos com desfechos bem diferentes, mas que em comum entregaram três anos de futebol no profissional a quem o revelou. Saíram, mas ao menos permitiram que o apaixonado pelo clube sonhasse com a possibilidade de construir uma história, mesmo não tão longa.

Hoje esse sonho é ilusão. O garoto surge antes mesmo do sub-20 já com a obsessão de jogar no exterior, os clubes europeus monitoram e contratam na primeira oportunidade. A única chance que resta é o comprador permitir que fique um tempo para ganhar cancha e minutos entre os adultos.

É o que acontece com Vinícius Júnior no Flamengo. Negociado com o Real Madrid e motivo de orgulho para os dirigentes porque o valor que receberam bancaria o orçamento das divisões de base por anos. Mas e o retorno técnico tão curto, com o jogador saindo aos 18 anos?

Ninguém calcula. E acha natural que agora o Flamengo negocie o atacante Vizeu, 20 anos, com a Udinese e contrate o rodado Henrique Dourado, 28, para a mesma função.

Sim, há um cálculo compreensível nesta combinação. Até junho o elenco terá Vizeu e Dourado, além do garoto Lincoln, como centroavantes e depois Paolo Guerrero, caso renove o contrato que vai até agosto, retorna de suspensão no lugar do atleta negociado que parte para a Itália.

Mas não parece loucura o clube vender o jovem promissor para trazer um jogador mais velho que pelas oscilações na carreira não passa de uma grande incógnita? É uma inversão de valores ou este que escreve quer uma utopia?

É óbvio que existe a possibilidade de Vizeu bater, voltar e não vingar como jogador em alto nível e o “Ceifador” empilhar gols e ganhar títulos no novo clube. No futebol tudo pode. Mas cabe a reflexão sobre as divisões de base: é só formar para vender mesmo? Tipo exportação e cada vez mais cedo?

O Santos resistiu com Neymar. Surgiu em 2009, partiu para Barcelona quatro anos depois deixando uma Copa do Brasil e a terceira Libertadores na sala de troféus. Se a negociação não deu o retorno esperado por questões legais, ao menos em campo a resposta foi ótima. Vizeu não é Neymar, talvez nem Vinicius Jr. chegue ao mesmo patamar, mas a lógica teria que ser a mesma.

Se a vontade do jogador tem que prevalecer, por que não buscar um plano de carreira que convença o garoto a ficar mais um pouco? Ou falta vontade para alimentar a criatividade e o único alvo são as cifras?

O futebol evolui e se torna mais complexo em todos os seus aspectos, mas essa nova ordem nacional de vender o jovem para contratar o experiente sempre vai soar muito estranha. Um paradoxo. Desta vez foi o Flamengo. Quem será o próximo?

 


Vitórias com a garotada dão respaldo ao trabalho correto do Flamengo
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André Rocha

Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo

Não há como garantir uma temporada bem sucedida do Flamengo em 2018. É até provável que com Paulo César Carpegiani no comando o time titular siga com as mesmas dificuldades do ano passado. Principalmente por ter um grupo de jogadores para privilegiar o jogo mais direto, de contragolpes, e não dentro da proposta do clube de propor o jogo no campo de ataque com posse de bola.

Mas uma coisa é inegável: o início de temporada é correto no planejamento e tem conseguido um saldo positivo na execução. O elenco voltou às atividades no dia 13 de janeiro com estreia no Carioca marcada para o dia 17.

A solução foi utilizar a garotada sub-20 e aos poucos inserir os profissionais já dando minutos em ritmo de competição. Uma escolha arriscada pelo resultadismo característico do nosso futebol, ainda mais com a urgência da maior torcida do país e a repercussão de tudo que acontece na Gávea e no Ninho do Urubu. O São Paulo estreou com derrota poupando os titulares e a pressão começou cedo.

Mas os meninos responderam bem, em desempenho e resultado. Na Copa São Paulo, chegando à final contra o São paulo, e nos primeiros jogos do estadual. Três vitórias, quatro gols marcados e nenhum sofrido. Ainda que Volta Redonda, Cabofriense e Bangu não sejam parâmetro de avaliação, ser testado com visibilidade dá “casca” aos garotos.

Também aumentaram a confiança de Vinicius Júnior. Já com cinco gols no profissional ao ir às redes diante da Cabofriense, novamente na Arena da Ilha. A joia do Real Madrid ainda a serviço do Fla também serviu Lincoln no gol da vitória sobre o Bangu após bela jogada individual. Na partida que marcou o retorno do jovem de maior destaque em 2017: Lucas Paquetá.

Léo Duarte voltou muito bem na zaga, Jean Lucas vai ganhando cancha, Ronaldo retornou com o espaço que tanto pediu antes de partir para o Atlético-GO. E ainda Lucas Silva, Vítor Gabriel, Klébinho, Thuler, o goleiro Gabriel Batista…Todos aproveitando o estadual para consolidar um dos momentos decisivos na carreira de qualquer jogador: a transição da base para o profissional.

A grande questão a resolver é que os garotos, por características, também precisam de espaço para acelerar, não trabalham com toques rápidos e deslocamentos para abrir defesas mais fechadas. Algo a ser trabalhado por titulares e reservas, já que o time, em qualquer competição, entrará com a responsabilidade de atacar na maioria das partidas.

A boa notícia para Carpegiani é que o treinador ganha opções. Se o titular não corresponder já terá um jovem menos verde para lançar num jogo maior, em um momento mais importante da temporada. O torcedor conhece, sabe o que esperar. A “grife” sem desempenho ganha uma sombra real que pode minimizar a ida do clube mais tímida ao mercado até aqui.

Como deve ser. Como é tradição nos momentos mais vencedores do Flamengo. As vitórias dão respaldo ao técnico, aos meninos e tranquilidade aos titulares na volta, já pensando em Libertadores. Não assegura o sucesso, mas já é um bom início.

 


Palmeiras e Flamengo, decepções em 2017 com caminhos opostos no novo ano
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André Rocha

Para o tamanho do investimento e a expectativa gerada, Palmeiras e Flamengo tiveram desempenho e resultados decepcionantes em 2017. Por mais que se compreenda que não basta ter dinheiro para construir um bom time de futebol, em nenhum momento as equipes apresentaram rendimento que as colocassem como favoritas na prática aos títulos que disputaram. Especialmente a Libertadores, tratada como prioridade. Apesar do vice brasileiro do alviverde e da Copa do Brasil pelos rubro-negros.

Portanto, o fim da temporada deveria servir para reflexões e ajustes na rota para o novo ano. Por força das circunstâncias, os clubes acabaram tomando caminhos opostos.

O Palmeiras agiu rápido. Manteve o interino Alberto Valentim até o fim da competição nacional, mas, antes disto, anunciou Roger Machado como treinador e começou o planejamento. Desta vez sem loucuras. Manutenção da base e reforços nas carências detectadas: laterais com Marcos Rocha e Diogo Barbosa e articulação com Lucas Lima.

O elenco ainda não se apresentou, mas é possível vislumbrar, dentro da visão do novo comandante, o Palmeiras num 4-2-3-1 com um meio-campista fazendo o lado direito da linha de meias. Como Giuliano no Grêmio e Elias no Atlético Mineiro. Para este que escreve Tchê Tchê seria interessante, por já ter atuado na lateral e a possibilidade de formar boa dupla com Marcos Rocha.

Do lado oposto, Dudu seria o ponteiro mais vertical, buscando as infiltrações em diagonal para se aproximar do centroavante que pode ser Borja, até porque todo treinador que chega fica tentado a buscar uma solução para a contratação milionária que não vingou antes dele. Deyverson e Willian seriam opções.

Na zaga quem estiver melhor faz dupla com Mina, ao menos até o meio do ano. Na frente da defesa, Moisés deve ser recuado para que Lucas Lima atue na função em que se sente mais confortável. Mais fixo na proteção, Felipe Melo e Bruno Henrique devem disputar a titularidade em uma proposta baseada em protagonismo pela posse de bola, setores próximos e movimentação ofensiva.

Tudo ainda numa análise baseada em hipóteses, mas que já deixa claro que o time paulista pode até não conseguir resultados melhores e as conquistas esperadas. Desta vez, porém, o trabalho foi feito de forma mais racional e o grupo de jogadores parece mais homogêneo. Inclusive com as chegadas de Weverton e Emerson Santos. A melhor notícia é ter praticamente tudo definido na reapresentação.

Eis o dilema do Flamengo, que fechou 2017 em 13 de dezembro, perdendo a final da Copa Sul-Americana. Desde então convive desconfortavelmente com a indefinição do treinador Reinaldo Rueda, que ainda não confirmou se fica no clube em meio a sondagens e propostas de clubes e seleções sul-americanas.

Rueda tem o direito de resolver seu futuro com calma, mesmo com contrato em vigor. O problema mais grave é a insegurança da direção do clube no momento de contratar ou dispensar. Pode perder o timing na ida ao mercado.

Ainda que a base seja mantida, por convicção ou necessidade. A informação oficial é de que, no momento, só há cinco milhões de reais disponíveis para contratações. Os nomes de Zeca e Pablo surgem no noticiário como bem encaminhados, mas tudo parece em suspenso.

É possível pensar numa estrutura com Diego Alves na meta, Réver e Juan na zaga, Cuéllar no meio-campo, as incógnitas Diego Ribas e Everton Ribeiro na articulação, Lucas Paquetá e Vinícius Júnior pedindo passagem nas pontas do 4-2-3-1 e outra grande questão: quando Paolo Guerrero poderá retornar ao time? Sem ele, suspenso por doping até maio, Filipe Vizeu e Lincoln parecem verdes para assumir a responsabilidade no ataque.

Ainda assim, segue como um time que pode ser forte com Rueda ou outro treinador que consiga combinar melhor as características dos jogadores e fazer o time deixar de ser dependente das jogadas pelos flancos e dos muitos cruzamentos. É preciso sair do dilema de se obrigar a propor o jogo como filosofia – pela tradição do clube, exigência da torcida e por conta do investimento realizado – e ter atletas com estilo mais reativo, que necessitam do espaço para criar. A impressão é de que o Fla precisa de ruptura, um giro de 180 graus, e Rueda tem um estilo mais administrador, que faz ajustes sem alterar o modelo de jogo.

Em meio aos altos e baixos naturais no calendário brasileiro, ainda mais com uma Copa do Mundo no meio, trabalhar certo em janeiro não garante felicidade em dezembro, mas ajuda bastante. O Palmeiras sai na frente com inteligência e agilidade. Perder tempo era tudo que o Flamengo não precisava para começar 2018.