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A incrível sina dos times de Madrid na “Undécima” do Real

André Rocha

28/05/2016 20h21

Muitos times se desmanchariam emocionalmente se levassem um gol numa final do tamanho da Liga dos Campeões antes dos 15 minutos de jogo. E logo do algoz há apenas dois anos. E com Sergio Ramos impedido. Por pouco, mas irregular.

Não o Atlético de Simeone, que voltou a se aprumar, continuou sofrendo com as jogadas aéreas do Real Madrid, mas terminou o primeiro tempo em Milão com as mesmas cinco finalizações do rival e igualando em posse de bola.

Equipes tão cascudas quanto a colchonera jogariam a toalha no pênalti perdido pelo craque do time no segundo minuto da segunda etapa. Griezmann no travessão.Já com Carrasco no lugar de Augusto Fernández e rearrumando o desenho tático para um ofensivo 4-3-3.

O Atlético insistiu. Podia ter sucumbido nas chances seguidas dos merengues nos contragolpes. Fechado num 4-1-4-1 com Bale e Cristiano Ronaldo recompondo pelas pontas. Benzema perdeu à frente de Oblak. O francês deu lugar a Lucas Vázquez. Antes Zidane trocou o extenuado Kroos por Isco. Na mesma jogada, Ronaldo e Bale desperdiçaram à frente de Oblak.

Até Marcelo deixar espaços às suas costas com o sistema defensivo postado. Velho erro de posicionamento que Juanfran aproveitou e centrou para Carrasco, que se antecipou a Danilo, substituto do lesionado Carvajal e outro lateral brasileiro a falhar nas suas atribuições como defensor.

Quando o jogo parecia à feição para a virada colchonera, o time que teve que se desgastar mais ao longo do jogo pela desvantagem no placar e os abalos emocionais não teve pernas. Filipe Luís e Koke estouraram e as entradas de Lucas Hernández e Partey acrescentaram pouco nos minutos finais e na prorrogação arrastada por conta do cansaço geral.

Pênaltis. Definidos primeiro pelo inexplicável comportamento de Oblak. Ainda que as cobranças de Vázquez, Marcelo, Bale, Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo tenham sido precisas, o arqueiro esloveno não saltou em nenhuma. Parecia aguardar o chute no meio do gol. Ou sentiu mesmo a pressão.

O experiente Juanfran não afinou, mas foi infeliz. Navas até saltou no chute na trave direita que transferiu ao português e artilheiro absoluto com 16 gols o papel de herói. O décimo primeiro título do gigante em 14 decisões. Conquistado com incrível recuperação da equipe com Zidane, mas também os sorteios favoráveis que colocaram Roma, Wolfsburg e City no caminho.

Tudo conspirou contra o time de Simeone, que suportou e enfrentou todos os oponentes. Inclusive os campeões PSV, Barcelona e Bayern de Munique. Só não teve como fazer frente à incrível sina. Terceiro vice na Champions. Todos doídos, difíceis de encontrar consolo.

Se há uma razão para sofrer menos é ter perdido duas nos detalhes para o maior campeão. Um time fadado a levar a "orelhuda" para casa.

(Estatísticas: UEFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.