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O Grêmio pilhado, previsível e o Rosário intenso e maduro em Porto Alegre

André Rocha

28/04/2016 00h04

Grêmio tenso e pouco dinâmico na execução do 4-2-3-1; Rosário Central organizado e inteligente, fechando a saída dos volantes adversários e trocando passes em velocidade para acionar Marco Rúben (Tactical Pad).

Grêmio tenso e pouco dinâmico na execução do 4-2-3-1, previsível na procura de Bolaños; Rosário Central organizado e inteligente, fechando a saída dos volantes adversários e trocando passes em velocidade para acionar Marco Rúben (Tactical Pad).

Na Arena do Grêmio ficou clara a diferença entre um time pilhado e outro intenso. O argentino apenas confirmou a impressão deixada nos duelos contra o Palmeiras na fase de grupos.

O time gaúcho entrou preocupado com a responsabilidade de compensar a eliminação no Gaúcho. Também com arbitragem e as provocações tradicionais dos rivais. Esqueceu de jogar.

Sempre que um brasileiro entra em campo para tratar o futebol como algo secundário "porque é jogo de Libertadores" acaba se complicando.

A equipe de Roger Machado não teve a mobilidade de outras jornadas. Quarteto ofensivo muito engessado, ações de ataque muito previsíveis, quase sempre buscando acionar Miller Bolaños em velocidade. Luan e Giuliano fixos nas pontas, o improvisado Ramiro na lateral sem dar profundidade, assim como Marcelo Oliveira. Wallace preso na proteção da defesa desfalcada.

Já o Rosário Central do técnico Eduardo Coudet deu aula de pressão no homem da bola, setores coordenados e saída com toques de primeira, objetivos, para acelerar o jogo. No primeiro tempo, Herrera e Cervi dificultaram a saída limpa dos volantes gremistas, liberando Marco Rúben, autor do gol único da partida em nova falha da zaga que sofreu sem Geromel.

Na segunda etapa, o artilheiro deu lugar a Lo Celso e Herrera foi jogar na frente. Roger tentou avançar as linhas com Giuliano cumprindo a função de Maicon, que deu lugar a Everton. Depois buscou o jogo aéreo com Bobô na vaga de Bolaños. Mais tarde, Lincoln substituiu Douglas. Nada funcionou. Tensão que virou desespero e no fim se transformou em desânimo.

O time argentino recolheu linhas e mostrou também compactação perfeita. Controlou a vantagem que praticamente encaminha a vaga. Pouco valeram os 55% de posse e o dobro de passes efetuados pelo time da casa se os visitantes finalizaram oito vezes, o dobro do oponente.

O Grêmio terá uma semana para se preparar em busca da partida perfeita. Cuidando de seu jogo e se preocupando menos com questões periféricas é possível, embora improvável. O Rosário Central mostrou futebol e maturidade de favorito ao título continental em Porto Alegre.

(Estatísticas: Footstats)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.