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Empate no abafa não pode iludir. Seleção brasileira merece uma nova chance

André Rocha

29/03/2016 23h57

O empate em Assunção foi digno, apesar da sexta colocação nas Eliminatórias para sangrar até setembro. Mas não pode ser suficiente.

Nem é por Dunga, que nunca negou uma convocação da seleção brasileira e faz o que pode. Só que pode pouco, porque virou técnico na CBF e não tem currículo, cancha e conteúdo para a função.

Em um país sério, Tite teria deixado seu ano sabático em agosto de 2014. Para reparar o erro da entidade que resgatou Felipão e Parreira em 2013. Era a vez do técnico do Corinthians, como a experiência mais bem sucedida do futebol jogado no Brasil desde 2011.

Mas a CBF não merece um profissional sério e competente para usar de escudo de um fantoche que ocupa a presidência apenas por ser um idoso. É triste ver um símbolo nacional a serviço dessas aberrações. Por isso não merece dar certo.

Lamentável, pela boa geração de jogadores em seus clubes. Capazes de espasmos como os primeiros 30 minutos em Recife contra o Uruguai, agora líder das Eliminatórias. Também a reação no Defensores Del Chaco. Que talvez não consiga formar uma seleção brilhante, mas ao menos na média, com capacidade de competir em alto nível. Se houvesse futebol coletivo.

No Paraguai, o acaso e Alisson protegeram a meta canarinho até a seleção de Ramon Díaz ganhar uma referência na frente com Roque Santa Cruz na vaga de Jorge Benítez. Lezcano passou a se mover e apareceu para abrir o placar no primeiro tempo. Jogada às costas de Daniel Alves, que falhou também no gol de Benítez.

Sem massacre nos números nos primeiros 45 minutos: posse dividida, Paraguai finalizou oito vezes contra seis – três a dois no alvo. Onze faltas cometidas pela seleção da casa contra oito.

O desequilíbrio é no jogo coletivo, que praticamente inexiste na equipe de Dunga. Cada jogador que recebe a bola fica entregue à própria sorte. Não há rotação, jogadores se aproximando, se apresentando para o passe.

No gol de Ricardo Oliveira e no abafa da segunda etapa com Hulk, Jonas e Lucas Lima até a redenção de Daniel Alves, uma equipe aleatória, intuitiva. Aproveitando um recuo excessivo e suicida dos paraguaios.

Sem coordenação o psicológico vive na montanha russa. Porque a maioria trabalha ou trabalhou com Guardiola, Mourinho, Ancelotti, Klopp, Simeone. Em clubes com gestões profissionais. O temor vem da certeza que tudo pode sempre dar errado.

Por isso o futebol brasileiro precisa se dar uma nova chance. Definitiva. De clubes gerindo o que se joga aqui e uma nova entidade para cuidar da seleção. Com mais cuidado e respeito, menos decisões políticas, de interesses escusos. Os melhores profissionais disponíveis, não os mais convenientes.

Parece utopia. Mas não pode ser.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.