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Desista, Tite! Ainda dá tempo...

André Rocha

15/06/2016 05h52

Este que escreve aprendeu a amar o futebol também com a seleção brasileira de 1982. A paixão pela camisa verde e amarela segue até hoje, misturada com dever de ofício. Apesar de tudo.

O blogueiro também admira Tite desde a conquista da Copa do Brasil em 2001 com o passeio gremista sobre o Corinthians no Morumbi. Acompanhou os altos e baixos na carreira, o profissional sério se transformando no melhor treinador brasileiro com sobras.

Por isso a notícia da óbvia demissão de Dunga acendeu uma esperança. Mesmo com dois anos de atraso, por conta de questões políticas, o técnico mais capacitado enfim chegaria ao comando do país cinco vezes campeão mundial.

Com a demora do acerto, veio a reflexão. E agora a conclusão: ainda não é o momento para este encontro.

No mundo ideal, todos os profissionais se recusariam a trabalhar para a CBF com os atuais dirigentes, estatutos e regulamentos. Exigiriam junto com o povo novas eleições independentes e uma outra ordem de valores.

A realidade é que Tite tem o direito de tratar a entidade que administra muito mal o futebol brasileiro como mais um empregador em potencial. Mas deveria observar melhor.

A intenção clara de Del Nero é adquirir um escudo ainda mais poderoso. Transfere a alguém a imagem de messias, sai dos holofotes das críticas e lava as mãos. "Coloquei aí quem vocês queriam, agora cobrem a ele!"

Tite vai chegar com a obrigação de recuperar rapidamente nas Eliminatórias. Isso se não empurrarem o projeto olímpico, como uma espécie de rainha da Inglaterra. A grife que protege Rogério Micale, o verdadeiro mentor de todo o trabalho.

Mais à frente receberá um grupo abalado por tantos reveses, a referência técnica questionada dentro e fora de campo. É óbvio que tudo pode melhorar com os retornos de Thiago Silva e Marcelo numa proposta de jogo mais atual, com conceitos e métodos modernos. Mas continua sendo incógnita.

Mesmo que Tite venha conseguindo desde o ano passado obter respostas imediatas do Corinthians logo no início das temporadas, na seleção é diferente. É papo, um treino de reconhecimento…e todo o peso do mundo nas costas do treinador com aura de mágico.

Não é. A rigor, Tite não é nem um dos melhores do mundo. Mesmo descontando o fato de que no universo das seleções não estão os mais qualificados, até por uma questão financeira. É mais um brasileiro no bolo dos que não têm mercado nos principais clubes do planeta.

Só que aqui sobra. Por isso o clamor popular.

Por isso não deve aceitar. Por lealdade ao Corinthians, que o amparou num dos momentos mais difíceis de sua carreira – o Tolima. Já CBF merece ficar nua e desamparada com o produto que sucateou. Como punição, mas também oportunidade de correção. Limpeza geral, revolução. O momento é agora. Se recusar será um símbolo. Aceitando entra na vala comum.

Por isso, desista, Tite! Ainda dá tempo…

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.