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Fim da Copinha, começa a missão mais dura: afirmar garotos no profissional

André Rocha

25/01/2016 14h10

Flamengo campeão da Copa São Paulo em uma decisão mais emocional que técnica ou tática no Pacaembu.

Desde o início com o rubro-negro superior e levando 2 a 0 em estocadas, que pareciam fazer valer a "cultura da vitória" do Corinthians nove vezes campeão. Podia ter se transformado em goleada no primeiro tempo.

Virou empate em nove minutos da segunda etapa, com o Fla ligado e o rival entorpecido pela vantagem e pelo calor que intimidou as equipes até o final. Com tantos holofotes por conta da presença dos clubes mais populares do país, havia muito em jogo. O Flamengo segurou, o Corinthians só atacou nos últimos minutos.

Decisão por pênaltis na qual Gabriel Vasconcelos e Matheus Pereira falharam feio. Um chutando fraco, outro numa cavada arriscada. No duelo dos goleiros, Thiago perdeu sua cobrança, mas garantiu com duas defesas.

Oportunistas falarão em título "tipicamente rubro-negro", na superação. Se fosse o Corinthians, "tinha que ser sofrido".

A terceira conquista rubro-negra em três finais consolida a reformulação na base, com muitos méritos para o técnico Zé Ricardo. Mas sem fórmula mágica.

Assim como a derrota não pode e nem deve descartar o bom trabalho de Osmar Loss. Muito menos condenar qualquer garoto, como já querem fazer com Matheus – se acertasse, seria comparado a Zidane ou Loco Abreu e teria sua "personalidade" exaltada.

O que vale é o que virá agora: a chance de afirmar no profissional. A dura transição. Momento crucial, que precisa de calma dos gestores e sensibilidade dos treinadores. Avaliando e testando, sem descartar no primeiro erro nem transformar em craque na primeira boa exibição.

O mercado complica pela exigência de aumentar exponencialmente o salário de um menino para garantir um mínimo de segurança com a multa rescisória menos acessível para mercados mais fortes economicamente.

Lidar com pai, empresário, staff…Todos focando apenas no atleta, sem a preocupação coletiva. "Meu jogador tem que jogar".  Com direitos econômicos fatiados. Muitas vezes a troca de favores não beneficia nem o clube, nem o jovem.

Thiago, Léo Duarte, Ronaldo, Paquetá, Matheus Sávio e Felipe Vizeu no Fla. Filipe, Léo Santos, Maycon, Matheus Pereira e Gabriel Vasconçelos no Corinthians. Entre tantos outros, como Matheusinho no América-MG, David Neres no São Paulo, goleiro Lucão no Cruzeiro, o artilheiro Geovane Itinga no Bahia…

O torneio teve bom nível, futebol ofensivo e estilo mais atual. Os finalistas fizeram execuções interessantes do 4-1-4-1, com exceção da final de times muito espaçados e nervosos. O saldo é positivo, de boas notícias.

É hora do essencial: transformar a promessa na peça útil para o time principal. Sem pressa, mas com passos seguros. Que assim seja.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.