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Argentina de Messi minimalista e a intensidade máxima no passeio do Chile

André Rocha

19/06/2016 01h29

A Venezuela eliminou o Uruguai e foi a primeira seleção a não perder para o México na sequência invicta sob o comando de Juan Carlos Osorio. Prometia dificultar a vida da Argentina no Gillette Stadium.

Messi descomplicou tudo com um lançamento genial para Higuaín abrir o placar logo aos oito minutos. Caminhando e trotando em vários momentos, o gênio argentino parece se poupar, dosar os esforços e maximizar o talento. Minimalista nos movimentos.

Inicialmente aberto pela direita no 4-3-3 quase imutável de Gerardo Martino. Depois atuando solto atrás do centroavante nas saídas de contragolpes – Augusto Fernández, do Atlético de Madrid, cobrindo o setor direito na segunda linha de quatro. Do lado oposto, Gaitán muito bem no lugar do lesionado Di Maria.

A marcação adiantada da Albiceleste cedeu alguns espaços para a Vinotinto, que acertou a trave com Rondón e podia ter complicado ainda na primeira etapa com o pênalti ridiculamente batido por Seijas, bom meia que se apresenta em breve e pode ser útil ao Internacional.

Mas dois desarmes no campo de ataque renderam mais um de Higuaín e o de Messi, quarto na Copa América Centenário e 54º na seleção argentina, igualando Batistuta. O camisa dez questionado pela falta de conquistas a um gol de entrar para a história.

O gol de Rondón nem trouxe a Venezuela de volta para o jogo, pois na seqüência Messi serviu Lamela e o goleiro Hernández não teve reflexo para reagir ao desvio de Vizcarrondo. Goleada, vaga garantida. Contra os Estados Unidos anfitriões será preciso mais. Da seleção de Martino e de Messi. Por este, ainda favorito.

Esperava-se muito do México de Osorio. Mas novamente o colombiano errou a mão ao armar a equipe em função de adversário, característica do treinador que segue a escola de Marcelo Bielsa. Sacou o veterano Rafa Márquez para que uma linha de quatro defensores mais rápidos tivesse sobra contra Puch, Vargas e Alexis Sánchez.

Resultado prático: abriu os flancos e não compensou com linhas próximas e pressão sobre o condutor da bola. Passeio chileno, o primeiro sobre o comando de Pizzi, sucessor de Sampaoli.  A maior goleada da história da seleção. Marcelo Díaz qualificando a saída de bola, Vidal e Aranguiz acionando o trio de ataque.

Volume e intensidade que desmancharam o México entre o final do primeiro tempo e o início da segunda etapa. Quatro de Vargas, um de Alexis e dois de Puch, o rápido atacante que faz a variação tática para duas linhas de quatro voltando por um dos lados na dinâmica de intensa movimentação.

Não diminuiu o ritmo e fez história. 7 a 0. Méritos, muitos, do atual campeão da Copa América. Pecado capital de Osorio, que corre riscos por sempre tentar algo diferente sendo fiel ao que acredita. Faz parte do pacote de uma ideia de futebol.

E não perdeu para qualquer um. Agora favorito na outra semifinal, diante da Colômbia. Podemos ter na Copa América Centenário a repetição da decisão do ano passado.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.