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Final da Libertadores e título do Atlético Nacional detonam velhos clichês

André Rocha

28/07/2016 00h11

"Brasileiros e argentinos são favoritos absolutos e só perdem para si mesmos" – O Atlético Nacional de Medellín tem tradição e um título, em 1989. O Independiente Del Valle do Equador nem campeão equatoriano foi. Zero grife, nenhuma camisa que entorta varal. Mas sobraram organização, futebol atual, trabalho sério dentro de uma ideia de jogo. Com a conquista da Sul-Americana pelo Santa Fé, a Colômbia agora manda na América do Sul.

"Para ganhar Libertadores tem que bater e catimbar. É guerra!" – O time colombiano venceu jogando bola. Em 14 jogos, dez vitorias, três empates e só uma derrota. Ataque mais efetivo, defesa menos vazada.

Sim, houve polêmica na arbitragem do confronto com o São Paulo e na decisão no Atanasio Girardot o Del Valle pode reclamar de um pênalti de Henríquez sobre Uchuari no segundo tempo. Mas a melhor equipe leva a taça. A campanha com mais pontos no novo formato, superando o Boca Juniors em 2003 com 32. Incrível aproveitamento de 79%.

"Para vencer tem que contratar craques consagrados". O atacante Miguel Borja desequilibrou com cinco gols nas quatro partidas decisivas. Veio do Cortuluá. Descartado pelo São Paulo, nenhum outro brasileiro se interessou. Perdeu chance cristalina aos 19 segundos na grande final em Medellín, mas não desperdiçou a oportunidade de marcar o gol do título.

"O camisa dez precisa desequilibrar". Sornoza foi fundamental na campanha do time equatoriano, marcando seis gols neste torneio continental acionando os velozes Julio Angulo e Cabezas pelos flancos e Jose Angulo na frente. Mas não jogou no primeiro tempo e nem voltou do intervalo. Uchuari deu mais dinâmica na transição ofensiva.

Já Macnelly Torres viveu de lampejos e dependeu da qualidade dos passes de Mejía e Guerra para ter posse de bola (terminou com 60%) e controlar o jogo. Na final, o dez não jogou.

O Atlético teve talento aliado ao trabalho coletivo aprimorado por Reinaldo Rueda, sucessor de Juan Carlos Osorio, e precisão na ida ao mercado. Sofreu, mas venceu um oponente valoroso. Que os clubes brasileiros tenham a humildade para aprender com os finalistas que detonaram alguns dos nossos velhos clichês.

(Estatísticas: Conmebol)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.