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Maracanã elétrico de Libertadores faz a diferença para o Flamengo
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André Rocha

Torcida não ganha jogo sem resposta do time em campo. Mas a atmosfera criada pela massa rubro-negra no Maracanã lotado por mais de sessenta mil pagantes, desde o mosaico simulando o gol de Zico na final da Libertadores em 1981, nitidamente desestabilizou o Atlético Paranaense no início da partida.

O Flamengo sentiu a ausência de Everton e Mancuello nem tanto pela improvisação no meio-campo de Trauco pela esquerda no 4-2-3-1. O peruano cumpriu bem a missão pelo lado e fechando o meio e encaixou lindo lançamento para Guerrero ir às redes logo aos seis minutos e subir ainda mais o tom das arquibancadas.

O problema era Renê na lateral esquerda, claramente sentindo o peso do jogo e sofrendo ora com Nikão, ora com Douglas Coutinho em uma equipe paranaense igualmente desfalcada, sem Otávio e Felipe Gedoz no meio-campo, mas compensando com bom desempenho com Matheus Rossetto.

Instintivamente o Fla buscava mais o lado direito, mas Gabriel não conseguia dar o melhor acabamento às jogadas. Mas quando Arão infiltrou no tempo certo, o cruzamento, mesmo com desvios, encontrou Diego para a finalização perfeita do segundo gol. Aos 15 minutos, para deixar o adversário ainda mais zonzo. O camisa dez ainda acertou o travessão e um bom passe vertical para Guerrero.

Por isso aumenta a preocupação com sua lesão no joelho. Sem ele e com Matheus Sávio, a equipe penou para acertar as transições ofensivas em velocidade na segunda etapa e surpreendentemente encontrou em Marcelo Cirino, substituto de Gabriel, uma válvula de escape para cima do frágil Sidcley.

Paulo Autuori tentou dar agilidade na frente com Grafite e João Paulo e volume no meio com Luiz Otávio. Faltou contundência ao time que teve 54% de posse, porém finalizou apenas três vezes, duas no alvo. Incluindo o gol de Nikão, completando, impedindo, jogada pela direita que iniciou com falha de Renê na saída de bola.

O Fla foi eficiente, acertou na direção da meta de Weverton sete das dez conclusões. Nos minutos finais, incluindo cinco de acréscimo, a calma para tocar a bola mesmo com a improvisação de Márcio Araújo no lugar do lesionado Pará, que deu lugar a Cuéllar e deixou o time ainda mais desfigurado.

A torcida jogou junto e o apito final foi celebrado com alívio e do tamanho da importância da vitória que alça o time à liderança do Grupo 4 com o empate entre Universidad Católica e San Lorenzo.

Em disputa tão parelha no jogo e no grupo, o Maracanã elétrico de Libertadores fez a diferença para o Flamengo.

(Estatísticas: Footstats)


Berrío pode até marcar gol de título. Ainda assim será um erro do Flamengo
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André Rocha

Trinta e quatro minutos do segundo tempo de um Fla-Flu em Cariacica que não valia muita coisa para a sequência da Taça Rio de um esvaziado Campeonato Carioca. Poucos segundos depois da expulsão de Pará que deixou o rubro-negro com dez homens.

Orlando Berrío, considerado o mais veloz do mundo depois de Gareth Bale, arranca desde a intermediária, deixa todos para trás com facilidade. Mas na hora de definir o lance à frente de Diego Cavalieri adianta de forma grotesca e praticamente atrasa para o goleiro tricolor. O jogo estava 0 a 0. No apito final, 1 a 1 com o Fla buscando o empate no minuto derradeiro com Willian Arão.

O Flamengo terminou 2016 com o consenso de que precisava buscar um atacante diferente dos pontas velocistas que dispunha no elenco. Já que o técnico Zé Ricardo tem a ideia de propor o jogo, ocupar o campo de ataque e ficar com a bola para criar espaços, a necessidade era de um ponteiro driblador e criativo. Também bom finalizador, para ajudar uma equipe que precisa de muitas chances para ir às redes.

O nome era Marinho, que até deu preferência ao Fla no caso de ficar no Brasil. Parou na China. Veio Berrío, credenciado pelo título da Libertadores conquistado pelo Atlético Nacional. Em 12 jogos no torneio continental, marcou quatro gols e serviu três assistências. Na Copa Sul-Americana, em oito jogos com classificação para a final com a Chapecoense que não aconteceu foi às redes apenas uma vez e entregou também um passe para gol.

Mas neste caso os números não eram tão relevantes. Berrío é forte e muito veloz. Se for preciso faz todo o corredor pela direita, indo e voltando. Mas nas características principais não difere muito dos jogadores que o clube já utilizava – Gabriel, Everton e Marcelo Cirino, que acabou não saindo para o Internacional.

A personalidade e a entrega em campo até cativaram o torcedor. O gol na estreia contra os reservas do Grêmio na Primeira Liga ajudou, embora a tola expulsão na única derrota da temporada para a Universidad de Chile pela Libertadores tenha esfriado a empolgação da massa.

Mas efetivamente Berrío contribui bem pouco no que o Flamengo mais precisa: criatividade para abrir a defesa. O time que se propõe a atacar o tempo todo só tem pelos lados atletas que precisam de espaço para acelerar. Não têm a técnica e a habilidade como principais virtudes.

Ou seja, Berrío chegou para ser mais um. Este que escreve confessa que percebeu a incoerência da contratação desde o início, mas concedeu o benefício da dúvida e esperou para ver se por um desses acasos do futebol o encaixe funcionaria ou aconteceria um “milagre”, ainda que com prazo de validade – como Paulinho, ponteiro que brilhou na Copa do Brasil 2013 para depois sumir aos poucos até deixar o clube.

Até aqui as perspectivas não são as melhores. Berrío luta, tem fibra. Mas na técnica entrega bem pouco, mesmo em um contragolpe com muito espaço para correr. Como no Fla-Flu em Cariacica.

A torcida anda impaciente com Rafael Vaz e Márcio Araújo. Mas estes foram peças importantes na boa campanha no Brasileiro de 2016 e a manutenção no elenco para este ano tinha sua lógica, ainda que com a titularidade questionável.

Já Berrío pode até fazer gol de título. Mesmo assim continuará sendo um erro de avaliação da comissão técnica e da diretoria. O ponta que o Flamengo continua precisando não é o colombiano.


A aula de futebol coletivo do Fluminense que só se concretizou nos pênaltis
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André Rocha

A leitura do clássico do Engenhão que, em futebol e emoção, redime o futebol carioca depois de tantas crises e agruras e não merecia torcida única ou portões fechados parece bem clara: com o suspenso Douglas e o lesionado Gustavo Scarpa em campo, dificilmente o Flamengo teria levado a decisão da Taça Guanabara para os pênaltis.

Você viu primeiro AQUI que o Fluminense de Abel Braga já sinalizava um futebol envolvente, ainda que os adversários no Carioca e na Copa do Brasil se mostrassem muito frágeis. As ações ofensivas do 4-1-4-1 tricolor aconteciam naturalmente com mobilidade, triangulações, o jogo entre linhas chamava atenção.

No Fla-Flu, os desfalques apresentaram uma vantagem na prática: com Wellington Silva invertendo o lado para a entrada de Richarlison e sendo transferido para o setor direito, o time ganhou uma dupla de velocidade e intensidade para cima de Trauco sem o auxílio constante de Everton.

Mas Wellington começou a desequilibrar no primeiro contragolpe que deixou claro que seria muito complicado para a retaguarda do Fla conter a rapidez das transições ofensivas do rival. Especialmente na recomposição das bolas paradas a favor. Arrancada, Pará escorregou e o ponteiro saiu na cara de Muralha.

A resposta do Flamengo acontecia nos cruzamentos. A equipe de Zé Ricardo foi a antítese do Flu. Lenta, engessada, sem profundidade e criação. Diego novamente foi importante pela experiência, liderança, personalidade. Mas é difícil criar espaços com um meia que não tenta um passe vertical furando linhas de marcação.

Restavam os cruzamentos. Assim saiu a virada, com Arão e Everton. A defesa do Flu ainda não havia sido vazada no Estadual, mas em outras partidas, principalmente na semifinal contra o Madureira, mostrara muitos problemas com o jogo aéreo.

Mas curiosamente foi num cruzamento despretensioso que o Flu achou um pênalti no toque de Guerrero, quando a atmosfera no Engenhão era favorável ao rival. Henrique converteu e inverteu as forças. Em nova recomposição lenta e desorganizada, a defesa rubro-negra viu Lucas aparecer à frente de Muralha. Passe vertical de Wellington que Diego e Mancuello não encaixaram, sequer tentaram ao longo da partida. Virada.

O segundo tempo foi de controle tricolor, fechado num 4-1-4-1 com entrega e concentração sem a bola e saídas rápidas pelos flancos, no ritmo da dupla equatoriana Sornoza e Orejuela, atuando mais adiantado com a entrada de Pierre na vaga de Douglas.

As trocas de Zé Ricardo demonstravam mais desespero que um plano de jogo. Berrío e Gabriel nas pontas, depois Vizeu na área do Flu com Paolo Guerrero e Everton deslocado para a lateral esquerda. Rondou a área, mas com um paradoxo: jogadores velozes, mas pouco (ou nada) criativos, para abrir a defesa. E Diego mais recuado na articulação. Com espaços, apareceu em chutes de longe e alguns bons passes. Mas nenhum que quebrasse o bloqueio.

Abel tentou minimizar a pressão e acelerar os contragolpes reoxigenando o meio e o ataque com Calazans, Marquinho e Marcos Junior. O desgaste da viagem a Sinop, da volta de ônibus e da necessidade de buscar a virada por 3 a 1 na Copa do Brasil era nítido.

A bola parada salvou o Fla. O goleiro Julio César, seus companheiros, o Engenhão e quem estava assistindo na TV esperava a cobrança de Rafael Vaz. Guerrero surpreendeu com um toque magistral, digno dos melhores no ofício.

Empate que não refletiu o que foi o jogo. Ainda que o Fla tenha controlado a posse (53%) finalizado 16 vezes contra 12 – sete a seis no alvo. O Fluminense teve fluência, jogadas mais agudas, trabalho coletivo. Chances mais cristalinas. Ideias.

Uma aula de futebol moderno que só se concretizou nos pênaltis. Quatro cobranças precisas do lado tricolor. Do rubro-negro, algo atípico: este blogueiro não se recorda de uma equipe escalando os dois zagueiros para bater penalidades na primeira série. Coincidência ou não, Rever atrasou para Julio César e Rafael Vaz bateu para fora.

Fluminense campeão do primeiro turno. A má notícia é que desta vez se vencer o returno, mesmo assim haverá fase final. Obra do regulamento esdrúxulo. O Flamengo agora deve focar na Libertadores. E há muito a melhorar para a estreia contra o San Lorenzo na reabertura do Maracanã na quarta-feira.

(Estatísticas: Footstats)

 


Flamengo é 100% em resultado, mas não evoluiu o desempenho em jogos grandes
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André Rocha

Os três primeiros jogos oficiais contra equipes de menor expressão no Carioca deixaram a impressão de que o objetivo maior de Zé Ricardo na temporada começava a ser alcançado: tornar o Flamengo mais criativo, imprevisível.

Por isso a escalação de Mancuello como ponta articulador para tornar o 4-2-3-1 mais móvel e criar espaços dentro de uma ideia de propor o jogo, ocupando o campo de ataque com posse de bola.

Foram 11 gols marcados e um sofrido em três partidas. Protagonismo, trocas de passes, mobilidade, pressão na saída de bola dos adversários. Mancuello saindo da ponta e Pará, Arão, Diego e até Guerrero aparecendo pela direita. Um repertório mais amplo.

Mas bastou enfrentar dois times grandes, com elencos mais qualificados e com postura defensiva por conta do contexto para o time rubro-negro repetir um equívoco dos momentos mais complicados do Brasileiro de 2016: a insistência em tocar a bola até abrir o jogo e levantar na área.

Foram 25 cruzamentos diante do Grêmio nos 2 a 0 pela estreia na Primeira Liga no Mane Garrincha e mais 31 nos 2 a 1 sobre o Botafogo no Engenhão que garantiram classificação para as semifinais da Taça Guanabara e os 100% de aproveitamento na temporada.

Mesmo considerando que é um reinício de trabalho com pouco mais de um mês e jogos seguidos, sem muito tempo para treinamentos, não deixa de ser algo a ser observado e corrigido. Principalmente porque sem espaços e diante de oponentes mais atentos e bem posicionados, Mancuello apareceu pouco.

Porque o time, na dificuldade, ainda procura o flanco para efetuar o cruzamento. Usando pouco as diagonais, as tabelas no centro. Sem ideias. Toca, toca, toca e joga na área. Neste cenário, a função de Mancuello perde o sentido e a equipe uma peça para as combinações com Pará e Arão.

Não por acaso, o argentino deu lugar a Berrío no segundo tempo das duas partidas e Everton seguiu em campo. Confortável com a proposta antiga, o ponta velocista foi destaque com dois gols e boas jogadas.

Diego segue com liderança, inteligência, presença de área e bons passes. Mas o toque de primeira para fazer o jogo fluir, furar as linhas de marcação e acionar o companheiro que se desloca em situação mais confortável não acontece. Na proposta de Zé Ricardo é fundamental para criar a brecha na retaguarda postada. Missão para o meia criativo.

Há também falhas defensivas de quem joga com a última linha adiantada e não consegue ter intensidade para manter a pressão sobre o adversário com a bola em boa parte do tempo. Contra o Bota, erros de posicionamento em cruzamentos que ocasionaram duas finalizações no travessão de Leandrinho poderiam custar o empate com os reservas do rival que só pensa em Libertadores.

As cinco vitórias transmitem confiança e tranqüilidade para o trabalho seguir. Mas a seqüência precisa de evolução. Nos dois jogos maiores até aqui o Flamengo que se viu foi o estagnado, que sofreu e, na reta final, deixou de disputar o título nacional do ano passado. O que Zé Ricardo não quer ver em 2017.


Zé Ricardo testa Mancuello como “dublê” de Conca no Flamengo
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André Rocha

Crédito: Gilvan de Souza (Flamengo)

Crédito: Gilvan de Souza (Flamengo)

Dario Conca já trabalha na recuperação da séria lesão no joelho para poder estar apto o quanto antes para estrear no Flamengo.

Desde a primeira entrevista depois da confirmação da chegada do meia argentino, o técnico Zé Ricardo deixa claro que pensa no time com o reforço e Diego juntos na armação das jogadas, partindo a princípio do mesmo 4-2-3-1 que se afirmou no ano passado.

Ou seja, um dos dois meias seria o ponta articulador, que sai do lado do campo e circula pelo setor ofensivo com liberdade para deixar o desenho tático menos engessado que com os dois ponteiros fixos. Zé Ricardo sinaliza a montagem do time para que os movimentos já estejam assimilados até a entrada de Conca.

Para isso é preciso uma espécie de “dublê” e, pelo visto no início dos trabalhos, ele já está escolhido. Também argentino e canhoto.

Federico Mancuello foi contratado no início de 2016 porque a ideia de Muricy Ramalho era montar um meio-campo sem o típico camisa dez num 4-3-3 inspirado no Barcelona. O argentino não é volante nem meia, mas um meio-campista de área a área.

Com o time claudicante, os próprios problemas físicos e depois a chegada de Diego, Mancuello perdeu espaço. Mesmo sendo um dos melhores finalizadores do elenco. Com o time titular sofrendo para ir às redes no Brasileiro parecia um absurdo. Ainda mais porque, quando entrou, o argentino fez gols importantes, contra Atlético-PR, Cruzeiro e Chapecoense.

O problema era a adaptação à função pelo lado. Mancuello entrava bem na vaga de Márcio Araújo, com o time precisando atacar. Quando testado na ponta tinha dificuldades. Sem tempo para trabalhar com viagens e jogos decisivos, Zé Ricardo arquivou a ideia depois da atuação coletiva ruim no primeiro tempo dos 2 a 2 contra o Corinthians na volta ao Maracanã, com Mancuello pela esquerda. Até tentou um losango no meio contra o Coritiba, mas o desempenho também não agradou.

Agora, com calma e a vontade do jogador de tentar novamente, mas principalmente pelo “fator Conca”, Zé Ricardo testa Mancuello nos treinos aberto pela direita. A ideia é que ele corte para dentro com a canhota, se junte a Diego no centro e deixe o corredor para o apoio de Pará ou mesmo Arão. Do lado oposto, Everton fica mais aberto e usa a velocidade, até porque Jorge é um lateral que ataca mais por dentro, não busca tanto o fundo.

A recomposição e a pressão no campo de ataque também precisam ser repensadas sem a intensidade e a rapidez de um ponteiro velocista como Gabriel, Fernandinho ou Cirino. Talvez sacrificar um pouco Pará, Arão e o volante mais plantado, que deve ser Romulo, para ganhar criatividade e poder de fogo na frente.

Sem tanta pressão no início do ano é possível experimentar mais, enquanto o clube não contrata o atacante de lado mais agudo, que ainda pode ser Berrío ou Vargas. Por isso Mancuello é a novidade na base mantida para 2017. O “dublê” de Conca.

 

 

 


Diego e Conca no Fla, Montillo e Camilo no Bota. Há espaço para dois “dez”
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André Rocha

Primeiro o Botafogo anunciou Montillo. Agora o Flamengo confirma a contratação de Conca. Argentinos acima dos 30 anos, com experiência de Libertadores.

Com Camilo no alvinegro e Diego vestindo vermelho e preto, a questão é como abrigar dois meias criativos no time. Surgem as perguntas de sempre: “Quem é que marca?”, “Um não vai tomar o espaço do outro?”, “O time não fica mais lento?”

O futebol mudou. Fla e Bota tem jovens treinadores, antenados e estudiosos. Depois de uma temporada estafante, de mudanças radicais na vida de ambos, estavam no curso de técnicos da CBF. Zé Ricardo e Jair Ventura trabalham com marcação por zona, sabem que o jogo hoje se baseia muito mais em ocupação de espaços que na capacidade de desarmar.

Poucos times no mundo podem se comparar individualmente ao Barcelona do trio MSN, mas em termos de dinâmica ofensiva a equipe catalã virou referência usando Messi como um ponta articulador partindo da direita e Neymar mais agudo no lado oposto.

Tite adaptou a ideia ao Corinthians no título brasileiro de 2015 usando Jadson, um típico camisa dez, aberto à direita e se juntando aos meias para armar as jogadas e o jovem Malcom pela esquerda infiltrando em diagonal e se aproximando de Vagner Love no ataque. Virou tendência que o técnico levou para a seleção brasileira, com Coutinho de um lado e Neymar do outro.

Zé Ricardo tentou encontrar esse elemento no elenco montado por Muricy Ramalho para ajudar Diego, que é um “dez” de condução de bola e finalização. Não encontrou em Mancuello, Ederson e Alan Patrick, por isso seguiu com os ponteiros velocistas até o final da temporada.

Conca chega como um meia mais passador. Já atuou pelos flancos ao longo da carreira, mas por conta dos seus 33 anos e dos problemas no joelho que devem adiar sua estreia para março ou abril, a tendência é que jogue mais centralizado e sem tantas responsabilidades sem a bola. O time fecha em duas linhas de quatro e o argentino ficaria à frente, mais próximo de Guerrero.

Em tese, Diego seria o sacrificado sem a bola, voltando pelo lado. Não acompanhando lateral, mas guardando seu posicionamento. Já jogou assim pelo Atlético de Madrid com Simeone e com a pré-temporada pode ganhar resistência para a função.

Com a chegada de Conca, Diego pode fazer a função de ponta articulador, cortando para dentro e ajudando o meia central na armação, deixando para o ponteiro do lado oposto a missão de acelerar e infiltrar em diagonal. Sem a bola, os jogadores de flanco voltam e liberam o argentino a ficar mais próximo de Guerrero (Tactical Pad).

Com a chegada de Conca, Diego pode fazer a função de ponta articulador, cortando para dentro e ajudando o meia central na armação, deixando para o ponteiro do lado oposto a missão de acelerar e infiltrar em diagonal. Sem a bola, os jogadores de flanco voltam e liberam o argentino a ficar mais próximo de Guerrero (Tactical Pad).

Já no Bota, até por característica, a tendência é que o próprio Montillo exerça esta função pelo flanco, deixando o centro para Camilo. A grande sacada desse armador pela ponta é a liberdade para circular por todos os setores, criando superioridade numérica no meio e abrindo o corredor para o lateral ou outro companheiro atacar e buscar o fundo.

Na recomposição não é preciso acompanhar o lateral até a linha de fundo. O jogador fecha o setor, o lateral do próprio time não é arrastado pelo adversário e deixa o espaço livre. É ele quem vai tentar bloquear o cruzamento. O meia mais aberto ou o ponteiro tem como função primordial sem a bola evitar que a virada de jogo encontre um oponente livre ou fazer pressão no campo de ataque, de acordo com a proposta de jogo.

Quanto à velocidade na transição ofensiva, reparem que os dois clubes cariocas estão no mercado atrás de atacantes mais agudos. O Fla busca Marinho do Vitória, o Bota tentou Osvaldo e agora mira Lucca – reserva de Malcom no Corinthians de 2015. Não é por acaso. De um lado o meia para organizar, do outro o atacante para ser a referência de velocidade para os contragolpes e uma companhia para a referência na frente.

Se no Fla não mudaria tanto a execução do 4-2-3-1, no Bota a tendência é de uma postura mais ofensiva, desmontando o losango no meio que varia para duas linhas de quatro sem a bola. A menos que Jair pense numa dupla de armadores atrás de um centroavante rápido que ainda pode ser William Pottker da Ponte Preta.

Jair Ventura pode optar pela manutenção da estrutura tática de 2016 e encaixar Montillo numa função parecida com a de Neilton, ficando mais solto com Camilo para pensar o jogo e deixando a velocidade para o atacante de referência (Tactical Pad).

Jair Ventura pode optar pela manutenção da estrutura tática de 2016 e encaixar Montillo numa função parecida com a de Neilton, ficando mais solto com Camilo para pensar o jogo e deixando a velocidade para o atacante de referência (Tactical Pad).

Tudo com muita movimentação, sem posições fixas. O “caos” na frente e a organização atrás, com linhas compactas e jogadores mais próximos. Como manda o futebol atual. Como pensam Zé Ricardo e Jair Ventura nos cariocas que disputam a Libertadores. O filho de Jairzinho com um pouco mais de urgência porque o torneio continental começa mais cedo.

Impossível garantir que dará certo, pois é uma questão que envolve entrosamento, sintonia, sequência de jogos sem lesões, gestão de vestiário…A boa notícia fora de campo é que são contratações dentro da realidade do orçamento dos clubes, sem loucuras.

Dentro das quatro linhas, a opção de reunir dois meias criativos, ou “camisas dez”, é mais que viável no futebol atual. Podem e devem jogar juntos.


Flamengo espera o fim do ano, mas precisa jogar planejamento de 2017
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André Rocha

Zé Ricardo deve estar louco para 2016 acabar. Dar férias aos seus comandados e à sua cabeça com tantas mudanças repentinas, pensar a próxima temporada e renovar o elenco. Seu time não tem mais o que entregar. Física, técnica e taticamente.

Na vitória por 1 a 0 sobre o América que rebaixou o time mineiro, o “fato novo” foi o retorno de Everton, que pela direita corta para dentro com a canhota e aparece melhor no meio e na área adversária que os outros ponteiros. Como no lance do gol único da partida sofrível no Mineirão.

O time rubro-negro está lento e previsível, sentiu também a falta de ritmo de jogo pelos dez dias parados, embora tenha recuperado um pouco o grupo fisicamente. Diego é jogador de condução, finalização e bola parada. Não passe. Muito menos o que se espera de um meia articulador: o toque que surpreende o sistema defensivo adversário e fura as linhas. Para piorar, seu estilo exige muito fisicamente e ele aparenta esgotamento.

No 4-2-3-1, Willian Arão fica mais preso e também contribui pouco com o passe no último terço. Também porque Márcio Araújo não se garante sozinho com os zagueiros na saída de bola. Ainda mais com os reservas Donatti e Juan. Na prática, o bom futebol coletivo dos melhores momentos na competição se desintegrou.

A impressão é de que clube e time não estavam preparados para a disputa do título com a intensidade que o Palmeiras exigiu com sua eficiência. Excesso de viagens, falta de peças confiáveis e dificuldade para fazer a equipe jogar de outra forma – sem os pontas velocistas, por exemplo. Tudo para ser revisto no ano que vem.

Se o Flamengo não precisasse de resultados para se garantir entre os três primeiros e entrar diretamente na fase de grupos da Libertadores. Disputa parelha com Santos e Atlético Mineiro, com a matemática ainda permitindo o sonho quase impossível do título. Inclusive o confronto direto com o alvinegro praiano, além dos duelos com os paranaenses Coritiba e Atlético nas três rodadas que faltam.

Para isso vai precisar tirar forças e qualidade de jogo que parecem perdidos, que nem a pausa pela data FIFA foi capaz de resgatar. O jeito é apelar para o pragmatismo puro de arrancar  os três pontos a fórceps, no sofrimento. Pelo planejamento da próxima temporada.

Jogando mal e feio como no Mineirão, ainda que Zé Ricardo não aprecie. É o que resta em 2016.


Problema e solução! Pontas fazem Flamengo sofrer, mas decidem
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André Rocha

Que bela atuação coletiva da Ponte Preta de Eduardo Baptista! Forte no meio com João Vítor mais plantado e Thiago Galhardo e Wendel como meias. Execução moderna do 4-1-4-1 com setores muito próximos.

Mas em Cariacica o Flamengo teve como mérito a manutenção da postura ofensiva, mesmo sofrendo diante de um adversário organizado, sem perder a concentração. Foi às redes cedo na bola parada com Gabriel, que revezava pelos flancos com Everton.

Zé Ricardo não abre mão dos seus pontas. Jogadores que buscam o fundo, esgarçam a defesa do oponente. Buscam a diagonal para finalizar e tentar a tabela com os meias. Só que erram muito. A lógica do elenco pediria um meia, Mancuello ou Alan Patrick, pelo lado vindo por dentro para ajudar Diego na articulação. Mas o técnico insiste.

O resultado prático é Willian Arão no sacrifício, mais contido e passador e Diego sendo obrigado a dominar de costas para a marcação, girar, dar um ou dois toques na bola para dar sequência à jogada. Foi o jogador do Fla que mais perdeu a bola e sofreu faltas. Penou com o meio compacto da Ponte, que fez o time paulista reagir e ter boas chances de empatar, a melhor com Rhayner.

Ponte organizada num 4-1-4-1 compacto para encaixotar Diego na criação e sair em velocidade. Flamengo seguiu atacando pelos lados com paciência, mesmo com erros técnicos num primeiro tempo equilibrado (Tactical Pad).

Ponte Preta organizada num 4-1-4-1 compacto para encaixotar Diego na criação e sair em velocidade. Flamengo seguiu atacando pelos lados com paciência, mesmo com erros técnicos num primeiro tempo equilibrado (Tactical Pad).

Mas vai insistindo, de forma coordenada. Com Pará mais efetivo pela direita que Jorge do lado oposto. Gabriel passou mal no intervalo e deu lugar a Marcelo Cirino. Mesma proposta, com Damião voltando, fazendo o pivô e de novo a bola procurando um dos lados.

Atento na marcação – 21 desarmes corretos contra 11 da Ponte. Perseverante para seguir atacando, mas ser surpreendido num contragolpe letal: reposição espetacular de Aranha para Pottker, substituto de Roger, dominar colocando na frente e batendo cruzado, perfeito. Baptista arriscou com Felipe Azevedo no lugar de João Vítor, depois recompôs com Abuda na vaga de Rhayner.

Zé Ricardo apelou para a única ousadia que se permite: Mancuello no lugar de Márcio Araújo, recuando Arão e dando companhia a Diego. A outra mudança, em tese, foi mais do mesmo: Everton por Fernandinho. Um ponta pelo outro.

Mas decisiva na prática. Pela insistência, por não abrir mão dos três pontos para seguir lutando no topo. Centro de Cirino, bicicleta desajeitada de Diego, gol de Fernandinho no rebote. A última das 17 finalizações rubro-negras. De novo o camisa 31 que garantiu a classificação na Sul-Americana.

Do ponta que pode errar tecnicamente e cria problemas coletivos. Mas cumpre sua função tática e ainda está na área para ser a solução e manter o Flamengo vivo na caça ao líder Palmeiras.

No final, a pressão rubro-negra com linhas adiantadas, acuando a Ponte Preta até o gol de Fernandinho. Mérito do Fla foi nunca abdicar do ataque, mesmo com a boa atuação do adversário (Tactical Pad).

No final, a pressão rubro-negra com linhas adiantadas, acuando a Ponte Preta até o gol de Fernandinho. Mérito do Fla foi nunca abdicar do ataque, mesmo com a boa atuação do adversário (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Por que o Flamengo com peças e técnico contestados dorme na liderança
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André Rocha

Os primeiros vinte minutos do segundo tempo em Cariacica foram os melhores do Flamengo no Brasileiro. Organização, intensidade, volume de jogo. Quinze até a boa jogada de Fernandinho e o toque de letra de Mancuello que venceu o goleiro Santos, mais cinco mantendo a pressão e tentando o segundo com o Atlético Paranaense ainda zonzo.

Sim, o time de Paulo Autuori que tirou a liderança do Corinthians na rodada anterior. Equipe bem coordenada, com duas linhas de quatro compactas sem a bola e os volantes Otávio e Hernani saindo para o jogo. Que reagiu, avançou as linhas e empurrou o oponente para o próprio campo.

Mas foi engolida da volta do intervalo até sofrer o gol único do jogo. Pelo Fla de Zé Ricardo. De Pará, Rafael Vaz, Chiquinho, Márcio Araújo, Fernandinho e Everton. Todos contestados ou até execrados mais ou menos em algum momento da temporada. Ou há mais tempo.

Em campo, uma base questionável sob o comando de um técnico novato. Como consegue ser sólido taticamente em quase todos os jogos e dorme na liderança do Brasileiro?

A resposta é simples: jogo coletivo. Não há um grande craque, mas todos sabem o que fazer em campo. Quem está com a bola tem opções de passe porque os companheiros se deslocam. Os toques são simples, a circulação da bola é paciente e só sai em profundidade se houver espaços às costas da defesa adversária.

Por isso Zé Ricardo insiste com velocistas pelas pontas, mesmo que eles tantas vezes se atrapalhem na tomada de decisão quando conseguem chegar ao fundo ou em condições de finalizar. Porque combinam as características com os passadores William Arão e Mancuello ou Alan Patrick e o móvel e técnico Paolo Guerrero. Mantém a intensidade.

Na recomposição, o time alterna pressão no campo de ataque e linhas compactas guardando a meta de Muralha, muitas vezes num 4-1-4-1. Com Márcio Araújo, que joga e deixa Cuéllar no banco para desespero de muitos torcedores. Qual a vantagem do brasileiro sobre o colombiano na visão do treinador? Leitura de jogo e noção da função que exerce. Repare: sempre que Cuéllar entra muito bem é jogando mais adiantado.

O Flamengo cercado de incertezas e desconfianças, que ainda prepara a estreia de Diego se consolida como um dos candidatos ao título numa disputa de raro equilíbrio e muitos postulantes. Está no bolo. Oscila como todos, não desperta confiança. Mas compete, até quando é goleado, como nos 4 a 0 para o Corinthians em Itaquera.

Méritos de Zé Ricardo. Na primeira experiência no time principal, dando confiança a tantos renegados. E o principal: fazendo seus comandados jogarem futebol atual. Porque o coletivo bem pensado e treinado faz com que o time dependa menos das individualidades e, paradoxalmente, transfira confiança para que se arrisque a jogada pessoal na zona de decisão.

Ainda não cheira a título, mas já é forte e pode evoluir para lutar até o fim.


Está na hora do Flamengo esquecer a grife e efetivar Zé Ricardo
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André Rocha

Quando Muricy Ramalho confirmou seu afastamento por problemas de saúde, o Flamengo se via afundado numa crise em campo e institucional.

O presidente Eduardo Bandeira de Mello aceitara ser chefe da delegação da CBF na Copa América Centenário, Guerrero em péssima fase partindo para servir a seleção peruana e Jayme de Almeida sem conseguir reorganizar a equipe.

Por isso este que escreve julgava que Zé Ricardo, interino que ganhou oportunidade pelo belo trabalho nas divisões de base, não tinha estofo para blindar e fazer o grupo pensar apenas no conteúdo tático que o treinador deixou claro que possuía desde o início. Pelo contexto, seria melhor esperar por Abel Braga.

É inegável que os resultados sustentaram Zé Ricardo. Inclusive a vitória por 1 a 0 sobre o Santa Cruz no Arruda. Mas como não apoiar a efetivação do profissional que, mesmo sem experiência no time principal, conseguiu organizar e salvar a terra arrasada de Muricy Ramalho na sua busca pelo estilo do Barcelona sem peças com características para a empreitada?

Se o tarimbado tetracampeão brasileiro não conseguiu dar consistência ao time, quem garante que outro veterano com currículo mais robusto terá sucesso?

Ainda mais no Flamengo, que historicamente foi vencedor com técnicos da casa. Em comum com Carlinhos, Andrade e Jayme de Almeida, a serenidade e a simplicidade. Fundamentais em um clube tenso e complexo.

Zé Ricardo erra. Natural pela pouca experiência e por ter a permanência condicionada à colocação na tabela. O 4-2-3-1 que varia para o 4-1-4-1 é bem coordenado e ganhou segurança atrás com Rever e Rafael Vaz na zaga, mas tem dificuldades na frente.

Falta criatividade além de Alan Patrick, que muitas vezes cadencia demais e torna a transição ofensiva lenta. Felipe Vizeu tem potencial, mas precisa amadurecer para jogar entre os profissionais na Série A. Quando o menino cansa, a opção por Marcelo Cirino no centro do ataque adianta pouco, não retém a bola na frente.

Também falta inteligência nas tomadas de decisão de jogadores como Rodinei, Márcio Araújo, Everton, Fernandinho e, principalmente, Cirino. O mais regular é Willian Arão. Protege a retaguarda, auxilia Alan Patrick na articulação e aparece na frente como surpresa, de trás. Como no chute forte que coloca o Fla ao menos temporariamente no G-4.

Campanha bem melhor que o esperado num cenário de desgaste por viagens constantes, reforços como Cuéllar e Mancuello sem rendimento e no banco, Guerrero ausente e reestruturação no comando do futebol, agora com a chegada de Mozer.

Méritos de Zé Ricardo. Está na hora de esquecer a grife e resolver o impasse. Valorizar o trabalho e afirmar o treinador novato.