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Classe de Jorginho no Chelsea de Sarri mostra o tamanho do vacilo de Tite
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André Rocha

Não foi surpresa para quem acompanhava  o Napoli comandado por Maurizio Sarri, que só não venceu o Italiano porque existe a Juventus. Na estreia pelo Chelsea na Premier League, o ítalo-brasileiro Jorginho ditou o ritmo no meio-campo atuando fixo à frente da defesa e ainda marcou o segundo gol sobre o Huddersfield cobrando pênalti.

O primeiro da vitória por 3 a 0 fora de casa foi de Kanté, jogando como meia pela direita no 4-3-3. Pisando na área adversária para finalizar bela jogada pela esquerda de Willian, já que Hazard, voltando de férias, começou no banco de reservas. Entrou na vaga do brasileiro e num rápido contragolpe serviu Pedro para fechar o placar.

Para quem viu o Milan da “árvore de Natal” de Carlo Ancelotti e com Kaká no auge vai lembrar de Pirlo armando o jogo de trás e Gattuso e Ambrosini marcando por ele para que o “regista” recebesse a bola limpa. É a mesma lógica com Jorginho, Kanté e Barkley. O primeiro é o que pensa. Com classe e inteligência.

Ainda que a dinâmica do futebol atual, especialmente o inglês, não garanta tanta liberdade para os jogadores mais recuados. Há muito mais pressão, no campo todo. O Chelsea de Sarri teve alguns problemas para transformar a posse de bola (64%) em infiltrações.

Subiu de três finalizações para doze,  quatro no alvo, na segunda etapa com mais espaços para os contragolpes. Mas ainda precisa se adaptar ao jogo de transições, bate-volta na Inglaterra. Para uma estreia como visitante, porém, já foi bem interessante. Inclusive para o goleiro Kepa, milionária reposição a Courtois. David Luiz também foi bem na última linha defensiva, agora com quatro homens. Mais responsável no balanço defensivo.

Tudo no ritmo de Jorginho. O volante que pensa e passa. Que o futebol brasileiro não vinha produzindo até Arthur. O novo camisa cinco dos Blues foi moldado na Itália. Mesmo antenado e atento ao que acontece nas principais ligas europeias, Tite demorou a perceber. Quando notou, ele já estava identificado com o futebol italiano e percebeu mais chances de ser titular na Azzurra. Mesmo ficando fora da Copa do Mundo. Um vacilo sem tamanho do treinador da CBF e sua comissão técnica.

Não que a seleção possa abrir mão de Casemiro, mas seria possível compor, adaptar. Bastava demonstrar interesse real de contar com ele entre os convocados com regularidade. Não deu tempo. Como atenuante para Tite, o fato de assumir com dois anos de atraso e gastar um ano para colocar o Brasil na Copa e outro para se colocar como uma seleção competitiva em alto nível. Sem muitas brechas para experiências.

Seja como for, a boa atuação no Chelsea é a prova de que adaptação rápida não é problema para Jorginho. Desfrutemos então de sua classe pela TV no futebol europeu. É o que resta.

(Estatísticas: BBC)

 


Pedro salva o Fluminense e uma tradição carioca no Brasileiro
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André Rocha

Foto: Lucas Merçon/FFC

No clássico em São Januário, o Vasco pecou por não aproveitar uma atuação que chegou a ser constrangedora tecnicamente do Fluminense no segundo tempo da estreia sob o comando de Marcelo Oliveira. Principalmente depois do gol de Andrés Rios que parecia encaminhar a vitória cruzmaltina.

Mas a defesa vacilou nos minutos finais. Logo contra Pedro. Primeiro um golpe de cabeça que Martín Silva salvou e, no rebote, Pablo Dyego chutou na trave com o goleiro uruguaio caído. Mas logo depois Breno permitiu que o centroavante limpasse e tocasse na saída de Martín. Empate por 1 a 1.

De novo o camisa nove salvando um Fluminense que perdeu Abel Braga e muito de sua identidade. Como time e clube. Sem investimento e agora sem uma figura que o simbolize. Resta Pedro, produto do trabalho nas divisões de base.

O atacante de 21 anos não é apenas um jogador para atuar como referência apostando na estatura (1,85 m) e na presença física para definir no toque final. Sabe sair da área, abrir espaços, fazer pivô e trabalhar coletivamente. Inclusive com boa visão de jogo.

E o principal: decide. Em termos de precisão, é, com alguma folga, o melhor finalizador do futebol carioca. Muito se debateu sobre as funções táticas de um nove moderno durante a Copa do Mundo. Mas é preciso contextualizar: Giroud tinha Mbappé e Griezmann como protagonistas, Gabriel Jesus se sacrificava por Neymar e Philippe Coutinho. Se não há um jogador mais qualificado para colocar a bola nas redes, o centroavante tem que aparecer.

Pedro não se esconde. Já tem sete gols no Brasileiro, mesmo número que o consagrou como artilheiro do Campeonato Carioca em 13 jogos. Com mais um na Sul-Americana, totaliza 15 na temporada. Está empatado com Willian, do Palmeiras e atrás de Roger Guedes, com nove. Mas o Palmeiras negociou o atacante que estava no Atlético Mineiro com o Shandong Luneng, da China. A disputa fica ainda mais aberta.

Se Pedro mantiver o desempenho e a eficiência, é possível que o futebol carioca preserve sua tradição de contar com o goleador máximo na principal competição nacional. Como Henrique Dourado no próprio tricolor no ano passado, dividindo a artilharia com Jô, do Corinthians, com 18 gols.

Na lista de principais artilheiros da história do Brasileiro, os seis primeiros fizeram história única ou especialmente no Rio de Janeiro: Roberto Dinamite, Romário, Edmundo, Fred, Zico e Túlio Maravilha. Na era dos pontos corridos, a liderança é de Fred, que marcou 103 de seus 139 gols pelo Flu. Com a unificação das edições desde 1959, o Rio de Janeiro teve por 23 anos um representante na liderança absoluta ou dividindo o topo da lista de goleadores. Um a mais que São Paulo.

Sem nenhuma comparação técnica entre os artilheiros, Pedro pode repetir o feito. Caso fique por aqui até o fim do ano. Mas o jovem centroavante também precisa da ajuda do próprio time, que está apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento. Não dá para salvar sempre.

 


Lesões podem moldar o Brasil mais “corintiano” de Tite
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André Rocha

A lesão de Danilo, substituto de Daniel Alves, abriu espaço para Fagner na lateral direita. E a atuação do jogador do Corinthians na vitória sobre a Costa Rica foi bem satisfatória. Sem comprometer atrás e sabendo o momento de atacar por dentro ou bem aberto. Fez belo cruzamento na cabeça de Gabriel Jesus no início do segundo tempo. Bola no travessão.

Agora Douglas Costa é quem se contunde. Mais uma vez. Infelicidade depois de entrar pela direita no segundo tempo da última partida criando espaços com dribles e acionando os atacantes. No contragolpe, assistência para Neymar no última ataque. Willian pode seguir no time.

Mas a tendência, até pela vantagem do empate contra a Sérvia e depois, caso classifique, nos jogos eliminatórios é reforçar o meio-campo. Pode ser com Fred, mas Renato Augusto está na frente. Não só por ser jogador de confiança de Tite e ter entrado bem contra a Suíça, mas também por ter sido o titular na Eliminatória.

Caso se confirme, teremos o Brasil mais “corintiano” de Tite. Não só porque Fagner e Renato Augusto jogaram na equipe campeã brasileira de 2015, mas principalmente pelas características. Partindo do deslocamento de Philippe Coutinho para a ponta direita no 4-1-4-1. Ou seja, o jogador que parte do flanco e vem para dentro circulando às costas dos volantes adversários para criar superioridade numérica no meio e abrir espaços para os companheiros.

No Corinthians era a função de Jadson. Deixando o corredor para Fagner, mas também para os deslocamentos de Elias e Vagner Love. Na seleção, funções que seriam de Paulinho e Gabriel Jesus ou Firmino. Jogadores que vem sofrendo pelo desenho um pouco mais engessado na frente com dois ponteiros típicos.

O 4-1-4-1 possível com Fagner e Renato Augusto na vaga que seria de Douglas Costa, mas deslocando Coutinho para o lado direito ser o “ponta articulador” das Eliminatórias, abrindo espaços no corredor para Fagner, Paulinho e Gabriel Jesus (Tactical Pad).

Repete a dinâmica da Eliminatória, mas com uma diferença: Fagner é mais agudo que Daniel Alves, que atacava mais por dentro e o Brasil não tinha uma opção de velocidade na chegada ao fundo. Necessário por ter um ponta que é meia e se desloca.

Casemiro seguiria protegendo a defesa, como fazia Ralf. Marcelo e Neymar alternariam o posicionamento aberto e por dentro. Com mais liberdade, já que contarão com o suporte de Renato Augusto na proteção do setor e na saída de bola. Mais do que era preciso defensivamente com os jovens Guilherme Arana e Malcom. Em tese, uma formação mais equilibrada.

No final do ano do hexacampeonato brasileiro do Corinthians, Tite disse em entrevista a este blogueiro que, sem nenhum tipo de comparação técnica, tinha o Barcelona do trio MSN como referência na organização ofensiva. Messi como o ponta criativo, Suárez que muitas vezes entrava no espaço do argentino e Neymar como ponteiro mais atacante infiltrando em diagonal. Levou para a seleção e mudou pelas circunstâncias. Pode retornar agora.

É legítimo questionar os nomes escolhidos e os critérios do treinador. Mas ao menos na combinação de características é, em tese, um time mais homogêneo. E Tite já conheceu o sucesso com esta fórmula. Sofrendo um pouco no início para voar no final em 2015. É o que se espera três anos depois, na rota do hexa.

O Corinthians campeão brasileiro de 2015, referência de Tite para o início do trabalho na seleção. Jadson é o ponta que vem por dentro e Elias, Love e Fagner aproveitavam o espaço (Tactical Pad).

 


Flamengo comprova sua força, Palmeiras segue na “montanha russa” de emoções
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André Rocha

O Flamengo sem seus três zagueiros experientes e também o lesionado Diego claramente sentiu a pressão do ambiente nos primeiros minutos no Allianz Parque. O treinador Mauricio Barbieri também sacou Henrique Dourado para aproveitar Filipe Vizeu o máximo de minutos antes da partida para a Udinese. O resultado foi um time bastante jovem, com seis oriundos das divisões de base. Por isso, assustado nos primeiros vinte minutos.

Mas quem errou foi Rodinei, que tinha várias opões para cortar um cruzamento da direita e tomou a pior decisão: um golpe de cabeça fraco, no pé de Dudu. Longe do adversário, deu espaços para o cruzamento que encontrou Bruno Henrique e deste para Willian ir às redes aos seis minutos.

Um time confiante e seguro teria amassado o líder do campeonato até os 15 minutos. O Palmeiras, também com desfalques importantes, até tentou, pressionando muito Lucas Paquetá, que novamente prendeu demais a bola, e atacando com volume, fazendo Diego Alves trabalhar muito. Mas quando a equipe de Roger Machado é obrigada a diminuir a pressão o time controla mal o jogo. Murcha. E a torcida, que também não confia muito, deixa a arena morna.

Foi o suficiente para que o organizado time de Barbieri, novamente no 4-1-4-1, encontrasse no lado direito com Rodinei e a aproximação de Jean Lucas a válvula de escape, enquanto Everton Ribeiro passou a aproveitar os espaços às costas de Felipe Melo e Bruno Henrique, os volantes do 4-2-3-1 alviverde, que estavam muito concentrados em não dar brechas a Paquetá.

O primeiro tempo terminou com 53% de posse do Fla e seis finalizações, quatro na direção da meta de Jailson. Destaque para o Palmeiras nos 12 desarmes certos, o dobro do adversário. Foi o que sustentou a vantagem.

De novo a intensidade e a torcida quente no início do segundo tempo. Mas foi esfriando, esfriando…E o Flamengo tomou conta. Empatou no gol do jovem zagueiro Matheus Thuler subindo mais que Thiago Martins pregado no chão e completando escanteio de Rodinei. Podia ter virado não fosse o individualismo de Paquetá e um chute fraco sem goleiro de Vinícius Júnior, novamente disperso e reclamando muito da arbitragem. Ainda uma finalização perigosa de Everton Ribeiro.

Na reta final, Barbieri preferiu administrar o empate. Trocou Arão por Jean Lucas, depois tirou Vizeu e colocou Marlos Moreno para tentar acelerar os contragolpes e, por fim, Jonas na vaga de Everton Ribeiro. Roger tentou com Lucas Lima, Artur e Papagaio, mas apenas num abafa sem grande criatividade. Time muito tenso com o peso da responsabilidade. Terminou com mais finalizações – 14 a 13, cinco no alvo. Mas a maioria muito deficiente, inclusive de Bruno Henrique livre na entrada da área rubro-negra. Saiu bem longe.

Nos acréscimos, a confusão geral que terminou nas expulsões de Jailson, Dudu e do zagueiro reserva Luan do lado do time mandante e Cuéllar, Jonas e Henrique Dourado, também no banco, pelos visitantes. Desnecessário. Mas o fraquíssimo árbitro Bráulio da Silva Machado não teve peito para dar mais minutos com Moisés na meta alviverde.

O Fla também não reclamou. O empate foi resultado satisfatório, fechando os primeiros 12 jogos com surpreendentes 27 pontos para o contexto do início do Brasileiro. Pelos desfalques, o time demonstrou solidez e consciência. Faltou contundência. Algo a melhorar na volta, sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior.

O Palmeiras segue com oito pontos de distância para o líder. Podia ser pior pelo que aconteceu na partida. A missão de Roger e de todos no clube é aproveitar a pausa pra a Copa do Mundo e tentar estabilizar o time mentalmente e minimizar a “montanha russa” emocional que torna tudo tão incerto e inconstante.

(Estatísticas: Footstats)


Vitória em jogaço traz a resposta para o Palmeiras: faltava confiança
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André Rocha

Foi o melhor jogo do Brasileirão 2018 até aqui. Mesmo com a queda de qualidade na segunda etapa com a saída de Maicon. O Grêmio, que vem sofrendo sem Ramiro, perdeu ainda mais força no meio-campo. E Arthur também deixou o campo, restando ao time de Renato Gaúcho partir para o “abafa” nos minutos finais.

Nada que tire o mérito da vitória do Palmeiras por 2 a 0, no reencontro de Roger Machado com a Arena do tricolor. Com sua equipe em nenhum momento se limitando a defender. Apostando nos movimentos de Hyoran e Dudu cortando da ponta para dentro e Willian se movimentando e finalizando muito. Além dos dois gols, duas finalizações nas traves de Marcelo Grohe no primeiro tempo. Agora tem seis e é artilheiro da competição junto com Roger Guedes.

O grande destaque da segunda vitória seguida do alviverde, depois da virada por 3 a 1 sobre o São Paulo. Trazendo a resposta para a dúvida que persistia. Time mal treinado ou falta de confiança? A pressão sobre Maicon e Arthur prejudicando a fluência gremista e a velocidade nas ações ofensivas, desde os passes no meio com Felipe Melo e Bruno Henrique, mostraram claramente a estratégia para o duelo. Ainda que 29 faltas, nove sobre Luan, tenha sido um exagero. O desempenho coletivo, porém, foi consistente.

Foram oito finalizações, mas cinco no alvo. Posse dividida e acertou apenas vinte passes a menos que o adversário. Desarmou, interceptou e driblou mais. Jogando de igual para igual contra uma equipe que mesmo desfalcada seguia intimidando em seus domínios.

Resgatando a força mental para se impor e encerrar uma sequência de 15 partidas sem derrotas em casa do campeão da Libertadores. Também se recolocar matematicamente na condição natural de um dos favoritos ao título. E, o mais importante, ganhar confiança e créditos para o momento de pressão absurda que vem a cada derrota. Algo desproporcional, sem propósito e que pouco ajuda na evolução do desempenho. Ainda mais no Brasileirão do perde-ganha. Que sirva de aprendizado para a sequência da temporada.

(Estatísticas: Footstats)

[Em tempo: SIM, o Palmeiras também tinha desfalques – Antonio Carlos, Edu Dracena, Diogo Barbosa, Keno, Borja… É importante deixar claro, ainda que o texto seja só elogios à atuação palmeirense e a menção às ausências gremistas tenha um contexto dentro da frase. Afinal, no Brasil do pensamento binário para muitos torcedores o que não é elogio só pode ser perseguição ou coisa de “anti”.]


Só os 100% garantem a paz de Roger Machado no Palmeiras?
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André Rocha

O Palmeiras precisou de oito minutos de pressão e alta intensidade no Allianz Parque para marcar os gols de Antônio Carlos, aos três do primeiro tempo, e Borja aos cinco do segundo, que garantiram a vitória por 2 a 1 sobre o Santos no primeiro clássico do time em 2018. Aos sete da primeira etapa ainda carimbou a trave de Vanderlei na cobrança de falta de Lucas Lima em sua primeira partida contra o ex-clube.

Mas depois o time de Roger Machado abdicou um pouco do seu jogo, permitindo que o Santos tivesse a bola – terminou com 52% de posse, segundo o Footstats –  e ocupasse o campo de ataque. Mesmo finalizando dez vezes contra sete do rival, a postura cautelosa parece muito focada no resultado, que tinha sua importância, mas neste início de temporada não deve ser tratado como prioridade.

Mais valia seguir exercitando a saída de bola com Felipe Melo, o grande destaque individual neste início de trabalho, se juntando aos zagueiros Antônio Carlos e Thiago Martins e liberando os laterais Marcos Rocha e Victor Luís. Ou a troca de Lucas Lima e Tche Tche, com o meia recuando para qualificar o passe e o volante se aproximando do trio de ataque para acelerar as ações no último terço do campo.

Só que Roger sabe que precisa dos resultados para ganhar confiança. O time necessita, mas ele principalmente. “Se as coisas não acontecerem serei cobrado”, disse na coletiva depois do jogo. Escaldado pelo que aconteceu com Eduardo Baptista, ainda que agora não tenha uma sombra do tamanho da de Cuca, que esmagou seu sucessor/antecessor em 2017.

Precisa ser assim sempre? Por mais que time grande, ainda mais com tamanho investimento, viva de vitórias, será que é tão fundamental assim jogar por resultado na quinta partida do ano? Só os 100% garantem a paz do treinador para trabalhar?

Em março de 2015, o Santos venceu o Palmeiras pelos mesmos 2 a 1. Quem lembra deste primeiro clássico, ou mesmo da conquista do Paulista pelo alvinegro praiano nos pênaltis se na final mais importante, a da Copa do Brasil, o alviverde foi o campeão superando o rival? O mesmo vale para a semifinal do estadual em 2016. O Santos levou, mas o palmeirense não vai tratar como um fracasso no ano em que voltou a ser campeão brasileiro depois de 22 anos.

Será que vale dar ouvidos à histeria imediatista de torcedor e parte da imprensa sacrificando a oportunidade de exercitar o modelo de jogo que busca o protagonismo durante os noventa minutos e fazer experiências no estadual em nome dos três pontos que nem eram tão fundamentais assim, já que mesmo com derrota o time seguiria líder do Grupo C?

Impossível não lembrar de Dunga em sua segunda passagem pela CBF em 2014 como treinador. Vitórias em amistosos tratados como verdadeiras finais para “resgatar a imagem do futebol brasileiro” depois dos 7 a 1. De que valeu se no início da disputa das eliminatórias e nas edições da Copa América sua equipe fracassou em desempenho e resultados, fazendo a seleção brasileira perder dois anos de trabalho que podem custar caro a Tite na Rússia?

O próprio Roger teve experiência amarga no Atlético Mineiro. Campeão mineiro, melhor time da primeira fase da Libertadores. O treinador falou em “respaldo para trabalhar”. Mas bastou um começo hesitante no Brasileiro emendado com o vacilo contra o Jorge Wilstermann nas oitavas da Libertadores para vir a demissão. De que serviu o bom primeiro semestre se no dia 20 de julho estava desempregado?

O Palmeiras não precisa estar pronto agora. Pode dar mais minutos para Willian, Borja e Dudu afinarem a sintonia, com o camisa sete agora mais articulador acionando os dois companheiros finalizadores. E quando os ponteiros buscam a diagonal, Tche Tche aparece no espaço para buscar o fundo do campo, alternando com os laterais. Movimentos que precisam ganhar naturalidade até a estreia na Libertadores.

Sem essa urgência insana por vitórias. Quem vai lembrar no final do ano que o time era o único 100% da Série A nos cinco primeiros jogos da temporada se a equipe não for bem nas competições mais importantes?

Não é querer ser “parnasiano”, “romântico” ou “moderninho” por “desprezar” o resultado. Muito menos desrespeitar a história de um dos clássicos mais tradicionais do nosso futebol. Só uma questão de lógica. Estadual é sequência de pré-temporada. A evolução pensando no futuro vale mais que os pontos ganhos hoje. Ou deveria valer.

 


Tite vê Neymar mais completo no PSG: “não mudou, mas agregou qualidades”
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André Rocha

Foto: divulgação CBF

Não é fácil falar com Tite. Nunca foi simples conseguir um minuto do treinador da seleção brasileira, ainda mais com Copa do Mundo se aproximando. Seja Zagallo, Dunga, Felipão…

Com Adenor Leonardo Bacchi, a demanda fica ainda maior pelo sucesso no trabalho de recuperação e de resgate da autoestima do futebol cinco vezes campeão do mundo pós 7 a 1. Na impossibilidade de uma exclusiva, que este blogueiro conseguiu por duas vezes nos tempos de Corinthians, e na dificuldade até de um contato por e-mail, tão frequente nos últimos seis anos, surgiu a chance de tentar ao menos uma pergunta.

Foi no Footlink, evento promovido no Rio de Janeiro por Paulo Angioni e Eduardo Barroca, aos quais agradeço pelo convite. O tema era preparação de seleções para a Copa do Mundo. Estiveram presentes também Sebastião Lazaroni, técnico da seleção na Copa de 1990, e Reinaldo Rueda, atual treinador do Flamengo e que comandou Honduras em 2010 e Equador no último Mundial.

As perguntas do público presente eram enviadas por e-mail para um endereço indicado pela organização. Tive a sorte do colega Gilmar Ferreira, mediador do debate, selecionar o meu questionamento a Tite – também enviei perguntas aos outros dois, mas minha expectativa era pela resposta do atual técnico do escrete canarinho.

Reproduzo aqui a questão enviada: você diz que trabalha baseado no que os jogadores fazem em seus clubes. Mas como fazer quando o jogador muda de time e de função? Sim, me refiro ao Neymar – ponta no Barcelona e agora mais articulador e condutor de bola no PSG.

O resumo da resposta de Tite: “Neymar mudou, mas agregou qualidades. Ele pode trabalhar por dentro, mas também ser usado do lado. Continua forte no um contra um e está mais completo. Vai trazer tudo isso para a seleção”.

O blogueiro não discorda da resposta inteligente do treinador. Mas viu com preocupação Neymar buscando a bola demais no empate com a Inglaterra em Wembley. Diante de linhas defensivas bem posicionadas, o camisa dez exagerou um pouco na condução e praticamente não chegou a fundo. Afunilou as ações ofensivas, exatamente para a região mais congestionada e com mais pressão.

Como Marcelo não apoia tão aberto, e Tite ressaltou em seu momento de exposição no evento esta diferença em relação à maneira de atuar do lateral do Real Madrid, o Brasil não conseguiu abrir o jogo, espaçar a retaguarda inglesa e sofreu para criar oportunidades, especialmente na primeira etapa.

Porque Neymar deixou de ser um ponteiro que recebe pela esquerda e parte para a jogada pessoal para chegar ao fundo ou infiltrar em diagonal e servir Messi e Suárez para se transformar praticamente num meia no PSG que recua e tenta armar as jogadas para Mbappé e Cavani. Como previsto neste blog, no time de Unai Emery o brasileiro é mais Messi e Mbappé é mais Neymar na equipe francesa.

Neymar mudou, sim. E levou essa alteração na movimentação em campo para a seleção. Só que na equipe de Tite o ponta articulador que sai do flanco para o centro é Philippe Coutinho, não Neymar. Com isso perdeu um pouco a infiltração letal do camisa dez, assim como o drible de ponta que abre as defesas.

Preocupante, mas com soluções. Ou resgatar essa dinâmica de atacante pelo flanco do início do trabalho de Tite na seleção, especialmente no período de treinamentos para a Copa na Rússia. Ou mudar o time. Com Willian, que tem mais características de ponteiro pela direita, Neymar pode circular mais sem que o ataque perca amplitude e profundidade. Questão de ajuste.

Valeu mesmo foi a chance de fazer ao menos uma pergunta a um dos homens mais requisitados e midiáticos do país. Algo que deve ficar ainda mais concorrido até junho de 2018.

 


Com Willian, Brasil ganha cara de Real Madrid de Ancelotti. Neymar é CR7
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André Rocha

O gol de Neymar na cobrança de pênalti sobre Fernandinho com ajuda do árbitro de vídeo (VAR) logo aos oito minutos descomplicou um início com Japão pressionando e tirando espaços de uma seleção com natural desentrosamento pelas seis mudanças em relação à base titular.

Mas o amistoso em Lille – sem estádio lotado por conta dos ingressos caros – teve sua utilidade exatamente porque a falta de tempo até o Mundial da Rússia faz com que Tite não trate como mais um compromisso e aproveite cada oportunidade de reunir os jogadores para fazer observações e experiências.

No primeiro tempo ficou bem claro que a equipe com Willian, que tem mais perfil de ponteiro que Philippe Coutinho, ganha uma cara mais de 4-3-3 do que 4-1-4-1. Em vários momentos foi possível notar os três atacantes bem adiantados em relação aos meio-campistas. Com uma variação: exatamente o recuo de Willian pela direita formando uma segunda linha de quatro.

Fernandinho, escalado na vaga e na função de Renato Augusto, trabalhou sem bola como uma espécie de “guardião” de Marcelo, abrindo pela esquerda para fechar os espaços e liberar Neymar, cada vez mais atacante em dupla com Gabriel Jesus. Ainda assim nervoso, perdendo a segunda cobrança de pênalti e levando um amarelo desnecessário em nova intevenção do VAR.

Em 2014, o ano “sabático” de estudos, Tite foi a Madri acompanhar o Real do amigo Carlo Ancelotti. Campeão da Liga dos Campeões daquela temporada. Time montado num 4-3-3 que variava para o 4-4-2 com Bale voltando pela direita, Di María no meio abrindo pela esquerda para ajudar Marcelo e dar liberdade a Cristiano Ronaldo.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Na cabeça de Tite, Neymar é Cristiano Ronaldo. O talento desequilibrante. Sem comparações, obviamente. Apenas o posicionamento mais solto e a importância para o time.

Os 3 a 1 valeram para rodar o time, ver que a disputa pela última vaga na defesa está aberta com a atuação hesitante de Jemerson, que falhou no gol de Makino. Também que a equipe muito mexida, com Diego Souza, Alex Sandro, Renato Augusto, Taison e Douglas Costa, sofreu na segunda metade do segundo tempo para conter os ataques japoneses.

Principalmente pelo terceiro gol, de Gabriel Jesus em bela trama coletiva. Desde a pressão na perda da bola no lado esquerdo até a inversão, a ultrapassagem de Danilo e a assistência do lateral do Manchester City que vai ganhando de Fagner a vaga na reserva de Daniel Alves.

O golaço de Marcelo usando o pé direito num petardo também foi válido para o lateral do Real Madrid, tão criticado, recuperar confiança e mostrar que os problemas do clube não o abalam com a camisa verde e amarela. Melhor assim.

Contra a Inglaterra, Tite deve escalar todos os titulares para um teste de peso. Mesmo com as muitas baixas do adversário é a primeira chance de enfrentar a escola europeia. Com o retorno de Coutinho a dinâmica ofensiva muda. Vejamos se Tite revela alguma surpresa. Quem sabe com o meia do Liverpool mais por dentro, como Isco no time atual do Real Madrid, comandado por Zidane?

Se assim for, Neymar continuará sendo o CR7 da seleção.

 


Fernandinho na vaga de Renato Augusto é Tite definindo seus 15 “titulares”
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André Rocha

A Espanha foi campeã do mundo em 2010 utilizando 15 jogadores por ao menos três partidas em sete – de início ou saindo do banco de reservas. Seguindo este mesmo critério, Joachim Low trabalhou com 16 na campanha do tetra alemão no Brasil há três anos.

É a tônica nas Copas, não só entre as seleções que vencem. Um time titular inicial, quase sempre modificado ao longo do torneio em uma ou duas posições e outros dois ou três reservas utilizados na maioria das partidas. Ou seja, no mínimo sete jogadores entram em um ou dois jogos, no máximo. Normalmente naquela partida já definida ou no terceiro jogo da fase de grupos com o país já classificado.

Em 2010, Dunga utilizou 13 em pelo menos duas partidas num total de cinco. No Brasil, Luiz Felipe Scolari trabalhou com 17 em no mínimo três jogos. Ou seja, mesmo em seleções com irregularidade no desempenho e indefinição do treinador, a média não muda.

Tite sinaliza a entrada de Fernandinho na vaga de Renato Augusto para o amistoso de sexta-feira contra o Japão em Lille, na França. Ou seja, o volante que, em tese, seria o reserva de Casemiro entra na vaga de um dos meias por dentro no 4-1-4-1 brasileiro.

Nenhuma novidade para o meio-campista do Manchester City, que já atuou mais adiantado em outros momentos da carreira, inclusive no próprio clube inglês. Mas, principalmente, é o reconhecimento de Tite a um jogador marcado pelos 7 a 1 – injustamente, porque atuou mal porque ficou praticamente sozinho na intermediária brasileira levando botes seguidos de Khedira, Kroos e Schweinsteiger dentro de um time totalmente desorganizado – que evoluiu demais desde que passou a trabalhar com Pep Guardiola.

Na leitura de jogo, em especial. Inteligência para se posicionar, distribuir o jogo e ainda aparecer à frente, mesmo dividindo o setor com meias essencialmente ofensivos como Kevin De Bruyne e David Silva. Sabe mudar o comportamento no momento da perda da bola, logo pressionando e fechando linhas de passe. Acima de tudo, entende a necessidade de se apresentar como opção de apoio para os companheiros.

Com Casemiro, pode recuar para fazer a saída de bola e liberar o volante do Real Madrid, como Kroos e Modric fazem no plano de jogo de Zidane. Nada tão diferente do que Renato Augusto realiza, mas Tite tem razão em se preocupar com seu jogador de confiança que tem mostrado intensidade abaixo dos companheiros por disputar a liga chinesa, de menor exigência.

Para o próximo amistoso faz ainda mais sentido pela ausência de Diego Ribas, com dores musculares. O meia do Flamengo é tratado como reposição a Renato Augusto, mas a impressão que fica é de que se nada de excepcional acontecer até o Mundial, caso esteja na lista final fará parte dos sete ou oito que entrarão em campo poucas vezes ou nenhuma.

Porque o time base parece definido, com dúvidas no gol entre Alisson e Ederson, na zaga entre Marquinhos, Miranda e Thiago Silva e no meio-campo, exatamente pela inconstância de Renato Augusto, com Fernandinho correndo por fora.

Ou seja, 14 jogadores disputando posições. A outra opção que vem sendo frequentemente usada e não deve mudar é Willian. Sempre pela direita. No lugar de Philippe Coutinho, como deve ocorrer na sexta, ou de Renato Augusto, com Coutinho centralizando e o desenho tático variando para um 4-2-3-1. Ou até na vaga de Neymar, numa emergência. Neste caso, Coutinho inverteria o lado e atuaria pela esquerda.

Quinze “titulares” para o Mundial. Como o mais provável é que um goleiro seja definido como titular, pode ser que outro jogador durante a Copa seja um reserva utilizado com frequência para descansar titulares. Talvez Giuliano ou Roberto Firmino. Os outros oito apenas numa necessidade ou queda brusca de produção de um ou outro atleta entre os que iniciam as partidas.

Preocupante por essa consolidação tão precoce e pelo risco de precisar de jogadores sem muitos minutos com Tite e, em alguns casos, desempenho confiável para entrar no time em momentos decisivos. Mas é compreensível para um trabalho curto e com pouco tempo de maturação até a estreia na Rússia. O treinador deve monitorar e estimular ainda mais obsessivamente seus escolhidos para que o rendimento não caia.

Principalmente os 15 homens de Tite.

 


Fim dos 100% do Brasil de Tite é compensado pelo valor do teste
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André Rocha

O calor e a umidade em Barranquilla foram obstáculos tão grandes quanto a boa atuação da Colômbia no segundo tempo, não por acaso coincidindo com a maior produção de James Rodríguez, o meia central do 4-2-3-1 armado por Jose Pekerman. Na jogada bem trabalhada do camisa dez com Arias contra Filipe Luís sem o suporte de Renato Augusto, o cruzamento na cabeça de Falcao García, que se antecipou a Marquinhos para empatar.

Um raro vacilo brasileiro dentro de uma atuação segura de acordo com o contexto. Tite acertou ao acrescentar Fernandinho e Roberto Firmino às mudanças obrigatórias – Thiago Silva no lugar do lesionado Miranda e Filipe Luís no lugar do suspenso Marcelo. Descansou Casemiro e guardou Gabriel Jesus para a segunda etapa na vaga de Firmino, que não brilhou mas novamente contribuiu coletivamente. Mais importante: experimentou sua equipe.

Manteve Willian entre os titulares e o ponteiro pela direita do 4-1-4-1 correspondeu com bom trabalho no setor, em dupla com Daniel Alves. E ainda apareceu no centro para receber passe de Neymar, após lançamento preciso de Fernandinho, para acertar um chutaço no ângulo de Ospina. Golaço único da primeira etapa, logo depois da parada para a retirada de um cachorro do gramado.

A assistência de Neymar foi o ápice de uma atuação mais solidária. No esforço na recomposição e, principalmente, por soltar mais rapidamente a bola e fazer o jogo fluir. Quando tentou as jogadas individuais era o único recurso, como na bela arrancada desde a intermediária brasileira até a área colombiana no segundo tempo. O craque voltando aos eixos, mesmo sem desequilibrar, foi uma boa notícia.

Também a confiança do treinador ao arriscar novamente Philippe Coutinho no lugar de Renato Augusto, mudando o desenho tático para o 4-2-3-1 com o recuo de Paulinho, novamente atuando mais avançado na linha de meias. O Brasil nunca abdicou de jogar e isto é sempre positivo e merece reconhecimento.

Assim como a manutenção do desempenho, mesmo com quase meio time alterado. O fim dos 100% de aproveitamento com Tite nas Eliminatórias era esperado, até pelo peso zero do resultado na classificação. Importante foi o valor do teste e a boa resposta de maturidade de uma seleção que parece pronto, mas ainda está em formação.