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Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Futebol não é só tática! Na alma, Sevilla encerra a invencibilidade do Real
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André Rocha

Zidane surpreendeu ao mandar a campo pela primeira vez o seu Real Madrid com três zagueiros. Ou uma linha de cinco atrás, tendência recente com o sucesso do Chelsea de Antonio Conte na Premier League.

A lógica é simples: se o adversário trabalha a bola para encontrar espaços, infiltrar nos últimos vinte metros e finalizar, por que não ter mais jogadores para evitar a jogada mais importante? A receita de Mourinho e tantos outros treinadores para parar Barcelona e as equipes de Guardiola ou qualquer time que queira a bola.

Como o Sevilla de Jorge Sampaoli, que é equipe de posse, linhas adiantadas e circulação de bola com tabelas e triangulações no ritmo do redivivo Nasri, que, junto com N’Zonzi, afundou Ganso no banco. Até encontrar as diagonais em velocidade de Ben Yedder, artilheiro da equipe, e Vitolo. Atacantes abertos que encontram parcerias nos flancos com os laterais Mariano e Escudero. Proposta ofensiva.

A resposta merengue foi Nacho entrando na zaga com Varane e Sergio Ramos. Carvajal e Marcelo eram alas no ataque e quase pontas quando o Real Madrid avançava a marcação e pressionava no campo de ataque. Sem a bola, formavam o cinturão de proteção da meta de Keylor Navas com o suporte de Casemiro, preciso nos desarmes.

O time visitante e líder do Espanhol não se incomodava em perder o meio-campo e deixar o mandante controlar a posse (56% no primeiro tempo). A ideia era evitar a ação ofensiva trabalhada que cria a oportunidade cristalina, o adversário na cara do gol.

Conseguiu na primeira etapa. O momento mais perigoso foi com N’Zonzi em cobrança de escanteio. Já o Real, nos contragolpes às costas de Mariano, teve duas espetadas de Cristiano Ronaldo e Benzema. Só faltou a conclusão precisa para coroar o jogo controlado.

A segunda etapa começou com intensidade máxima do time de Sampaoli, muita movimentação e uma bola roubada que virou contragolpe e Ben Yedder, pela primeira vez com espaços às costas de Nacho, parou em Navas.

Taticamente, porém, o Real seguia dono do plano mais bem executado. Logo ameaçou em dois contragolpes até o pênalti do goleiro Sergio Rico em Carvajal, após vacilo de Escudero. Confusão, catimba, provocação de Vitolo, mas nada impediu que Cristiano Ronaldo cobrasse com a precisão costumeira.

Zidane trocou o exausto Kroos por Kovacic. Poderia ter tirado Benzema e colocado Morata para ganhar fôlego nos contragolpes, mas o controle era do Real. Mesmo com Sampaoli arriscando tudo com Sarabia no lugar de Iborra, mas para abrir à direita e enviar Ben Yedder para se juntar no centro do ataque a Jovetic, que substituiu Franco Vázquez.

O Sevilla se mandou, correu riscos com os lentos zagueiros Pareja e Rami contra Cristiano Ronaldo. Mas futebol não é só tática ou estratégia. É também alma, fibra e atmosfera no estádio. E o Ramón Sánchez-Pijzuán ferveu no gol contra de Sergio Ramos, vaiado o jogo todo pelas provocações na Copa do Rei e ainda por conta da saída conturbada do clube. Na bola parada, quando o “abafa” era a única saída.

Com o Real tonto vendo o herói de tantas conquistas recentes com gols nos últimos minutos desta vez ser o vilão e acuado pelos gritos vindo das arquibancadas e pela entrega dos jogadores dentro, veio a virada no chute de Jovetic que Navas espalmou para dentro.

Sim, Sampaoli foi feliz ao colocar presença física na área adversária para ter mais chances de finalizar. Mas isso qualquer treinador faria. Fazer o óbvio às vezes é mérito também.

Zidane provavelmente será responsabilizado pela primeira derrota após 40 jogos. Talvez um técnico mais vivido fizesse o time parar o jogo, quem sabe com trocas no final para ganhar tempo. Porém na estratégia ele acertou mais que errou no duelo contra um dos melhores treinadores do planeta, que rapidamente já faz o Sevilla mudar de patamar no país e no continente.

Mas o futebol é espetacular por essas histórias errantes, sem roteiro definido. Instável, emocionante, imprevisível. Que deixa tudo em suspense, em aberto. Como ficou o Espanhol com o Sevilla voltando à vice-liderança e trazendo o Barça para perto do Real Madrid. Temos um campeonato.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 


Por que os europeus nunca vacilam na semifinal do Mundial
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André Rocha

A vantagem financeira é abissal e cristalina, mas dinheiro não é tudo. Tanto que muitos gigantes milionários tropeçam diante de nanicos em suas ligas.

O Real Madrid, sem Gareth Bale e poupando Sergio Ramos, teve dificuldades nos 90 minutos diante de um América do México bem organizado por Ricardo La Volpe. Com cinco na última linha de defesa, mas sem abdicar do jogo. Mais uma prova de que retranca não tem relação direta com sistema tático.

O time de Zidane, seguro e pragmático, soube girar a bola com paciência, sofrer sem desespero e esperar a brecha até a jogada de Cristiano Ronaldo, Modric, a assistência de Kroos e o belo gol de Benzema que descomplicou o jogo já nos acréscimos de um primeiro tempo de 58% de posse merengue e dez finalizações contra cinco dos mexicanos.

Segunda etapa de controle para dosar as energias, mesmo com alguns sustos pelo ímpeto do América, defendendo invencibilidade de 16 jogos. Zidane fechou sua equipe em duas linhas de quatro com James e Morata nas vagas de Kroos e Benzema e aguardou o melhor momento para o contragolpe letal.

Veio nos acréscimos com o primeiro gol de Cristiano Ronaldo no Mundial com a camisa do Real, em nova confusão da arbitragem com o auxilio do vídeo. Mas nem precisava.

Porque o Real, assim como os europeus que chegaram a todas as decisão do Mundial Interclubes desde 2005, jogou ao natural, como uma partida qualquer. Sem a tensão que os sul-americanos carregam – um misto de medo do vexame, preocupação com a estreia, expectativa altíssima que só aumenta a ansiedade.

Foi assim desde o São Paulo em 2005 nos 3 a 2 contra o Al-Ittihad até a dura derrota do Atlético Nacional para o Kashima Antlers. Passando pelos reveses de Internacional e Atlético Mineiro contra Mazembe e Raja Casablanca. Quase sempre o emocional prejudicando por um certo superdimensionamento da disputa.

Não acontece com os campeões da Liga dos Campeões. Não que eles desprezem o torneio – o Real poupou peças na vitória por 3 a 2 sobre o La Coruña pelo Espanhol antes da viagem. Mas pelo posicionamento do Mundial no meio da temporada no Velho Continente, o peso é diferente.

Para os sul-americanos em geral é o fecho de ouro de um ano vencedor, muitas vezes com uma preparação longa demais, com prioridade total e até desprezando outras competições. O europeu não vai largar sua liga ou a Champions por isso.

Vem funcionando e o Real, que ampliou sua série invicta para 35 jogos, está em mais uma decisão. A segunda no novo formato. Em 2014 superou o argentino San Lorenzo, agora enfrentará o campeão japonês. Outra escola, outra atmosfera diante do anfitrião. Mas o mesmo favoritismo do continente que venceu oito em onze edições. Sem fraquejar na semifinal por deixar acontecer naturalmente.

Se tudo der errado na final de domingo será histórico, até um vexame. Mas não o fim dos tempos em Madrid.

(Estatísticas: Real Madrid)


Real 2×2 Dortmund – Mais um jogaço didático para técnicos brasileiros
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André Rocha

O colega Mauro Cezar Pereira levantou a bola na ESPN Brasil e Tostão reforçou em sua coluna na Folha de São Paulo. Na entressafra de treinadores no Brasil é salutar para jovens e experientes a atenção ao que acontece nos principais centros do planeta.

Como os 3 a 1 do Chelsea sobre o City em Manchester no sábado pela Premier League. Mais interessante tática e até tecnicamente que o superclássico na Espanha entre Barcelona e Real Madrid.

No encerramento da fase de grupos da melhor competição de clubes do mundo, o empate entre Real Madrid e Borussia Dortmund no Santiago Bernabéu foi mais um bom exemplo de uma disputa em alta velocidade, muita intensidade e variações táticas.

A começar pelo avanço do lateral Schemlzer como ala pela esquerda e deixando Bartra aberto na cobertura e Piszczek mais plantado à direita, quase como um terceiro zagueiro. A ideia era aproveitar a organização defensiva do Real em duas linhas de quatro para criar superioridade numérica no meio com Schurrle, em tese o meia aberto à esquerda, centralizando para junto com Gonzalo Castro e Weigl fazer três contra dois diante de Casemiro e Modric. Criar o “homem livre”.

Mas havia um efeito colateral: Schmelzer avançava, não era tão efetivo na frente e na transição defensiva do time alemão abria um buraco pela esquerda que Bartra chegava tarde na cobertura e por ali passavam Lucas Vázquez ou James Rodríguez, Cristiano Ronaldo e Carvajal, que serviu Benzema no primeiro gol do jogo.

Equipes pressionando a saída de bola, jogando com setores próximos e acelerando para surpreender. Jogo aberto no primeiro tempo com posse de bola dividida e cinco finalizações para cada lado, mas quatro na direção da meta de Weindenfeller e apenas duas no alvo do Dortmund.

Mesma toada na volta do intervalo, com o time merengue pressionando o jovem Julian Weigl, que qualifica os passes na saída da defesa. Ora com Modric, ora com James.

O Dortmund minimizou os danos na retaguarda definindo uma linha de quatro com Schmelzer mais fixo. O Real respondeu mais forte pela esquerda, com as descidas de Marcelo e as trocas dos ponteiros. Jogada pelo setor, outro gol de Benzema. Jogo definido? Nem tanto.

Porque Zidane trocou o esgotado Modric por Toni Kroos, vindo de longa inatividade e sobrecarregando Casemiro, um dos melhores em campo. Thomas Tuchel melhorou a produção na frente com Emre More no lugar de Schurrle e Marco Reus na vaga de Pulisic. Dembélé foi para o lado direito, onde rende mais que centralizado. Depois Sebastian Rode substituiu Castro e reoxigenou o meio.

Mas o grande acréscimo na frente foi Reus, que seria titular absoluto não fosse a infelicidade de lesões seguidas. Um dos mais talentosos atacantes da Europa. Pelo centro, passou a dividir as atenções da marcação com Aubameyang e o Dortmund cresceu, mesmo correndo riscos. Inclusive um incrível gol perdido por Cristiano Ronaldo, que não consegue chegar aos 96 gols na Champions.

Gol de Aubameyang, empate no final com Reus. O Real tentou um abafa com Morata, que entrou no lugar de Benzema, e Cristiano Ronaldo na área rival. Jogaço de quinze finalizações contra doze, equilíbrio na posse. Grandes defesas de Weindenfeller e Keylor Navas.

Os times fazem história. O Real Madrid de Zidane aumenta a invencibilidade para 34 partidas e iguala a marca da temporada 1988/89. Com a segunda colocação, foge de Bayern de Munique e Manchester City. As bolinhas do sorteio costumam ser generosas com o time de Madrid.

Já o Dortmund alcança o recorde de gols numa fase de grupos da Liga dos Campeões: 21 gols em seis partidas, média superior a três por partida. Ajudaram a construir a liderança do grupo.

Sanha ofensiva, variações táticas, dois grandes times do continente e do planeta. Material obrigatório para observação e estudo. Para seguir antenado, sem “vanguarda” apenas no discurso.

(Estatísticas: UEFA)


Entreguem duas (ou quatro) Bolas de Ouro a Cristiano Ronaldo
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André Rocha

Uma pela temporada 2015/2016, com o titulo da Champions e a conquista da Eurocopa, já estava garantida para Cristiano Ronaldo.

Mas marcar os três gols da vitória sobre o quase sempre sólido Atlético de Madrid de Simeone no Vicente Calderón – na última edição do clássico, ao menos no Espanhol, é digno de outro prêmio. E como estamos em novembro, seriam duas Bolas de Ouro.

Agora com a France Football e a FIFA separando as premiações, é possível que ele receba mesmo as duas. Então seriam quatro. Sim, é uma hipérbole, mas com fundo de verdade.

Para completar o feito incrível, agora o português é o maior artilheiro do clássico de Madrid, com 18 gols. Sem contar os 32 tripletes pela liga espanhola. Números cada vez mais impressionantes de um finalizador ímpar. Na história do esporte.

Mérito também de Zidane, que perde peças do tamanho de Casemiro e Toni Kroos no meio-campo, e vai reinventando o time dentro do 4-3-3 que tem problemas coletivos, mas mantém a capacidade de competir. Só uma derrota em 32 partidas sob o comando do francês.

Pode não ser plástico, mas funciona. Como Cristiano Ronaldo. Eficiente. No Calderón com atuação digna do que ele representa para o futebol atual, com seus 31 anos: o melhor centroavante do mundo. Que merece todos os prêmios em 2016. Que já tem a eternidade.


As primeiras impressões do Sevilla de Sampaoli e a vocação do Real Madrid
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André Rocha

Paulo Henrique Ganso não estreou. Sequer foi relacionado. Mas nas primeiras impressões já foi possível perceber as ideias de Jorge Sampaoli no Sevilla que decidiu a Supercopa da Europa em Trondheim, Noruega.

A começar pela posse de bola, que nos 90 minutos sempre rondou os 65%. Saída com passes rasteiros, ora com os zagueiros Pareja e Carriço abertos e um dos volantes, N’Zonzi ou Iborra, recuando para qualificar o passe. Ou Kolodziejczak, escalado na lateral, voltando na linha dos defensores e o meia Vitolo espetando como ala.

Variações para priorizar a construção com o time descendo em bloco. Para o início do trabalho, a missão é transformar o controle da bola em volume de jogo. A rigor, o atual bicampeão da Liga Europa finalizou pouco.

O Real Madrid foi mais efetivo, mesmo com a formação mais alternativa que Zinedine Zidane mandou a campo e deixou os titulares Modric e Benzema no banco, mais James Rodríguez. Pepe e Cristiano Ronaldo ainda não estão prontos. Destaque para Marco Asensio. Não só pelo golaço que abriu o placar, mas pelo estilo do meia de 20 anos revelado pelo Mallorca.

Aberto pela esquerda no 4-1-4-1,  permitia que Marcelo apoiasse mais por dentro e ajudasse Kovacic e Isco na articulação. Pela direita, Lucas Vázquez fazia boa dupla com Carvajal. O time merengue não tinha a bola, porém era mais vertical e eficiente.

Sevilla de Jorge Sampaoli com variações na saída de bola, triangulações pelos flancos, porém menos efetivo que o Real Madrid com formação inicial alternativa, no mesmo 4-1-4-1 do final da temporada passada, com força pela esquerda com Asensio aberto e Marcelo apoiando por dentro em vários momentos (Tactical Pad).

Sevilla de Jorge Sampaoli com variações na saída de bola, triangulações pelos flancos, porém menos efetivo que o Real Madrid com formação inicial alternativa, no mesmo 4-1-4-1 do final da temporada passada, com força pela esquerda com Asensio aberto e Marcelo apoiando por dentro em vários momentos (Tactical Pad).

Mas o Sevilla, com paciência e rondando a área rival, empatou com o argentino Franco Vázquez ainda no primeiro tempo. Virada na segunda etapa com a cobrança de pênalti do ucraniano Konoplyanka, que entrou na vaga de Vietto e o ataque ficou sem uma referência na frente. Também perdeu um homem, com a expulsão de Kolodziejczak.

Vitolo virou lateral de vez e Sampaoli simplificou com um 4-4-1 básico, com Rami na zaga e Kranevitter no meio-campo. Mas ainda com sua filosofia: bola no chão, triangulações pelos flancos e sem abrir mão do ataque. Jogo controlado e título próximo.

Não fosse o Real do outro lado, já com Modric, Benzema e James em campo. Não fosse Sergio Ramos na área do oponente aos 48 minutos. Outro empate salvador na cabeça do zagueiro no lance derradeiro do tempo normal.

Lembrou Lisboa em 2014. O Sevilla, porém, não se desmanchou mentalmente como o Atlético de Madrid na prorrogação. Diminuiu a posse, recuou as linhas por conta do cansaço. Mas com organização e intensidade. Teve gol anulado de Sergio Ramos em lance discutível com Rami. Caminhava para os pênaltis.

Não fosse o Real Madrid, maior da Europa. Não tivesse Carvajal um vigor físico absurdo para a arrancada que abriu todos os caminhos pela direita até vencer o goleiro Rico. No final do tempo extra.

A segunda conquista como técnico de Zidane. O terceiro título do torneio para o clube. Venceu todas neste século – 2002 e 2014. Porque levar para casa taças continentais parece a vocação do Real.

Na prorrogação, o Sevilla se fechou num 4-4-1 e o Real Madrid, com Modric, Benzema e James Rodríguez, ocupou o campo de ataque e garantiu o título da Supercopa da Europa com o golaço de Carvajal (Tactical Pad).

No final do tempo extra e na prorrogação, o Sevilla se fechou num 4-4-1 e o Real Madrid, com Modric, Benzema e James Rodríguez, ocupou o campo de ataque e garantiu o título da Supercopa da Europa com o golaço de Carvajal (Tactical Pad).

 


Eder consagrou CR7. Lembre outros coadjuvantes que eternizaram gênios
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André Rocha

Cristiano Ronaldo mudou de patamar na história do futebol com a conquista da Eurocopa. Ficou maior. Se Messi não mais jogar pela seleção argentina, este título do português pode colocá-lo acima do seu grande rival nos tantos rankings e eleições individuais que aparecem por aí e sempre existirão.

Porque comparar é um hábito milenar do ser humano, até para criar modelos, padrões e organizar os pensamentos, se situar.

Só que estamos falando de um esporte coletivo. Não há vitória solitária. A frase “Cristiano Ronaldo ganhou a Eurocopa” passa pelo gol de Eder na decisão. Ou o de Traustason, da Islândia contra a Áustria, que jogou o hesitante Portugal da fase de grupos no chaveamento mais acessível, saindo da rota de Itália e Alemanha antes da final.

Os livros estão repletos de casos de coadjuvantes que salvaram gênios da bola eternizados por suas grandes vitórias. Vamos lembrar:

1 – Pelé/Clodoaldo

Copa de 1970, semifinal contra o Uruguai.  Tensão pelo confronto com o algoz em 1950. Gol de Cubilla em falhas de Brito e Félix, primeiro tempo se arrastando para o final e a lendária seleção brasileira a ponto de se desmanchar mentalmente. Atuação sem brilho do Rei, o grande destaque individual no México.

Gerson, meia-armador e organizador da equipe, está bem vigiado e não consegue abastecer o ataque. Em uma conversa rápida com os companheiros surge a ideia: trocar com Clodoaldo e passar a ser volante, atraindo a marcação e desarrumando o meio-campo adversário.

O camisa cinco se lança ao ataque, recebe lançamento de Tostão e marca o gol de empate que seria a senha para a virada espetacular no segundo tempo, com atuação mágica de Pelé, que quase marcou um gol antológico, fintando o goleiro Mazurkiewicz sem tocar na bola e por pouco não surpreendeu o goleiro numa saída de bola equivocada.

Caminho aberto para o tri e a consagração do camisa dez. Graças ao companheiro menos badalado do Santos.

2 – Maradona/Olarticoechea

A lembrança marcante como coadjuvante do “Pibe” é de Burruchaga marcando o gol do título sobre a Alemanha na decisão no Estadio Azteca. Mas sem a presença do ala pela esquerda de nome esquisito, talvez a história do jogo mais emblemático da conquista da Argentina em 1986 tivesse sido diferente.

Na memória do planeta, um gol de mão e outro simplesmente o mais espetacular de todas as Copas. Maradona, o herói do triunfo que transcendeu o futebol como vingança por conta da Guerra das Malvinas. Só que o jogo não acabou com o segundo toque de Diego para as redes inglesas.

John Barnes entrou aos 29 minutos do segundo tempo. Em 1984 havia marcado um golaço no Maracanã enfileirando brasileiros na vitória inglesa por 2 a 0. Um ponta talentoso, mas descartado por ser negro. Fez a jogada do gol de Lineker, o sexto do artilheiro daquele Mundial. E faria o do empate, em nova arrancada de Barnes, não fosse o toque salvador de Olarticoecha, tirando do camisa dez inglês que já havia se desmarcado do zagueiro Ruggeri.

O detalhe: quem perdeu a bola na intermediária que gerou esse contragolpe foi…Maradona. Já exausto, assim como seus companheiros. Com o empate, como seria a prorrogação? Não houve. Porque Olarticoecha salvou o “Dios” argentino.

3 – Zidane/Blanc

Zinedine Zidane não perdeu a cabeça e foi expulso apenas na tão tola quanto lendária cabeçada no peito de Materazzi na final da Copa de 2006.

Em 1998, na vitória tranquila por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita ainda na segunda partida da fase de grupos pisou em um adversário sem nenhuma necessidade e levou o cartão vermelho. Suspenso por dois jogos.

Ou seja, ficou de fora do duelo contra o Paraguai de Chilavert e Gamarra nas oitavas-de-final. Um dos sistemas defensivos mais sólidos e organizados daquela Copa. Zidane viu sua seleção rondar a área, sofrer e ser obrigada a já na primeira disputa eliminatória jogar uma prorrogação com “morte súbita”.

Um gol paraguaio e o camisa dez que pulverizaria o Brasil na decisão e entraria para o olimpo da bola iria para casa. Mas Laurent Blanc – sim, o ex-técnico do Paris Saint-Germain e ótimo zagueiro – fez o primeiro “golden goal” da história das Copas e salvou a pele de seu compatriota. Oito anos depois, Zizou não teve a mesma sorte e a Itália venceu nos pênaltis.

4 – Beckenbauer/Vogts

Até a decisão da Copa de 1974 em Munique, o craque do torneio era Johan Cruyff, gênio do “Carrossel Holandês”, a última grande revolução do esporte arquitetada fora do campo por Rinus Michels.

No primeiro minuto da final, justificou o status com uma arrancada desde a defesa  – era o último homem quando recebeu a bola! – e ser derrubado por Schwarzenbeck. Pênalti convertido por Neeskens. O primeiro a ser driblado foi Bert Vogts. Lateral direito de origem, mas que por ser um abnegado e incansável marcador foi designado para perseguir o falso centroavante holandês por todos os campos.

Mais ou menos o que Gentile faria com Zico e Maradona oito anos depois. Tempos de marcação individual. Deu certo. Vogts anulou Cruyff, facilitou a vida do líbero Franz Beckenbauer, que liderou sua seleção para a virada por 2 a 1 e consagrou o “Kaiser” com seu único título mundial como jogador.

Em 1990 seria o segundo, depois de Zagallo, a ser campeão como jogador e treinador. Talvez a história tivesse sido bem menos generosa com Beckenbauer se não fosse a dedicação de Vogts no cerco a Cruyff.

5 – Romário/Branco

Quando se fala de grandes atuações individuais em Copas do Mundo, as lembranças recaem sobre Maradona em 1986, Garrincha em 1962 e Romário em 1994, tal a dependência da seleção brasileira treinada por Carlos Alberto Parreira.

Nos Estados Unidos, o camisa onze foi protagonista em praticamente todas as partidas. Na final contra a Itália perdeu gol feito, mas carregava o mundo nas costas naquela tarde tórrida no Rose Bowl. Foi corajoso na decisão por pênaltis ao pedir para bater sem ser um dos cobradores escolhidos.

Mas, a rigor, a sólida equipe só se viu fragilizada em um único momento daquela Copa: as quartas-de-final contra a Holanda: 2 a 0, com golaço de Romário, que virou 2 a 2 em poucos minutos por total desconcentração da defesa. Os 24 anos sem títulos pesaram como nunca. Time desorganizado e exposto.

Até Branco cavar uma falta em um lance que mais pareceu infração do lateral esquerdo, que largou a mão no rosto de um adversário. Cobrança forte e precisa, choro do gaúcho que superou problemas físicos para substituir Leonardo, expulso nas oitavas contra os Estados Unidos.

Romário fez contorcionismo para sair da bola. Imaginem se ela explodisse nas costas do Baixinho e fosse para fora…

Nunca saberemos. Porque o futebol é imprevisível como a vida. E nas pequenas vitórias do cotidiano dependemos de tanta gente…Assim como os gênios da bola precisaram de companheiros menos famosos para ocuparem seus tronos. Vale a lembrança.

 


A incrível sina dos times de Madrid na “Undécima” do Real
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André Rocha

Muitos times se desmanchariam emocionalmente se levassem um gol numa final do tamanho da Liga dos Campeões antes dos 15 minutos de jogo. E logo do algoz há apenas dois anos. E com Sergio Ramos impedido. Por pouco, mas irregular.

Não o Atlético de Simeone, que voltou a se aprumar, continuou sofrendo com as jogadas aéreas do Real Madrid, mas terminou o primeiro tempo em Milão com as mesmas cinco finalizações do rival e igualando em posse de bola.

Equipes tão cascudas quanto a colchonera jogariam a toalha no pênalti perdido pelo craque do time no segundo minuto da segunda etapa. Griezmann no travessão.Já com Carrasco no lugar de Augusto Fernández e rearrumando o desenho tático para um ofensivo 4-3-3.

O Atlético insistiu. Podia ter sucumbido nas chances seguidas dos merengues nos contragolpes. Fechado num 4-1-4-1 com Bale e Cristiano Ronaldo recompondo pelas pontas. Benzema perdeu à frente de Oblak. O francês deu lugar a Lucas Vázquez. Antes Zidane trocou o extenuado Kroos por Isco. Na mesma jogada, Ronaldo e Bale desperdiçaram à frente de Oblak.

Até Marcelo deixar espaços às suas costas com o sistema defensivo postado. Velho erro de posicionamento que Juanfran aproveitou e centrou para Carrasco, que se antecipou a Danilo, substituto do lesionado Carvajal e outro lateral brasileiro a falhar nas suas atribuições como defensor.

Quando o jogo parecia à feição para a virada colchonera, o time que teve que se desgastar mais ao longo do jogo pela desvantagem no placar e os abalos emocionais não teve pernas. Filipe Luís e Koke estouraram e as entradas de Lucas Hernández e Partey acrescentaram pouco nos minutos finais e na prorrogação arrastada por conta do cansaço geral.

Pênaltis. Definidos primeiro pelo inexplicável comportamento de Oblak. Ainda que as cobranças de Vázquez, Marcelo, Bale, Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo tenham sido precisas, o arqueiro esloveno não saltou em nenhuma. Parecia aguardar o chute no meio do gol. Ou sentiu mesmo a pressão.

O experiente Juanfran não afinou, mas foi infeliz. Navas até saltou no chute na trave direita que transferiu ao português e artilheiro absoluto com 16 gols o papel de herói. O décimo primeiro título do gigante em 14 decisões. Conquistado com incrível recuperação da equipe com Zidane, mas também os sorteios favoráveis que colocaram Roma, Wolfsburg e City no caminho.

Tudo conspirou contra o time de Simeone, que suportou e enfrentou todos os oponentes. Inclusive os campeões PSV, Barcelona e Bayern de Munique. Só não teve como fazer frente à incrível sina. Terceiro vice na Champions. Todos doídos, difíceis de encontrar consolo.

Se há uma razão para sofrer menos é ter perdido duas nos detalhes para o maior campeão. Um time fadado a levar a “orelhuda” para casa.

(Estatísticas: UEFA)


Revanche nos olhos não pode virar sede de vingança para Atlético de Madrid
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André Rocha

Simeone Atletico

O melhor sistema defensivo da Europa. Apenas 18 gols sofridos em 38 rodadas do Campeonato Espanhol. Só sete na Liga dos Campeões, sendo quatro deles contra os gigantes Barcelona e Bayern de Munique.

Concentração absoluta, força mental para jogar sem a bola e coordenar linhas compactas, coberturas, dobras de marcação, pressão sobre o homem da bola. Todos participando com entrega total. Uma incrível capacidade de competir durante os 90 minutos.

Vimos isso durante toda a temporada do Atlético de Madrid de Diego Simeone. Agora imagine tudo isso com uma preparação de quase vinte dias – desde a derrota por 2 a 1 para o Levante na penúltima rodada do Espanhol que acabou com qualquer chance de disputar o título nacional.

Toda a atenção voltada para um jogo. O jogo. A final da Liga dos Campeões no Giuseppe Meazza em Milão. A terceira da história do clube. A segunda contra o maior rival do próprio país, da própria cidade. Dois anos depois de perder a primeira na prorrogação.

Ou no golpe letal de cabeça de Sergio Ramos nas esperanças de uma temporada mágica dos colchoneros, com o título da liga superando dois gigantes. No lance derradeiro do tempo normal no Estádio da Luz.

Talvez Simeone tenha torcido para enfrentar o Real Madrid e não o Manchester City na final continental. Porque o ineditismo do inglês transferiria um incômodo favoritismo pelas experiências recentes e por ter eliminado o atual campeão e o time de Guardiola.

Contra os merengues, “Cholo” deve colocar revanche nos olhos de seus comandados. Um firme propósito de deixar a vida em campo se for preciso. Todo suor, toda atenção, toda paixão. A maior resistência possível de um exército.

Só não pode transformar esse doping emocional em sede de vingança e se perder na truculência punida com cartão vermelho e uma desvantagem numérica que seria fatal diante de rival tão poderoso.

Na lembrança, os 2 a 1 do Barcelona no Camp Nou pelo Espanhol com o Atlético cumprindo atuação perfeita na tática e na estratégia e, mesmo levando a virada, fazia jogo igual até que as expulsões dos pilhados Filipe Luís e Godín pulverizassem qualquer chance de reação.

Simeone exige que seus soldados sejam competitivos, mas também saibam fazer “jogos mentais” com provocações, intimidando com um jeito sul-americano. Não é bonito nem nobre. Mas legítimo se limitado às regras do jogo.

Para sábado, a estratégia não deve fugir das linhas de quatro muito próximas, quase chapadas. Torres e Griezmann à frente, mas colaborando sem a bola. Alternando pressão no ataque e proteção à meta de Oblak com todos no próprio campo.

Na transição ofensiva, muita velocidade, toques práticos, rápidos e verticais. Como no contragolpe que terminou no gol de Griezmann sobre os bávaros na Allianz Arena. Ou mesmo no último duelo contra o Real Madrid: 1 a 0 no Santiago Bernabéu. Também Griezmann. Bola roubada, saída rápida, o francês acionou Filipe Luís e apareceu na área para finalizar.

O desafio será fugir da marcação pressão sufocante que Zidane prepara nos treinos. A saída de bola terá que ser precisa. O Real marcou dez gols em contra-ataques na temporada – sete no Espanhol, três na Champions. O Atlético só cinco, a metade. Mas o contexto dá o contragolpe a Simeone.

A ideia do técnico francês é roubar a bola perto da meta rival para acelerar e acionar rapidamente o trio BBC que deve ter Cristiano Ronaldo no sacrifício e alternando com Benzema no centro do ataque. A jogada aérea com o próprio craque português, o Bale de nove gols de cabeça na temporada e, claro, o “carrasco” Ramos é arma importantíssima também.

É disputa sem favoritos. O Real tem mais talentos desequilibrantes, a confiança da incrível recuperação no Espanhol com 12 vitórias seguidas e a serenidade de quem venceu o clássico decisivo em 2014.

Já o Atlético virá com toda a alma e o fogo no olhar. O perigo é ser consumido pelas chamas.

(Estatísticas: Whoscored)

 

As prováveis formações para a final em Milão: Atlético no 4-4-2 compacto e concentrado no plano de jogo, Real no 4-3-3 que pode alternar Benzema e Cristiano Ronaldo para poupar energias do português no sacrifício (Tactical Pad).

As prováveis formações para a final em Milão: Atlético no 4-4-2 compacto e concentrado no plano de jogo, Real no 4-3-3 que pode alternar Benzema e Cristiano Ronaldo para poupar energias do português no sacrifício (Tactical Pad).

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