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Na Euro do futebol coletivo, Portugal faz história sem sua estrela maior

André Rocha

10/07/2016 19h43

Só País de Gales foi derrotado pelos campeões nos 90 minutos, na semifinal. Mesmo com a estrela maior do futebol atual nascida na Europa, Portugal empatou seis vezes, venceu Croácia nas oitavas com o gol de Quaresma na prorrogação.

Símbolo de um torneio equilibrado, definido tantas vezes nos minutos finais. Não é difícil explicar. Todas as seleções meticulosamente estudadas, a grande maioria joga para o mundo todo assistir quase diariamente nas principais ligas do planeta.

Campeonatos que desgastam, física e mentalmente. O eixo central do esporte hoje são os clubes, não mais as seleções. Sugam toda a energia dos atletas no futebol da concentração na execução de planos de jogos complexos, com compactação, intensidade máxima, disputa por espaços e pressão em quem tem a bola.

É para pensar a longo prazo numa solução para que as disputas mais importantes do futebol de seleções não fique com o bagaço de seus astros.

Cristiano Ronaldo chegou à França no sacrifício. Recuperou-se, colocou seu país na decisão, mas não resistiu à entrada dura, não maldosa, de Payet. Vinte e quatro minutos em campo no Stade de France, dezesseis no sacrifício. Saiu às lágrimas numa cena tocante. Entrou Quaresma.

Depois restou ao camisa sete gritar, incentivar e torcer por seus companheiros, que negaram espaços à anfitriã e favorita com entrega total. Quando os comandados de Didier Deschamps conseguiram se livrar do cerco fortíssimo, Rui Patrício garantiu com defesas fantásticas. Nos acréscimos do tempo normal, o goleiro luso foi vencido, mas não a trave na bela jogada de Gignac sobre Pepe.

Estava escrito que só iria às redes o chute de Eder, que entrou na vaga da revelação Renato Sanches. Portugal foi intransponível como a Grécia de 2004 em terras lusitanas para frustrar a geração de Figo. O time de Felipão. Agora Fernando Santos foi quem emulou um outro treinador português: José Mourinho, o homem que organizou e tirou a vergonha da retranca para responder ao fenômeno Guardiola.

Com as linhas próximas que lembram o handebol, Portugal fez história. Para não deixar dúvidas, o destino se encarregou de não deixar em campo o craque maior para que ele não carregasse sozinho as glórias da conquista. Ainda que com a taça ele supere Eusébio e qualquer outro compatriota e também consiga o que Messi não alcançou com a Argentina. Além disso, garantiu a próxima Bola de Ouro, a quarta da carreira mais que vitoriosa. Exemplo de dedicação ao trabalho.

Mas o herói foi o time. A Eurocopa também aponta o norte do futebol mundial: jogo coletivo. Pode não agradar puristas e saudosistas, mas a entrega de cada português em campo construiu o maior feito do país.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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