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A sorte de Simeone e o fracasso de Guardiola, não vexame

André Rocha

03/05/2016 22h41

Que o Atlético de Madri tem o sistema defensivo mais eficiente da Europa não resta nenhuma dúvida. Linhas compactas e bem coordenadas, concentração absoluta e a fibra que dá liga e faz tudo acontecer no time de Diego Simeone.

Está novamente na final da Liga dos Campeões e trabalhou para isso. Mas na Allianz Arena teve mais sorte que juízo. Ou competência. Sim, sorte.

Porque não há como elogiar um trabalho de bloqueio que permite nada menos que 34 finalizações do adversário, 12 na direção da meta de Oblak. Incluindo os gols de Xabi Alonso, que também foi feliz no desvio de Giménez, e Lewandowski, além do pênalti cobrado por Muller e defendido pelo arqueiro colchonero.

O Bayern de Munique amassou com volume de jogo impressionante. 68% de posse, mas desta vez com contundência. Douglas Costa e Ribéry cortando para dentro com pés invertidos procurando Muller e Lewandowski e os laterais Lahm e Alaba abrindo e esgarçando a marcação. Domínio absoluto.

Mas sangrou e perdeu a vaga no contragolpe letal de Fernando Torres acionando Griezmann. Gol "qualificado". Podia ter penado mais no pênalti inexistente que Torres bateu e Neuer também pegou. O velho risco de ser pego com linhas adiantadas e zaga aberta. Tão perigoso quanto esperar atrás e permitir tanta pressão do oponente.

Pep Guardiola fracassou em Munique. Porque a ideia era afirmar um estilo de jogo e construir uma dinastia. O técnico vai para Manchester comandar o City sem cumprir as duas metas. O time que deixa para Carlo Ancelotti tem posse, porém trabalha muito mais com cruzamentos e presença física na área que o Barcelona histórico.

Não impôs sua filosofia, mas sinaliza amadurecimento profissional, pelo respeito às características dos jogadores. Guardiola carrega o mundo e o peso do currículo impressionante nas costas, mas tem apenas sete temporadas no comando de grandes equipes. Parece ter nascido sabendo tudo, mas é só impressão. Há muito a aprender.

Nas duas primeiras semifinais de Champions frustradas com os bávaros, Guardiola e sua equipe sucumbiram diante de Cristiano Ronaldo e Messi, os dois gigantes desta era. Agora está eliminado por outro time histórico, mas no detalhe. No gol que faltou. Mas não deixou de ser construído. Fracasso sim, não vexame.

A rigor, Simeone não ganhou o duelo tático de 180 minutos, mas está na decisão. Contra o City levará a aura de favorito pela história. Diante do Real, a chance de vingar a derrota há duas temporadas. Certamente o treinador argentino prefere a segunda opção, pela chance de mobilizar ainda mais seus soldados. Só espera desta vez não ter um Sergio Ramos no meio do caminho.

Porque a sorte também faz parte da vitória nas batalhas. Como será o duelo final em Milão?

(Estatísticas: UEFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.