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River Plate na final do Mundial, com mais sorte que juízo

André Rocha

16/12/2015 10h54

O River teve a bola no primeiro tempo em Osaka, com 61% de posse. Mas não sabia bem o que fazer com ela. O 4-3-1-2 armado por Marcelo Gallardo, na prática, se configurava num quadrado no meio-campo, com Kranevitter e Ponzio mais presos e Carlos Sánchez se juntando a Pisculichi na articulação.

O resultado prático era superioridade numérica dos argentinos no meio-campo, mas nenhuma profundidade. Saída apenas pela direita, com Mercado se juntando a Sánchez. Do lado oposto, Vangioni ficava mais preso, preocupado com o brasileiro Douglas. Também a cobertura atrapalhada de Balanta.

O Sanfrecce mudou em relação à vitória sobre o Mazembe. O técnico Hajime Moriyasu inexplicavelmente sacou o ala croata Mikic, destaque da equipe pela força ofensiva, e inverteu o lado de Kashiwa, mandando a campo Kohei pela esquerda no 5-4-1 do campeão japonês.

Na frente, trocou Hisato por Minagawa. O personagem da primeira etapa desperdiçando duas boas chances nas sete finalizações do Hiroshima contra cinco – três a dois no alvo. Fez do goleiro Barovero o melhor em campo.

River Plate no 4-3-1-2, com superioridade numérica no meio, mas nenhuma profundidade para superar o 5-4-1 do Sanfrecce que teve oportunidades cristalinas com Minagawa (Tactical Pad).

River Plate no 4-3-1-2, com superioridade numérica no meio, mas nenhuma profundidade para superar o 5-4-1 do Sanfrecce que teve oportunidades cristalinas com Minagawa (Tactical Pad).

No segundo tempo, Gallardo acertou ao mexer no meio-campo, trocando Ponzio por Lucho González, colocando três meias à frente de Kranevitter. Depois errou ao tirar Pisculichi e colocar o atacante uruguaio Viudez. Perdeu articulação.

Mas achou o gol da vitória. Bola parada, falha do goleiro Takuto para cortar o cruzamento e gol de Alario, atacante mais fixo que participou muito pouco do jogo, mas foi novamente decisivo, assim como na Libertadores. O River diminuiu a posse para 59%, porém finalizou mais: 15 contra 13 no total. Mas não foi melhor.

Time argentino perdeu articulação com Viudez na frente, mas achou o gol de Alario na falha do goleiro Takuto (Tactical Pad).

Time argentino perdeu articulação com Viudez na frente, mas achou o gol de Alario na falha do goleiro Takuto (Tactical Pad).

Venceu num detalhe. Teve mais sorte que juízo na semifinal. Na decisão, provavelmente diante do Barcelona, o campeão sul-americano vai precisar de muito mais solidez defensiva, já que não controlará a posse. Também de mais produção de Sánchez, já negociado com o Monterrey.

Ou outra bola parada para tentar o "milagre". Em jogo único, quem sabe?

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.