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Flamengo 1 x 1 Vasco – Mais um clássico estragado pelo clima de guerra
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André Rocha

Aconteceu de novo. 40 faltas, muita reclamação desnecessária com arbitragem. Nervos à flor da pele e pouco, muito pouco futebol.

Desta vez foram Flamengo e Vasco os protagonistas deste espetáculo deprimente no Maracanã. Cada vez mais frequente. E certamente depois da partida só vão falar do trabalho da equipe comandada por Ricardo Marques Ribeiro. Ruim ao longo do jogo, desde o impedimento de Diego na origem da jogada que terminou na finalização de Everton Ribeiro e Vinicius Júnior abrindo o placar ao aproveitar falha de Martín Silva, que deu rebote de um chute nem tão forte. Confuso nos critérios para as expulsões de Rhodolfo, Cuéllar, Breno e Riascos na confusão do final do jogo.

Mas os jogadores em nada colaboram. Toda hora alguém pedindo cartão para faltas normais, fazendo escândalo se discordar de uma marcação. Criando um clima de pressão que só prejudica a partida. Futebol é detalhe. O jogador entra em campo com a obrigação de fazer tudo para que o torcedor não o considere apático. Entrada dura, carrinho para a lateral batendo no braço, chutões. Um jogo só sentido, nada pensado.

Uma lástima. O Flamengo até tentou tomar a iniciativa em boa parte do jogo, repetindo a ideia de jogo com mais trocas de passe e bola no chão desde que Mauricio Barbieri assumiu, ainda interinamente. Apesar do início ruim e das quatro finalizações do rival até a sua primeira ir às redes. Mas logo em seguida vacilar na jogada aérea e permitir o empate vascaíno com Wagner. Diferente de outras partidas, desta vez Diego foi bem e Lucas Paquetá mal. No saldo final, 63% de posse e oito finalizações. Apenas três no alvo.

Contra 15 do time de Zé Ricardo, que acertou sete vezes na direção da meta de Diego Alves. Novamente mostrando no clássico a consistência defensiva que não apresenta em outros jogos na temporada. Yago Pikachu travou bom duelo com Rodinei e Breno mostrou novamente que é o zagueiro mais confiável do elenco cruzmaltino. Ou dos que o treinador utiliza, já que o jovem Ricardo Graça segue escanteado.

Pelo menos não houve nada mais grave nas arquibancadas e foi um alento ver a área ocupada pelas duas torcidas juntas em paz. Mas ninguém mereceu sair com os três pontos. Até para não deixar o campo com a crença de que esses artifícios compensam. Não foram só dois pontos perdidos para cada lado, mas a chance desperdiçada de mostrar desempenho. Futebol. No apito final sobra muito pouco, quase nada.

Qual será o próximo clássico no Brasil estragado pelo clima de guerra?

(Estatísticas: Footstats)

 


Bahia perde chance de resolver confronto na noite da covardia de Zé Ricardo
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André Rocha

O Bahia cumpriu mais uma boa atuação na Arena Fonte Nova, se redimindo do péssimo desempenho contra o Sport fora de casa pelo Brasileirão. Intensidade, volume de jogo, Zé Rafael e Vinicius organizando e Elber e Edigar Júnior acelerando no quarteto ofensivo do 4-2-3-1 de Guto Ferreira.

Um baile pelo lado direito com João Pedro, substituto de Nino Paraíba, voando para cima de Henrique que não tinha o devido auxilío de Caio Monteiro. Também muita liberdade na entrada da área muito mal protegida por Wellington e Desábato, os volantes cruzmaltinos.

Terminou 3 a 0, poderia ter fechado em seis como resultado das 21 finalizações. Oito na direção da meta de Martín Silva, que sofreu novamente com a total desorganização do sistema defensivo da equipe. A prova na prática que escalar três zagueiros de ofício, mesmo numa linha de quatro, não garante solidez da retaguarda. Werley, improvisado na lateral direita, Paulão e Erazo totalmente perdidos.

Gols de Zé Rafael e Edigar Júnio no primeiro tempo e Vinicius na segunda etapa. Jogando ao natural, com facilidade. Muitos méritos do time da casa, ainda que tenha perdido a chance de resolver o confronto e garantir vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. De qualquer forma, a vantagem para a volta em São Januário não deixa de ser confortável.

O Vasco segue vivo, mas há muito a corrigir. E Zé Ricardo a refletir. O treinador que ganhou oportunidade no profissional pelo bom trabalho nas divisões de base do Flamengo deveria ter a mesma lógica na hora de colocar os jovens em campo. Mas a falta de paciência e confiança é assustadora.

Com 30 minutos de jogo tirou Bruno Cosendey para a entrada de Wagner. Com todos jogando mal e Wellington rendendo pouco há muito tempo, sacar foi queimar o menino que mudou o jogo na virada sobre o América. Representa também desvalorizar um patrimônio que pode através de uma venda futura reforçar os cofres de um clube afundado em profunda crise institucional e financeira.

Uma covardia, não há outro termo sem soar como eufemismo. E nenhuma questão técnica ou tática é capaz de justificar. Até porque, na prática, pouco acrescentou coletivamente ao Vasco, que sequer esboçou reação e só foi finalizar com perigo no final do jogo, com Kelvin.

Difícil de entender e aceitar a má vontade de um jovem treinador, campeão da Copa São Paulo há dois anos, com garotos. Antes Lucas Paquetá, hoje Bruno Cosendey. Qual será o próximo?

(Estatísticas: Footstats)


No Vasco rachado pela política, só a base pode salvar o futebol
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André Rocha

A eleição do presidente Alexandre Campello via Conselho e desrespeitando os votos dos sócios, que elegeram Julio Brant n polêmica eleição da já folclórica “urna sete”, foi uma das páginas mais negras da bela história de democracia e raízes populares do Clube de Regatas Vasco da Gama. Do estádio construído por sua gente, dos jogadores negros e de tantos gestos pioneiros.

É óbvio que criaria um racha político de consequências imprevisíveis. No poder, o lado mais fraco. Eleito pelas circunstâncias. Para Eurico Miranda perder, mas não permitir que Julio Brant vencesse. Um filme de terror que já teve renúncia de 13 vice-presidentes, agora acena até com possibilidades de impeachment de Campello, questionado pela negociação pouco transparente, segundo conselheiros, de Paulinho com o Bayer Leverkusen e por um suposto empréstimo feito com o ex-vice de patrimônio, Luiz Gustavo.

Estava claro também que tanta turbulência somada à crise financeira respingaria no campo. Ainda que Zé Ricardo tenha feito tudo para blindar seus comandados. Chegar à final do estadual e passar pelas etapas preliminares da Libertadores até sinalizaram a possibilidade de repetir o bom desempenho da reta final do Brasileiro de 2017.

A fase de grupos do torneio continental, porém, trouxe a realidade crua e dura na eliminação precoce com derrotas para Racing, Cruzeiro e Universidad de Chile na pior campanha do clube na competição até aqui. A retaguarda considerada sólida penou com três goleadas por 4 a 0 – Jorge Wilstermann, Racing e, a pior, para o Cruzeiro dentro de São Januário.

Restam Brasileiro e Copa do Brasil. Dentro de um elenco limitado e com a baixa de Paulinho sem reposição à altura, resta a Zé Ricardo deixar de lado uma prática que vem de sua primeira experiência no futebol profissional vindo da base do Flamengo: relegar os jovens a um papel secundário e escalar os mais experientes que deram sustentação ao seu início de trabalho. Antes a “gratidão” ao esforço de Gabriel que negou oportunidades a Lucas Paquetá.

Agora o treinador tem obrigação de dar mais minutos em campo aos jovens Caio Monteiro e Bruno Cosendey, protagonistas da virada sobre o América por 4 a 1 no sábado em São Januário. Não repetir o que fez com Ricardo Graça, de desempenho promissor nas primeiras oportunidades e infeliz como o time todo na goleada sofrida na Bolívia.  Automaticamente ficou atrás de Paulão e Werley na disputa por uma vaga na zaga.

As divisões de base são a tábua de salvação do Vasco neste momento. Tanto no retorno técnico em campo dentro de um elenco desigual e longe da primeira prateleira do futebol nacional quanto na possibilidade de negociação no futuro para salvar os cofres na caixa preta que é a gestão financeira a cada ciclo de um presidente. Foi assim com Eurico Miranda, Roberto Dinamite, agora Campello. O que mais virá por aí?

Se quiser salvar seu emprego e a sobrevivência digna do clube, Zé Ricardo precisa olhar com mais carinho para os meninos que são produtos de uma reestruturação do trabalho de formação. É a perspectiva a curto, médio e longo prazo para a grande incógnita que é o Vasco da Gama.


Goleada em São Januário reflete abismo entre Cruzeiro e Vasco
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André Rocha

Cruzeiro e Vasco empataram sem gols no Mineirão no dia quatro de abril. Jogo duro, com o time visitante ainda contando com Paulinho, joia da base cruzmaltina, cumprindo boa atuação e tendo chances de sair de Belo Horizonte com três pontos. Superando a equipe mandante em momento turbulento por conta da derrota para o rival Atlético na primeira partida da final mineira.

Quase um mês depois o reencontro na Libertadores. O tempo foi cruel com Zé Ricardo, que perdeu Paulinho, lesionado e depois negociado com o Bayer Leverkusen, e viu os problemas políticos e financeiros do clube se somarem às escolhas infelizes do próprio treinador para criar o cenário da inevitável eliminação na fase de grupos.

Depois da surpreendente recuperação no Brasileiro 2017 e da luta nas fases preliminares do torneio continental, o nível do grupo pesou. Racing emergente na Argentina e o Cruzeiro que oscila, mas segue com Mano Menezes no comando técnico e construindo uma identidade que busca unir competitividade e qualidade técnica.

O tempo favoreceu o treinador e o elenco celestes. A conquista do Campeonato Mineiro também aliviou a pressão de transformar investimento em desempenho e, por consequência, em resultados. O início da redenção em termos de desempenho se deu nos 7 a o sobre a Universidad de Chile. Beneficiado, sim, pelo gol de Thiago Neves na bola parada logo no início e da vantagem numérica ao longo do jogo. Mas ganhando confiança e uma nova cara.

No mesmo 4-2-3-1, porém com Lucas Silva se juntando a Henrique à frente da defesa, De Arrascaeta pela esquerda sendo o ponta mais articulador e Rafinha mais atacante, se juntando a Sassá, a alternativa à ausência do lesionado Fred. E Thiago Neves solto para desequilibrar, especialmente nas finalizações. Para completar, o crescimento de Egídio para abrir o campo e buscar a linha de fundo pela esquerda.

O lateral levou vantagem no duelo com Yago Pikachu foi responsável por três passes que terminaram em gols na primeira etapa. Leo, Thiago Neves e Sassá. Nas três primeiras finalizações do Cruzeiro em São Januário. Prenúncio da goleada por 4 a 0, completada também por Sassá na segunda etapa. Na quarta e última conclusão na direção da meta de Martín Silva. Para colocar o time mineiro praticamente classificado e na luta pela primeira colocação no Grupo 5 – a definição deve acontecer no confronto direto, desta vez no Mineirão.

Ao Vasco resta a luta com “La U” pela vaga na Copa Sul-Americana. Antes é preciso se reorganizar como clube, para que as diferenças políticas não passem dos bastidores para as arquibancadas e de lá para o campo. Zé Ricardo também precisa repensar suas escolhas. Os reveses e, principalmente, os muitos gols sofridos, têm a cota de responsabilidade do treinador. Mesmo com todos os “incêndios” que precisam ser apagados diariamente.

A fibra livrou de algumas derrotas. Também rendeu 55% de posse e 15 finalizações contra o Cruzeiro. Mas é muito pouco. A noite em São Januário apenas concretizou na frieza do placar o abismo entre os times brasileiros.

(Estatísticas: Footstats)

 


Gestão Bandeira de Mello confunde continuidade com continuísmo no Flamengo
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André Rocha

A pífia atuação do Flamengo no empate sem gols contra o Independiente Santa Fé em Bogotá pela Libertadores, com a equipe exagerando na cautela e satisfeita com o resultado que pouco acrescentou na campanha da fase de grupos, subiu ainda mais o tom de indignação dos torcedores contra jogadores e dirigentes, especialmente o presidente Eduardo Bandeira de Mello e o meia Diego Ribas.

Junte a isto a polêmica na reunião do Conselho Deliberativo para aprovar as contas de 2017, suspensa depois da discussão sobre a premiação de mais de dez milhões de reais – 7,7 para jogadores, 2,5 para comissão técnica e 800 mil para o ex- diretor executivo Rodrigo Caetano – em um ano de título estadual, vices da Copa do Brasil e Sul-Americana e sexta colocação no Brasileiro e temos um barril de pólvora.

É óbvio que o ano de eleição torna o ambiente político quase insuportável na Gávea e se o pagamento estava previsto dentro de um plano de metas ele tem mesmo que ser cumprido e o clube valorizar a possibilidade de honrar seus compromissos, algo inviável há menos de dez anos.

Mas todo esta crise é consequência do grande equívoco da gestão Bandeira de Mello na condução do futebol do time de maior torcida do país: confundir continuidade com continuísmo.

Quando há ideias dentro e fora de campo com planejamento e que geram desempenho vale a insistência até que comecem a resultar em troféus. Como no próprio Flamengo há quatro décadas, perdendo títulos seguidos para Fluminense e Vasco de 1975 a 1977, mas ganhando maturidade para em seguida alcançar as maiores conquistas da história da agremiação.

Agora há um time que é criticado por sua apatia e pouca entrega, mas que na maioria dos reveses se ressentiu mesmo da falta de rendimento. Porque as características dos jogadores não combinam com a proposta de jogar no ataque e se impor. Zagueiros lentos, laterais que oferecem poucas soluções além dos cruzamentos a esmo, meio-campistas sem o passe decisivo e um ataque que precisa de muitas oportunidades para ir às redes.

Não há plano de jogo que funcione. Com Zé Ricardo, Rueda, Carpegiani ou o novato Maurício Barbieri.  Sem triangulações, ultrapassagens, fluência. Só bolas levantadas na área e lampejos dos mais talentosos. Simplesmente não funciona.

E não há mudanças profundas, porque na visão do presidente basta insistir para dar certo. O “vamos levando” que se transformou na grande marca de sua administração que é histórica pelo saneamento das finanças, algo que não é mérito apenas de Bandeira de Mello, mas vai chegando ao fim do segundo mandato com o rótulo do insucesso no carro-chefe do clube.

A manutenção de Barbieri é a prova de que o crédito de um elenco caro e que entrega pouco em campo parece infinito. Os jogadores querem, os dirigentes atendem. O ápice dessa estranha relação foi o pedido de Bandeira para que os atletas o ajudassem depois da eliminação do Carioca. Sem cobranças, apenas afagos e súplicas.

A direção do futebol age como o pai que começa a ganhar dinheiro e cobre os filhos de mimos, deixando de ensinar o valor do esforço. Só que a maioria dos que lá estão não viveram os tempos difíceis para ganhar tantas recompensas.

O que é mais preocupante em toda essa crise é um pensamento crescente de que o futebol só funciona em meio ao caos financeiro e com jogadores “bandidos”. Este que escreve prefere não ficar recorrendo ao passado para comparar com a situação atual, mas neste caso é preciso: Zico era “bandido”? Em 1981 o salário atrasava? Definitivamente todo este cenário complexo não pode ser resumido à “falta de raça”.

É claro que, na prática, tudo seria diferente, por exemplo, com a conquista da Copa do Brasil. No país do futebol de resultados não se avalia qualidade de trabalho. E obviamente este blogueiro não defende que profissionais não tenham as melhores condições para exercer seus ofícios apenas porque não venceram. Muito menos que sejam agredidos, como quase aconteceu no embarque da delegação para Fortaleza.

Mas o momento exige ruptura que vai além das demissões após a eliminação no Carioca. Direção do futebol com independência e treinador com autonomia para mudar peças e o modelo de jogo. Ou seja, sair da inércia. Com a gestão Bandeira de Mello parece uma missão quase impossível. Porque há apego ao fracasso.

 


Racing atropela Vasco na noite das escolhas infelizes de Zé Ricardo
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André Rocha

É difícil se defender contra o Racing no Cilindro, em Avellaneda. O time de Eduardo Coudet tem muito volume de jogo na execução do arrojado 4-1-3-2. Também movimentação, com os meias Centurión, Solari e Zaracho se juntando a Lisandro López e Lautaro Martínez. Com o apoio incondicional de sua gente a missão fica ainda mais complicada.

Mas Zé Ricardo facilitou com uma formação que só faltou estender tapete vermelho para o time da casa atacar durante 45 minutos pela direita. Evander não tem intensidade para atuar pelo lado e deixou Henrique sozinho. Contra o lateral Saravia e mais Zaracho ou Centurión e Lisandro ou Lautaro. Mobilidade, trocas de passes e as arrancadas com dribles de Zaracho, o melhor em campo.

Por ali saíram dois gols, de Centurión e Lautaro. E dois pênaltis. O primeiro inexistente, do próprio Evander sobre Saravia e outro de Erazo derrubando Lautaro. Lisandro bateu ambos pessimamente para defesas de Martín Silva. No total, foram nove finalizações, sete no alvo. Podia ter terminado 4 a 0. E Zé Ricardo nada fez para corrigir.

Talvez porque o Vasco ofensivamente até criou alguns problemas, aproveitando os buracos que o time argentino deixa entre os quatro da defesa mais o volante Nery Domínguez e os cinco mais ofensivos. Mas foram cinco finalizações e nenhuma na direção do jovem goleiro Juan Musso.

Só no intervalo Zé Ricardo agiu. Trocou Evander por Rildo e mexeu na linha de meio-campo do 4-1-4-1 cruzmaltino. Wellington foi para o lado direito, Wagner centralizou e Rildo ficou pela esquerda. Até corrigiu razoavelmente o problema defensivo, mas não conseguiu conter o “arrastão” do Racing no início da segunda etapa.

Primeiro um golaço de Zaracho em bela arrancada e depois mais um pênalti, desta vez convertido por Lisandro, que correu o risco de repetir Martín Palermo desperdiçando três cobranças. Com 3 a 0 no placar, porém, ficou mais fácil ser corajoso. Depois foi controlar e descansar Lautaro e Centurión, além da substituição na volta do intervalo para preservar o zagueiro Sigali, já com cartão amarelo. Entrou Barbieri, que seguiu com pouco trabalho na segunda etapa.

Zé Ricardo só foi efetuar a segunda substituição ao 40 minutos da segunda etapa. Caio Monteiro no lugar do volante Bruno Silva. E acabou o jogo goleado com uma mudança a fazer. Difícil entender, ainda que o elenco não ofereça tantas opções assim.

No total, 62% de posse do Racing e 14 finalizações, dez no alvo. Um 6 a 0 não teria sido nenhum absurdo. Atropelo  do líder do Grupo 5, agora com sete pontos em três rodadas. O Vasco se complica, inclusive no saldo de gols que pode definir a segunda vaga. Agora está em cinco negativos. Mas serão duas partidas em São Januário para se recuperar.

A missão de Zé Ricardo é reorganizar o time com escolhas mais felizes e menos questionáveis que em Avellaneda.

(Estatísticas: Footstats)


A virada sobre virada do Vasco e os vários jogos dentro de uma partida
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André Rocha

Talvez influenciados pelo segundo tempo dos 3 a 0 sobre o Botafogo no qual se posicionou melhor defensivamente num 5-4-1, Abel Braga e seus comandados definiram desde o início do clássico no Maracanã que o Fluminense teria uma postura mais cuidadosa e baseada em contragolpes na semifinal do Carioca. Até pela vantagem do empate por ter conquistado a Taça Rio.

O Vasco se impôs em boa parte do primeiro tempo também pela nítida preocupação de evitar as jogadas pelos flancos do rival. Rafael Galhardo entrou na lateral direita, adiantando Yago Pikachu e mais Wellington para auxiliar no bloqueio a Ayrton Lucas, Richard e Sornoza. Do lado oposto, Fabrício, Wagner e Desábato tentavam negar espaços a Gilberto, Jadson e Marcos Júnior. Ou seja, impedir que o tricolor construísse seu volume de jogo.

Conseguiu e abriu o placar com Giovanni Augusto, outra surpresa de Zé Ricardo na formação que atuou novamente num 4-2-3-1 com Riascos mais adiantado. Bela jogada de Pikachu pela esquerda e vacilo de Renato Chaves. Mas logo que o Flu adiantou as linhas e se propôs a ser mais agressivo na frente, o lado esquerdo cruzmaltino falhou. Fabrício permitiu que Gilberto chegasse ao fundo e servisse Pedro. O sétimo gol do agora artilheiro isolado do estadual.

O jogo virou e o Flu ficou mais à vontade, ganhou confiança e espaços para arquitetar contragolpes. Na cobrança de falta com a barreira abrindo, Sornoza parecia encaminhar a classificação. A disputa chegou a parecer que penderia em definitivo para o lado de quem vencia e podia até ceder a igualdade no placar.

As substituições seguiram um roteiro óbvio. Vasco se jogando à frente com Andrés Rios, Thiago Galhardo e Paulinho, a joia vascaína que foi às redes no belo gol de empate em tabela rápida com Wellington. Fluminense trocando o trio ofensivo e mandando a campo Marlon, Douglas e Pablo Dyego. Seguir fechado e manter o fôlego na frente para explorar os espaços que apareciam cada vez mais generosos.

O Vasco tentou um abafa, o Flu ameaçou em contra-ataques. Equilíbrio na posse de bola (51% x 49%), 11 finalizações tricolores, 14 vascaínas – duas na direção da meta de Martín Silva, seis do Vasco no alvo. Na última da partida, a tentativa aleatória, na ligação direta desesperada. Todos cansados e guiados muito mais pelo instinto do que por um plano racional. Outro jogo à parte dentro do contexto. A bola encontrou o heroi improvável: Fabrício, substituto de Henrique que era vaiado pela torcida. 3 a 2.

Os tricolores lamentarão a cautela de Abel e as chances desperdiçadas, os vascaínos exaltarão a coragem de Zé Ricardo e a perseverança dos vencedores. Mas no fundo não passa de análise tomando como base apenas o resultado. Poderia ter acontecido qualquer coisa em mais um embate eletrizante no esvaziado Carioca.

O Vasco virou sobre a virada do Flu. Saiu vivo nos vários jogos dentro de uma mesma partida e vai à decisão contra o Botafogo. A terceira entre os clubes em quatro anos. De novo teremos um campeão sem vencer turno. Azar de quem assinou o regulamento e não se garantiu no campo.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo na final da Taça Rio. Por João Paulo e na jogada aérea
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André Rocha

O melhor estava por vir para o Botafogo depois do absurdo da fratura da perna de João Paulo sem a expulsão de Rildo no domingo.

E logo na jogada aérea, o grande problema do Botafogo entre as muitas fragilidades defensivas da equipe comandada por Alberto Valentim. Assim levou oito gols, metade dos que sofreu na temporada. Agora o triunfo. Logo com Igor Rabello, contestado pela torcida, mas o destaque no Estádio Nílton Santos. Gol da vitória por 3 a 2, devolvendo o placar do último jogo, e belo passe longo para Luiz Fernando empatar.

Jogo eletrizante, maluco. Mas não jogaço. Por mais que o torcedor se revolte com o jornalista quando ele parece minimizar a emoção. Só que para quem trabalha vendo partidas de futebol alguns elementos são necessários para um jogo ser valorizado pela qualidade. Começando pelos acertos técnicos e táticos, as decisões e leitura de jogo dos atletas para construir um bom jogo coletivo. Não foi o caso. Muita aleatoriedade.

O Vasco sofrendo pela esquerda com Fabrício no lugar de Henrique na lateral. A saída de Evander ainda no primeiro tempo por lesão também prejudicou o trabalho no meio-campo. Sem contar que Wagner entrou frio e foi driblado por Leo Valencia, que colocou na cabeça de Brenner no gol que abriu o placar. Sem culpa do goleiro Gabriel Félix, substituto de Martín Silva, a serviço da seleção uruguaia. Mais uma vez a bizarrice de jogar futebol durante datas FIFA.

Depois a equipe de Zé Ricardo, com Riascos e Andrés Ríos alternando pela direita e abrindo o corredor para Yago Pikachu apoiar, virou nas jogadas aéreas com bola parada. Erazo e Riascos. Falha da marcação mista do Botafogo que mais uma vez não funcionou.

Assim como a dinâmica com defesa adiantada, mas pouca pressão sobre o adversário com a bola. Muitos espaços entre defesa e mei0-campo. Sem contar a dificuldade para organizar com Rodrigo Lindoso tentando cumprir a função de João Paulo na articulação.

Valentim arriscou tudo com Pachu e Pimpão nas vagas de Valencia e Marcos Vinícius. Tirou os dois meias da linha de três no 4-2-3-1. Brenner recuou para ajudar na articulação e Pachu ficou enfiado. Depois Ezequiel entrou no lugar de Luiz Fernando. Seis por meia dúzia, mas manteve o fôlego para seguir atacando.

Zé Ricardo trocou Ríos, extenuado, por Thiago Galhardo. Paulinho trocou de lado e foi para o setor direito, Wagner ocupou o lado esquerdo e Galhardo centralizou atrás de Riascos. Uma troca conservadora, mas o Vasco não recuou. Se pode haver uma crítica seria por não conseguir controlar o jogo. Seja pelo espaço ou através do domínio da bola. Sem contar os vacilos também nos cruzamentos do oponente. Também levou dois gols desta maneira.

Jogo de posse dividida em praticamente todo o jogo – Bota terminou com 52% pela necessidade da reta final. Dezoito finalizações cruzmaltinas contra onze – cinco a sete no alvo. Botafogo cruzou 32 bolas contra 24. Com a tensão, 21 faltas foram cometidas no segundo tempo, enquanto na primeira etapa foram apenas seis.

Na “briga de rua”, o golpe final com Igor Rabello. De cabeça. Para colocar o Botafogo na final da Taça Rio. Para quem não está mais envolvido com outra competição, fundamental. Para quem perdeu seu melhor jogador por uma entrada criminosa, impossível não pensar em justiça.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Vasco é mais um brasileiro que sofre com o “espírito de Libertadores”
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André Rocha

Mais uma vez faltou naturalidade ao time brasileiro para jogar. Mesmo descontando o peso da estreia na fase de grupos, toda essa tensão que transforma a partida numa guerra por ser de Libertadores atrapalha demais.

O Vasco pecou pela pressa. Tanto para definir as jogadas quanto para tentar retomar a bola. Faltas seguidas, ligações diretas e a bola “queimando” no pé. Erros seguidos na tomada de decisão e pouca inteligência tanto para bloquear os pontos fortes como para explorar as fragilidades da Universidad de Chile.

Já o time visitante, armado no 3-4-2-1 pelo treinador Ángel Guillermo Hoyos, contava com vários jogadores experientes: o goleiro Johnny Herrera, os zagueiros Vilches e Rafael Vaz, os meio-campistas Pizarro e Seymour, o ala esquerdo Beausejour e Pinilla no ataque. Não era um primor técnico ou tático, mas tinha calma para fazer o jogo que lhe interessava.

Basicamente forçar pelo lado esquerdo com Beausejour e Soteldo no setor de Yago Pikachu, que não contava com auxílio de Wagner e Wellington no trabalho defensivo. Na recomposição, linha de cinco mais posicionada e concentração para negar espaços. Nos primeiros 45 minutos, a melhor oportunidade surgiu num erro de reposição de Johnny Herrera que Riascos recuperou e cruzou com a bola batendo no travessão. Muito pouco.

Porque o time cruzmaltino facilitava errando passes e arriscando pouco. Faltava experiência e rodagem, além das claras limitações técnicas – sem contar o surto de virose que atingiu o elenco. O jovem Evander não conseguiu ser o organizador no meio-campo, tanto no primeiro tempo mais avançado no 4-2-3-1 quanto na segunda etapa depois que Zé Ricardo trocou Desábato por Andrés Rios.

Substituição infeliz porque os donos da casa não tinham o controle do jogo nem ocupavam o campo de ataque com segurança para tirar um jogador de proteção da retaguarda.Só fizera o goleiro Herrera trabalhar no cruzamento de Pikachu que Rildo cabeceou. Mais uma jogada apressada.

A punição veio com o gol de Ángelo Araos, o melhor em campo. Jovem de 21 anos equilibrando a média de idade de “La U” e desequilibrando a chegada ao ataque. Falha geral do sistema defensivo, inclusive Martín Silva, depois de uma cobrança de lateral. Imperdoável.

Depois só desespero, com a torcida cobrando…pressa para atacar. O time cansou de correr errado. Não podia dar certo. É pressão demais, sem calma e foco no desempenho que constroi o triunfo. Mais uma vítima do “espírito de Libertadores”. Ou a distorção deste.

Saldo final: 57% de posse e dez finalizações do Vasco, mas apenas três no alvo. Os visitantes concluíram nove, quatro na direção da meta de Martín Silva. A diferença foi Araos.

São Januário viu um paradoxo: tanta preocupação do Vasco com o resultado para o time chileno voltar para casa com os três pontos.

(Estatísticas: Footstats)


As lições para o Vasco e todos nós da noite de “San Martín” em Sucre
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André Rocha

Este que escreve é o primeiro a tirar um aprendizado, de uma vez por todas, da incrível virada do Jorge Wilstermann sobre o Vasco no confronto que só não terminou em tragédia para o time brasileiro porque Martín Silva garantiu nos pênaltis.

Com o jogo mais intenso e dinâmico de hoje, sem as muitas bolas recuadas para os goleiros segurarem com as mãos e retardarem o jogo e a reposição muito mais rápida por termos bolas em várias partes do campo, é possível reverter praticamente qualquer placar. Portanto, não convém bancar a classificação na ida, como o blogueiro fez aqui e no seu último comentário sobre os 4 a 0 em São Januário na semana passada pelo Placar Uol.

Tantos outros fizeram o mesmo. Porque o futebol e a vida ensinam e a gente se faz de bobo.

A maior virtude do time boliviano teve pouco a ver com questões técnicas e táticas. Foi acreditar. Ainda que em algo que sempre será questionável como essa vantagem de 2.800 metros que a Conmebol ainda aceita para fazer política e tentar forçar um equilíbrio que normalmente não existe.

Mas nada dessa epopeia teria acontecido se o Vasco não entrasse em campo para uma decisão na Libertadores tão desconcentrado. Como se fosse obrigado a aguentar um desconforto para respirar por pouco mais de 90 minutos para cumprir uma simples formalidade.

Quando acordou estava 3 a 0 em 20 minutos. Três assistências do brasileiro Serginho, sempre pelo lado de Pikachu mal assessorado por Wagner no setor. Ele também daria o passe para o quarto.

Agora é fácil dizer…mas se não havia nenhum compromisso no Brasil por que não viajar para a Bolívia na quinta, logo após o primeiro jogo? Ainda que houvesse os custos de hospedagem, deslocamento, além da turbulência política no país que dificultaria toda a logística, seria o planejamento correto para um disputa tão importante. Será que dimensionamos bem a relevância do torneio mais importante do continente?

O jovem Vasco sentiu o baque, reagiu e podia ter evitado o drama. Mas também podia ter levado o golpe final quando, já com 4 a 0 contra, Thiago Galhardo foi expulso por uma tolice inominável. Outra vez o brasileiro atrapalhando o time com seu despreparo emocional. Tudo quase ruiu no incrível gol perdido por Alex “Pirulito” Silva no último ataque.

Seria uma pancada dura, quase uma pá de cal, na carreira do promissor Zé Ricardo. Depois da eliminação traumática no ano passado com o Flamengo, o vexame colaria no treinador o rótulo de perdedor. Injusto e precoce. Mas se o rubro-negro tinha Muralha, o Vasco contava com Martín Silva.

Em noite de “San Martín”, um dos Libertadores da América do Sul, o goleiro uruguaio tirou o Vasco de uma cilada criada por si mesmo. Três defesas para colocar o time cruzmaltino onde parecia já estar há uma semana: no grupo 5 com Cruzeiro, Racing e Universidad de Chile. Como “zebra”, mas talvez seja melhor assim.

Porque ainda não entendemos muito bem que favoritismo não é garantia no esporte mais imprevisível e caótico. Nos apaixonamos por isto, mas não aprendemos. Que fiquem as lições.