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Onde há fome de Champions, lá está Cristiano Ronaldo
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André Rocha

Foto: Divulgação/ Juventus

O fim da relação entre Cristiano Ronaldo e Real Madrid é a prova de que até os casamentos mais bem sucedidos passam por desgastes. Os mortais, os comuns normalmente aceitam uma vida sem o desafio da conquista diária. Colocam outras vantagens, inclusive a estabilidade e a ciência das virtudes e defeitos da parceria.

Não para Florentino Pérez, certamente incomodado pela falta de negociações nas últimas janelas de transferências por conta da sede de entrosamento e sintonia de Zinedine Zidane. Bi da Liga dos Campeões repetindo a escalação em duas finais, algo inédito. Mais ainda para um clube comprador e um presidente viciado em times galácticos.

Muito menos para o CR7. Competitivo em tudo. Quer sempre o topo. Dos prêmios individuais, da artilharia, entre os mais bem pagos. Também quer ser amado. E os aplausos da torcida na Arena Juventus depois de seu gol antológico de bicicleta certamente pesaram na hora de escolher a Juventus. Ainda que seja um negócio de 105 milhões de euros por um jogador de 33 anos.

Ou melhor, um atleta. De força inesgotável, foco inigualável. Treinamento, alimentação, repouso, força mental. Tudo cuidado com profissionalismo, sem concessões. Gestão de carreira impecável. Para seguir no mais alto nível até quando for possível – e como é difícil imaginar até quando isto vai durar com tamanha disciplina e uma estupenda mentalidade vencedora.

Acima de tudo, para continuar vencendo o principal torneio de clubes do planeta. O grande trunfo na disputa pelo prêmio de melhor do mundo. Está claro que Cristiano Ronaldo quer desenhar uma história única na Champions. Ser o maior vencedor e por clubes diferentes para que ninguém duvide que a força está com ele, não com o time. Ainda que o atacante cada vez mais dependa dos companheiros para decidir com sua ímpar capacidade de concluir as jogadas.

Mesmo para o gigante Real Madrid de 13 títulos será difícil manter o espírito competitivo depois de um tricampeonato. O tetra pode até vir, mas em um elenco renovado, com protagonistas querendo acrescentar a conquista no currículo. Com Ronaldo ficaria a impressão de uma fé no “piloto automático” que não existe no mais alto nível.

Foi assim na saída do Manchester United sem forças para rivalizar com o Barcelona de Guardiola e Messi e já caminhando para o fim da Era Alex Ferguson. Na época, o Real estava há sete temporadas sem vencer a Champions e encarava uma sequência de eliminações nas oitavas de final. Ele chegou e reescreveu a história.

Agora a escolha do português não podia ser melhor. A Juventus rica e estruturada, mas já saturada de conquistas nacionais com um hepta da Série A italiana vai focar tudo na Liga dos Campeões que não conquista desde 1996. A presença de Ronaldo e toda a visibilidade embutida aumentam o poder de atrair outros talentos, incluindo colegas de Real. Difícil até vislumbrar uma formação titular de Massimilano Allegri com a nova estrela.

É óbvio que é impossível prever se haverá química entre craque, clube e companheiros. Os títulos podem demorar um pouco, como aconteceu em Madri. A saída de Buffon é baixa importante, na história e no vestiário. Mas em tese a presença de alguém tão vencedor vai estimular o crescimento de todos, especialmente Dybala. Falta ao argentino de 24 anos a chama que sobra no maior artilheiro da história da seleção portuguesa e do Real Madrid.

Para quem ama o esporte, fica o “luto” pelo fim da maior rivalidade local de todos os tempos entre gênios de uma mesma época. Messi e Cristiano Ronaldo disputando a mesma liga nacional com dois duelos garantidos por temporada em gigantes como Barcelona e Real Madrid. Um roteiro de filme. Acabou. Pelo menos não haverá remorso de quem curtiu cada embate sem a preocupação de ficar desqualificando um para exaltar o outro.

Buffon partiu lamentando que o CR7 tivesse encerrado por duas vezes o sonho continental da Velha Senhora. Agora o gênio da grande área do século 21, de impressionantes 451 gols em 438 jogos no time merengue vai se testar em Turim. Porque onde há fome de Champions, lá está Cristiano Ronaldo.

 


Real Madrid tem vivência em finais. Liverpool precisa “enlouquecer” em Kiev
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André Rocha

Carvajal, Varane, Sergio Ramos, Marcelo, Modric, Isco, Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. Nove jogadores que estiveram em campo na primeira final de Liga dos Campeões do Real Madrid na década. Estádio da Luz, Lisboa, há exatos quatro anos.

Nove que sofreram e transformaram o alívio do golpe salvador de Sergio Ramos no último ataque na apoteose dos três gols na prorrogação sobre o Atlético de Madri e o êxtase de “La Decima” para o maior ganhador do torneio.

Em 2018, os nove estão entre os relacionados para a decisão contra o Liverpool em Kiev. Buscando o tricampeonato depois das conquistas em 2016 e 2017. A quarta final em cinco edições. Conhecem o clima, a diferença de mata-mata para jogo único, a expectativa, o batalhão de jornalistas, os olhos do mundo.

Contam também com algo fundamental: apenas experiências vitoriosas como referências para tentar repetir o feito e entrar definitivamente para a história como os primeiros tricampeões da era Champions. Igualando o lendário Bayern de Munique de Franz Beckenbauer e Gerd Muller, os últimos a ganhar a Europa três vezes seguidas.

Não é pouco. Muito menos algo para ser tratado de forma blasé, como se já estivessem fartos de levantar taças. A mentalidade vencedora do Real Madrid na Champions impressiona. E pode ser o grande trunfo na Ucrânia. Decisões são resolvidas na maioria das vezes com força mental e qualidade individual. Como a maioria dos onze duelos em 180 minutos ou mais de mata-mata deste time sob o comando de Zinedine Zidane. Sofrendo e saindo de situações difíceis com frieza e eficiência.

Em meio à tanta tensão, a confiança ajuda mais que qualquer vantagem tática que pode surgir no confronto. Os 4 a 1 sobre a Juventus em Cardiff foram a grande prova do rolo compressor que o Real Madrid pode se tornar quando a qualidade técnica e o entrosamento encontram o melhor cenário psicológico do duelo.

Tudo que o Liverpool precisa evitar. Se entrar aceitando a condição de “zebra”, apesar do que representa a camisa cinco vezes campeã, a chance de sucumbir é enorme. Até pela inexperiência em finais de todos, desde Jurgen Klopp até Mohamed Salah, artilheiro e candidato ao prêmio de melhor da temporada.

A solução? A mesma dos melhores momentos na temporada: pé fundo no acelerador. O “gegenpressing” de Klopp no volume máximo. Perde e pressiona com fúria por todo o campo. Como se não houvesse amanhã. Assumindo os riscos de um oponente com a técnica do Real se livrar e chegar com igualdade ou superioridade numérica no ataque.

Mas com boas chances também de recuperar e acionar rapidamente o tridente Salah-Firmino-Mané. De intensa movimentação do brasileiro que vai buscar as costas de Casemiro para acionar seus companheiros entrando em diagonal, nos espaços entre Carvajal e Varane ou Sergio Ramos e Marcelo. Defesa que não vem demonstrando a segurança de outros momentos desta trajetória vencedora recente. Pode causar estragos.

No “jogo mental” da decisão, o melhor cenário para os Reds é tirar o favorito do conforto de jogar como protagonista. Os vividos madridistas estão acostumados a encontrar medo nos olhares do outro lado do campo. O que farão se encontrarem fome, fúria e uma vontade inquebrantável de deixar a vida no campo em busca da glória? Ainda mais considerando que o Real vêm de sustos em casa contra Juventus e Bayern de Munique, quando foi dominado e podia ter sido eliminado.

Não será fácil para Klopp convencer seus comandados a deixarem o comportamento padrão de respeito, estudo, aprumar os nervos nos primeiros minutos. Ou a sedutora ideia de dar a bola ao Real e esperar os espaços aparecerem para seu ataque rápido e demolidor. Mas o Liverpool já fez isso antes e o desempenho caiu absurdamente. Inclusive com alguns riscos, como o primeiro tempo na volta em Manchester contra o City e a segunda etapa contra a Roma no Estádio Olímpico.

Diante do bicampeão do continente qualquer vacilo em 90 minutos pode ser letal. Melhor “enlouquecer” e, se tudo der errado, ser lembrado pela coragem de tentar fazer diferente. E para isto ninguém é melhor que Klopp, o “maluco beleza”, o Nigel Mansell do futebol. Capaz de transfomar Kiev num “hospício” e fazer história. Alguém duvida?


Não é a derrota de Fernando Diniz, mas a vitória de Abel Braga
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André Rocha

Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

Quando se contrata Fernando Diniz você compra uma ideia. Que precisa de tempo. Para aperfeiçoar os métodos, adaptar melhor o elenco à proposta de jogo e trabalhar as divisões de base para que o jovem entre no time profissional já sabendo o que fazer. O próprio treinador também necessita de vivência para aprimorar sua visão, o feeling. Como em qualquer ofício. É da vida.

A mágica no futebol é raríssima. O Barcelona de Guardiola vinha de Johan Cruyff, mas também do antecessor Frank Rijkaard. A combinação das escolas holandesas e espanholas apenas ganhou atualização e novos elementos. E havia material humano para executá-la com excelência. O mesmo para a origem, a Holanda de 1974. Rinus Michels reuniu o que se fazia no Ajax e no Feyenoord e deu ênfase à intensidade e a um movimento radical: o “arrastão” com todos correndo na direção da bola ao mesmo tempo para roubar e partir com superioridade numérica ou deixar um ou mais adversários em impedimento.

Diniz só não pode entrar na roda viva do futebol brasileiro, condicionada apenas a resultados imediatos. Se for para ser assim é melhor nem contratar. Ou abraça o projeto acreditando ser possível criar uma identidade e lá na frente fazer história ou entra no bolo da tentativa e erro.

Mas há jogos e jogos. E os 2 a 0 aplicados pelo Fluminense no Maracanã sobre o Atlético Paranaense foi o do espetáculo através do contragolpe. Este movimento tão incompreendido. Ou visto de uma forma até contraditória. Se é praticado por um time sem estrelas ou de um treinador com discurso mais pragmático é tratado como único recurso para compensar as limitações técnicas.

Por outro lado,caso o time conte com craques ou venda uma imagem de “jogo bonito” eles entram no pacote do “espetáculo”. Como os muitos do Manchester City campeão inglês de Guardiola. Ou os vários do Brasil de 1970, no calor do México aproveitando a preparação física realizada com muita antecedência e métodos modernos para a época. Mas confundem com “magia”.

O time de Abel Braga empilhou contragolpes. Uma goleada não teria sido nenhum absurdo no universo de treze finalizações, seis no alvo. Duas nas redes com Jadson concluindo e Thiago Heleno fazendo contra e depois Marcos Júnior. O Atlético finalizou 16, mas apenas três na direção da meta de Julio César. Com 66% de posse.

O detalhe que passa despercebido por quem olha os números e interpreta como domínio do time visitante é que a proposta de negar espaços e aproveitar os cedidos pelo oponente visa dificultar as finalizações “limpas”. Com liberdade. E usar a velocidade na transição ofensiva para criar as chances cristalinas.

E nisto o Flu foi preciso, até pelo maior tempo de trabalho. Um 5-4-1 organizado, com linhas próximas e estreitando a marcação no setor em que estava a bola. Alternando marcação no próprio campo com a adiantada para dificultar a construção da equipe de Diniz desde a defesa.

Bola retomada, saída rápida e com muita gente. E o mérito de Abel no Flu é privilegiar quem sabe jogar. Jadson e Richard são volantes com passes rápidos e certos, os alas Gilberto e Marlon descem com vigor e confiança, mas também técnica. Sornoza é o organizador, Marcos Júnior é o típico ponteiro ligeirinho que corre mais que pensa, mas dá sequência aos ataques e tem momentos de lucidez. Assim como Pedro vai evoluindo e mostrando não ser apenas o tradicional centroavante rompedor.

Nada muito sofisticado, até porque o orçamento tricolor não permite. Mas a proposta é voltada para o ataque, sempre. Mesmo que seja reagindo à iniciativa do adversário. E fica mais fácil quando se sabe o que o oponente vai fazer. O grande risco das ideias de Diniz sem o modelo bem assimilado e jogadores capazes de surpreender na jogada individual é a previsibilidade. Não há surpresa. O time terá a bola, ocupará o campo de ataque e trocará passes até encontrar uma brecha.

Pior ainda com uma recomposição lenta e sem defensores rápidos nas coberturas. Se transforma num convite aos rivais. Não por acaso as cinco derrotas seguidas. Ajustes imediatos são necessários, sem abrir mão dos princípios. Insistir apenas por “filosofia inegociável” será pouco inteligente, para dizer o mínimo.

Assim como é obtuso não reconhecer os méritos de quem faz um jogo potencializando virtudes e explorando as deficiências do adversário. Questão de lógica pura e simples. Porque o objetivo deste esporte que tanto amamos não mudou: colocar a bola na rede e vencer fazendo mais gols que o outro time. Há maneiras e maneiras de conseguir este intuito. Tolo é quem acredita nos que vendem a ideia de que só há uma. Ou a mais “nobre”.

Até Guardiola, ícone e referência dos defensores do jogo de posse como o “Santo Graal” do esporte,  já entendeu que é preciso ser “camaleão”, jogar por demanda, de acordo com o que pede o confronto. A especialidade do Real Madrid de Zinedine Zidane que pode ser tricampeão europeu e do mundo. Que também não surgiu por mágica. Veio da semente de Carlo Ancelotti e da manutenção de uma base.

Diniz é jovem na função e vai aprender. Pode e deve tirar lições, inclusive de Abel Braga.  O veterano treinador é que foi o grande vencedor na noite da beleza do contra-ataque no Maracanã.

(Estatísticas: Footstats)

 


Bayern erra demais, Real Madrid tem mais sorte que juízo e está na final
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André Rocha

Foram 33 finalizações do Bayern de Munique no confronto. 13 no alvo. Apenas três gols. Muitas chances perdidas. Em Madri, a mais incrível de James Rodríguez no primeiro tempo. Logo o melhor em campo. Justo ele que deixou o campo para a entrada de Javi Martínez e o time bávaro apelar para os cruzamentos a esmo. Sem construção. Um equívoco de Jupp Heynckes.

Mais a falha grotesca de Ulreich no ínicio da segunda etapa para o segundo gol de Benzema. Goleiro que se junta a Rafinha, que vacilou em Munique e perdeu a bola que terminou no gol de Asensio. Os dois “vilões”. Ainda as finalizações erradas em profusão de Muller e Lewandowski.

Só Kimmich, com um gol em cada partida, e James mais acertaram que erraram. E não se pode pecar tanto numa semifinal de Liga dos Campeões contra esse Real Madrid bicampeão europeu.

Mas o time de Zidane teve mais sorte que juízo. Incluindo o pênalti cometido por Marcelo no final do primeiro tempo, desviando com a mão dentro da área merengue um cruzamento pela direita. Ignorado pela arbitragem confusa do turco Cüneyt Çakir.

180 minutos muito ruins de Cristiano Ronaldo. Pelo menos mais participativo no Bernabéu. No entanto, perdeu um gol inacreditável na segunda etapa. Parecia que o papel de protagonista estava reservado a Benzema, reserva na partida de ida. Aproveitando a falha de Ulreich, mas também completando a jogada mais bem engendrada do Real nos dois jogos. Da inversão precisa de Kovacic, que deixou Casemiro no banco, para Marcelo colocar na cabeça do francês camisa nove.

Outro coadjuvante em dia de estrela. Será lembrado pelos gols, mas se o Real está na terceira final consecutiva de Champions deve muito a Keylor Navas. Pelo menos quatro intervenções fundamentais do contestado goleiro costa-riquenho. Porque o Bayern foi fortíssimo pela esquerda com Alaba e Ribéry levando vantagem seguidamente sobre Lucas Vázquez, substituto do lesionado Carvajal, e Modric.

Coletivamente a equipe espanhola foi bem inferior. Mas mata-mata de Champions é das individualidades e da força mental. O Bayern foi menos preciso no acabamento das jogadas e seus talentos não decidiram. Talvez pelo desespero, o peso de vencer além do domínio no país. Mais uma vez pára na semifinal. De novo contra o Real Madrid. Nenhuma mais dolorosa.


Bayern de Munique comprova: quem tem um não tem nenhum contra o Real Madrid
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André Rocha

O Bayern planejou um “arrastão” em Munique com pressão no campo de ataque e um quinteto com Robben e Ribéry nas pontas, Muller e Lewandowski no centro de ataque e James Rodríguez por trás. Mas desta vez Jupp Heynckes não foi tão feliz.

Perdeu Robben logo aos nove minutos. Entrou Thiago Alcântara, enviando Muller para o lado direito num 4-3-3. Menos pressão e jogo direto, mas trabalho no meio-campo com posse. Mas ainda domínio.

Porque o Real Madrid adotou postura conservadora na Allianz Arena. Um 4-1-4-1 com Lucas Vázquez e Isco pelos flancos e Cristiano Ronaldo no ataque. A estratégia era clara: conter o volume adversário, rodar a bola e esperar o momento de explorar os espaços às costas dos zagueiros Boateng e Hummels com seu atacante mais letal.

Não funcionou e o Bayern foi se instalando no campo de ataque. Mas foi às redes aproveitando lenta recomposição do time merengue no contragolpe e o passe de James encontrando Kimmich livre no espaço exato entre Marcelo, Casemiro, Sergio Ramos e Kroos. O inteligentíssimo defensor alemão olhou para a área, viu Keylor Navas tentando antecipar o cruzamento e os companheiros marcados. Não teve dúvida: finalizou bem tirando do goleiro.

O mandante cresceu com a torcida, o atual bicampeão europeu sentiu. E aí veio o pecado do Bayern. Este blogueiro não gosta nem costuma fazer analogias do futebol com atos de violência, mas a imagem é inevitável: o time bávaro enfiou a faca, mas não girou. E manter esse Real vivo é um risco enorme.

Mesmo com Cristiano Ronaldo cumprindo sua pior atuação nesta edição da Liga dos Campeões. Isolado, errou mais que o habitual. Ainda assim, sua presença impõe respeito. A ponto de ensaiar uma bicicleta e distrair o sistema defensivo alemão, deixando Marcelo livre para dominar e empatar.

Jogo que poderia ter sido resolvido e a vaga encaminhada no gol perdido por Ribéry no primeiro tempo. A mais inacreditável das muitas chances desperdiçadas. Dominou na canela com total liberdade pela esquerda. Quando aconteceu o mesmo em contragolpe rápido iniciado pelo erro de Rafinha, Asensio, que substituiu Isco na volta do intervalo, tirou do goleiro Ulreich.

Heynckes pode lamentar as lesões – além de Robben, Boateng também saiu no primeiro tempo para a entrada de Süle. Mas o Real não são os adversários na Bundesliga. Nem Besiktas ou Sevilla. Não pode dar chance. 58% de posse, treze finalizações contra sete. Cinco no alvo. Lewandowski ainda perdeu no final. Só uma bola nas redes e a virada implacável.

Agora terá que buscar um milagre em Madri. Contra um time experiente e escaldado pelo susto da Juventus nas quartas. Que vem sobrando nesses duelos de mata-mata em que o mental e as individualidades vêm sendo preponderantes. Improvável. Porque contra esse Real quem tem um não tem nenhum. O time de Zidane está mais próximo da terceira final consecutiva.


Juventus foi gigante, mas ninguém merece mais a semifinal que o CR7
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André Rocha

Quando Buffon afirmou depois do jogo em Turim que seu sonho de vencer a Liga dos Campeões era impedido pelo melhor, em referência a Cristiano Ronaldo, parecia que a Juventus tinha jogado a toalha e se concentraria na conquista do hexacampeonato italiano.

Mas um gigante da Europa não vai se curvar fácil. Massimiliano Allegri apelou para uma estratégia clara e simples, mas eficiente, para surpreender o bicampeão europeu: forçar o jogo pela direita no setor de Marcelo e cruzar a bola procurando Mandzukic na segunda trave para ganhar pelo alto de Carvajal. Além disso, o que se espera de uma equipe no futebol atual precisando reverter um 3 a 0 é adiantar marcação e pressionar o adversário com a bola.

Tudo perfeito na primeira etapa. Com gol logo aos dois minutos do croata e Higuaín perdendo chance clara aos seis. A produção italiana pela direita melhorou ainda mais com a entrada de Lichtsteiner no lugar do lateral De Sciglio. Centro do substituto, mais um de Mandzukic.

O clima de confiança, quase amistoso antes da partida, morreu de vez e o gol de Matuidi em falha grotesca de Navas no segundo tempo fez o sonho parecer possível. Zidane tinha arriscado tudo na volta do intervalo com Lucas Vázquez e Asensio nas vagas de Bale e Casemiro. A saída do brasileiro era bem questionável, principalmente pela ausência de um zagueiro no banco de reservas – Sergio Ramos, suspenso, foi substituído pelo hesitante Jesús Vallejo. Se houvesse qualquer problema o volante brasileiro poderia ser adaptado ali.

Mas o Real Madrid teve mais sorte que juízo. A desconcentração poderia ter custado caro. O desgaste e a possibilidade de uma prorrogação, porém, fizeram a Juventus recuar, transformando o 4-3-3 num 4-1-4-1. Os espaços às costas de Modric e Kroos deixaram de ser explorados e o time merengue ficou menos desconfortável na partida.

No ataque final, a bola esticada. Cristiano Ronaldo, obstinado e, mesmo numa noite pouco feliz, inesgotável na busca pelo gol, ajeitou de cabeça uma bola quase perdida na segunda trave e Benatia empurrou Vázquez dentro da área. Força muito desproporcional. Pênalti marcado. Qualquer jogador surtaria com a chance de uma classificação histórica escapando pelos dedos no último lance. Buffon acabou expulso.

Szczesny entrou com uma missão impossível. Mas a margem de erro do português em lances decisivos costuma ser zero. Cobrança forte no ângulo. Sem chance. Real Madrid na semifinal. Décimo primeiro jogo com gol do português no torneio continental.

No apito do atrapalhado árbitro Michael Oliver, a festa tímida de uma torcida assustada. Calada até Cristiano Ronaldo regê-la e pedir a devida comemoração para a vaga na semifinal. A oitava consecutiva. Ainda carregando favoritismo e certamente mais alerta, independentemente do adversário que será apontado pelo sorteio.

A Juventus foi gigante. Atuação para guardar na memória. Mas nos 80 minutos ninguém mereceu mais essa classificação do que o CR7. A saga pelo sexto prêmio de melhor do mundo e pelo tricampeonato europeu continua.


Na semana de reverências a Cristiano Ronaldo é obrigatório exaltar Zidane
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André Rocha

Imagem: Reprodução TV Globo

A bicicleta espetacular de Cristiano Ronaldo em Turim tinha mesmo que monopolizar as atenções, o noticiário e as análises sobre Real Madrid e Juventus, confronto praticamente definido nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Serviu para muitos que desdenhavam da capacidade do português se renderem à sua genialidade que não é igual a de Lionel Messi, mas mesmo diferente não é menor. A incrível capacidade de adaptação para seguir decidindo e a inteligência em campo para facilitar o jogo de sua equipe e aparecer para o toque final é sem par na história do futebol.

No entanto, pouco se falou de outro grande personagem da vitória merengue. Ou melhor, a repercussão ficou restrita à sua reação incrédula ao momento mágico da partida. Como um espectador privilegiado de uma obra de arte.

Mas Zinedine Zidane foi muito mais que isto. Ele interferiu diretamente na disputa que culminou nos 3 a 0. Mais uma vez com a simplicidade e a discrição que são sua marca desde os tempos de jogador. Um dos melhores de todos os tempos.

Como treinador, se não é estrategista ou inovador, vem conduzindo com sabedoria e potencializando o melhor de um elenco curto. Apostando em entrosamento dentro e fora do campo. Gestão serena do grupo criando um clima positivo e mudando peças e o sistema de jogo sem alterar a proposta. Todos jogam e descansam de acordo com a necessidade.

Está claro que há três desenhos táticos bem definidos. Um 4-4-2 com Lucas Vázquez e Asensio pelos lados na linha de meio-campo que torna o time mais dinâmico, intenso e veloz; o 4-3-3 cada vez menos usado por apresentar menos variações e depender do trio “BBC” com a entrada de Bale na frente com Benzema e Cristiano Ronaldo. Mas ainda uma opção dependendo da necessidade da partida e também para dar minutos ao galês e mantê-lo motivado.

Por último, o 4-3-1-2 dos dois triunfos sobre a Juventus – na final da Champions na última temporada e no duelo de terça-feira – que valoriza a posse de bola com Kroos, Modric e Isco e ganha mobilidade com o meia espanhol circulando por todos os setores para desestabilizar a marcação e acionar a dupla de atacantes. Novamente desmontou o sistema defensivo da hexacampeã italiana.

Mérito de Zidane, mesmo com todas as relativizações. Difícil imaginá-lo tão à vontade em outro ambiente. A base de jogadores e também dos conceitos desde os tempos de Carlo Ancelotti ajuda muito. A convivência anterior com praticamente os mesmos atletas como auxiliar construiu uma cumplicidade fundamental no dia a dia tenso de um clube de ponta, do qual nunca se exige menos do que o máximo de conquistas.

É óbvio que Zidane também se equivoca no começo de sua trajetória em um novo ofício. O péssimo início na liga espanhola combinado com a campanha espetacular e invicta do Barcelona praticamente inviabilizou a disputa pelo bicampeonato nacional. Nos duelos contra o Tottenham pela fase de grupos da Champions e no clássico contra o Barça o desempenho foi bem aquém da condição de equipe que conquistou o inédito bicampeonato do maior torneio de clubes do mundo em sua versão atual.

Sem contar a inexplicável insistência com Benzema, que hoje funciona como mero suporte para Cristiano Ronaldo. Quando não atrapalha desperdiçando oportunidades cristalinas. Imperdoável em jogos grandes.

Ainda assim, “Zizou” merece o reconhecimento. Principalmente por ter convencido seu camisa sete a descansar ao longo da temporada para estar pronto e concentrado nos jogos mais importantes. Planejamento perfeito em 2016/17 e agora, mesmo com a inesperada suspensão nos cinco primeiros jogos do Espanhol, o português também está voando na reta final.

Tudo com muita naturalidade, que é a marca deste time vencedor. Sem o comandante que faz questão de deixar sua assinatura e mostrar ao mundo que buscou algo diferente para surpreender. O pecado de Pep Guardiola na derrota do Manchester City para o Liverpool no Anfield Road. Com Zidane o protagonismo é sempre dos jogadores.

Em casa ou fora o Real atua da mesma maneira. Com inteligência, sabendo o momento de pressionar o adversário no seu campo ou de recuar as linhas e aproveitar os espaços às costas da defesa do oponente. Sempre voltado para o ataque e valorizando o espetáculo. Seja no passe preciso de Kroos, no ímpeto de Marcelo pela esquerda ou na eficiência assombrosa de sua estrela máxima com direito a momentos de magia.

Na semana de reverências a Cristiano Ronaldo é obrigatório exaltar Zidane. Sem ele toda essa jornada histórica do maior time do planeta seria bem mais complicada.

 


O que ainda falta para Cristiano Ronaldo ser respeitado como merece?
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André Rocha

O Real Madrid passou por cima do PSG quando Zidane mandou a campo Lucas Vázquez e Asensio nas pontas formando duas linhas de quatro numa formação mais ofensiva. Retomou o domínio em Madrid e sobrou no Parc des Princes.

Mas para o duelo com a Juventus, o treinador retomou a escalação da última decisão, com Isco, Modric e Kroos com a proteção de Casemiro. O 4-3-1-2 com muita mobilidade no meio-campo e na frente e a equipe se fechando em duas linhas de quatro.

A Juventus cometeu um pecado letal contra o bicampeão europeu: entrou desconcentrado e, pior, deixou Cristiano Ronaldo se desmarcar na área adversária para completar o passe de Isco pela esquerda. Aos dois minutos de jogo.

Depois o Real administrou como sabe: jogando ao natural, mesmo como visitante. Não se fecha tanto, até deixa alguns espaços. Mas pressiona logo após a perda de bola e se impõe através da força mental e do temor que provoca nos oponentes –  tanto que Massimiliano Allegri plantou Asamoah mais próximo a Barzagli e Chiellini para liberar Alex Sandro como ala/ponta pela esquerda na variação habitual do 4-4-2 para o 3-5-2.

O time merengue segue atacando, rondando a área, trocando passes e aproveitando o entrosamento de uma base que vem desde 2014. Desde Carlo Ancelotti. Carimbou o travessão com Kroos e sofreu com a pressão natural da Juve. Dybala buscava espaços entre as linhas de quatro do Real, mas o time italiano sentia falta de Pjanic, suspenso, na articulação.

Até o clímax. O gol espetacular de Cristiano Ronaldo. Uma bicicleta de cinema. Ato final da sua persistência e concentração aproveitando o erro de Chiellini na origem da jogada. Os aplausos dos torcedores adversários foram a rendição final. Do jogo e do confronto pelas quartas-de-final. O décimo jogo consecutivo em que o maior artilheiro da Champions foi às redes na competição.

O gol de Marcelo, em assistência de Ronaldo, foi apenas consequência. E podia ter virado quatro ou mais. Cristiano Ronaldo teve outras oportunidades claras, Kovacic também bateu no travessão. 53% de posse, 13 finalizações contra 12 da Juve – seis a um no alvo. No último ataque, Cuadrado perdeu à frente de Navas.

Três a zero soa como um placar exagerado. Mas nada parece impossível para o Real de Zidane e Cristiano Ronaldo. Foi mais uma aula de Liga dos Campeões em Turim. Consolidando a oitava participação consecutiva nas semifinais do torneio.

Tão histórico quanto a obra prima do gênio português. O que mais falta para enfim respeitarem um dos maiores da história, sem comparações esdrúxulas como fazem por aqui? “Robozão”, “caneludo”, “Penaldo”, “empurrador”, “Dadá Maravilha com grife”. Para cada apelido, um golaço. Para cada desdém, um recorde quebrado. Simplesmente respeite.

(Estatísticas: Footstats)

 


Champions: é justo avaliar a temporada por um torneio que envolve sorteio?
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André Rocha

Foto: UEFA

Amanhã acontecerá em Nyon o sorteio das quartas-de-final da Liga dos Campeões. Real Madrid, Barcelona, Sevilla, Juventus, Roma, Manchester City, Liverpool e Bayern de Munique estarão nas bolinhas que definirão o destino de cada um.

Imaginemos um hipotético confronto Barcelona x Manchester City. Se o time de Messi ficar pelo caminho diante da ótima equipe de Pep Guardiola em confrontos parelhos e o Real Madrid, por exemplo, encarar a Roma ou o Sevilla e seguir adiante até a conquista do inédito tricampeonato na Era Champions, a temporada do argentino, mesmo com o provável título espanhol e a conquista da Copa do Rei, poderá ser tachada de fracassada? De novo as premiações individuais irão para Cristiano Ronaldo pelo simples fato de ter vencido o principal torneio de clubes do planeta?

E se Guardiola novamente for derrotado pelo time catalão, como aconteceu em 2015, sua jornada fantástica nos citizens com o título da Copa da Liga Inglesa e a conquista cada vez mais próxima da Premier League com uma campanha histórica carregará essa mancha? Por ter sido superado pela equipe que tem apenas uma derrota na temporada?

No jogo em si, o “se” é parte apenas da imaginação e sempre envolve competência no gol perdido, na falha do goleiro. Até a lesão muscular do craque do time, em tese, poderia ser evitada com uma avaliação melhor do departamento de fisiologia do clube. O sorteio, não. É sorte apenas. Ou a falta dela.

Voltemos à 2016. Um Real Madrid ainda hesitante no desempenho na transição de Rafa Benítez para o estreante Zinedine Zidane enfrentou Roma, Wolfsburg e Manchester City até a repetição da final de 2014 contra o Atlético, rival de Madri. Venceu e ganhou confiança e moral para no ano seguinte ganhar o espanhol e a Champions passando por Napoli, Bayern de Munique e Atlético de Madri até a decisão contra a Juventus.

Imaginemos que o roteiro fosse o inverso. aquele Real de 2016 encarando o Bayern de Guardiola nas quartas-de-final. Com o time alemão mais maduro no comando do treinador catalão e sedento por vingança da surra que levou na semifinal de 2014?

Será que passaria? Nunca saberemos. Mas é certo que o caminho diante de adversários menos tradicionais foram obstáculos menores à chegada à decisão. E olha que contra o time alemão foi preciso virar um 2 a 0 e contra o City foram duelos parelhos definidos no detalhe e com a vantagem mínima.

Nesta mesma temporada, se as bolinhas colocassem o City e não o Atlético de Madri no caminho de Guardiola e seu Bayern de Munique, haveria, sim, a saia justa do treinador enfrentar a equipe com que estava acertado para trabalhar a partir da temporada seguinte. Mas as chances de chegar à decisão e buscar o título que faltou na passagem pela Baviera aumentariam exponencialmente.

Todos esses exercícios de mexer com as bolinhas e tentar adivinhar o desfecho podem ser estendidos a todas as temporadas. A partir das quartas, já que nas oitavas ao menos a colocação na fase de grupos é levada em campo. Continua sendo imaginação. O que aconteceu, obviamente, é o que está na história.

A questão é: ainda que seja o torneio que reúne o melhor do futebol mundial é justo ganhar um peso tão grande, ultimamente maior do que a Copa do Mundo, para avaliar equipes e jogadores? A impossibilidade de todos se enfrentarem em ida e volta não deveria ser levada em conta na hora de avaliar os desempenhos coletivo e individual?

Apenas uma reflexão. Pois, na prática, quem quiser terminar a temporada no topo do planeta bola terá que superar o que aparecer pela frente. Cristiano Ronaldo, Messi, Ben Yedder, Buffon, Dzeko, Salah, De Bruyne e Lewandowski. Os treinadores. Todos à expectativa do sopro da ventura na Suíça.

O amanhã pode sinalizar com força o caminho até 26 de maio no Estádio Olímpico de Kiev.


A aula de 4-4-2 e de maturidade do Real Madrid em Paris
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André Rocha

No Brasil é costume justificar a ineficiência de um time pela falta do “camisa dez”. Essa entidade capaz de resolver qualquer problema de criatividade em qualquer equipe.

Pois o Real construiu a virada sobre o PSG por 3 a 1 em Madri e consolidou sua classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões com outra vitória no Parc des Princes atuando num típico 4-4-2.

Dois volantes: Casemiro e Kovacic. Mais Lucas Vázquez e Asensio pelos flancos, deixando Benzema e Cristiano Ronaldo na frente. Execução exemplar das linhas de quatro, com setores próximos, pressão no adversário com a bola, estreitando a marcação para fechar as opções de passe.

Com a bola. saída rápida e movimentação para não deixar o time engessado. No primeiro gol, Asensio interceptou passe de Daniel Alves, acionou Vázquez, que colocou na cabeça de Cristiano Ronaldo. O terceiro gol do português no confronto. Mais uma vez decisivo num mata-mata de Champions. O 12º do artilheiro do torneio. Desta edição e de todos os tempos.

Símbolo da maturidade de um time vencedor. Histórico. Simples, inteligente e decisivo na tomada de decisão. Como funcionou o coletivo do bicampeão europeu. Já favorito ao tri pelo que representa.

Tudo que o PSG não teve. Ainda não tem. Talvez não tivesse com Neymar em campo. A expulsão de Verratti é símbolo do desequilíbrio emocional, da desistência da luta. Do apequenamento. Nem precisou sofrer um gol para silenciar o estádio. A postura do adversário já murchou a torcida, que só ensaiou uma reação no gol de joelho do Cavani que empatou o jogo. Não foi suficiente. Coisas que o dinheiro não compra.

Mas contratar um treinador melhor que Unai Emery para manejar um elenco milionário será um bom início de planejamento para a próxima temporada. Escalações questionáveis, substituições indecifráveis. No episódio das cobranças de pênalti que criou o imbróglio Neymar x Cavani, a nítida falta de autoridade. O vestiário ficou maior que o homem  que devia liderá-lo.

O Real tem Zidane. Com as hesitações normais de um novato no ofício, mas com moral absurda pelo que jogou e representa para o clube. Sua serenidade reflete em campo nas partidas decisivas. Mas neste duelo a mão de estrategista ficou clara. Especialmente por fazer o time voar pela esquerda para construir a virada.

Mas o golpe final saiu pela direita. Passe de Cristiano Ronaldo, centro de Vázquez e, na sobra, o chute de Casemiro que desviou em Marquinho e saiu de Areola. O Real controlou o jogo e mereceu sair de Paris com uma vitória emblemática. Uma aula tática e de maturidade. Do gigante nesta disputa.